O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PT flagra em Perus distribuição de panfleto calunioso contra Dilma

Reproduzo e-mail que recebi do Diretório do PT-SP:

Presidência zonal do partido registra BO no 46º DP. Cinco prestam depoimento e 15 impressos foram apreendidos

Na tarde de hoje (25), o presidente do Diretório Zonal do PT de Perus, José Elimar de Carvalho (Pipoca), registrou Boletim de Ocorrência no 46º Distrito Policial contra um grupo que distribuía material irregular sobre a candidata à Presidência, Dilma Rousseff. Aproximadamente 30 indivíduos identificados com uniformes da “Turma do Bem” entregavam panfletos difamatórios, que associavam a candidata a práticas terroristas. Cinco foram pegos em flagrantes e cerca de 15 impressos foram apreendidos.

A ação ocorreu por volta das 12h na Praça Luis Neri, no centro de Perus. Segundo Pipoca, o flagrante foi dado pelo tesoureiro zonal do PT, Ailton da Silva Batista, que recebeu um dos panfletos. Além do uniforme, os indivíduos portavam bandeiras e adesivos da campanha do candidato José Serra (PSDB).

Ao serem flagrados pelos policiais, os integrantes da “Turma do Bem” chegaram a ameaçar de violência física os dirigentes do PT que acompanhavam a viatura.

Até o fechamento desta nota (18h), os envolvidos ainda se encontravam da 46º DP para prestar depoimento.

Para mais informações:
José Edimar de Carvalho (Pipoca): (11) 6499-5667 | 9634-8864
46º DP - Perus: (11) 3917-0727
Secretaria de Comunicação PT-SP: (11) 2103-1351 | 2103-1354

domingo, 29 de agosto de 2010

Dos emigrantes para a presidenta


 Dos emigrantes para a presidenta

Com base nas pesquisas divulgadas, articulista se antecipa e fala à futura presidenta sobre a necessidade de uma verdadeira política de emigração, sem a tutela do governo.


Por Rui Martins (*)


sábado, 14 de agosto de 2010

"The Economist" - "Glória refletida: a musa do Lula (Lula's Lady) está na reta para herdar sua presidência" - Tradução exclusiva.

Ofereço aos leitores do blog tradução na íntegra, feita em exclusivo para o "Quem tem medo do Lula?" por minha mãe, Maria do Céu Ribeiro, professora de inglês há 35 anos, de uma matéria veiculada na edição desta semana da revista britânica "The Economist". Conhecida pela defesa de idéias neoliberais, a revista já enxerga o inegável: o Brasil está prestes a ver uma mulher, ex-guerrilheira, subir a rampa do Planalto e receber a faixa presidencial de um ex-metalúrgico. Enquanto isso, a revista assume também (e, para mim, esta é a melhor parte da matéria): "O problema não é a apresentação, embora o Sr. Serra pareça esquisito, a não ser quando sorri, pois aí parece assustador." Segue o texto completo.

Ana Helena Ribeiro Tavares

Glória refletida: a musa do Lula está na reta para herdar sua presidência

Traduzido diretamente da revista "The Economist"

No papel, José Serra, do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB), o maior partido de oposição no Brasil, deveria ser capaz de ganhar a eleição presidencial marcada para 3 de Outubro, sem ter que suar. Ele ocupou muitas importantes posições políticas, numa longa e bem sucedida carreira: deputado, senador, ministro do planejamento e depois da saúde, prefeito e governador de São Paulo, a maior cidade brasileira e o estado mais poderoso. Ele é o oposto da novata: uma conselheira e burocrata, que era quase desconhecida alguns anos atrás, e que nunca precisou lutar sozinha por uma eleição, pela certeza de que ganharia.

Ao contrário, o Sr. Serra está lutando para permanecer na corrida. As pesquisas o apontam entre 5 a 10 pontos atrás de Dilma Rousseff, a candidata do governo federal e do Partido dos Trabalhadores (PT). O problema não é a apresentação, embora o Sr. Serra pareça esquisito, a não ser quando sorri, pois aí parece assustador. A Sra. Rousseff é pouco carismática e tem uma tendência a dar respostas de uma hora para perguntas de uma linha.

O problema do Sr. Serra é que a Sra. Rousseff é a consagrada sucessora de Luís Inácio Lula da Silva, o atual presidente. Quatro quintos dos brasileiros aprovam Lula, e quase metade dizem que, numa eleição presidencial, votariam ou nele (se a Constituição não o impedisse de concorrer a um terceiro mandato) ou no seu candidato. Desde que escolheu seu sucessor, Lula tem colocado Dilma Rousseff nas alturas (ela é “como Nelson Mandela”, chegou a dizer) e atravessou o país com ela a tiracolo. Agora a maioria dos brasileiros sabe quem é a candidata de Lula – e, crescentemente, eles pretendem votar nela.

No dia 05 de Agosto, o dia do primeiro debate pela televisão entre os candidatos, um instituto de pesquisa (Sensus) colocou a Sra. Rousseff com 41,6%, 10 pontos acima do Sr. Serra. Marina Silva, do Partido Verde, ficou num distante terceiro lugar, com 9%. Excluindo os votos inválidos, a Sra. Rousseff estaria perto de atingir a maioria necessária para evitar o 2º turno. Esta pesquisa pode ser pretensiosa, mas outros institutos também dão à Sra. Roussef uma posição crescente (ver gráfico).

A Sra. Rousseff parecia nervosa no debate, e lutou para dar suas respostas prontamente. O Sr. Serra se saiu melhor. Mas, uma vez que o debate foi marcado na mesma hora que uma importante partida de futebol, quase ninguém viu.

Mais preocupante para o Sr. Serra, o debate lhe mostrou as dificuldades que ele irá encarar para o resto da campanha. Provavelmente e acertadamente, o Sr. Serra percebeu que, atacando um presidente tão popular como Lula, não ganharia muitos votos. Ele discorda da Sra. Roussef em algumas coisas, tais como a política externa e o papel do estado na economia. Mas ele concorda com outras. Ele se sentiu obrigado a prometer que continuaria alguns dos programas de Lula, tais como o “Bolsa Família”, um privilégio para as famílias pobres. Enquanto isso, com a economia crescendo bastante, os brasileiros estão desfrutando da vida. “Sensação de bem-estar” entrou na língua portuguesa.

Mas, estável como está, serve melhor aos governistas do que a aventureiros. O slogan do Sr. Serra é “O Brasil pode mais” – exemplifica a dificuldade. Ele está lutando para tirar proveito de sua trajetória. Ele é melhor conhecido pelo seu papel nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, que, apesar de sólidas conquistas, são lembrados sem afeição pelos brasileiros.

