O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

domingo, 4 de julho de 2010

Dilma na torre das donzelas

Clique na imagem para ler excelente matéria da revista "IstoÉ", que mostra que, mesmo durante os anos em que foi presa e torturada pela ditadura, Dilma não perdeu a ternura jamais.

Resumindo a saga do vice...

Precisa-se de jornalista que saiba fazer cabelo, barba e bigode

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Fernando Soares Campos - Editor-Assaz-Atroz-Chefe

O Departamento de Achados & Perdidos da nossa Agência Assaz Atroz – PressAA –, por encomenda de grande empresa jornalística atuante em todo o território nacional e com sucursais em todos os continentes, está recebendo currículos para criteriosa análise de perfil e possível admissão de jornalista que se disponha a preencher vaga de auxiliar de serviços gerais em sua matriz. O candidato deve ler fluentemente os idiomas inglês, francês e alemão, a fim de que possa operar com segurança o aspirador de pó, a cafeteira elétrica e, quando escalado para fazer pequenas compras no supermercado, saber identificar o melhor chucrute importado, sempre através das instruções e informações originais.

Considerando a desobrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício das funções inerentes ao desempenho da profissão, nosso próprio cliente formulou teste a ser aplicado em candidatos que não tenham qualquer experiência profissional, mas que expressem uma acentuada inclinação para o jornalismo.

Este teste tem como objetivo identificar e classificar a performance inclinante do candidato. Pretende-se com ele medir o possível grau máximo de inclinação a que o elemento pode se submeter. Somente será classificado para a segunda etapa dos exames (o temível "teste da goma", a ser aplicado depois da Copa) o candidato que revelar aptidão para dobrar a sua própria coluna vertebral, realizando uma curvatura de no mínimo 90 graus.

Aí está o teste.

Boa sorte!

1) Quem é o autor da frase: “A imprensa de um país não pode se sentir mais frustrada do que quando as equipes político-jornalísticas de seus órgãos midipartidários já não acreditam na dita cuja – ou já não mais conseguem fingir que acreditam”?

a) Sicrano
b) Beltrano
c) Alguém
d) Ninguém
e) Outrem (bão ou ruim)

2) Qual o personagem do universo humorístico brasileiro que, ao tomar conhecimento das pesquisas de intenção de voto do Datafolha, nas quais Serra aparece tecnicamente empatado com Dilma, disse: “Implensa, que dá!”?


a) O Amigo da Onça
b) Fradim, do Henfil
c) Jeremias, o bom
d) Mônica
e) Outro: ____________________

3) Qual dessas opções de manchete anunciaria de forma mais realista a diferença entre Serra e Dilma nas pesquisas de intenção de voto?

a) “Serra continua oscilando entre mais e menos intenções de voto em seu favor”
b) “Soma dos percentuais de intenção de voto dos candidatos da oposição supera percentual da candidata governista”
c) “Leitura simétrica dos percentuais de intenção de voto coloca Serra na frente de Dilma”
d) “Devido ao Mundial de Futebol, Serra cresce que nem crina equina”
e) “Serra se mantém como candidato preferido de parte da militância do PSDB”

4) Qual dessas frases você escreveria em matéria que tratasse de certo dossiê fajuto?

a) “Suposta declaração de suposto petista revela que são eles próprios os autores de dossiê fajuto contra Serra”
b) “Dossiê fajuto contra Serra teria novos elementos sobre o mensalão do PT”
c) “Baixaria: Dossiê fajuto expõe vida íntima da recatada jovem Verônica, filha de Serra, provável vencedor da eleição para presidente da República”
d) “Isso é uma vergonha: Polícia Federal do governo Lula se envolve no caso do dossiê contra Serra!”
e) “Nem sob tortura Dilma confessaria que mandou fazer dossiê contra Serra”

5) Sobre o vice de Serra, o que você diria?

a) “Assim como a Bolívia, Brasil poderá ter Índio na Presidência, caso Serra seja eleito e morra” - ou “...caso Serra morra depois de eleito”
b) “Índio brasileiro não incentiva o narcotráfico como faz o índio boliviano”
c) “Capitalismo selvagem, índio na vassalagem”
d) “A diferença fundamental entre o índio brasileiro e o boliviano é que este é narcotraficante, enquanto aquele é vítima imediata do narcotráfico”
e) “Índio nas costas pesa mais que índio no colo”

6) Como você interpreta a frase “O DEM é uma merda”, postada no Twitter pelo excrementoso ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB paraguaio?

a) O DEM é uma bosta.
b) O DEM exala um cheiro forte, capaz de manter os adversários à distância.
c) O DEM está dentro de cada um de nós.
d) O DEM é uma espécie de adubo, portanto vai fertilizar a campanha do PSDB.
e) Jefferson não entende de DEM nenhum(a)!

7) “Rei morto, rainha posta”. Se Lula tivesse pronunciado essa frase, qual a sentença que melhor definiria as intenções do presidente ou a ilegalidade da declaração presidencial?

a) “Lula e Dilma estão tramando golpe para restauração da monarquia no Brasil”
b) “Lula, ignorando as regras de concordância nominal, quis dizer: ‘Rei morto, rainha poste’”
c) “Para Lula, a sua posse em 2007 marca o momento em que ele assumiu sua porção feminina”
d) “Lula faz campanha antecipada a favor de Dilma e deve ser multado”
e) Qualquer outra sacanagem que você queira dizer: _________________________________

8) Baseado na última pesquisa Datafolha, Uirá Machado escreveu na Folha.com:

Eleitor de Dilma se declara mais decidido que o de Serra

“O eleitor de Dilma Rousseff (PT) está mais decidido que o de José Serra (PSDB) e o de Marina Silva (PV).

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 78% dos eleitores da petista afirmam que estão totalmente decididos com relação ao seu voto no primeiro turno, contra 20% que declaram poder mudar de ideia.

Entre os eleitores de Serra, os decididos são 70%, e os que dizem poder mudar de voto representam 28%.

Os eleitores de Marina são os menos convictos: 39% dizem que podem mudar de voto, contra 58% que afirmam estar totalmente decididos.

No levantamento, Serra apareceu com 39% das intenções de voto, Dilma teve 38%, e Marina, 10% no cenário com apenas os três.”

Para amenizar ainda mais o impacto da pesquisa Datafolha que coloca Serra empatado tecnicamente com Dilma, qual dos parágrafos você alteraria de acordo com as alternativas abaixo?

a) “O eleitor de Dilma Rousseff (PT) é um sujeito empedernido, o mais fanático dos eleitores, enquanto o de José Serra (PSDB) e o de Marina Silva (PV) são pessoas sérias, sensatas, equilibradas, ponderadas...”

b) “Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 78% dos eleitores da petista estão totalmente obstinados, aloprados, desatinados, com relação ao seu voto no primeiro turno (só no primeiro turno!), contra 20% daqueles que entre eles ainda exteriorizam algum equilíbrio, os quais declaram que podem (creio que devem) mudar de ideia.”

c) “Entre os eleitores de Serra, os decididos, inesitantes, resolutos, são 70%, e os que dizem poder mudar de voto (provavelmente para Marina) representam 28% de pessoas que estão sendo vítimas de aliciamento com uma bolsa-qualquer, ou ameaçados de perder cargo na administração pública, caso declarem, em definitivo, que votarão em Serra.”

d) “Os eleitores de Marina são os menos convictos: 39%, ou seja, os mais esclarecidos, intelectualizados, comprometidos com o povo e a justiça social, dizem que podem mudar de voto (supomos que seja para Serra), contra 58% que afirmam estar totalmente decididos (talvez a reavaliar suas posições).”

e) “No levantamento, Serra apareceu na liderança absoluta com 39% das intenções de voto, Dilma teve apenas minguados 38%, e Marina mantém a reserva de 10% que infelizmente ameaça levar Dilma para o segundo turno, no cenário com apenas os três.”

