O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vacina contra debates


Nota do QTML?: Bessa escreveu a crônica abaixo em 2006 e, a pedido de alguns ex-alunos, a republicou em seu site "Taqui Pra Ti". Sábios ex-alunos. Vale leitura e releitura.

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No domingo passado, como se fosse um Fla x Flu, vesti minha camisa com o número 13 nas costas, costurei uma estrela vermelha no peito, enchi uma vasilha de pipoca e sentei, tenso, na frente da televisão, para ver o debate Lula x Alckmin. No final, fiquei doente. Descobri que meu sistema imunológico estava desprotegido. Por isso, resolvi me vacinar.  Conto como foi para que o leitor, se assim quiser, também possa tomar a mesma vacina.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dilma depois do debate da Globo

  Dilma depois do debate da Globo

O sentimento que no peito imagina o Brasil de 31.10.2010, como se o tempo se iniciasse agora, é de uma alegria que vem depois de uma tormenta.

Por Urariano Mota (*)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Serra: o homem que distorce o canto do galo

Por Ana Helena Tavares(*)

Minas é uma terra de muitos galos. E isso pode ser decisivo para o resultado das eleições presidenciais. No debate de ontem, da Rede TV!, José Serra se vangloriou de ter ao seu lado na campanha o ex-presidente Itamar Franco, “um homem íntegro”, garantiu. Minas é a terra onde “se come quieto”. José Serra, porém, ainda não aprendeu esta arte.

Tivesse ficado calado teria tido mais sucesso do que com a montoeira de lorotas que conseguiu dizer em tão curto espaço de tempo. Começou batendo no peito para dizer que foi o autor do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), na Constituinte de 88. É emblemático que Serra tenha a cara-de-pau de dizer isso, quando o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) acaba de soltar nota reprovando a participação dele como deputado constituinte. Uma atuação que, na presidência, destruiria os avanços dos movimentos sociais e os direitos trabalhistas arduamente alcançados pelo povo brasileiro.

Mas apropriação indébita, falsidade ideológica e charlatanismo são coisas das quais ele entende. Justiça seja feita. Basta dizer que está sendo processado, dentre outras coisas, por se registrar no TSE como possuidor de um diploma que ninguém viu: economia. O que se viu foi ele errar conta de porcentagem na frente de criancinhas. Muito gosta de se dizer o “pai disso, pai daquilo”. Seqüestrou para si o filho legítimo de Jamil Haddad: o medicamento genérico. E agora vem a público seqüestrar o filho de Jorge Uequed: o FAT. É um sentimento paternal digno de comoção.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Quem é o Serra dos debates?

É importante indicar ao eleitor que um eventual governo Serra representará um mergulho nas trevas, com direito a TFPs, Opus Dei, Carismáticos e outras denominações legislando o nascimento de um poder assentado em bases teocráticas. Sobre isso deveria refletir uma parcela da classe média.

Por Gilson Caroni Filho (*)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AS ENTREVISTAS, OS DEBATES, SENHORAS E SENHORES HOJE TEM ESPETÁCULO

AS ENTREVISTAS, OS DEBATES, SENHORAS E SENHORES HOJE TEM ESPETÁCULO


Por Laerte Braga(*)


Eu tenho a sensação que quando William Bonner acorda deve fazê-lo imaginando quem um coro celestial desceu dos céus para despertá-lo e a partir daí dar início à missão diária de iluminar o mundo.

Deve ir ao twitter e colocar a clássica pergunta, ansiosamente desejada pelos mortais comuns, “quem quer bom dia?” Acredita, lógico, que isso soa como bênção de um papa aos fiéis na Praça de São Pedro. No caso, chega via computador e telinhas.

Marcelo Rossi, Fábio Melo, Edir Macedo, o cara que escapou dos tubarões e hoje cura AIDS, todas as doenças existentes ou que virão a existir por mandato divino, nada disso se compara a Bonner na pista do aeroporto de Congonhas –devidamente vacinado para não morder a equipe – esbravejando em tom patético e dramático, que faltam ranhuras na pista.

As entrevistas com os candidatos Dilma Roussef, Marina da Silva e José Arruda Serra, além da que vai ao ar hoje, quinta-feira, dia 12, com Plínio de Arruda Sampaio são pauta do show.

No Brasil, o principal oráculo do deus mercado é a GLOBO e Bonner é quem dá a sentença. Fátima Bernardes é como uma assistente de mágico de circo, fica segurando o casaco brilhante e ao final estende a mão para sugerir os aplausos.

Bonner tentou de todas as formas colocar a candidata Dilma Roussef contra as cordas. Desqualificar a candidatura Marina da Silva (sem necessidade, a própria candidata se desqualifica) e por pouco não convocou os anjos que o assessoram para ungir a candidatura de José Arruda Serra.

É o supremo sacerdote da comunicação no Brasil.

Pelo que sei, a não ser que haja mudança de última hora, a entrevista de Plínio de Arruda Sampaio não será ao vivo, no estúdio do JORNAL DA MENTIRA, o que chamam de JORNAL NACIONAL, mas gravada em São Paulo, ou no estúdio de São Paulo.

Plínio não tem compromisso que esse culto à rede GLOBO. Pelo contrário.

Nem vai ajoelhar-se ao entrar no PROJAC e rezar o Pai Nosso versão Roberto Marinho.

