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A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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sábado, 20 de março de 2010

Lula e o Oriente Médio - Enfim, existe no mundo "algo" chamado Brasil


Lula e o Oriente Médio - Enfim, existe no mundo "algo" chamado Brasil


Por Laerte BragaO que a grossa e esmagadora maioria dos jornalistas da grande mídia não enxergou nas críticas que fez, ou até nas ironias à viagem do presidente Lula a países do Oriente Médio, é que Lula não foi fazer mágica, solucionar um conflito milenar, tampouco assumir responsabilidades pela paz naquela região do mundo.


Foi deixar claro, sobretudo ao governo de Israel, que existe um país chamado Brasil, com cerca de oito milhões de quilômetros quadrados, o maior país da América Latina, que emerge como potência política e econômica na configuração da chamada nova ordem econômica mundial e entende que o povo palestino está sendo lesado em seus direitos legítimos de um Estado (reconhecido pela ONU). Por tabela, mostrar a esse mesmo estado de Israel e aos EUA, que o Irã, como qualquer país do mundo, tem direito a buscar seu desenvolvimento na forma determinada pelo seu povo.


O presidente do Irã foi eleito e reeleito pelo voto direto dos iranianos, ao contrário dos aliados árabes dos norte-americanos no Egito, na Arábia Saudita, na Jordânia, ditaduras sustentadas por Washington.


A intolerância no Irã parte dos vencidos. Só vale a democracia quando vencem.


Ao não colocar flores no túmulo do fundador do sionismo, doutrina nazi/fascista (muitos colaboraram com o regime de Hitler contra o próprio povo judeu) procedeu como o fizeram o presidente da França e outros, que não reconhecem em Israel o poder de determinar como deve ser o Oriente Médio. Ou suas políticas terroristas e expansionistas. A violência e a barbárie do sionismo montado nas armas nucleares que não querem que o Irã tenha. Mas têm.


Ao deixar a região Lula deixou também registrado, que ali está presente um país de oito milhões de quilômetros quadrados, com quase 200 milhões de habitantes, que, na avaliação dos próprios “donos do mundo” em quatro anos estará ultrapassando economias mais poderosas e em vinte anos, mantidos os rumos do atual governo, ampliadas as conquistas populares, será uma das quatro grandes potências do mundo.


Isso desagrada profundamente à grande mídia brasileira. É venal, é instrumento de ação de governos e empresas estrangeiros, com cumplicidade de nossas elites econômicas, notadamente os EUA.


O embaixador Sérgio Amaral, ex-ministro de FHC, foi a um programa de televisão para com sua linguagem untuosa, servil, dizer que o Brasil está muito aquém de poder participar de processos políticos mais intrincados de negociações, quaisquer que sejam elas, que o presidente estava apenas procurando palco. Refletiu sua característica submissa, medíocre de pau mandado.


Sérgio Amaral é um dos implicados no primeiro escândalo do governo FHC, o da concorrência para o SIVAM (SISTEMA DE VIGILÂNCIA E MONITORAMENTO DA AMAZÔNIA). A concorrência fora vencida por uma empresa francesa e subornados pelo governo e empresa dos EUA, FHC, Sérgio Amaral e o embaixador Júlio César Gomes, o projeto foi parar em mãos da concorrente americana. É o Brasil que essa gente concebe, o BRAZIL, o deles e dos EUA.


Existem gravações das conversas para a marmelada e o ato de submissão. FHC foi chantageado pelos que gravaram. Nomeou para a chefia da Polícia Federal, num acordo, nem a grande mídia conseguiu esconder quando dos fatos, o irmão do autor das gravações. Mas comprou jornais, redes de tevê e revistas com uma verba extra, para ficar no silêncio, até porque, já havia entrado nessas organizações o dinheiro dos EUA.


O mesmo procedimento crítico teve o governador José Collor Arruda Serra, aproveitando-se da discussão dos royalties do petróleo. Como tem o controle da mídia (“o PT é um partido sem mídia e o PSDB é uma mídia com partido”), deu apoio ao governador do Rio Sérgio Cabral, sabendo que a maioria dos seus deputados, os deputados federais paulistas do seu partido, não votaria, como não votou, no projeto que publicamente ele defende. De catorze deputados federais tucanos, apenas quatro votaram como Serra disse que pensa, os outros dez votaram contra o que Serra pensa. O controle é dele, se tivesse determinado os deputados votariam como ele gostaria, ou diz gostar.


Mentiroso, cínico, só de olho nas eleições. Fala uma coisa e faz outra. Não tem caráter e nem tem dignidade ou compostura. É venal e as investigações do caso Arruda mostram as ligações de Arruda Serra e o caixa dois de sua campanha com o ex-governador de Brasília, por isso a frase “vote num careca e leve dois”.


Para essa gente não importa que o Brasil seja um país livre e soberano, senhor do seu destino e segundo a vontade de seu povo. Não querem isso, são subordinados aos EUA.


À época dos fatos até a FOLHA DE SÃO PAULO, em matéria assinada por Roberto Candelori, fala da inauguração do SIVAM, conta rapidamente a história da corrupção (pode ser vista na íntegra no blog de Paulo Henrique Amorim) e ao final escreve textualmente assim – “Documentos oficiais levantados pela Folha confirmam que, para os EUA, o Sivam significou uma vitória geopolítica. Suspeita-se de que, por ser um instrumento útil ao seu programa de combate ao tráfico, o sistema venha a tornar-se extensão do Plano Colômbia. Nesse caso, a "lei do abate", que permite a derrubada de aeronaves, sugere, no mínimo, cautela”.


