
Ana Helena Ribeiro Tavares
Glória refletida: a musa do Lula está na reta para herdar sua presidência
Traduzido diretamente da revista "The Economist"
No papel, José Serra, do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB), o maior partido de oposição no Brasil, deveria ser capaz de ganhar a eleição presidencial marcada para 3 de Outubro, sem ter que suar. Ele ocupou muitas importantes posições políticas, numa longa e bem sucedida carreira: deputado, senador, ministro do planejamento e depois da saúde, prefeito e governador de São Paulo, a maior cidade brasileira e o estado mais poderoso. Ele é o oposto da novata: uma conselheira e burocrata, que era quase desconhecida alguns anos atrás, e que nunca precisou lutar sozinha por uma eleição, pela certeza de que ganharia.
Ao contrário, o Sr. Serra está lutando para permanecer na corrida. As pesquisas o apontam entre 5 a 10 pontos atrás de Dilma Rousseff, a candidata do governo federal e do Partido dos Trabalhadores (PT). O problema não é a apresentação, embora o Sr. Serra pareça esquisito, a não ser quando sorri, pois aí parece assustador. A Sra. Rousseff é pouco carismática e tem uma tendência a dar respostas de uma hora para perguntas de uma linha.
O problema do Sr. Serra é que a Sra. Rousseff é a consagrada sucessora de Luís Inácio Lula da Silva, o atual presidente. Quatro quintos dos brasileiros aprovam Lula, e quase metade dizem que, numa eleição presidencial, votariam ou nele (se a Constituição não o impedisse de concorrer a um terceiro mandato) ou no seu candidato. Desde que escolheu seu sucessor, Lula tem colocado Dilma Rousseff nas alturas (ela é “como Nelson Mandela”, chegou a dizer) e atravessou o país com ela a tiracolo. Agora a maioria dos brasileiros sabe quem é a candidata de Lula – e, crescentemente, eles pretendem votar nela.
No dia 05 de Agosto, o dia do primeiro debate pela televisão entre os candidatos, um instituto de pesquisa (Sensus) colocou a Sra. Rousseff com 41,6%, 10 pontos acima do Sr. Serra. Marina Silva, do Partido Verde, ficou num distante terceiro lugar, com 9%. Excluindo os votos inválidos, a Sra. Rousseff estaria perto de atingir a maioria necessária para evitar o 2º turno. Esta pesquisa pode ser pretensiosa, mas outros institutos também dão à Sra. Roussef uma posição crescente (ver gráfico).
A Sra. Rousseff parecia nervosa no debate, e lutou para dar suas respostas prontamente. O Sr. Serra se saiu melhor. Mas, uma vez que o debate foi marcado na mesma hora que uma importante partida de futebol, quase ninguém viu.
Mais preocupante para o Sr. Serra, o debate lhe mostrou as dificuldades que ele irá encarar para o resto da campanha. Provavelmente e acertadamente, o Sr. Serra percebeu que, atacando um presidente tão popular como Lula, não ganharia muitos votos. Ele discorda da Sra. Roussef em algumas coisas, tais como a política externa e o papel do estado na economia. Mas ele concorda com outras. Ele se sentiu obrigado a prometer que continuaria alguns dos programas de Lula, tais como o “Bolsa Família”, um privilégio para as famílias pobres. Enquanto isso, com a economia crescendo bastante, os brasileiros estão desfrutando da vida. “Sensação de bem-estar” entrou na língua portuguesa.
Mas, estável como está, serve melhor aos governistas do que a aventureiros. O slogan do Sr. Serra é “O Brasil pode mais” – exemplifica a dificuldade. Ele está lutando para tirar proveito de sua trajetória. Ele é melhor conhecido pelo seu papel nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, que, apesar de sólidas conquistas, são lembrados sem afeição pelos brasileiros.
“Para Dilma, é simples: persuadir as pessoas de que ela representa Lula”, diz Rubens Figueiredo, um consultor político de São Paulo. “Mas Serra tem que lembrar às pessoas de que Lula não é o candidato – e, de alguma forma, tem que fazer isso sem se opor, ou, preferencialmente, sem nem mesmo mencionar Lula”, completa.
A posição da Sra. Rousseff não está ainda inabalável. Se o Sr. Serra conseguir evitar a vitória dela no primeiro turno, pode ter chance no segundo.E, no Brasil, há sempre a possibilidade de um escândalo ou deslize.
