O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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quinta-feira, 10 de março de 2011

A viúva que amamos


A viúva que amamos

Por Urariano Mota (*)

 

Recife (PE) - De Raquel deve ser dito que se não fosse ela, todos que fomos à sua casa poderíamos hoje estar mortos. Ela, viúva, louca e desfrutável para os nossos corações, somente para os nossos corações de esperança e mais nada, doou a sua granja para encontros clandestinos da organização Ação Popular.

Quanto eram solitários, desertos e secos de tudo aqueles anos. Essa mulher, que foi combustível de nossa imaginação, também cozinhava como uma feiticeira, e produzia umas galinhas caipiras, e temperava um arroz natural, e, achando pouco, gargalhava e sorria conosco, não sei se por um instinto de perversão, de serena crueldade, porque, mais velha que nós, e sendo por natureza, formação e vontade fêmea, devia adivinhar o efeito do seu riso aberto. Nós então sorríamos também, sorríamos muito, sorríamos até de nervoso, mas sorríamos, como quem diz, vamos sorrir, porque talvez amanhã os nossos risos sejam apenas os dentes.

Lembro que a conheci duas vezes. Na primeira, ela foi apresentada por Tonhão, o negro mais alto e irresponsável que os nossos olhos já viram. Tonhão, de batismo Antonio Agostinho, era um homem bom, sei agora. Sei porque só a generosidade poderia apresentar a pessoa amorável de Raquel. Claro, nisso havia também exibicionismo, para nos mostrar a mulher que ele poderia ter. O futuro do pretérito então era um remoto futuro do presente.



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Um deus inca em São Paulo

Um deus inca em São Paulo

Por Urariano Mota (*)

 

O aniversário da cidade de São Paulo, nessa última terça-feira, me faz ir um pouco mais longe, até 1977. Nesse ano, quando em São Paulo desci os pés, tive a sorte de conseguir trabalho no Jornal da Semana, que era editado pelo escritor Raduan Nassar. Raduan, então, somente havia publicado Lavoura Arcaica. Na época, a minha reportagem remunerada consistia em escrever crônicas como freelancer para o jornal, e nada mais. Raduan e família, dona da cadeia de supermercados Bazar 13, até que pagavam bem, mas, diabo, as minhas 20 linhas semanais não valiam mais que o pouco chumbo impresso.

De passagem devo anotar que nesse tempo o estado de ânimo e de matéria – alma e prata - deste repórter era o pior possível. Para terem uma idéia do quanto, este que lhes escreve somente respondia cartas que viessem com selos adicionados no interior do envelope. No entanto, não sei se em razão de raiva ou de maior desespero, o texto que recupero a seguir não demonstra bem a carência de dinheiro no espírito do repórter. Eu era um atleta sonhador nesses belos dias paulistanos: percorria, passeava a pé mais de 9 horas, em rigoroso regime de calorias, por inúmeros e infindáveis quilômetros, da Vila Maria a Pinheiros. Entre ladeiras, ruas curvas e retíssimas avenidas, não posso dizer que conheço a cidade, pois São Paulo é muito grande. Mas posso informar que sempre observei a bela paisagem dos edifícios, sob um céu invariavelmente cinza. E chega de nariz de cera, vamos ao trabalho. O texto que recupero é este: 



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O papelão de assessores de imprensa na ditadura

O jornalista Carlos Chagas (à esquerda) acompanhando o marechal Arthur da Costa e Silva. Foto: Acervo pessoal de Carlos Chagas / Retirada do livro "No Planalto, com a Imprensa"
O papelão de assessores de imprensa na ditadura

Por Urariano Mota (*)

 

Recife (PE) - Do livro “No Planalto, com a imprensa”, cujos dois volumes reúnem entrevistas de secretários de imprensa e porta-vozes de JK até Lula, prefiro ressaltar frases de assessores que serviram à ditadura brasileira. Nas passagens que o eufemismo recomendaria chamar de momentos menos honrosos, são indicadas ações vis como se fossem coisas bobas, ossos do ofício de experientes assessores, entre um riso e outro.

É sintomático do nível geral do jornalismo que ninguém mais se espante com informações graves, como estas cândidas palavras de Carlos Chagas, assessor de Costa e Silva, ao lembrar seus tempos de O Globo:

“As informações sobre o que podia ser veiculado vinham dele, Roberto Marinho. Mas era esporádico, vinham de vez em quando, porque o Roberto Marinho era daqueles jornalistas antigos que não admitiam notícia política, vamos dizer, elaborada pelo repórter. Ele tinha uma orientação clara: ‘Tem que escrever: fulano de tal disse a O Globo, disse a O Globo, disse a O Globo. Aí, publique tudo o que você quiser, na boca do outro’. Era esperto, não? Para O Globo não ser acusado de nada”



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Para que lado sopra o futuro?


