O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

Clique na imagem abaixo e conheça o "Quem tem medo da democracia?" - sucessor deste blog

Clique na imagem abaixo e conheça o "Quem tem medo da democracia?" - sucessor deste blog
Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Carnaval do contraditório


Luís Henrique da Silveira (1º da foto) deixou para Bornhausen (último) um presente e para os cientistas e ecologistas catarinenses uma bomba já armada por contratos internacionais milionários e de efeito devastador conforme minuciosa e publicamente exposto por eminentes oceanógrafos, geólogos, biólogos, químicos e especialistas das mais diversas áreas científicas das quatro grandes universidades do estado


Por Raul Longo (*)

Em razão da vitória do DEM para o governo de Santa Catarina, mais uma vez tive de ouvir o velho e malhado reacionarismo dos eternos pseudo progressistas que julgam os povos não pela perspectiva da realidade, mas por seus preconceitos individuais.


Uma democracia de mentira


Quando este artigo estava sendo elaborado veio a informação do Cairo sobre a proibição do canal da Al Jazeera de atuar no Egito. Coisas de uma ditadura. Resta saber se as entidades internacionais  que se consideram defensoras da liberdade de imprensa vão protestar. E o que dirão os governos ocidentais?


Por Mario Augusto Jakobskind (*)

Enquanto sobe o tom da voz rouca nas ruas da Tunísia, do Egito, do Iêmen, da Argélia, do Marrocos e da Jordânia, em Israel, o país considerado pelo senso comum com uma democracia, nestes dias ocorreu a criação de uma comissão especial para investigar as atividades de cidadãos e grupos de esquerda.


Essa Manaus que se foi

Nada que lembre o deputado Josué Filho (na foto, em campanha, ao lado de Figueiredo), que num comício no bairro Alvorada II, em 1992, comparou Manaus a “uma linda mulher, uma noivinha de véu e grinalda, que durante as eleições procura um noivo perfeito para se casar”. Diante dos pretendentes à mão da noiva, só resta lembrar o irreverente escritor irlandês Bernard Shaw: “O primeiro homem que comparou a mulher a uma rosa era um poeta. O segundo, um perfeito imbecil”.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

A peruana Chabuca Granda, conhecida por muitos brasileiros depois que duas de suas músicas - Fina Estampa e La flor de La canela – foram gravadas por Caetano Veloso, canta a cidade de Lima em algumas valsas memoráveis. Numa delas, ‘Lima de verdade’, demonstra amor pela cidade onde viveu, mas confessa que a fonte de sua inspiração não é a Lima moderna, “de carne e osso” – digamos assim - mas a velha cidade que está dizendo adeus: La Lima antigua que se va.


Um País Cheio de Vítimas


Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA) – 2152711

Se eu não conhecesse bem o caso Battisti e, além disso, acreditasse na boa fé da grande mídia, pensaria que os inimigos do escritor italiano estão sendo muito generosos. Com efeito, será verdade que ele matou apenas quatro pessoas? Vocês pensarão por que me faço uma pergunta tão idiota. O motivo de minha curiosidade é o seguinte: Itália é um tradicional país cristão, onde até há pouco tempo as famílias tinham muitos filhos. Aliás, conservadores piedosos e crédulos aceitam todos os filhos que “Deus manda”. Durante as décadas de 20, 30 e parte de 40, o aumento de número das famílias foi estimulado com recomendações, prêmios, medalhas e elogios. O Duce Benito Mussolini distribuía pessoalmente honrarias entre as famílias mais férteis, e os parabenizava por produzir mais soldados para a glória do Fascio, já que a Pátria precisava matar muitos albaneses, ciganos, negros e outros monstruos.

Apesar de tudo isso, porém, será que apenas quatro pessoas (ou seja, os quatro mortos que a Itália pretende atribuir a Battisti) podem ter tantos familiares???

Com efeito, parece praticamente infinito o número de familiares das vítimas que aparecem em todos os contextos italianos da vendetta anti-Battisti: nos discursos de políticos, magistrados e policiais, na mídia, nas sociedades de vítimas, etc. Esses familiares de vítimas se consideram também eles vítimas e, de fato, alguns deles são. Alberto Torregiani, por exemplo, foi atingido por uma bala durante o tiroteio entre seu pai e membros dos PAC. Os outros podem considerar-se vítimas emocionais, pois perderam seus seres queridos.

PORTAL DO GOVERNO DE SP MANTÉM ENTULHO AUTORITÁRIO NO AR

Celso Lungaretti (*)

No Portal do Governo do Estado de São Paulo, o internauta tem acesso à página virtual do 1º Batalhão de Polícia de Choque - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar - Rota.

E nesta, clicando em Histórico do BTA, encontrará:
"Marcando, desde a sua criação, a história desta nação, este Batalhão teve seu efetivo presente em inúmeras operações militares, sempre com participação decisiva e influente, demonstrando a galhardia e lealdade de seus homens, podendo ser citadas, dentre outras, as seguintes campanhas de Guerra:
  • Campanha do Paraná, em 1894...
  • Questão dos Protocolos, em 1896...
  • Guerra de Canudos, em 1897 ...            
  • Levante do Forte de Copacabana, em 1922...            
  • Revolução de 1964, quando participou da derrubada do então Presidente da República João Goulart, apoiando a sociedade [os grifos são meus] e as Forças Armadas, dando início ao regime militar com o Presidente Castelo Branco; 
  • Campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, para sufocar a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca..."       

domingo, 30 de janeiro de 2011

A PROPÓSITO DA CARTA DE DILMA

A PROPÓSITO DA CARTA DE DILMA
Laerte Braga


Não houve nem precipitação, tampouco fazer o jogo da direita ao criticar a carta enviada pela presidente Dilma Roussef ao presidente da Itália, a propósito do caso Cesare Battisti.

O fato da presidente da República pertencer a um partido supostamente comprometido com lutas populares e ter sucedido a um governo – Lula – que malgrado as críticas possíveis e passíveis, superou obstáculos e dificuldades os mais variados, bombas de efeito retardado deixadas pelo governo FHC, é preciso enxergar além de um outro fato, ver o todo, o conjunto.

A carta de Dilma foi resultado de uma discussão ampla sobre o assunto – a extradição de Cesare Battisti – e foi sim um ato de submissão, qualquer que tenha a expressão usada ou o “STF DECIDIR”, ou o “STF MANIFESTAR-SE”.

