O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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terça-feira, 6 de julho de 2010

Quando a limpeza não cheira bem

A Itália, depois de promover uma perseguição política através da chamada operação “Mãos Limpas”, elegeu Silvio Berlusconi. Já uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja “ficha suja” envolvia condenação por “terrorismo”.

Por Ana Helena Tavares (*)


Como se sabe, a esquerda, embora progressista, não é toda democrática. Exultado pelos dois pólos da política, stalinista e fascista são alguns dos nomes que se aproximam perigosamente do chamado “Ficha Limpa”. O que é essa nova lei? Uma limpeza moral à força? Você? Se fosse um político arrependido de seus crimes não gostaria do direito à segunda chance?


De onde vem a idéia

Peço a quem puder que me cite uma ditadura que não tenha sido instaurada em nome do “combate à corrupção”. Um dos vídeos, criados ainda ano passado em defesa do projeto, é um primor de moralismo hipócrita. Apresenta a proposta de uma varredura que “faria com que os que os eleitores pudessem confiar (?) em quem votar e mudaria o país”. Em política, cruzadas desse tipo invariavelmente acabam em vitória da direita - e mais corrupção. A última que vingou por aqui (travestida de “Marcha pela família com Deus pela Liberdade”) eu ainda nem era nascida, mas sei bem que resultou em 20 anos de ditadura.

O jornalista e ex-deputado federal Marcos Rolim lembra: “Foi a ditadura militar que, com a Emenda Constitucional nº 1 e a Lei Complementar nº 5, estabeleceu a cassação dos direitos políticos e a inegibilidade por “vida pregressa””, disse Rolim em seu artigo “Boa intenção, má solução”, onde acusa ainda o projeto de legalizar a “presunção de culpa”.

Afinal, quem pode ser condenado por “vida pregressa” sem, ao menos, ter direito à sentença condenatória com trânsito em julgado, como quer a nova lei? Quem é “ficha limpa” no mundo e na política de hoje?

O Maluf que conseguiu provar inocência em todos os inquéritos nos quais foi processado e, por isso, não entra na roda? Ele votou a favor do projeto e está aí agora posando de justiceiro.

Taí um papel renegado pelo ministro Marco Aurélio Melo, único do TSE a votar contra a nova lei: “Eu não sou um justiceiro. Eu sou juiz. Aprendi desde cedo que no sistema brasileiro o direito posto visa a evitar que o cidadão tenha sobre a sua cabeça uma verdadeira espada de Dâmocles. Aprendi que a lei não apanha fatos passados.” Isso é o que reza o artigo 5º da nossa Constituição, ao afirmar que a “lei não pode retroagir em detrimento do acusado”.

No final das contas, uma lei desnecessária

Aprendi recentemente com o consagrado jurista, Dr. Hélio Pereira Bicudo, que esse artigo é quebrável por crimes imprescritíveis, como a tortura e o seqüestro contínuo. Crimes de lesa-humanidade. Só. E, segundo o mesmo Dr. Hélio, para o caso específico de eleições, é quebrável também pelo “princípio da inelegibilidade”, apresentado no artigo 14, parágrafo 9, da Constituição de 88, que reza que: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato (...)”.

É esse o artigo usado em defesa da lei pelo “Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral”, responsável pela organização do projeto na sociedade civil e que o chama de “democrático radical”. E é esse o artigo que faz Dr. Hélio chamar a lei de “obsoleta”.

O respeitável jornalista Jânio de Freitas resumiu, em seu artigo “Ficha Limpa” (Folha de S. Paulo, 13 de Maio de 2010): “Trata-se de um projeto de iniciativa popular, cuja aprovação vale como uma advertência para a presença desse direito na Constituição.” Ou seja, já existia. Mas será mesmo válida essa “advertência”?


Pesando os prós e contras

Apesar de assumi-la como dispensável e muito provavelmente inútil, e, mesmo admitindo que “O candidato pode não ter sido condenado criminalmente, mas ter sua vida partilhada de circunstâncias que comprometem uma probidade imprescindível para o exercício de um mandato público.”, em artigos recentes, Dr. Hélio tem se mostrado simpático à nova lei, porque considera legítima e bem intencionada a iniciativa popular. Legítima, sem dúvida, é. O problema é que o diabo mora nos detalhes e é inegável que lá também mora com ele um sem número de pessoas “bens intencionadas”.

Jânio de Freitas também acha que a lei tem pontos a serem considerados como vitória. “É um caso raro de aprovação contra o interesse de grande número de parlamentares.”, garante. Será mesmo? A quem serve a desmoralização da classe política senão aos próprios políticos que se vêem beneficiados pelo desinteresse de um povo que vota por mera obrigação?

Compreendo e integro a indignação popular diante do fato de políticos usarem o mandato para escapar da punição por seus crimes. Indignação que levou à atitude extrema da criação de tal lei. Não há, no entanto, nada que me convença de que este seja o caminho.

Tal como o Dr. Hélio Bicudo, o advogado Erick Wilson Pereira também considera a lei desnecessária, alegando, porém, outros motivos: "O Brasil é a única democracia no mundo que precisa de uma lei para dizer que os políticos precisam ter ficha limpa. Ter vida pregressa idônea é uma obrigação do agente público. Porém não se pode inverter os valores democráticos. Afinal o grau de civilidade de uma nação se mede pelo princípio da presunção de inocência."


A presunção de inocência e a condenação sumária

O professor de Direito Penal, Túlio Viana, em seu desabafo “Sobre o projeto Ficha Limpa”, vai mais longe: “Se o “ficha-limpa” não fere a presunção de inocência (defendida pelo art.5º LVII da nossa Constituição), é pior ainda, pois vão tolher a exigibilidade do cidadão mesmo sendo inocente. Êh argumento jurídico bão: nós continuamos te considerando inocente, mas não vamos te deixar candidatar mesmo assim! Que beleza! Ou o cara é presumido inocente ou é presumido culpado. Não tem meio termo. Muitos dos corruptos brasileiros possuem “ficha limpa” – especialmente os mais espertos, que não deixam rastros. Por outro lado, várias lideranças sindicais brasileiras possuem condenações em segunda instância por “crimes” que envolveram participação em greves ou em lutas populares; devemos impedir que se candidatem?”, indagou Viana.

Como se vê, a polêmica idéia trata-se de uma aberração, que, pelo mundo, tem apresentado resultados com efeito contrário. A Itália, por exemplo, depois de promover uma perseguição política através da chamada operação “Mãos Limpas”, elegeu Silvio Berlusconi. Tão limpo quanto Maluf. Já uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja “ficha suja” envolvia condenação por “terrorismo”.

No vídeo citado no início deste texto, o jurista Aristides Junqueira alega que “diferentemente do que em direito penal, no direito eleitoral impera a precaução sobre a presunção”. Por que essa diferença? Não seria a “precaução” uma forma de condenação sumária?


“Ordem e precaução”

Muito se fala em “pôr ordem na casa”. E eu pergunto: a que tem se prestado a palavra “ordem” em nossa história? O que é o “choque de ordem”, de Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro, senão a criminalização da pobreza? O que foi o Departamento de Ordem Pública e Social (vulgo DOPS), instaurado por nossa ditadura militar, senão uma caçada a “terroristas”, como Mandela? Pode-se citar ainda episódios desconhecidos de nossa história, mas que, certamente, não foram os únicos. O que foi a “Operação mata-mendigo” (bem contada no filme “Topografia de um desnudo”), que, na década de 60, objetivou “pôr ordem” na cidade do Rio para visita da Rainha Elizabeth? Os mendigos foram brutalmente torturados e jogados no rio Guandu. Policiais e funcionários do então Governo da Guanabara foram indiciados. Porém, com o Golpe de 64, os inquéritos foram todos arquivados e o episódio quase apagado da história do Brasil.

Será incontável o número de artifícios malabaríticos que, já tão usados pelos políticos, surgirão ainda com mais freqüência, como drible para a “mão pesada” da nova lei. Já se tem notícia, por exemplo, de um que candidatou a esposa. É o incentivo a esse tipo de “precaução laranja”, à sujeira encoberta por debaixo do pano para melhor ludibriar o eleitor, que buscamos para nossa sociedade e política?


Por que (e para que) será?

Será que os pequenos delitos diários, não condenáveis pela justiça, não corrompem muito mais nossa política? É muito fácil demonizar os políticos. E nossa “grande mídia” é a primeira a atirar todas as pedras. Por que será? Imaginem se Lula vetasse a lei. Seria massacrado nas capas dos jornalões, ainda mais do que já é. E se fosse proposto um projeto “Ficha Limpa” para a profissão de jornalista, quantos sobrariam? Haja hipocrisia!

Tamanha foi a pressão popular, convenientemente apoiada pela mídia, que todos os deputados votaram pela aprovação do projeto. Ops... Menos um, que, com medo da reação da opinião pública, se apressou em alegar “ter trocado os botões no painel de votação por cansaço”. Os eleitores se enganam, porém, quando imaginam que a nova lei impedirá a reeleição de figuras como Renan Calheiros, José Sarney ou Fernando Collor. Todos estão em dia com a Justiça, a começar por Collor, que se elegeu senador depois de ficar inelegível por oito anos, situação em que se encontram os ex-deputados José Dirceu e Roberto Jefferson.