Como não o fariam Ivan Pinheiro e José Maria, respectivamente candidatos do PCB e do PSTU ignorados pela corte celestial global (até rimou).

Nas três entrevistas – Dilma, Marina e Arruda Serra – faltou a orquestra. É possível que no debate entre os candidatos um desses homens foguete venha direto de Washington e suba em direção aos céus para desfraldar uma faixa, “nós podemos mais”.

Quem? A GLOBO, ou o marionete tucano que atende pelo nome de José Arruda Serra?

Desde a aprovação da lei Adauto Lúcio Cardoso, em 1958 e até 1974, quando a ditadura introduziu o modelo santinho, candidato mudo, o debate se dava nos horários reservados aos partidos e ao vivo.

Da drástica mudança feita pelo general Geisel e a perspectiva de derrota avassaladora em 1978 para a ditadura (como aconteceu em 1974) chegamos ao ápice no estilo show das eleições, espetáculo das eleições.

Quem tira mancha melhor.

Vai chegar um dia que o voto vai ser dispensado. Vão fazer uma edição especial do programa de Fausto Silva, formar um júri, sortear provas especiais para os candidatos, tipo dança com um trabalhador, dança com um camponês, plantar uma árvore, coisas assim e o júri, ungido pelo sacerdote supremo decidir qual dos candidatos é o mais apto para o exercício da presidência da República.

A forma como a GLOBO, a grande mídia no seu todo, conduz o noticiário do processo eleitoral tem esse formato, esse feitio, de espetáculo e com o objetivo de atender aos interesses dos patrocinadores.

José Arruda Serra é apenas o marionete escolhido para representar esses interesses. Dão corda antes e colocam para dormir ao fim do dia. Dizem que ele não dorme, deve ser por isso, marionete, não é de carne e osso, foi montado pelos cenógrafos da GLOBO para atender aos interesses de bancos, latifundiários, grandes empresários e Washington.

Neste final de semana tudo indica que o INSTITUTO DATA FOLHA deve divulgar pesquisa montada em laboratórios desse paraíso – cheio de comerciais de desinfetantes mais inteligentes que você – tentando equilibrar o estrago feito pelas outras pesquisas que mostram o vampiro paulista em processo acelerado de anemia eleitoral, votos.

Tentar dar fôlego, gás e esperar os esquemas de todas as eleições, onde o show substitui o debate democrático, a participação popular, resumir tudo à dança com famosos e ao trambique do Criança Esperança (aliás, deve ser maldição, o São Paulo Futebol Clube jogou o primeiro jogo com o Internacional, semi-final da Libertadores com a camisa Criança Esperança e foi para o beleléu).

Nessa história não é só o São Paulo que dançou não, as crianças dançam também, o Brasil então...

Tem espetáculo sim, com direito a mágicas de Bonner e sua corte de anjos. Pelo menos até outubro, na tentativa de exorcizar essa mania de brasileiros de sonhar um País livre, soberano, justo, vale dizer, sem o show global.

Senhores proprietários de companhias aéreas, por favor, não deixem seus aviões caírem antes das eleições. Podem atrapalhar as manobras da GLOBO para transformar o esquema FIESP/DASLU em grande sonegação nacional através de José Arruda Serra.

O menino de ouro da GLOBO.

José Arruda Serra o criador de tudo. Lembra um amigo dono de um antigo armarinho no interior de Minas. Quando o freguês pedia um produto que não tinha estoque, respondia assim – “não se preocupe, o que não tem está chegando”.

No duro mesmo é aquele mail cretino que circula na internet sobre senadores que mortos, têm o direito de escolher entre o céu e o inferno. A propaganda do capeta é de tal ordem que escolhem o inferno. Quando chegam, de mala e cuia, só encontram um deserto pleno e absoluto. Não adiantou a reclamação. O Bonner de lá avisa, “ontem era campanha eleitoral”.

O programa de Arruda Serra é isso aí, a prática é outra.

*Laerte Braga, jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador e co-editor do blog “Quem tem medo do Lula?

domingo, 8 de agosto de 2010

Debate infrutífero

Debate infrutífero

Por Mario Augusto Jakobskind (*)

Agora o Brasil ingressou mesmo na campanha eleitoral que culminará no próximo dia 3 de outubro com a escolha de quem ficará no lugar de Lula nos próximos quatro anos a partir de 1 de janeiro de 2011.

O primeiro debate, na TV Bandeirantes, entre quatro candidatos – Dilma, Serra, Marina e Plínio – foi morno e sem grandes novidades. Faltaram alguns temas para serem esmiuçados, como, por exemplo, política externa, cultura e a questão da mídia, sendo este último quase desaparecido do cardápio político eleitoral.

Na verdade, as regras engessam os debates, que a seguirem dessa forma dificilmente trarão grandes novidades. Serra e Dilma polarizaram o debate que mostrou algumas poucas diferenças entre os dois, embora ambos representem projetos distintos.

Serra é a própria contradição. Ao mesmo tempo em que diz não estar disposto a olhar no espelho retrovisor, isso para evitar vir à tona o desastroso governo do prócer FHC, volta e meia fala do seu passado com presidente da UNE. E aprofundando ainda o retrovisor lembrava sempre dos “mutirões” na área de saúde, na verdade emergenciais e que não podem ser considerados soluções para os graves problemas do setor.