A corte dita suprema já se manifestou em julgamento anterior e como bem alertou o ministro Marco Aurélio Mello, a competência é do presidente da República. A de extraditar ou não.

José Martí: 158 anos de nascimento!

por Sturt Silva 
Sexta-feira dia 28/01/11, comemorou-se 158 anos de nascimento do herói da Revolução Cubana e um dos maiores intelectuais de todos os tempos de nossa América, José Martí.
E foi com esse intuito que o Blog Solidários, gerido pela Associação cultural José Martí de Santa Catarina e demais solidários, selecionou e publicou alguns artigos sobre o pensamento martíniano.
Para ler os artigos clique aqui, ou abaixo nos links de cada postagem respectivamente.

José Martí: 158 anos 
José Martí: Nossa América

Sturt Silva é Colaborador do Blog Solidários (http://convencao2009.blogspot.com/)

Uma homenagem militante ao companheiro Mario Alves

O Sindipetro-RJ, o Sindiscope e o Fórum de Resistência Sindical e Popular convidam a todos para o evento “Uma homenagem militante a Mário Alves”, a realizar-se no dia 2 de fevereiro próximo, às 18h30, no auditório do Sindipetro-RJ 
Há 41 anos, o jornalista Mario Alves de Souza Vieira foi barbaramente assassinato nas dependências do DOI-CODI, no Rio de Janeiro, entre os dias 16 e 17 de janeiro de 1970. Então com 47 anos, Mario Alves era dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e dedicava o melhor de sua vida na resistência à Ditadura Militar, derrotada em 1985. Alves lutou por um Brasil com justiça social, soberano e democrático.

Esta e outras iniciativas que visam resgatar a memória desses bravos brasileiros vêm contribuir, também, para o debate sobre a necessidade de que o Brasil instale o Comissão da Verdade, a exemplo do que já foi feito em outros países, como a Argentina, Chile e Uruguai. A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) manifestou-se favorável à implantação da Comissão.

Mario Alves integra a galeria dos insignes brasileiros que naquele período da História do Brasil dedicaram (e doaram) suas vidas para que a Nação brasileira pudesse virar aquela triste página e se tornar uma Nação com liberdades democráticas, com livre expressão nos mais diversos setores, inclusive sindical.

Nesse sentido, os promotores do evento acreditam estar contribuindo para resgatar a importância da luta de Mario Alves e toda aquela brava geração. O evento objetiva, também, cultivar a memória e contribuir para que esses feitos estejam vivos na História do Brasil de hoje, bem como para as gerações futuras.

O jornalista Mario Alves dirigiu os jornais Novos Rumos e Voz Operária. Fez curso secundário em Salvador, sendo um dos fundadores da União dos Estudantes da Bahia. Ele atuou, também, na União Nacional dos Estudantes (UNE).

Mario Alves ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, em 1964, na clandestinidade, tornou-se um dos líderes da corrente de esquerda dentro do PCB. Por divergências na acirrada luta interna no VI Congresso, do PCB, Mario Alves, juntamente com Carlos Maringuella, Joaquim Câmara Ferrreira, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho, Manuel Jover Telles e Miguel Batista dos Santos foram expulsos. Em 1968, Mario Alves, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho, entre outros, fundaram o PCBR.

Mario Alves, presente!

“Uma homenagem militante ao companheiro Mario Alves”

Debatedores:
Antonio “Lucio” Soares (Comandante Político e Militar do PCBR)
Emanuel Cancella (Diretor do Sindipetro-RJ)

Data: 2 de fevereiro de 2011.

Horário: 18h30

Local: Auditório do Sindipetro-RJ
Av. Passos, 34, Centro, Rio de Janeiro

Contatos: Agência Petroleira de Notícias (APN)
Fatima Lacerda (jornalista)
José Carlos Moutinho (jornalista)
tel (21) 3852-0148
email  agencia@apn.org.br

sábado, 29 de janeiro de 2011

Documentário: "Power Brazil"

A SENTENÇA DO PROCESSO DE CASOY CONTRA MIM: ABSOLVIÇÃO

Celso Lungaretti (*)

"Julgo improcedente a presente ação penal, para absolver Celso Lungaretti dos delitos dos artigos 139 e 140 do Código Penal, que lhe foram imputados, o que faço com fundamento no artigo 386, III do Código de Processo Penal."

Foi esta a decisão do juiz de Direito José Zoéga Coelho no processo nº 050.10.043276-0, que o jornalista Boris Casoy moveu contra mim no Juizado Especial Criminal da Barra Funda (SP), acusando-me de difamação e/ou injúria.

A minha defesa foi assumida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, ficando a cargo do coordenador do Depto. Jurídico, dr. Jefferson Martins de Oliveira, que atuou com raro brilhantismo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CAI FORA DILMA - CHEGA DE CAIR DE QUATRO

CAI FORA DILMA – CHEGA DE CAIR DE QUATRO


Laerte Braga


Se o teor da carta divulgado pela mídia privada que a presidente Dilma Roussef enviou ao presidente italiano Giorgio Napolitano estiver correto, Lula e os eleitores de Dilma Roussef teremos sido vítimas do maior conta do vigário da história do Brasil, só comparável à renúncia de Jânio Quadros e ao curto período de Collor Globo de Mello.]

A revista CARAS, em retribuição a serviços prestados, gastou quatro páginas com a mulher do embaixador da Itália no Brasil, aquele que freqüenta o gabinete do Gilmar Mendes pela porta dos fundos, para revelar que a dita cuja se considera mais brasileira que italiana.

Ela e o marido devem ter sido nomeados por serviços prestados ao governo Berlusconi.

Ao afirmar que a decisão depende do STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – a presidente está abrindo mão do seu direito constitucional de decidir ou não sobre a matéria, confirmado pelo próprio STF decisão anterior. A palavra final cabe ao presidente da República.

E o ex-presidente Lula já a tomou.

