O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A falsa história nas escolas militares (III)


A falsa história nas escolas militares (III)

Por Urariano Mota (*)

Recife (PE) - Eu já me havia prometido não mais voltar ao assunto. Melhor dizendo, volver, nunca mais. Mas prometo que esta será a última vez, ainda que o assunto não se esgote aqui.

E por que volto? Meia-volta faço porque nesta semana fui honrado pelo senhor Hiram Reis, coronel e professor do Colégio Militar de Porto Alegre, que escreveu uma catilinária em que divulga até o meu email, para melhor chamamento à ordem do colunista. Na parte de interesse público, depois de chamar este autor de alienado, idiotizado, o professor toca em questões mais graves, como estas:

“Atualmente, o Colégio Militar de Porto Alegre é a única escola de educação básica do País a possuir um observatório astronômico (Observatório Capitão Parobé) dotado de um telescópio robótico de última geração...

Seus formandos têm o mais alto índice percentual de aprovação no vestibular da UFRGS entre as escolas gaúchas (42% em 2005, 44% em 2006, 44,79% em 2007, 61,11% em 2008, 48,70% em 2009 e 57,45% em 2010)...

Do ‘Colégio dos Presidentes’ saíram as únicas duas gaúchas selecionadas para integrar as respectivas turmas pioneiras de mulheres da Aeronáutica..”

E por aí segue. Entenderam? A uma crítica dirigida ao nível da História ensinada aos alunos militares, o professor coronel responde com as glórias do Colégio Militar em outros campos, que em nenhum momento entraram em discussão. Para concluir, muitos parágrafos depois: “Desafio o Sr. Urariano Mota a apresentar outra Escola Pública que apresente resultados similares aos do nosso querido ‘Casarão’, que jamais tenha desencadeado qualquer tipo de movimento ‘grevista’, que no dia do seu aniversário seja capaz de fazer que seus ex-alunos, jovens e sexagenários, civis e militares, desfilem emocionados e saudosos”

Meu Deus, o sentimento de casta expresso acima é constrangedor. O coronel professor quer um ranking, uma guerra entre escolas públicas, para saber qual a melhor. Todos amam a escola de juventude, coronel. Eu mesmo passei pelo glorioso Alfredo Freyre, de um subúrbio recifense, onde jamais tivemos observatórios, com exceção dos olhares que dirigíamos às pernas da professora Janita. Nesse colégio tivemos um mestre insuperável, um formador de consciências, o professor Arlindo Albuquerque, espancado e preso pelos militares no primeiro de abril de 1964. Que feito indelével, histórico, existe maior que esse? Que coisa bela era o mestre a declamar "Sur la liberté de la conscience".

O professor Arlindo não entra aqui por acaso. Ele faz parte da história que é oculta, filtrada e corrigida dos alunos das escolas militares. Ele vem ainda porque nos ensinou que a nossa pátria não é a maior nem a melhor nem a mais perfeita. A nossa pátria é apenas o lugar onde nascemos e sentimos o gosto de feijão e do primeiro beijo. Que a nossa pátria, assim, é a própria humanidade, aquela que passa por Rousseau, o escritor que o mestre Arlindo nos lia em voz alta e flamejante a nos ensinar que todos os homens são iguais na terra.

O espaço está no fim e quase encerro sem dizer que esta semana, por dever de ofício, me vi obrigado a ler três livros da Biblioteca do Exército: "O revisionismo histórico brasileiro", de Maya Pedrosa; "A chama da nacionalidade", de Marco Antonio Cunha; e.... "Não somos racistas", do filósofo Ali Kamel. Sim, o livro do pensador da Globo. Iria ler, da Biblioteca do Exército ainda, o "Poderosos e Humildes", do simpático Vernon Walters, que recebe esta apresentação:

“O autor, bastante conhecido no Brasil, é pessoa da absoluta confiança de vários presidentes dos Estados Unidos, dos quais recebeu uma série de missões de salvamento no plano internacional. Esta é a obra de um hábil contador de histórias, com qualidades de analista, desenvolvidas nos serviços de inteligência americanos, no exército e no serviço diplomático”.

Não seria mais simples apresentá-lo como o homem da CIA no Brasil, no golpe de 1964? Melhor terminar com um questionamento do historiador J. F. Maya Pedrosa, extraída do Revisionismo histórico brasileiro:

“É conveniente ao processo de educação a doutrinação política, a interpretação da história com finalidade de indução ideológica ou partidária?”

Entenderam? Como isso é irônico. O historiador faz essa pergunta contra a falsa história nas escolas civis! Mas não deixa de ser curioso. Entre aspas e acima está o novo gênero de pergunta que é uma arma - puro bumerangue.

Leia a parte II

*Urariano Mota é jornalista e escritor. Autor do livro “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do Cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo. Urariano é pernambucano, nascido em Água Fria e residente em Recife. É colunista do site “Direto da redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

Charge: Carlos Latuff

Começam a valer regras para emissoras de TV e de rádio

A partir desta quinta-feira (1º/7), as emissoras de rádio e televisão do país devem ficar atentas às proibições impostas pela Lei das Eleições. Entre outras vedações, esses veículos de comunicação não podem dar tratamento privilegiado a candidato em seus noticiários nem na programação normal. Quem desrespeitar as regras, fica sujeito ao pagamento de multa que varia de R$ 21.282,00 a R$ 106.410,00 e, em caso de reincidência, a multa pode ser duplicada.

As novelas, filmes ou minisséries não podem fazer crítica ou referência a candidatos ou partido político, mesmo que de forma dissimulada. As emissoras estão proibidas de usar trucagem ou montagem de áudio ou vídeo que degradem ou ridicularizem candidato ou partido ou que desvirtue a realidade para beneficiar ou prejudicá-los. Também não podem transmitir programas com esse fim.

Candidato que já tenha sido escolhido em convenção para concorrer às eleições de 3 de outubro não pode apresentar nem comentar programa. As emissoras também não podem divulgar nome de programa que se refira a candidato escolhido em convenção, inclusive se a denominação do programa coincidir com o nome do candidato ou com o que ele indicou para uso na urna eletrônica.

Se o programa tiver o mesmo nome do candidato, fica proibida a sua divulgação. O candidato que desobedecer a essa regra pode ter o registro cancelado. As emissoras de rádio e televisão também estão proibidas de veicular propaganda política, inclusive paga, ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato ou partidos.

A imprensa escrita pode emitir opinião favorável a candidato. Abusos ou excessos serão apurados e punidos nos termos da Lei 64/1990, o que pode levar à cassação do registro e à inelegibilidade do beneficiado. Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE.

Fonte: http://www.conjur.com.br/2010-jun-30/comecam-valer-regras-eleitorais-emissoras-tv-radio

A tal tecnologia

A tal tecnologia

Por Laerte Braga (*)

João Saldanha costumava dizer que quando eliminassem erros de juízes o futebol ia para o brejo. Referia-se a parar o jogo e conferir na telinha. A mesma opinião tem o ex-presidente da FIFA João Havelange. Resistiu durante anos a pressões para mudanças nas regras. Só aceitou coibir que o goleiro pegue com as mãos bola atrasada.



Duvido que o bandeirinha não tenha percebido que a bola chutada pelo atacante inglês, seria o gol do empate, entrou. Como duvido que o outro bandeirinha não tenha percebido o impedimento de Téves no gol contra o México. De qualquer forma futebol tem dessas coisas, a Inglaterra foi campeã do mundo em 1966 com uma bola que não entrou e contra a mesmíssima Alemanha.



Em 1978 a Argentina comprou um argentino naturalizado peruano, o goleiro Quiroga, para fazer o gol a mais que necessitava e passar às finais. Foi campeã do mundo, a despeito do excelente futebol que sempre teve, num gesto de agradecimento de Havelange à ditadura militar por apoio em sua reeleição para a FIFA.



Foram duas copas claramente manipuladas.



O curioso é que a crítica a armação, evidente, foi de Cláudio Coutinho, ex-capitão do Exército e técnico da preferência dos militares para a seleção depois do fracasso na Copa de 74. Falou em Brasil, “campeão moral”.



Na Copa inventou um quarto zagueiro, Edinho, de lateral esquerdo e barrou Rivelino e Nelinho. Coutinho surgiu em 1970, auxiliar de preparador físico, uma espécie de fiscal dos militares na Comissão Técnica.



E exatamente depois do episódio de destituição de João Saldanha. Desde que declarou que não convocaria Dario para satisfazer o presidente da República, Saldanha estava com os dias contados. “Eu não nomeio os ministros dele, ele não convoca os jogadores da minha seleção”.



A miopia de Pelé que tanto badalam foi por outra razão. Não se tratava de miopia oftalmológica, digamos assim, mas mental no curso de um processo em que o jogador estava sendo triturado. E Saldanha não barrou Pelé, apenas afastou o jogador e recomendou a ele tomar uma decisão. Só isso. É uma questão pessoal não vale falar aqui.



Futebol tem esses trens complicados. Uma vez Veiga Brito era presidente do Flamengo e chegou a um “acordo” com o goleiro Manga do Botafogo. Semana de partida decisiva entre os dois times. Contaram a Saldanha, que contou a Zagalo, que chamou Lídio Toledo e deram uma prensa em Manga. Pior, fizeram-no jogar. Manga pegou tudo.



Ao final, sentindo-se logrado, Veiga Brito, homem de confiança de Carlos Lacerda, disse que “estranho que o Manga só pegue tudo contra o Flamengo, não passa nem pensamento”. Estava chorando o “acordo” não cumprido.