“E os casos de compra de voto e abuso do poder econômico?”, é o que indaga o ex-deputado José Dirceu em seu artigo “A mídia em mais uma de suas jogadas”. De fato, estes casos raramente levam a condenações. Por que não se tem coragem de falar em reforma política? Uma reforma que proporcionasse reais mudanças na legislação sobre as eleições, no sistema de financiamento das campanhas, nos guetos que ainda permitem que votos sejam trocados por dentadura?

Será que alguém já parou para pensar que a aprovação do projeto significou dar poder de veto de candidaturas às oligarquias regionais, que controlam a maioria dos Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Eleitorais? Por que não se discute a sério uma reforma no Judiciário que proporcionasse maior rapidez nos julgamentos, não apenas impedindo a candidatura dos corruptos, mas fazendo com que eles de fato fossem condenados e presos?

Por que não pensarmos antes em educar a população, desde as classes mais básicas do ensino, levando-lhe ao entendimento de que o eleitor é o agente responsável pelas mudanças de uma nação, que é ele que detém nas mãos o verdadeiro poder e mostrando-lhe o caminho para saber escolher melhor seus representantes? Se houver a conscientização de que voto é direito e não dever, para que mesmo uma lei que impõe ao povo o que é ou não condenável?

Hitler tinha a ficha limpa?

Numa atitude desesperada e destemperada, em grande parte repleta de boas intenções, foi o próprio povo que a avalizou. Faltou lembrar que Hitler, o senhor da “mobilização popular”, tão pregada pelo movimento (“radical democrático”) que deu origem ao projeto, era um exemplo de “moral e bons costumes”: para aproximar sua figura a de Gandhi, Goebbles, ministro da Propaganda de Hitler, o “vendia” como vegetariano, enquanto, alertam historiadores, “ele comia macarrão recheado com carne picante e coberto com molho de tomate”. Na busca por “pureza”, não bebia, não fumava.

Estão claras as diferenças contextuais: o Fürer alemão foi um ditador. Mas que, em nome da busca por uma “raça pura” – ou “limpa”, não faz muita diferença – gozou de grande popularidade em sua terra.


*Ana Helena Tavares, jornalista por paixão, futura jornalista com diploma. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?".

A lei e a ordem - A diferença entre Wyatt Earp e Paulo Hartung


A lei e a ordem - A diferença entre Wyatt Earp e Paulo Hartung

Por Laerte Braga (*)


Wyatt Berry Stapp Earp inspirou vários filmes do gênero western e tornou-se uma das lendas do velho Oeste nos Estados Unidos. Foi um dos protagonistas de um célebre duelo o do OK Corral, na cidade de Tombstone, estado do Arizona, onde era xerife e tinha como auxiliares seus irmãos Virgil e Morgan, além do dentista, jogador e pistoleiro Doc Hollyday. Earp foi contemporâneo e parceiro em algumas situações de outra figura legendária, Bat Masterson.



Wyatt Earp morreu aos oitenta anos de idade, rico, sem nunca ter levado um único tiro. Foi xerife tanto quanto em determinado momento teve que fugir do estado do Arizona para o Colorado, acusado de vários homicídios.



Os filmes que retratam a história de Earp de um modo geral mostram-no como intransigente defensor da lei, da ordem e da justiça.



O célebre duelo do Ok Corral durou dezessete segundos e nele foram disparados dezessete tiros. É o que conta um trabalho de resgate dos fatos e que no Brasil foi apresentado no programa GLOBO REPÓRTER há cerca de uns trinta aos atrás.



Os Earps e Holliday mataram Ike Clanton, seus filhos e dois pistoleiros do grupo no tal duelo. Eram rivais no negócio de gado.



Earp, na verdade, mantinha a lei e a ordem e promovia a justiça dos grandes proprietários de terra das cidades onde foi xerife, ou agia segundo os interesses da Wells Fargo (à época companhia de diligências e já com uma pequena rede bancária no Oeste). Para prestar esses serviços, ele, seus irmãos e o Holiday cobravam um percentual sobre todos os negócios e exigiam o controle dos saloons (cassinos).



Os Clanton operavam com gado roubado, mas na verdade isso era o que menos incomodava a Earp. Os criadores de gado da região de Tombstone estavam perdendo o poder já que os rivais vendiam o gado a um preço mais acessível às companhias do Leste. Um concorrente a mais. Isso incomodava.



O governador do antigo e extinto estado do Espírito Santo, hoje um grande latifúndio de empresas como a VALE, ARACRUZ, CST e outras, não é nenhum Wyatt Earp. Os tempos são outros e Paulo Hartung jamais entraria em duelos, nunca enfrentaria alguém, quem quer que fosse, pela frente. Gosta do estilo traiçoeiro de apunhalar pelas costas e na escuridão.



Edson José dos Santos Barcellos era um sindicalista na cidade de Conceição da Barra, no extinto Espírito Santo. Por volta das sete horas da manhã de segunda-feira, à porta de sua casa, foi abordado por dois homens, seqüestrado e terça-feira seu corpo foi encontrado carbonizado, em Aracruz – cidade propriedade da empresa do mesmo nome –.



Edson José dos Santos Barcelos pertencia à direção do sindicato dos servidores públicos municipais. lutava contra políticas e práticas corruptas e criminosas de grupos de Paulo Hartung e em sua cidade enfrentava a quadrilha do prefeito Jorge Donati, protagonista de um dos mais vergonhosos episódios da história do judiciário capixaba (se é que existe algo não vergonhoso no judiciário capixaba).



Criminoso de várias facetas, envolvido em qualquer tipo de atividade ilícita, o tal prefeito controla a cidade com mão de ferro. Tipo dono de tudo. Ano passado, num procedimento judicial em que duas testemunhas depunham e confirmavam a compra de votos nas eleições municipais de 2008, o juiz, se é que isso é juiz, mandou prender as testemunhas para que “pensassem melhor sobre suas declarações”.



Foram soltas quarenta e oito horas depois por intervenção direta do ministro da Justiça, então Tarso Genro e do Conselho Nacional de Justiça, diante das denúncias levadas até essas autoridades.




No extinto Espírito Santo além do controle do judiciário, do legislativo e do executivo (com letra minúscula mesmo) as quadrilhas que controlam e operam a antiga unidade da Federação, controlam e operam a mídia – a grande mídia – também. No caso específico a REDE GAZETA, por “coincidência” afiliada da REDE GLOBO.



O que tem de fraude nessa história de REDE GAZETA é de fazer inveja a qualquer Marinho da vida.



O assassinato de Edson José Barcellos dos Santos é mais um dos crimes destinados a calar a boca dos que denunciam toda essa bandalheira generalizada que permeia a cumplicidade entre empresas, políticos e máquina estatal.



Por isso o silêncio da grande mídia. No chamado noticiário on line, aquele que relata os fatos de última hora, até as 15 horas de terça-feira nada sobre a morte do sindicalista. Estavam, ou ainda estão, naturalmente, aguardando ordens sobre como noticiar.



É um escárnio que um criminoso como Jorge Donati seja prefeito de uma cidade. É um acinte que um criminoso como Paulo Hartung seja “governador” de um extinto estado o Espírito Santo. E ambos têm “ficha limpa”.



O histórico de crimes praticados pela dupla e pelo grosso dos políticos e empresas que operam o crime organizado no grande latifúndio capixaba transcende o País. É recente a denúncia de organizações internacionais sobre “as masmorras de Paulo Hartung”. O assassinato de Edson já repercute em outros países.



O silêncio das chamadas autoridades, com toda a certeza, é para a limpeza da cena do crime, de todos os passos do crime para que tudo possa desembocar em dois ou três testas de ferro dispostos a assumir a autoria por motivos fúteis, escondendo as reais razões da barbaridade.



Essa prática é antiga.



E nem se diga que Edson José Barcellos dos Santos era um ativista de esquerda, ou “terrorista”, jargão ou epíteto que costumam aplicar aos que se atrevem a enfrentá-los. O sindicalista era filiado ao DEM. Ou por equívoco, ou por ingenuidade, acreditava que esse partido pudesse representar alguma coisa diferente que não interesses de quadrilhas formadas por banqueiros, empresários e latifundiários, com controle de políticos e máquina estatal no caso do extinto Espírito Santo..



O medo permeia o cidadão comum, cumpridor de seus deveres nessa antiga unidade da Federação. E torna-se maior se o cidadão ou grupo de cidadãos for credor de alguma coisa, bem, o que seja, caso por exemplo de precatórios, o que envolve o dito governo do estado.



A morte é a certeza quando se luta contra tal esquema.



Foi o que aconteceu a Edson José Barcellos dos Santos.



Num “estado”, vá lá, onde boa parte dos desembargadores do Tribunal de Justiça foi presa por prática de irregularidades várias. Onde a mídia, grande mídia, é literalmente parte da grande quadrilha. Onde os serviços públicos se voltam para interesses privados. Onde o governador tem em seus ombros a responsabilidade de ter sido um dos mandantes do assassinato de um juiz honrado. Num “estado” assim, a vida se torna mais difícil que a de qualquer ladrão de gado do velho Oeste que tenha pela frente o “justiceiro” Wyatt Earp e seu parceiro Doc Holliday, até porque há uma diferença de tempo, espaço e de atitude.



Earp e Holliday mandavam os inimigos sacarem primeiro, era cara a cara. Hoje a covardia sofistica-se na crueldade do seqüestro e do assassinato na certeza da impunidade, tem o amparo da lei.



Reveste do caráter de lei e ordem. A lei e a ordem da barbárie.