Caso Battisti: Deslizes Pretorianos


Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA) – 2152711

O Pretório Excelso (que é nosso conhecido Supremo Tribunal Federal para aqueles que possuem um léxico requintado) deverá celebrar, nos próximos dias, mais uma rodada do interminável caso de Cesare Battisti. Essa rodada pode acabar logo de começar, se uma maioria dos ministros entender que o presidente Lula, ao decidir contra a extradição do escritor italiano, usou um direito garantido de maneira explícita pelo próprio Pretório na oitiva de 16/12/2009. Nesse caso, em vez de manifestar-se, seja a favor, seja contra, os juízes poderão considerar a questão prejudicada, o que seria obviamente o correto.
Essa faculdade reconhecida a Lula era a de decidir em favor ou em contra da extradição, com base apenas na obediência ao Tratado entre o Brasil e a Itália. De fato, como o acórdão de abril de 2010 o reconhece, entre os cinco juízes que votaram em favor da faculdade decisória do chefe de estado, quatro admitiam a absoluta discricionariedade e apenas um (Eros Grau) exigiu a vinculação com o tratado.
Em qualquer hipótese, a crença de que o chefe de estado estava obrigado a proceder à efetiva extradição do prisioneiro foi derrotada por 5 a 4. A confusão criada no seio do pretório, abusando do estado de fragilidade emocional do ministro Grau, que o colocou em situação humilhante, não foi, apesar de toda a pressão, suficiente para que o resultado final ficasse confuso, a despeito das dramáticas declarações do relator sobre o caráter pouco inteligível da proclamação. A melhor prova disso é que, mesmo que Peluso se rasgasse as vestes e pedisse ajuda para redigir um texto sobre um assunto “tão confuso”, o acórdão foi produzido no prazo usual no STF. As dificuldades do Senhor Pretor não eram tantas como ele dizia!



BBC, DEMISSÕES E DUMPING

A BBC anunciou (e o site Comunique-se) publicou, que, como medidas de economia, vai demitir 650 funcionários, muitos deles jornalistas, inclusive os do departamento em português para a África.
No Brasil, a BBC se implantou como BBC Brasil, e a esse respeito, vale a pena reler o que foi publicado, em maio do ano passado, pelo jornalista Rui Martins.
Ao justificar a demissão de Rui Martins, há alguns anos da CBN, a diretora do Sistema Globo de Rádio, Mariza Tavares, disse ao Observatório da Imprensa que era por economia, pois em lugar de ter um correspondente na Europa, receberia os áudios da BBC, que, diga-se de passagem, são gratuitos.
Leia de novo, se não leu no Direto da Redação, onde foi publicado originalmente:
PS. até hoje a Fenaj não tomou nenhuma providência.

BBC: DUMPING E CONCORRÊNCIA DESLEAL

Berna (Suiça) - É uma questão de raciocínio simples. Vejam bem, a grande imprensa brasileira é contra o estatismo, e mais ainda no ramo da mídia. Basta se lembrar os protestos pela criação da TV Brasil.

Porém, isso não impede que usem e abusem do material de imprensa, áudio e escrito, de uma empresa estatal estrangeira, se podem economizar com isso. Não, não se trata da Agência Nova China, nem do serviço brasileiro do Pravda russo. Nossos amigos da CBN, do Estadão, da Folha online e outros mais, adoram os informativos, reportagens, notícias, entrevistas do Foreign Office londrino.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A DIREITIZAÇÃO AVANÇA NA USP: PRIVATIZAÇÃO, RETROCESSO E ARBÍTRIO

Celso Lungaretti (*)

Em 1968 era assim...
Cinco dos mais eminentes professores da Universidade de São Paulo advertem que a ofensiva da direita, por meio de medidas arbitrárias, abusivas, grotescas e respaldadas pelo entulho ditatorial, está levando a instituição ao caos.

Subescrevo e reproduzo na íntegra esta manifestação de inconformismo diante de mais uma recaída autoritária.

Resistir é preciso. Sempre!
 A USP CONTRA O ESTADO DE DIREITO
...ultimamente ficou assim.
"Um estatuto que permanece intocado mesmo após o fim do regime militar e um reitor que tem buscado a qualquer custo levar a efeito um projeto privatizante estão conduzindo a USP ao caos.

Após declarar-se pelo financiamento privado e pela reordenação dos cursos segundo o mercado, o reitor vem instituindo o terror por intermédio de inquéritos administrativos apoiados em um instrumento da ditadura (dec. nº 52.906/ 1972), pelos quais pretende a eliminação de 24 alunos. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Um deus inca em São Paulo

Um deus inca em São Paulo

Por Urariano Mota (*)

 

O aniversário da cidade de São Paulo, nessa última terça-feira, me faz ir um pouco mais longe, até 1977. Nesse ano, quando em São Paulo desci os pés, tive a sorte de conseguir trabalho no Jornal da Semana, que era editado pelo escritor Raduan Nassar. Raduan, então, somente havia publicado Lavoura Arcaica. Na época, a minha reportagem remunerada consistia em escrever crônicas como freelancer para o jornal, e nada mais. Raduan e família, dona da cadeia de supermercados Bazar 13, até que pagavam bem, mas, diabo, as minhas 20 linhas semanais não valiam mais que o pouco chumbo impresso.

De passagem devo anotar que nesse tempo o estado de ânimo e de matéria – alma e prata - deste repórter era o pior possível. Para terem uma idéia do quanto, este que lhes escreve somente respondia cartas que viessem com selos adicionados no interior do envelope. No entanto, não sei se em razão de raiva ou de maior desespero, o texto que recupero a seguir não demonstra bem a carência de dinheiro no espírito do repórter. Eu era um atleta sonhador nesses belos dias paulistanos: percorria, passeava a pé mais de 9 horas, em rigoroso regime de calorias, por inúmeros e infindáveis quilômetros, da Vila Maria a Pinheiros. Entre ladeiras, ruas curvas e retíssimas avenidas, não posso dizer que conheço a cidade, pois São Paulo é muito grande. Mas posso informar que sempre observei a bela paisagem dos edifícios, sob um céu invariavelmente cinza. E chega de nariz de cera, vamos ao trabalho. O texto que recupero é este: 



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

FHC e as drogas em Genebra

Fernando Henrique Cardoso falando das relações com a ONU e como o movimento será financiado, acentou que a política atual da ONU ainda está ligada à repressão, a mesma política americana, que pune com prisão o consumidor.


Por Rui Martins (*)

Genebra - Haverá uma outra maneira de se lidar com a ameaça das drogas sem se recorrer à chamada guerra às drogas ? Um grupo de personalidades mundiais, ex-presidentes, intelectuais, empresários, políticos e cientistas acha que sim. Em Genebra, houve o lançamento da Comissão Global sobre Políticas das Drogas, pelo ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso.