Há os mais sensíveis, mais sensíveis que as melhores serpentes. Adotam um comportamento sensato, que jamais falha: eles não radicalizam posições políticas, e melhor, bem melhor, jamais serão sectários. Porque eles sabem que os muito radicais, em qualquer movimento, serão os primeiros destinados ao sacrifício. Radicais lideram, de imediato, mas deles jamais será o dom de governar, que por vezes se confunde com o dom de contemporizar, dialogar com contrários, administrar conflitos. 

Por Urariano Mota (*) 

Houve um tempo em que o socialismo era o destino infalível, uma poderosa força da natureza, o destino último e de redenção de todos os povos. Tão forte era esse destino, e tão determinado e inescapável o seu realizar, que alguns de nós chegamos a pensar que o capitalismo cairia de podre. Outros, mais artísticos, julgávamos que a nova humanidade viria como uma metamorfose natural, da crisálida morta para a borboleta rubra. Esse futuro passou. Houve um tempo em que o futuro era a paz idílica, sentimental, onde todas as feras passeariam ao lado de mansas ovelhas, em concórdia. Esse futuro é passado.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Noel, o X do problema

Maio deveria ser o mais triste dos meses para os brasileiros. Assim pensei em começar este artigo. Depois de mudar e riscar, pensei em começá-lo com uma pergunta: “Quem dá mais por um artista feito no rigor da arte, sem introdução e sem segunda parte, que expressa três terços de todo brasileiro?”. Depois me ocorreu que bem melhor seria uma crônica em feitio de oração, com humor, para suportar a paixão, com harmonia, ritmo...

Por Urariano Mota (*)


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Homossexuais são da Terra


Homossexuais podem ser seus filhos, irmãos, tios ou pais, meninos. Homossexuais podem ser até vocês, que punem com fúria a diferença que não aceitam em sua própria pessoa. Homossexuais não são de Marte nem de Vênus, boys. Homossexuais são da Terra, feras.

Por Urariano Mota (*)


domingo, 5 de dezembro de 2010

Tolstoi, 100 anos de permanência

A obra de Tolstoi ocupou um dos primeiros lugares na literatura mundial

Ao receber a sugestão* de escrever sobre os 100 anos da morte de Leon Tolstoi, a primeira reação foi a de me esconder atrás de uma larga árvore, um baobá imenso. Ali, bem oculto, tentaria responder com palavras que brotassem na terra como plantinhas rasteiras, miúdas: “Não sou digno dessa honra”.

Por Urariano Mota (*)


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Entrevista histórica: viva o Brasil de Lula

  Entrevista histórica: viva o Brasil de Lula

 

Não fosse a circunstância desse encontro, raro, único, de um Presidente “baixar-se” a uma coletiva de mais de duas horas para os expulsos da grande imprensa que se julga jornalística, não fosse, já nesse encontro, o reconhecimento do poder de informar de uma nova mídia, que faz o jornalismo com que todo estudante sonha, não fossem essas coisas tão extraordinárias, haveria as revelações que o Presidente Lula trouxe em vários momentos da coletiva.

 

Por Urariano Mota (*)


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Qualquer miserável tem preconceito

  Qualquer miserável tem preconceito

Manifestações, zombarias, ocorriam  antes de 2010. Agora, após a eleição de Dilma, o riso virou zurro e fúria.

Por Urariano Mota (*)


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dilma depois do debate da Globo

  Dilma depois do debate da Globo

O sentimento que no peito imagina o Brasil de 31.10.2010, como se o tempo se iniciasse agora, é de uma alegria que vem depois de uma tormenta.

Por Urariano Mota (*)


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Como reconhecer um candidato falso

 Como reconhecer um candidato falso

Simples, digamos. Nas cédulas reais, está escrita a frase que os pobres sempre exclamam quando conseguem uma nota: “Deus seja louvado”! No candidato  falso, com o sorriso que é uma denúncia de falsidade, tem a frase: “Em Serra eu confio”. 

Por Urariano Mota (*)


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Paulo Preto, o homem do Golpe de Mestre

 
Paulo Preto, o homem do Golpe de Mestre

Que diferença para quem na véspera não o conhecia! Que sacada, que ameaça magistral, do senhor  Paulo Preto. Lembra o filme Golpe de Mestre. Na tela, foi um longa-metragem. Mas na vida real talvez esse filme tenha um fim mais curto. Serra não é Robert Redford, apesar dos ares de conquistador em fim de carreira. Paulo Preto, tampouco, é Paul Newman. Mas que personagem é o engenheiro do ano de 2009 de São Paulo! Pode ser o cara desta campanha.
 
Por Urariano Mota (*)

domingo, 26 de setembro de 2010

100 anos de Lula Cardoso Ayres

Urariano Mota

Hoje faz 100 anos do nascimento de Lula Cardoso Ayres, artista múltiplo, recifense. Pintor grande em uma terra de grandes pintores como Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro, para somente falar de clássicos da moderna pintura brasileira, Lula achou pouco ser desenhista e pintor, e entrou pela fotografia, design, ilustração, pesquisador das gentes.

