O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Caso Battisti: O que Vai Julgar o STF?




Caso Battisti: O que Vai Julgar o STF?
Carlos A. Lungarzo
Am. Int. 9152711
Na sessão de dezembro de 2010, o Supremo Tribunal Federal aprovou, por 5 votos contra 4, que a decisão de executar ou recusar a extradição cabia ao chefe de Estado, ressalvado o cumprimento do Tratado de Extradição Brasil-Itália.
No final de 2010, a Advocacia Geral da União (AGU) produziu um detalhado despacho sobre os riscos que o possível extraditando poderia sofrer na Itália, baseados no inciso 3.1.f do Tratado.
Emitido o decreto do ex-presidente Lula em 31/12/2010, o atual presidente do STF desconheceu a legitimidade do mandato que o próprio STF tinha conferido, e decidiu manter preso o escritor. Mais de um mês depois, o ex-presidente do STF, que é o atual relator do caso, anuncia que a decisão de Lula será julgada proximamente. Mas, neste caso, julgar significa o quê?

sexta-feira, 11 de março de 2011

LUNGARZO AFIRMA: PELUSO FEZ ACUSAÇÃO "ESCANDALOSAMENTE FALSA" A BATTISTI

Celso Lungaretti (*)

A intenção de Peluso seria maximizar o
efeito negativo para a imagem de Battisti


"Quantas outras falácias, invencionices e versões fictícias haverá naquele processo da extradição 1085?! Em qualquer país onde o Judiciário tenha um mínimo de decoro, um voto como esse teria sido imediatamente anulado."

O desabafo é de Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional, referindo-se ao relatório que o ministro Cezar Peluso  preparou para o julgamento do pedido de extradição do escritor Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal, em 2009.

Segundo Lungarzo narra no artigo "Inverdade" evidente do relator do Caso Battisti (acessar aqui), ele e a escritora/arqueóloga Fred Vargas, cada qual por seu lado, constataram que Peluso atribuiu o assassinato do açougueiro Lino Sabbadin a dois autores diferentes, em trechos distintos do relatório.

O que se seguiu foi chocante:

quarta-feira, 2 de março de 2011

EXPULSÃO DE BATTISTI É UMA HIPÓTESE INACEITÁVEL

Celso Lungaretti (*)

Uma tocaia para Battisti? é o título do novo artigo do companheiro Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional.

Ele também ficou apreensivo com as declarações do advogado geral da União, Luís Inácio Adams, no sentido de que, uma vez confirmada pelo STF a decisão brasileira de não extraditar Cesare Battisti, o escritor, como estrangeiro em situação irregular, possa vir a ser obrigado a deixar o País.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Caso Battisti: Novo Libelo

Caso Battisti: Novo Libelo
Versão Atualizada e corrigida

Carlos A. Lungarzo
AIUSA 9152711
Recentemente, a revista brasileira Carta Capital publicou um conjunto de argumentos contra Cesare Battisti, assinados pelo magistrado Walter F. Maierovitch. A revista publica desde 2008 numerosos textos destinados a acusar Battisti dos supostos crimes que se lhe atribuem na Itália, a reforçar a posição do judiciário italiano e uma parte do judiciário brasileiro, e a denegrir todos aqueles que questionam a culpabilidade do escritor italiano, e/ou a performática vingança que os peninsulares tentam impingir.
Até onde eu pude ver, a maioria desses artigos são altamente redundantes e, embora muitas vezes falem dos autos e das sentenças, nunca tenho visto nenhuma citação concreta dos mesmos, muito menos alguma referência contextual que permita que o leitor verifique se as afirmações dos autores são o não verdadeiras.  Tenho evitado sempre a discussão deste assunto, por entender que o caráter emocional, não fundamentado e tendencioso destes libelos transformaria em objeto respeitável de polêmica um conjunto de mensagens de ódio. Além disso, os ativistas de direitos humanos devem, na minha opinião, tentar desvendar a verdade e não estimular a diatribe alienante. Portanto, um conjunto de afirmações só deve ser discutido quando sua falsidade pode ser demonstrada.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Atos em Defesa de Cesare Battisti



Atos em Defesa de Cesare Battisti
Carlos A. Lungarzo
Amn. Int. 9152711

A organização CesareLivre (http://cesarelivre.org) que coordena as entidades que defendem, desde o começo da perseguição no Brasil, a liberdade do escritor italiano Cesare Battisti, têm organizado uma série de atos em São Paulo e Brasília para apoiar seus direitos e repudiar o seqüestro ao qual está submetido por iniciativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, e seu principal colaborador, o presidente do período anterior. A continuação, transcrevo literalmente a comunicação do movimento, e faço alguns comentários na segunda seção deste artigo.