“Para Dilma, é simples: persuadir as pessoas de que ela representa Lula”, diz Rubens Figueiredo, um consultor político de São Paulo. “Mas Serra tem que lembrar às pessoas de que Lula não é o candidato – e, de alguma forma, tem que fazer isso sem se opor, ou, preferencialmente, sem nem mesmo mencionar Lula”, completa.

A posição da Sra. Rousseff não está ainda inabalável. Se o Sr. Serra conseguir evitar a vitória dela no primeiro turno, pode ter chance no segundo.E, no Brasil, há sempre a possibilidade de um escândalo ou deslize.

Mas há ainda uns poucos votos a mais que a Sra. Roussef pode ganhar por ser a escolhida de Lula. Cerca de 8% dos eleitores ainda dizem aos pesquisadores que querem votar na candidata do presidente, mas não a mencionam pelo nome.

Ela, em breve, terá uma maior oportunidade de reforçar esta ligação. A partir de 17 de Agosto, a televisão brasileira e as estações de rádio terão de mostrar propaganda política gratuita, com mais tempo para os candidatos cujas alianças ocupam mais espaço no Congresso. Isso significa que a Sra. Rousseff terá mais de 10 minutos, três vezes na semana, enquanto o Sr. Serra terá que se virar com pouco mais de 7 minutos. Esta vantagem pode se tornar decisiva.


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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dilma, a "radical", estréia nos jornalões

Reproduzo artigo de Luiz Carlos Azenha, publicado no blog Viomundo:

Dilma, a “radical”, acaba de estrear nas páginas dos jornalões, por conta do programa de governo apresentado pela candidatura da ex-ministra ao TSE, posteriormente substituído.

Erro ou não, o fato é que sabemos que o “Dilma terrorista” vai emergir na campanha, mais cedo ou mais tarde, depois da estreia espetacular que fez na capa da Folha de S. Paulo, na forma de uma ficha falsa que chegou ao jornal por e-mail. Ou seja, como bem lembrou um internauta, a Folha publicou spam na primeira página.

Soube de um amigo bem informado que repórteres da Veja e da Época estão buscando contatos na antiga comunidade de informações do período do regime militar atrás de informações supostamente comprometedoras sobre a militância de Dilma. Também estão conversando com antigos militantes de esquerda.

Isso me lembra exatamente o que vi como repórter da TV Globo em 2005/2006: os melhores quadros da emissora dirigidos para apurar informações contra o governo federal, no período que precedia a campanha de reeleição de Lula. Os governos do PSDB eram, então, poupados.

O padrão, agora, se repete. Não me dei conta, ainda, da divisão de tarefas, mas tudo indica que reprisará o que já vi antes: capas de revistas semanais, repercutidas no Jornal Nacional de sábado, que ganharão perna através da repercussão nos jornais de domingo, arrastando consigo a cobertura de portais, das emissoras de rádio e TV, dos jornais regionais e locais.

É o famoso controle sobre a matriz das notícias, que está nas mãos da campanha de José Serra.

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/2010/07/dilma-radical-estreia-nos-jornaloes.html

sábado, 5 de junho de 2010

Ficha limpa e eleições: o cheiro do golpe

O projeto de Lei denominado Ficha Limpa foi aprovado nesta última sexta-feira, dia 4 de junho de 2010, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Com esse projeto, os candidatos condenados pela Justiça não poderão candidatarem-se, elegerem-se e até mesmo perderão o cargo, caso eleitos.


A Justiça Eleitoral ainda não decidiu se manterá a aplicabilidade da Lei para esse ou no próximo ano.


Mesmo assim, o que não pode passar despercebido é o fato da Justiça multar várias  vezes o presidente Lula e sua  candidata, Dilma Rousseff. Somam-se cinco multas e os processos ainda continuam em trâmite.


Por essa razão, este humilde blogueiro afirma, com preocupação, que estamos diante de um projeto de golpe. No caso de Dilma sair vitoriosa - e ela tem muitas chances de conseguir isso - a mídia e os partidos de oposição só terão o trabalho de acionar "o gatilho".


Esperemos para ver se isso ocorrerá após as eleições, em outubro.


Um abraço!


Roder

sábado, 13 de março de 2010

Política se faz com diálogo



Política se faz com diálogo


Quando um jornal de Israel vem a público para dizer que o presidente do Brasil é um “profeta do diálogo”, isso não só arde os olhos dos viúvos do AI-5 como deve apontar que vivemos um processo que não merece ser calado.


Por Ana Helena Tavares

“Política não se faz com o fígado, conservando o rancor e ressentimentos na geladeira”. Começar um texto citando Ulysses Guimarães, confesso, é receita covarde. Fazia política como quem não precisa de receitas. Respirava o que sentia. E sentiu o Brasil. Um homem de diálogo que só teve sua voz calada pelo mar.


Mas não é do velho timoneiro que quero falar aqui. É do ano em que o mundo respirou política. Tantos sonhos sentidos, tantos sonhos calados.


1968 - um ano que, como poucos, soube dialogar com a história e, até hoje, parece conversar com aqueles que têm alma transformadora.


Transformação dentro das universidades; uma luta pela quebra do distanciamento aluno-professor. Transformação de todo o sistema educacional; uma luta contra o ensino pago. Transformação da vida; uma luta por mudá-la, não por tomar o poder.


Dentro de uma ditadura militar que estava no auge, o movimento estudantil fervilhava. A cavalaria militar na rua era alvejada por centenas de bolas de gude. Cada um lutava com as armas que tinha e, mesmo quem não as tinha, “fazia a hora, não esperava acontecer”. Foi com esse espírito que estudantes reuniram-se clandestinamente naquele que ficou conhecido como o “Congresso de Ibiúna”, no qual todas as lideranças estudantis presentes foram presas.


A realidade do Brasil de 1968 era um sistema bipartidário: o MDB, do Dr. Ulysses, conhecido como o “partido do sim”; e a Arena, o “partido do sim-senhor”. A censura do AI-5 calou vozes, cerrou cortinas de teatro, escureceu telas e escolheu as letras a serem ditas e impressas. Mas, muitas vezes, a proibição aguça a criação, e não se conseguia proibir tudo.


E nesse ano, tão marcado pelo paradoxo, é interessante observar que nunca houve no Brasil uma efervescência tão grande no mundo das artes. Havia um sentimento cultural no ar. Um vigor artístico sem precedentes.