* * *

Atenção: O leitor interessado na vaga de jornalista-auxiliar-de-serviços-gerais que se sinta capaz de fazer cabelo, barba e bigode (não necessariamente nessa ordem), envie as suas respostas à nossa redação e continue procurando emprego, pois isso aí não tem futuro, não!

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

______.

PressAA

Agência Assaz Atroz

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O sonho acabou

O sonho acabou

Por Mario Augusto Jakobskind (*)

No futebol, o sonho do hexa acabou. Mas quase alguns minutos depois, o mercado, leia-se a Brahma, patrocinadora da seleção brasileira, determinou que não deu desta vez, o negócio agora é 2014. Podem imaginar o que vem por aí em matéria de negócios futebolísticos?

Como não poderia deixar de ser, a “agredida” TV Globo, via Galvão, não perdoou Dunga pela derrota mortal para a Holanda. O treinador volta para casa e antes de qualquer coisa já avisou que o seu contrato era de quatro anos. Mesmo se o Brasil ganhasse o seu destino na CBF estava selado, porque quem “atrapalha” os negócios, ainda mais envolvendo a Globo, não tem vez na seleção do Teixeira (Ricardo), ou melhor, brasileira.

A imprensa saudou o fim da Era Dunga, mas não se atreveu a pedir o fim da Era Ricardo Teixeira, na prática o proprietário da CBF, que sai ano entra ano está sempre no comando de tudo que diz respeito ao futebol brasileiro e aos negócios dele advindos.O cidadão acima de qualquer suspeita nunca é cobrado pelos eventuais desempenhos medíocres da seleção. Dunga só existiu porque Teixeira quis, mas ninguém cobrou do bib-shot da CBF a mediocridade.

Mas é isso aí, o mundo não acabou por causa de uma desclassificação da seleção brasileira. Futebol é assim mesmo. O Uruguai, depois de 40 anos, voltou ao primeiro escalão do futebol mundial. Joga com a Holanda nesta terça-feira, numa parada dura de roer, sendo a camisa laranja franca favorita, mas futebol é futebol.

Depois de esfriada a cabeça pela derrota com a Holanda, neste país continente a campanha presidencial vai mesmo começar a esquentar. Nos 45 minutos do segundo tempo para a escolha de quem preencheria a chapa tucana-demo-pepesista(PPS) e petebista (PTB do Jeferson), o candidato da direita brasileira, José Serra, encontrou um vice, o emergente da Barra, Índio da Costa. Esse cria político de Cesar Maia, o tal ex-prefeito do Rio que na sua última administração abandonou a cidade para se dedicar integralmente ao seu blog, foi possivelmente indicado pelo filho do padrinho político, de nome Rodrigo Maia.

E assim o Partido Democratas (Demo), o ex-Partido da Frente Liberal, conseguiu emplacar o vice de linha tão ou mais conservadora que o patrono Maia. Índio da Costa é acusado pela vereadora do PSDB carioca Andréia Gouvêian de falcatrua com merenda escolar quando secretário de Administração na gestão do padrinho Cesar Maia. Ela até pediu licença do seu partido.

O jogo vai ser bruto, ou seja, a direita vai fazer o possível e o impossível para evitar que a candidata de Lula, Dilma Roussef, chegue lá. Serra tenta se apresentar como o “mais experiente para governar o país”, mas tentará evitar associações com outros políticos da América Latina, entre os quais o recém eleito Juan Manuel Santos, sucessor da Álvaro Uribe. O novo presidente colombiano, por sinal, está convocando Tony Blair, o “cachorrinho” de George Bush, para ajudar a incrementar o que ele e alguns analistas denominam de Terceira Via, que na verdade não passa de uma marca de fantasia do esquema neoliberal inaugurado na Grã-Bretanha pela então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher.

No mesmo time de Santos, e de Serra, encontra-se o menos conhecido presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, que no último dia 1 de julho completou um ano de governo. O dirigente panamenho, também aliado de Washington, em 365 dias incrementou uma reforma do Código de Trabalho, totalmente inconstitucional, segundo analistas, que na prática acabou com o direito de greve dos trabalhadores. Como se não bastasse, Martinelli aprovou uma reforma fiscal que entrando em vigência acarretará um aumento de 40% nos impostos dos setores mais pobres da população. O imposto do consumo sobe de 5 para 7% para todos os produtos e serviços, sem incluir os alimentos.

Martinelli, como alguns candidatos a governos de Estado no Brasil, que prometeram acabar com a violência em seis meses, entre os quais o hoje diretor da Caixa Econômica, Moreira Franco, não cumpriu com a palavra, muito pelo contrário, pois em um ano o Panamá viu aumentar inclusive o tráfico de drogas e outras manifestações de violência.

No Chile, o atual presidente Sebastián Piñera segue pelo mesmo caminho que o colombiano Santos e o panamenho Martinelli, enquanto em Honduras, o presidente Porfírio Lobo, que venceu uma eleição fajuta depois da derrubada de Manuel Zelaya, não deteve a repressão que se abate sobre o movimento popular do país, que já resultou em centenas de mortes.

Neste período pós-Copa e no momento em que a campanha eleitoral se intensifica, os eleitores brasileiros precisam ser informados sobre o que acontece neste continente e com isso ter mais elementos para poder fazer a opção por seus candidatos. Como, segundo indicam as pesquisas, a maioria absoluta não quer correr o risco de retrocessos como o que acontece nos países mencionados, a informação nesse contexto é artigo de primeira necessidade.

*Mário Augusto Jakobskind é jornalista, mora no Rio de Janeiro e é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de S. Paulo e editor de Internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do semanário Brasil de Fato. É autor, dentre outros livros, de “América que não está na mídia” e “Dossiê Tim Lopes – Fantástico / Ibope”. É colunista do site “Direto da Redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

A charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog "Quem tem medo do Lula".

O Brasil na Copa - Dunga e a mídia


O Brasil na Copa - Dunga e a mídia


Por Laerte Braga (*)


O que levou a seleção brasileira a transformar um belo primeiro tempo contra a Holanda numa tragédia futebolística no segundo tempo e ser eliminada, terá sido apenas a gota d’água de um processo que começou na briga do técnico Dunga com a REDE GLOBO e seus privilégios em relação ao restante da imprensa esportiva.



Dunga saiu do Brasil já agastado com as críticas a não convocação de Ronaldinho Gaúcho, de Paulo Henrique Ganso e um ou outro atleta, como as críticas feitas à chamada do goleiro Doni, reserva na Roma.



É preciso peito para peitar a GLOBO e Dunga teve. Não precisava ter estendido a trombada que deu na rede a toda a crônica esportiva, a todo o jornalismo esportivo. Sabia que ao proibir a entrada de Fátima Bernardes na concentração estava colocando sua cabeça na guilhotina e que naquele momento Ricardo Teixeira não iria demiti-lo. Teixeira é tudo menos burro.



Existem episódios, no entanto, que precisam ser vistos para que se possa ter um todo do processo.



Há uma disputa entre a GLOBO e a RECORDE pelos direitos de transmissão com exclusividade da Copa do Mundo. Vem de longe e recentemente a RECORDE conseguiu desbancar a GLOBO das Olimpíadas.



Nem RECORDE e nem GLOBO são flor que se cheire, pelo contrário, exalam odor podre de corrupção. São organizações cancerosas na mídia brasileira, agem em função de interesses que não têm nada a ver com os propósitos e objetivos da comunicação numa sociedade democrática.



Os Marinhos são bandidos tanto quanto Edir Macedo.



A forma encontrada pela RECORDE para infernizar a vida da GLOBO na Copa foi a presença de jogadores e do assistente técnico Jorginho evangélicos. Ao futebol acrescentaram a “religião” como instrumento para tentar desbancar a concorrente.