Saldanha, da cabine onde comentava o jogo, deu uma espinafrada em Veiga Brito ao vivo e acabou deixando a história transparecer. Manga foi à sede do Botafogo tirar satisfações e a disparidade de tamanho entre o goleiro e o comentarista/técnico era de tal ordem que Saldanha puxou dum 22 e deu um tiro para o chão.



Quem conhece a sede em General Severiano no Rio não consegue compreender o fantástico pulo que Manga deu depois de disparada corrida, falo dos muros.



Uma vez numa resenha esportiva Saldanha chamou Castor Andrade no braço, mas fez uma exigência. “Sem os seus capangas e sem arma, só na mão”. Isso ao vivo. Chamaram os comerciais e a coisa ficou por isso mesmo. Castor não foi.



Copa do Mundo tem dessas armações e dessas coisas. Mas tem também uns esquemas fora de esquadro. João Lyra Filho, irmão de Lyra Tavares, ministro do Exército no golpe dentro do golpe em 1968, era o presidente da antiga CBD, hoje CBF, em 1954. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, como o Brasil estivesse perdendo da célebre seleção húngara de Puskas, etc, fez um discurso patético. “O Brasil, neste momento, é a pátria de chuteiras”.



Deu no que deu, perdemos de quatro a dois e Didi ainda deu umas chuteiradas patrióticas em alguns húngaros.



Mário Vianna, com os dois “n” esculhambou o juiz do jogo, um inglês chamado Mister Ellis. Era um dos árbitros daquela Copa e naquele tempo juízes falavam o que bem entendiam.



O Brasil também fez das suas. Garrincha fora expulso no jogo contra o Chile, semifinal da Copa de 1962 e seria julgado pelo tribunal esportivo da FIFA. O jogo final foi contra a Tchecoslováquia. Paulo Machado de Carvalho procurou Estaban Marino, juiz da partida, deu-lhe uma gratificação e o dito cujo, uruguaio, viajou para seu país naquela mesma noite com a súmula do jogo. Não houve como punir Garrincha. Jogou a final e o Brasil ganhou o bi-campeonato. Ganharia de qualquer jeito.



O que deu na cabeça do goleiro Bruno do Flamengo num sei. É prematuro falar em crime, pelo menos até a descoberta de um corpo, ou de uma confissão, mas é difícil deixar de considerar os indícios. São muitos.



Estava de malas prontas para a Milan, seria o substituto de Dida. Deve ter pensado em votar em José Arruda Serra e isso causa diarréia mental.



Todas as vezes que citam Zico como exemplo disso e daquilo, falam em supercraque fico pensando onde enfiar o jogador nas seleções de 58, 62 e 70? Foi campeão do mundo como assistente de Luís Felipe Scolari que nem olhava para a cara dele no banco e nem em lugar nenhum. Engoliu uma decisão de Ricardo Teixeira. Chegou ao Flamengo e desestruturou tudo. Desde o técnico Andrade a uma série de decisões equivocadas.



Quando começou o futebol no Japão, começou a ser levado a sério, Saldanha dizia que qualquer um brasileiro poderia ser técnico lá era só ensinar os caras a chutar em gol e mostrar onde ficava o gol.



É claro que Zico foi um excelente jogador, mas nada além disso. Nem chega aos pés de Garrincha, Pelé, Didi, Gérson, Zizinho e outros tantos.



E se alguém disser que poderia ser um substituto para Vavá, ou para Jairzinho nas copas de 58. 62 e 70, basta lembrar o pífio desempenho que teve nas copas que jogou.



Em 1958 o técnico Vicente Feola substituiu Dino Sani por Zito, notáveis jogadores. Foi explicar a Dino o motivo da substituição. “Você é globetrotter, preciso de alguém que jogue para o gol”.



Não sei se o Brasil passa pela Holanda. O gol dos holandeses contra a Eslováquia foi um meio frango do goleiro. Robben é de fato um excelente jogador e complica jogar pela direita e puxar e chutar com a esquerda. Que nem lutador canhoto, o adversário acha que o caminhão vem de um lado e surge de outro. Só resta perguntar depois se alguém anotou a placa. Mais nada.



Mourinho anulou a figura na final da copa européia de clubes. E a zaga era formada pelo brasileiro Lúcio e o argentino Samuel, de quebra Maicon na lateral-direita.



Para variar, logo depois da “briga” GLOBO versus Dunga, a rede começou a dar destaque a tudo que Maradona falava e fazia. Num dado momento a direção percebeu que estava torcendo contra – como estão, é uma organização estrangeira que atua no Brasil –. E a FOLHA DE SÃO PAULO num anúncio da rede Pão de Açúcar deu o Brasil como eliminado. Está lá tentando explicar a fria.. São mestres nesse negócio de notícias falsas. GLOBO e FOLHA DE SÃO PAULO. Só falta VEJA para completar.



Fátima Bernardes deve entrevistar Maradona ao vivo e nu, promessa dele, se a Argentina for campeã. E Miriam Leitão nem está lá para comentar as implicações econômicas que o Irã e a Venezuela provocam na Copa do Mundo, tudo por culpa de Lula e sua política externa.



Que pena. Podia fazer dupla com Bial, ou trio com ela, Bial e Lúcia Hipólito, no quarteto de Fátima Bernardes.



Bonner iria escrever um editorial iracundo para ser lido no FANTÁSTICO.



No duro mesmo batem cabeça até agora para tentar entender essa história do vice de Arruda Serra. Vão achar um novo bode expiatório, seja o Brasil campeão ou não. Dunga e sua “teimosia”.



Tudo com a tal de tecnologia.


*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Lula e as perspectivas na área de saúde

Serra finalmente acha sua cara-metade: Índio da Costa, o homem da merenda

O vice é o homem da merenda?

Leia o próprio PSDB

O Blog do Noblat acaba de anunciar que o vice do Serra será o deputado Índio da Costa, do DEM. Apresenta-o como o relator do ficha-limpa. Mas não é bem assim. Ele foi um dos alvos da CPI na Câmara dos Vereadores que investigou superfaturamento e má-qualidade nos alimentos comprados para a merenda escolar, quasndo eu ainda era vereador. A CPI foi pedida pelo meu amigo e deputado Edson santos (PT) e relatada pela – atenção – vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira. Vou transcrever o texto que está numa das páginas dela na internet, de onde tirei também a ilustração:

O relatório de Andrea concluiu que a licitação para a compra de gêneros alimentícios para a merenda, entre julho de 2005 e junho de 2006, realizada pela Secretaria Municipal de Administração e pela Secretaria Municipal de Educação, no valor de R$ 75.204.984,02, causaram prejuízo aos cofres públicos. 99% do fornecimento ficaram concentrados numa única empresa, a Comercial Milano, que apresentou uma engenhosa combinação de preços em suas propostas. A licitação ocorreu num único dia, mas foi dividida 10 coordenadorias de educação (CREs). O “curioso” foi que esta empresa ofertou preços diferentes para o mesmo alimento. O preço do frango da proposta da Milano, por exemplo, para Santa Cruz, era cerca de 30 % mais caro do que o preço ofertado para Campo Grande. Detalhe: em Santa Cruz a Milano não teve concorrentes e em Campo Grande sim. Como ela soube da falta de concorrentes, um mistério. E a Prefeitura aceitou isso! Pagou à mesma empresa, pela mesma mercadoria, preços muito diferentes. Essa foi a característica geral dessa licitação: uma combinação de preços que otimizaram os ganhos de uma única empresa fornecedora em prejuízo dos cofres públicos.

Na primeira parte do relatório, a CPI concluiu que o então Secretário de Administração, Índio da Costa, deveria ter cancelado a licitação porque as regras do edital levaram a um resultado que contrariou o objetivo inicial de atrair dezenas de pequenos comerciantes locais a vender para as escolas dos bairros, descentralizando o fornecimento, e pelo melhor preço. Ao contrário, a licitação acabou por provocar a maior concentração de entrega de gêneros alimentícios na história da merenda escolar.

Como evidência incontestável do prejuízo aos cofres públicos, o relatório revelou que o pregão presencial adotado depois da instalação da CPI pelo
sucessor do Secretário Índio, um ano depois, possibilitou uma economia de cerca de R$ 11 milhões na compra da mesma merenda escolar.

Durante o processo licitatório, segundo o relatório da CPI, foram identificadas diversas irregularidades no registro das atas das reuniões de entrega, abertura e verificação de documentos. Chamou a atenção o fato de a empresa Milano ter sido a única a ter acesso aos documentos das empresas concorrentes ainda durante o período em que a Comissão de Licitação analisava a documentação dia 23 de março de 2005, enquanto os pedidos de vista das demais só ocorreram após o dia 31 do mesmo mês, quando já havia sido anunciado o julgamento dos documentos.

Uma das empresas eliminadas – a única que conseguiu na Justiça liminar para que a Secretaria de Administração não destruísse sua proposta de preços – mostrou, quase um ano depois, quando a Justiça obrigou a abertura do envelope, que se não tivesse sido desabilitada, teria vencido a Milano em vários quesitos, com condições mais vantajosas para o Município.

A Prefeitura não conseguiu demonstrar, de forma objetiva, como a empresa Milano conseguiu um resultado tão favorável. A única explicação dada pelo
então Secretário de Administração, Índio da Costa, e pelos diretores da Milano, de que o acerto se deu em virtude do estudo das concorrências anteriores, levou a CPI a duas conclusões:

1- Se era possível antecipar resultados, houve falha nas regras do edital.

2- Se a Administração municipal aceitou pagar, pelo mesmo produto, preços significativamente diferenciados, sem que houvesse uma explicação objetiva para esse fato – custo de logística, por exemplo – não cumpriu um dos preceitos da licitação que é comprar pelo menor preço.