As celebridades naquele momento eram os expoentes da cultura. Se muitos dizem que “hoje somos apenas ‘caras’”, naquela época as celebridades de fato tinham algo a dizer – não eram vazias. Tinham conteúdo e consistência.


Foi um tempo, enfim, de humanismo. O movimento feminista (inserção da mulher no mercado de trabalho), os direitos dos homossexuais, a militância pelo meio-ambiente, a luta pelos direitos civis e as muitas lutas de esquerda foram algumas das causas que ganharam força em 1968.


Um ano em que se fazia a hora sabendo-se o alto preço que isso poderia custar – a liberdade e talvez a vida. Em meio a um descontentamento geral com o mundo – e mesmo sem saber qual pôr no lugar – “comprava-se” esse preço.


O que importava era a utopia. Sonhava-se em chegar a “lugar nenhum” para a partir daí ser criada uma nova realidade.


Quarenta e dois anos depois, muito solicitado por um mundo que ainda clama pelo realismo dos que exigem – e concretizam – o impossível, recentemente, Lula foi parar aos cuidados de seu médico e ouviu Dilma, gaiatamente, lembrar Ulyssses: “Política não se faz com o fígado…”


Quando um jornal de Israel vem a público para dizer que o presidente do Brasil é um “profeta do diálogo”, isso não só arde os olhos dos viúvos do AI-5 como deve apontar que vivemos um processo que não merece ser calado.


13 de março de 2010,
Ana Helena Tavares, jornalista por paixão, escritora e poeta eternamente aprendiz.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Petrobras versus Dilma


A Petrobras versus Dilma


Por Laerte BragaO jornal THE GLOBE, um dos departamentos de uma agência de comunicação norte-americana voltada para a América Latina e, neste momento, porta-voz da candidatura José Collor Arruda Serra, editado no Brasil sob o título O GLOBO, estampou em sua primeira página da edição de hoje, 10 de março, que a ministra chefe do Gabinete Civil inflou os números dos investimentos da PETROBRAS neste ano. Dilma falou em 85 bilhões e a empresa, em nota oficial posterior, “corrigiu” para baixo, 79 bilhões de reais.


Pedro Bial, apresentador do BBB, capa da revista ROLING STONE do mês de março, disse em entrevista àquela publicação que


“Esse papo de credibilidade...quem quer isso é pastor, padre. Não vou fundar igreja, não quero que acreditem em mim. Os jornalistas em geral se levam muito a sério”.



É um dos golden boys da organização norte-americana. Ao fazer uma declaração desse jaez assume publicamente que pouco importa a veracidade do que diz, ou deixa de dizer (isso é muito importante) a agência para a qual trabalha ou os próprios jornalistas desse enclave estrangeiro na comunicação no Brasil.


Empresas públicas, estatais (de economia mista, como a PETROBRAS) são empresas construídas a partir dos contribuintes brasileiros, tomando por contribuinte todos os cidadãos deste País. Têm deveres o obrigações com o Brasil e os brasileiros. Não são feudos de grupos corporativos, montados em privilégios que não se justificam e nem têm nada a ver com a luta popular, no caso específico, a luta pela volta do monopólio estatal do petróleo.


Muito menos a PETROBRAS, resultado de uma história de lutas que deixou sangue escorrendo nas páginas de nossa História e abrigou figuras do porte de Monteiro Lobato, a campanha do PETRÓLEO É NOSSO…


Uma das dificuldades do presidente da Venezuela foi a de obter de um sindicalismo comprometido com as elites, compromissos com políticas públicas da PDEVESA. No documentário “A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA” o principal desses líderes aparece ao lado dos golpistas.


Setores estratégicos da economia de um País como o Brasil devem ser dos brasileiros, logo, estatizados. O governo FHC levou a cabo um processo de privatizações que, ao largo da corrupção que o caracterizou, entregou vários desses setores a grupos estrangeiros, abrindo mão de parte da soberania nacional, do próprio território no caso da privatização da VALE e das perspectivas de avanços tecnológicos já visíveis à época, para além desse conjunto de empresas, na EMBRAER por exemplo.


Da mesma forma que o sucateamento da IMBEL e da ENGESA é um crime de lesa pátria.


Empresas estatais qualquer que seja a sua natureza diferem de empresas privadas exatamente por aí.


Se o monopólio do petróleo é fundamental, de ponta a ponta, como no decreto assinado por João Goulart pouco antes do golpe e uma das razões do golpe desfechado pelos EUA contra àquele governo (comandando e através da maioria das forças armadas brasileiras), é exigência mínima que esse monopólio sirva aos interesses nacionais e não a corporações de funcionários, sindicatos, ou conjunto de forças aos quais se agrega parte das elites políticas e econômicas.


O presidente Lula ou chama o diretor, ou responsável pela “correção” e determina que a verdade seja dita, ou manda de vez, que esse cidadãos, ou esses se for o caso, peçam o boné e instalem-se de vez onde deveriam estar. No esquema FIESP/DASLU, enclave territorial estrangeiro em nosso País, uma espécie de Mônaco dentro do Brasil, levando-se em conta que o principado europeu é o paraíso de sonegadores, mafiosos, o de sempre.


É claro que nem todos os setores sindicais da PETROBRAS (está citada aqui por conta do fato, a discrepância entre o que foi dito pela ministra e o que foi dito pela empresa, subordinada ao presidente da República, à própria ministra) têm esse compromisso pelego e anti-nacional, corporativo. Mas é evidente que muitos deles têm a estatal como propriedade privada e geradora de privilégios que nada têm a ver com o povo brasileiro.


Dessa deformação surgiram argumentos capazes de iludir os brasileiros à época de FHC, que privatizando estaríamos tomando o caminho do futuro. Nos afundamos na irresponsabilidade criminosa do ex-presidente que, pelo visto, mantém bastiões dentro da empresa.


Empresa privada em setores estratégicos da economia, capazes de gerar tecnologias de ponta e manter preservadas e intactas a soberania nacional e a integridade de nosso território são uma aberração. Uma contradição, não existe isso.


É o caso da VALE, da EMBRAER, dos setores de mineração, da produção e distribuição de energia elétrica e telecomunicações. Do setor bancário.


Ficamos com as privatizações como que uma nação torta, senhora de parte do seu destino e governada de fora para dentro de outra parte. Há pouco mais de três anos o governo venezuelano desejava comprar aviões da EMBRAER e o governo dos EUA que têm participação na empresa vetou a operação.