E Serra na maior hipocrisia fala que não aparelhará empresas do Estado se for eleito presidente. Pena que não houve oportunidade de perguntar como explica a nomeação do deputado pernambucano Roberto Freire como conselheiro de uma estatal paulista com um salário superior a 10 mi reais? Freire, o ex-comunista, no atual PPS, que entregou de bandeja os arquivos do antigo PCB para a Fundação Roberto Marinho, estava no debate a convite de Serra. O que teria a dizer o referido? .

Dilma tem a vantagem de apresentar fatos concretos relativos ao atual governo, como, por exemplo, o aumento no número de empregos, cerca de 14 milhões, quase o triplo da gestão Cardoso e assim sucessivamente.

Marina Silva, a ex-Ministra do Meio Ambiente poderia adotar como slogan de sua campanha algo na base do ”vamos dar as mãos”, como se fosse possível conciliar algo como água e azeite. Ela parece desconhecer o conceito de luta de classes e entende que apenas a preservação do meio ambiente, pelos detentores do capital e os trabalhadores, resolverá os problemas do Brasil e do mundo. Quer porque quer juntar todo mudo político no mesmo saco.

Plínio de Arruda Sampaio, que Raul Seixas classificaria como ”a mosca que pousou na sopa” dos três candidatos, falou uma linguagem que provavelmente os telespectadores não estão acostumados a ouvir. Demonstrou muita ironia e bom humor. O seu discurso em linhas gerais se aplicaria cem por cento se as mobilizações dos movimentos sociais estivessem em ascensão. Como isso não acontece, muito pelo contrário, as observações de Plínio acabam caindo no vazio de uma eleição e o seu partido, o PSOL (Partido do Socialismo e Liberdade), corre o risco de continuar nanico e sem base social de respaldo.

Trocando em miúdos, Serra, que tem como vice o deputado Da Costa, representa o retrocesso, não só para o Brasil como para a América Latina, pois ele se alinha no esquema Álvaro Uribe, Sebastián Piñera e outros do gênero. Como o candidato que leva de roldão os ex-comunistas do PPS (Partido Popular Socialista) e o setor mais a direita do espectro político brasileiro, o Demo, já disse em várias ocasiões a que veio, a derrota de Serra, a se confirmarem as pesquisas, será um verdadeiro alívio para o ideário da integração latino-americana.

Mas como eleição não se decide por pesquisas, e se fosse assim nem seria necessário ir às urnas, todo cuidado é pouco para evitar o pior.

Quanto a não realização por nenhum canal aberto de um debate com todos os nove candidatos, mesmo se sabendo que alguns deles estão lá apenas para marcar posição ou para que o nome fique conhecido para outra eleição qualquer, mais uma vez os meios de comunicação partem de antemão do princípio de fazer a triagem. Numa democracia, quem deve julgar é o eleitor e não os “iluminados” que controlam os meios de comunicação. E para que possa fazer o julgamento o eleitor precisa conhecer todos os candidatos, que os meios de comunicação se negam a apresentar.

Na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos tomou posse no último sábado ficando no lugar de Uribe, que deixa de herança, entre outras, a maior fossa comum das Américas, com cerca de dois mil corpos, produzidos por paramilitares perdoados pelo governo que também é responsável por dezenas de sindicalistas assassinados. E isso sob total silêncio dos meios de informação conservadores.

A descoberta foi macabra e ocorreu quando a população de uma pequena localidade do interior do país começou a sentir a água das torneiras putrefata. A partir daí foi localizada a fossa comum com os restos de cidadãos assassinados por paramilitares apoiados pelo Exército colombiano.

*Mário Augusto Jakobskind é jornalista, mora no Rio de Janeiro e é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de S. Paulo e editor de Internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do semanário Brasil de Fato. É autor, dentre outros livros, de “América que não está na mídia” e “Dossiê Tim Lopes – Fantástico / Ibope”. É colunista do site “Direto da Redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

sábado, 7 de agosto de 2010

Teve até orquestra

A charge é do cartunista Ique e foi scanneada do JB impresso de hoje (07/08/2010)
Teve até orquestra

Por Laerte Braga (*)

Do alto de seus oitenta anos Plínio de Arruda Sampaio mostrou que pé de chumbo tem o seu lugar. Pisou em vários calos. E provavelmente pode até ter sido um bom dançarino, mas isso é outra história.



Incrível a definição definitiva sobre Marina da Silva. “Você não sabe pedir demissão”.



Debate com orquestra (excelente por sinal), mas espetáculo, só isso. De alto nível o apresentador, Boechat, mas fazer o que? Azar da GLOBO.



Os índices de audiência foram baixos e perderam feio para o jogo São Paulo e Internacional, propositadamente transferido de quarta para quinta.



José Arruda Serra precisa explicar o que é aparelhar o Estado. Disse que não aparelha. Terminado o show, em entrevista e considerações sobre o dito, atrás dele Roberto Freire, um dos políticos mais repulsivos do País. Domicílio eleitoral Pernambuco, deputado em vários mandatos, senador, agora conselheiro de uma estatal em São Paulo a doze mil por mês.



Se isso não é aparelhar não sei o que é. Será que em São Paulo num tem ninguém para o tal conselho? Tem que importar Freire? Ou por que Freire é dono da companhia PPS, o preço mais baixo da praça?