UMA PETIÇÃO CONTRA A "ABOMINAÇÃO JURÍDICA" QUE É MANTER BATTISTI PRESO

Celso Lungaretti (*)

Tive a honra de ser o segundo signatário da petição on line MANIFESTO PELO FIM IMEDIATO DA PRISÃO INSUSTENTÁVEL E INCONSTTITUCIONAL DE CESARE BATTISTI, que pode ser acessada aqui.

Endereçada ao STF e ao Governo Federal, a petição recebeu inicialmente, no papel, as assinaturas de 32 profissionais do Direito e/ou professores universitários dedicados ao ensino jurídico.

Recomendo a leitura atenta do documento, que sintetiza admiravelmente o Caso  Battisti e as anomalias jurídicas que o marcam -- tão graves que o maior jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari, não hesitou em alertar a cidadania que Cezar Peluso está dando vazão à sua "vocação arbitrária" ao manter sequestrado o escritor:
"Os cidadãos abaixo assinados expressam total inconformidade com a decisão do ministro Cézar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, de manter preso o cidadão italiano Cesare Battisti e instam pela sua soltura imediata e inadiável, por ser de justiça. A situação atual constitui profundo desprezo a) à decisão do presidente da república pela não-extradição, b) ao estado democrático de direito e, sobretudo, c) à dignidade da pessoa humana. Imprescindível, portanto, virmos a público manifestar: 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tragédia, desigualdade e Estado débil

Aos poucos, começam a ficar claras as causas profundas do desastre que já matou mais de 800, no Rio de Janeiro

Por Antonio Martins, jornalista, no "Outras Palavras"

Ao visitar a região serrana do Rio de Janeiro, em solidariedade às vítimas das chuvas, a presidente Dilma Roussef tocou numa ferida aberta. Indagada sobre as causas da tragédia, ela apontou a falta, “há décadas” de programas que assegurem o direito à moradia. É devido a isso, frisou ela, que a população empobrecida “vai morar onde não pode”. O efeito da fala sobre os jornais foi curioso. A crítica social de Dilma não foi destacada por eles, como seria de prever. Mas cumpriu papel dissuasório: refreou a tentativa (liderada por O Globo) de culpar o governo federal, alegando não-liberação, em 2010, dos recursos do Orçamento da União destinados a contenção de encostas e transferência da população que vive em locais de perigo extremo.

Como sugeriu a presidente (sem usar as palavras), as causas principais das mortes e devastação são a desigualdade e o adiamento eterno da reforma urbana. Mas os fatos que emergiram nos últimos dias apontam um outro fator importante. A debilidade e ineficiência do Estado brasileiro — União, Estados e Municípios — contribuíram para o desastre. É pauta para uma reportagem de fundo, que poderia partir dos dados a seguir.

O Valor Econômico revela, hoje, que PAC reservou, em 2010, 1 bilhão de reais para as obras capazes de evitar desmoronamentos ou proteger a população. Desse total, apenas R$ 320 milhões foram investidos. Mas a causa principal é a ausência de projetos. As prefeituras, a quem cabem as obras, simplesmente não foram capazes de apresentar propostas que justificassem o uso dos recursos. Dos 99 municípios considerados áreas de grande risco (e por isso beneficiados pelas verbas), menos da metade encaminhou projetos.


Candidatos da sociedade civil ao Comitê Gestor da Internet no Brasil assinam plataforma comum

Da revista A rede*

Oito candidatos a representantes do terceiro setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil assinam uma plataforma comum, proposta por um coletivo de 45 entidades, entre sindicatos, coletivos de democratização da comunicação e inclusão digital, grupos de estudos e de defesa de direitos dos consumidores. Os novos conselheiros do CGI.br serão eleitos entre 31 de janeiro e 04 de fevereiro por um colégio eleitoral composto por entidades setoriais, das quais 101 vão eleger o representante do terceiro setor. Veja aqui a lista de candidatos por setor. A plataforma tem, de acordo com seus apoiadores, o objetivo de aproximar o CGI.br das lutas políticas que envolvem a internet no Brasil -- direitos autorais, a neutralidade de rede, os padrões tecnológicos adotados e, especialmente, a privacidade e a liberdade de expressão e de acesso a conteúdos na internet.

Na avaliação de seus signatários, "a pauta trabalhada no comitê fica muitas vezes distante da sociedade, em razão da complexidade dos temas e das dificuldades enfrentadas na publicização das discussões". Por isso, continua o diagnóstico, "são desafios a transparência e a politização de seu espaço, que é amplamente reconhecido no cenário internacional relativo à governança da internet, mas pouco presente na agenda das entidades e movimentos organizados da sociedade civil brasileira".

Entre as propostas estão o "engajamento em políticas públicas de inclusão digital, promovendo projetos que as fortaleçam em diálogo com iniciativas federais (especialmente o Plano Nacional de Banda Larga), estaduais e municipais, realizando gestão de recursos de acessibilidade com vistas à universalização do acesso à banda larga" e a "atuação em defesa dos aspectos de abertura, neutralidade de rede, livre expressão e privacidade na internet como essenciais à plena liberdade das usuárias e usuários, atualmente sob ameaça por projetos de lei restritivos – com a 'Lei Azeredo' (PL 84/99) - e ações de setores interessados em criar barreiras para circulação de determinados conteúdos ou na apropriação de dados".

Os avanços da política brasileira

A política brasileira entra definitivamente na era da modernidade, da civilização

Por Luis Nassif*

Da redemocratização para cá, foi uma sucessão infindável de crises e uma oposição batalhando permanentemente para desestabilizar o governo eleito. Foi assim com Fernando Collor, com a oposição petista a Fernando Henrique Cardoso e, depois, com a oposição tucana-midiática a Lula.

Para muitos cientistas políticos, o Brasil balançava entre dois modelos políticos: o alemão, estável, com dois partidos disputando as eleições mas sem fugir muito do centro; ou o italiano, com caos político atrapalhando o desenvolvimento econômico e social.

***

As eleições de 2006 foram realizadas nesse clima de guerra, insuflado pelo episódio do "mensalão" e, especialmente, pela liderança de FHC, estimulando a guerra em todos os níveis.