Há bem mais que recuperar o monopólio estatal do petróleo. É fundamental reestatizar esses setores básicos da economia. E dar-lhes transparência e caráter popular, do contrário acabam apoiando golpes, ou trazendo a público declarações como a contida na nota oficial que “desmente” a ministra, com claros e notórios interesses políticos de corporações pelegas que se alojam nas estatais, escondidos na bandeira do Brasil brasileiro, mas com a roupa de baixo pronta para ser mostrada ao BRAZIL dos EUA.


O que foi construído por FHC e que agora espera que José Collor Arruda Serra conclua a “obra”.


O sindicalismo brasileiro, em boa parte, perdeu suas características de instrumento de luta da classe trabalhadora, para transformar-se parceiro das elites políticas e econômicas, mesmo quando empunha bandeiras públicas de defesa do interesse nacional.


O episódio envolvendo a PETROBRAS e a ministra Dilma Roussef mostra que ou o governo age como Chávez agiu na Venezuela, dá transparência a estatal de petróleo, compromete-a com políticas populares (há setores do sindicalismo na empresa que têm essa visão, não mergulharam no corporativismo pelego e nem na visão estritamente técnica/cega), ou vai ser tragado pelo peleguismo, pelo tecnicismo dos que entendem que ser popular é só aparecer na camisa do Flamengo.


E outra vez o discurso privatizante que tanto prejuízo causou e causa ao Brasil e brasileiros vai ganhar força.


THE GLOBE e todo o conjunto chamado grande mídia está aí cheio de gente como Pedro Bial, para os quais credibilidade é irrelevante. Bial só tornou mais clara a declaração de William Bonner que o telespectador do JORNAL NACIONAL é “Homer Simpson”, um nível abaixo do leitor contumaz de VEJA, a tal classe média.


O episódio é em si, por si, ilustrativo dessa situação. Defensores da privatização, tucanos/DEM e pelegos sindicais precisa ser afastados e enquadrados.


Do contrário a PETROBRAS não é do Brasil e nem dos brasileiros, mas de uma pequena corporação de privilegiados.


A ministra não mentiu, quem agiu de maneira solerte e deliberada foram setores da empresa comprometidos com o que quer que seja, mas certamente não o são nem com o Brasil e nem com a PETROBRAS como empresa estatal.


A grande frustração do esquema FIESP/DASLU, é que a princesa de Mônaco era Grace Kelly, agora Caroline, enquanto a de cá ou é Miriam Leitão, ou Lúcia Hipólito ou o terror da Amazônia, miss desmatamento, a senadora corrupta do DEM que atende pela alcunha de Kátia Abreu.


Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no "Estado de Minas" e no "Diário Mercantil". É colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

sábado, 6 de março de 2010

O perigo das palavras ambíguas


O perigo das palavras ambíguas


A radicalização da política proposta pelo presidente do Banco Central pode ser vista como solução ideal? Em se tratando de projeções econômicas, certas recorrências devem ser evitadas. Ainda mais quando guardam similitudes com o ideário derrotado nas urnas em 2002.

Por Gilson Caroni Filho (*)

No momento em que a direita brasileira, sem projetos, se socorre de factóides de uma imprensa partidarizada, com clara vocação golpista e nenhuma credibilidade, o campo progressista deve se debruçar sobre algumas ambiguidades que, não sendo devidamente explicitadas, podem suscitar interpretações contraditórias. Tendo claro que o destino de um povo é forjado na ação de muitas gerações e no descortino de algumas decisões fundamentais, a estratégia de política econômica não pode deixar dúvidas quanto à consistência de sua implementação.

É preocupante, por exemplo, quando o Ministro da Fazenda, Guido Mantega diz que não há problema no déficit em conta-corrente (déficit nas transações correntes) porque ele será coberto pela entrada de capital externo, pois foi exatamente isso o que disse o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, durante quatro anos - até que, depois de toneladas de sofrimento inútil, a economia estourou em 1999. Em se tratando de projeções econômicas, certas recorrências devem ser evitadas. Ainda mais quando guardam similitudes com o ideário neoliberal derrotado nas urnas em 2002.

É o caso de se perguntar a quem beneficia a hipervalorização do real? A resposta é quase prosaica. Às grandes corporações transnacionais que desejam importar os insumos que suas matrizes produzem. Qualquer política que proponha substituir as importações pela produção interna das filiais dos conglomerados está, na verdade, pregando a desnacionalização da economia brasileira em nome da entrada em massa, sem controle e sem regulação, de "investimentos diretos estrangeiros". O sacrifício de financiamentos para empresas nacionais, voltadas à produção para o mercado interno, pode aparecer em médio prazo, e cabe à esquerda estabelecer a agenda que reverta o que se afigura como possibilidade tendencial.

Certamente não é um problema que vá estourar nos próximos meses. Mas, no caso da provável vitória de Dilma Rousseff, como situaremos nosso discurso se ganharmos as eleições sem falar nada sobre isso, quando essas dificuldades se tornarem mais evidentes? A radicalização da política proposta pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pode ser vista como solução ideal?

O norte desse texto é definir uma vertente alternativa agora, para que tenhamos força suficiente no ano que vem. Fazer exercícios projetivos nada custa. E, de qualquer forma, não nos parece politicamente plausível ganhar as eleições sem localizar as dificuldades a enfrentá-las, dizendo que o quadro é róseo, quando não é. Não deve se furtar ao debate quem lutou tanto, em condições tão adversas, debaixo da ditadura, e depois, durante os mandatos de Collor e de FHC. Há tempos que precisam ser superados, jamais esquecidos.

Aliás, no mais elementar exercício de realismo político, o que se chama de programa de um governante, desde a inflexão do governo Lula, deixou de ser apenas uma série de propostas para enfrentar as dificuldades, em que o principal cacife era o de continuar o governo anterior, como bem sabiam aquelas raposas da República Velha, sempre "salvando a lavoura", apesar de serem apoiadas pela raposa anterior, que aumentava as pragas do campo cultivado enquanto ocupava o cargo de presidente.

Esse roteiro, repaginado pelo tucanato e seus sócios oligárquicos, se esgotou com o modelo econômico neoliberal que mandou o país à lona durante oito anos. Desde 2003, cabe ao governo a tarefa de reconstruir a nação em bases sólidas.

Bem entendido, não estamos fazendo qualquer referência ao programa da candidata, que em geral tem de ser algo genérico, mas àquelas medidas práticas que a nova presidente pode ou não implementar depois de eleita, e sob a forma que for possível, pois isto não se pode prever. Para isso, é fundamental que haja massa crítica acumulada em debates sem qualquer tipo de interdição.