Transcrição da Convocação
Fortalecer a campanha pela imediata liberdade de Cesare Battisti!
Quase quatro anos se passaram e Cesare Battisti continua preso no Brasil. A prisão preventiva mantém-se graças às pressões que o governo de Silvio Berlusconi exerce sobre Brasília para que o ex-ativista político seja extraditado para a Itália. Toda espécie de arbitrariedades políticas e jurídicas está sendo realizada para condenar Cesare Battisti por quatro assassinatos que não cometeu. Apesar de Lula ter negado a sua extradição, o escritor italiano ainda é mantido preso, a espera de uma nova e absurda apreciação do Supremo Tribunal Federal.
O ministro relator do caso, Gilmar Mendes, declara agora que “tudo será considerado a seu tempo”, sinalizando que arquitetará novo malabarismo jurídico para prolongar a agonia de Cesare Battisti.
Como lutadores sociais, sabemos que a perseguição ao ex-ativista é, antes de mais nada, um recado àqueles que ousam se levantar contra o regime de dominação e exploração. Na pessoa de Cesare Battisti, buscam punir exemplarmente lutadores de todas as gerações.
Várias entidades, movimentos sociais, organizações políticas, coletivos, ativistas ligados aos direitos humanos e às reivindicações democráticas tiveram a iniciativa de conformar comitês em várias regiões do país a fim de lutar contra a extradição de Cesare Battisti, e exigir - seja do STF ou do Poder Executivo -sua imediata liberdade e concessão de asilo político no Brasil. Apenas uma mudança na correlação de forças poderá acabar com a “fuga sem fim” do escritor italiano. Vários debates e manifestações foram realizados no Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Mas estes foram apenas os primeiros passos de uma longa jornada, para a qual devemos nos preparar.
Para os próximos dias, convocamos aqueles ativistas, organizações, movimentos e entidades sindicais que ainda não aderiram à campanha a ingressar ativamente nestas atividades, conforme calendário a seguir:
v Manifestação com concentração no MASP
Na seqüência caminharemos até o Consulado Italiano, na Av. Paulista.
18 de fevereiro, sexta-feira, às 17 horas
v Plenária ampliada com entidades, movimentos e representações políticas:
19 de fevereiro, sábado, às 15:00
Espaço Mané Garrincha
Rua Silveira Martins, 131, sala 11.
Saída do Metrô Sé pelo Poupa-Tempo.
v Saída da caravana a Brasília
22 de fevereiro, terça-feira, 16 horas
v Ato político em Brasília e visita a Cesare Battisti
23 de fevereiro, quarta-feira

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PROCURAÇÕES FORJADAS: FICHA DEMOROU A CAIR PARA OS JORNALÕES

Celso Lungaretti (*)

Tiveram alguma repercussão estas  revelações  da escritora Fred Vargas ao jornal O Estado de S. Paulo (Francesa vê fraude em processo que condenou Battisti):
"Uma suposta fraude nas procurações assinadas pelo ex-ativista Cesare Battisti estaria por trás de sua condenação à prisão perpétua pela Justiça da Itália. A acusação é feita pela historiadora, arqueóloga e escritora francesa Fred Vargas com base em documentos do processo, coletados ao longo dos últimos dez anos. Segundo ela, três procurações teriam sido fabricadas durante o autoexílio de Battisti para permitir que ele fosse representado em seus julgamentos.

O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso aos documentos. Segundo a denúncia da escritora, Battisti teria deixado ao ex-companheiro de guerrilha Pietro Mutti, líder do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), folhas em branco assinadas em outubro de 1981 para serem usadas na eventualidade de um processo judicial. Esses papéis, de acordo com a escritora, teriam sido usados pelo procurador do caso, Armando Spataro, e pelos ex-advogados de Battisti, Guiseppe Pelazza e Gabrieli Fuga, para forjar procurações que viriam a ser usadas nos julgamentos, em 1982 e em 1990. 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Por Que V Excelências Morrem de Medo?