Parte da trajetória dessa turma pode ser vista em



http://protogenescontraacorrupcao.ning.com/profiles/blogs/a-corrupcao-organizada-e-a



ou ainda



http://nandatardin-igrat.spaces.live.com/blog/cns!EAACB9B2BE3F619D!297.entry



Só isso já dá para ter uma idéia do “currículo” das quadrilhas. O jornal on line SÉCULO DIÁRIO é um dos que escapa ao controle dos bandidos. Tem um monte de matérias exibindo a face corrupta e perversa dessa gente. É inacreditável que estejam soltos e pior, que exerçam os cargos que exercem.



Edson José Barcellos dos Santos, na contabilidade dessa gente, certa da impunidade, é só mais um obstáculo eliminado.



*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

É como se nada tivesse acontecido

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“O importante foi preservar a aliança”, diz Alckmin sobre vice de Serra

"Essa discussão do vice está superada, a pesquisa mostra que não teve efeito", sustenta o candidato a governador de São Paulo em rápida entrevista à Fórum.

Por Glauco Faria [05 de julho de 2010]

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, falou rapidamente à Fórum sobre sucessão presidencial, durante almoço de bolsistas que participam do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Para ele, o imbróglio para a escolha do vice não afetou a candidatura Serra e avalia que a internet pode ser um diferencial na campanha deste ano. Confira abaixo:

Fórum – Estamos a dois dias do início oficial da campanha eleitoral e o senhor já falou sobre a importância do horário eleitoral gratuito. A diferença de tempo entre Dilma e Serra pode ser decisiva para a petista?

Geraldo Alckmin – Acho que não e no caso do segundo turno o tempo será igual, independentemente do número de partidos. O Serra conseguiu um tempo que eu diria ser suficiente com a coligação de PSDB, DEM, PPS, PTB, PMN e PHS. E no segundo turno o tempo é igual.

Fórum – Mas pela polarização entre os dois principais candidatos é possível que não haja segundo turno...

Alckmin – É difícil hoje achar que não haverá segundo turno, o Serra tem boas possibilidades e essa última pesquisa mostrou um crescimento da candidatura dele. Estamos otimistas.

Fórum – A demora para a escolha do vice e também o fato do deputado Índio da Costa não ser tão expressivo politicamente prejudicou a candidatura Serra?

Alckmin – Isso está superado e o importante foi preservar a aliança, a presença dos democratas que, além de trazer força política, garante um bom tempo de televisão. O fato de ser do Rio de Janeiro é bom, porque estamos falando de um dos maiores colégios eleitorais do Brasil. Essa discussão do vice está superada, a pesquisa mostra que não teve efeito.

Fórum – O deputado Índio da Costa tem se manifestado bastante pelo Twitter, o senhor acha que as redes sociais e a internet podem ser um diferencial dessa eleição?

Alckmin – Eu já estou no Twitter, tenho quase 19 mil seguidores e vejo nessa eleição que a questão da informática, do Twitter, da comunicação via internet, vai ter muito mais força porque até a última eleição tudo era praticamente proibido e agora tudo é praticamente permitido. Teremos uma nova mídia, muito forte e com efeito no eleitorado, principalmente o eleitorado jovem.


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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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PT já sabe como neutralizar Índio

Informe JB - Leandro Mazzini
Jornal do Brasil - 06/07/2010

OS PETISTAS JÁ têm pronto o discurso de mídia para neutralizar o vice de José Serra (PSDB), Indio da Costa (DEM), se ele lançar mão da imagem o relator do Ficha Limpa. Vão lembrar que Indio apenas fez uma redação em cima do primeiro parecer do então projeto, redigido pelo federal José Eduardo Cardozo (PT-SP). O Indio quer aparecer, porque o verdadeiro relator foi o Zé Eduardo, lembra Vaccarezza, o líder do governo na Câmara.

Mistério Pró-Dilma, Berlusconi tem o direito de escolher candidato afinado com ele no Brasil. Mas foi um mistério, logo depois do encontro a sós com o presidente, o premier italiano dizer que acredita na volta de Lula em 2014.

Mistério 2 Um Fiorino branco, carroceria fechada e propaganda de frozen, tem vaga cativa a 20 metros do Ministério da Justiça.

Mas não vende o produto, o telefone não existe e o site pintado é de uma vodka russa chamada Diamond.

Cultura export A Indonésia enviou comitiva de 20 representantes a Brasília para conhecer as políticas do Ministério da Cultura.

Na pauta, Sistema Nacional de Cultura, Vale Cultura etc.

Pimentécio Itamar Franco, potencial candidato ao Senado, anda incomodado com o movimento Pimentécio organizado por aliados comuns de Pimentel (PT) e Aécio Neves (PSDB), que disputam a Casa Alta. Em chapas distintas, claro.

Campanha quente O PR do Rio pediu à ABI e à Procuradoria Eleitoral apuração num jornal sobre discrepância no espaço dado ao PMDB de Cabral, mais citado, e ao adversário Fernando Peregrino.

Caixa O governador do DF, Rogério Rosso, para recuperar o caixa, começou operação contra sonegadores.

Os atacadistas e supermercados estão na mira.

Do volante Rosso, ex-diretor da Fiat, recebeu para almoço semanas atrás o ex-piloto Emerson Fittipaldi.

Tropeços Rachaduras pequenas no piso de um setor do novíssimo Centro Administrativo de MG assustam visitantes e servidores.

Nada demais, informou o governo. Mas haverá reparações.

Ana$ta$ia Governador de Minas, Antonio Anastasia embarca para Washington amanhã para encher o cofre do estado.

Ana$ta$ia 2 Com o BID, serão US$ 137 milhões para obras de infraestrutura. Com o Bird, US$ 461 milhões como repasse, por cumprimentos das metas como a melhoria da qualidade do ensino.

Novo Jornal: BMG cria novo caixa 2 para campanha de Azeredo

Novo Jornal

IPSEMG transfere para Fundação Renato Azeredo comissão de 5% dos gastos com medicamentos pelo funcionalismo público mineiro

Inacreditável como é grande a criatividade dos administradores públicos diante da impunidade existente. Mais uma vez através do BMG, que esteve envolvido em todos os escândalos financeiros ocorridos em Minas e no Brasil desde o final da década de 80.

O Banco Central, instalado em frente à sede o BMG em Belo Horizonte, capital mineira, parece não notar a existência do mesmo.

Sabidamente o BMG é uma instituição financeira que existe juntamente com o Banco Rural, apenas para promover operações heterodoxas e lavar o dinheiro da corrupção praticada pelos governantes mineiros.

O BMG depois de movimentar junto com o Banco Rural uma montanha de dinheiro que irrigou a hoje reconhecida campanha corrupta do senador Azeredo ao governo mineiro em 1999. Participou do Valerioduto e Mensalão mineiro. Por esse motivo, grande parte de sua diretoria encontra-se respondendo criminalmente pelo fato.

Como o nome BMG ficou marcado pelos esquemas anteriormente citados, vem desde então constituindo “correspondentes”, com razão social diferente para operar em seu nome nos mais diversos ramos.
Assim ocorreu no famoso “empréstimo consignado”.

Agora, através da triangulação com uma empresa denominada Aceito Administração de Cartões e Prestação de Serviços Ltda, instalada na Cidade de Barueri, São Paulo.

Abocanhou através da Fundação Renato Azeredo, sem qualquer licitação a exploração do cartão para compra de medicamentos para o funcionalismo público mineiro. Pelo visto, enquanto não conseguirem abocanhar todo rendimento do funcionalismo, não estarão satisfeitos.

A engenharia da corrupção

Em parceria com o poderoso ABC Farma, entidade que congrega todas as farmácias do País, o IPSEMG celebrou através da Fundação Renato Azeredo um contrato sem qualquer licitação com a empresa de cartões de crédito “Aceito Cartões”.

Embora instalada no estado de São Paulo quase que a totalidade de seus sócios é de mineiros, sendo um deles Flávio Souza Franco, correspondente do BMG, com escritório instalado na Rua Espírito Santo, 283, lj 01 - Centro - Belo Horizonte.

A empresa, Aceito Administração de Cartões e Prestação de Serviços Ltda, na qual Flávio Souza Franco e sócio foi coincidentemente fundada em 02 de julho de 2009, pouco antes da celebração do convênio.

Tudo entre amigos

Porém, a ilegalidade maior está no fato do BMG fazer parte do conselho curador da Fundação Renato Azeredo. Fundação esta que só tem sido utilizada para fazer política para o senador Azeredo. Tudo através de convênios financiados pelo poder público. Basta observar o Sitio da fundação.

Estima-se que a receita da Fundação Renato Azeredo proveniente apenas do “cartão medicamentos” será de R$ 1.200.000,00, mensal.

Integrantes do mercado de cartões de crédito afirmam que a “ABC Farma”, (tradicional financiador eleitoral de Eduardo Azeredo através das farmácias filiadas) junto com “Aceito Cartões” pagou pelo direito de exclusividade na exploração do “cartão medicamentos”, R$ 500 milhões. Metade do que o Banco do Brasil pagou para explorar com exclusividade o crédito consignado oferecido ao funcionalismo público mineiro.

Operação esta já desfeita por completa ilegalidade.

Curioso é que o dinheiro não entrou na contabilidade do IPSEMG nem da Fundação Renato Azeredo. Fato idêntico ocorrido em relação ao governo do Estado quando recebeu R$ 1.200.000,00 do Banco do Brasil.