A título de exemplo, convém lembrar que Getúlio Vargas não colocou o cancelamento da dívida com os bancos ingleses no seu programa de candidato, em 1930, e nem essa medida cabia ali. Mas foi exatamente o que fez com a decretação de moratórias (1931 e 1937) e a recompra dos títulos da dívida por uns 2% do valor de face.

Só Luís Carlos Prestes, com uma considerável dose de ingenuidade, condicionou o apoio à candidatura de Vargas a que o cancelamento fosse o primeiro ponto do programa - e o segundo fosse a expropriação dos latifundiários (numa chapa em que o vice-presidente era João Pessoa e o principal apoio vinha dos latifundiários mineiros, para não falar de Borges de Medeiros e demais gaúchos). Assim, jogou pela janela a chance de ser o comandante militar da Revolução de 30, ampliando o leque de alternativas políticas do movimento.

Evidentemente, ficar exigindo que o programa da ministra Dilma seja explícito sobre as dificuldades a enfrentar, e sobre as medidas a tomar, é coisa de pessoas dotadas de alto grau de indubitável má-fé. Mas, se pudermos acumular reflexão crítica que mais favoreça o país, e sua grande massa recém-incluída, tanto melhor. Para isso, a ambigüidade, como figura de construção discursiva, deve ser evitada quando estão em jogo os rumos concretos da política macroeconômica.

Gilson Caroni Filho é sociólogo e mestre em ciências políticas. Nascido e residente no Rio de Janeiro, onde é professor titular de sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). É colunista da Carta Maior, colaborador do Jornal do Brasil e do blog "Quem tem medo do Lula?".

A liberação do uso da charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Folha continua forjando trunfos propagandísticos contra Dilma

Folha: Não dá pra não vomitar

Por Celso Lungaretti*

Durante as trevas ditatoriais no Brasil, um oficial de alto escalão certa vez se queixou de que um jornal carioca estaria movendo guerra psicológica adversa contra o regime.

Motivo? É que o matutino montara uma página só com tragédias e catástrofes ocorridas no mundo inteiro, tendo no centro a notícia e foto de uma entrega de espadins aos calouros de uma academia militar.

O gorila avaliou que a imagem de fardados sorridentes, cercada de sofrimento por todos os lados, seria uma maneira subliminar de colocar os leitores contra os milicos, burlando a censura.

Nas minhas (posteriores) décadas de atuação jornalística, perceberia que, si non è vero, è bene trovato: o mero maquiavelismo é muito mais frequente na imprensa do que a mera coincidência.

Um exemplo conspícuo é a capa da Folha de S. Paulo deste domingo (21), tendo como manchete "Dilma faz defesa do estado forte e prega estabilidade" e destacando, na chamada de uma retranca secundária, que "Ministra diz ter feito no exterior treinos militares".

Gato escaldado, o jornal evita sugerir outra vez que um eventual governo de Dilma Rousseff criaria uma infinidade de novas estatais. Sua credibilidade cairá ainda mais se continuar recebendo cala-bocas irrefutáveis.

Mas, não desistiu de insinuar que Dilma é uma estatizante compulsiva, ao colocar em primeiríssimo lugar um tema que, na própria notícia a que a manchete remete, só aparece na metade final:


"Dilma, porém, reafirmou a proposta de fortalecimento do Estado, citada por Lula em sua fala, quando disse à ministra: 'Isso é bom Dilma, não é ruim', ao lembrar que a oposição a acusa de ser estatizante. 'Continuaremos a valorizar o servidor e o serviço público, reconstituindo o Estado, recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país', afirmou ela.

"Ao defender o Estado, Dilma disse que o desastre da crise econômica mundial não foi maior no Brasil porque os 'brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de Furnas', momento em que foi aplaudida".


Percebe-se, claro, que Dilma escolhe cuidadosamente as palavras, para não indispor-se nem com os estatizantes encontrados em suas fileiras, nem com os devotos do deus-mercado existentes fora delas. Políticos são assim mesmo, navegam nas águas da ambiguidade.

Mas, a insistência da Folha em afixar-lhe tal etiqueta já beira o ridículo. Onde cabem pelo menos duas interpretações, trombeteia sempre aquela que maior prejuízo causará à campanha presidencial de Dilma.

Idem, a obsessão em apresentá-la como uma sanguinária ex-guerrilheira, o que verdadeiramente não foi.

Militou na resistência à ditadura de 1964/85, mas como organizadora e dirigente, não como integrante das unidades de ação armada. Por mais que tente, a direita ainda não conseguiu prova nenhuma de que Dilma haja participado pessoalmente de sequestros, expropriações, etc.

Ademais, em nações submetidas a governos despóticos, todo cidadão tem o direito de resistir à tirania, pelos meios possíveis. A partir do AI-5, o único meio possível no Brasil ficou sendo a luta armada.

Assim como nos países europeus submetidos ao jugo nazista. O que poderia fazer a Resistência Francesa, além do que fez? Entregar flores aos carrascos de Hitler?

Canso de afirmar que a ninguém ocorre, na França, apresentar os heróis e mártires da Resistência como autores de crimes comuns, embora suas ações tenham sido indiscutivelmente mais violentas do que as praticadas pelo Colina, VPR e VAR-Palmares (as organizações nas quais Dilma militou).

O jornal, entretanto, faz questão de sintonizar-se com a pregação totalitária das viúvas da ditadura.

Como se fosse um Ternuma qualquer, falseia a História para, panfletariamente, associar a Dilma uma imagem de violência. Chegou ao cúmulo de tentar envolvê-la, forçando a barra ao extremo, com um plano de sequestro que nunca saiu do papel nem era atribuição dela.

E, da mesma forma que os sites fascistas, a Folha apresenta esses episódios sem contextualização. P. ex., para quem conhece o festival de horrores desencadeado pela assinatura do AI-5, que deu sinal verde para a repressão política barbarizar e assassinar à vontade, não causa surpresa nenhuma que os movimentos de resistência pretendessem sequestrar o ministro Delfim Netto.

Como signatário do nefando ato, Delfim escolheu ser alvo das ações dos resistentes. Que, no caso, estavam longe de ser drásticas. Pretendia-se apenas trocá-lo por presos políticos que sofriam torturas terríveis nos porões da ditadura, podendo ser executados a qualquer momento.

Dilma, dignamente, jamais negou sua responsabilidade política pelo que fizeram ou planejaram as organizações em que militava.