E essa a característica dos críticos da diplomacia brasileira.


Outro funcionário norte-americano nos quadros da diplomacia brasileira, o embaixador Júlio Cesar Gomes, segundo a mesma FOLHA DE SÃO PAULO, à época do governo FHC, produziu o seguinte fato.


“O embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, foi informado na noite da quinta-feira de que será substituído. O mais cotado para assumir seu lugar é o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, diplomata de carreira. O presidente Fernando Henrique Cardoso planeja, ainda, transferir Júlio César Gomes para o consulado de Nova York. Embaixador na FAO, organismo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, com sede em Roma, Júlio César Gomes foi assessor de FH até a divulgação de grampos telefônicos em que ele se mostrava atuante nos bastidores da concorrência do projeto Sivam. A temporada de trocas nos postos mais cobiçados no Exterior terá seqüência com a definição do embaixador na Inglaterra, em substituição a Sérgio Amaral, convocado para assumir o ministério do Desenvolvimento”.



A presença de Lula no Oriente Médio cria um fato político de suma importância para todo o processo de paz naquela parte do mundo, desloca o eixo das negociações trazendo-o de volta as Nações Unidas e assim contraria interesses norte-americanos no petróleo, no controle da região, levando-se em conta que, quando derrotados na ONU os norte-americanos agem unilateralmente, como fez Bush no Iraque, desprezando solenemente a opinião de outros governos.


Esse concerto de nações, como se costuma dizer, só vale quando diz amém, ou aleluia. Se não disser tem sempre um Sérgio Amaral subalterno e a serviço de potência estrangeira, para ir a um veiculo de comunicação – GLOBO – controlado por grupos estrangeiros e a serviço deles, dizer besteiras e vender mentiras.


O “boicote” do chanceler Von Ribentrop de Israel à presença de Lula no parlamento daquele país foi exatamente o temor da presença do Brasil, do peso do Brasil e das conseqüências que o fato gera.


A imprensa norte-americana tem dito que se o Irã fabricar artefatos nucleares a aviação de Israel ou a própria aviação dos EUA, vão lá e bombardeiam as instalações e usinas nucleares daquele país.


E quem vai explodir as de Israel e dos EUA?


É preciso remontar ao acordo de paz assinado entre Yasser Arafat e o primeiro ministro de Israel Itzak Rabin, mediado por Bil Clinton. Rabin foi assassinado por um fundamentalista judeu no dia da comemoração da paz. A paz foi por água abaixo.


Ali surge a figura do carrasco de Auschiwtz Ariel Sharon, extrema-direita, dando início a escalada da violência e da barbárie sionista contra palestinos em função dos “negócios”.


A paz não interessa aos sionistas. O próprio povo judeu ao aplaudir Lula, segundo os jornais de Israel “ovacioná-lo”, mostra o que todo mundo sabe. Quer a paz. Quem não quer são os “donos do poder”. O IV Reich. Tem sede em Tel Aviv, em Washington e em New York (Wall Street). A bandeira dessa gente traz ao meio a suástica e as torres de petróleo.


O que Lula fez foi azedar o leite do terrorismo sionista. A propósito, nem Obama agüenta mais o governo de Israel, é o que dizem jornais norte-americanos. Exagerou na estupidez e na boçalidade.


Quando da visita do presidente do Irã ao Brasil, uma ou duas semanas antes e sem ser convidado, veio aqui o presidente de Israel, Shimon Peres. Desceu em São Paulo, reuniu-se com o esquema FIESP/DASLU (controlado por sionistas) e foi visitar José Collor Arruda Serra. Só depois de conferenciar com os funcionários de potência estrangeira e empresas estrangeiras é que foi a Brasília visitar o ministro Celso Amorim e o presidente Lula.. Ou seja depois de deixar as ordens aos subalternos.


E convidou Lula a visitar Israel.


Ao contrário do que disse o meloso e asqueroso embaixador Sérgio Amaral.


O ponto culminante da diplomacia desses caras foi quando o ministro das relações exteriores do Brasil, no governo FHC, Celso Láfer, retirou os sapatos, para ser revistado, no aeroporto de New York, obedecendo a ordens de agentes da imigração dos EUA, mesmo depois de ter se identificado.


É essa a diferença. O Brasil não era nada àquela época e agora é. Isso diminui o lucro desses caras, correm o risco de ficar “desempregados”. Apostam tudo na eleição de Serra para voltar a ser como dantes. De quatro e descalços.


Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no "Estado de Minas" e no "Diário Mercantil". É colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

quinta-feira, 18 de março de 2010

A volta do "anão do orçamento"




[caption id="attachment_4855" align="aligncenter" width="468" caption="O anão do orçamento Foto Gilberto Nascimento"]O anão do orçamento Foto Gilberto Nascimento[/caption]

A volta do "anão do orçamento"


Estou indignada com o comentário do “anão do orçamento” Ibsen Pinheiro, buscando os seus 15 minutos de fama para ver se apaga os longos anos de ostracismo ocasionados pela cassação do seu mandato em 1993, sobre a manifestação do Rio de Janeiro na tarde de ontem: “O Rio de Janeiro já fez manifestação favorável à ditadura...”