Depois de denunciado o ocorrido em relação ao Banco do Brasil pela Associação dos Jornalistas do Serviço Público (AJOSP) e Associação dos Contribuintes do IPSEMG (ASCON), o Ministério Público Estadual de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar o destino do dinheiro. Certamente que novamente o Ministério Público irá verificar e informar para onde foi todo o dinheiro do “Cartão Medicamento”.

Certeza da impunidade

Pelo visto o Senador Eduardo Azeredo (PSDB), não aprendeu qualquer lição com o processo de corrupção que responde no Supremo Tribunal Federal.

Desta vez, em vez de dinheiro público, irá gastar em sua campanha para deputado federal parte do valor gasto com sacrifício mensalmente pelo funcionalismo público ativo e inativo.

O senador não perdoa nem o dinheiro dos velhinhos e velhinhas aposentadas.

Alguns contemporâneos de seu pai Renato Azeredo não aceitam que Eduardo use o nome de seu pai para lesar o funcionalismo público mineiro.

Ofício enviado pelo presidente do IPSEMG encaminhando “cartão medicamento”.

Contrato celebrado entre Fundação Renato Azeredo ABCFARMA – Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico – e aceito pela Administradora de Cartões e Prestadora de Serviços Ltda.

Inscrição da empresa “Aceita” que comprova sua data de fundação em 02/07/2009.

Página do site da Fundação Renato Azeredo que comprova ser o BMG integrante de seu conselho curador.

Dilma terá mais palanques estaduais

Candidata do PT terá estruturas em 27 estados contra 25 de Serra

Com uma ação direta do Palácio do Planalto em negociações para fechar os palanques estaduais, a aliança encabeçada por PT e PMDB montou estrutura regional mais robusta para a candidatura presidencial de Dilma Rousseff do que a da aliança PSDB e DEM em torno de José Serra. Levantamento feito pela reportagem mostra que Dilma terá 41 palanques de candidatos a governadores espalhados pelos 27 estados. Já Serra conseguiu garantir palanques em 25 estados.A senadora acreana Marina Silva (PV) terá palanque em apenas três estados: São Paulo, Rio e Bahia. Até no Acre, o PV estará coligado com o PT no palanque do seu amigo Tião Viana.

O grande número de palanques de Dilma, segundo os petistas, pode até lhe criar problemas, já que em muitos casos ela terá que se dividir entre duas campanhas. Os tucanos reconhecem que a força da máquina governamental criou dificuldades para estruturar candidaturas dos aliados de Serra. Tanto que o tucano não terá palanque estadual no Amazonas e na Paraíba. No Maranhão, a solução surgiu em torno da candidatura do ex-governador Jackson Lago (PDT), que corre o risco de perder o registro com a Lei da Ficha Limpa. “O governo usou seu poder de fogo para formar os palanques de Dilma. Mas Serra conseguiu palanques competitivos em quase todo o Brasil”, diz o líder da minoria, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).

Estratégias invertidas

Para montar palanques para Serra, o PSDB teve que criar várias candidaturas. Serão 16 tucanos disputando governos estaduais. Já o PT inverteu a estratégia, priorizando as alianças em torno de Dilma: serão apenas 10 petistas em disputa nos estados, contra 18 em 2006.

Líder do governo na Câmara e um dos coordenadores da campanha de Dilma, Cândido Vaccarezza (PT-SP) avalia que ela larga com enorme vantagem. “O importante não é Dilma ter até dois ou três palanques por estado, mas ter palanques fortes. Não concordo que ela conseguiu isso devido ao peso da máquina, mas por termos acertado na linha política, e por fazer parte de um governo que deu certo. O Serra errou mais.”

Serra ainda pode perder os apoios de Expedito Júnior (PSDB), em Rondônia, e Joaquim Roriz (PSC), no DF, se suas candidaturas forem impugnadas pela Ficha Limpa.

Fonte: http://www.diariosp.com.br/Noticias/DiaaDia/8111/dilma+tera+mais+palanques+estaduais

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Globo e o Paraguai - Racismo

A Globo e o Paraguai - Racismo

Por Laerte Braga (*)


O jornal paraguaio LA NACIÓN afirmou numa de suas edições da semana passada que a “a laranja mecânica pôs fim à soberba brasileira”. O jornal não se referia especificamente à seleção brasileira, mas ao canal SPORT TV da Rede GLOBO.



Num dos programas sobre os países participantes da Copa do Mundo o canal de tevê fechada da GLOBO, afirma o LA NACIÓN, “ironiza sobre nuestras comidas y nuestras costumbres”. A linguagem é debochada e o “único valor paraguaio apresentado no vídeo é Larissa Riquelme, “la novia del Mundial”. É o espírito “mulher melancia” introjetado na cultura global.



“La Naranja Mecânica se encargo así de hacer justicia y dar uma gran lección a quienes tienes em el corazón uma rabia innecesaria hacia uma nación pobre pero digna”.



Tem sido uma constante as críticas de jornais, revistas e tevês de outros países sobre o jornalismo da GLOBO durante a Copa do Mundo e fora dele. No caso específico os paraguaios foram vítimas de uma ironia ofensiva e tratados como se seu país fosse feio, triste e pobre, distante do Brasil maravilhoso que a GLOBO enxerga com José Arruda Serra, por exemplo. A bandeira dos EUA tremulando no mastro principal do Planalto.



Para descaracterizar sua crítica ao Brasil ou a seleção brasileira, o jornal elogia Dunga em sua resistência aos abusos da GLOBO.



A matéria pode ser vista em



http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=4386:mau-jornalismo-da-globo-ja-e-destaqueninternacional&catid=235:comunicacom&Itemid=156



Fausto Silva, padrão de bons costumes e patriotismo, em seu programa dominical, foi o porta voz da GLOBO. Desceu o malho em Dunga e por extensão pegou Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Há pouco mais de quatro meses Faustão mandou demitir uma de suas “colaboradoras” por ter completado 40 anos de idade e não se prestar mais à imagem sexy que o programa exige na venda de determinado produto ali anunciado.



Como não teve coragem de fazê-lo pessoalmente, mandou uma de suas assessoras comunicar o fato à moça.



O fato ganhou uma repercussão que Fausto Silva não esperava e outra vez um assessor veio com a desculpa que a moça não fora demitida por esse motivo. Inventou os pretextos frios e cínicos de uma quadrilha que alguns chamam de empresa.



Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor universitário, traz à lembrança em excelente artigo um fato acontecido no final dos anos 1970 que no curso de um processo de descoberta do verdadeiro caráter da GLOBO resultou no “cala a boca Galvão” de hoje.



Relata que “o povo não é bobo, fora a Rede Globo”, foi ouvido pela primeira vez nas ruas de São Bernardo, São Paulo, e no estádio da Vila Euclides durante uma greve dos metalúrgicos do ABC em 1979.



Em seguida a uma tarde de manifestações, passeatas com milhares de trabalhadores protestando contra o arrocho salarial os grevistas à noite, no JORNAL NACIONAL, viam os fatos noticiados de forma distorcida e mentirosa. No dia seguinte quando a equipe da GLOBO chegou para cobrir outra manifestação foi hostilizada com esse refrão. O POVO NÃO É BOBO, FORA REDE GLOBO.



O mesmo aconteceu na cidade de São Paulo, numa passeata de estudantes que protestavam contra a criação da ALCA – ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS, isso anos mais tarde em 2001.



A primeira mentira em plena vigência da ditadura militar, a segunda no governo FHC. O artigo do professor Laurindo Lalo Leal Filho registra que os jornalistas, operadores e todo o pessoal da GLOBO escondiam os crachás para não serem identificados como integrantes da rede.



Num parágrafo de seu artigo, excelente, o professor afirma



“O público sintoniza a Globo por absoluta falta de alternativa, dentro e fora da TV. Dentro, porque o que há de concorrência ou é semelhante à Globo ou ainda pior. Fora, pela falta de opções de cultura e lazer acessíveis a maioria da população brasileira. Não há amor pela Globo. Ninguém a chama de “tia”, como os britânicos fazem com a BBC, numa demonstração de afeto resultante de uma relação aberta e honesta”.



O que permitiu a William Bonner, apresentador do JORNAL NACIONAL, o da mentira, rotular o telespectador de idiota, comparando-o a Homer Simpson, sem preocupação com os que lá estavam, professores e alunos do curso de jornalismo de uma faculdade de São Paulo, foi talvez o ápice desse desrespeito e do desprezo, do preconceito da rede contra o que não signifique interesses de banqueiros, latifundiários, grandes empresas e dos Estados Unidos.



O programa que mostrou o Paraguai foi pura manifestação de racismo. De preconceito. De desprezo.



É típico das ORGANIZAÇÕES GLOBO. É uma empresa estrangeira que atua no Brasil, como outras semelhantes em vários países da América Latina e em todo o mundo.



A guisa de curiosidade, nos Estados Unidos, meca do capitalismo, onde as tevês são de fato privadas e não concessões de serviço público, a lei proíbe que grupos empresariais sejam a um só tempo proprietários de redes de tevê, rádios, jornais e revistas. A preocupação do legislador norte-americano quando assim o fez foi evitar o monopólio da informação. O controle da informação.



Como existem mecanismos para evitar que as redes nacionais possam alcançar níveis de audiência que criem condições a esse fato, controle da informação.