Por Que V Excelências Morrem de Medo?
Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional

O Senado Brasileiro está composto de vários tipos de parlamentar. Alguns, entre os quais quero citar o lendário Eduardo Suplicy, os defensores populares José Nery e Inácio Arruda, e vários outros com os quais não possuo muito contato, mas que admiro muito, que certamente orgulhariam a câmara alta de qualquer Parlamento do mundo. Outras pessoas se mantêm no nível necessário para defender suas idéias e propósitos, e mais alguns outros (não saberia atualmente estimar quantos são) representam a clássica função histórica do Senado nos países imperiais ou descendentes de impérios: o órgão de expressão das mais altas e poderosas elites, que precisam possuir os controles da vida parlamentar para manter o aparelhamento do estado.
Em alguns países de tradição mais complexa, como G. Bretanha, o senado reúne figuras muito diversas, mesmo nas bancadas mais conservadoras. Entretanto, nas Américas, por diversas razões relacionadas com o caráter colonial de nossas elites, aqueles altos representantes das classes dominantes se caracterizam por certo transtornos de personalidade que vão além da simples necessidade de defender seus privilégios. Com efeito, nada impede que um parlamentar da ultra-direita se empenhe em todos os lobbies necessários para o sucesso dos interesses corporativos que representa, sem que isso implique uma notória tendência à violência verbal, o racismo, a discriminação, a xenofobia, a intolerância e, por momentos, a quadros de séria patologia.  Acaso as reuniões da Máfia não aparecem no cinema como sendo muito educadas e atenciosas?
Entretanto, como fazem notar alguns sociólogos europeus, em alguns países desenvolvidos (esclareço que a Itália está excluída desta consideração) é possível ser ultra-conservador e ter boas maneiras. Já nos países onde as elites se desenvolveram com base na brutalidade, seus representantes não podem evitar vomitar todo seu ódio por qualquer motivo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Um País Cheio de Vítimas


Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA) – 2152711

Se eu não conhecesse bem o caso Battisti e, além disso, acreditasse na boa fé da grande mídia, pensaria que os inimigos do escritor italiano estão sendo muito generosos. Com efeito, será verdade que ele matou apenas quatro pessoas? Vocês pensarão por que me faço uma pergunta tão idiota. O motivo de minha curiosidade é o seguinte: Itália é um tradicional país cristão, onde até há pouco tempo as famílias tinham muitos filhos. Aliás, conservadores piedosos e crédulos aceitam todos os filhos que “Deus manda”. Durante as décadas de 20, 30 e parte de 40, o aumento de número das famílias foi estimulado com recomendações, prêmios, medalhas e elogios. O Duce Benito Mussolini distribuía pessoalmente honrarias entre as famílias mais férteis, e os parabenizava por produzir mais soldados para a glória do Fascio, já que a Pátria precisava matar muitos albaneses, ciganos, negros e outros monstruos.

Apesar de tudo isso, porém, será que apenas quatro pessoas (ou seja, os quatro mortos que a Itália pretende atribuir a Battisti) podem ter tantos familiares???

Com efeito, parece praticamente infinito o número de familiares das vítimas que aparecem em todos os contextos italianos da vendetta anti-Battisti: nos discursos de políticos, magistrados e policiais, na mídia, nas sociedades de vítimas, etc. Esses familiares de vítimas se consideram também eles vítimas e, de fato, alguns deles são. Alberto Torregiani, por exemplo, foi atingido por uma bala durante o tiroteio entre seu pai e membros dos PAC. Os outros podem considerar-se vítimas emocionais, pois perderam seus seres queridos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Caso Battisti: Deslizes Pretorianos


Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA) – 2152711

O Pretório Excelso (que é nosso conhecido Supremo Tribunal Federal para aqueles que possuem um léxico requintado) deverá celebrar, nos próximos dias, mais uma rodada do interminável caso de Cesare Battisti. Essa rodada pode acabar logo de começar, se uma maioria dos ministros entender que o presidente Lula, ao decidir contra a extradição do escritor italiano, usou um direito garantido de maneira explícita pelo próprio Pretório na oitiva de 16/12/2009. Nesse caso, em vez de manifestar-se, seja a favor, seja contra, os juízes poderão considerar a questão prejudicada, o que seria obviamente o correto.
Essa faculdade reconhecida a Lula era a de decidir em favor ou em contra da extradição, com base apenas na obediência ao Tratado entre o Brasil e a Itália. De fato, como o acórdão de abril de 2010 o reconhece, entre os cinco juízes que votaram em favor da faculdade decisória do chefe de estado, quatro admitiam a absoluta discricionariedade e apenas um (Eros Grau) exigiu a vinculação com o tratado.
Em qualquer hipótese, a crença de que o chefe de estado estava obrigado a proceder à efetiva extradição do prisioneiro foi derrotada por 5 a 4. A confusão criada no seio do pretório, abusando do estado de fragilidade emocional do ministro Grau, que o colocou em situação humilhante, não foi, apesar de toda a pressão, suficiente para que o resultado final ficasse confuso, a despeito das dramáticas declarações do relator sobre o caráter pouco inteligível da proclamação. A melhor prova disso é que, mesmo que Peluso se rasgasse as vestes e pedisse ajuda para redigir um texto sobre um assunto “tão confuso”, o acórdão foi produzido no prazo usual no STF. As dificuldades do Senhor Pretor não eram tantas como ele dizia!



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Caso Battisti: Moção do Senador Suplicy


Caso Battisti: Moção do Senador Suplicy
Esta é, talvez, a mais importante proposta individual já feita para o caso Battisti. Peço aos amigos que se esforcem em difundi-la.
Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional USA
2152711 – ID Br. V033174-J
No dia 18 de Janeiro de 2011, o Senador Eduardo Matarazzo Suplicy enviou um e-mail a Dario Pignotti, um jornalista argentino que atua no Brasil como correspondente da Agência ANSA. O motivo da mensagem é que esta agência tinha publicado, através de seu escritório em Trieste, mais uma das centenas de queixas contra Battisti dos familiares dos mortos, que, aliás, foram mortos por outros: Memeo, Masala, Mutti, Giacomini, Grimaldi e Fatone. Estas vítimas cobram do Battisti cumprimento de duas prisões perpétuas na Itália, na esperança de que depois de cumprir a primeira, sua alma vá ao inferno e aí cumpra a segunda. Segundo eles, pedem isso não por espírito de vingança, mas de justiça! Que bom que eles fazem a ressalva. Pode haver algum malicioso que pense que eles são vingativos.
Contexto Geral
Esta cobrança não é nenhuma novidade. Desde que começou a ser conhecido o caso Battisti, a Folha de S. Paulo publicou em forma relativamente destacada (até onde eu consegui conferir) 19 declarações de Alberto Torregiani, filho do ourives que fora assassinado por um comando dos PAC em fevereiro de 1979. Jornais, revistas e redes de TV deram também destaque a Maurizio Campagna, irmão do policial morto pelo mesmo grupo em abril desse ano, e a Alessandro Santoro, filho de Antonio Santoro, chefe dos carcereiros de Udine, morto em junho de 1978, em represália pela aplicação de torturas a prisioneiros na cadeia judicial de Udine. Já Adriano Sabbadin, filho do açougueiro Lino, da uma vila perto de Veneza, foi várias vezes citado pela mídia Brasileira, como um das pessoas que viu Battisti matar seu pai.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Que, Realmente, Votou o Parlamento Europeu?


O Que, Realmente, Votou o Parlamento Europeu?
Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA) – 2152711

Na mídia brasileira da noite de 20/01 e nas atualizações na Internet, quase todas as notícias, mesmo as que diferem em estilo e até em algum detalhe informativo, fazem notar os seguintes fatos:
1.       Votaram pela Itália 86 deputados, apenas 1 contra, e houve 2 abstenções. (Alguns dizem que foram 89, mas a diferença é irrelevante desde o ponto de vista político ou social.)
2.       O PE recomendou ao estado brasileiro rever a extradição de Cesare.
Mas, a mídia não se preocupa em dar o contexto. O que significa realmente esta votação?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DEMOCRACIA ANALFABETA


Democracia Analfabeta

Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional

Eu sou de um país onde a palavra dada é sempre negociável em função das ofertas do mercado. [...] Entre nós, a palavra dada serve para elevar o preço da triação. Somos um país mercador que faz comércio com tudo, desde o patrimônio artístico até os presos políticos.
Erri De Luca (escritor italiano): A palavra dada é negociável? in Vargas, F.: La Véritè sur Cesare Battisti (v. Hamy, 2004)