Se Fátima Bernardes não tinha acesso à concentração, um tal pastor Anselmo era figura carimbada no reduto dos brasileiros e sua tarefa, além de “invocar a proteção divina”, era “sensibilizar” jogadores não evangélicos para a “salvação”. Com direito a cachê.



Com isso e para isso contou com atletas como Robinho, Cacá, o assistente técnico Jorginho, a mulher de Cacá do lado de fora convocando multidões a rezar pelo jogador numa exploração barata e comercial da fé, enfim, acrescentando ao futebol um ingrediente que nada tem a ver com futebol.



A primeira reclamação veio antes do primeiro jogo do Brasil. Houve jogadores que foram se queixar a Dunga do assédio do pastor Anselmo e de jogadores outros evangélicos.



Organizações neopentecostais tentaram de todas as formas possíveis mudar a determinação da FIFA que proíbe exibição de símbolos ou frase religiosos em comemorações de gols. De qualquer profissão de fé, exatamente para impedir uma outra forma de racismo, digamos assim, o racismo religioso.



O fundamentalismo religioso, no caso, com um ingrediente a mais, a corrupção neopentecostal da imensa e esmagadora maioria de pastores e seitas bandidas.



No sábado a mulher de Cacá, pastora, estava num show de uma cantora e depois esticou até a quadra da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.



Direito legítimo dela, desde que a condenação a essa forma pagã de vida, como dizem, valha inclusive para pastores e pastoras.



E se pensarmos bem, deixa de ser fundamentalismo religioso e passa a ser vigarice.



O xis da questão não esta só em enfrentar o poder e o monopólio da GLOBO, ou achar que a RECORDE superando a GLOBO vá modificar alguma coisa. São farinha do mesmo saco, quadrilhas em briga e disputa por um mercado de prestação de serviços a grupos políticos, econômicos internacionais de olho no Brasil.



Se a GLOBO anestesia com o JORNAL NACIONAL, novelas, BBB, a RECORDE o faz com “cultos” montados em efeitos especiais vergonhosos de vigarice explícita naquele negócio de quem dá mais por uma casa no céu e a vida eterna repleta de glórias.



O que é necessário e redesenhar o modelo de comunicação no País, falo de televisão.



Por trás de toda essa disputa Dunga acaba sendo uma vítima com consciência do papel a que se presta, até pela natureza do seu temperamento, por falta de consciência da luta que se trava entre gigantes podres da comunicação.



Peitou a GLOBO, tudo bem.. Louvável. Mas permitir-se ser usado numa guerra entre GLOBO e RECORDE, mero instrumento de notórios bandidos, acabou por transformar a pretensa independência em triste papel de laranja de meia dúzia de espertalhões.



Fé não se discute, é questão de consciência e direito legítimo de cada um. Mas o uso da fé como instrumento de alienação, de trapaças, de corrupção plena, isso é outra coisa, do contrário Bento XVI não seria tão pilantra como Edir Macedo, ou qualquer membro da família Marinho, ou prepostos como William Bonner, pois variam apenas no fato de um entender o que significado de garfo e faca, outro não e vai por aí afora.



Continua tendo razão Marx quando afirma que “a religião é ópio do povo”, não a fé, mas a religião. Se presta a que sionistas achem que são superiores por decisão divina. A golpes e vigarices de Edir Macedo e as várias seitas como a que Cacá pertence a iludir (entre eles o próprio Cacá), milhões de pessoas, transforma-se em instrumento de dominação ao contrário do que afirmam, de libertação.



Como dizia Glauber Rocha, é preciso entender que “somos o País da macumba” e isso tem um significado sem tamanho. Ou somos o que de fato e historicamente somos, ou seremos apenas gado nas mãos dessa gente. Somos maiores que essas limitações religiosas absurdas e bandidas no caso das seitas neopentecostais (a maioria, toda regra tem exceção, mas aí é mínima, mínima da mínima).



Gente padrão pastor Anselmo, tem um monte deles aí vendendo salvação. A GLOBO também, uma forma de salvação diversa, pois o “deus” dela é o Mercado, a sede é em Washington. Macedo, como qualquer bandido de segunda categoria preferiu Miami. É onde estão as máfias cubanas, as dos refugiados.



Dunga se enrolou nessa e sua coragem de peitar a GLOBO acabou se transformando-o em laranja da concorrente da GLOBO.



São quadrilhas, são iguais.



Na copa de 2014, a persistir esse tipo de briga, sugiro meio Maracanã para neopentecostais e meio Maracanã para carismáticos. O futebol fica de fora .Besteira, para que?



E vão dizer que a culpa é do Irã, ou da Venezuela.




*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Serra e a derrota do Brasil

Serra e a derrota do Brasil

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

O candidato a presidente da República, José Serra, pode ser culpado pela derrota da seleção brasileira? Há controvérsias. De qualquer forma, revelo aqui os bastidores do dia em que Serra deu uma de Dunga e levou o nosso futebol a um clamoroso fracasso. Mas não quero influenciar ninguém. Conto o caso como o caso foi. Que os leitores e leitoras tirem suas próprias conclusões dessa história edificante, comparando-a com o recente discurso feito por Serra na Confederação Nacional da Agricultura.

Comecemos pelo começo, desenhando o cenário e apresentando os personagens. Foi assim... Tudo começou há mais de quarenta anos, com o golpe militar que levou ao exílio milhares de brasileiros. O Chile acolheu um sem-número deles que, evitando a prisão e a tortura, fizeram o caminho de Santiago em duas ondas de exilados: uma em 1964, a outra em 1969.

Da primeira faziam parte ministros, deputados, jornalistas, professores como Fernando Henrique Cardoso, Almino Afonso, Plínio Arruda Sampaio, Paulo Freire, e tantos outros, entre os quais José Serra, ex-presidente da UNE, que se qualificou no exílio cursando mestrado em Economia na Escolatina da Universidade do Chile. Com boa formação acadêmica, ocuparam cargos bem remunerados no Governo chileno e em organismos internacionais, da OEA e da ONU, sediados naquele país.

A segunda onda era composta, em sua maioria, por peixe pequeno: militantes, estudantes, profissionais jovens em começo de carreira, gente que atravessou a fronteira do Uruguai, a pé, sem dinheiro, sem passaporte e de lá foi de ônibus ou avião para o Chile. Entre eles estava o ator Euclides Coelho de Souza, o repórter Tarcisio Lage e esse que digita essas mal traçadas linhas. Quando em outubro de 1969, com a diferença de alguns dias, chegamos à capital chilena, nenhum de nós três tinha onde cair morto. Quem matou nossa fome foi a Caixinha. Bendita Caixinha!

A Caixinha

Caixinha foi o nome que os exilados deram a uma instituição criada no Chile por brasileiros, destinada a ajudar os compatriotas enquanto não encontravam trabalho. Aqueles que tinham altos cargos em organismos internacionais, com salário em dólares, contribuíam mensalmente e pagavam, assim, a hospedagem dos desempregados. Desta forma, tínhamos casa e comida. Roupa lavada? Cada um cuidava pessoalmente da sua.

A primeira pensão que nos hospedou, de propriedade da dona Adriana, ficava na Calle Michimalongo, onde a comida servida pela Juanita era muito boa: sopa de aspargos, alcachofra, porotos granados, empanadas, caudillo de congrio. Mas a repressão no Brasil se acirrou e com ela cresceu a enxurrada de exilados que chegavam aos potes, desequilibrando as finanças da Caixinha. Fomos, então, transferidos para uma pensão muito mais barata na Calle Grajales. Lá, um dia sim e o outro também, nos serviam rim cortado em cubinhos com cheiro de carne mijada.

