O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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sábado, 5 de março de 2011

Nem ruim da cabeça, nem doente do pé

Foto: Amaro Junior e Janaina Souza - Bloco "Tá pirado..."
Os blocos dos excluídos são vitais numa sociedade onde Jaqueline Roriz – filha de peixe – junto com Maluf, Newton Cardoso, Almeida Lima e tantos pilantras integram a comissão de frente da reforma política. São imprescindíveis, num país onde Sarney preside o Senado, onde todos eles passam a mão e, ainda por cima, metem o dedo.
Num contexto desses, o carnaval parece ser o espaço mais sério, democrático e solidário do país. Simboliza o que existe de melhor e de mais sadio na sociedade brasileira. Constitui uma esperança saber que os excluídos estão se organizando e reivindicando um lugar na sociedade e que existe muita gente que se solidariza com eles. Com humor, os excluídos estão conquistando a cidadania. Um país em que o doente do pé e o ruim da cabeça sambam com alegria tem que dar certo.


Por José Ribamar Bessa Freire (*)

No momento em que escrevo... Perdão, no carnaval ninguém escreve chongas... No momento em que BATUCO essas mal traçadas linhas, até os postes e as estátuas do Rio de Janeiro estão remexendo o esqueleto. O Cristo Redentor levantou o dedinho, o Pão de Açúcar está rebolando e até a igreja da Penha caiu na gandaia. Foram 14 transatlânticos que ancoraram no Píer Mauá. Os hotéis estão entupidos. A cidade bate o recorde de turistas. Um milhão de visitantes, dos quais 300 mil são estrangeiros, segundo dados oficiais da Riotur. O carnaval, entre outras coisas, é um grande negócio.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Confissão na era digital

O aplicativo começa com um exame de consciência personalizado para cada usuário e traz uma lista de possíveis pecados. Seu uso no Brasil é problemático, porque o programador não suspeitou que pudessem existir faltas tão cabeludas e inusitadas – das quais até o diabo duvida - como as cometidas por Sarney, Eduardo Braga e Amazonino. Por isso, tais faltas não constam explicitamente na lista, obrigando os pecadores a entrarem na janela com a denominação genérica de “pecados que bradam aos céus e pedem a Deus vingança”.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

Todos nós, agora, podemos ser perdoados, inclusive os senadores do PMDB (vixe, vixe). Estão absolvidos José Sarney - com um maranhão de pecados mortais, e Eduardo Braga - com um solimões de peso superfaturado na consciência. Até o prefeito de Manaus Amazonino Mendes (PTB vixe-vixe), que se confessou pela última vez em 1947, vai ser absolvido da pororoca de pecados cabeludos cometidos de lá pra cá, sem necessidade de encarar no confessionário o mau hálito do vigário de Eirunepé. Basta clicar na tecla enter.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Dona Alvina, a tacacazeira

Servidos?
Deviam levar dona Alvina para a região serrana do Rio, onde morreram quase 800 pessoas. Ela seria mais eficaz que radares planejados para prevenir desastres ambientais que não foram instalados. Por outro lado, não funcionou o sistema meteorológico de Petrópolis para medir o nível dos rios, a umidade do ar, a velocidade dos ventos e a quantidade de chuvas, já que 19 estações foram desativadas, porque a burocracia não chegou a um acordo sobre quem devia operá-las.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

A banca de tacacá – me entendam bem – não era apenas um lugar onde se ia tomar tacacá, como pensa o simplório. Era muito mais do que isso. Era um templo, um santuário da fofoca. Isso em Manaus, cinquenta anos atrás, quando se cumpria sempre um ritual: a gente saía de casa ao entardecer levando, às vezes, a própria cuia pintada, made in Monte Alegre (PA). Aí, na banca, entre um gole e outro de tacacá, se falava tanto da vida alheia, mas tanto, que a língua ficava entorpecida e os lábios dormentes. A anestesia era creditada ao jambu, mas sabemos que a boca tremelicava por causa do disse-me-disse. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Maria fecha a porta

A "Maria fecha a porta" antes e depois do toque: a planta, quando tocada, fecha suas folhas em sinal de proteção.
A chuva castigou outros países - Austrália, Filipinas e Sri Lanka. Por que tanta raiva e tanta violência da natureza? Parece que o planeta está reagindo e é aqui que entra a Maria fecha a porta.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)


Talvez a Mimosa Pudica possa nos ajudar a entender a tragédia que se abateu nessa semana sobre a região serrana do Rio de Janeiro, causando mais de 600 mortes. A Mimosa é uma plantinha sensitiva, conhecida popularmente como ‘Dormideira’, ‘Morre João’ ou ‘Maria fecha a porta’, encontrada em locais úmidos da mata atlântica ou da floresta amazônica. Possui flores pequenas, cor de rosa, um caule com espinhos e folhas divididas em vários folíolos. O que ela tem a ver com as chuvas torrenciais que tantos estragos fizeram?