Infelizmente, é verdade. Aconteceu a Marcha da Família com Deus pela liberdade. Mas para ser mais verdadeiro, faltou falar:


1 - Isso aconteceu em 1964, há 46 anos!!!


2 - Não foi só no Rio de Janeiro (2/4/64), mas também em São Paulo (19/3/64), e diversos outros estados brasileiros.


3 - Toda a “grande imprensa” brasileira apoiou o golpe de 64, portanto foi a grande responsável por levar a população a acreditar que aquela era a melhor opção para o Brasil. Nesta época, a imprensa era o único veículo de informação. Felizmente, hoje temos a internet.


Manchetes dos Jornais no dia 2 de abril de 1964:


O Dia (RJ): A população de Copacabana saiu às ruas em verdadeiro Carnaval, saudando as tropas do exército


Estado de Minas (MG): Multidões em júbilo na Praça da Liberdade


O Globo (RJ): Democracia está sendo restaurada.


Manchetes semelhantes nos demais estados do Brasil, como a Folha de São Paulo, que recentemente chamou a ditadura brasileira de “ditabranda”, Estadão etc.


Agora essa imprensa está tentando induzir os seus leitores/ouvintes/espectadores a pensarem que o governo Lula está contra o Rio de Janeiro. “Pode prejudicar a candidatura da Dilma”.


Eles ignoram o fato de que a lei enviada ao Congresso foi alterada na Câmara pelo “anão do orçamento”?


O pré-candidato ao governo do estado do RJ, Fernando Gabeira, não se manifestou.


O candidato a presidência José Serra, se esquiva de declarações, afirmando só ter tomado conhecimento dos fatos pela imprensa. Precisa conhecer melhor a questão para poder opinar... Mais em cima do muro, impossível!


A “grande imprensa” brasileira não cobra dos seus candidatos que se manifestem... Deixa-os convenientemente esquecidos...


Como se pode ver, a “grande imprensa” brasileira é maquiavélica, no pior sentido da palavra, e quem para um pouquinho para pensar, logo percebe que ela nunca esteve do lado do Brasil e dos brasileiros, senão vejamos:


1 - Foi contra a campanha o Petróleo é nosso


2 - Foi contra as medidas nacionalistas de Vargas


3 - Foi contra o governo JK


4 - Apoiou a ditadura


5 - Apoiou o Collor


6 - Apoiou o FHC e o entreguismo das empresas nacionais: Vale, Petrobrax etc.


7 - Agora apóia o Serra.


Tem ela alguma moral para se pretender “formadora de opinião”?


Sônia Montenegro é analista de sistemas e mora no Rio de Janeiro. Mantém o blog “Farmácia de Pensamentos” e é colaboradora do blog “Quem tem medo do Lula?”

quarta-feira, 17 de março de 2010

Gafe de Lula?


Gafe de Lula?



O jornalismo de programa entrou em ação: censurou os elogios do presidente israelense a Lula, dando destaque a uma suposta gafe, uma recusa inusitada a um ato supostamente protocolar.



O “incidente diplomático” provocado pela decisão da delegação brasileira de não incluir na agenda do presidente Lula uma visita ao túmulo do criador do movimento sionista precisa ser visto na exata dimensão de seu significado político. E não há dúvidas quanto ao acerto da recusa a um convite feito de última hora. Afinal, o que propõe o sionismo e quais suas implicações para a paz na região conflagrada? Haveria compatibilidade entre a carga simbólica do evento e um posterior encontro com autoridades palestinas? O jornalismo de programa entrou em ação: censurou os elogios do presidente israelense a Lula, dando destaque a uma suposta gafe, uma recusa inusitada a um ato supostamente protocolar. Comprou a descortesia da extrema-direita de Israel como justa indignação frente a uma diplomacia desastrada. A operação " tempestade no cerrado", denunciada pelo jornalista Mauro Carrara, desconhece fronteiras e senso de medida.

Como já registrei, em artigo escrito com o economista Carlos Eduardo Martins, a incompatibilidade entre sionismo e diálogo democrático não é um dado conjuntural, mas fato de origem. A premissa de Theodor Herzl é que os judeus não podem se fiar na “opinião pública mundial” ou na “comunidade das nações”, que sempre assistiram impassíveis às incontáveis perseguições sofridas pelo seu povo através dos séculos. Os judeus teriam que assegurar sua sobrevivência, como povo e como indivíduos, por seus próprios meios. O que só seria possível com o estabelecimento de seu Estado nacional soberano, para o que Herzl indica a Palestina (então sob domínio turco), local do último Reino de Israel.

É bom lembrar que Herzl foi um ativo militante do movimento sionista na Europa, além de conduzir negociações com a Turquia e o Egito. A ideologia territoralista é excludente. Em momento algum ela advoga pública e explicitamente o extermínio ou a expulsão violenta dos palestinos não-judeus. Mas deixa claro, em seus diários, que eles deveriam ser “persuadidos a se retirarem” por meios econômicos, como o confisco de suas terras e outras propriedades, e a recusa em lhes dar emprego. Ou seja, em instância final, Israel deveria ser o lar exclusivamente dos judeus –e inclusiva e idealmente de todos os judeus do mundo, que só ali teriam assegurada sua sobrevivência.