Mas há ainda uns poucos votos a mais que a Sra. Roussef pode ganhar por ser a escolhida de Lula. Cerca de 8% dos eleitores ainda dizem aos pesquisadores que querem votar na candidata do presidente, mas não a mencionam pelo nome.
Ela, em breve, terá uma maior oportunidade de reforçar esta ligação. A partir de 17 de Agosto, a televisão brasileira e as estações de rádio terão de mostrar propaganda política gratuita, com mais tempo para os candidatos cujas alianças ocupam mais espaço no Congresso. Isso significa que a Sra. Rousseff terá mais de 10 minutos, três vezes na semana, enquanto o Sr. Serra terá que se virar com pouco mais de 7 minutos. Esta vantagem pode se tornar decisiva.
Ao contrário, o Sr. Serra está lutando para permanecer na corrida. As pesquisas o apontam entre 5 a 10 pontos atrás de Dilma Rousseff, a candidata do governo federal e do Partido dos Trabalhadores (PT). O problema não é a apresentação, embora o Sr. Serra pareça esquisito, a não ser quando sorri, pois aí parece assustador. A Sra. Rousseff é pouco carismática e tem uma tendência a dar respostas de uma hora para perguntas de uma linha.
O problema do Sr. Serra é que a Sra. Rousseff é a consagrada sucessora de Luís Inácio Lula da Silva, o atual presidente. Quatro quintos dos brasileiros aprovam Lula, e quase metade dizem que, numa eleição presidencial, votariam ou nele (se a Constituição não o impedisse de concorrer a um terceiro mandato) ou no seu candidato. Desde que escolheu seu sucessor, Lula tem colocado Dilma Rousseff nas alturas (ela é “como Nelson Mandela”, chegou a dizer) e atravessou o país com ela a tiracolo. Agora a maioria dos brasileiros sabe quem é a candidata de Lula – e, crescentemente, eles pretendem votar nela.

A Sra. Rousseff parecia nervosa no debate, e lutou para dar suas respostas prontamente. O Sr. Serra se saiu melhor. Mas, uma vez que o debate foi marcado na mesma hora que uma importante partida de futebol, quase ninguém viu.
Mais preocupante para o Sr. Serra, o debate lhe mostrou as dificuldades que ele irá encarar para o resto da campanha. Provavelmente e acertadamente, o Sr. Serra percebeu que, atacando um presidente tão popular como Lula, não ganharia muitos votos. Ele discorda da Sra. Roussef em algumas coisas, tais como a política externa e o papel do estado na economia. Mas ele concorda com outras. Ele se sentiu obrigado a prometer que continuaria alguns dos programas de Lula, tais como o “Bolsa Família”, um privilégio para as famílias pobres. Enquanto isso, com a economia crescendo bastante, os brasileiros estão desfrutando da vida. “Sensação de bem-estar” entrou na língua portuguesa.
Mas, estável como está, serve melhor aos governistas do que a aventureiros. O slogan do Sr. Serra é “O Brasil pode mais” – exemplifica a dificuldade. Ele está lutando para tirar proveito de sua trajetória. Ele é melhor conhecido pelo seu papel nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, que, apesar de sólidas conquistas, são lembrados sem afeição pelos brasileiros.
“Para Dilma, é simples: persuadir as pessoas de que ela representa Lula”, diz Rubens Figueiredo, um consultor político de São Paulo. “Mas Serra tem que lembrar às pessoas de que Lula não é o candidato – e, de alguma forma, tem que fazer isso sem se opor, ou, preferencialmente, sem nem mesmo mencionar Lula”, completa.
A posição da Sra. Rousseff não está ainda inabalável. Se o Sr. Serra conseguir evitar a vitória dela no primeiro turno, pode ter chance no segundo.E, no Brasil, há sempre a possibilidade de um escândalo ou deslize.
Mas há ainda uns poucos votos a mais que a Sra. Roussef pode ganhar por ser a escolhida de Lula. Cerca de 8% dos eleitores ainda dizem aos pesquisadores que querem votar na candidata do presidente, mas não a mencionam pelo nome.
Ela, em breve, terá uma maior oportunidade de reforçar esta ligação. A partir de 17 de Agosto, a televisão brasileira e as estações de rádio terão de mostrar propaganda política gratuita, com mais tempo para os candidatos cujas alianças ocupam mais espaço no Congresso. Isso significa que a Sra. Rousseff terá mais de 10 minutos, três vezes na semana, enquanto o Sr. Serra terá que se virar com pouco mais de 7 minutos. Esta vantagem pode se tornar decisiva.

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