Em sua fase madura, aprendeu o povo sem apreendê-lo ou prendê-lo. Marcou para sempre as coisas da gente de Pernambuco, como se fosse um filtro humano, colorindo a a geometria. Ver, por exemplo, o que chamo "Cortadores de cana", http://www.bolsadearte.com/maio2000/maio2000lote39%20.jpg

Designer pioneiro no Brasil, desenhou marcas-símbolos-síntese para produtos que dão água na boca só em lembrá-los: lata da biscoitos Pilar, lata do azeite (que era óleo) Bem-te-vi.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dilma em duas fotos



Urariano Mota

Em uma foto que circula na internet como pertencente à “jovem Dilma”, há uma graça de moça, como toda graça que é só futuro, formas e felicidade. A pessoa que divulgou essa foto colorida, à margem de um tranquilo riacho, deve ter desejado uma atualização para que os jovens do Brasil vissem Dilma como uma guapa e linda moça. Bem que entendemos. Mas nessa atualização houve um inarredável paradoxo. Trazer o passado para o presente não é o mesmo que vestir na forma passada a forma presente. Uma “atualização” assim apenas recria cara, paisagem e roupas como um cenário de novela de televisão.

Para nada falar de asperezas técnicas, por exemplo, de uma foto digital em 1970, ou mesmo de inadequações físicas, porque a “jovem Dilma” ali está sem os dentes de coelhinho, a foto exibe um semblante puro, claro, a sorrir em um Brasil livre, sem a mácula do vampiro Médici. Essa jovem poderia ser uma nossa filha, bela, guapa e feliz. No entanto há nela um erro mais essencial, que vai além do que venha parecer uma jovem Dilma assim: os militantes contra a ditadura brasileira, naquele tempo, não tiravam fotos, a não ser, claro, as indispensáveis 3 x 4 de documentos. As raras imagens arrancadas de surpresa em dias de álcool e irresponsabilidade deixavam uma grande angústia. E se a foto “caísse”, vale dizer, e se a foto fosse aprisionada em alguma busca dos militares ou policiais?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Serra é um petista infiltrado"

“José Serra é um petista infiltrado na oposição”
ou
Uma antalogia de comentários e colunista da Veja

Por Urariano Mota

Esta antalogia já vem pronta. Basta copiar dos comentários a qualquer post de Augusto Nunes, ou do Rei, no site da revista Veja. Mas vamos começar por aqui, por exemplo, http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-senador-ensina-em-90-segundos-que-o-dever-de-um-oposicionista-e-fazer-oposicao/:

“O senador ensina em 90 segundos que o dever de um oposicionista é fazer oposição...
Além do mais, ainda que confrontado com um quadro político-eleitoral adverso, o dever de um oposicionista é fazer oposição. A lição, velha como a primeira urna, é reiterada pelo senador Jarbas Vasconcelos no vídeo de 90 segundos (o tempo de que dispõe no horário eleitoral gratuito)”.

Acontece que o tempo de propaganda do senador da Veja é acima de 6 minutos por edição/ turno na televisão. Bastava o augusto colunista consultar o YouTube.

Mas o diabo, ou melhor felicidade antalógica, é que, diante de tamanha ausência de pesquisa, cultura e informação, vêm os comentários à sua altura:

Como pagar 200 mil reais em dinheiro

 
Como pagar 200 mil reais em dinheiro

Da grande reportagem da Veja desta semana:
“Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo – um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula.” 

Veja, olhem e vejam como a denúncia cai diante dos olhos da aritmética.
Por Urariano Mota (*)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O velho filme das denúncias eleitorais


O velho filme das denúncias eleitorais

O roteiro é conhecido, o filme é velho, mas continua a ser exibido a cada quatro anos, quando se anunciam mudanças políticas no Brasil. É um filme B, de candidatos a  canastrão, de poucas locações, mas ainda assim caro, muito caro, pelo preço cobrado e pelas repercussões na vida econômica do Brasil. É uma película grossa, repleta de truques manjados, repetidos à exaustão,  sem qualquer voo tecnológico ou design de jornadas nas estrelas, mas ainda assim eficaz como uma armadilha de sexo, cujo final é sempre conhecido, mas ainda assim sedutor. 

Por Urariano Mota (*)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Se um brasileiro descer num disco voador


Se um brasileiro descer num disco voador

Ao desembarcar ele perguntaria se não se enganou de tempo, lugar ou planeta, pois parecia ter havido mudança na renda dos antigos brasileiros, e para melhor.

Por Urariano Mota (*)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Justiça de classe

 

Justiça de classe

Assim como já se disse que no Exército, diante de um ilícito, a norma é "faça-se um rigoroso inquérito e puna-se o soldado", neste caso também um rigoroso inquérito se fez.

Por Urariano Mota (*)

sábado, 28 de agosto de 2010

Dilma, Presidente ou Presidenta?


 Dilma, Presidente ou Presidenta?

Olhem só a que nível chega o reacionarismo, ou, o que é igual ou pior, a prestação de serviço a um patrão reacionário. Na Folha de São Paulo deste sábado: 
Por Urariano Mota (*)
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