Herzl tampouco define fronteiras específicas para o Estado judeu, referindo-se genericamente à “Palestina”. Mas, da mesma forma, antevê o caráter necessariamente expansionista de tal Estado, até mesmo para acomodar a desejada imigração em massa. É significativo que, nos documentos oficiais do governo Israelense, o território de Israel englobe hoje toda a Palestina, Gaza, Cisjordânia e Golan incluídas.

Embora haja quem afirme que “a origem do Estado de Israel não está na religião”, é óbvio que as propostas de Herzl estão imbuídas da visão toráica de “povo escolhido” (à exclusão de todos os demais) e de “destino manifesto” – de resto não diferentes da professada pelos proponentes do PNAC, Plano para um Novo Século Americano, que norteou o “bushismo” nos Estados Unidos – a começar pela escolha da “Terra Prometida” para lar do Estado de Israel.

Mas o discurso herzliano parece totalmente laico (o que foi desprezado pela “esquerda sionista”, que acedeu em criar Israel como um Estado confessional, vide a Estrela de David em sua bandeira). E seus objetivos, estritamente materiais: terra e poder. Quer seu criador estivesse consciente delas ou não, as implicações da ideologia sionista são inescapáveis. E o jornalista inglês Daniel Finkelstein as explicita: “Assim, quando se pede a Israel que respeite a opinião mundial e confie na comunidade internacional, não se está compreendendo o ponto fundamental. A própria idéia de Israel é uma rejeição dessa opção. Israel só existe porque os judeus não se sentem seguros como tutelados da opinião mundial.”

Daí se depreende inevitavelmente que quaisquer “negociações” ou “acordos” não têm valor para Israel, que os usará, se conveniente, assim como os ignorará se e quando, a seu exclusivo juízo, forem necessários para sua segurança. Finkelstein continua sua explanação sem se dar conta de que explicita o que a propaganda sionista tenta ocultar: “Israel entregará suas armas quando os judeus estiverem em segurança, mas não o fará enquanto não estiverem.” E só a Israel compete dizer se a “segurança” foi alcançada ou não, bem como até onde o Grande Israel terá que se estender até então.

Mas o sionismo não recorreu à comunidade internacional, representada pela ONU, para formalizar a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel? Sim, mas por mero oportunismo, valendo-se da “consciência culpada” dos gentios face ao Holocausto e explorando as tensões geopolíticas entre as antigas potências coloniais européias, Inglaterra (já detentora do “mandato palestino”) e França à frente, Estados Unidos e União Soviética, além da divisão entre os países árabes. E só o fez por constatar que o caminho da violência e do terrorismo não levaria à consecução de seus objetivos.

Portanto, por sua própria origem e seu cerne ideológico, o Estado de Israel se definiu como uma nação que despreza a opinião mundial, não reconhece a comunidade internacional e ignora quaisquer decisões colegiadas que não lhe pareçam convenientes. A "gafe" de Lula demonstra uma inequívoca compreensão do tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. Que outras sejam cometidas.


Gilson Caroni Filho é sociólogo e mestre em ciências políticas. Nascido em Cachoeiro do Itapemirim (ES), mora no Rio de Janeiro, onde é professor titular de sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). É colunista da Carta Maior, colaborador do Jornal do Brasil e do blog "Quem tem medo do Lula?".

Sobre Gérson Camata - o "sócio" de Aécio - os presídios no Espírito Santo

[caption id="attachment_4815" align="aligncenter" width="350" caption="Gérson Camata, Paulo Hartung e Aécio Neves"][/caption]

Sobre Gérson Camata - o "sócio" de Aécio - os presídios no Espírito Santo


Por Laerte BragaO senador Gérson Camata, PMDB, é um desses prodígios da política brasileira. Um boneco inflado a partir do momento que a política virou um exercício de venda (vender sabão em pó, tira manchas, manchas, pasta de dente, creme embelezador e rejuvenescedor, etc). Em que alínea classificar o senador não sei. Entre aquelas que se dobram sem quebrar, pois está sempre a se dobrar diante do poder.


Nem falo de poder constituído, mas de outro poder. O das verdinhas, ou da cor que o leitor preferir.


Nessa alínea, com certeza, não pode ser aquele desinfetante mais inteligente que a dona de casa, pois limpa o vaso sem nenhum esforço e ainda continua limpando por vários dias, vaso ou ambiente. O senador não tem cérebro, mas caixa registradora em seu lugar.


Sair em defesa de Paulo Hartung é mais ou menos como defender o criminoso disposto a pagar qualquer preço a quem quer se disponha a defendê-lo. E Gérson é barato. Aécio que o diga. Um acordinho sem maiores dificuldades, tipo consciência lavada, está pronta para outra, assim desse tipo. Duas aspirinas e pronto.


Quando Leonel Brizola era governador do Rio de Janeiro, eleito em 1982, buscando formas de inculpá-lo de todos os males que aconteciam no Rio, no País e no mundo, a grande mídia, GLOBO à frente, fez o que pode e não pode para transformar Brizola num monstro sem entranhas, assim tipo Paulo Hartung, José Collor Arruda Serra, FHC, Yeda Crusius, José Roberto Arruda, Kátia Abreu, vai por aí.


Uma das acusações que se fazia a Brizola era a de ter feito um acordo com o crime organizado e permitido a ação de traficantes e banqueiros de jogo do bicho.