Mas, isto é pouco para a propaganda enganosa da extrema-direita. Esta quer porque quer plantar a imagem de que Dilma apertava gatilhos e acendia pavios. Daí inundar a internet com fichas policiais falsas, como a que a Folha entusiasticamente reproduziu, num dos maiores vexames jornalísticos de seus 89 anos de história.

Agora, do enorme perfil que o jornal apresenta de Dilma, repleto de trechos mais interessantes, o que destaca na primeira página é o fato de ela ter feito um treinamento militar básico no Uruguai.

Novamente, cabe a pergunta: o que deveríamos fazer, nós que enfrentávamos os efetivos altamente treinados da repressão política e seu poder de fogo infinitamente superior? Nem aprendermos a nos defender com um mínimo de competência nós podíamos? É como sacos de pancada que o Grupo Folha nos queria?

Na verdade, sim. Tanto que, no momento dos acontecimentos, disponibilizava veículos para o DOI-Codi, enquanto lhe dava sustentação política em seus jornais.


*Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. É paulistano, nascido e residente na capital paulista. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Folha de S. Paulo distorce tudo contra Dilma. De novo!




[caption id="attachment_4261" align="aligncenter" width="322" caption="O jornal já publicou até ficha policial falsa de Dilma Rousseff"]O jornal já publicou até ficha policial falsa de Dilma Rousseff[/caption]

Folha: Não dá pra não desconfiar



Em plena 3ª feira de carnaval, a manchete da Folha de S. Paulo foi "Para Dilma, Estado deve ser também 'empresário'", com direito ao subtítulo "Pré-candidata quer que União não só induza, mas toque obras" e a quatro parágrafos introduzindo o assunto.


Depois, no caderno Brasil, vem o restante, tendo como título "Dilma faz defesa de Estado presente e tocador de obras".

O texto da repórter Marta Salomon, da sucursal de Brasília, desde o início causa estranheza. Primeiramente, porque não se refere a uma entrevista concedida por Dilma Rousseff ao jornal, mas sim de uma que foi editada em livro, para lançamento durante o congresso do PT.

Depois, porque confunde grotescamente o Estado empresário, que faz brotarem empresas estatais como cogumelos, com o Estado que cumpre sua missão de disponibilizar serviços essenciais à população. Se não, vejamos:


"...a pré-candidata ao Planalto Dilma Rousseff defendeu a presença mais forte do Estado na economia, não só para induzir investimentos mas também para tocar obras. 'O Estado terá, inexoravelmente, de reforçar seu segmento executor', disse a ministra ao apresentar proposta que chamou de 'bem-estar social à moda brasileira'.

"A presença mais forte do Estado na economia será necessária, defende Dilma, para universalizar serviços de saneamento, melhorar a segurança pública, ampliar o número de unidades de atendimento na saúde e a oferta de habitação a partir de 2011. Mais de quarta parte da população (26,6%) ainda não dispõe de serviços de esgoto, de acordo com os dados oficiais mais recentes."


Nesta 6ª feira (19), a Folha de S. Paulo dá a mão à palmatória, admitindo implicitamente que sua principal matéria de três dias atrás estava bem no espírito do Carnaval: era um samba do crioulo doido, só que carente do talento e espirituosidade do imortal Sérgio Porto.


O jornal publica no Painel do Leitor a refutação de Oswaldo Buarim Jr., assessor especial da Casa Civil, sem nada contestar. Isto, em jornalismo, significa que a réplica é inquestionável e não deixou espaço para tréplica. A Folha de S. Paulo não encontrou uma única palavra para dizer, que pudesse justificar a leviandade informativa por ela cometida.

Eis, portanto, o que evidenciou-se como a verdade cabal neste episódio:


"Na entrevista (...) não há uma só linha que ampare a manchete da Folha de 16/2... O título distorce o enunciado da reportagem interna, que, por sua vez, é uma distorção da entrevista.

"Para correta informação dos leitores, reproduzimos a declaração da ministra com seu sentido completo: 'O Estado terá, inexoravelmente, que reforçar seu segmento executor, para universalizar o saneamento. Melhorar a segurança pública, a habitação, as condições de vida da população etc. Teremos que adotar novos e modernos mecanismos de gestão interna, que instituam o monitoramento, a verificação, relatórios e mecanismos adequados de controle'.

"Nada a ver com 'presença mais forte do Estado na economia', como diz a reportagem. Tudo a ver com capacitação do Estado para atender as necessidades da população de maneira eficaz.

"Também foi distorcido o sentido de outra afirmação da min istra: 'Muitos diziam que só havia um jeito de as pessoas melhorarem sua situação: através do mercado. E que, se acreditássemos nisso, no final todos seríamos salvos'. Nesse ponto da entrevista, ela se refere a programas como o Minha Casa Minha Vida, conforme está claro na continuação do raciocínio, sonegada aos leitores do jornal: 'Era simplesmente impossível fazer política de habitação, porque não se podia subsidiar. Como construir casas para a população com renda de até três salários mínimos se o custo da casa não é compatível com a renda? A equação simplesmente não fecha. O mercado jamais resolveria esse problema'.

"Nada a ver com 'presença mais forte do Estado na economia'. Tudo a ver com política de subsídios para habitação popular."


O pior é que não se trata de um erro aleatório e inofensivo, mas sim de um que sugere ao leitor a criação de empresas que possam ser instrumentalizadas politicamente de diversas maneiras, inclusive como cabides de empregos.


Era a conclusão óbvia a que os perspicazes chegariam. E foi o que um leitor mineiro da Folha deduziu, em mensagem que o jornal alegremente publicou no dia seguinte:


"Se me faltassem motivos para não votar na candidata Dilma Rousseff, a manchete de ontem já teria sido suficiente: 'Para Dilma, Estado deve ser também "empresário'.

"Não consigo deixar de imaginar a fila de petistas e peemedebistas, de inquestionável integridade, em busca de vagas na diretoria das novas estatais, com o firme propósito de promover 'bem-estar social à moda brasileira'.

"O altruísmo desse pessoal eu conheço de outros carnavais."


Cabe à sucursal de Brasília informar os leitores da Folha sobre os acontecimentos políticos, não ela própria fazer política, fornecendo armas propagandísticas para os opositores de qualquer candidatura presidencial.


O jornal está devendo um pedido de desculpas a Dilma, sua vítima habitual, de quem publica até ficha policial falsa; e a seu público, por mais esta manipulação explícita e desmascarada.