E de quebra como é que conceitua investimentos em educação? PM baixando a borduna em professores que reivindicam salários decentes? Típica solução tucana. Porrete.



Foi pego pelo pé quando a candidata Dilma Roussef disse que o tal negócio da nota fiscal paga xis, recebe ipisilone serviu para prejudicar o País no período agudo da crise do capitalismo.



Má fé pura. Os caras estão uma arara com o ex-governador Minas Aécio Neves. Foram cobrar de Aecinho empenho na campanha de Arruda Serra. A resposta veio pelo presidente do PSDB mineiro. Se querem que prefeitos que apóiam Aécio e Anastasia, mas estão com Dilma, sejam excluídos?



Duvido que trabalhador estivesse assistindo ao debate. O horário já começa complicado. A turma levanta às cinco, uns até as quatro. No máximo o jogo mesmo.



É impossível apresentar ou expor um programa estratégico para o Brasil, no formato (vá lá) dos debates.



Espetáculo.



Só não contavam com Plínio. Deve ser isso que Arruda Serra chama de falta de representatividade. Pedra no sapato.



Num determinado momento, no início, Marina e Serra tabelaram e deram a sensação que iam assim até o final. No meio do caminho Marina parece ter percebido que para chegar perto da grande área precisaria de correr mais um pouco. Saiu para a balela do tal desenvolvimento sustentável, mas nos moldes capitalistas.



O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro decidiu que os parcos segundos que terá na propaganda gratuita poderão ser usados pelos movimentos sociais. O fato foi comunicado no lançamento da candidatura de Rafael Pimenta ao Senado, em Minas.



A idéia é criar uma Frente anti Capitalista e anti Imperialista no que diz respeito ao processo histórico neste momento. Integração latino-americana, estado palestino livre e soberano sem a barbárie de Israel, as lutas populares, fim das guerras/genocídios contra Iraque, Afeganistão, etc.



É claro que Dilma tem umas vaciladas, mas algo assim tipo achar que microfone e câmera engolem gente.



No fundo, quando Plínio falou que os três ditos grandes são “quinquilharia”, não estava ofendendo ninguém, nem querendo insinuar que o bolor e o mofo corroem José Arruda Serra e sua cara de Jânio abstêmio. Estava apenas definindo o modo de ser e o fez de forma precisa.



Tive a sensação que Arruda Serra quando falou do crack ia tocar no assunto Evo Morales. Deve ter lembrado do dossiê da CIA que acusa o colombiano Álvaro Uribe de tráfico.



O problema de Arruda Serra é que ele faz a história do patinho feio ao contrário. Pior até, acha que é cisne, não percebe que faz é quem quem (acho que é assim que escreve o grito – grito? Sei lá – do pato.



Nada a ver com aqueles que nadam na lagoa. Não têm culpa de tucano ser uma espécie predadora.



O epíteto de “hipocondríaco” que Plínio pespegou em Arruda Serra não é vicio em de Cibalena. Tem a ver com o caráter do candidato.



Inacreditável a história dos mutirões. Faltou explicar que num determinado momento os médicos dos SUS recusaram-se a operar nos moldes determinados pelo economista (economista?) José Arruda Serra.



Como era candidato em 2002, queria uma semana de cirurgias em todo o País, mas assim. O paciente/vítima internava pela manhã, era operado e liberado à tarde para o pós operatório em casa. Mesmo que cirurgias um pouco mais complexas.



Os médicos explicaram a Arruda Serra que não eram assassinos, a missão era diferente, curar.



Nisso o tucano não toca.



Se, tomando por baixo, cinco por cento de 100 mil cirurgias apresentasse algum problema, ou seja, cinco mil, os pacientes/vitimas teriam que ser socorridos em suas residências, ou levados para os hospitais. Congestionamento que nem as ambulâncias do Maluf, do Serra, dessa gente, dariam conta.



Pedágio nada. Privatizações? Só faltou dizer que no governo de FHC isso não existiu.



Pulha de carteirinha.



Num sei que efeitos especiais a GLOBO vai inventar para enfrentar a orquestra do debate da BANDEIRANTES. Imagino que antes deve fazer uma edição especial e única, mixada, de todos os BBB. E, em seguida, apresentar os heróis do Pedro Bial ao vivo e a cores como entrevistadores dos candidatos.



Sugiro que perguntem aos candidatos sobre o “drama” do goleiro Bruno.



“Posso muito bem conceber um homem sem mãos, pés, cabeça (pois a cabeça é mais necessária que os pés). Mas não posso conceber o homem sem pensamentos, seria uma pedra, ou uma besta” – Foucauld.



Arruda Serra chutou o tempo todo.



*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Entre "hipocondríacos" e "ecocapitalistas", aproveitou-se pouco


Plínio, em dia de grande inspiração, assuma-se, acusou o debate de “lembrar Polyana”, a eterna luta entre “o bem e o mal”. “Isso não quer dizer nada”, garantiu. Talvez não queira mesmo.


Por Ana Helena Tavares (*).

Para o "Traços de Estilo" e o "Quem tem medo do Lula?".


O locutor anuncia: “É um momento histórico”. Menos. Não chegou a tanto. Hoje, todos se lembram dos folclóricos debates de 89. Daqui a 20 anos, ninguém se lembrará do debate promovido ontem (05/08/2010) pela Band. Mas deixo aqui o meu registro.