As duas conclusões deveriam ter levado a Secretaria de Administração a, obrigatoriamente, cancelar a licitação.

Na segunda parte do relatório apresentado pela vereadora Andrea Gouvêa Vieira, a CPI concluiu que houve omissão, negligência e despreparo na fiscalização do contrato assinado com a empresa Milano, que reiteradamente entregou, durante todo o ano, carne bovina e frango fora das condições exigidas, trazendo complicações ao funcionamento já precário de muitas escolas, dificultando o preparo das refeições, e, em muitas ocasiões reduzindo a quantidade de alimento, principalmente carne e frango, no prato das crianças.

Depoimentos de merendeiras e o relatório das visitas às escolas feito pelo Conselho de Alimentação Escolar (CAE), enviado à CPI, comprovaram a omissão da Secretaria de Educação que, apesar da continuada e permanente reclamação das escolas, não se posicionou de forma adequada para exigir o cumprimento do contrato.

Ao contrário, disse a CPI, o total de multas, de R$ 8.330,28, ao longo do ano, num contrato de R$ 75 milhões, claramente induziu a empresa Milano a insistir na entrega do alimento fora dos padrões contratuais, diante de tão pequena penalização.

Documento em poder da CPI revelou que auditoria da Controladoria Geral do Município responsabilizou a Secretaria de Educação pela fragilidade no acompanhamento da execução do contrato, vindo ao encontro das conclusões da CPI.

O documento propôs as devidas ações para responsabilização civil e criminal dos infratores, em especial dos dois secretários – de Administração e de Educação, principais responsáveis, no mínimo, pela relapsia no trato da coisa e do dinheiro públicos. O primeiro, Índio da Costa, ao homologar uma licitação cujo resultado era evidentemente contrário ao interesse da administração; e a segunda, Sonia Mograbi, ao negligenciar por completo a fiscalização da execução do contrato. “Em ambos os casos, é de ser aferida tanto a responsabilidade pessoal dos secretários quanto a dos agentes a eles subordinados, quer na condução da licitação, que levou à elaboração do contrato, no caso da SMA, quer na fiscalização e acompanhamento da sua execução, no caso da SME”.

Além do Ministério Público Estadual, a CPI encaminhou o relatório ao Ministério Público Federal, uma vez que parte dos recursos da merenda escolar são repasses de verba do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Também foram encaminhadas cópias do relatório à Delegacia de Polícia Fazendária, ao Tribunal de Contas do Município e à Prefeitura do Rio.

Há muito mais material sobre o tema na página da vereadora, repito, do PSDB, e nos jornais cariocas. Quem quiser – imagino que a imprensa queira – procurar, vai achar muito…

Ganhe uma cópia do Dossiê Serra no jogo dos 7, 14 e 21 erros

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A nossa Agência Assaz Atroz escalou o melhor chargista da nossa equipe de cartunistas a fim de que este acompanhasse a entrevista da candidata à Presidência da República pelo PT Dilma Rousseff, ao programa Roda Viva, e retratasse com rigorosa precisão exata os melhores momentos da seguntina (se aos sábados é sabatina, então...).

Para nossa surpresa, o trabalho do nosso panfletist... quer dizer, do nosso cartunista apresentou, por uma dessas casualidades eventualmente ocasionais, alguns raros, mas excepcionalmente comuns e recorrentes, traços semelhantes e rigorosamente quase iguais aos do cartunista do Roda Viva.

Não é mesmo muita coincidência casual?!

Aprecie o nosso sisudo esforço para produzir bom humor e participe do jogo dos 7, 14 e 21 erros, que consiste em o leitor identificar as pequenas diferenças entre os quadrinhos do cartunista do Roda Viva e os do nosso assaz atroz chargista.

Quem acertar o maior número de erros (diferenças) ganha uma cópia exclusiva do Dossiê Serra, quando o livro “Os porões da privataria”, de Amaury Ribeiro Jr., for lançado.

Quem se habilita?!

Assista à entrevista usando a postagem da redecastorphoto, a fim de comparar as nossas charges com as do Roda Viva.

(Clique na imagem para ampliar)





Atenção: O regulamento do nosso concurso estabelece premiação para quem acertar o menor número de diferença de traços entre os nossos cartuns e os do cartunista do Roda Viva. Nesse caso, o candidato ganha um link para ler trechos do Dossiê Serra, publicados na internet, desde que esta foi inventada.

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AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Dunga e a arrogância histórica da Globo

A Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.

Por Venício Lima*

Para Marco Antonio Rodrigues Dias e Geraldo da Rocha Moraes

Embora tenha apoiado o golpe de 64, o regime militar e se consolidado como a mais poderosa rede de televisão do país durante a ditadura, houve períodos em que a percepção de boa parte da elite fardada era de que a Rede Globo de Televisão representava uma ameaça real de controle da opinião pública brasileira e precisava ser enfrentada.

No governo do General Geisel (1974-1979), sendo ministro das Comunicações o Coronel Euclides Quandt de Oliveira, foi certamente quando surgiram as maiores contradições e divergências entre o regime autoritário e a Globo. Documentos da época e sua análise estão disponíveis, por exemplo, no livro “Dossiê Geisel”, organizado por Celso Castro e Maria Celina D’Araújo e publicado pela FGV em 2002.

Encontro na UnB
Faço esta rápida introdução para relatar um encontro emblemático acontecido há 35 anos, entre professores do então Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília e altos dirigentes globais, entre eles, Walter Clark (diretor geral), Luiz Eduardo Borgerth (diretor), Otto Lara Resende (assessor da presidência), infelizmente, já falecidos.

O contexto do encontro trazia, no mínimo, preocupações para as Organizações Globo:

(1) A Globo havia perdido a disputa por um canal de TV aberta em João Pessoa, PB, por interferência direta do ministro Quandt que considerava um risco “aumentar o monopólio da emissora”.

(2) O ministro vinha fazendo uma série de críticas públicas à televisão brasileira, todas de grande repercussão. Uma delas, a aula inaugural no curso de comunicação do CEUB, Centro de Ensino Unificado de Brasília, sobre “A televisão no Brasil” (17/2/1975). Na sua fala ele destacava os “perigos do monopólio” tanto de canais, quanto de audiência, quanto na programação “alienígena”.

(3) Estava em andamento a criação da Radiobras [Lei n. 6301 de 15/12/1975] que era vista com desconfiança pela Globo pelo temor de que se transformasse em destinação preferencial de verbas publicitárias do governo.

(4) Estava em discussão, dentro do governo, um pré-projeto de regulação da radiodifusão que deveria substituir o superado Código Brasileiro de Telecomunicações [Lei 4. 117/1962].

(5) O Departamento de Comunicação da UnB era uma unidade acadêmica que produzia pesquisa crítica sobre a radiodifusão brasileira e acabara de elaborar um pioneiro projeto de unificação das televisões públicas que recebeu o nome de SINTIS, Sistema Nacional de Televisão de Interesse Social. Além disso, circulava que alguns de seus professores tinham acesso ao ministro das Comunicações e o abasteciam com dados nos quais ele fundamentava sua posição, direta e/ou indiretamente, contrária à hegemonia da Globo.

O objetivo do encontro, realizado por iniciativa da Globo, na UnB, era “trocar idéias” sobre as comunicações no Brasil. O que acabou acontecendo, todavia, foi quase um bate-boca.

Apesar da conjuntura politicamente adversa – para a Globo – em que se realizava o encontro, a memória de professores presentes é unânime em afirmar a arrogância de seus dirigentes. Não houve diálogo possível e cada um saiu do encontro ainda mais convicto em relação às respectivas posições. Divergimos em relação à existência de um virtual monopólio na TV brasileira; às finalidades educativas da televisão (previstas em lei); à prioridade ao conteúdo nacional e à necessidade de criação de uma rede pública de radiodifusão.

No presente como no passado
Relembro este encontro e a memória que dele ficou para reforçar os inúmeros comentários já escritos e publicados nesta Carta Maior sobre o enfretamento que a Globo faz a Dunga, aparentemente, por ele não ser conivente com os privilégios da emissora em relação aos demais veículos de mídia que estão cobrindo a Copa do Mundo na África do Sul.

Ao longo de sua existência, uma característica da Rede Globo tem sido ignorar que a televisão é apenas a concessão de um serviço público que tem como soberano o cidadão e seu interesse. Ao contrário, a Globo tem historicamente se comportado como proprietária das concessões de radiodifusão.

A própria Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.

A Globo, por óbvio, não tem mais em 2010 o poder que teve na década de 70 do século passado, enfrentado, por razões próprias, pelo regime militar. Mas conserva a arrogância.

Por outro lado, uma diferença do passado para o presente é que o inconformismo em relação à Globo não está mais restrito a alguns professores isolados em departamentos universitários. Repetindo a resistência que se expressou em outras situações históricas no lema popular “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”, a internet fornece hoje o suporte tecnológico necessário para que milhões de pessoas se mobilizem em torno de iniciativas como “cala a boca Galvão” e “cala a boca Tadeu”. Além disso, dezenas de blogs e sites alternativos tornaram pública a opinião daqueles que fazem contraponto à TV hegemônica.

Outro mundo possível
Resta manter a esperança de que – um dia – a transmissão de jogos dos campeonatos locais, regionais e nacional de futebol e a cobertura dos jogos da Seleção Brasileira, não serão exclusividade de concessionárias comerciais, mas estejam disponíveis nas redes públicas de televisão.

Em se tratando de um patrimônio cultural brasileiro, as redes comerciais privadas não deveriam remunerar as redes públicas para distribuir e comercializar este tipo de conteúdo?