O que sobrou do Rio depois de Brizola? Moreira Franco, Marcelo Alencar, o casal Garotinho, Sérgio Cabral e seus muros, Benedita da Silva? Putz! Pós Brizola não aconteceu nada no Rio exceto um processo acelerado de desintegração da cidade maravilhosa.


Brizola contrariou interesses dos grandes em todos os sentidos e naquilo que a GLOBO e outros chamaram de “acordo com o tráfico e banqueiros de jogo do bicho”, o governador apenas cumpriu a lei. Determinou que estavam proibidas ações ilegais da Polícia Militar ou da Polícia Civil em favelas.


Tipo BOPE, que encanta a classe média, chegar, meter o pé na porta do barraco, arrombar, entrar e espancar todo mundo para obter a “verdade”. Ou simplesmente matar.


Que tal uma comparada da relação entre a violência nos dois governos de Brizola e a de hoje?


Quem se revoltou com Brizola foram os policiais corruptos, muitos deles em altos escalões, os boçais, acostumados à tortura nossa de cada dia. Não houve um flagrante de tráfico de drogas, ou mandado de prisão contra traficante, como determina a lei que não tivesse sido cumprido. Ninguém, no entanto, foi preso, ou acorrentado a corredores, como no antigo Espírito Santo (o que era estado hoje é propriedade de empresas tipo ARACRUZ, VALE, CST, SAMARCO). Nenhum barraco de trabalhador foi invadido de forma bestial por uma polícia doentia, resquício da ditadura militar, aliás, de bem antes, dos tempos em que caçavam escravos fugidos.


A turma da propina ficou a ver navios, a “renda” caiu, a GLOBO, lógico, ficou do lado deles.


Essa mania de acusar os que respeitam e cumprem a lei, como o fez o senador Camata em relação ao ex-governador Vítor Buaiz, é velha.


Lei, direitos humanos, qualquer tipo de direito, na cabeça (vazia) de gente como Camata, só existe se vier acompanhado de mala, de uma pasta, com os “documentos” indispensáveis ao “cumprimento do dever”, ou então um bom acordo para evitar constrangimentos como no caso do feito com Aécio.


Que tal uma olhada nos que contribuíram para a campanha do senador?


A ciência tem descoberto alguns seres que sobreviveram a todas as catástrofes acontecidas ao Planeta em milhões de anos. Muitos deles são vermes que resistiram a pressões aparentemente insuportáveis.


Com certeza Camata é um deles. É só pedir o DNA.


As denúncias que levaram a ONU a questionar a atuação do governo Paulo Hartung na segurança pública dizem respeito às más condições carcerárias no todo. Partiram de vários setores da sociedade inclusive da Polícia Civil (policiais íntegros), estendiam-se e estendem-se ao Judiciário (meio tribunal de justiça foi preso pela Polícia Federal e outra metade não dorme com medo de ser pega).


Os tais investimentos que Camata fala, na construção de presídios renderam propinas polpudas das empreiteiras construtoras e rendem. Como? Nos contratos terceirizados para fornecimento de alimentação a presos. Quem olhar o valor pago, os termos de cada contrato, vai imaginar que cada detento ou condenado no antigo Espírito Santo tem um banquete no café da manhã, outro no almoço e idem ao jantar. Banquete tem sim, mas no Palácio do Governo, para Gerson Camata. Os presos comem arroz, feijão e salsicha.


Do mesmo jeito que Arruda Serra (“vote num careca e leve dois) investe em estradas e depois em pedágio (a mina das campanhas do tucano), Hartung investe onde possa tirar lucros a curto prazo e garantir os aliados políticos.


O discurso do senador, obviamente encomendado, deve ter treinado uma semana para falar corretamente aquilo que os seus patrões mandaram, foi só uma fuga do tema, velho recurso. “Eu não discuto o assunto, boto rótulo nos que denunciam e fica tudo do mesmo tamanho, o caixa dois continua funcionando sem problemas”.


A mídia, a paladina da moral pública, clamando por liberdade de expressão, essa está no bolso, liberdade de expressão para essa gente é a verba que entra por mês, os contratos publicitários com o governo, fornecedores do governo, etc.


Por coincidência (existe isso, coincidência?) é a REDE GAZETA, quadrilha afiliada da REDE GLOBO.


Vamos imaginar que Ermírio Moraes, um dos donos do antigo estado, chegue à redação da REDE GAZETA. Em seguida imagine a turma se ajoelhando e gritando aleluia. É por aí. Seja Ermírio, seja Paulo Hartung (Camata não, Camata faz parte da turma que se ajoelha), sejam os grandes chefes do crime organizado. Os regabofes são comandados por Paulo Hartung.


Aí, a culpa é do outro. É a falsa indignação, a hipocrisia do sou mas quem não é? É assim que pensam. Acham que todos fazem parceria com o governador Aécio Neves.


A propósito, Aecinho, terça-feira, conseguiu um prodígio em meio às viagens que vai fazendo por Minas, em sua campanha para o Senado. Lançou pedra fundamental de promessa como disse um jornalista. Pedra fundamental de promessa. Inaugurou promessas. Sem falar que quando perguntado sobre candidato a presidente, diz com todas as letras. “Eu sou Serra por obrigação partidária, vocês façam o que achar melhor”. Sinal verde para Dilma em Minas. É o que essa declaração significa em mineirês.