Nasce uma alternativa às TVs comerciais abertas e analógicas

A TV Brasil é gratuita em apenas quatro estados, nos demais só com cabo ou parabólica. Neste artigo, tudo o que está sendo feito para ela efetivamente se tornar uma opção de altíssima qualidade às TVs comerciais existentes.  (BlogueDoSouza)

TV Brasil é alternativa à mídia privada

Reproduzo artigo de Jacson Segundo, publicado no Observatório do Direito à Comunicação:

Mesmo com índices de audiência ainda baixos se comparados com as emissoras comerciais abertas, a TV Brasil, carro-chefe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tem se mostrado uma alternativa cultural e informativa para muitas pessoas. Ela é a televisão nacional que mais exibe filmes brasileiros, produções independentes e tem uma elogiada programação infantil.


É a única que mantém um programa de crítica de mídia (Observatório da Imprensa) e tem uma janela direta para os telespectadores, por meio do quadro Outro Olhar, em que qualquer cidadão pode ter seu vídeo exibido em horário nobre pelo telejornal da emissora. Também talvez seja um dos únicos canais que privilegia o continente africano, com produções que falam da África e um correspondente de jornalismo na região.

Caso Battisti: Moção do Senador Suplicy


Caso Battisti: Moção do Senador Suplicy
Esta é, talvez, a mais importante proposta individual já feita para o caso Battisti. Peço aos amigos que se esforcem em difundi-la.
Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional USA
2152711 – ID Br. V033174-J
No dia 18 de Janeiro de 2011, o Senador Eduardo Matarazzo Suplicy enviou um e-mail a Dario Pignotti, um jornalista argentino que atua no Brasil como correspondente da Agência ANSA. O motivo da mensagem é que esta agência tinha publicado, através de seu escritório em Trieste, mais uma das centenas de queixas contra Battisti dos familiares dos mortos, que, aliás, foram mortos por outros: Memeo, Masala, Mutti, Giacomini, Grimaldi e Fatone. Estas vítimas cobram do Battisti cumprimento de duas prisões perpétuas na Itália, na esperança de que depois de cumprir a primeira, sua alma vá ao inferno e aí cumpra a segunda. Segundo eles, pedem isso não por espírito de vingança, mas de justiça! Que bom que eles fazem a ressalva. Pode haver algum malicioso que pense que eles são vingativos.
Contexto Geral
Esta cobrança não é nenhuma novidade. Desde que começou a ser conhecido o caso Battisti, a Folha de S. Paulo publicou em forma relativamente destacada (até onde eu consegui conferir) 19 declarações de Alberto Torregiani, filho do ourives que fora assassinado por um comando dos PAC em fevereiro de 1979. Jornais, revistas e redes de TV deram também destaque a Maurizio Campagna, irmão do policial morto pelo mesmo grupo em abril desse ano, e a Alessandro Santoro, filho de Antonio Santoro, chefe dos carcereiros de Udine, morto em junho de 1978, em represália pela aplicação de torturas a prisioneiros na cadeia judicial de Udine. Já Adriano Sabbadin, filho do açougueiro Lino, da uma vila perto de Veneza, foi várias vezes citado pela mídia Brasileira, como um das pessoas que viu Battisti matar seu pai.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um político na lata de lixo da história


Um político na lata de lixo da história


Por Mario Augusto Jakobskind (*)

As mais recentes revelações do site WikiLeaks mostram uma faceta do ex-senador Heráclito Fortes (foto) que muitos já imaginavam existir. O ex-senador prefere negar, como outros indicados pela WikiLeaks o fizeram. Heráclito não tem coragem de admitir ter sugerido ao então embaixador estadunidense Clifford Sobel que o governo dos Estados Unidos estimulasse a produção de armas no Brasil para conter supostas ameaças de Venezuela, Irã e Rússia, como revelou o site WikiLeaks.

O povo do Piauí julgou este senhor nas urnas, impedindo que ele tivesse mais oito anos de mandato no Senado. Na verdade, o Piauí livrou-se de um político pernicioso aos interesses nacionais. Quando Heráclito Fortes tinha mandato, os meios de comunicação de mercado lhe proporcionavam grandes espaços, sobretudo ao criticar pontos positivos da política externa do governo Lula e o próprio Presidente da República. Portanto, o Brasil consciente agradece ao povo do Piauí por mandar este Heráclito Fortes para o lixo, de onde se espera nunca mais saia.

Tem políticos do Demo e do PSDB que continuam por aí seguindo a mesma linha de Fortes. As revelações do site WikiLeaks mostram também como são promíscuas as relações de alguns políticos brasileiros com diplomatas estadunidenses.



sábado, 22 de janeiro de 2011

Dona Alvina, a tacacazeira

Servidos?
Deviam levar dona Alvina para a região serrana do Rio, onde morreram quase 800 pessoas. Ela seria mais eficaz que radares planejados para prevenir desastres ambientais que não foram instalados. Por outro lado, não funcionou o sistema meteorológico de Petrópolis para medir o nível dos rios, a umidade do ar, a velocidade dos ventos e a quantidade de chuvas, já que 19 estações foram desativadas, porque a burocracia não chegou a um acordo sobre quem devia operá-las.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

A banca de tacacá – me entendam bem – não era apenas um lugar onde se ia tomar tacacá, como pensa o simplório. Era muito mais do que isso. Era um templo, um santuário da fofoca. Isso em Manaus, cinquenta anos atrás, quando se cumpria sempre um ritual: a gente saía de casa ao entardecer levando, às vezes, a própria cuia pintada, made in Monte Alegre (PA). Aí, na banca, entre um gole e outro de tacacá, se falava tanto da vida alheia, mas tanto, que a língua ficava entorpecida e os lábios dormentes. A anestesia era creditada ao jambu, mas sabemos que a boca tremelicava por causa do disse-me-disse. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O NÓ DOS MÉDICOS FORMADOS EM CUBA

O NÓ DOS MÉDICOS FORMADOS EM CUBA

Laerte Braga


Cidadãos do Haiti (país ocupado pelos EUA com forças auxiliares dentre as quais brasileiras) preferem fazer longas filas diante dos hospitais de campanha montados pelos médicos cubanos logo após o terremoto que devastou o país, que enfrentar o risco dos médicos norte-americanos ou brasileiros.


O risco de médicos brasileiros e norte-americanos não diz respeito à competência, falo da barbárie instalada no país, seja pelo terremoto, é anterior a ele, seja pelas forças de ocupação. Não estão nem aí para a epidemia de cólera, o problema é outro, dentre eles, petróleo.

Cuba não integra o esquema decidido pela OEA – Organização dos Estados Americanos – e está lá por pura solidariedade.