O episódio Globo versus Dunga – que certamente ainda não terminou – deixa claro que já existe no país, não só uma ampla consciência da arrogância e dos privilégios históricos da Globo, como também novas e eficientes formas de expressar inconformismo diante dessa situação. E mais importante: novas e eficientes formas de apoiar aqueles que, como Dunga – correndo o risco de perder o emprego – não se curvam ao poder de concessionários de um serviço público que continuam a se comportar como se dele fossem proprietários.


*Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4689

Hoje, cada um faz o que quer com a palavra “terrorismo”

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Glenn Greenwald, Salon

Já escrevi incontáveis vezes sobre o quanto “terrorismo” é a palavra mais manipulada e mais sem sentido do léxico político contemporâneo.

A melhor demonstração dessa dinâmica é o trabalho de Remi Brulin, do New York Times, que documentou o modo como os governos e a mídia ocidentais têm usado as palavras “terrorismo” e “terrorista”, sem qualquer consistência e ao sabor dos interesses do dia. Um dos principais riscos da decisão da Corte Suprema sobre liberdade de expressão, no Humanitarian Law Project – segundo a qual o governo passará a poder limitar os direitos dos cidadão à proteção da Primeira Emenda, no caso do discurso político que designe os grupos terroristas – é que “terrorismo” significa qualquer coisa que o governo dos EUA diga que significa. Criaram a lista sem fim dos grupos terroristas e o fizeram sem qualquer critério, sem qualquer mínimo cuidado. Isso, porque a palavra é tão mal definida e tem sido tão manipulada, que, hoje, já praticamente nada significa – ou significa qualquer coisa.

Ontem, encontrei exemplo perfeito e altamente ilustrativo dessa manipulação, ao ler a entrevista que a ex-ministra israelense Tzipi Livni concedeu ao New York Times. Depois de muito falar contra os terroristas que atuam em Gaza, Livni disse o que segue:

NYT: Seus pais são fundadores do Estado de Israel.

Livni: Foram o primeiro casal a casar-se em Israel. Os dois lutaram no [grupo] Irgun. Foram combatentes da liberdade. Conheceram-se a bordo de um trem britânico. Durante o Mandato britânico aqui, assaltaram um trem para conseguir dinheiro para comprar armas.

Se há grupo terrorista, ou algum dia houve, foi o Irgun. Em julho de 1946, o grupo explodiu (ação comandada pelo então futuro primeiro-ministro de Israel Menachem Begin) o hotel King David, quartel-general do governo britânico, matando 91 pessoas (o Irgun alagou que teria prevenido antecipadamente os britânicos, alegação que muitos oficiais britânicos já desmentiram). Israel e seus defensores adoram lembrar que a Autoridade Palestina deu a uma praça o nome de um terrorista. Mas insistem em não reconhecer que o primeiro-ministro israelense, em 2006, discursou em cerimônia para lembrar o ataque ao Hotel King David, ocasião em que descerrou uma placa comemorativa do ‘evento’ (a explosão). O Irgun perpetrou inúmeros ataques armados a estruturas civis, estações de trem, prédios do governo e pontes.

Dia 30/12/1947, o primeiro parágrafo do The New York Times dizia:

BOMBA DO IRGUM MATA 11 ÁRABES, 2 BRITÂNICOS. Bomba lançada por militantes da organização de judeus terroristas “Irgun Zvai Leumi”, de um táxi em grande velocidade, matou 11 civis árabes e dois policiais britânicos e feriu pelo menos 32 árabes junto à Ponte Damasco em Jerusalém, mesmo local onde houve explosão semelhante há apenas 16 dias.

Relatando atentado organizado por Begin para assassinar o ministro alemão das Relações Exteriores, o London Times escreveu que o Irgun "usou táticas terroristas contra a ocupação britânica da Palestina”.

Àquela época, todos sabiam que os membros do Irgun eram terroristas. Mas há aquela época e há hoje. Bombas, assaltos e assassinatos, em ação contra o Estado, é “terrorismo”, se é ação de alguns grupos; e é “luta pela liberdade”, se é ação de outros grupos. Exatamente o que faz Israel, que justifica a mais extrema brutalidade e a mais feroz violência contra o mal-em-si que seriam “terroristas” e celebra os mesmos atos, como atos de “luta pela liberdade” se os terroristas são israelenses.

Tudo isso seria até tolerável, se não passasse de inconsistência de discurso. Mas se as guerras dos EUA são justificadas, as leis dos EUA são aplicadas e os direitos dos norte-americanos são cada vez mais restringidos, e tudo baseado na palavra “terrorismo”, é preciso considerar com muito mais atenção essa palavra, manipulada, sem sentido e usada para justificar todos os crimes.

Para ter certeza, basta ver a justificativa que Leon Panetta, diretor da CIA, apresentou ontem para o 'assassinato programado' de um cidadão norte-americano, Anwar Al-Awlaki, baseada exclusivamente na opinião do próprio Panetta de que o homem seria “terrorista” porque defendeu sua opinião, a de que os muçulmanos têm direito de combaterem contra os norte-americanos. Defender essa opinião – e qualquer opinião – é direito que a Constituição dos EUA garante a todos os cidadãos norte-americanos, inclusive a Anwar Al-Awlaki.

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Tradução: Coletivo Vila Vudu de Tradutores

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons


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PressAA

Agência Assaz Atroz

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terça-feira, 29 de junho de 2010

Vereador (do DEM) agride, pela segunda vez, um jornalista

Erik Prince, o homem da Blackwater

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Empresário, soldado, espião

Adam Ciralsky, Vanity Fair

Erik Prince, indiciado como membro ativo de um programa de ‘assassinatos seletivos’ da CIA, ganhou notoriedade como presidente da empresa-gigante de segurança privada Blackwater, empresa que é hoje objeto de investigação federal acusada de suborno, julgamento privado e tortura de cinco ex-empregados, com julgamento marcado para o mês de julho. Em movimento que visa responder aos que o criticam, o milionário ex-fuzileiro de grupo de elite da Marinha dos EUA convida o jornalista para acompanhá-lo até o coração de sua empresa, nos EUA e no Afeganistão, para mostrar o papel que tem na guerra dos EUA contra o terror.

A VERDADE SOBRE A CAMPANHA CONTRA AS REPARAÇÕES A PERSEGUIDOS POLÍTICOS

Por Celso Lungaretti

Por três dias seguidos, o vetusto jornalão
O Estado de S. Paulo faz lobby descarado contra o programa de reparações às vítimas da ditadura de 1964/85, pressionando o Tribunal de Contas da União a acatar uma proposta de redução de benefícios identificada com as posições das viúvas da ditadura, dos sites goebbelianos e das correntes virtuais de extrema-direita.

DILMA DÁ ENTREVISTA DE CHEFE DE ESTADO

DILMA MOSTRA SEGURANÇA EM SABATINA
Jornal do Brasil - 29/06/2010

Candidata do governo à Presidência passa em difícil teste e revela postura de chefe de Estado


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, passou segunda-feira por um difícil teste, às vésperas do início oficial da campanha eleitoral deste ano. Dilma foi sabatinada pela banca de entrevistadores do programa Roda Viva, da TV Cultura, e saiu-se bem. A petista demonstrou firmeza e postura de chefe de Estado.


Vaccarezza: "José Serra deu azar e chegou na hora errada"

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Entrevista do deputado Cândido Vaccarreza (PT/SP), líder do Governo na Câmara dos Deputados, ao jornal A Tarde, da Bahia, publicada na edição de segunda-feira, 28 de junho.

LUDMILLA DUARTE - Jornal A Tarde - Salvador (BA)

Estamos em ano eleitoral e muitas entidades de classe esperam que o Congresso aprove "pacotes de bondades para agradar aos eleitores”, como reajustes salariais e outras reivindicações. Como o governo conduzirá isto?

Vou usar as palavras do presidente Lula, que expressam melhor o comportamento do governo este ano e nosso comportamento aqui na Câmara. O presidente Lula disse o seguinte: "Não me deixarei seduzir por qualquer extravagância por conta do processo eleitoral". Não é porque é ano de eleição que vamos fazer demagogia ou nos aproveitarmos para fazer coisas que estão fora do caminho adequado para o País. Não vamos fazer demagogia eleitoral ou medidas apenas para ganhar votos.

As centrais sindicais possuem um pacote de reivindicações, como redução da jornada para 40 horas, proibição da demissão imotivada, entre outros. Dentro desse pacote, o que será factível aprovar este ano no Congresso?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O enredo do horário eleitoral

Por Ana Helena Tavares e Paulo Pastor Monteiro de Carvalho (*)

No horário eleitoral gratuito, os programas dos grandes partidos são produzidos por alguns dos publicitários mais influentes do país, os mesmos que ajudam a vender as grandes marcas do mercado nacional. São usados recursos técnicos dignos de elogios de diretores de arte e fotografia. O mais desatento pode até confundir as peças com o trailler de algum novo filme.

Não é preciso ser especialista político ou, caso exista, um improvável fã de tal tipo de conteúdo televisivo, para constatar que grande parte das cenas gira em torno de: educação, violência, programas sociais, crescimento econômico e saúde. Nesse ínterim, aparecem artistas e apresentadores, os quais “conversam” com o eleitor sobre o candidato, suas qualidades, trajetórias exemplares de vida e suas lutas corajosas em prol de um país (e quiçá de um mundo) melhor.

Na emissora que ostenta o maior conglomerado midiático em território nacional, o horário político vem um pouco antes da novela. Podemos depreender daí, nos valendo de um raciocínio lógico, as mais diversas interpretações do que essa proximidade pode significar - interfere na audiência, confunde a realidade com o fictício, etc. Não é exagero afirmar que há uma proximidade não só de horário, mas também de linguagem. Vejamos.