Foi lá, na pensão da Grajales, que a ‘seleção brasileira’, formada pelo pessoal da Caixinha, se concentrou antes da partida decisiva contra a ‘seleção chilena’, no campeonato de pelada que rolava todos os sábados num campinho de um colégio jesuíta. O nosso half direito Euclides, o Dadá, era uma peça ofensiva fundamental. Rápido e habilidoso, tinha forte arrancada, bom drible, realizava cruzamentos mortais e ainda por cima recuava para defender.

Acontece que Dadá não podia jogar por uma razão prosaica: não tinha calção, nem dinheiro para comprá-lo. Procuramos a Caixinha que, como todo banco, era controlado por um mineiro: o escritor Edmur Fonseca. Embora generoso, ele alegou inexistência de fundos para aquisição de supérfluos. Acionamos outros mineiros: o advogado Antônio Romanelli e os jornalistas Guy de Almeida e José Maria Rabelo. Tudo em vão.

Foi aí que Teodoro Buarque de Holanda, primo do Chico, doou à ‘seleção brasileira’ um jeans velho, mas de marca, comprado em boutique. A Adair Therezinha Chevonika, mulher do Dadá, pegou uma tesoura, cortou as pernas e transformou o jeans num bermudão. Quando o Dadá entrou em campo, vocês podem não acreditar, mas José Serra, que dava uma de técnico improvisado, gritou:

- Quem estraga uma calça cara só para jogar futebol é porque tem dinheiro, deve ser muito rico, não precisa da Caixinha. Você não deve mais receber ajuda.

Índios en la costa

Meninos, eu vi, e ouvi. Se fosse nos Estados Unidos, o Dadá processava o Serra por danos morais e ganhava uma grana preta. Mas naquelas condições, no Chile, ele ficou arrasado, sem condições psicológicas. A ‘seleção brasileira’, com seu half direito moralmente contundido, perdeu de 4 x0. Dadá fez até gol contra. Serra organizou essa derrota do Brasil? Só Deus sabe.

No dia seguinte - meninos, essa eu não vi, mas circulou entre os exilados - Tarcisio Lage chamou Serra de “reacionário” nos corredores da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO), onde ambos trabalhavam. Serra reagiu:

- Você é um maoísta sectário e fanático, Tarcísio. Você faz parte da esquerda pueril!

- Vai-te pra pqp – respondeu Tarcisio, que é bom de rima. Os dois se engalfinharam, verbalmente, e quem desapartou a briga foi Fernando Henrique Cardoso, ajudado pelo professor Deodato Rivera, que sonhava em fazer o maior fichário de ciências sociais do mundo. Meu amigo Tarcísio, que hoje vive na Holanda e mantém um blog (www.anarco.net) pode confirmar a história, que talvez nos ajude a entender a contradição do Serra.

Um lado do Serra é generoso; o outro é pão-duro e sovina. Na quinta-feira, em debate na Confederação Nacional de Agricultura, o lado mesquinho emergiu. Para puxar o saco da senadora Kátia Motoserra Abreu, Serra se manifestou contra a distribuição de cesta básica para o MST: “Não quero que o governo gaste dinheiro com isso”. A cesta do MST é o bermudão do Dadá.

Serra, Dilma, Marina e Plínio – qualquer um deles tem competência e biografia para exercer a presidência da República. O diabo é que os dois mais cotados nas pesquisas não podem renunciar ou morrer no cargo. Imaginem o Brasil governado pelo mordomo de vampiro, o Michel Temer, o rei do fisiologismo, ou por essa caricatura, esse paspalhão sub-collorido – o Índio da Costa, envolvido com desvio da merenda escolar no Rio de Janeiro!

Dizem que nessa sexta-feira, depois do primeiro tempo Brasil x Holanda, comunicaram ao Felipe Mello que Índio da Costa foi escolhido para ser o vice de Serra. O jogador ficou tão baratinado como o Dadá. Deu no que deu. Essas alianças vergonhosas com o DEM e a parte podre do PMDB representam grande risco para o país. Como dizem os espanhóis para advertir uma situação de perigo: Atenção, Brasil, hay moros en la costa.

*José Ribamar Bessa Freire é antropólogo, natural de Manaus e assina no “Diário do Amazonas” coluna semanal tida como uma das mais lidas da região norte. Reside no Rio de Janeiro há mais de 20 anos e é professor da UERJ, onde coordena o programa “Pró-Índio”. Mantém o blog “Taqui pra ti” e é colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

O Ibope/Globope mente - Montenegro quer ressuscitar Arruda Serra



O Ibope/Globope mente - Montenegro quer ressuscitar Arruda Serra


Por Laerte Braga (*)


Cristovam Buarque de Holanda foi um dos raros governadores de Brasília a ter equilíbrio, serenidade e competência íntegras em seu governo. Por essa razão talvez tenha se tornado um errático. Superestimou seu potencial em termos de eleições e acabou derrotado em 1998 para Joaquim Roriz (um dos políticos mais corruptos do Brasil).



Cristovam Buarque de Holanda era favorito à reeleição e num dado momento, como que num surto de besteira, cismou de manifestar publicamente apoio às candidaturas de Almir Gabriel e Eduardo Azeredo a governadores de seus estados, o Pará e Minas, já imaginando que, reeleito governador de Brasília tornava-se candidato em potencial a presidente dentro ou fora do seu partido de então, o PT. Como teve o apoio de Malan, ministro da Fazenda de FHC, foi incensado pelo próprio presidente à época para tentar abrir uma fissura no PT e impedir a candidatura Lula, ou debilitá-la para as eleições de 2002. Caiu na conversa da sereia tucana. Do faraó paulista.



Não se preocupou em fazer campanha para a eleição que disputava, a de governador de Brasília. Falou como se candidato a presidente fosse, mesmo porque os dois candidatos nominalmente apoiados por ele, Gabriel e Azeredo eram e são tucanos.



O diretor do IBOPE, Montenegro, às vésperas da eleição, no sábado, em entrevista a vários jornais disse que engoliria todas as pesquisas que haviam sido feitas em Brasília se Cristovam perdesse para Roriz.



Cristovam perdeu e o Montenegro não engoliu pesquisa alguma. O IBOPE erra com freqüência, até quando pesquisa para valer. E isso é raro.



A pesquisa divulgada no sábado, três de julho, dá empate técnico entre os candidatos José Arruda Serra e Dilma Roussef, com ascensão para Arruda Serra e queda de um ponto para Dilma.



Fabricar pesquisas é a coisa mais fácil para qualquer quadrilha tipo IBOPE/GLOBOPE.



O resultado apurado foi completamente diverso do divulgado. Dilma alcançou 41% e José Arruda Serra 34%.



A divulgação de duas pesquisas imediatamente após a escolha de um DEM padrão Índio da Costa faz parte da estratégia de Arruda Serra. IBOPE/GLOBOPE e DATA FOLHA trabalham pari e passo com a quadrilha tucana.



Tentar neutralizar o impacto das pesquisas divulgadas pelos institutos VOX POPULI e SENSUS, que dão vantagem de cinco e seis pontos a Dilma. Tentar impedir que a candidatura tucana atinja os últimos estertores depois de todas as trapalhadas para a escolha do vice e que resultou num candidato que desviou dinheiro da merenda escolar.



Ressuscitar Arruda Serra..



Trabalhar junto ao eleitorado a idéia que o candidato está vivo e disputando palmo a palmo com Dilma Roussef.



Mentira. E a mentira faz parte do modus operandi dessa gente.



Arruda Serra naufraga em estados considerados tucanos, como Minas Gerais. Começa a patinar no Sul do Brasil e perde em todos os estados nordestinos, no norte e na região Centro Oeste. Perde no Rio de Janeiro.