O filme IDENTIDADE BOURNE visto por milhões de pessoas mostra como agem os norte-americanos em relação ao mundo. Operam a partir de empresas. Constituem-nas como laranjas de seus interesses.



Isso lhes permite o que chamam de “assassinatos seletivos” (dos que são julgados inimigos ou contrários aos seus interesses), seqüestros em outros países, golpes e ações diretas junto a elites políticas, econômicas e militares, como aconteceu no Brasil em 1964 (chegaram a designar um general para comandar o golpe, Vernon Walthers, fluente em português) e de resto em toda a América Latina.



Como a legislação norte-americana determina que documentos sigilosos sejam tornados públicos depois de um determinado tempo tudo isso está lá provado e há anos atrás foi objeto de uma reportagem no antigo JORNAL DO BRASIL de Marcos Corrêa. A famosa IV Frota estava pronta para entrar em ação caso os militares golpistas sob o comando do general norte-americano não conseguissem derrubar o governo Goulart.



A GLOBO é isso muito mais, ou muito pior. Um empresa laranja para a defesa e propagação de interesses estrangeiros no Brasil.



Tem a característica dos que se acham superiores, eleitos divinos, como o governo de Israel (sionistas, nunca confundir com judeus), ou os norte-americanos. Enxergam a Europa como uma grande colônia de férias de norte-americanos e japoneses, das elites latino-americanas, um continente falido e controlado pelos EUA a partir de bases militares de uma organização terrorista que chamam de OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte).



Imaginaram um dia criar sua versão para o Atlântico Sul e FHC, que era o presidente, aceitou de pronto. Estava louco para acabar de vender o Brasil e tentam agora com a candidatura de José Arruda Serra.



É todo um complexo de alienação vendido diariamente ao brasileiro sob a forma de espetáculo. A mentira colorida e cheia de efeitos especiais transformada em show.



A GLOBO é isso. Racista e preconceituosa. Reflete o pensamento totalitário dos donos do mundo. Não foi por outra razão que nasceu de capitais estrangeiros do antigo grupo TIME. É laranja dessa gente.



Figuras como Galvão Bueno, William Bonner, Fausto Silva, são meros bonecos que aceitam o papel que se lhes é dado de se despirem de suas condições de seres humanos e aceitarem o papel de robôs.

Robôs da mentira.



Se imaginam no Olimpo. Deuses da barbárie que disfarçam na tal tecnologia da farsa.



Um grande monte de lixo.

*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Felicidade impossível

O homem prometeu ser "mais feliz se ele estava errado" e, infelizmente, a minha felicidade durou muito pouco.

Ainda não completou a Copa do Mundo. Ainda faltam seis dias para a partida final.

Que uma extraordinária oportunidade será perdida, possivelmente, o império ianque e estado fascista de Israel para afastar as mentes da grande maioria dos habitantes do planeta, dos seus problemas fundamentais?

Quem teria notado a sinistros planos do império em relação ao Irã e seu pretexto para a agressão bruta ?

Ao mesmo tempo eu me pergunto o que eles fazem pela primeira vez os navios de guerra israelitas nos mares do Golfo Pérsico, o estreito de Ormuz e os espaços marítimos do Irã?

É possível imaginar que não vai deixar os porta-aviões ianques nuclear e navios de guerra israelitas com o rabo entre as pernas quando as exigências contidas na Resolução 1.929 de 9 de junho de 2010 adoptada pelo Conselho de Segurança da ONU Unidos , que detém a licença para a inspecção de navios e aviões iranianos podem efectuar-se no território de qualquer Estado e que este tempo permite que os navios no mar?

A resolução também estabelece que não realizar a inspeção de navios iranianos sem o consentimento do Irão ». Nesse caso , a negação estaria sujeita ao exame .

Outro elemento adicionado é a possibilidade de perda é verificada, se for confirmado que viola as disposições da Resolução.

A Iran desarmado foi vítima desta guerra cruel com o Iraque em que massas de campos minados IRGC apuradas avançando sobre eles.

Este não é o caso hoje. Expliquei em reflexões anteriores, que Mahmoud Ahmadinejad foi chefe do IRGC no oeste do Irã , que teve o peso da guerra.

Anos mais tarde, um governo iraquiano enviou encorajado a maior parte de sua Guarda Republicana e anexou o emirado árabe do Kuwait , rico em petróleo , que foi presa fácil.

O governo iraquiano manteve estreita amizade com Cuba e foi pago a partir do momento que ele não estava em guerra com ninguém, serviços de saúde importantes. Nosso país tentou convencê-lo a deixar o Kuwait , e para acabar com a guerra que resultou de vista incorreto.

Hoje sabemos que um embaixador ianque medíocre, segurando-a com as excelentes relações do Governo do Iraque , o que levou ao erro.

Bush atacou seu velho amigo para liderar uma coalizão poderosa , com uma forte composição países -sunita árabe-muçulmano que o óleo de abastecimento para grande parte dos países industrializados e ricos, que se mudou do sul do Iraque a cortar a retirada de Guarda Republicana caiu em Bagdá, que a sabedoria do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e as Forças Armadas , sob a direção de Colin Powell , a reputação geral , e mais tarde secretária de Estado, George W. Bush fugiu para a capital do Iraque.

Por pura vingança contra ela projéteis usados contaminados com urânio empobrecido para a primeira vez que experimentou o dano que poderia resultar em soldados adversários .

Irã ameaça neste momento, com seus exércitos de ar , terra e mar , um muçulmano xiita , não tem qualquer semelhança com a Guarda Republicana atacadas impunemente no Iraque.

O império está prestes a cometer um erro impagável , e nada pode pará-lo. Move-se inexoravelmente em direção a um destino sinistro.

Tudo que posso dizer é que há nas quartas de final da Copa do Mundo . Desta forma, fãs de esportes poderão desfrutar dos jogos emocionantes , vimos coisas incríveis. Ela diz que em 36 anos, a Holanda não tinha perdido um jogo de sexta-feira na Copa do Mundo. Somente graças aos computadores que poderiam ser extraídos da conta.

O fato é que o Brasil foi eliminado da quartas de final da Taça

O juiz deixou o Brasil fora dela. Pelo menos foi essa a impressão que não se cansava de repetir um excelente narrador da televisão cubana. Após a FIFA disse que a decisão da arbitragem foi correta.

Mais tarde , o mesmo juiz deixou o Brasil com 10 jogadores em um momento crucial , quando ainda havia mais da metade do segundo tempo da partida. Certamente que esta nunca foi a intenção do árbitro .

Ontem foi eliminado da Argentina. Nos primeiros minutos o time alemão , meio-campista Müller , surpreendeu a defesa e confiante goleiro argentino conseguiu um gol.

Posteriormente, nada menos que 10 vezes os atacantes argentinos, por uma equipe alemã não alcançar um objetivo.

Em contrapartida, o time alemão marcou mais três , e até mesmo Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha , aplaudiu freneticamente .

Então , novamente, um dos favoritos perdidos. Assim, mais de 90% dos torcedores de futebol em Cuba estupefato .

A grande maioria dos fãs do esporte não sabem mesmo o continente é o Uruguai. A final entre os países europeus serão os e anti- desbotada desde que nasceu que o esporte no mundo.

No entanto , os eventos tiveram lugar na arena internacional, que nada têm a ver com o jogo , mas sim com a lógica básica que rege os destinos do império.

A série notícia veio à tona nos dias 1 , 2 e 3 de Julho.

Tudo gira em torno de um fato: as grandes potências representadas no Conselho de Segurança das Nações poder de veto , além da Alemanha , em 02 de julho chamado para o Governo do Irão para uma "resposta imediata" ao convite que lhe feitas para regressar às negociações sobre seu programa nuclear.

Barack Obama O presidente assinou ontem uma lei que prorroga as medidas em vigor contra a energia e da banca do Irã, e seria penalizar as empresas que fazem negócios com o governo de Teerão. Ou seja, o bloqueio rigoroso e estrangulamento do Irão ».

O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que seu país vai retomar as negociações no final de agosto e notou que o mesmo deve envolver países como o Brasil ea Turquia, os dois únicos membros do Conselho de Segurança que se opuseram sanções a 09 de junho .

Um alto funcionário da União Europeia disse, desdenhosamente , que nem o Brasil nem a Turquia será convidada a participar nas conversações.

Não mais é necessário para tirar conclusões.

Nenhuma das partes deverá transferir, um , o orgulho dos poderosos, e mais uma vez, a resistência à opressão e da capacidade de luta , como tem acontecido muitas vezes, na história humana.

O povo do Irã, uma nação de antigas tradições culturais, sem dúvida, irá defender os agressores. É incompreensível que seriamente acredita que Obama irá dobrar a suas demandas.

O presidente do país e seus líderes religiosos , inspirados islâmicos Ruhollah Khomeini Revolução, criador do IRGC , as Forças Armadas eo estado novo e moderno do Irã vai resistir.

Um dos povos mais pobres do mundo que não temos culpa da bagunça colossal criado pelo imperialismo , localizado no Hemisfério Sul para os Estados Unidos , a outra, situada a oeste , centro e sul da África, e outros que podem ser livres de uma guerra nuclear no resto do planeta , não temos alternativa senão enfrentar as consequências de uma guerra catastrófica nuclear, que vai sair em um tempo muito curto.

Infelizmente não tenho nada a corrigir e assumo a responsabilidade com o que foi escrito no Reflexões passado.