É um artista. São uns artistas, com perdão dos artistas.



Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no "Estado de Minas" e no "Diário Mercantil". É colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

terça-feira, 16 de março de 2010

Mappin, fuja correndo, Mappin...


Mappin, fuja correndo, Mappin...


Por Celso LungarettiMenino, nos longínquos anos 50 eu ficava deslumbrado com a imponência do Mappin, a maior e mais vistosa loja de departamentos paulistana.


Erguidos face a face, o Mappin e o Teatro Municipal, tão enormes quanto majestosos, faziam da Praça Ramos de Azevedo o cartão postal de São Paulo.


Seu relógio era uma espécie de Big Ben para os que passavam e para os que esperavam ônibus.


Parecia destinado a durar para sempre. Eu ainda ignorava que tudo que é solido desmancha no ar.


Depois, lá pelos 15 anos, tentei carreira de vendedor. Ia oferecer os carrinhos de chá e mesas de jogo que meu avô fabricava.


Trajando meu primeiro terno, circulei muito, a pé e de ônibus, sem conseguir mais do que 2 ou 3 pedidos. O verdadeiro vendedor já atendia as lojas promissoras.


Inexperiente e sem desenvoltura, eu ainda tinha de tirar leite de pedra. Não conseguia.


Tentei de tudo. Percorri de ponta a ponta a av. Celso Garcia, que tinha forte comércio moveleiro. Em vão.


Fui até a São Bernardo do Campo, sem perceber que lá havia muitas lojas de móveis porque existiam muitas fábricas.


Compadecendo-se da minha falta de jeito, um velho me comprou um carrinho e uma mesa. Vovô detestou ir da Mooca ao ABC para entregar duas míseras peças.


Arrisquei também uma subida ao Olimpo, ou seja, ao Mappin.


Depois de um chá de cadeira de mais de uma hora, o encarregado das compras, do alto de sua magnificência, dignou-se a explicar os fatos da vida: só adquiria itens em grande quantidade, e por preços bem inferiores aos oferecidos a outros comerciantes.


Fabriquetas só recorriam ao Mappin em último caso, quando uma grande encomenda era cancelada e tinham de reduzir o prejuízo.


Aprendi uma boa lição sobre como agiam os tubarões do mercado, aqueles que gostavam de levar vantagem, certo? (parafraseando o bordão do jogador Gerson, nos repulsivos comerciais de TV da década seguinte).


Fundado em 1913, o gigante Mappin desabou em 1999, numa das mais escandalosas falências fraudulentas de que se tem notícia.


Leio agora que o juiz Beethoven Ferreira acaba de nomear um segundo síndico para a massa falida, incumbido de rastrear no exterior os ativos escondidos por Ricardo Mansur, o último proprietário do Mappin.


Os credores não veem a cor do dinheiro, mas Mansur gasta R$ 25 mil por mês só no aluguel da casa que possui no condomínio mais caro de Ribeirão Preto, interior paulista.


Ele e sua mulher são sócios dos dois clubes mais luxuosos da cidade -- cujo requinte desfrutam quando não estão espairecendo em Paris, Nova York ou Miami, hospedados sempre em hotéis cinco estrelas.


E, driblando a lei, o empresário formalmente falido e cheio de dívidas é o verdadeiro dono de negócios como uma usina, uma destilaria e uma faculdade, adquiridos em nome de terceiros mas por ele administrados.


"Como ele pode ter feito tudo isso, se o que ele tinha a gente tomou para pagar parte das dívidas trabalhistas? Isso não pode passar despercebido pelo poder público. É acintoso", diz o juiz Beethoven Ferreira.


Discordo. Trata-se apenas da versão brasileira do capitalismo, pois aqui se conseguiu tornar execrável o que, em si, já é péssimo.


O jingle dos tempos prósperos era "Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora, Mappin, é a liquidação".


Liquidados mesmo foram os funcionários e os fornecedores que não fugiram correndo dessa arapuca.



Celso Lungaretti é jornalista, escritor e ex-preso político. É paulistano, nascido e residente na capital paulista. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

segunda-feira, 15 de março de 2010

Os sórdidos


Os sórdidos


Por Laerte BragaSe o FANTÁSTICO exibir a rainha Elizabeth IIª saindo de uma de suas carruagens e dirigindo-se ao parlamento pulando num pé só, boa parte da classe média brasileira e de países cristãos, ocidentais e democráticos aparecerá, na segunda-feira, pulando num pé só. A moda saci pererê que algum dos grandes veículos da grande mídia atribuirão a extraordinária presença do Brasil no mundo, à capacidade de percepção de sua majestade, a que fomos feitos para andar pulando num pé só. Ou numa perna.


Não demorará muito e Ana Maria Braga vai exibir uma entrevista com uma atriz e um ator globais que irão explicar as vantagens de se andar pulando num pé só, com ênfase na descoberta interior que esse tipo de caminhar provoca.


Et por cause surgirão academias especializadas na matéria, profissionais de gabarito aptos a colocar todos pulando e caminhando num pé só e, não podem faltar, gurus do novo modo de ser, plenamente justificado por psicólogos, psicanalistas e psiquiatras do espetáculo, como sendo uma vocação do homem, do ser humano, andar pulando numa perna ou num pé só.