Os médicos norte-americanos, todos formados em portentosas universidades, receberam ordens do comando militar dos EUA proibindo-os de recorrer aos cubanos. Se o paciente vai morrer, paciência; é um sacrifício em prol da “democracia”. Para os cubanos é uma vida que deve ser salva.

O Que, Realmente, Votou o Parlamento Europeu?


O Que, Realmente, Votou o Parlamento Europeu?
Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA) – 2152711

Na mídia brasileira da noite de 20/01 e nas atualizações na Internet, quase todas as notícias, mesmo as que diferem em estilo e até em algum detalhe informativo, fazem notar os seguintes fatos:
1.       Votaram pela Itália 86 deputados, apenas 1 contra, e houve 2 abstenções. (Alguns dizem que foram 89, mas a diferença é irrelevante desde o ponto de vista político ou social.)
2.       O PE recomendou ao estado brasileiro rever a extradição de Cesare.
Mas, a mídia não se preocupa em dar o contexto. O que significa realmente esta votação?

SÓ 11% DOS MEMBROS DO PARLAMENTO EUROPEU APÓIAM MOÇÃO ITALIANA

Celso Lungaretti (*)


A Folha.com informa: "Os membros do Parlamento Europeu pediram nesta quinta-feira [19/01] que o Brasil reveja a decisão de não extraditar o ativista italiano Cesare Battisti".

A verdadeira notícia é a seguinte: dos 736 membros do Parlamento Europeu, apenas  86 -- 72 italianos e 14 de outros países -- se dignaram a comparecer para votar a estapafúrdia, inconsequente e meramente propagandística moção apresentada pelo Governo Berlusconi.

Uma recomendação dessas só seria pertinente e cabível se endereçada a uma nação-membro... e o Brasil não integra a Europa, embora ela seja o continente do coração de alguns maus brasileiros, que não se vexam de assumir a defesa incondicional de interesses estrangeiros contra uma decisão soberana do governo de seu país.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O papelão de assessores de imprensa na ditadura

O jornalista Carlos Chagas (à esquerda) acompanhando o marechal Arthur da Costa e Silva. Foto: Acervo pessoal de Carlos Chagas / Retirada do livro "No Planalto, com a Imprensa"
O papelão de assessores de imprensa na ditadura

Por Urariano Mota (*)

 

Recife (PE) - Do livro “No Planalto, com a imprensa”, cujos dois volumes reúnem entrevistas de secretários de imprensa e porta-vozes de JK até Lula, prefiro ressaltar frases de assessores que serviram à ditadura brasileira. Nas passagens que o eufemismo recomendaria chamar de momentos menos honrosos, são indicadas ações vis como se fossem coisas bobas, ossos do ofício de experientes assessores, entre um riso e outro.

É sintomático do nível geral do jornalismo que ninguém mais se espante com informações graves, como estas cândidas palavras de Carlos Chagas, assessor de Costa e Silva, ao lembrar seus tempos de O Globo:

“As informações sobre o que podia ser veiculado vinham dele, Roberto Marinho. Mas era esporádico, vinham de vez em quando, porque o Roberto Marinho era daqueles jornalistas antigos que não admitiam notícia política, vamos dizer, elaborada pelo repórter. Ele tinha uma orientação clara: ‘Tem que escrever: fulano de tal disse a O Globo, disse a O Globo, disse a O Globo. Aí, publique tudo o que você quiser, na boca do outro’. Era esperto, não? Para O Globo não ser acusado de nada”



DEMOCRACIA ANALFABETA


Democracia Analfabeta

Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional

Eu sou de um país onde a palavra dada é sempre negociável em função das ofertas do mercado. [...] Entre nós, a palavra dada serve para elevar o preço da triação. Somos um país mercador que faz comércio com tudo, desde o patrimônio artístico até os presos políticos.
Erri De Luca (escritor italiano): A palavra dada é negociável? in Vargas, F.: La Véritè sur Cesare Battisti (v. Hamy, 2004)

Democracia, na linguagem política moderna, já não significa o mesmo que a palavra que lhe deu origem na antiga Grécia (demos kratia = poder do povo), assim como a química tampouco continua sendo o estudo das substâncias vindas do Egito. O mundo muda, e conceitos tradicionais adquiriram significados mais específicos.
Atualmente, são poucos os países que não se consideram democráticos. Desde o invadido e esfacelado Iraque, atacado por imperialismos e terrorismos de todos os estilos, até Canadá, Estados Unidos, repúblicas africanas, etc. quase tudo é democrático. Afinal, “democracia” em sentido formal, significa eleições pluri-partidárias, periódicas, com voto universal para os adultos. Em algumas democracias, como no Brasil, a Constituição faz questão de salientar que fica “eliminada” a censura, mas isso não é o entendimento de todos os governos democráticos.
Aliás, uma democracia pode existir com poucos livros, poucos escritos, e poucos escritores. É o que descobriram em 15 de novembro umas sumidades intelectuais da que fora, há muito tempo, a iluminada e liberal República de Veneza.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Caso Battisti: O Que Vai Votar o Parlamento Europeu?

Carlos A. Lungarzo
Anistia Internacional
A mídia marrom, grande ou pequena, passa reiteradamente a notícia de que no dia 20 de janeiro, o Parlamento Europeu vai votar uma moção contra Battisti e contra o governo brasileiro, que foi preparada por todos os parlamentares italianos. Esta parte da informação é correta, pois o parlamento italiano está integrado por neofascistas, por ex-membros da Democracia Cristã (e, portanto, próximos da Igreja e da Máfia), por ex-neo-stalinistas, e por oportunistas socialdemocratas. A única esquerda organizada na Itália, a Rifondazione Comunista, se encontra fora do Parlamento.
Mas, o que a mídia não fala, é que a moção apresentada pelas “lojas” políticas italianas não é a única. Por sinal, como os MEPs (parlamentares do PE) se distribuem por grupos que equivalem ao que seria um partido político, os deputados italianos junto à UE não estão todos no mesmo grupo. Assim sendo, há 3 moções quase iguais, que foram apresentadas por deputados italianos de cada um dos grupos. Como o poder de voto é individual e não por grupo, apresentar as propostas por grupos diferentes (o que é legalmente correto, desde que estas não sejam absolutamente iguais) não implica um maior consenso, mas, sem dúvida, possui um papel propagandístico bem maior.
Entretanto, além disso, há algumas moções diferentes, sobre as quais quero dar uma notícia rápida aqui. Antes de prosseguir é necessário ter em conta que em 2009, já foi aprovada uma moção sugerindo mornamente uma nova análise do caso Battisti, por apenas o 7,2% de quórum. Houve 46 votos a favor, 8 contra e quase 680 ausências.