Democracia, na linguagem política moderna, já não significa o mesmo que a palavra que lhe deu origem na antiga Grécia (demos kratia = poder do povo), assim como a química tampouco continua sendo o estudo das substâncias vindas do Egito. O mundo muda, e conceitos tradicionais adquiriram significados mais específicos.
Atualmente, são poucos os países que não se consideram democráticos. Desde o invadido e esfacelado Iraque, atacado por imperialismos e terrorismos de todos os estilos, até Canadá, Estados Unidos, repúblicas africanas, etc. quase tudo é democrático. Afinal, “democracia” em sentido formal, significa eleições pluri-partidárias, periódicas, com voto universal para os adultos. Em algumas democracias, como no Brasil, a Constituição faz questão de salientar que fica “eliminada” a censura, mas isso não é o entendimento de todos os governos democráticos.
Aliás, uma democracia pode existir com poucos livros, poucos escritos, e poucos escritores. É o que descobriram em 15 de novembro umas sumidades intelectuais da que fora, há muito tempo, a iluminada e liberal República de Veneza.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Caso Battisti: O Que Vai Votar o Parlamento Europeu?

Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional
A mídia marrom, grande ou pequena, passa reiteradamente a notícia de que no dia 20 de janeiro, o Parlamento Europeu vai votar uma moção contra Battisti e contra o governo brasileiro, que foi preparada por todos os parlamentares italianos. Esta parte da informação é correta, pois o parlamento italiano está integrado por neofascistas, por ex-membros da Democracia Cristã (e, portanto, próximos da Igreja e da Máfia), por ex-neo-stalinistas, e por oportunistas socialdemocratas. A única esquerda organizada na Itália, a Rifondazione Comunista, se encontra fora do Parlamento.
Mas, o que a mídia não fala, é que a moção apresentada pelas “lojas” políticas italianas não é a única. Por sinal, como os MEPs (parlamentares do PE) se distribuem por grupos que equivalem ao que seria um partido político, os deputados italianos junto à UE não estão todos no mesmo grupo. Assim sendo, há 3 moções quase iguais, que foram apresentadas por deputados italianos de cada um dos grupos. Como o poder de voto é individual e não por grupo, apresentar as propostas por grupos diferentes (o que é legalmente correto, desde que estas não sejam absolutamente iguais) não implica um maior consenso, mas, sem dúvida, possui um papel propagandístico bem maior.
Entretanto, além disso, há algumas moções diferentes, sobre as quais quero dar uma notícia rápida aqui. Antes de prosseguir é necessário ter em conta que em 2009, já foi aprovada uma moção sugerindo mornamente uma nova análise do caso Battisti, por apenas o 7,2% de quórum. Houve 46 votos a favor, 8 contra e quase 680 ausências.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cadê Pietro Mutti?


Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional

A Folha de S. Paulo apresenta na edição de 12 de janeiro uma reportagem da revista italiana Panorama, com a qual o jornal brasileiro parece manter uma estreita colaboração, pelo menos, de acordo com o que sugere o site da revista. A figura central do mesmo é o famoso “arrependido” Pietro Mutti, um dos 3, 4, 5 ou 6 delatores (o número varia com a imaginação de cada juiz do caso Battisti) que prestou “testemunho” contra Cesare o acusando dos quatro assassinatos.
O artigo da Folha está neste link, e o artigo original de Panorama, citado pela própria folha, encontra-se aqui. A abrir o link italiano, observe que já o título menciona a Folha de S. Paulo, o que pode sugerir que o artigo foi feito em colaboração, ou que há alguma relação editorial entre os dois veículos. O autor da matéria original é um jornalista que se identifica como Giacomo Amadori.
A reportagem é quase uma repetição de uma que já fez Panorama há 2 anos, com alguns dados de atualização. O leitor que veja esta matéria poderá observar que não há nada importante que não tenha sido dito vários milhares de vezes pelos algozes italianos, os inquisidores brasileiros, a imprensa marrom, o relator do STF e algumas outras centenas de “voluntários” que se plagiam os uns aos outros.



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PELUSO PODE SER IMPEDIDO POR MANIPULAR CASO BATTISTI

O professor Carlos A. Lungarzo, da Anistia Internacional, levanta a possibilidade de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, por haver alterado ilegalmente a decisão do STF referente ao pedido italiano de extradição do escritor Cesare Battisti, efetuando "uma manipulação pública, vista por milhões de pessoas".

