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A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Entre "hipocondríacos" e "ecocapitalistas", aproveitou-se pouco


Plínio, em dia de grande inspiração, assuma-se, acusou o debate de “lembrar Polyana”, a eterna luta entre “o bem e o mal”. “Isso não quer dizer nada”, garantiu. Talvez não queira mesmo.


Por Ana Helena Tavares (*).

Para o "Traços de Estilo" e o "Quem tem medo do Lula?".


O locutor anuncia: “É um momento histórico”. Menos. Não chegou a tanto. Hoje, todos se lembram dos folclóricos debates de 89. Daqui a 20 anos, ninguém se lembrará do debate promovido ontem (05/08/2010) pela Band. Mas deixo aqui o meu registro.


Dentro de um regime democrático, a iniciativa de um debate com quatro candidatos é sempre louvável, diga-se, mas a democracia só seria plena se participassem todos. Este, do modo como foi, com as regras antiquadas de sempre, foi morno e sonolento. Cortês demais para ser real, faltou o Brizola e até o Enéias.


Plínio de Arruda Sampaio, militante político histórico, abusou do fato de ser renegado, mas conseguiu ser o Brizola da vez. Era o único com a alma presente ali. Serra nunca a teve; Marina a vendeu ao “ecocapital”; Dilma, nervosa, não conseguiu achá-la. Até os jornalistas a deixaram em casa. Confesso que dormi mais do que vi.


Mas vamos ao que ouvi que seja digno de nota.


Serra, dormindo no ponto da história, demonstrou desconhecer muitos programas do governo Lula. Indagado por Dilma sobre o “Luz para todos” (programa que leva eletricidade aos meios rurais), o tucano, do alto de seu muro, olhou para baixo, olhou para os lados, não encontrou nenhum assessor e deu branco: “Hã?”.


Dilma, robótica, falou no “Brasil Sorridente” (programa para levar tratamento dentário através do SUS), mas podia ter sorrido mais – tem motivos para isso..


Serra, que não os tem, acha que falar de saúde vai salvar sua vida. “Logo se vê porque o chamam de hipocondríaco”, atirou Plínio, em momento Enéas. O candidato tucano até tentou falar de outras coisas, educação, por exemplo. Mas só conseguiu me arrancar uma risada (preguiçosa, porque há piadas melhores) quando disse que criará “o ProTec – o ProUni do ensino técnico”. Suponho que vá usar como padrão os excelentes programas sociais aplicados em São Paulo, como o “ProPorrete”. Acusou o governo Lula de estar “perseguindo as APAES”, no que foi bem desmentido por Dilma.


Marina, morena, mas sem rima nem sal, insiste que sua candidatura representa a proposta de um “realinhamento histórico”. Quer “governar com os melhores quadros do PT e do PSDB”, como disse em outra ocasião. Chamada por Plínio de “ecocapitalista”, a nobre candidata só fala em “conciliação”: é do desenvolvimento com o meio ambiente; é dos políticos em irmandade. Utopia pouca é bobagem.


Utopia por utopia, Plínio e sua “distribuição drástica de renda” também não fica atrás. Eu também queria.


O que Serra não quer é “fazer campanha com os olhos no retrovisor”. É incrível como se entrega. Por que Dilma pode se orgulhar de ter coordenado a equipe de ministros de Lula (“uma oportunidade vigorosa”, como ela definiu), enquanto Serra foge de seu “retrovisor”? Deve ser mesmo horrorizante olhar para trás e ver FHC.


Mas horrorizada mesmo eu fiquei ao constatar que, enquanto Serra o renega, Marina simpatiza com o “príncipe da Sourbonne”. “O Brasil elegeu um sociólogo que fez importantes transformações econômicas”, disse ela, quando quase desliguei a TV.


Com muita persistência, consegui ouvir as considerações finais.


Serra só não chorou porque não tinha colírio por perto. Plínio, em dia de grande inspiração, assuma-se, acusou o debate de “lembrar Polyana” ou, em outras palavras, a eterna luta entre “o bem e o mal”. “Isso não quer dizer nada”, garantiu. Talvez não queira mesmo.


*Ana Helena Tavares, jornalista por paixão, escritora e poeta eternamente aprendiz. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?".

3 comentários:

Zeca disse...

Olha, achei o debate morno, difuso, com cada candidato lendo sua bula para o eleitor; chato mesmo. E achei a Dilma muito nervosa, errando concordâncias e consultando anotações em demasia.