EUA criam projeto para grampear internet

Por Altamiro Borges*

Na edição de dezembro último, a revista Superinteressante trouxe uma notícia que deve preocupar os defensores da liberdade na internet. Ela reforça o temor de que está em curso uma ofensiva mundial para controlar e restringir o uso da rede. Esta onda tende a ganhar maior impulso devido ao impacto dos vazamentos pelo Wikileaks de memorados da diplomacia estadunidense.

“Um novo projeto de lei, que será apresentado ao Congresso dos EUA nas próximas semanas, pode representar o mais duro golpe já visto contra a liberdade na internet. Proposta pelo governo Obama, a lei determina que todas as empresas de internet sejam obrigadas a instalar sistemas de grampo para capturar os dados enviados e recebidos por seus usuários”, descreve a revista.

Vigilância das agências de espionagem

Ainda segundo a reportagem, “isso significa que todos os meios de comunicação existentes na web (de serviços de e-mail, como o Gmail, até programas de telefonia, como Skype) teriam de abrir brechas para as agências de espionagem do governo. A medida afetaria inclusive empresas sediadas fora dos EUA (como a Skype Inc., por exemplo, cujo escritório fica em Luxemburgo), que seriam obrigadas a manter computadores em território americano para instalação dos grampos”.

PELUSO FAZ LOBBY PARA ESVAZIAR O PODER PRESIDENCIAL

Celso Lungaretti (*)

Desesperados face à iminência da derrota vexatória, os linchadores do escritor Cesare Battisti perdem até a compostura.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, é o mais destrambelhado de todos. Depois de enterrar-se até o pescoço neste caso, manchando sua reputação ao produzir o relatório mais tendencioso de toda a história do STF, ele agora vai à imprensa prejulgar seu desfecho, antecipar como se comportará em sessão futura e fazer lobby descarado, com a seguinte declaração:
"O que o STF decidiu foi que o senhor presidente da República deveria agir nos termos do tratado. Se o STF determinar que não está nos termos do tratado, vai dizer que ele tem de ser extraditado".
Ocorre que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respaldada em parecer tecnicamente incontestável da Advocacia Geral da União, cumpriu todos os requisitos do tratado de extradição entre Brasil e Itália, conforme já reconheceram o ministro Marco Aurélio de Mello e o maior jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari.


Cel. Cerqueira: um homem que tinha um sonho

Ana Helena Tavares
Da esquerda para a direita: Prof. Hélio Alonso, Prof. Oswaldo Munteal e Prof.ª Ana Beatriz Leal. Foto: Ana Helena Tavares

Um homem cidadão não é uma redundância, como certamente idealizava o Cel. Cerqueira e outro famoso sonhador negro, mas pessoas como eles são a prova de que também não é uma contradição.

Por Ana Helena Tavares, em 18 de Janeiro de 2011


O sonho de um ser humano cidadão. Foi exatamente com esta ânsia que fiquei após sair nesta segunda-feira à noite da OAB-RJ, onde fui para a conferência de lançamento do livro “O sonho de uma polícia cidadã”, que homenageia o Coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, assassinado no saguão do Edifício Magnus, no Centro do Rio, em 1999, quando tinha 59 anos. Morto com um tiro vingativo disparado pelo Sargento Sydney Rodrigues, sua morte revelou o drama de um conflito de mentalidades: a polícia com que Cerqueira sonhava era outra.

O livro, distribuído gratuitamente durante o evento, traz textos inéditos, e com uma atualidade impressionante, o que deixa claro o caráter visionário do Cel. Cerqueira, que, em 1975, já sonhava com idéias que só hoje estão em voga. É aí que se faz notar a importância dele não só para a polícia, mas também para os gestores públicos. Quando se fala hoje em UPP e em diversos projetos que estão acontecendo no Brasil, como o PRONACI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), há que se lembrar que isso tudo é pensamento dele.

Os textos foram cedidos pelo Instituto Carioca de Criminologia e organizados pelos pesquisadores Oswaldo Munteal, professor da UERJ e da FACHA; Ana Beatriz Leal, Coordenadora do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro; e Cel. Íbis Silva Pereira, Comandante do Batalhão de Petrópolis. Este último não pôde comparecer devido à sobrecarga de serviço causada pela tragédia que matou centenas de pessoas na região serrana do RJ.

A idéia de registrar o pensamento do Cel. Cerqueira nasceu do livro sobre os 200 anos da Polícia Militar, como me explicou a Prof.ª Ana Beatriz Leal:

– Eu estava trabalhando na PMERJ, em desenvolvimento de projetos, e estávamos produzindo o livro sobre os 200 anos da Polícia Militar. Foi aí que a gente viu que tinha que apresentar um exemplo. Porque uma coisa é falar da história da corporação, outra é você ter um tema atual e trabalhar ele. O Coronel Cerqueira surgiu naturalmente, porque ele foi o precursor de Direitos Humanos na polícia, um grande intelectual. Foi Comandante Geral duas vezes durante o governo Brizola. Logo após a ditadura militar, era visto como um revolucionário. Imagina, ele falava que os quartéis tinham que ser abertos pra sociedade e ninguém o entendia. Claro que isso era visto como loucura. Para mim, foi o maior intelectual de teoria de polícia do Brasil. Não superado até hoje. Só que, como negro, talvez ele não tenha tido tanta voz na academia, onde não é muito pesquisado -, disse a professora.

Tendo sido o primeiro Comandante Geral negro na história da Polícia Militar, o Cel. Cerqueira escreveu muito sobre a questão da inclusão dos negros na sociedade:

– É um marco e um exemplo para a tropa. Ele é, por uns, adorado; por outros, incompreendido -, completou Ana Beatriz.

“Foi uma queda de braço muito dura”, como me definiu o prof. Oswaldo Munteal, também organizador do livro:

– Interessante que, dentro dos 200 anos da Polícia Militar (1809/2009) apareceu um foco novo que é o dos direitos humanos, como pauta, como agenda da polícia. A PMERJ, através do Coronel Cerqueira, apresentou pela 1ª vez essa novidade: a presença do embate político pelos direitos humanos. De dentro de uma corporação monolítica, extremamente blindada, aparece um quadro que modifica totalmente o cenário. Esse aspecto eu acho muito rico -, disse o professor.