Assim como as campanhas se centram nos macrotemas já citados, as novelas, invariavelmente, apresentam um par romântico central, alguém que interfere nesse relacionamento, personagens humorísticos de bom coração, ricos bonzinhos e maus, pobres idem...

A habilidade dos dramaturgos está em, mesmo trabalhando com pontos sempre recorrentes, tornar cada história, cada trama, interessante, atrativa e emocionante a ponto de fazer o telespectador acompanhá-la durante oito, nove meses. A missão dos marqueteiros políticos é bem semelhante a esta: tornar o seu candidato único, carismático e conquistar a simpatia por ele, mantendo-a até o dia da urna.

Mesmo com as novas tecnologias que contribuem para a simplificação do pensamento - televisões com imagens em 3D, twittadas mil a 140 calibradas cada, e qualquer outra ferramenta que potencialize a enxurrada de informações desconexas que se vê hoje - ainda é o milenar boca a boca, a conversa de compadres e comadres, o melhor termômetro para se saber quando algo é verdadeiramente popular, quando agrada ou desagrada o grande público. A sacada ainda é virar assunto de uma conversa de bar. Quem consegue, emplaca!

Em 2002, Duda Mendonça foi extremamente eficiente ao “vender” uma nova imagem de Lula, bem diferente do sindicalista barbudo, radical e irritadiço. O nosso presidente é o caso do personagem mal compreendido, mas que com o passar da trama conquista a admiração de todos: desde aqueles que nem sabem o que é TV aos louros de olhos azuis. Na eleição de 2002, a definição “Lula paz e amor” resumiu todo um enredo político e foi tão eficiente na forma como divulgou o “neo Lula” que pulverizou os sinais de medo, melancolicamente demonstrados em horário nobre por quem já foi “rainha da sucata” .

Dentre os que defendem que a imprensa não deve ser um “armazém de secos e molhados”, mas só o fazem quando a seca pro seu lado é grande, a esquerda é a eterna Geni. Parcela considerável da mídia produz desinformação com a mesma rapidez com que atira pedras em inocentes. O absurdo é ver a facilidade com que, em horário eleitoral e fora dele, artistas, jornalistas e políticos malham aqueles cuja história desconhecem só para garantir... “o leite das crianças”. Será que essas crianças um dia vão ter motivos para votar neles?

*Ana Helena e Paulo Pastor são estudantes de jornalismo. Ela carioca, ele paulista, têm em comum o idealismo aprendido com seus mestres: Gilson Caroni Filho e José Arbex Jr., respectivamente.

Crise na oposição lembra França

Crise na oposição lembra França

Por Cristian Klein,
em sua coluna "Coisas da Política", no Jornal do Brasil de hoje - 28/06/2010

Um dos maiores nós da oposição, desde o ano passado, é a falta de nomes para o posto de vicepresidente na chapa de José Serra (PSDB). O problema foi empurrado com o bico dos tucanos e agora, diante da completa falta de opções, a decisão foi anunciada da pior forma possível. Tanto tempo de espera e o indicado – devido à demora e à imposição dos prazos legais – surge exatamente em meio ao anticlímax da última pesquisa eleitoral, a primeira em que Serra aparece atrás de Dilma Rousseff (PT), descontando-se a margem de erro.

O vice de Serra vem de forma tão atabalhoada, mal-ajambrada, sem a convicção necessária, que sua confirmação, se é que se pode dizer assim, é o retrato de todo o processo de escolha – ou melhor, de indecisão – dos últimos meses. Diante da repercussão negativa, ocorrida entre os aliados, no fim de semana, o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) passou a ser tratado não como uma escolha definitiva, mas uma opção ofertada pelos tucanos ao escrutínio dos partidos do campo oposicionista.

Foi um recuo necessário para não esticar a corda com o DEM, parceiro que se sente no direito de indicar o candidato a vice. Os demistas são os protagonistas do último grande escândalo da política brasileira, o mais memorável para o eleitor, e com eles os tucanos não querem formar par. De posse de pesquisas qualitativas, o PSDB tem a noção do estrago que um vice do DEM poderia causar. Mas não importa.

Os demistas insistem em entrar na chapa. Ou pelo menos ter o tratamento de aliado preferencial, indispensável, do qual parece não mais desfrutar.

No imbróglio, contou mais para a indignação do DEM o sentimento de rejeição e de rebaixamento no arranjo oposicionista, de ter ficado praticamente alijado da decisão, do que de se ver obrigado a aceitar a chapa puro-sangue, com a qual já havia concordado, desde que fosse com Aécio Neves.

O mensalão do DEM é episódio por demais comprometedor para a imagem dos tucanos? OK.

Mas e a companhia de Roberto Jefferson, responsável por soltar a fumaça branca e bradar pelo Twitter o “Habemus vice”? Com essa imagem na cabeça e o espaço ocupado pelo controverso líder do PTB, os demistas saíram enfurecidos e ameaçam até romper com os tucanos, tirando-lhes o já escasso tempo de TV. No desespero, algumas frases fortes demonstram a que ponto está a relação e a confiança da oposição. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), também pelo Twitter, reagiu: “Se na campanha nos tratam assim, imaginem se o PSDB ganhar”. O presidente do partido, Rodrigo Maia, foi além, e teria dito: “A eleição nós já perdemos, não podemos perder o caráter”.

Desmotivação, brigas nos bastidores, a oposição parece até a conturbada e eliminada França de Raymond Domenech na Copa do Mundo.

A indústria naval renasce das cinzas :: Luiz Inácio Lula da Silva

Por Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil, no "Correio Brasiliense" (*)

A indústria naval brasileira chegou a ser a segunda maior do mundo, empregando, em 1979, 39 mil trabalhadores.

Na época, apenas o Japão nos superava.

Nas décadas seguintes, quando os navios e plataformas de exploração passaram a ser importados, o setor começou a definhar até quase virar pó, com o número de empregados caindo para 1.900 no ano de 2000. Hoje, no entanto, a indústria naval está renascendo das cinzas. O setor já superou em muito o número de empregados da época áurea, empregando atualmente 46.500 trabalhadores e podendo chegar, segundo cálculos do Sindicato da Indústria Naval, a 50 mil até o fim deste ano.

A reviravolta fantástica está sendo proporcionada sobretudo pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), um dos principais projetos do PAC. As encomendas do Promef somam 49 navios de grande porte, dos quais 46 já foram licitados e 38 já estão com os contratos assinados. As premissas do Promef, que resultaram num grande impulso à nossa indústria, são de que os navios devem ser construídos no Brasil e com índice de nacionalização de 65% na primeira fase e de 70% na segunda, além da exigência de que sejam competitivos internacionalmente.

Houve várias críticas a essa nossa determinação.

Diziam que na era da globalização seria mais barato fazer as encomendas à China ou à Coreia. Nós dizíamos que o Brasil tinha um parque ocioso enorme e que não poderíamos deixar todo o know how adquirido se perder no tempo. O que os críticos não consideravam também é que as compras feitas internamente retiram um peso negativo da balança comercial, mobilizam um sem-número de outras empresas, geram dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos para brasileiros, que se tornam consumidores e passam a demandar todo tipo de produto para a sua vida diária, girando e estimulando toda a economia.

No mês passado, nós participamos do lançamento ao mar do primeiro navio concluído: o João Cândido, construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. As dimensões do navio são gigantescas – o comprimento é de 274 metros, duas vezes e meia a distância de uma trave à outra do campo do Maracanã. Foi o primeiro navio construído no Brasil para o sistema Petrobras desde 1997 e pode ser apontado como marco da recuperação da nossa indústria naval. Na última quinta-feira, foi lançado ao mar o segundo navio, o Celso Furtado, no Estaleiro Mauá, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Há todo um simbolismo nesse empreendimento.

Nós estamos resgatando uma tradição, uma vez que esse estaleiro foi fundado em 1846 pelo Barão de Mauá, pioneiro da indústria naval e do desenvolvimento industrial do nosso país.

Quero ressaltar um aspecto muito importante: a qualificação dos trabalhadores. A grande maioria dos operários do Estaleiro Atlântico Sul ganhava a vida como pescador, cortador de cana ou doméstica. Todos eles, cuja atividade anterior não era valorizada, receberam formação em três fases. Na primeira, houve reforço do ensino básico, com a duração de três meses. O segundo estágio foi no Senai, onde os trabalhadores receberam base teórica e treinamento prático. A terceira fase, oferecida pelo próprio estaleiro, foi de qualificação final para as atividades de soldador, caldeireiro, mecânico, montador e pintor. Não há nada que pague ver a expressão de felicidade estampada no rosto dos trabalhadores, pessoas que jamais imaginaram que um dia seriam capazes de construir um verdadeiro monumento, como é o navio João Cândido.

A retomada da indústria naval é irreversível.

Além das encomendas atuais, não é difícil imaginar quantas encomendas serão geradas com o início da exploração do présal.

Além da revitalização dos antigos estaleiros e da construção do Atlântico Sul, o Estaleiro Aliança está expandindo sua unidade de Niterói (RJ) e vai construir nova unidade em São Gonçalo (RJ). O Estaleiro Rio Grande, em Rio Grande (RS), construirá oito cascos de navios plataforma para a Petrobras.

O grupo Wilson Sons anunciou na semana passada a construção de novo estaleiro, também na cidade de Rio Grande.

Outros quatro serão instalados no país para atender à demanda crescente: Paraguaçu, na Bahia, Eisa, em Alagoas, Promar, no Ceará ou Pernambuco, e Corema, em Manaus.