A Dilma que conheço é aquela que acabou com o Agripino, falando com segurança e desenvoltura. Parece que amansaram a fera, descaracterizando-a, tirando-lhe aquela eloquência que deixou o Agripino com as fraldinhas sujas. E acho que ela realmente perdeu a grande chance de destruir com o Serra quando ele declarou ser partidário das estatizações, que era só o que nos faltava. Foi um gancho imperdível para falar da Vale do Rio Doce, de cuja venda Serra foi o grande entusiasta. Ela não pode deixar passar este tipo de coisa. Uma companhia que foi vendida por 2 ou 3 bilhões e hoje vale 163 bilhões. Acho que isto teria dado a verdadeira dimensão da privataria tucana. Não adianta lançar mão de um discurso muito geral, diluido. Tem que ser didático. Tem que dar um exemplo concreto e preciso e destruir todo o discurso do oponente.

Também acho que diante da dificuldade de responder questões de grande abrangência como as que costumam ocorrer nestes debates, a lógica que deve permear o discurso de Dilma, até para facilitar a coisa para ela é, pura e simplesmente, a comparação com São Paulo pois se Serra e o PSDB foram ineptos em São Paulo, como serão eficazes a nível nacional? Para destruir o discurso de Serra basta demonstrar o caos paulista em diversas áreas. Sempre que ele disser que vai fazer e acontecer tem que puxar um exemplo de São Paulo e mostrar que é só discurso vazio. Em diversas oportunidades ela poderia ter falado da negligência com as enchentes, com as obras públicas, com o transporte, com os professores, com a segurança… Pedágios então, sequer ouvi a palavra, pelo que me lembro. E sabemos que este tema é um dos calcanhares de Aquiles de Serra não pelos pedágios em sí, que para o eleitor desavisado pode soar apenas como um detalhe em meio a tantas políticas públicas, mas do significado que os pedágios tem no sentido de demonstrar as verdadeiras intenções e prioridades do PSDB.

E outra coisa que tem que ficar mais clara. O PSDB e Serra já foram governo pelo mesmo tempo que Lula foi. Porque não fizeram o que dizem que vão fazer?Por que os números comparativos entre os dois governos são tão discrepantes? Não dá para deixar o Serra dizer simplesmente, como o fez, que os contextos internacionais foram diferentes e ponto final. É desmerecer nosso maior trunfo por uma desculpa esfarrapada. Lula só se deu bem porque pegou um contexto internacional mais favorável? E a Grécia sr Serra, a Grécia também não foi favorecida por este mesmo contexto internacional favorável? Por que foi a bancarrota então? Daí para criticar os vilões dos anos FHC, o neoliberalismo, a política do Estado mínimo e das raposas cuidando do galinheiro econômico é moleza.

Mas quem tinha obrigação de ser “o cara” no debate era o Serra. Felizmente não foi.

Ev Xavs® disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ev Xavs® disse...

Será que houve debate? Esperava muito mais e fiquei muito decepcionado.
Está na hora de mudar o formato, as TVs tem medo de deixar os candidatos mais soltos. As regras do jogo eram ridículas, não havia tempo para a formulação das peguntas, muito menos respostas, réplicas e tréplicas, portanto, não poderia mesmo dar em boa coisa.
Quando o Serra chegou no estúdio pálido, cheio de medo, pensei: tá liquidado! Logico, sorri ironicamente, nocaute na 1ª luta era tudo o que eu queria, porém não foi bem assim.
Debates semelhantes deveriam acontecer pelo menos 3 vezes por semana, os insones economizariam dinheiro gasto com tranquilizantes, nada melhor para uma bela noite de sono.
Quando o Serra chegou no estúdio pálido, cheio de medo, pensei: tá liquidado! Logico, sorri ironicamente, nocaute na 1ª luta era tudo o que eu queria...
Não esperava uma Dilma tão nervosa, tropeçando em números, justamente ela que tinha a faca e o queijo na mão, por ser do governo Lula e ser a principal articuladora de todos os projetos do governo, era para ser bem incisiva, fazer a comparação entre o governo Lula e FHC com muita veemência, poderia ter abusado da ironia, quando questionado, Serra, que não pôde bater em Lula, afirmava que iria "aprofundar" os programas do atual governo, era só mostrar à plateia que o tucano era mais um eleitor da Dilma...
Plínio, sem compromisso mesmo com nada, foi para debochar e Marina, a neoliberal verdinha, falou muita bobagem, mas aquela fala mansa consegue enganar a segmentos da classe média, e deveria ter levado umas boas bordoadas, pois não passa de uma oportunista.

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