Montenegro não vai, certamente, prometer desfilar nu como Maradona, se estiver errado pela simples razão que não está preocupado com cumprir ou deixar de cumprir promessas desse porte, pura arrogância. Montenegro e seu instituto vão mentir até as vésperas da eleição na tentativa de eleger Arruda Serra, como mentir vai a GLOBO, vai a FOLHA DE SÃO PAULO e vai VEJA.



É da natureza dessa gente.



Tipo reunião em São Paulo para analisar o desastre que foi o processo de indicação do vice e o próprio vice indicado e a solução. Fabricar duas pesquisas, uma seguidinha da outra para tentar apagar o incêndio, ou o naufrágio.



A pesquisa do INSTITUTO VOX POPULI realizada na terça-feira, dia 29 de junho, mostrou Dilma com 40% contra 35% de Arruda Serra.



A pesquisa do IBOPE/GLOBOPE que mostra “empate técnico” foi realizada pelo instituto a pedido da ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO, presidida por Afif Domingos, candidato a vice-governador na chapa de Geraldo Alckimin. Quando foi conhecido o resultado (Dilma 41% e Arruda Serra 34%) a turma resolveu dar uma realinhada nos números, ajustar os parâmetros, digamos assim.



A divulgação dos números reais mostraria o que qualquer um sabe. A candidatura Arruda Serra não existe mais. Acabou. Ou como disse o ex-governador de Minas, Aécio Neves, ao tomar conhecimento que o deputado Índio da Costa seria o vice. “Meu Deus o Serra desorganiza tudo que está organizado”.



Daqui, onde praticamente começa a campanha eleitoral, o festival de mentiras via GLOBO, via FOLHA DE SÃO PAULO, via VEJA, via RBS, via a mídia podre e venal de meia dúzia de barões sem caráter, vai alcançar os patamares de todas as eleições, como fazem sempre.



Não se trata de emprestar caminhões para desovar cadáveres de vítimas da ditadura militar como a FOLHA fez, mas de falsear notícias, inventar fatos, pesquisas, caravanas da cidadania, dossiês montadinhos (A GLOBO é especialista nisso, toda eleição tem sempre um dossiê e por trás do dossiê uma grana)



A propósito, com a decisão do ministro Ayres Brito de negar liminarmente pedido de políticos enquadrados na lei da ficha limpa, fica comprovado que temos duas cortes supremas. A do Gilmar Mendes, STF DANTAS/ARRUDA SERRA INCORPORATION LTD e outra o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.



Uma delas vai vencer, lógico, já que esses recursos terão que ser objeto de análise do tribunal pleno, ou seja, a totalidade dos onze ministros. Gilmar e Tófoli concederam liminares permitindo candidaturas de bandidos, Ayres Brito não.



As eleições de 2010, provavelmente, serão aquelas mais sujas da história do País.



É que os donos não querem de forma alguma perder a possibilidade de voltar a controlar o Brasil, transformá-lo em BRAZIL vendendo o que falta vender e embolsar milhões a guisa de propina, tudo sob o comando de José Arruda Serra.



Consciente ou não o jornalista José Simão, da FOLHA, chama Arruda Serra de vampiro. Com certeza. Suga o sangue dos brasileiros. Como qualquer tucano ou DEM, ou qualquer Roberto Freire da vida (o ex-honesto, conselheiro a doze mil por mês).



O IBOPE/GLOBOPE mente. Distorce. Falseia. O DATA FOLHA idem ibidem.


*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

sábado, 3 de julho de 2010

Memorial em homenagem a Mário Alves de Souza Vieira

A ABI e o Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro realizam no dia 5 de julho o lançamento de um Memorial em homenagem ao jornalista baiano Mário Alves de Souza Vieira, fundador e principal dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), morto no DOI-Codi do Rio, em 17 de janeiro de 1970. A solenidade será a partir das 18h, na sede da Associação, na Rua Araújo Porto Alegre, nº 71-7º andar.

O evento contará com a presença de Lúcia Caldas, filha do homenageado, e do Ministro chefe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi.

O Memorial vai ser confeccionado pelos artistas plásticos Tiago e Cristina Pozzobon, e de acordo com o Coordenador do Projeto de Promoção de Direito à Memória e à Verdade, Maurice Politi, é a representação do resgate “da memória dos que tombaram na resistência à ilegalidade e na divulgação dos princípios democráticos de liberdade e justiça”.

Mário Alves nasceu em Sento Sé, Bahia, em 1923. Iniciou sua militância política aos 16 anos e foi um dos fundadores da União dos Estudantes da Bahia. Formou-se em Letras em Salvador. Ingressou no Partido Comunista em 1939 e foi um dos líderes das mobilizações de agosto de 1942 na capital baiana contra o nazifascismo.

Em 1945, passou a integrar o Comitê Estadual na Bahia do PCB, sendo eleito em 1954 para o Comitê Central e alçado à Comissão Executiva em 1957. Dirigiu os jornais Novos Rumos e Voz Operária, do partido.

Após abril de 1964, tornou-se um dos líderes da corrente de esquerda do PCB. Foi preso, em julho de 1964, no Rio de Janeiro, sendo libertado um ano depois. Em 1966, teve os direitos políticos cassados por dez anos. Em 1968, ao lado de Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e outros membros dissidentes da direção do PCB, fundou o PCBR.

Prisão e morte

Em 16 de janeiro de 1970, perto das 20h, saiu de sua casa, no bairro da Abolição no subúrbio carioca e nunca mais voltou. Foi preso pelo DOI-Codi nessa data e morreu no dia seguinte, nas dependências do quartel da rua Barão de Mesquita (zona norte). Mário foi visto sangrando abundantemente na sala de tortura por vários presos políticos, entre eles Raimundo Teixeira Mendes, Brandão Monteiro e Antonio Carlos de Carvalho.

Sabe-se que nas horas que antecederam sua morte, sofreu maus-tratos brutais, foi colocado no pau-de-arara, espancado com cassetetes de borracha, torturado com choques elétricos e afogamento. Sua resistência à tortura foi heróica, recusando-se a fornecer qualquer informação aos seus algozes.

A esposa Dilma foi uma das precursoras do movimento dos familiares de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar do golpe de 1964, e lutou incansavelmente para saber do paradeiro de seu marido. Nunca obteve informação das autoridades da época e nem recebeu seu corpo. O crime nunca foi apurado.

Em 1981, ela e sua filha Lucia conseguiram o reconhecimento judicial da responsabilidade da União pela prisão e morte de Mário Alves.

Fonte : ABI

Ficha limpa para a mídia

Ficha limpa para a mídia

Por Laerte Braga (*)


O jornal NEW YORK TIMES, num determinado momento da campanha presidencial de 2008 nos Estados Unidos, publicou um editorial anunciando seu apoio ao candidato democrata Barack Obama. Desfilou as razões da atitude, anunciou sua opção.



Em momento algum o NEW YORK TIMES adulterou notícias, inventou dossiês, montou pesquisas para favorecer seu candidato, nada semelhante ao que fazem os veículos das organizações GLOBO, de VEJA, ou FOLHA DE SÃO PAULO. Tão somente tornou pública a sua posição.



Um jornal ou revista apoiar determinado candidato não implica em crime e nem o transforma em órgão mentiroso. O que faz com que a grande mídia no Brasil seja mentirosa, parte do complexo político e econômico orientado pelos interesses de banqueiros, grandes empresários e latifundiários é exatamente a falta de caráter, o fato de serem veículos comprados e compráveis. Sugerem imparcialidade que não existe para dissimular essa falta de caráter.



Há dias uma menor foi violentada em Santa Catarina por três adolescentes. Um deles filho de um dos donos da RBS, rede de televisão ligada a GLOBO e que opera no sul do País. Silêncio absoluto no JORNAL NACIONAL. Filho de diretor de redes afiliadas, ou associadas pode tudo, inclusive violentar menores.