Um guru dirá e isso irá reforçar a convicção de cada “saci” que pular num pé só será a forma mais direta para se atingir o Nirvana. Edir, o Macedo, vai anunciar a nova “igreja”, a Universal do Reino de Deus de um pé só. O dizimo deverá ser mais alto, não tenha dúvidas, já que a vida eterna cercada de anjos, querubins, etc, será garantida com certificado assinado por Cristo. O bispo, não é trouxa, vai dizer que tem procuração com plenos poderes para que assim o seja.


Bento XVI vai ungir essa “nova espécie” dizendo que a pedofilia e todos os escândalos financeiros do Vaticano se deviam a essa mania de ser bípede que o ser humano carregava em si, obra do demônio. Haverá exorcismo, com exorcistas treinados em Wall Street e no coral da diocese do irmão de “sua santidade”


No curso, na seqüência da sociedade de um pé só, clínicas se habilitarão a retirar o adereço desnecessário, o outro pé, ou a outra perna e logo choverão mandados de segurança para garantir que todos tenham direito a esse benefício via SUS, isso no Brasil.


Vai ser a esquerda, ou vai ser a direita? É o direito de opção.


Canais de tevê especialistas em assuntos desse jaez montarão programas especiais para explicar que Nostradamus havia previsto que assim o seria e que Charles Darwin nas entrelinhas já se referira à sociedade dos de um pé só. Tudo com fundamento genético nos laboratórios do doutor Obama Silvana.


Há uma campanha sórdida contra a ministra Dilma Roussef na grande mídia e na rede mundial de computadores, a internet. Na grande mídia a batalha é travada de uma forma aparentemente limpa, asséptica, com anestesia (mas para anestesiar o leitor, telespectador ou ouvinte), na net, sem a menor preocupação com argumentos, mas recheada de mentiras e comentários típicos de pessoas sórdidas, cujo único objetivo é permitir que o País volte às mãos de gente como José Collor Arruda Serra.


Numa situação dessas vai ser o país dos que andam de quatro. Num sacrifício extremo para estar por dentro do modelo, de três. Curvam-se e saem pulando. A perna/pé adereço fica para o alto. Não vão faltar aqueles que mostrarão os benefícios e vantagens para o corpo.


O jornalista Luís Nassif tem sido vítima de duas quadrilhas. VEJA e FOLHA DE SÃO PAULO. Buscam transformar fatos em versões dentre outras razões, por Nassif ter criticado as políticas de Arruda Serra na SABESP (companhia de saneamento básico do estado de São Paulo). Arruda Serra é a aposta dessa gente para tomar posse da chave do cofre novamente, logo, quem quer que o critique há que ser crucificado Arruda Serra é intocável.


Atira-se um tiro a esmo, o da ministra Dilma ter sido guerrilheira. Omite-se que à hora do aperto, preso no estádio nacional de Santiago, no dia do golpe contra Allende, Arruda Serra foi salvo por FHC que correu à Fundação Ford dizendo que se responsabilizava pelo antigo líder de esquerda. Arruda Serra não só saiu do estádio, onde naquele mesmo dia foram assassinadas centenas de pessoas, como mudou de lado e forrou as tripas, digamos assim.


Guevara preferiu morrer por seus ideais. Não se conhece fato que possa a ele ser imputado que desabone seu caráter, ou sua extraordinária personalidade. É reverenciado mesmo pelos jovens, os que não conheceram o tempo de suas lutas exatamente por isso. Não virou quando vivo um Arruda Serra. Dilma mantêm-se Dilma ao longo de toda a sua vida e essa capacidade de não se metamorfosear nos interesses dos donos, incomoda. São desejáveis os compráveis como Arruda Serra, ou antes FHC. Indesejados os que não se vendem.


Não se faz menção ao fato de Dilma Roussef ter sido uma resistente de um regime de barbárie e boçalidade, onde as pessoas eram presas sem culpa alguma, torturadas, estupradas e assassinadas pelos defensores da “democracia”.


A sordidez dessa gente não inclui esse tipo de concessão.


Cerca de 20% dos alemães sentem saudades do muro de Berlim. O resultado da pesquisa foi publicado no jornal BILD. Um dos mais sérios problemas do governo da Alemanha reunificada é o da depressão em alemães orientais. Não se adaptaram ao modelo capitalista. Como disse o jogador sérvio Petkovic a Ana Maria Braga, no socialismo ele não conheceu fome, nem dificuldades, a fome e a dificuldade surgiram com o fim do socialismo.


O numero de bilionários na Rússia, principal república da extinta União Soviética, dobrou a despeito da crise econômica que afeta o país. Os especialistas afirmam que a política econômica do governo optou por emprestar dinheiro à iniciativa privada – dinheiro público – e assim assegurar condição privilegiada a determinados setores da economia em detrimento da população.


“Essa peculiar política econômica permitiu que muita gente ganhasse dinheiro com a crise, em vez de obter benefícios desenvolvendo a produção”. É o ponto de vista de Roman Bazohk e foi publicado na NEZAVISIMAYA GAZETA. Bazohk é empresário.


Maxim Koshulinski, editor da versão russa da revista FORBES, explicou que “os magnatas russos aproveitaram sua amizade com o poder para conseguir uma vital reestruturação de suas dívidas em plena crise”.


Igor Chubais, economista, disse ao jornal econômico VEDOMOSTI que “esse crescimento do número de bilionários é uma prova monstruosa da personalidade anti social do nosso Estado e não significa que a Rússia esteja saindo da crise”.