Fidel Castro Ruz

04 de julho de 2010

=> Essa é uma tradução automática do Google. O original, em espanhol, pode ser encontrado em: http://www.cubadebate.cu/reflexiones-fidel/2010/07/04/la-felicidad-imposible/

Serra aprova comportamento dom-juanesco do Índio que montou em suas costas rumo ao Planalto

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Mesmo assim...

Serra deixa Indio da Costa constrangido

Em sabatina ontem na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, Serra deixou o seu candidato a vice, Indio da Costa, constrangido ao lembrar sua fama de namorador.

“Mas agora (você) só tem uma namorada, né?”, perguntou o tucano ao deputado, que estava sentado na primeira fila do auditório. Serra lembrou a primeira conversa que tiveram pelo telefone. “O Indio me disse: ‘Eu não tenho amantes’. Eu até disse: ‘Também não precisa exagerar, o que tem que ser é uma coisa discreta”, disse Serra, para depois ponderar: “Não estou aqui pregando pular a cerca no casamento. Mas também não precisa exagerar”, disse o tucano.

O DIA

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Propaganda política está liberada a partir de amanhã

Por Renata Giraldi, repórter da Agência Brasil

Brasília – A partir de amanhã (6), está aberta a temporada de propaganda política. Com isso, os partidos ficarão liberados para realizar comícios e usar amplificadores de som. Pelas regras eleitorais, há uma série de normas que devem ser respeitadas, como horários e locais de manifestações. Daqui a três meses, os brasileiros vão às urnas para escolher o presidente da República, os governadores, senadores e os deputados federais e estaduais. Os eleitores também devem ficar atentos porque dia 25 deste mês acaba o prazo para que os títulos dos eleitores que requereram inscrição ou transferência estejam prontos.

Os partidos políticos poderão colocar, nas sedes das legendas, os amplificadores, auto-falantes e carros de som em funcionamento de 8h até as 22h. Também estão autorizados os comícios e o uso de aparelhos de som fixo no período de 8h às 24h.

Na quarta-feira (7) será o último dia para os candidatos – a governador, senador e deputado federal -, escolhidos em convenção, requererem os registros perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os tribunais regionais eleitorais. Eles terão até as 19h para o encaminhamento de registros. Para os candidatos a presidente e vice-presidente da República, o prazo final é hoje, às 19h.

Na quinta-feira (8) inicia o período para que os tribunais eleitorais regionais convoquem os partidos políticos e a representação das emissoras de televisão para elaborem um plano de mídia para uso da parcela do horário eleitoral gratuito que as legendas têm direito.

Até o final deste mês, há uma série de prazos que devem ser cumpridos pelos partidos políticos, candidatos e também eleitores. Neste meio tempo, as legendas devem constituir os comitês financeiros e organizar os nomes das pessoas indicadas para compor as Juntas Eleitorais para o primeiro e o eventual segundo turnos de votação.

Os juízes eleitorais terão até o dia 30 para nomear o presidente, primeiro e segundo mesários, secretários e suplentes que vão compor as mesas receptoras dos votos nos dias das eleições – 3 de outubro (primeiro turno) e 31 de outubro (segundo turno).

No dia 31, o TSE poderá requisitar das emissoras de rádio e de televisão até 10 minutos diários - contínuos ou não, que poderão ser somados e usados em dias espaçados - para a divulgação de comunicados, boletins e instruções ao eleitorado.

Globo pede desculpas ao povo paraguaio. Quando vai fazer o mesmo ao povo brasileiro?

Foi uma desculpa muito da sem-vergonha (clique aqui e veja o vídeo lá). Chegaram a dizer que não tinham intenção de ofender, quando era exatamente esse o núcleo da reporcagem racista, preconceituosa e repugnante feita contra o Paraguai e seu povo, que denunciamos aqui. Mas, pelo menos, foi um pedido de desculpas.

Mas, quando as Organizações Globo vão fazer o mesmo pedido de desculpas ao povo brasileiro, pelos anos de mentiras e manipulações, por terem lutado contra a criação da Petrobras, por terem apoiado e incentivado a ditadura civil-militar, pela edição do último debate da campanha presidencial de 1989, entre Collor e Lula?

Quando vão pedir desculpas por lutarem contra tudo o que poderia dar uma vida mais digna a milhões de brasileiros que vivem na linha da miséria? Por lutarem desde sempre contra a reforma agrária, por defenderem a remoção das favelas, por criticarem os programas sociais, como o Bolsa-Família?

Quando vão pedir desculpas por dizerem que o Brasil não é um país racista, por lutarem contra a política de cotas?

Quando vão pedir desculpas por terem incentivado as privatizações que entregaram nossas riquezas a preço de banana? Por defenderem as privatizações (felizmente não feitas) da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal? Por sempre defenderem os interesses do capitalismo internacional em detrimento dos interesses do povo brasileiro?

Quando vão pedir desculpas por jogarem o povo brasileiro contra nossos vizinhos, falsificando notícias sobre os governos da Argentina, do Paraguai, da Bolívia, da Venezuela?

Quando vão pedir desculpas por tentarem um golpe midiático no final do primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, com a famosa exposição da montanha de dinheiro?

Quando vão pedir desculpas por continuarem mentindo descaradamente para a população brasileira, omitindo, manipulando, distorcendo fatos com o objetivo de desinformar e alienar os brasileiros, para que nunca consigamos uma cidadania plena?

Quando?

Fonte: http://blogdomello.blogspot.com/2010/07/globo-pede-desculpas-ao-povo-paraguaio.html

LEI DA FICHA LIMPA: O POVO COMO OBJETO, NÃO SUJEITO, DAS MUDANÇAS




"Já conheço os passos dessa estrada

Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali, sozinho

Eu vou ficar tanto pior"
(Chico Buarque)



Por Celso Lungaretti (*)


Como qualquer cidadão com espírito de justiça, contemplo indignado a falta de critério dos eleitores brasileiros, que elegem notórios corruptos e delinquentes contumazes, espertalhões que trocam falsamente de domicílio eleitoral para concorrerem em grotões onde a vitória é mais fácil, ministros que usaram todo o peso do seu poder para achatar um coitadeza qualquer, etc.

Mas, como revolucionário, só vislumbro um caminho coerente para a erradicação dessa praga: convencermos os eleitores a repudiarem os feios, sujos e malvados da política.

O caminho policialesco de se pressionar autoridades para barrá-los burocraticamente é uma admissão implícita de falta de fé no povo, na possibilidade de esclarecimento do eleitorado.

Equivale a abdicar-se da conquista dos corações e mentes, optando pela imposição da vontade de uma minoria mobilizada sobre a maioria bovinizada.

E os folclóricos da política, os candidatos de mafuá, os Enéas da vida: vamos encontrar um subterfúgio qualquer para impugnar também suas candidaturas?

E essas fanáticas e obscurantistas bancadas evangélicas, como vamos fechar as portas aos mercadores da fé?

No fundo, o rolo compressor virtual que tenta impingir autoritariamente a Lei da Ficha Limpa, inclusive incorrendo no absurdo jurídico da retroatividade, é composto por cidadãos que, por enxergarem um pouco mais do que os outros, querem enfiar-lhes goela adentro seus valores.

Nem só no cinema (
Tropa de Elite) e no futebol (Dunga) o autoritarismo escorraçado pelo povo brasileiro em 1985 insinua-se sorrateiramente, tentando voltar pela porta dos fundos; certas correntes virtuais fazem lembrar os ferrabrazes que iniciaram as escaladas de Hitler e Mussolini.

Repito: revolucionários existem para livrar o povo de sua cegueira, a fim de que ele possa ser o sujeito na construção de uma História diferente.

Não para arrastá-lo, como objeto, na direção que se crê ser melhor para ele.

OS VÉUS QUE OCULTAM A
FACE MEDONHA DO VILÃO


A pior mazela dos políticos não são as pequenas falcatruas que praticam, mas sua subserviência aos valores do capitalismo, que norteiam e nortearão toda sua atuação, irremediavelmente, enquanto não resgatarmos a humanidade do primado do lucro sobre as necessidades humanas.

Tendem a ser desonestos porque o sistema a que estamos submetidos estimula a ganância, o privilégio e a competitividade, o "levar vantagem" sobre os outros a todo custo e por quaisquer meios. É o sistema o inimigo, não seus zumbis, os indivíduos por ele teleguiados.

Bem mais danosa para os eleitores é a atuação limpa dos políticos, ajudando a estabelecer e manter a exploração do homem pelo homem, do que essas delinquências de ladrões de galinhas de que tanto se ocupa a imprensa burguesa, exatamente para desviar a atenção do principal: mais do que qualquer um dos que o servem, o capitalismo, em si, é criminoso e constitui ameaça terrível para a sobrevivência da humanidade.

Quando discernirmos quem é o verdadeiro vilão estaremos no caminho certo para o combatermos. Por enquanto, ingenuamente, ajudamos a manter as ilusões que convêm aos poderosos, os muitos véus atrás dos quais o vilão oculta sua face medonha.

Desde os tempos da UDN, já lá se vai mais de meio século, o moralismo na política serve aos objetivos da direita, duma ou doutra maneira.

Pois parte do pressuposto e inspira esperanças de que o sistema possa ser saneado, purificado, quando, na verdade, está podre até a medula e tem de ser revolucionado.