Como se trata de assunto de extrema gravidade, sugiro a leitura atenta do parecer de Lungarzo, abaixo na íntegra. (Celso Lungaretti)

DECISÕES JUDICIAIS E CRIME DE ALTERAÇÃO
Carlos A. Lungarzo, da  Anistia Internacional
Extradição e decisão presidencial                 
No processo de extradição passiva 1085, onde o requerido era o escritor Cesare Battisti, o Supremo Tribunal Federal julgou dois aspectos. Um foi a admissibilidade de extradição, o outro foi a faculdade do Chefe de Estado para decidir sobre a execução efetiva do ato extradicional. Ambas as questões foram decididas na sessão de 18/11/2009. Como é bem sabido, o tribunal autorizou a extradição por 5 votos contra 4. No final da sessão, foi colocado em votação o direito do presidente para executar ou indeferir a extradição.
Os cinco ministros Marco Aurélio, Joaquim Barbosa, Ayres Britto, Carmen Lúcia e Eros Grau votaram que o chefe de estado poderia decidir, de maneira discricionária. Já os ministros Peluso, Mendes, Lewandowski e Ellen Gracie votaram contra.
Todavia, no dia 16 de dezembro, por causa de uma moção de ordem colocada pela Itália, a questão foi reaberta, provocando indignação nos juízes Marco Aurélio e Britto. Durante o debate, Peluso tentou pressionar Eros Grau para que votasse contra o que fora decidido na sessão anterior. Grau reclamou de estar sendo mal interpretado, mas acabou aceitando que a discricionariedade do presidente ficaria limitada pelo Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália.
Finalmente, o documento que ficou aprovado e foi publicado no acórdão de abril de 2010, disse, com outras palavras, que: autorizada a extradição pelo STF, o presidente fica facultado a executar a extradição ou a recusar sua aplicação, desde que, para tanto, se baseie no Tratado.
De fato, esta “liberdade” que o STF deu ao presidente não era necessária: a Constituição Federal considera o chefe de estado como representante da nação na política internacional e, além disso, toda a jurisprudência anterior, sem exceção, afirma o direito do presidente de escolher entre acatar o parecer de extraditar ou rejeitá-lo. É significativo que, alguns dias antes, o STF tivesse autorizado uma extradição ao Estado de Israel, deixando ao presidente o direito de decidir. Aliás, o sistema “misto” de extradição (usado no Brasil e em quase todos os países) determina que o judiciário “proteja” o extraditando, proibindo ao executivo sua extradição, se houvesse motivo para isso, mas autorizando quando a situação fosse legalmente viável. Nesse caso, ficaria a critério do presidente aproveitar a autorização ou reter o estrangeiro.
Mesmo assim, foi muito bom que o STF chegasse a uma decisão explícita sobre isso. Se, mesmo assim, o ministro Peluso decidiu alterá-la, o que ele poderia ter feito sem uma decisão explícita?
Na sessão em que foi votada esta matéria, por causa das constantes pressões de Mendes e, sobretudo, de Peluso, Eros Grau parecia muito nervoso, mas ainda assim a decisão final da corte foi clara. Posteriormente, Grau tratou o problema com maior detalhe numa matéria que publicou no Consultor Jurídico, em 29/12/2009 (vide).
Após alguns argumentos muito precisos, Grau disse que o presidente pode recusar a extradição autorizada pelo tribunal nos termos do Tratado. Pode fazer isso em alguns casos que não são examináveis pelo tribunal, e menciona precisamente o artigo 3º, I, que foi o utilizado por Lula. A idéia do magistrado, coerente com toneladas de jurisprudência e doutrinas internacionais, é que o presidente pode negar a extradição por um fundado temor de perseguição do estrangeiro no país requerente, mas esse temor não pode ser avaliado pelo judiciário. Como responsável pela política externa, é o executivo e seus assessores os que melhor podem “sentir” se há perigo ou não.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

SOBRE A SOLTURA DE CESARE BATTISTI





Carlos A. Lungarzo
AI - 2152711
Quatro dias depois que o ex-chefe do estado brasileiro, Lula da Silva, decretasse extinta a extradição do escritor italiano Cesare Battisti, ele ainda continua preso. É oportuno lembrar que, durante a terceira oitiva do julgamento da extradição 1085, quando, como parte final da sessão, foi reconhecido (por 5 votos contra 4) o direito do presidente a decidir sobre a aplicação ou rejeição da extradição, o então relator e atual presidente do STF disse, em tom de desafio, que se o governo se empenhava em não extraditar Battisti, ele seria submetido à “crueldade” de continuar na prisão, uma frase paradoxal, dita como se Cesare fosse esperado na Itália para ser alojado num hotel de 6 estrelas.
Mas, o principal desta afirmação não foi o caráter contraditório, mas a promessa que envolvia: se Battisti fosse livrado da extradição ficaria como refém dos inquisidores.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Aliança Contra o Santo Ofício