Estou convencido de que o Brasil vai voltar em breve a figurar entre os líderes mundiais na construção de navios. Os reflexos dessa verdadeira explosão da indústria naval estão se espraiando pela economia e beneficiando, direta ou indiretamente, todos os brasileiros.

*Fonte: http://www.senado.gov.br/lidpt/detalha_artigos.asp?data=28/06/2010&codigo=2237

Governos do PSDB multiplicaram praças e preços

O processo de concessões rodoviárias desenvolvido pelos sucessivos governos tucanos de São Paulo quintuplicou o número de praças de pedágio no estado. Em 1997, havia 40 praças – todas sob gestão estatal. Agora são 227 – e todas sob concessão privada. Significa que, em 13 anos, os governos do PSDB autorizaram a operação de 187 novos postos de cobrança. Só o Governo Serra autorizou, em três anos, o funcionamento de mais de 80 novas praças de pedágio.

Em abril, a Central Única dos Trabalhadores iniciou a campanha Movimento Pedágio Justo, contra o alto custo e o aumento de praças de pedágio. E um estudo realizado pela bancada do PT na Assembléia Legislativa mostrou que, para o usuário, o quilômetro das rodovias estaduais é o mais caro do Brasil e do mundo. O valor em São Paulo é, no mínimo, oito vezes maior do que o cobrado em estradas federais.

De acordo com as contas petistas, a proliferação de praças de pedágio “ocasiona alto custo para os usuários, que recebem nas altas tarifas o ônus pago pelas concessionárias ao Estado, o custo financeiro da antecipação de receita e a exigência de lucratividade maior nos contratos. O aumento provocado no valor dos fretes onera toda a economia paulista”.
As empresas de transporte de cargas estimam que os altos valores das tarifas vão comprometer, a partir do ano que vem, a melhoria provocada no trânsito pela abertura do trecho Sul do Rodoanel.

“Com pedágio a R$ 6,00, uma carreta de sete eixos vai gastar R$ 54,00. O motorista vai preferir embolsar o dinheiro e enfrentar o trânsito na Marginal Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes”, aposta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região, Francisco Peluzio.

Segundo os cálculos dos transportadores, se este motorista fizer viagens diárias entre Ribeirão Preto e o porto do Guarujá vai gastar, em três ano, R$ 450 mil.

“Daria para ele comprar uma nova carreta”, avalia Peluzio.

FONTE: http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=18022

domingo, 27 de junho de 2010

O mundo gira, apesar da copa

O mundo gira, apesar da copa

Por Mario Augusto Jakobskind (*)

Enquanto nós, mortais, estamos com os olhos e corações voltados para a Copa do Mundo na África do Sul, a situação no Oriente Médio vai se deteriorando, com os meios de comunicação conservadores sonegando informações. São poucas as agências internacionais que informam, por exemplo, que navios de guerra dos Estados Unidos, com foguetes e submarinos nucleares e a colaboração militar israelense, estão navegando através do Canal de Suez rumo ao litoral do Irã.

É possível que essa movimentação seja manobra intimidatória contra o Irã, mas não é impossível que essas forças belicosas decidam agir de alguma forma ou, quem sabe, orquestrar uma ação interna contra o regime dos aiatolás e desestabilizar o governo de Mahmoud Ahmadinejad. O Irã se declarou em estado de guerra para fazer frente a qualquer eventualidade.

Concomitante ao deslocamento, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, seguindo a trilha do Senado, aprovava mais sanções contra o Irã, além daquelas decididas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Ou seja, os tambores da guerra estão ressoando com mais força na região mais conflagrada do Planeta. O jogo de interesse do complexo industrial militar estadunidense não se contenta apenas em escoar a sua produção no Afeganistão e Iraque, quer ainda mais, sempre mais. O Irã, que não é o Iraque, não se intimidará assim tão facilmente e se ocorrer alguma precipitação dos acontecimentos reagirá em sua defesa. Em havendo algum confronto, as consequências serão sentidas em todo o planeta.

Brasil e a Turquia quando procuravam resolver a “crise” nuclear através de um acordo com o Irã tentavam exatamente conseguir o relaxamento da tensão. A resposta veio imediatamente com a aprovação das sanções contra o Irã pelo Conselho de Segurança e segue agora com o deslocamento das forças militares dos EUA e Israel.

Outro fato marcante envolvendo o Oriente Médio está a ocorrer na Suécia e nos Estados Unidos. Em protesto contra as agressões de Israel em Gaza, o sindicato de trabalhadores portuários suecos deu início, no último dia 23 de junho, a um bloqueio de uma semana de mercadorias procedentes de Israel. No porto estadunidense de Oakland, a carga de um navio israelense foi impedida de desembarcar. Mas as TVs brasileiras não deram uma linha a respeito, preferindo informar com destaque o lançamento de um satélite israelense destinado, segundo o noticiário, a espionar as usinas nucleares do Irã.

Mas tudo bem, a Copa está aí mesmo para absorver diariamente quatro bilhões de telespectadores espalhados pelo mundo com as partidas de futebol, algumas delas parecendo uma grande mutreta armada pela Fifa. Mas aí cabe aos cronistas esportivos analisarem os fatos.

Em meio a tudo isso, os telespectadores que acompanham também informações alternativas à grande mídia ficam sabendo que por detrás da contenda Rede Globo x Dunga estão altos interesses em jogo, que o senhor Ricardo Teixeira tentou intermediar entrevistas exclusivas com alguns jogadores da seleção e tudo isso tendo em vista a corrida atrás do lucro fácil para a Vênus Platinada. Como Dunga cortou o esquema da Globo, o resto da história já é conhecida. Como disse o Eliakim em sua coluna do Direto da Redação, o treinador brasileiro virou o Brizola de 2010.

O que aconteceu é a repetição de fatos relacionados com a informação diária, manipulada e obedecendo não a padrões jornalísticos mas a interesses de empresas da área de comunicação, como a Globo e outras.

E, para finalizar, a Senadora Katia Abreu, do Demo, também presidente da Confederação Nacional da Agricultura, uma lídima representante do agronegócio, escreveu artigo assustadoramente favorável ao deputado Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Sabem o motivo? A Senadora e seus pares estão levantando as mãos para o céu por encontrarem no deputado comunista, relator do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, um defensor incondicional de seus interesses. E quem perde em toda essa brincadeira de mau gosto, segundo o Greenpeace, é exatamente o meio ambiente, pois se prevalecer o que quer impor Rebelo serão ampliadas as áreas de degradação das terras. Segundo cálculo do Ministério do Meio Ambiente, se prevalecer o relatório de Rebelo serão autorizados para desmatamento 80 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a 138 territórios equivalentes ao Distrito Federal, segundo o jornal Correio Brasiliense.

Em suma: já não se fazem comunistas como antigamente, como demonstra concretamente o relator do Código Florestal, que está fazendo exatamente o jogo do setor do agronegócio. Não é à toa que a senadora Katia Abreu está exultante.

*Mário Augusto Jakobskind é jornalista, mora no Rio de Janeiro e é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de S. Paulo e editor de Internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do semanário Brasil de Fato. É autor, dentre outros livros, de “América que não está na mídia” e “Dossiê Tim Lopes – Fantástico / Ibope”. É colunista do site “Direto da Redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

Recado ao ministro Amorim

Recado ao ministro Amorim

Por Rui Martins (*)

Berna (Suiça) - Senhor Ministro:

Permita-me lhe deixar este recado para ler quando tiver tempo, pois mandarei uma cópia para seu Ministério.

Na última vez que nos vimos, eu estava quase sem fôlego por ter corrido da galeria da imprensa até uma das portas de saída do Palácio das Nações, onde um carro lhe esperava. Pouco pude acrescentar, depois de minhas perguntas profissionais sobre desarmamento e seu desmentido ao boato lançado na Alemanha de que o Brasil quer entrar no clube das potências nucleares.

Não sei se nas suas correrias como chanceler lhe sobra fôlego para ver alguns jogos do Mundial, mas me chamou a atenção o fato das seleções africanas terem sempre um branco do primeiro mundo como técnico treinador.

O suíço Sepp Blatter foi muito mais corajoso que o canadense Jacques Rogge ao promover um Mundial na África, pois o dirigente do Comité Olímpico Internacional, na mesma época da escolha, preferiu Londres. Mas a África não se libertou ainda do velho colonialismo e seu futebol repete a velha receita em que o país colonizado entra com a matéria prima, no caso os jogadores locais, mas o know-how ainda é estrangeiro.

Porque utilizo essa figura futebolística neste meu recado ? Porque seu Ministério obteve do presidente Lula a criação de um Conselho de Representantes de Emigrantes, porém fez como Portugal, Inglaterra e França na África depois da descolonização – os emigrantes estão livres de fazerem o que quiser o Ministério das Relações Exteriores.

Ou seja, exceto para os emigrantes desejosos de ostentar o título de conselheiros e ter familiaridade com o pessoal do Itamaraty, esse Conselho será uma simples figura de retórica, porém inútil nos seus resultados. Sem qualquer força decisória, meramente consultivo e informativo, não corresponde às expectativas daqueles que esperavam o ponto de partida para uma verdadeira política de emigração, como merecia o governo Lula.

Sinceramente, senhor ministro, tudo muito bonito, como o nome « brasileiros no mundo » em lugar de emigrantes, mas como no velho filme de Antonioni, impotente como o belo Antônio. Reunir os emigrantes uma vez por ano, codificar suas reivindicações num rosário chamado Ata Consolidada só pode satisfazer quem não conhece a política de emigração em outros países. Como já qualifiquei, logo depois da II Conferência, tudo não passou de uma bela montagem de teatro, uma bela cena, mas de resultado estéril.