sábado, 8 de janeiro de 2011

O ministro e a pipa do vovô



O novo ministro, Pedro Novais, ao organizar a quadrilha, revelou seu compromisso com o turismo. Seu poder de fogo ficou evidente, segundo o noticiário, porque antes mesmo de assumir, apenas nos quatro últimos dias de 2010, ele garantiu o repasse de R$ 32 milhões do seu Ministério para obras no Maranhão. O valor supera a soma de tudo o que foi prometido no mesmo período para as três principais economias do país: São Paulo, Rio e Minas. Os coronéis do Maranhão, seus motéis, a família Sarney e Das Dores agradecem. Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a rede de motéis do Maranhão.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

Chamemo-la de Das Dores, assim, sem vergonha da ênclise. É. Maria Das Dores. Afinal, precisamos de um nome, de uma cara, de uma história para identificar a “noiva” do deputado Pedro Novais (PMDB vixe vixe!), atual ministro do Turismo, na quadrilha junina formada por 15 casais, naquela animada noite de junho, no Motel Caribe, em São Luís (MA). Das Dores é, certamente, um bom nome para ser par do chefe da quadrilha, o “noivo” de 80 anos. Detrás de um nome, no entanto, há sempre relatos, dores, feridas.


domingo, 19 de dezembro de 2010

Um Natal com bolo e bola



Quando o pé crescia, a gente ia dobrando os dedos até que não dava mais e um irmão menor herdava o sapato. Já minha meia, de vida mais efêmera, só tinha praticamente o cano, era fácil exibir os furos. Terminei a operação em alguns segundos, enquanto o ‘Bolo’ ainda procurava exibir o buraquinho da sua meia.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

sábado, 11 de dezembro de 2010

O cordelista que não se vendeu



No dia 31 de outubro, O Globo publicou a biografia da Dilma escrita pelo nosso João (foto). Houve censura, conforme reclamou o autor, porque suprimiram o adjetivo “competente” que rimava com presidente e outras coisinhas mais. Mas deu o recado sobre a candidata. Revoltado com a história de que Dilma era assaltante de banco, deu sua versão: “Enfrentou com altivez / os porões da ditadura / encarou constrangimentos / o choque elétrico e a tortura / pelo povo do Brasil / pegava até no fuzil / e sem perder a ternura”.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vacina contra debates


Nota do QTML?: Bessa escreveu a crônica abaixo em 2006 e, a pedido de alguns ex-alunos, a republicou em seu site "Taqui Pra Ti". Sábios ex-alunos. Vale leitura e releitura.

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No domingo passado, como se fosse um Fla x Flu, vesti minha camisa com o número 13 nas costas, costurei uma estrela vermelha no peito, enchi uma vasilha de pipoca e sentei, tenso, na frente da televisão, para ver o debate Lula x Alckmin. No final, fiquei doente. Descobri que meu sistema imunológico estava desprotegido. Por isso, resolvi me vacinar.  Conto como foi para que o leitor, se assim quiser, também possa tomar a mesma vacina.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Doroti, a doce radical

Foto: Ana Helena Tavares
 Doroti, a eterna missionária, a doce radical, tinha aquela doçura do mel de abelha que o casal passou a cultivar. E flores, é claro. Para as colmeias. No início da construção do PT, lá estavam os dois. Agora, ela se foi, levada por um AVC traiçoeiro, mas tenho a impressão de que vou encontrá-la em qualquer lugar, ali onde houver alguém brigando por uma boa causa.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

domingo, 28 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro continua lindo?

Foto: Ana Helena Tavares
O Globo abriu manchete: “O Dia D da guerra ao tráfico”, onde sem temer o ridículo destacou a “semelhança simbólica com o desembarque das tropas aliadas na Normandia” na segunda guerra mundial (menos, família Marinho, menos!).

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

sábado, 20 de novembro de 2010

A anta que virou elefante num domingo espetacular

 Então, ficamos combinados assim: uma anta é uma anta, um elefante é um elefante, a resposta dada por algumas comunidades tem tromba e é grande, mas não é elefante, e o Edir Macedo é....bom todo mundo sabe o que é Edir Macedo.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

domingo, 14 de novembro de 2010

O cafofo da Rua da Instalação

O cafofo da Rua da Instalação

Qual foi o papo que esse gringo de Boston engrenou pra convencer nossas mulheres, inclusive menores de idade, a ficarem peladas? A Ciência. Tudo em nome da ciência.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

sábado, 30 de outubro de 2010

Vovó Dilma ou vovô Serra?