O nome do cidadão, o pai, o amigo da GLOBO, parceiro, é Sérgio Sirotsky. O caso aconteceu na casa da mãe do rapaz. A moça foi embebedada e estuprada de todas as formas possíveis por três rapazes, dois além do filho do dono da RBS.



Foi a própria mãe do rapaz que ao abrir a porta do quarto do filho e ver ao que estava acontecendo parou a barbárie, ligou para os pais da menina e na tentativa de salvar seu filho comunicou que a filha deles estava bêbada, “sabe como é festa de adolescentes, por favor venham buscá-la”.



Silêncio absoluto no JORNAL NACIONAL.



São covardes além de mentirosos.



À época da ditadura militar um grupo de empresários paulistas montou e financiou a OBAN – OPERAÇÃO BANDEIRANTES –. Ligava grupos de repressão e terror da ditadura. Os presos que foram torturados e assassinados eram entregues às famílias em caixões lacrados, com proibição expressa de virem a ser abertos. Os velórios eram “fiscalizados” pelos militares. Um comunicado simples era emitido. Foram vítimas de atropelamento.



Os caminhões que desovavam os corpos pertenciam ao jornal FOLHA DE SÃO PAULO. Emprestava-os para essa função.



A OBAN está toda documentada em O CIDADÃO BOILESEN, em alusão ao nome do empresário dinamarquês que veio para o Brasil montá-la. O “patriotismo” dos nossos militares era comandado de fora para dentro. Batiam continência para os norte-americanos e grandes grupos e bancos europeus.



Continuam, em sua maioria, a bater continência do mesmo jeito.



Toda a barbárie e violência do regime militar foi omitida pela GLOBO. Montada com capital estrangeiro (curiosamente as primeiras denúncias vieram de Carlos Lacerda) é até hoje uma empresa operada por brasileiros, propriedade de uma família de brasileiros, mas a serviço de país e grupos estrangeiros.



Omitiu-se na campanha das diretas, no impedimento de Collor e em todas as vezes que os interesses daqueles que pagam pudessem vir a ser contrariados.



Um fato recente foi a queda de um avião da GOL, às vésperas das eleições de 2006. O avião caiu por entre 17h e 18h, morreram mais de cem pessoas, as concorrentes noticiaram com destaque, mas para a GLOBO o fato principal era um dossiê falso no qual tentava implicar o então presidente e candidato à reeleição Lula e assim favorecer o tucano Geraldo Alckimin.



Noticiar o acidente tiraria o impacto do documento mentira produzido pela organização. Como a caravana da cidadania sob o comando do BBB Pedro Bial.



Ou mesmo o acidente com um avião da TAM. No primeiro momento culparam o governo pela “falta de ranhuras na pista” e ao longo da semana se percebeu, se descobriu, que o avião estava com problemas no reverso, numa das turbinas e a companhia não fazia a manutenção adequada, além do que, havia dado problema num vôo no dia anterior.



Na sexta-feira seguinte ao acidente, como não pudessem dar a mão a palmatória, ou criticar a companhia, é anunciante, VEJA saiu com a capa afirmando que o culpado fora o piloto.



São covardes e mentirosos.



O jornal FOLHA DE SÃO PAULO publicou um currículo falso da candidata Dilma Roussef e foi publicamente advertida disso pelo próprio onbudsman do jornal, mas manteve a mentira. Não havia erro na publicação da farsa, fora deliberada.



São covardes e mentirosos.



A Operação Harém da Polícia Federal mostra que laranjas dessas empresas, sobretudo a GLOBO, se valem de atrizes, modelos, dançarinas, para “fechar grandes contratos publicitários”. Na cama. E por um bom michê, no caso não é cachê.



Claro, as que se prestam a isso.



É essa gente que quer eleger um político venal, corrupto, agente de interesses de países e grupos estrangeiros para presidente da República. José Arruda Serra.



Se dizem imparciais.



Mas são apenas covardes e mentirosos.



Não têm compromisso algum com o Brasil, os brasileiros.



Várias organizações estão remetendo a ONU, tribunais internacionais, documentos mostrando o processo de compra da GLOBO São Paulo pelo grupo de Roberto Marinho, diante da passividade da Justiça brasileira.



A empresa foi comprada com documentos falsificados, falsificação comprovada por perícia, até com assinatura de morto. Mas fica tudo por isso mesmo.



A Justiça nada.



O processo de privatização da VALE no governo corrupto e venal de FHC foi julgado em primeira instância como criminoso, lesivo aos interesses nacionais, mas por cima, nas chamadas cortes superiores fica parado.



E o JORNAL NACIONAL e a grande mídia silenciosa. São comprados pelos donos atuais da VALE..



E assim o dia a dia desses veículos, dessas redes de tevê, rádios, jornais e revistas.



Vendem alienação. Desinformação, mentira. São pagos para isso.



Estuprar menores, fica decidido, se for filho de dono de associada, ou amigo do peito, pode sem problema, o JORNAL NACIONAL fica caladinho.



São covardes e mentirosos.



Que tal ficha limpa para a mídia?



Que tal uma discussão pública sobre comunicação? Discutir o poder de poucas famílias num setor fundamental para o processo democrático?



A maneira, por exemplo, como tratam a questão de rádios e tevês comunitárias, tentando criar toda a sorte de obstáculos para dificultar uma participação efetiva de movimentos sociais, sindicatos, nesse setor, por que não trazer a público esse discussão, redesenhar esse modelo em que a comunicação vira um latifúndio mentiroso (existe latifúndio verdadeiro?) e que permite a um apresentador de telejornal chamar o telespectador de idiota, como o fez William Bonner diante de alunos e professores de uma universidade paulista?



Ficha limpa para a mídia.


*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.


A charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Um Índio sem apito


O vice na chapa de Serra abusa do fato de ter sido um dos relatores do Ficha Limpa. Como se não bastasse partidarizar um projeto da sociedade, o primeiro parlamentar a questionar o texto foi um senador do DEM, partido do deputado

Nas Entrelinhas
Correio Braziliense - 03/07/2010

Há poucas coisas tão pedantes quanto um colunista fazer referência aos próprios textos. “Como eu disse no último artigo” ou “eu avisei no dia tal que isso iria ocorrer” são frases de lascar. Hoje, porém, não tenho como escapar da autorreferência, perdoe-me. Farei menos por vaidade e mais por arrependimento. Explico. Há três semanas, publiquei aqui uma nota sobre o julgamento da lei do Ficha Limpa no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE. Disse eu, em determinado momento: não está nos anais do Congresso o que vai ter de parlamentar tentando se passar por peça fundamental na aprovação do texto. E continuei: o projeto Ficha Limpa foi uma iniciativa da sociedade civil organizada, sem vínculo político-partidário. Não pode ser usado como bandeira de propaganda política.

Escrevi aquilo pensando num deputado do baixo clero, conhecido e votado por menos de 100 mil pessoas no Rio. Decidi não citá-lo nominalmente por acreditar que tal ato seria irrelevante. O que valia era o simples alerta aos leitores-eleitores, não necessariamente os do Rio. Daí o arrependimento. O tal deputado, o Índio da Costa (DEM-RJ), hoje é vice-candidato na chapa do tucano José Serra. Se tivesse bola de cristal — seria impossível ter qualquer informação para cravar Índio como vice de Serra há três semanas —, não cometeria tal erro. Mas, agora, de uma hora para outra, o sujeito saiu do ostracismo e virou celebridade. Não é todo dia que alguém se torna vice de um dos grupos favoritos a levar a eleição.