Dentro de um regime democrático, a iniciativa de um debate com quatro candidatos é sempre louvável, diga-se, mas a democracia só seria plena se participassem todos. Este, do modo como foi, com as regras antiquadas de sempre, foi morno e sonolento. Cortês demais para ser real, faltou o Brizola e até o Enéias.


Plínio de Arruda Sampaio, militante político histórico, abusou do fato de ser renegado, mas conseguiu ser o Brizola da vez. Era o único com a alma presente ali. Serra nunca a teve; Marina a vendeu ao “ecocapital”; Dilma, nervosa, não conseguiu achá-la. Até os jornalistas a deixaram em casa. Confesso que dormi mais do que vi.


Mas vamos ao que ouvi que seja digno de nota.


Serra, dormindo no ponto da história, demonstrou desconhecer muitos programas do governo Lula. Indagado por Dilma sobre o “Luz para todos” (programa que leva eletricidade aos meios rurais), o tucano, do alto de seu muro, olhou para baixo, olhou para os lados, não encontrou nenhum assessor e deu branco: “Hã?”.


Dilma, robótica, falou no “Brasil Sorridente” (programa para levar tratamento dentário através do SUS), mas podia ter sorrido mais – tem motivos para isso..


Serra, que não os tem, acha que falar de saúde vai salvar sua vida. “Logo se vê porque o chamam de hipocondríaco”, atirou Plínio, em momento Enéas. O candidato tucano até tentou falar de outras coisas, educação, por exemplo. Mas só conseguiu me arrancar uma risada (preguiçosa, porque há piadas melhores) quando disse que criará “o ProTec – o ProUni do ensino técnico”. Suponho que vá usar como padrão os excelentes programas sociais aplicados em São Paulo, como o “ProPorrete”. Acusou o governo Lula de estar “perseguindo as APAES”, no que foi bem desmentido por Dilma.


Marina, morena, mas sem rima nem sal, insiste que sua candidatura representa a proposta de um “realinhamento histórico”. Quer “governar com os melhores quadros do PT e do PSDB”, como disse em outra ocasião. Chamada por Plínio de “ecocapitalista”, a nobre candidata só fala em “conciliação”: é do desenvolvimento com o meio ambiente; é dos políticos em irmandade. Utopia pouca é bobagem.


Utopia por utopia, Plínio e sua “distribuição drástica de renda” também não fica atrás. Eu também queria.


O que Serra não quer é “fazer campanha com os olhos no retrovisor”. É incrível como se entrega. Por que Dilma pode se orgulhar de ter coordenado a equipe de ministros de Lula (“uma oportunidade vigorosa”, como ela definiu), enquanto Serra foge de seu “retrovisor”? Deve ser mesmo horrorizante olhar para trás e ver FHC.


Mas horrorizada mesmo eu fiquei ao constatar que, enquanto Serra o renega, Marina simpatiza com o “príncipe da Sourbonne”. “O Brasil elegeu um sociólogo que fez importantes transformações econômicas”, disse ela, quando quase desliguei a TV.


Com muita persistência, consegui ouvir as considerações finais.


Serra só não chorou porque não tinha colírio por perto. Plínio, em dia de grande inspiração, assuma-se, acusou o debate de “lembrar Polyana” ou, em outras palavras, a eterna luta entre “o bem e o mal”. “Isso não quer dizer nada”, garantiu. Talvez não queira mesmo.


*Ana Helena Tavares, jornalista por paixão, escritora e poeta eternamente aprendiz. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?".

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O espetáculo dos debates

O espetáculo dos debates

Por Laerte Braga (*)

Quando o candidato José Arruda Serra disse a jornalistas que debates entre presidenciáveis devem ocorrer apenas com a presença daqueles que têm alguma representatividade estava jogando qualquer princípio democrático no lixo.



O que é representatividade?



As grandes redes de televisão no Brasil costumam argumentar que apenas os candidatos com maior intenção de votos, aferida por pesquisas, devem participar para tornar o debate mais esclarecedor e criar melhores condições para que o cidadão possa definir. Usam como exemplo as eleições nos EUA.



Ora, um cidadão, por si só, é alguém com representatividade. No gozo dos seus direitos políticos tem o voto como um dos instrumentos capazes de materializar esses direitos. E essa representatividade.



Como dizer que o candidato Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, não tem representatividade? Porque tem quase dois ou três por cento das intenções de voto? Ou o secretário geral do Partido Comunista Brasileiro, Ivan Pinheiro? José Maria, do PSTU?



Essa exclusão é limitar o processo eleitoral, é criar um arremedo de processo democrático, ainda mais num país onde cada TRE (Tribunal Regional Eleitoral) entende a lei da Ficha Limpa a partir de critérios diferentes. Roriz não pode (claro é um assaltante de cofres públicos), mas Jáder Barbalho, idem, pode.



E o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não tem a menor idéia de como resolver o impasse que, com certeza, vai acabar no STF (Supremo Tribunal Federal).



Justiça Eleitoral em si, com a estrutura que temos, é uma aberração. Se atentarmos para o chamado mundo institucional aqui e em países dito mais adiantados, ou com democracia que consideram plena, eleições são regulamentadas por legislação que muitas vezes é secular, os princípios básicos e simples de um acontecimento assim e coordenadas por juntas eleitorais formadas num espectro representativo da chamada sociedade civil organizada, inclusive partidos.