Trabalhei, duas décadas atrás, na assessoria de comunicação do Palácio dos Bandeirantes. Dia após dia, ficava enojado com os dirigentes do Estado mais poderoso do Brasil: velhacos e pulhas, quase todos.

De vez em quando, havia solenidades às quais compareciam os prefeitos e presidentes de câmaras municipais de todos os municípios paulistas. Tinha vontade de chorar: saltava aos olhos que quem tentava sofregamente substituir os poderosos chefões não passava de mais do mesmo, piorado.

Eles tinham todos os defeitos dos que haviam chegado ao topo da carreira, acrescidos de uma crassa ignorância. A versão tosca daquela ralé moral da qual eu era profissionalmente obrigado a me ocupar, tapando o nariz.

Enfim, fico pasmo ao constatar que muitos companheiros de esquerda contribuem para colocar a cidadania correndo atrás de miragens. Quanto tempo desperdiçamos percorrendo caminhos que não levam a lugar nenhum!

OS CAÇADORES DE CABEÇAS
E OS JUDAS DE OCASIÃO


E vejo com enorme apreensão esses rolos compressores que se formam para impor medidas ao arrepio do Direito.

Quem só leva em conta o interesse imediato aplaude: aberrações como a retroatividade implícita que o Tribunal Superior Eleitoral acatou, servem ao objetivo do momento.

Mas, e quando os contestadores do sistema formos enquadrados em leis que nem sequer existiam quando os atos imputados ocorreram, acharemos graça?

Pois, enquanto durar o capitalismo, seremos sempre nós, os empenhados em construir uma sociedade mais justa e igualitária, os alvos preferenciais das injustiças.

Se ajudarmos a implodir barreiras contra o autoritarismo, acabaremos prejudicados adiante, correndo o risco de ser linchados por vias legais. Como o foi Cesare Battisti no julgamento italiano, realizado num período em que os rolos compressores esmagavam o Direito na terra de Mussolini.

Então, apesar de ter sido sempre crítico contundente de Gilmar Mendes, tendo várias vezes o apontado como o presidente mais parcial e desastroso da história do STF; apesar de desprezar profundamente o ministro José Antonio Dias Tóffoli, por sua omissão vergonhosa no Caso Battisti; apesar de considerar particularmente desprezível o senador Heráclito Fortes; ainda assim lembro que a Lei da Ficha Limpa, da forma como querem aplicá-la, é juridicamente insustentável e comporta mesmo os questionamentos legais que lhe estão sendo feitos, bem como a concessão de liminares para sustar seus efeitos.

Chega de populismo primário e irresponsável! Nosso papel é o de elevar a consciência política dos cidadãos, para que eles possam tomar seu destino em mãos.

Não o de tangê-los a agirem como caçadores de cabeças, justiceiros que se limitam a malhar os Judas de ocasião, sem que isto sequer arranhe os fundamentos da dominação capitalista.

*Celso Lungaretti, jornalista e escritor.
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

Índio mente quando se apossa do Ficha Limpa. O projeto teve a relatoria de Eduardo Cardozo


As informações são do site do deputado José Eduardo Cardozo

Ficha Limpa é sancionado pelo presidente Lula; Cardozo, autor do relatório aprovado na Câmara, apoia aplicação já este ano

A nova lei que exige Ficha Limpa para candidatos foi sancionada no último dia 7 de junho de 2010 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O relatório feito pelo deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) foi aprovado integralmente na Câmara dos Deputados e quando chegou ao Senado sofreu alteração por parte do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que modificou um tempo verbal, possibilitando a interpretação dúbia sobre a aplicabilidade da lei. "Foi uma mudança inconveniente que pode favorecer pessoas que já tenham sido condenadas, tornando a lei aplicável apenas para os que venham a ser condenados. A aprovação da lei, no entanto, é uma vitória da população, da moralidade e da ética na política", comemorou Cardozo, um defensor histórico da ética na política.

No entendimento jurídico do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), as regras do Ficha Limpa já podem ser aplicadas nas eleições deste ano. "Sou da corrente de juristas que defende a aplicabilidade imediata da lei, não porque fui o relator da matéria, mas porque não se trata de mudanças no processo eleitoral", afirmou Cardozo. Ele disse que a Constituição só fixa a aplicabilidade em um ano anterior às eleições para leis que mudam as regras. "No caso específico do Ficha Limpa, não há inconstitucionalidade porque estamos definindo apenas os casos de inelegibilidade, fixando regras e requisitos para quem pode ou não se candidatar. Em momento algum a lei trata do processo eleitoral em si", argumentou o deputado.

Cardozo acrescenta que qualquer dúvida que ainda houver será decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Mas pela moralização do processo eleitoral e pelo bem do Brasil, espero que as novas regras tenham eficácia imediata, que já sejam aplicadas nestas eleições", afirmou José Eduardo Cardozo.

O deputado destacou ainda que existem precedentes de o TSE ter julgado constitucional mudanças feitas em ano de eleição, mas que não alteravam o processo eleitoral em si.

Regras

Pelas novas regras aprovadas pelo Congresso Nacional em maio deste ano torna-se inelegível por oito anos candidato condenado em decisão colegiada por crimes contra a administração pública, o sistema financeiro, compra de votos, e por gastos ilícitos de recursos de campanha, abuso de autoridade, prática de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, tortura, racismo, trabalho escravo ou formação de quadrilha.

De acordo com a lei, o candidato pode, no entanto, apresentar recurso, com efeito suspensivo, contra uma decisão de segunda instância que o tenha condenado por algum crime que acarrete em inelegibilidade. Essa alternativa só vale para os casos em que existam evidências de que os recursos possam vir a ser providos, e esse processo passa a ganhar agilidade na sua tramitação.

O Ficha Limpa foi apresentado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral com mais de 1,6 milhão de assinaturas. Enquanto tramitava no Congresso, o texto recebeu o apoio de 2,5 milhões de assinaturas digitais.

Os magistrados e membros do Ministério Público que sofrerem sanções disciplinares, ou que tenham deixado o cargo para evitá-las, também ficarão inelegíveis.

Quem perder registro ou tiver seu diploma de eleito cassados por decisão da Justiça Eleitoral também é inelegível.

Texto e empenho de Cardozo elogiados

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Fernando Ferro (PE) elogiou o trabalho realizado pelo deputado José Eduardo Cardozo. "Ele conseguiu com a maestria e a prudência necessárias manter um texto que resguarda as preocupações da sociedade com a ética, valoriza o Congresso e honra a tradição do PT na defesa da ética na política", destacou Ferro.

Líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, da CNBB, de entidades, deputados, magistrados, jornalistas e a sociedade, por meio de mensagens de email e via Twitter também elogiaram o empenho do deputado Cardozo pela aprovação do projeto.

No Twitter, a rede de microblogguing onde Cardozo mantém perfil, foram dezenas de manifestações de apoio. Para @PAULO_PUGLIERO "é uma honra saber que o País tem homens na política feito o grande relator do projeto FICHA LIMPA a poucos minutos aprovado!" O @Raffa13br parabenizou o deputado pelo brilhante trabalho. "Pena que seu mandato acaba e sua legislatura não terá continuação."


Em sua coluna na Folha de S.Paulo, Jânio de Freitas faz uma análise sobre o projeto (leia aqui).

Cutucando a onça com vara curta

“As sugestões da Contag são ambiciosas e cutucam com vara curta os parlamentares da bancada ruralista que defendem interesses de grandes proprietários de terra”

Por Renata Camargo (*), no Congresso em Foco

Em meio ao rame-rame do debate sobre mudanças no Código Florestal, uma questão central escapa, muitas vezes, dos olhares mais atentos. A diferenciação entre agricultura familiar e agricultura patronal - uma antiga briga, que divide opiniões - deve ser colocada como um dos eixos centrais da discussão. Não se trata de defender essa diferenciação, mas de analisar o que esse discurso acarreta.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) entregou ontem (30) ao deputado Aldo Rebelo (PCdB-SP) – relator do projeto que modifica o Código Florestal brasileiro, que tramita na Câmara – um documento com sugestões de alterações ao relatório do parlamentar paulista. O ponto principal dessa mudança é incluir na legislação ambiental o conceito de “agricultura familiar”.

O pequeno produtor nem sempre é um agricultor familiar. Segundo a Lei 11.326, de 2006 (conhecida como Lei da Agricultura Familiar), agricultor familiar é aquele que tem imóvel rural de até quatro módulos fiscais (o que caracteriza o pequeno produtor) e que utiliza predominantemente a mão-de-obra de sua família. Para ser agricultor familiar (ou silvicultor, aquicultor, extrativista ou pescador familiar), é preciso também ter como renda familiar atividades predominantemente originadas de atividades econômicas realizadas na própria terra.

As sugestões da Contag são ambiciosas e cutucam com vara curta os parlamentares da bancada ruralista que defendem interesses de grandes proprietários de terra. Em linhas gerais, eles pedem que “benesses” como a anistia a multas por crimes de desmatamento, o cômputo de área de preservação permanente (APP) nos percentuais de reserva legal e a permissão para consolidar o plantio em áreas de várzeas (hoje proibido por lei, mas praticado ilegalmente) sejam concedidos exclusivamente a agricultores familiares.

Veja aqui a proposta da Contag ao relatório de Aldo Rebelo

O argumento principal para tratar como duas agriculturas, a familiar e a patronal, é que o agricultor familiar tem uma relação diferenciada com a terra se comparado com os produtores rurais que vivem na cidade e exploram economicamente a propriedade. A Contag argumenta que os agricultores familiares dependem da terra, veem nela uma fonte de sobrevivência e vivem em condições economicamente menos favorecidas.