Quando na I Conferência, que ia terminar na mão de religiosos e na tal de Ata Consolidada, denunciamos a trama, exigimos laicidade no tratamento dos emigrantes, e propusemos, por via de um abaixo-assinado majoritário, a criação de uma Comissão de Transição para que se criasse um órgão institucional emigrante e que a recém-criada Subsecretaria das Comunidades Brasileiras no Exterior deixasse de ser dirigida por diplomatas e entregue aos emigrantes, porque temos quadros altamente competentes para assumir tal responsabilidade.

Ter uma estrutura para os emigrantes dirigida por diplomatas do seu Ministério é como as seleções africanas que jogam segundo a técnica e esquemas de treinadores brancos estrangeiros. Não tenho nada contra os diplomatas, mesmo se durante anos e anos engabelaram os emigrantes dizendo que seus filhos eram brasileiros quando não eram, mas não acho que estejam suficientemente identificados com os emigrantes para tomarem suas dores e assumirem sua política.

E, se me permite, já que o governo Lula queria inovar e criar uma política de emigração, por que não se fazer algo inovador mas baseado na experiência de países mais experientes com emigração ? Por que o seu Ministério quer ficar com os emigrantes se as questões principais, relacionadas com trabalho, razão da emigração, competem ao Ministério do Trabalho e ao seu colega Carlos Roberto Lupi ?

Sou um seu admirador, acho excelente, corajosa e independente sua ação à frente do MRE, porque não considera, portanto, simplesmente transitória essa atual tutela do MRE sobre os emigrantes ? Lembro-me bem de suas palavras, que mesmo gravei, « nunca se fez tanto pelos emigrantes e melhoramos os serviços prestados pelos Consulados ». É verdade, porém, essa era e é atribuição do MRE, se adaptar rapidamente ao surto da emigração, se agilizar, adotar os novos recursos da tecnologia. Trata-se de uma questão de atendimento dos emigrantes, mas não é uma política de emigração, mesmo porque os Consulados são tabelionatos brasileiros no Exterior. E como as embaixadas representam o Brasil no estrangeiro, o que sobra para os emigrantes ?

Muitos países já avançaram e retiraram seus emigrantes da tutela do Ministério das Relações Exteriores. Já que a PEC 05/05 não anda, o governo poderia apresentar, ele mesmo, o projeto em favor dos parlamentares emigrantes ou pedir para sua bancada apressar a aprovação e promulgação.

Quanto à Subsecretaria das Comunidades Brasileiros no Exterior já cumpriu sua missão e precisa se transformar numa Secretaria de Estado autônoma e independente do Itamaraty, dirigida por emigrantes, ligada diretamente à presidência da República. Não se trata de se duplicar os serviços, porém de se ter em Brasília um órgão institucional emigrante, dedicado exclusivamente aos emigrantes e encarregado de elaborar e aplicar a nova política de emigração.

Ou, então, ministro Celso Amorim, para encerrar com chave de ouro seu brilhante exercício, o ideal seria se criar um super Ministério das Migrações, incluindo migração, imigração e emigração. Seria realmente um passo de gigante e ainda há tempo para isso.

*Rui Martins é jornalista. Foi correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. É autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. É colunista do site "Direto da Redação" e vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, e com o blog "Quem tem medo do Lula?"

As eleições na Venezuela

As eleições na Venezuela

Por Laerte Braga (*)


Empresários e organizações empresariais dos Estados Unidos e da Europa admitiram publicamente que estão investindo cerca de 50 milhões de dólares nas eleições de setembro na Venezuela com o objetivo de derrotar o presidente Hugo Chávez.

A organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A matou entre 600 mil e um milhão de pessoas no Iraque. Invadiu o país afirmando que Saddam Hussein pretendia destruir o mundo “livre” com armas químicas e biológicas. Milhares de veteranos de guerra estão com doenças incuráveis por conta das balas de urânio empobrecido usadas pelos norte-americanos. Numa das áreas do Iraque o governo está pedindo às mulheres para que não engravidem tal o grau de radiação. Resultado de armas químicas e biológicas usadas pelos invasores.

Invadiram para se apoderar do petróleo.

A pretexto de capturar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden invadiram o Afeganistão. Por lá mantêm tropas numa guerra que os próprios generais admitem que está perdida.

Três milhões de seres humanos morreram no Vietnã, de onde os norte-americanos saíram enxotados pela coragem e bravura de um povo na defesa de seu país. Bertrand Russel, o pensador e matemático inglês, em seu livro VIETNÃ, editado pela Civilização Brasileira no Brasil, acusa os norte-americanos de experimentos médicos com presos vietnamitas, tal e qual os nazistas faziam.

Em todo o mundo são mais de 600 bases militares norte-americanas e perto de 400 mil soldados.



No vídeo acima, é possível ouvir o depoimento de um soldado dessa máquina terrorista e de guerra. Uma confissão de vergonha por tudo o que fez a mando dos governantes e comandantes militares da organização EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Clicando aqui, há uma perfeita comparação entre o tratamento dado pelos nazistas aos judeus, ciganos, negros, minorias raciais durante a IIª Grande Guerra e o tratamento do estado terrorista de Israel aos Palestinos nos dias atuais.

Não há a menor diferença entre um outro. O sionismo é uma forma ressurreta do nazismo.

O controle quase absoluto que os grandes grupos empresariais exercem sobre os veículos de comunicação na maioria dos países do mundo, inclusive o Brasil, cria uma realidade diversa daquela que de fato acontece e permite a um apresentador de jornal chamar o telespectador de idiota, rotulando-o de Homer Simpson, sem que haja reação ou indignação da grande maioria desses telespectadores, tal o poder dessa comunicação mentirosa e repleta de tecnologia de alienação.

Empresários dos EUA e da Europa (em processo de falência) apostam em derrotar o presidente bolivariano da Venezuela nas eleições de setembro, retomar o controle sobre aquele país e reiniciarem o saque sistemático imposto aos que sustentam um império de terror e destruição.

Não há diferença entre o cinismo de Barack Obama e a estupidez de George Bush. Representam os mesmos interesses.

Derrotar Chávez é vital para fazer com que a América Latina retorne à condição de colônia. Como eleger José Arruda Serra no Brasil significa reassumir o controle do maior país latino-americano, hoje potência mundial. A volta aos tempos de FHC.

O que o soldado norte-americano relata a uma platéia que o aplaude de pé ao término de seu mea culpa, da exposição pública de sua vergonha, é a constatação da falência moral de seu país. O reconhecimento que um povo inteiro é ludibriado pela mentira do poder econômico.

Um dos momentos mais significativos é quando o soldado declara que foi obrigado a tomar casas de iraquianos e ao retornar a seu país percebeu que milhões de norte-americanos haviam perdido suas casas e estavam ao desabrigo para evitar que grandes organizações bancárias e imobiliárias arrastassem todo o complexo econômico/político e terrorista a uma bancarrota absoluta.

Lutar para que é o que pergunta o soldado. Para beneficiar a quem? São 450 milhões de dólares dia gastos nessas guerras.

A Venezuela e o Brasil são alvos prioritários da organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Não passa pela cabeça dos líderes desse conglomerado terrorista que esses países possam permanecer independentes, soberanos e sejam capazes de construir o futuro a partir da vontade de seus povos.

E muito menos imaginar um processo crescente e contínuo de integração latino-americana.

Vivem do saque, do terror, da barbárie.

São criminosos em si e por si, no que representam e no que significam.

Quando as tropas aliadas (ingleses, franceses, norte-americanos em sua maioria) desembarcaram na Normandia na IIª Grande Guerra, o general Dwight Eisenhower, comandante aliado, mandou um recado desesperado a Stalin. Que o governante soviético aumentasse a pressão sobre as forças nazistas para que eles, os aliados, não fossem derrotados pelos alemães.

Perto de 20 milhões de cidadãos soviéticos morreram na guerra. As tropas da antiga URSS derrotaram dois terços da poderosa máquina de Hitler e entraram em Berlim ocupando o bunker do ditador nazista abrindo caminho para que os norte-americanos, britânicos e franceses pudessem chegar.

Isso está em qualquer livro de história. Hollywood produz filmes para mostrar soldados dos EUA “libertando” o mundo.

Duas bombas atômicas foram despejadas em agosto de 1945 sobre Hiroshima e Nagazaki matando centenas de milhares de pessoas e estendendo seus efeitos por anos a fio em território japonês.

Àquela altura a guerra estava ganha, especialistas já haviam detectado isso e Harry Truman, presidente dos EUA, optou por lançar as bombas para testar seus efeitos e intimidar a antiga União Soviética.

É fácil criar pretextos para uma futura invasão ao Irã. Para um golpe de estado na Venezuela, ou eleições fraudadas pelo poder econômico. Financiar empresários brasileiros e veículos de comunicação (GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE MINAS, RBS, todos os grandes) para fabricar fatos e buscar a eleição de um político venal e corrupto como José Arruda Serra (cada vez mais difícil).

É necessária a resistência e a organização popular. Impõe-se como condição de sobrevivência da dignidade de nações livres como o Brasil e a Venezuela. Não importa que a maioria das forças armadas brasileiras, por exemplo, seja subordinada a Washington.

Importa a percepção do dilema. Do terror que nos é imposto na mentira contumaz e contínua da organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Em cada William Bonner da vida, ou em cada Fátima Bernardes a “exigir” de Dunga exclusividade para a quadrilha que representa.

Imaginam que todos almejam terminar nas páginas centrais de PLAYVBOY, ou sejam paspalhos a disputar um milhão no bordel do BBB.