Aqui inventaram a infalibilidade da urna eletrônica. Desde que nunca dê pane.



Os limites impostos pela Justiça Eleitoral, inclusive aceitar a exclusão de determinados candidatos de debates em redes nacionais de tevê, contrariam todo e qualquer princípio ou pressuposto de eleição livre e democrática.



Debates entre presidenciáveis é apenas um show. Uma luta de boxe sem luvas e sem murros. Nunca uma tentativa de apresentar e discutir programas, mas de mostrar maior ou menor agilidade na capacidade de complicar o adversário e enrolar o eleitor.



Como dizer que um cidadão do porte de Plínio de Arruda Sampaio não tem representatividade? Tem a mesma que historicamente em momentos da vida nacional tiveram figuras como Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva, e tem hoje Oscar Niemeyer..



Ou Ivan Pinheiro? Líder sindicalista, uma longa vida de luta política, inclusive o resgate de seu partido que um pulha da política, Roberto Freire. Tentou guardar a legenda na geladeira para evitar atrapalhar planos e projetos pessoais dele e de grupos. Como excluir José Maria, PSTU, um partido presente em vários setores da luta sindical, estudantil, do movimento popular?



Por que? Poderiam incomodar os chamados grandes? Perguntar a Arruda Serra por exemplo a razão da compra de trens imprestáveis para o metrô de São Paulo? Os altos custos dos pedágios nas estradas estaduais paulistas? Os baixos níveis da educação e da saúde em São Paulo, resultados de doze anos de administração tucana?



Questionar a candidata Dilma Roussef sobre concessões feitas pelo governo Lula a setores das elites que levam bancos a viverem o melhor momento de suas histórias? E tantas outras? As políticas que definham salários de aposentados na malfadada reforma da Previdência iniciada no governo FHC?



Mostrar que Marina da Silva jogou fora sua história e aliou-se a empresários predadores da Amazônia e está sendo financiada por eles na balela do desenvolvimento sustentável (sustenta a candidatura dela e os interesses deles)?



Um debate, em tese, deve permitir ao cidadão/eleitor que tome conhecimento das propostas, do programa de cada candidato. Onde isso acontece?



A GLOBO, dona do futebol e da CBF no Brasil, transferiu o jogo São Paulo versus Internacional, semifinal da Libertadores da América de quarta para quinta-feira com o intuito de esvaziar o debate da rede concorrente, a BANDEIRANTES. Quer arrogar a si o privilégio de oferecer ao distinto telespectador o show da democracia. O espetáculo dos gladiadores contemporâneos, num ringue do qual não participam aqueles que não conseguem atingir determinado patamar nas pesquisas de opinião pública, muitas delas montadas, como acontece com o INSTITUTO DATA FOLHA, e quase sempre com o IBOPE.



Aceitar esse jogo é jogar por terra a essência do processo democrático. É tentar definir o voto num direto bem aplicado, mesmo que seja um golpe baixo, ou uma jogada decidida por um marqueteiro, que nada daquilo que se diz seja verdade, à medida que as redes de tevê e particularmente a GLOBO entendem que o País deve ter um presidente afinado com os interesses que representam.



Não é uma questão de democracia é de índice de audiência. Índice de audiência significa um volume maior de patrocinadores, representa cumprir o dever de submissão às elites. Transforma as redes de tevê em senhoras do pensamento e da vontade induzidas do cidadão/eleitor, no crescente trabalho de alienação geral.



Esse é o objetivo deles.



Ao citar os três candidatos que citei acima, Plínio de Arruda Sampaio, Ivan Pinheiro e José Maria não estou entrando no mérito de seus programas, seus propósitos, são todos homens públicos sérios, dignos, com história, mas reivindicando o direito de ouvi-los tanto quanto a qualquer outro chamado grande.



Arruda Serra não tem a menor idéia do que é representatividade. É que representa interesses de potência estrangeira, de grupos econômicos nacionais e estrangeiros e só conhece esse lado da história. É pago para isso.



Da mesma forma que exclui candidatos chamados “nanicos” (por que?), exclui nordestinos, exclui os do norte do Brasil, do Centro-Oeste, as populações carentes do Sudeste e do Sul, traz o preconceito dentro de si e isso é característica tucana, a genética de mau caratismo golpista. Permeia boa parte do PT também.



O sistema de dois turnos existe para que, em tese, todos os candidatos possam se apresentar e aos seus programas. A antiga lei de propaganda gratuita, do ex-deputado e ministro do STF Adauto Lúcio Cardoso, assegurava a proporcionalidade entre os partidos, mas um tempo mínimo decente a cada partido e exigia que a apresentação fosse ao vivo para evitar os truques da imagem/objeto.



A ditadura acabou com isso, provocava a discussão e o debate e permitia ao cidadão/eleitor uma clara visão de cada partido ou candidato e assim definir seu voto, mas a democracia mantém, agora por conta dos interesses de marqueteiros, fabricantes de marcas diversas de sabão em pó travestidas de candidatos a presidente da República.



Quando ouço falar em choque de gestão me lembro do ex-governador Minas, Aécio Neves. Construiu um monumento a “eficiência administrativa”, algo que lembra a obra de Kafka, já em processo de decomposição (às pressas para inaugurar ainda em seu governo), quando poderia ter construído pelo menos 200 mil casas populares. Ou corrigido o salário de fome pago a professores da rede estadual. Cuidado da saúde que se prestou apenas a um jantar para prefeitos e vereadores e fomentar a campanha de um candidato a deputado federal que, por si só, deveria estar varrido pela Ficha Limpa. Mas não, deve ser o mais votado no estado.



