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O retrato da relação de Lula com o povo |
Como forma de homenageá-lo, republico meu poema e minha crônica em sua homenagem:
Um Silva, uma estrela e o mundo pela frente
Por Ana Helena Tavares (*)
Nasceu! Terra batida…
Chão que muita lágrima já secou.
Viveu… e sabe o que é vida.
Ainda luta pelo que gritou.
“Cadê o açude? Cadê a comida?”
Perguntava a uma mãe (quase) impotente.
“Vamos mudar? Anda… decida!”
Pensava aquela mãe (sempre) tão crente.
Mudaram… Pela frente pau-de-arara,
São Paulo, desconhecida imensidão.
“Olha o amendoim! Olha a graxa!” Folga rara:
Estudo no SENAI e o futebol por paixão.
Fundou uma estrela e a fez brilhar
Sua bandeira? O trabalhador.
Perdeu um amor e optou por lutar.
Já nasceu para aprender com a dor.
Sobre palanques, enfrentou o medo.
O terror, dos anos de chumbo.
Uma máquina lhe tomou um dedo…
Os outros nove? Influenciam o mundo.
Mr. Silva é como o Tio Sam o chama.
De doutor? Possui títulos para ser chamado.
Mas como companheiro foi que ele fez fama.
O nome dele é diálogo e assim deverá ser lembrado.
Só vibra o pulso de quem sonha - ou o porquê de eu acreditar no Lula
Por Ana Helena Tavares (*)
Cor, brilho, voz, vibração, palavra. Certa vez ouvi uma senhora de 92 anos, esbanjando vitalidade, dizer que a palavra sempre foi sua maior arma. Foi com ela que sempre lutou e – mesmo nas derrotas – venceu.
Contou que já é professora de português há 75 anos e que, depois de tanto tempo, já viu passar pelas mãos dela pessoas de todos os credos – de todas as cores. Rindo, disse que já havia sido alfabetizada quatro vezes por quatro reformas ortográficas. Pelo entusiasmo demonstrado, certamente ainda passaria por mais quatro.
Seu brilho arrebatador no olhar e seu pulso vibrante acusam: ela nunca deixou de sonhar. Sim, ela tem um sonho. Faço idéia do sorriso que Luther King abriria ao saber qual. Ela sonha com um mundo em que as pessoas não nasçam para viver – mas para conviver. Seus 92 anos lhe ensinaram que essa é a maior das artes.
Tomando por base esse sonho tão grande, que é meu, dela e de tantos, fiquei pensando o que, mesmo os críticos mais ferrenhos, teriam a dizer quanto à figura de Lula no que diz respeito à habilidade para essa arte chamada convivência. Olhos castanhos, azuis, verdes ou negros, para ele todos foram sempre dignos do mesmo respeito.
Não há adegas neste país com vinhos que possam dizer que nunca se misturaram a azeite. Mais: misturas fazem parte do jogo político e, se não foram poucas as realizações do governo Lula em projetos sociais, há que se assumir que isso se deve em grande parcela ao talento do nosso presidente para agregar para suas trincheiras conhecidos adversários. O grande segredo está em não permitir que este jogo político que, queiram os “puristas” ou não, precisa ser jogado, contamine a chama da defesa da justiça social, da luta pelas liberdades democráticas e dos Direitos Humanos, de modo a apagá-la.
Foi mantendo acesa essa chama que, depois de realizar tantos sonhos, muitas vezes, tidos como quase irrealizáveis, ele se fez respeitar. Foi assim que seu olhar de retirante chegou a 2009 vendo o olhar negro do chefe da Casa Branca apontar para ele e dizer: “Esse é o cara!”.
Não me digam que é por mero acaso que “o cara”, mesmo bombardeado por uma grande imprensa de interesses pequenos, desfila sua credibilidade, de cabeça erguida e pulso sempre vibrante, desde os mais nobres salões internacionais aos mais pobres grotões deste país.
*Ana Helena Tavares é jornalista por paixão, escritora e poeta eternamente aprendiz. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?".