As eleições de setembro na Venezuela servirão para mostrar a toda a América Latina que um povo é capaz de resistir e não se permitir ser saqueado. Mas todo cuidado é pouco.

A organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A não tem um pingo de escrúpulo, nem sabe o que é isso. E seus agentes muito menos.

Glauber Rocha um ou dois anos antes de morrer disse num programa na antiga TV TUPI que precisamos ter identidade cultural para promover uma revolução. “Somos o país da macumba”.

O povo venezuelano vai dizer não àqueles que sempre o exploraram, ainda que por aqui a GLOBO diga o contrário.

Hugo Chávez resgata a origem de cada trabalhador venezuelano. E os trabalhadores responderão sim à revolução bolivariana.

É a continuidade da construção de uma identidade cultural e revolucionária. Não importa quanto empresários/terroristas gastem para sustentar partidos e grupos políticos. Por aqui também há de ser assim.

Ao contrário do que José Arruda Serra diz, o frouxo com o tráfico de drogas não é Evo Morales, mas o antigo pupilo de Pablo Escobar, o colombiano Álvaro Uribe.

E a América Latina não voltará a ser América Latrina.


*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Corrupção deve R$ 5,6 bilhões a São Paulo

Levantamento leva em consideração apenas os valores bloqueados pela Justiça

Por Fernando Porfírio,
especial para o Diário de São Paulo

Os prejuízos gerados pela corrupção envolvendo dinheiro público no estado de São Paulo e na capital paulista, nas duas últimas décadas, daria para construir um novo trecho sul do Rodoanel, uma linha amarela e meia do Metrô e remodelar quase três novas marginais.

Os dados fazem parte de um levantamento parcial do Ministério Público Estadual a partir dos valores que estão bloqueados com autorização da Justiça. O cálculo não leva em conta operações que conseguiram escapar do radar dos magistrados.

A bolada deve ultrapassar a cifra de R$ 5,6 bilhões. Esse valor — em dinheiro, aplicações financeiras e bens móveis e imóveis — está indisponível aos seus proprietários até que as ações por mau uso de dinheiro público (improbidade administrativa) sejam julgadas definitivamente, sem qualquer possibilidade de recursos. Em caso de derrota, os recursos voltariam aos cofres públicos.

Com a devolução do dinheiro, o estado e os municípios paulistas poderiam ganhar 147.370 ambulâncias. Caso os recursos fossem aplicados integralmente na capital paulista, a área de saúde poderia investir na construção de 46 hospitais como o da Cidade Tiradentes (no extremo Leste), inaugurado em 2008. O hospital, com capacidade para 228 leitos, custou aos cofres municipal, estadual e federal R$ 120 milhões.

O dinheiro bloqueado na Justiça ainda daria conta da manutenção do mesmo hospital por quase um século (93 anos). Hoje a prefeitura e o governo do estado têm um gasto de R$ 60 milhões por ano para manter o hospital funcionando.

A Virada Cultural deste ano obrigou o município a desembolsar R$ 8 milhões. A alegria dos paulistanos estaria garantida em outras 700 atividades de cultura do mesmo porte. Outro exemplo que pode servir de parâmetro é a construção de parque de lazer na capital paulista.

A prefeitura está criando sete parques, entre eles o Nove de Julho, próximo da Represa do Guarapiranga, na Zona Sul. O local tem 637 mil metros quadrados de área e vai consumir R$ 4,750 milhões. Com os recursos embargados a cidade ganharia mais de mil parques como o da Guarapiranga.

Os valores ainda dariam para o município recapear todos os 15 mil quilômetros de ruas pavimentadas da cidade. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) poderia construir 103,7 mil casas populares, de 45 metros quadrados. Hoje o custo de cada moradia é estimado em R$ 54 mil, e a Secretaria Estadual da Saúde entregaria 1.215 Ambulatórios Médicos de Especialidade (AMEs), a um custo de R$ 4,6 milhões cada.

R$ 40 milhões podem voltar
A dinheirama que está mais perto de voltar aos cofres públicos será de cerca de R$ 40 milhões, resultado de condenação definitiva referente ao chamado “escândalo dos precatórios”. A fraude aconteceu durante a gestão Paulo Maluf (PP) na Prefeitura de São Paulo(1993-1996).

Segundo o levantamento, são mais de duas dezenas de ações que não cabem mais recursos e estão na fase de execução. Quando não é pedida a indisponibilidade de bens dos acusados na fase do processo, a Justiça manda fazer a busca e sequestro de bens dos devedores para garantir o ressarcimento.

O dinheiro bloqueado integrava o patrimônio de ex-autoridades, servidores e empresas, que realizaram obras ou prestaram serviços à administração. As autoridades ocuparam ou ainda ocupam cargos de direção no estado e no município. As empresas, geralmente, são empreiteiras ou fazem serviços terceirizados.

O povo não é bobo

A combinação Dunga-internet está prestando um serviço inestimável à nossa sociedade. Permitiu que o grito reprimido na garganta durante tanto tempo ganhasse novos caminhos e, acima de tudo, encontrasse eco tornando-o cada vez mais forte. São caminhos sem volta.

Por Laurindo Lalo Leal Filho (*)

A arrogância com que a Rede Globo sempre tratou a sociedade brasileira tem volta. Basta uma oportunidade e toda a humilhação suportada pelo público durante mais de 40 anos vem à tona. É o que explica a reação imediata, realizada através da internet, ao editorial veiculado pela emissora na noite de domingo contra o técnico Dunga.

Trata-se do episódio mais recente de uma série iniciada lá no final dos anos 1970 e, ao que tudo indica, não acabará tão cedo. “Cala boca Galvão” ou “Cala a boca Tadeu (o jornalista que se prestou a servir de voz do dono)” são as versões modernas e futebolísticas do famoso “O povo não é bobo, fora a Rede Globo”, ouvido pela primeira vez nas ruas de São Bernardo e no estádio da Vila Euclides, durante a greve dos metalúrgicos do ABC, em 1979.

Foi lá que a mascara global começou a cair em público e o Jornal Nacional se desencantou para uma parte dos seus telespectadores, até então crentes de que o que ali se dizia era verdade. Mas como podia ser verdade se, eles operários em greve e seus familiares participavam de atos e passeatas gigantescas ao longo dia e, à noite, ao ligarem na Globo assistiam tudo enviesado e distorcido. Deu-se ai o desencantamento, ou o fim das ilusões mediáticas, pelo menos para essa parcela da população, a uma só vez personagem e espectadora da notícia.

A resposta à manipulação foi imediata. Ao voltarem no dia seguinte para cobrir a greve, as equipes da Globo passaram a ser hostilizadas e recebidas com bordão que se tornou famoso, usado depois em outras ocasiões: o povo não é bobo...

Presenciei aqueles cenas antigas e outra um pouco mais recente: a saia-justa vivida pelo pessoal da Globo, em 2001, numa passeata na Av. Paulista. Estudantes voltavam às ruas para protestar contra a criação da Alca, iniciativa dos Estados Unidos para institucionalizar a dependência absoluta da América Latina aos seus interesses. Várias emissoras mandaram equipes de reportagem para cobrir o evento, talvez não tanto pelo conteúdo da manifestação, mas pelo fato de ser inusitado. Já haviam se passado quase dez anos das últimas manifestações estudantis de rua, ocorridas ao final do governo Collor e essa, de 2001, era uma novidade.

Constatei na avenida Paulista o constrangimento dos repórteres, operadores de câmara e auxiliares da Globo. De todas as emissoras, eram os únicos que escondiam os seus crachás, colocando-os por baixo das camisas e dos casacos. Temiam hostilidades, conscientes da existência de uma imagem fortemente negativa da empresa junto à população.

O incômodo provocado pela Globo na sociedade brasileira, sentido por alguns de forma mais concreta, por outros mais difusa, não encontra muitos caminhos para se manifestar. Através da mídia é impossível diante do controle quase monopolista da própria Globo sobre a comunicação no Brasil.

As respostas da sociedade, até o episódio Dunga, se davam de forma artesanal, em protestos de rua – como na greve do ABC – ou em faixas, cartazes, vaias e bordões vistos e ouvidos de forma cada vez mais constante nos estádios de futebol.

A internet deu uma nova dimensão aos protestos. É impressionante o número de manifestações contrárias ao poder global que circula na rede. Além do protesto em si, essas mensagens vão aos poucos constituindo comunidades, cujos integrantes descobrem, nesses contatos, que os seus sentimentos não são isolados e pessoais. Ao contrário, são coletivos e sociais, fortalecendo suas convicções.

Curiosas são as reações da empresa, talvez surpresa com o abalo de sua soberba. De forma errática ataca o técnico da seleção em editorial procurando manter a empáfia, de outro assimila o refrão “cala a boca Galvão” tentando minimizá-lo e ainda coloca funcionários para dizer que as pessoas falam dela mas assistem aos seus programas, como se audiência fosse adesão.

O público sintoniza a Globo por absoluta falta de alternativa, dentro e fora da TV. Dentro, porque o que há de concorrência ou é semelhante à Globo ou ainda pior. Fora, pela falta de opções de cultura e lazer acessíveis a maioria da população brasileira. Não há amor pela Globo. Ninguém a chama de “tia”, como os britânicos fazem com a BBC, numa demonstração de afeto resultante de uma relação aberta e honesta.

Mas é preciso ressaltar que a combinação Dunga-internet está prestando um serviço inestimável à nossa sociedade. Permitiu que o grito reprimido na garganta durante tanto tempo ganhasse novos caminhos e, acima de tudo, encontrasse eco tornando-o cada vez mais forte. São caminhos sem volta.

Laurindo Lalo Leal Filho é sociólogo e jornalista. Professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

*Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4687
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