Também de Celso Lungaretti leia:


Caso Battisti: Imprensa brasileira continua comendo na mão da italiana




Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. É paulistano, nascido e residente na capital paulista. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ciro Gomes solta o verbo: Serra é figura detestável. FHC tem inveja de Lula e não tem moral para falar mal de Dilma

Por Denise Madueño e Eugênia Lopes - O Estado de S.Paulo*

BRASÍLIA - O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) decidiu entrar no bate-boca entre o PT e o PSDB e acusou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ter "inveja" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de não ter "moral para falar mal" da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão de Lula. Ao se referir ao pré-candidato do PSDB à presidência da República, Ciro xingou José Serra de "figura detestável".


*Clique aqui para ler a matéria completa

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Vai em frente Dilma, Saravá!



Vai em frente Dilma, Saravá!


Por Rui Martins


Berna (Suiça) - Quando estávamos terminando o curso de Direito, no Largo de São Francisco, em 1963, criou-se, como de praxe, uma Comissão da Formatura. Naquela época, eu já não era um presbiteriano ativo e me debatia com as dúvidas que me levariam à descrença, principalmente depois da IPB ter tomado o partido dos militares.


Era um ano politicamente quente com os grandes debates das reformas de base, e a passagem pelas Arcadas de Leonel Brizola com seu verbo inflamado respondendo às acusações levantadas contra Jango pelo líder udenista Carlos Lacerda.


O mais importante era talvez a crença, entre os jovens, de que se podia mudar o mundo, por isso cada um de nós (não sei se mantenho esse comportamento do passado) estava sempre pronto a entrar numa trincheira, mesmo sem armas, para defender idéias de igualdade social, de combate à miséria com todo o ardor da juventude.


Ora, vez ou outra, nos intervalos das aulas (eu fazia o curso noturno), apareciam os membros da Comissão de Formatura para contar como iam organizar nossa festa, quanto poderia custar, onde ia ser o baile e como deveríamos pagar nossa parte. E numa dessas noites, fomos informados sobre a missa da formatura. Eu, pessoalmente, nunca imaginara que, numa Faculdade de Direito pública da USP, pudesse haver missa numa festa de formatura.


Pedi informações, e me foram dadas: era praxe (meus colegas advogados têm uma atração por palavras desse tipo e mantenho o original) os formandos pedirem a celebração de uma missa. O arcebispo já havia sido contatado e a missa seria na prestigiosa Catedral da Sé. « Mas vejam, respondi, nós estudamos numa faculdade pública e isso me parece um tanto estranho ».


- Mas é a tradição, me responderam. Ora, como nas Arcadas de São Francisco a tradição imperava, parecia muito normal mantê-la, mesmo se ao arrepio do princípio da separação da Igreja do Estado.


Como tenho um espírito de provocador (meus leitores já devem ter notado), perguntei como se faria com os protestantes (naquela época não se falava evangélicos), com os ortodoxos e com os judeus (não havia muçulmanos naquele grupo).


- Faremos como vem sendo feito (era de novo a tradição): os cultos não católicos terão o convite em separado e os formandos não católicos entregarão o convite da formatura com a separata aos seus convidados. No convite oficial só constará a Missa.


Como tenho o pavio curto, me levantei do lugar em que estava, no grande anfiteatro, e despejei tudo quanto pensava sobre esse desrespeito aos colegas de outros cultos e essa visão distorcida do direito de livre culto justamente por estudantes de Direito. Virou um enorme bate-boca com a intervenção de outros que passaram a me apoiar, no meio da reação de católicos que se consideravam insultados com a petulância de se querer quebrar uma velha tradição arcadiana.


O professor apareceu na porta, era hora de começar a aula, a discussão parou ali, mas de volta à minha República redigi um texto para abaixo-assinado e, já na manhã seguinte, fui ao curso diurno, expliquei aos colegas o incidente e pedi assinaturas. Em alguns dias, as assinaturas encheram duas ou três páginas, porque mesmo católicos, futuros advogados preferiam o respeito à laicidade que o privilégio de um culto sobre os outros.


Para evitar uma perda do abaixo-assinado, pedi a um colega fotografar com flash a entrega do documento ao presidente da Comissão. Para encurtar, o responsável pela Catedral da Sé informou que só haveria missa naquela igreja, se a cerimônia constasse no convite oficial e sem a presença de outros cultos religiosos. E, finalmente, todos os cultos de ação de graças inclusive a missa acabaram em convites em separado, como manda a laicidade.


Conto esse episódio para enfatizar, como não religioso, que todos os cultos e religiões devem ser livres em termos iguais. Hoje no Brasil, segundo denúncias feitas ao Comissariado de Direitos Humanos em Genebra, estão se registrando casos de ataques e violências contra umbandistas por evangélicos. Li, no caso do terremoto do Haiti, ter havido absurdas declarações de líderes evangélicos nos EUA e talvez no Brasil de ter sido um castigo de Deus ao paganismo haitiano.


É fato notório que nem todas as religiões são adeptas do ecumenismo e que chegam mesmo a insuflar o ódio e a guerra, como acontece hoje em alguns países e como aconteceu no passado com as Cruzadas e Isabel da Espanha, sem se esquecer a Inquisição. Por isso, o nosso moderno Estado de direito precisa estar atento a fim de evitar privilégios religiosos, perseguições ou desigualdades.


Os terreiros de umbanda são uma realidade no Brasil e devem gozar de todo direito das outras religiões. No Senado Federal, havia, não sei se foi aprovado, um projeto de lei restabelecendo o ensino religioso católico nas escolas em lugar de um ensino opcional das religiões em geral, como ocorre aqui na Europa, tais preferências e deslizes devem ser evitados.


Arthur Clarke, o autor do livro 2001, Odisséia no Espaço, levado ao cinema por Kubrick, previu um mundo futuro sem religião, mas enquanto não chegamos lá, é preciso se respeitar todos os cultos. Se Dilma acha que, por questão eleitoral, não deve reconhecer agora o direito dos terreiros de umbanda, não pode esquecer de fazê-lo nos seus primeiros meses de governo.


Nossas boas-vindas a Rui Martins, colunista do site Direto da Redação. Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. Vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, e, a partir de hoje, com o blog "Quem tem medo do Lula?"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Febeapá* vive: cartório autentica falsa certidão de casamento de Lula com Dilma


 ma igreja lotada e a versão instrumental do hino do PT recebem a noiva. Com o semblante “repaginado”, Dilma está linda. No caminho até o padre, vê Antônio Palocci, José Dirceu, Genoíno e outros tantos “companheiros”. Lado a lado, o governador Jaques Wagner e o ministro Geddel também estão entre os convidados. No altar, a sua espera,o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca na história desse país ele esteve tão elegante.Em clima de romance, os dois trocam alianças e assinam papéis no civil e no religioso. Na hora do beijo, dona Marisa chora.