 - "Gabi, solta um peidinho pro vovô ouvir, solta!"
De quem é essa frase? Quem fez esse pedido despudorado na presença de várias testemunhas? Foi José Serra, avô coruja da Gabi, do Kiko e do Tonho, quando brincava com os netos na sua mansão na Rua Antônio de Gouveia Giudice, no bairro nobre de Alto Pinheiros, em São Paulo? Ou Dilma Rousseff, implorando para que o único neto, Gabriel, recém-nascido, bombardeasse o avô, seu ex-marido Carlos Araújo, na visita que os dois fizeram à maternidade Moinhos de Vento, em Porto Alegre?
Você conhecerá o (a) autor (a) da frase nessa edição. Se você ficar conosco saberá ainda os resultados da pesquisa – única no Brasil - sobre a intenção de votos dos netos feita pelo Data/Taquiprati que, em vez de consultar eleitores, ouviu 2925 crianças. A pergunta foi: se você votasse hoje, qual dos dois avós escolheria para presidir o Brasil? O resultado foi surpreendente, com uma margem de erro muito menor do que a dos institutos tradicionais.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

sábado, 23 de outubro de 2010

Pedro e o Globo


Pedro, pastor de ovelhas, todo dia enganava a população gritando: “Olha o lobo!”. No dia em que o lobo apareceu, efetivamente, ninguém acreditou nos seus gritos. Quem acredita num mentiroso contumaz? Lembrei-me dessa história vendo o Jornal Nacional e a primeira página de O Globo, nessa sexta-feira. Assim, quando no domingo, 24 de outubro, o Globo escrever que é domingo, 24 de outubro, duvide, procure outras fontes antes de vestir sua roupa dominical.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

sábado, 16 de outubro de 2010

Serra: a fé de um ambientalista

Serra, que repentinamente se diz tão preocupado com o verde e com a vida, não sabe o be-a-bá ambientalista, não tem qualquer intimidade com os conceitos de uso corrente. Precisa de cola para falar sobre bioma, biota, biosfera, ambiente oligotrófico.  Seu recente ambientalismo é de um oportunismo assaz atroz, soa tão falso quanto FHC lambendo os beiços depois de comer uma buchada de bode em Juazeiro (BA) na campanha eleitoral de 1994. O coração verde de Serra é porque ele torce pelo Palmeiras. Nada mais.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

sábado, 9 de outubro de 2010

Crônica de fim-de-semana: O encardido: seu filho, seu neto


Enos quer porque quer banir uma das criações divinas: o namoro. Não está preocupado com o conhecimento, mas com a proibição da troca de afetos em sala de aula, algo que é, epistemologicamente, desastroso. Tiro por mim. Se o professor Nina não tivesse permitido o namoro no Colégio Estadual do Amazonas, jamais eu teria aprendido química inorgânica. Só estudei ácidos, hidróxidos e estado de oxidação, porque queria me exibir pra Marluce Saubinha, a calipígia, com quem trocava ardentes olhares em sala de aula. Isso foi no século passado.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Veja: os índios e o uísque paraguaio

A crônica é de 2007, mas é exemplar de como funciona o anti-jornalismo da Veja e do PIG.


VEJA não tem credibilidade. Não dá pra ler nem no dentista. Nas universidades brasileiras é motivo de chacota. Quando você quer insinuar que uma informação é falsa, diz: “foi publicada na VEJA”. Como professor de jornalismo, usei sempre em sala de aula matérias como essa para servir de modelo do que não se deve fazer.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ai de ti, Amazonas!

Paisagem da cidade de Tapuá no Amazonas
 Ai de ti, Amazonas!


Dia de eleição é dia de festa. Os ex-moradores que preferiram manter o título lá, na gloriosa 41ª seção da 2ª Zona, se deslocam de outros bairros em romaria à Aparecida e aí aproveitam para reencontrar pessoas que não viam há anos, antigos vizinhos, velhos amigos, ex-namorados. É o caso da Maria do Céu, atual moradora do Parque Dez, que em dia de eleição sempre encontrava o Petel, recentemente falecido, e hoje vai reencontrar o seu estepe, Inezildo Bate-Papo.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

domingo, 26 de setembro de 2010

Crônica de domingo: o cavaleiro da triste figura


No debate da próxima quinta-feira, 1º de outubro, ele entrará nos estúdios da Tv Globo montado em seu cavalo Psol, com sua lança em riste, como se estivesse vivendo no tempo da cavalaria. No final da história original, Dom Quixote morre como um piedoso cristão, mas nos deixa de herança o direito de sonhar, apesar de nossas fraquezas. E Dom Plinio Del Tieté, o que fará depois das eleições de 3 de outubro? E nós?

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

domingo, 19 de setembro de 2010

Crônica de domingo: Ele, Ely, é o cara

Ely é o segundo da esquerda para a direita.

Parece estranho encontrar no Brasil gente que entende inglês – uma planta estranha ao país – e que não reconhece frases em pelo menos uma ou duas das atuais 188 línguas indígenas - plantas nativas do nosso solo.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

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