Enquanto era candidato à reeleição à Câmara, Índio da Costa usou e abusou das referências ao texto do Ficha Limpa. Continuará usando e abusando durante a campanha para a Presidência. É do jogo um parlamentar lembrar um projeto aprovado que resultou em benefícios aos eleitores da sua base eleitoral. O que diferencia o Ficha Limpa da maioria dos outros projetos é que ele foi montado pela sociedade. Um texto assinado por 1,6 milhão de pessoas, que desejavam, de forma muito clara, o fim dos corruptos nas urnas. Um sonho distante e até pueril, mas que acabou sendo possível — não por obra de parlamentares, mas por vontade do distinto público. Se os políticos não tivessem atrapalhado tanto a tramitação, talvez até o projeto tivesse ficado melhor.

Tirar proveito de tal projeto é, assim, valer-se de uma esperteza eleitoreira. O mais admirável é que tal estratagema funcionou, pelo menos para o deputado Índio. A ponto de ser ungido vice do DEM na chapa de Serra. Tá certo: uma das análises sobre a escolha do político fluminense estaria na certeza dos demos de que Serra perderá a eleição e por isso a falta de uma disputa sanguinária pelo cargo de segundo do tucano. A estratégia, nesse caso, seria, desculpe o trocadilho, cacifar Índio para a prefeitura do Rio em 2012. Maldades à parte, Índio chegou ao palanque tucano por conta da idade — como se sabe, tem 39 anos e rejuvenesceria a campanha — e por ter sido um dos relatores do Ficha Limpa.

No início de maio passado, entrevistei o deputado em um programa de televisão. Questionei-o sobre o fato de ele partidarizar o Ficha Limpa, transformando-o num projeto do DEM. Índio se defendeu e disse que o PT, por exemplo, foi contra o texto durante boa parte da tramitação e só apoiou o projeto nos minutos finais. Na última quinta-feira, o primeiro parlamentar a questionar a lei e conseguir uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para registrar a candidatura foi o senador Heráclito Fortes. E você já sabe qual é o partido do parlamentar: o DEM, o mesmo de Índio da Costa.

Outra coisa
Uma pergunta um tanto capciosa, eu sei. Mas quando o próximo presidente fizer uma viagem internacional, você, meu caro leitor, vai querer no posto Michel Temer ou Índio da Costa?

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=> A "sugestão de filme" é do blog da Juliana Weis.

Por que apoiamos Dilma?


Por que apoiamos Dilma?

Por Mino Carta - Carta Capital

Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor

Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.

E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.

Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.

Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio...

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.

A charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

PF leva Arruda à força para depor

Arruda forçado a depor

Ex-governador é conduzido pela Polícia Federal para, na condição de testemunha, ser ouvido no inquérito criminal que investiga denúncias de corrupção contra a promotora Deborah Guerner

Por Ana Maria Campos e Ary Filgueira, no Correio Brasiliense

Publicação: 03/07/2010 08:17 Atualização: 03/07/2010 09:14

Arruda depôs no MPF sobre as denúncias de que Deborah Guerner

teria recebido propina em troca de informações privilegiadas

Arruda depôs no MPF sobre as denúncias de que Deborah Guerner  teria recebido propina em troca de informações privilegiadas - (Monique  Renne/CB/D.A Press )




O ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) foi levado à força ontem pela Polícia Federal (PF) para prestar depoimento na Procuradoria Regional da República no inquérito que apura o suposto envolvimento da promotora Deborah Guerner em crime de corrupção apontado pela Operação Caixa de Pandora. Ele estava em casa, no Park Way, quando os policiais federais bateram em sua porta para levá-lo ao gabinete dos procuradores regionais da República Ronaldo Albo e Alexandre Espinosa, que apuram as relações do Executivo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Intimado duas vezes a dar esclarecimentos na condição de testemunha, Arruda não apareceu nas datas marcadas. Ao saber que deveria comparecer ao prédio do Ministério Público Federal (MPF), o ex-governador tentou, no fim da tarde da última quinta-feira, um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar a saia justa de ter de responder se pagou propina a promotores de Justiça do DF. Mas o pedido nem sequer foi apreciado. Sem proteção judicial, Arruda foi obrigado a se apresentar no MPF, onde esteve durante duas horas ontem. De acordo com o procurador-chefe da Procuradoria Regional, Alexandre Camanho de Assis, o depoimento foi tranquilo e o ex-governador colaborou bastante com as investigações relacionadas à promotora Deborah Guerner.

Segundo o procurador-chefe Alexandre
Camanho, Arruda colaborou

Segundo o procurador-chefe Alexandre Camanho, Arruda colaborou -  (Paulo de Araújo/CB/D.A Press )

Como testemunha, Arruda não podia mentir ou omitir nenhuma informação, sob risco de ser preso durante o depoimento, segundo o que estabelece o artigo 342 do Código Penal. Essa regra se agrava se as informações requisitadas forem fundamentais para a elucidação do crime, como é o caso. Os procuradores apuram denúncia feita pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa de que pagou R$ 1,6 milhão a Deborah Guerner em troca de informações privilegiadas da Operação Megabyte(1). O dinheiro, segundo Durval, deveria ser repartido com o até ontem procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra. O mandato dele chegou ao fim e, a partir de segunda-feira, Bandarra deverá reassumir uma das promotorias criminais do MPDFT.

Sigilo quebrado
Com a mudança de status, Bandarra deverá passar a ser investigado criminalmente na Procuradoria Regional da República. Até então, ele só poderia responder por eventual crime no Superior Tribunal de Justiça. Responsável pelo caso de Deborah, Ronaldo Albo quebrou, com autorização judicial, o sigilo telefônico da promotora, que apontou um contato intenso entre ela e Bandarra. Entre 1º de janeiro de 2006 e 31 de dezembro de 2009, Deborah ligou 418 vezes para o chefe do Ministério Público do DF. Ele, por sua vez, fez 111 ligações do telefone celular pessoal para a colega.

Em sua defesa, Bandarra sustenta ser vítima de uma campanha promovida por Durval Barbosa para denegrir a sua imagem. Quanto à ligação com Deborah, ele afirma que se trata de uma relação normal de colegas de trabalho. Os dois são alvo de processo administrativo disciplinar aberto no Conselho Superior do Ministério Público (CNMP) para apurar falta funcional. Há duas semanas, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Deborah, onde encontrou um cofre escondido no jardim, com dinheiro vivo, documentos e arquivos de computador.

1 - Operação Megabyte
Em junho de 2008, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em várias empresas e na casa de Durval Barbosa, para apurar suposto esquema de lavagem de dinheiro desviado dos contratos de informática do GDF. Durval disse que teve acesso ao pedido judicial dias antes e pôde se preparar para a operação. Segundo os promotores encarregados do caso, apenas o então procurador-geral de Justiça, Leonardo Bandarra, sabia do documento.

Telefonemas

Inquérito criminal do MPF contra a promotora Deborah Guerner, por suspeita de corrupção, mostra intensa comunicação entre ela e o então procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, na véspera e no dia da Operação Megabyte:

2 de junho de 2008
19h21min13 — Leonardo Bandarra liga do telefone fixo do Ministério Público do DF para o celular da promotora Deborah Guerner
23h12min03 — Deborah liga de seu celular para o de Bandarra

3 de junho de 2008
0h35min57 — Deborah envia um torpedo para o celular de Bandarra
0h50min10 — Deborah liga de seu celular para o de Bandarra
0h50min36 — Bandarra liga de seu celular para o de Deborah
0h51min18 — Deborah envia um torpedo para o celular de Bandarra
6h — Início da busca e apreensão na casa de Durval Barbosa e outros endereços, na Operação Megabyte
11h55min44 — Deborah liga de seu celular para o de Bandarra
12h33min09 — Deborah liga de seu celular para o de Bandarra

Datafolha mantém empate que Ibope e Vox Populi negam



Entre os tucanos, alívio; entre os petistas, descrédito. Foi isso, em resumo, o que o resultado da mais recente pesquisa do instituto Datrafolha provocou ontem, quando foi publicada pela Folha de São Paulo.