Por Alexandre Lyrio, da redação do Correio da Bahia

A cena descrita acima não passa de ficção, mas pode-se dizer, está registrada em cartório. Para além de ser um devaneio tucano ou o relato do último sonho do presidente, o casamento do ano ocorreu na Bahia e é mais uma aberração produzida por uma unidade extrajudicial de Salvador. No caso, o 5º Tabelionato de Notas, localizado no Comércio, que autenticou no último dia 10 de novembro uma cópia da “certidão de casamento” de Dilma e Lula, falsificada de forma grotesca.



HÁ 15 ANOS
Um do funcionários da unidade - identificado como José Marcos Lopes Brito - assina o papel como se Luiz Inácio da Silva e Dilma Vana Rousseff tivessem se casado há 15 anos, no dia 9 de setembro de 1994.

Além de não atentar para os nomes do presidente da república e da ministra da Casa Civil, o servidor público sequer exigiu o documento original no momento da autenticação. A cópia falsa foi levada ao cartório por um usuário comum, com o objetivo de denunciar as falhas nos serviços prestados no 5º Ofício e mostrar a que ponto chegam os desatinos praticados pelos tabelionatos da capital baiana.

DILMA DA SILVA
Após pagar, segundo ele, R$8 de “comissão por fora” (700% a mais do que pagaria normalmente, já que o serviço custa de R$1 pela tabela cartorária), o homem, que prefere não se identificar, teve a certidão autenticada em poucos minutos.

“O departamento de arte da minha empresa adulterou uma certidão de casamento legítima. Chegando no cartório, só tinha essa xerox aqui na mão. Eles cobraram um valor maior para autenticar sem o original. Foi rápido e fácil”, relata. No documento, Dilma Vana Rousseff passa a se chamar Dilma Rousseff da Silva. Na filiação indicada no documento, o autor da denúncia teve o cuidado de colocar os nomes corretos dos pais de Dilma e Lula.

Motivos para tornar públicas as anomalias praticadas pelos cartórios o denunciante diz ter de sobra.

Em se tratando do Tabelionato do 5º Ofício, então, ele o considera um “balcão de negócios”. Ao mesmo tempo indignado e com medo de retaliações, ataca o cartórios sem dar detalhes sobre o que, segundo ele, sofre há mais de seis anos.“O que posso dizer é que pagaram para eles me prejudicarem. Naquele cartório, basta botar a grana na mesa que eles fazem de tudo”, disparou.

O homem diz que tem gastado dinheiro com advogados para ganhar uma causa que envolve o cartório. Por isso, resolveu forjar o casamento do presidente com a ministra.

“A certidão é só uma forma tragicômica que arrumei para mostrar o quanto o negócio é absurdo. Se pagar R$50, até morto fazumaprocuração ali. São pessoas perigosas. É uma máfia”.

As principais acusações do idealizador da certidão de casamento falsa são direcionadas ao tabelião titular do 5º ofício, Agélio José Dórea Vieira. Segundo o usuário, é ele quem acoberta as irregularidades na unidade.

DEFESA
Este, por sua vez, argumentou que sua unidade extrajudicial foi alvo de uma brincadeira de mau gosto. Disse acreditar que o funcionário realizou a autenticação sem exigiro documento original porque a cópia já trazia a marca [de xerox] de uma autenticação anterior.

“É brincadeira isso, é? Se é uma certidão antiga, escrita à mão, tem muitos anos. Se tem carimbo de outra autenticação, de outro cartório, ele autenticou a xerox da xerox. Se é uma xerox autenticada anteriormente é como se fosse original”, se defende o tabelião Dórea Vieira.

O funcionário que assina o documento, José Marcos Lopes Brito, não foi encontrado pela reportagem, até porque os servidores dos cartórios estão em greve desde o início da semana.

PERÍCIA
O CORREIO submeteu a certidão a um perito em documentoscopia. Ele atestou que a marca de carimbo na parte inferior do papel se trata realmente de uma autenticação e ela foi feita após as mudanças realizadas no documento. Resta saber, diz o especialista, se a assinatura da autenticação bate com a do funcionário. Enquanto isso, de mera ministra da Casa Civil e pré- candidata, Dilma passou a esposa, do presidente.

Tabelião foi punido por falsificação
Não é a primeira vez que o Tabelionato do 5º Ofício de Notas, onde foi atestado o casamento de Lula e Dilma, se envolve em problemas com documentos falsos.

O próprio titular da unidade, Agélio José Dórea Vieira, recebeu pena da Corregedoria do TJ por “inserir em documento público informação falsa com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”, conforme redigiu o juiz corregedor Maurício Lima de Oliveira.

Concluído em maio de 2006, o processo administrativo (PA) 35566/2005 lhe rendeu 60 dias de suspensão.

Para o juiz, Agélio “incorreu em falta disciplinar, pois deixou de cumprir a obrigação (...) a fim de atender a interesse particular, em detrimento do interesse público, o que também configura, em tese, crime de falsidade ideológica”. Agélio já respondeu a outros processos administrativos disciplinares, tendo recebido uma censura por escrito, segundo aponta o texto do PA 35566/2005.

Há ainda na 1ª Vara Crime um processo, de número 1199420-1/2006, onde o titular do tabelionato do 5º Ofício aparece como réu em uma ação por falsidade documental, segundo a página eletrônica de busca processual do Tribunal de Justiça.

A denúncia foi feita pelo Ministério Público Estadual, ainda em 2006. O CORREIO tentou buscar informações sobre o processo, mas a juíza responsável pela vara não estava no local. Uma funcionária disse que não estava autorizada a dar qualquer informação.

O advogado Fernando Santana, que representou Agélio neste caso, garantiu que o processo foi suspenso pela Justiça há dois anos. O titular do cartório confirmou.

“Você descobriu um caso de dois anos atrás. Foi uma outra coisa.Uma coisa não tem nada a ver com outra”, disse Agélio, por telefone, antes de sugerir que o advogado dele fosse procurado. O CORREIO ligou ao menos três vezes para o celular do advogado Fernando Santana, mas não conseguiu obter informações mais detalhadas pois a ligação caía. Ele não retornou as ligações.

*Febeapá - Festival de besteiras que assola o país - foi  uma das maiores criações do saudoso jornalista Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta.
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