Esse é só modelo FIESP/DASLU. Sonegador, portanto criminoso, que não tem nada a ver com a democracia.



E, legalmente ainda dizem que tevês são concessões do poder público e têm o dever de levar informações corretas, cultura, veicular lazer recheado de respeito ao cidadão, etc, etc.



Devem achar que o JORNAL NACIONAL e o BIG BROTHER BRASIL desempenham esse papel.



Ou que o problema do goleiro Bruno é o principal fato dos tempos recentes, logo após a tragédia que matou a menina Nardoni.



Hoje, a preocupação da turma global é com os seios de Luísa Brunet que teria exagerado na transparência.



Há uma outra forma de transparência que também deveria estar presente em cada veículo de comunicação.



“Como indispensável adorno dos objetos produzidos agora, como demonstração geral da racionalidade do sistema, e como setor econômico avançado que molda diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a principal produção da sociedade atual” – Debord, A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, Contraponto, RJ).



“O espetáculo é o momento histórico que nos contém” – idem.



E deliberado, é lógico.



*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E começa a temporada de debates eleitorais...

Eis os mais marcantes (ou mais ridículos)

Por Celso Lungaretti (*)

Debates eleitorais pela TV costumam ser extremamente tediosos, um mero entrechocar de imagens forjadas por marqueteiros como o Duda Mendonça, cujos cordéis movimentam os fantoches em cena.

São exceções irrisórias as situações pitorescas nesses debates. Eis algumas:

- quando Richard Nixon, ainda sem aquilatar a importância da imagem, foi ao confronto decisivo contra John Kennedy com a barba por fazer. Mais do que os argumentos, o eleitorado dos EUA comparou o garboso Kennedy ao mal-encarado Nixon, com os resultados conhecidos;

- quando um deputado dos mais obesos queria entregar alguns papéis a Jânio Quadros no ar e foi se arrastando grotescamente por baixo do ângulo captado pelas câmeras... sem imaginar que, maldosamente, elas se voltariam na sua direção, expondo a todos os telespectadores seu puxa-saquismo explícito;

- quando Franco Montoro esperou sua tréplica a Jânio Quadros, no encerramento do debate, para acusá-lo de torpeza (havia sido vítima da ditadura e estava mancomunado com os antigos perseguidores), de forma que suas tentativas raivosas de dar resposta foram rechaçadas pelo mediador, fazendo-o parecer destrambelhado e patético;

- quando Boris Casoy perguntou a Fernando Henrique Cardoso se ele acreditava em Deus e FHC se queixou de que haviam combinado não tocar nesse assunto, dando ao adversário Jânio Quadros um trunfo talvez decisivo para vencer uma eleição parelha;

- quando Brizola e Maluf perderam as estribeiras e ficaram se xingando no ar. "Filhote da ditadura!", repetiu várias vezes o gaúcho, enquanto o outro respondia: "Desequilibrado! Desequilibrado! Passou 15 anos no estrangeiro e não aprendeu nada!" (foto acima);

- quando Lula teve um apagão no debate decisivo com Collor e reagiu com apatia aos ataques do inimigo, não contestando sequer a afirmação de que seu aparelho de som era melhor que o do ricaço das Alagoas;

- quando o mesmo Collor, tentando voltar à tona depois de botinado do poder, foi escalado para formular uma questão ao folclórico Enéas Carneiro e, depois de pensar um pouco, desistiu: "Manda ele falar o que quiser". Enéas gastou seu tempo criticando o próprio Collor, que esnobou de novo o adversário ao ter a chance da réplica: "Manda ele continuar falando".

Lembrei-me de sete momentos interessantes num sem-número de debates a que assisti ou dos quais tomei conhecimento. Posso ter esquecido um ou outro mais. O certo é que a mesmice e a chatice predominam de forma avassaladora.

Eis um que marcou época

Debates eleitorais são recentes no Brasil, começaram em 1982.

E os que reúnem apenas dois candidatos vêm desde 1989, quando foi introduzido o segundo turno nos pleitos para presidente da República, governador e prefeito.


Infelizmente, já deu tempo para as assessorias especializadas capacitarem-se a preparar qualquer indivíduo que não seja um completo idiota para ter desempenho razoável nos debates, dando respostas decoradas para os questionamentos óbvios, driblando as questões inoportunas, lançando provocações para desestabilizar o(a) adversário(a), abusando das falsas emoções, etc.

Daí a previsibilidade que ora caracteriza os debates.

Mas, como a eleição 2010 está polarizada entre um homem e uma mulher, a chamada caçapa cantada para o 2º turno, vale darmos uma relembrada no primeiro grande debate televisivo entre os dois sexos, em São Paulo.

Não foi exatamente eleitoral: teve como contendores o diretor de trânsito Américo Fontenelle (foto acima) e a deputada Conceição Costa Neves, em 1967.

No governo de Carlos Lacerda (RJ), o coronel Fontenelle conseguira resultados excelentes por abordar o trânsito com metodologia sofisticada de diagnóstico e planejamento de ação.