A exemplo do que fez na última semana de março, poucos dias antes do lançamento da pré-candidatura de José Serra à Presidência da República, o Datafolha voltou a apresentar um cenário eleitoral não identificado nas pesquisas imediatamente anteriores de, pelo menos, outros dois institutos.

Em março, enquanto o Vox Populi e o Sensus apontavam vantagem apenas estreita de Serra (PSDB) sobre Dilma Rousseff (PT), o Datafolha identificou diferença de 9 pontos em favor do candidato tucano (36% contra 27%). Agora, dez dias depois que o Ibope e menos de uma semana depois que o Vox Pupuli apontaram a liderança de Dilma (40% contra 35% de Serra), o mais recente resultado do Datafolha dá conta de um empate técnico, com vantagem para Serra dentro da margem de erro (39% contra 37% para Dilma).

As três pesquisas de intenção de voto foram feitas de 19 a 21 de junho pelo Ibope, de 24 a 26 de junho pelo Vox Populi e em 30 de junho e 1º de julho pelo Datafolha.

Assim como em março e, outra vez, diferentemente dos demais institutos, o Datafolha aponta forte crescimento do candidato do PSDB na Região Sul. Segundo o instituto, entre 20/21 de maio e agora Serra cresceu 12 pontos no Sul e se tornou o candidato preferido por metade do eleitorado da região. Na última semana de março o Datafolha havia descoberto que Serra abrira 28 pontos de vantagem sobre Dilma no Sul. Agora, apesar do aparentemente contínuo crescimento dele na região, a diferença identificada pelo Datafolha é de 18 pontos.

O instituto também atribui a performance de Serra na pesquisa a um crescimento – de 3 pontos – no Sudeste e, sobretudo, à ampla exposição do candidato nos horários de propaganda partidária do PSDB e de seus três aliados na TV – o DEM, o PPS e o PTB. E acaba tornando estranho que, com tudo isso a favorecer Serra, o resultado geral atribuído ao candidato seja praticamente igual ao de maio. A oscilação de 2 pontos – de 37% para 39% – está dentro da margem de erro do resultado do Datafolha.

Na avaliação dos tucanos Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes, respectivamente candidatos ao governo paulista e ao Senado, o resultado da pesquisa é um alívio.

“Tivemos uma semana difícil e algum desgaste por conta da escolha do vice de Serra”, lembrou Alckmin.

“É importante que a turbulência tenha passado”, destacou Aloysio.

Já o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, desacreditou a pesquisa em comentário no Twitter.

“Datafolha arruma empate para Serra, mas pesquisa interna do PT dá vantagem a Dilma em 8%”, escreveu.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, preferiu assinalar que o resultado apontado pelo Datafolha frustrou as expectativas da oposição.

“A oposição vinha afirmando que depois de junho, com a monumental exposição do seu candidato nos meios de comunicação, Serra passaria muito à frente. Não passou”, observou Dutra.



Pesquisas recentes

Ibope (19-21/06) Vox Populi (24-26/06) Datafolha (30/06-01/07)

Dilma 40% 40% 37%

Serra 35% 35% 39%



Pesquisas Datafolha

Março Abril Maio Junho

Serra 36 38 37 39

Dilma 27 28 37 37


Fonte: http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=18266

Argélia, um 3 de julho para não ser esquecido

Argélia, um 3 de julho
para não ser esquecido


Há exatos 48 anos, em 3 de julho de 1962, a nação argelina se tornava independente, após mais de um século de submissão ao colonialismo francês. Reavivar esses dias é comemorar a vitória contra a tirania colonial, é desmentir a crença, generalizada e falsa, de que momentos constituintes na vida de um povo são idealizações impossíveis.

Por Gilson Caroni Filho (*)

Há quatro anos, quando esteve na Argélia, Lula agradeceu ao povo argelino “por ter acolhido muitos brasileiros, obrigados a sair do país durante o regime militar". Tempos depois, ao declarar ”que o continente africano não quer mais colonização, e sim cooperação", o presidente brasileiro reiterou o lugar ocupado pela África em uma política externa que, tanto no âmbito propriamente político quanto no relacionamento comercial, tem na soberania dos povos sua marca clara, nítida, inconfundível.

De fato, desde o início do processo de descolonização, as principais lideranças do continente pugnam por uma ordem internacional diferente, mais justa, que permita aos que se libertaram do jugo colonial assumir o papel de sujeitos ativos do seu próprio desenvolvimento. E esse ponto nos remete a uma data especial, rica em simbolismos políticos por seu caráter quase inaugural.

Detalhe da capa do JB de 04/07/62 - Jovens muçulmanos
comemoram, de lambreta, a independência da Argélia

Há exatos 48 anos, em 3 de julho de 1962, a nação argelina se tornava independente, após mais de um século de submissão ao colonialismo francês. A guerra travada entre a resistência patriótica e forças colonialistas devastou o país, passando para a história como uma das mais sangrentas de toda a era contemporânea. Na luta, durante oito anos (1954-1962), perderam a vida mais de um milhão de pessoas. Reavivar esses dias é comemorar a vitória contra a tirania colonial, é desmentir a crença, generalizada e falsa, de que momentos constituintes na vida de um povo são idealizações impossíveis.

Os setores mais conservadores da França nos anos 50 não estavam dispostos a perder a colônia argelina, após a retumbante derrota sofrida na Indochina, em 1954, justamente o ano em que se inicia a luta armada liderada pela Frente de Libertação Nacional (FLN). O descontentamento, através de uma violência incomum, refletia a inviabilidade de alternativas políticas que permitissem alcançar quaisquer formas aceitáveis de governo autônomo ou de administração dos próprios destinos.

Jean Paul-Sartre, o filósofo existencialista, escreveria que o “nacionalismo argelino não é a simples retomada de antigas tradições ou conhecidas afeições. Ele é o meio de que eles dispõem para fazer cessar sua exploração". Sartre, um dos muitos franceses progressistas a apoiar, incondicionalmente, a revolução argelina, com certeza enxergava na ação da FLN um "alargamento do possível", um fenômeno que se impunha como escolha livre, porém “situada”.

A guerra sangrou o país, desestruturando sua economia. Além disso, a emigração maciça após a independência (milhares de pessoas abandonaram a Argélia quando o governo provisório da FLN assumiu o poder) prejudicou sensivelmente o processo de reconstrução e edificação do projeto socialista. Embora os resultados iniciais tenham sido satisfatórios na educação e habitação, muitas promessas não se concretizaram. Com 34 milhões de habitantes, o segundo país da África conheceu vários períodos de instabilidade política desde a conquista da soberania política.

Hoje, um em cada dez trabalhadores está desempregado e 95% das exportações estão concentradas em petróleo e gás. A diversificação da economia é o grande desafio para o governo de Abdelaziz Bouteflika no momento em que é retomado o processo de reconstrução do país.

Há muito a ser feito além dos acordos de cooperação conjunta firmados na visita presidencial. As carências na área de infraestrutura, sobretudo na geração de energia e na construção civil, podem ser supridas pelo incremento da política Sul-Sul do Itamaraty. Ao empresariado brasileiro há várias portas de entrada para o mercado africano. Aos argelinos, a possibilidade de descobrir no Brasil o parceiro desejável para consolidar as promessas de um 3 de julho inacabado. Um devir que abraça dois continentes.

*Gilson Caroni Filho é sociólogo e mestre em ciências políticas. Mora no Rio de Janeiro, onde é professor titular de sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). É colunista da Carta Maior, colaborador do Jornal do Brasil e do blog "Quem tem medo do Lula?".

Lula em quadrinhos - Cap. 21 - As eleições de 2002


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Esta história em quadrinhos foi lançada em 2002. A liberação dos direitos autorais é uma cortesia de seu autor, o cartunista Bira Dantas, colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.
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