De esquerda para direita e de cima para baixo: Rui Martins, Eduardo Suplicy, Fred Vargas, Maria Luiza Fontenelle, Tarso Genro, Celso Lugaretti

Carlos A. Lungarzo

Anistia Internacional


Ninguém pode ter certeza sobre conjeturas contra-factuais, mas todos sabemos que a demorada justiça que se fez com Cesare Battisti (e que ainda não está completa) teria sido impossível sem a pressão exercida por diversas pessoas e grupos. Quero fazer uma breve resenha daqueles que foram mais importantes, especialmente em território brasileiro. Entretanto, dado o enorme número dos militantes ativos, é provável que não me possa lembrar de todos, inclusive de alguns muito importantes. A eles, peço humildemente desculpas, mas lembro que a Secretaria Especial de Direitos Humanos tem um documento que eu entreguei no mês de setembro, no qual há quase 4 mil nomes, entre os quais estão os deles.

Movimentos de Direitos Humanos
As ONGs brasileiras de direitos humanos tiveram uma imediata reação a favor de Battisti. Em abril de 2007, o Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos se pro­nunciou vigo­rosamente pela liberdade do detento, e organizou uma visita à prisão junto com a Comissão de Direitos Humanos da Câ­mara de Deputados.
Uma campanha poderosa e precoce contra a prisão de Cesare veio do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM), fundado em 1985 por antigos presos da ditadura e familiares dos mortos e desaparecidos. Em fevereiro de 2009, o Grupo difundiu um comunicado apoiando a decisão do ministro da Justiça Tarso Genro, exigindo a imediata liberdade do prisioneiro e a extinção do processo de extradição. O grupo denunciou o clima de maniqueísmo criado pela imprensa, com uma expressão irretocável: “lógica fascista, histérica e, mesmo, terrorista”. O ministro Genro foi reivindicado, como um cidadão que “teve a honradez e a ética de cumprir na prática a Conven­ção Relativa ao Estatuto dos Refugiados da ONU de 1951 e o Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados da ONU de 1967, dos quais o Brasil é signatário”.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Caso Battisti: Fim do Pesadelo

Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional

Desde Novembro de 2009, quando o presidente Lula manifestou na cidade de Salvador, que já tinha tomado sua decisão sobre o Caso Battisti, e que apenas aguardava o acórdão do STF (que foi publicado em abril) para fazer-la conhecer, a comunidade progressista e humanitária já sabia que o chefe de estado iria a encontrar uma maneira de rejeitar o pedido de extradição impetrado pela Farnesina, e concedido pelo máximo tribunal. Entretanto, nenhum de nós sabia qual seria o conteúdo do ato executivo onde se expressaria essa decisão.
Pessoalmente, junto com meus amigos mais comprometidos, pensei que o mais adequado era a outorga do asilo presidencial, que, por seu caráter discricionário, colocaria o escritor italiano, pelo menos teoricamente, a salvo da tentativa do STF de reabrir a questão, um risco com o qual tinham ameaçado várias vezes o então chefe do Supremo e o relator do caso. Foi por isso que empreendemos uma coleta de assinaturas que, em tempo três vezes menor,  conseguiu 14 vezes mais adesões que a petição dos fãs do linchamento, apesar da ajuda brindada a eles pelo generoso governo italiano.
É verdade que a figura mais adequada seria a de imigrante (ou seja, a fórmula outorgada sob o visto de residente permanente), porque daria a estadia definitiva, permitindo a naturalização, e garantindo uma profunda integração num país cujo povo encantador em nada se parece àquela décima parte (ou menos), formada pelas das elites que mantêm o poder físico, jurídico e mediático. Entretanto, alguns pensamos que o presidente evitaria usar a fórmula de imigração para diminuir os atritos com o governo italiano, para quem uma proteção tão forte poderia ser interpretada como um desafio. Tratar Cesare como imigrado esquentaria ainda mais o surto de “febre vendettária” do estado e da mídia da Itália, pois daria a ele a possibilidade de dar um adeus definitivo ao país onde ele, como milhares de outros jovens sonhadores, foi perseguido e humilhado. Ele se tornaria, como muitos de nós, uma nova pessoa, numa nova cultura, com novas esperanças.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Caso Battisti: Semi-Final





Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional
De acordo com um informe da Agência Brasil, repercutido pela maior parte dos órgãos de imprensa, mencionando uma declaração do chefe do Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o ministro chefe da Advocacia Geral da União, Luiz Inácio Lucena Adams, teria entregado, na terça feira 21, a seu quase homônimo Luiz Inácio Lula da Silva, o parecer sobre o qual deverá fundamentar-se a decisão do presidente da república para determinar o status do perseguido escritor italiano Cesare Battisti.
O fato despertou muita curiosidade na imprensa tanto italiana como francesa e brasileira, embora seja impossível discernir qual é o grau de conhecimento que os diversos órgãos possuem sobre o particular, mas, ninguém duvida (com sentimentos diferentes, é claro), de que o presidente Lula rejeitará o pedido de extradição. Aliás, desde há mais de um ano, em novembro de 2009, quando Lula falou sobre o assunto na cidade de Salvador, na Bahia, mais de um 90% das pessoas interessadas (incluindo as autoridades italianas e a cúpula do Santo Ofício tropical, que simularam não acreditar que Lula fosse capaz de proteger Battisti) não duvidaram um segundo em pensar que a resposta de Lula seria uma rejeição ao pedido italiano. A conclusão era óbvia: se ele tivesse querido conceder a extradição, não esticaria o momento da decisão, pois não haveria nenhuma vantagem em estender o clima de tensão. Aliás, a cúpula do STF teria recebido uma decisão favorável de Lula com os braços abertos, e a elaboração daquele “complicado” acórdão que esgotou as reservas de neurônios do relator, teria demorado, em vez de mais de quatro meses, menos de quatro dias.
A curiosidade não é sobre o que vai decidir Lula, mas sobre quais são os mecanismos jurídicos em que sua decisão estará fundada. Segundo as mesmas fontes que divulgaram o encontro entre os dois dignitários, Lula teria manifestado sua decisão de “não deixar o problema para sua sucessora”, mas também não teria prometido sua assinatura para esta semana. Aparentemente, o presidente deseja ter um embasamento muito sólido da sua decisão, para “evitar desdobramentos”, o que em bom vernáculo pode ser traduzido como “evitar novas provocações dos inquisidores”. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Caso Battisti: Precauções!


Carlos A. Lungarzo
Amnesty International 2152711


o dia 18 de dezembro, Cesare Battiti, prisioneiro político brasileiro, e refém dos Godfathers do Supremo Tribunal Federal, completará 56 anos de idade, e 45 meses exatos de sua manutenção pelos inquisidores e seus acólitos dentro dos calabouços federais, como exemplo para os que, na Itália ou no Brasil, se opõem à barbárie togada e à tirania fantasiada de democracia. Esta infâmia pode ter passado despercebida a muitas pessoas, porque a grande mídia difundiu este crime contra a Humanidade como se fosse uma façanha da aliança de neo-fascistas, ex-neo-stalinistas, corruptos de todos os matizes, e da direita brasileira, estimulada por uns poucos milhares de covardes que escrevem canalhices nos jornais, sob pseudônimos, sem jamais mostrar suas caras.
O pesadelo chega a um fim anunciado, que mantém em forte ansiedade todos os amigos do escritor italiano, mas também destrói os nervos dos mastins peninsulares e de seus poodles tupequeniquins, que lançam seus últimos cartuchos de pólvora molhada, se auxiliando com algumas das mais nefastas figuras do Inquisitorialismo vernáculo. A liberdade de Cesare será um ato de justiça, aliás, justiça demorada, porém justiça, por parte do  Estado, e se tornará também uma forte derrota para todos os que especularam com a queima do herege na fogueira do ódio ideológico e do vendettismo.
Quero me desculpar do aparente estilo paternal com que está escrito este texto, mas tenho alguma experiência que, embora não tenha aproveitado tanto como deveria, me deu pelo menos alguma intuição. Já participei na proteção e deslocamentos de vários refugiados, em trocas de prisioneiros, em operações
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