Ao mesmo tempo, até por sua formação militar, era um atrabiliário ao colocar as medidas em prática, chegando a mandar esvaziarem os quatro pneus de quem estacionasse em locais proibidos ou colarem espessos papéis no vidro da frente, difíceis de remover, especificando a infração cometida pelo motorista.

O governador Abreu Sodré o contratou a peso de ouro para pôr ordem no trânsito caótico e congestionado de São Paulo. Eis como o jornalista e radialista Afanásio Jazadji evocou sua atuação, no Repórter Diário:

“O Coronel Fontenelle montou sua equipe e começou a trabalhar, localizando o engarrafamento em São Paulo em dois pontos: 1 - estacionamento desordenado nas principais ruas; e 2 – carga e descarga o dia todo, durante 24 horas, impedindo os carros de se locomoverem.

“Atacou logo os dois pontos com total sucesso, criando ‘bolsões’ e também ‘rotatórias’. Proibiu carga e descarga em toda a cidade, a não ser de meia-noite às 6 da manhã.

”Suas medidas radicais colocaram o trânsito no seu devido lugar. (...) Suas medidas atingiram os maiores empresários do setor de transportes, que com caminhões congestionavam praticamente o dia inteiro a região do Mercado Central, espalhando a paralisação por todo o centro e bairros adjacentes.

”Fontenelle mandava rebocar até mesmo o carro de vereadores e deputados que atravancavam tudo.”

O menestrel Juca Chaves chegou a compor uma sátira bem-humorada a seu respeito: “O Seu Fon-Fon chegou/ O Seu Fon-Fon chegou/ Mudou, mudou, mudou/ E agora, pra que lado eu vou?”.

Como havia muita grita contra Fontenelle, a deputada Conceição Costa Neves erigiu-se em porta-voz da oposição ao coronel, discursando inflamada e demagogicamente contra ele na Assembléia Legislativa. E a extinta TV Tupi (que fazia parte dos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand), armou um debate entre ambos, mediado por Aurélio Campos.

Sendo Fontenelle um homem irascível, a deputada populista supôs que sairia bem na foto se mostrasse coragem de confrontá-lo, adotando uma postura extremamente agressiva.

Para sua surpresa, o coronel se apresentou como um autêntico gentleman, recusando-se a acompanhá-la num duelo de agressões. Respondia às piores acusações e insultos com apenas quatro palavras: “Isso na sua opinião”.

As rudimentares pesquisas de opinião da época lhe deram a vitória por goleada. Os telespectadores ficaram chocados ao verem uma deputada se comportando de maneira tão vulgar e, embora estivessem (por influência da mídia) predispostos contra Fontenelle, acabaram por admirar sua postura cavalheiresca. Aos observadores mais atentos, entretanto, não escaparam sua testa franzida, a raiva a duras penas contida...
CRUCIFICADO PELA IMPRENSA


Menos sorte Fontenelle teve, entretanto, quando enfrentou a empresa Folha da Manhã, pertencente a Octávio Frias e Carlos Caldeira.

Ocorre que outro negócio de Caldeira era a Rodoviária de São Paulo, absurdamente localizada bem no centro da cidade (av. Duque de Caxias) e foco dos maiores congestionamentos. O trabalho de Fontenelle não estaria completo se não extirpasse essa chaga. E, como contrapartida à personalidade despótica, ele tinha muito senso do dever e coragem pessoal.

Percebendo que, se anunciasse antecipadamente a desativação da rodoviária, seria tolhido pela politicalha, Fontenelle a executou nos moldes de uma operação militar, pegando o inimigo desprevenido e criando um fato consumado: da noite de domingo para a manhã de segunda-feira, fechou a rodoviária e transferiu todos os ônibus, precariamente, para o Parque D. Pedro.

Foi vítima, como retaliação, de uma das mais repulsivas campanhas já desencadeadas por órgãos de imprensa contra um administrador público. Páginas e páginas eram utilizadas diariamente nos jornais do grupo para detonar o trabalho de Fontenelle e dar voz às suas vítimas, como os viajantes que perdiam o ônibus por desinformação.

Em nenhum momento os jornais tiveram a dignidade de informar aos leitores que estavam longe de ser parte isenta na questão, já que seus interesses haviam sido contrariados.

O governador Sodré, que não tinha a simpatia do Grupo Folhas, de repente acertou os ponteiros com Caldeira e Frias: demitiu Fontenelle e passou a receber rasgados elogios nos jornais da empresa.

Pouco tempo depois, ao dar uma entrevista no programa Roleta Paulista da então TV Paulista (Organização Victor Costa), Fontenelle foi indagado a respeito de sua demissão.. Em resposta, disse que iria falar tudo que até então silenciara sobre o comportamento desleal e indigno do governador.

De repente, parou, como se tivesse perdido o fio da meada. Fitou a câmara, seu olhar ficou esgazeado; cambaleou e, ao desabar no chão, já estava duro como pedra.

O pessoal do estúdio correu para socorrê-lo, a câmara tremeu, a transmissão foi interrompida. Logo depois, um locutor informou que o coronel tivera uma ligeira indisposição, mas passava bem.

Na verdade, estava agonizando. Morreu a caminho do pronto-socorro.

*Celso Lungaretti, jornalista e escritor. É autor do livro "Náufrago da Utopia" (sobre sua experiência durante a ditadura militar) e mantém blog homônimo. É colaborador e co-editor do "Quem tem medo do Lula?".

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