Esses argumentos esbarram em contra-argumentos feitos por aqueles que acreditam que a agricultura deve ser tratada como uma só. Esses afirmam que a base da atividade agrícola é a mesma para as duas categorias e que, na verdade, uma complementa a outra. Afirmam também que a diferenciação coloca como se existissem “os agricultores do bem” e “os agricultores do mau” e que isso é maléfico para o setor.

Certamente essa interpretação não contribui para o desenvolvimento do setor nem do país e, portanto, deve ser refutada. Não se trata de “agricultura do bem” e “agricultura do mal”, mas de maneiras diferenciadas de acesso a uma mesma atividade e relações distintas com a terra. No debate do Código Florestal, é preciso atenção a essa diferença, para evitar que a raposa fale em nome das galinhas – ou seja, grandes falem sem legitimidade em nome de pequenos.

Um golpe de raposa (ou de raposas), por exemplo, foi a questão de isentar de reserva legal as propriedades com até quatro módulos fiscais. A proposta da agricultura familiar desde o início foi de isenção de reserva legal para até um módulo fiscal, o que representa uma diferença significativa em termos de área. Então por que, em nome dos pequenos, defendeu-se a ideia de dispensar preservação em áreas superiores a um módulo? Por interesses e conveniências.

Diferenciar as agriculturas não é fazer assistencialismo com os menos favorecidos, mas dar tratamento diferenciado aos diferentes. Essa diferenciação, entretanto, deve ser feita com base em critérios técnicos e bem justificados. Não vale colocar em voga simplesmente a “defesa dos fracos e oprimidos”, pois, afinal, essa diferenciação é, entre outras coisas, uma estratégia econômica dos pequenos sobre os grandes.

Na próxima segunda-feira (5), o relator do Código Florestal irá apresentar uma nova versão de seu relatório. Sem muito entusiasmo, o deputado Aldo Rebelo sinalizou que irá “ver se é possível” incluir o conceito de agricultura familiar na legislação ambiental. O parlamentar afirma que o conceito cabe “numa legislação tributária”, mas que é preciso analisar se ele pode constar no Código Florestal.

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“Não venha falar por nós, Kátia Abreu”

*Renata Camargo é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo CDS/UnB. Já atuou como repórter nos jornais Correio Braziliense, CorreioWeb e Jornal do Brasil e como assessora de imprensa na Universidade de Brasília e Embaixada da Venezuela. Trabalha no Congresso em Foco desde 2008.

domingo, 4 de julho de 2010

39% X 38%: Serra é eleito presidente de um país chamado DataFolha. Enquanto isso, no Brasil...


5º feira, Campinas-SP: Dilma Rousseff recebe o apoio de 117 prefeitos do Estado de SP -- 50 deles pertencentes a partidos da oposição. O PSDB foi o partido que mais levou prefeitos ao evento, denominado de Movimento Pluripartidário de Prefeitos Pró-Dilma Rousseff. No total, compareceram 25 tucanos. O PT, partido da candidata, e o PMDB, do vice, levaram 22 prefeitos cada um. Esse apoio pode explicar o crescimento de Dilma na região. Nas últimas pesquisas a petista passou o tucano José Serra, no Sudeste.Dilma ainda conseguiu agregar o apoio de mais 9 prefeitos do DEM e 8 do PPS --legendas que oficializaram o apoio ao candidato do PSDB, José Serra. Além disso, o encontro teve a presença de 8 prefeitos do PV...

PARA MEDIR A CONSISTÊNCIA DO DATAFOLHA VALE RECORDAR O CAVALO-DE-PAU PRODUZIDO PELO INSTITUTO DA FAMÍLIA FRIAS EM 22 DE MAIO
[Carta Maior 22-05]

Em um mês [entre o final de abril e o final de maio] o Datafolha 'deu' e 'tirou' 12 pontos de Serra para ajustar os números do instituto à evidência incontornável de um crescimento generalizado de Dilma em todo o país, conforme os levantamentos da Sensus e da Vox Populi já haviam sinalizado. Mais do que colocar o instituto da família Frias e seu diretor, Mauro Paulino, sob suspeição, o cavalo-de-pau de agora, com o empate entre os dois presidenciáveis, reflete uma crise de identidade na candidatura Serra. O patético figurino de um candidato 'cordial progressista' tentado nos últimos meses derreteu pelo artificialismo abusivo que nenhum gênio do marketing pode contornar. A 'virada' do Datafolha não resultou apenas da exposição de Dilma no programa eleitoral do PT, como quer o reducionismo conveniente dos 'analistas'da pág 2. Acontece que o figurino 'cordial progressista', quase lulista, de Serra fere uma percepção difusa porém marmorizado no imaginário social, que é a oposição golpista, sistemática, da própria mídia ao governo Lula, indissociável de seu alinhamento escandaloso à candidatura demotucana. As manobras em alta velocidade do Datafolha apenas corroboram essa adesão agressiva. O que se está colhendo agora é o efeito bumerangue dessa endogamia despudorada: o golpismo de seus aliados na mídia denuncia a farsa de um Serra 'continuador' do governo Lula. Evidencia, ademais, uma profunda crise de identidade de sua estratégia eleitoral, decorrente da falta de um projeto político e econômico convincente para o país. Só o Datafolha ainda não havia mensurado o desdobramento desse vazio, mas agora não dava mais para esconder. As coisas então ficam assim: ou a mídia muda totalmente seu discurso golpista e adere ao 'lulismo' de Serra --com as consequências eleitorais desse 'ajuste' ; ou Serra sai do armário e se junta ao udenismo lacerdista do diretório midiático.--
(Carta Maior; 02-07)

Deu zebra no mundial


Deu zebra no mundial

Por Rui Martins (*)

Berna (Suiça) - E aconteceu o que todos temiam e alguns, mais entendidos, tinham previsto. De alegria do povo, virou tristeza, felizmente logo depois partilhada, porque para consolo da torcida brasileira, tomaram também o avião de volta os argentinos com Maradona e equipe.

Torcedor de quatro em quatro anos, me fica deste Mundial a impressão de que futebol tem sua dose de técnica, porém não deixa de ser um jogo, com pano verde de grama e os golpes de chance ou de azar nas cobranças de pênaltis.

Muito se tem falado da solidão do goleiro na hora do pênalti, porém pouco dos traumas e sequelas psicológicas dos jogadores depois de perderem seu pênalti. Como os infelizes chutadores de Gana e do Paraguai, incapazes de explicar aos seus compatriotas a sua falha, o seu erro ou sua falta de sorte.

Futebol é um jogo e aí sua força mobilizadora, seu sucesso mundial e a paixão geradora de tanta adrenalina. Quando nossa seleção está ganhando queremos que o tempo passe ligeiro, quando está perdendo esperamos a repetição do milagre de Josué, capaz de parar o tempo, contado no livro bíblico das mil e uma maravilhas.

Sendo jogo, tudo pode acontecer, como se ganhar na loteca e a Suíça derrotar a Espanha. Cadê a lógica ? A bola bate na trave, passa por cima, raspa ao lado, mas não vale. Só vale bola na rede e tem dias em que ninguém consegue enfiar a danada da bola na rede.

Potência do chute do pé, resistência do ar provocando ligeiros mas fatais desvios do curso da bola, provavelmente possíveis de se reconstituir em leis de física, numa fórmula complicada, porém impossível de se prever na corrida do jogador, sob a pressão do adversário. Na cobrança de uma falta não há os marcadores matemáticos calculados pelos soldados de artilharia ao disparar seu tiro.

E esse jogo, que em certos momentos não difere muito da roleta, pode provocar crises dentro do governo, reforçar uma ditadura, criar um clima de alegria coletiva, ajudar na coesão nacional e unir etnias sob a mesma bandeira. Como todo jogo, pode viciar, obcecar, desviar os torcedores de outros interesses dominados pela sequência de alegrias intensas e derrotas imensas.

Toda vez que vou ao Brasil me impressiono com o excesso e importância do futebol, dos jogos, das transmissões, dos comentários, com os torcedores fanáticos, os debates de cronistas incapazes de correr 100 metros mas especialistas na arte de explicar porquê deu 17 preto e não 13 vermelho. Quantas imagens, quanta falação, quantas transmissões e ilusões transitórias como sedativos em populações que se empolgam e se esquecem de seus problemas cotidianos, envolvidas em ilusões passageiras e vitórias efêmeras.

A dose é visivelmente excessiva, próxima da dopagem, muito além da média européia, valendo mesmo como compensação para frustrações diárias. Uma extraordinária energia dissipada num pretenso esporte, em que os espectadores só vêem e ouvem, sem poder tomar qualquer iniciativa, obrigados a aceitar a derrota se não for obtida a esperada vitória. Exercício frustrante, escola ideal para se chegar ao conformismo e à aceitação do statu quo, da inoperância e do desistímulo à ação transformadora da sociedade.

A derrota da seleção brasileira nesse jogo do futebol poderia ser a chance para a população iniciar uma desintoxicação e se curar dessa dependência e dopagem futebolística, que faz tantos ficarem milionários na venda de ilusões virtuais competitivas.

*Rui Martins é jornalista. Foi correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. É autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. É colunista do site "Direto da Redação" e vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, e com o blog "Quem tem medo do Lula?"
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