Munteal me falou também sobre os apoios recebidos e o funcionamento da pesquisa, que durou dois anos:

– Acho importante ressaltar que nós fomos apoiados pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura, tanto que temos hoje aqui um representante da ministra Ana de Hollanda. E outra coisa muito importante de ser dita: nós não tivemos nenhum tipo de dificuldade de acesso aos arquivos da polícia. Isso, pra mim, foi um ponto exemplar. Muita gente fantasia sobre se houve censura. Não. A polícia não blindou, não vetou nenhum documento. Não houve nenhuma aresta nesse sentido. Tivemos oito assistentes de pesquisa, todos da FACHA. E pesquisadores da UERJ e da PUC. Então, foi um trabalho que me deu a felicidade de integrar várias instituições -, afirmou.

Perguntei-lhe ainda sobre como via a PM hoje em dia e ouvi duras críticas a filmes como “Tropa de Elite”:

– É curioso, porque eu vejo a polícia muito mais interessada em discutir o tema da paz do que propriamente o que é apresentado em filmes como “Tropa de Elite”, onde, a meu ver, há uma inversão. Eu vejo isso talvez com excesso de otimismo, mas eu vejo a polícia mais voltada pro cenário da paz do que da guerra. Ou seja, enquanto está se discutindo UPP, o que se vê no filme é o inverso disso. Acredito ser um desserviço à sociedade. É um ponto fora da curva. É outro sinal, que, ao invés de dar ênfase à paz, dá à guerra. Faz muito mal à cidadania, porque eles não estão contando a verdade – há muito mais fantasia do que realidade ali. Há do meu ponto de vista, uma apologia da violência. E a pesquisa me ajudou muito a ver esse ângulo. Digo isso porque um pesquisador, tendo acesso a várias fontes, terá simpatia ou não por determinados objetos. Não existe uma visão sem pré-noções. Quem acha que isso é possível, não faz história. A gente sempre leva uma carga de opinião. E nós tivemos uma empatia com o Coronel Cerqueira -, concluiu Munteal.

Também estava presente ao evento o Prof. Hélio Alonso, fundador e dono da faculdade que leva seu nome. O Cel. Cerqueira foi seu aluno, como ele me contou orgulhoso:

– Falar sobre o Coronel Cerqueira pra mim é sempre agradável. Embora eu tenha tido pouco contato com ele, deu para fazer um juízo dele. O 1º contato que tivemos foi num evento numa associação de chineses. Eu estava conversando com um tenente, quando chegou o Coronel Cerqueira, que era o Comandante da PMERJ. O tenente disse que iria cumprimentar o Coronel e eu disse: “Ah, me apresenta ele. Eu gostaria de conhecê-lo”. Porque eu já vinha acompanhando o trabalho dele há muito tempo. Isso foi na década de 90, pouco tempo antes de ele morrer. Eu o disse que era uma honra muito grande conhecê-lo, no que ele respondeu: “Pra mim, é uma honra muito maior, porque venho acompanhando o seu trabalho há mais tempo. Eu fui seu aluno num curso pré-vestibular no Méier”. Mais tarde, eu assisti a uma palestra dele no Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio, onde sou conselheiro lá. Foi uma palestra maravilhosa, onde eu vi que ele tinha um conhecimento muito grande de coisas fora da polícia. Foi mais um momento agradável que tive com ele. Depois eu me afastei um pouco. Estava viajando quando ele morreu e só soube depois. Realmente, era uma pessoa de um vasto conhecimento, incomum a um militar. Perceba: não é que seja estranho, mas não é comum. Ele tinha uma visão humanística muito grande. Então, esse livro e toda essa homenagem só vêm fazer justiça.

A Polícia Militar também marcou presença. Um jovem policial negro foi o mestre de cerimônias. Tive oportunidade de conversar com o Coronel Antonio Carlos Carballo Blanco, Comandante da Escola Superior da PMERJ, visivelmente emocionado por ter convivido de perto com o Cel. Cerqueira:

– O livro representa um justo reconhecimento pelo homem e pelo profissional. Ele foi um divisor de águas. Há o antes e o depois dele. Será pra mim um eterno ídolo, que me abriu horizontes –, disse Carballo Blanco.

A cerimônia foi concorrida, auditório cheio e mesa de honra lotada, contando com nove nomes do mais alto gabarito. Dentre eles, além dos já citados, estava ainda o prof. Adair Rocha, que assina a apresentação do livro e foi professor de Munteal. Rocha definiu o título da obra como “contraditório” aos olhos de parte da sociedade, que crê que polícia não é para ser cidadã.

Um homem cidadão não é uma redundância, como certamente idealizava o Cel. Cerqueira e outro famoso sonhador negro, mas pessoas como eles são a prova de que também não é uma contradição.

Ana Helena Tavares é jornalista, escritora e poeta eternamente aprendiz. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?"

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Hobsbawn: "Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil"


Eric Hobsbawn escreveu, entre outros, “A Era da Revolução”, “Nações e Nacionalismo desde 1780″ e “História do Século XX”.


Martin Granovsky: Então as coisas parecem ser como você pensa, professor. E, como em outros lugares do mundo, o pensamento da extrema direita aparece, por exemplo, com a crispação sobre a segurança e a insegurança das ruas.


Eric Hobsbawn: Sim, a América Latina é interessante. Tenho essa intuição. Pense num país maior, o Brasil. Lula manteve algumas idéias de estabilidade econômica de Fernando Henrique Cardoso, mas ampliou enormemente os serviços sociais e a distribuição. Alguns dizem que não é suficiente…


Martin Granovsky: E você, o que diz?


Eric Hobsbawn: Que não é suficiente. Mas que Lula fez, fez. E é muito significativo. Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. E ninguém o havia feito nunca na história desse país. Por isso hoje tem 70% de popularidade, apesar dos problemas prévios às últimas eleições. Porque no Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles, desenvolvendo ao mesmo tempo a indústria e a exportação de produtos manufaturados. A desigualdade ainda assim segue sendo horrorosa. Mas ainda faltam muitos anos para mudar as coisas. Muitos.


Leia a entrevista completa AQUI !

Creative Commons License
Cite a fonte. Todo o nosso conteúdo próprio está sob a Licença Creative Commons.

Arquivo do blog

Contato

Sugestões podem ser enviadas para: quemtemmedodolula@hotmail.com
diHITT - Notícias Paperblog :Os melhores artigos dos blogs