Da crise saem os amigos do poder, saem setores da iniciativa privada, a versão russa do esquema FIESP/DASLU (sonegação, mentiras, chantagem, extorsão, etc), montados no dinheiro público. Na exploração do trabalhador.


As elites econômicas, que em qualquer lugar do mundo são apátridas, já estão preparando as classes médias de seus respectivos países para que entendam que a melhor forma de andar é pular num pé só. De preferência nem bípede, nem quadrúpede, mas “trípede”, vale dizer, rastejando com modelos piratas FIESP/DASLU e montada na ilusão cosmética do espetáculo capitalista.


Já a classe trabalhadora, ou acorda e percebe que o dilema é lutar ou lutar, ou acaba classe média sem direito a sequer passar no passeio FIESP/DASLU. No máximo churrasquinho ou cachorro quente num trailer de esquina.


E tome FOLHA DE SÃO PAULO, tome VEJA, tome GLOBO. Assim que atingir o estágio “trípede absoluto”, o que sobrar do cérebro e da capacidade mínima de se olhar no espelho, baixar a cabeça diante da própria sordidez, vai ser extraído por desnecessário.


Duas horas diárias de Ana Maria Braga, uma de FANTÁSTICO por semana, JORNAL NACIONAL todos os dias após o cachorro quente das oito e BBB durante três ou quatro meses do ano para entender que a solução é José Collor Arruda Serra, o tal do “vote num careca e leve dois”.


E é até simples entender isso. À época tucano/DEM essa gente padrão Daniel Dantas, José Collor Arruda Serra, Tasso Jereissati, Demóstenes Torres e a miss desmatamento Kátia Abreu, esse gente andava impune. Agora, alguns estão indo para a cadeia. Inaceitável para a classe média. Ávida de prestar e mostrar serviços e caráter subalterno sem qualquer restrição, princípio ou vestígio de dignidade.


Importante é sair pulando numa perna só. Ou num pé só.


Se você faz parte dessa turma, trate de ir treinando.


Caso contrário resista ao caráter sórdido desses profetas da verdade absoluta.


E se as elites entenderem que a rainha Elizabeth IIª estiver meio fora de moda para uma “revolução” desse porte, que tal uma sister e um brother do BBB com Bial gritando que “credibilidade não importa” e saindo desmesuradamente puxa saco na caravana da cidadania heróica, arrecadando fundos para um panteão dos “nossos heróis”?


Pode levar Miriam Leitão para servir de espantalho em lugares eventualmente considerados inóspitos, mas nunca Lúcia Hipólito a usinas de álcool de usineiros/latifundiários do Nordeste.


Aí a “revolução do ser trípede” vira esculhambação. Sordidez explícita, aquela proibida ou desejável que o seja, para menores de dezoito anos.


Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no "Estado de Minas" e no "Diário Mercantil". É colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

Princípios e valores



Princípios e valores














Por Celso LungarettiQuando comecei a espalhar meus textos na internet, percebi que nela o recurso à falsidade, à demagogia, à calúnia, à injúria, à difamação e à manipulação partiam de todos os lados do espectro político.

Não havia mais escrúpulos, nem equilíbrio, nem mesmo respeito pela verossimilhança. Valia tudo para satanizar os inimigos e endeusar os amigos.

Então, tomei a decisão de preservar sempre meu compromisso com a verdade, minha independência de análise e meus princípios, até porque nunca me vi como integrante de hordas e rolos compressores. Sou psicologicamente incapaz de cometer injustiças e/ou avalizar mentiras convenientes, seja lá contra quem for e em nome de que causa for.

Ademais, percebi claramente que a falácia de um dia é jogada no dia seguinte na cara de quem com ela compactuou, pois as situações são dinâmicas; daí eu repetir sempre que a rua é de duas mãos.

[Em seu "Samba Chorado", Billy Blanco disse tudo: "O que dá pra rir dá pra chorar/ Questão só de peso e medida/ Problema de hora e lugar/ Mas tudo são coisas da vida"...]

Essa postura muito me valeu nos debates públicos sobre o Caso Battisti. O primeiro ataque dos linchadores era sempre alegando minha suposta incoerência, por estar defendendo o Cesare e não haver feito o mesmo pelos pugilistas cubanos, despachados a toque de caixa para a ilha. Davam como favas contadas que eu teria me omitido ou aprovado os trâmites açodados que o governo adotou.

Eu quebrava as pernas dos reacionários ao informar que, antes mesmo do senador Eduardo Suplicy, havia me posicionado publicamente contra o descumprimento do ritual a ser seguido nesses casos, para proteção dos direitos humanos dos envolvidos, pouco importando sua grandeza ou pequenez (aqueles boxeadores estavam muito longe de merecer admiração como seres humanos!).

Aí entrava, também, minha convicção de que certos princípios, institutos e entidades devem ser defendidos em toda e qualquer circunstância pelos revolucionários, pois podem significar a diferença entre a vida e a morte para os militantes das causas justas:

  • asilo político;

  • habeas corpus (mesmo que quem o conceda seja um vil serviçal dos poderosos e que quem o tente contornar com novo mandado de prisão esteja moralmente certo, pois o precedente da avacalhação do HC poderá ser aproveitado pelos gorilas e vitimar nossos companheiros adiante);

  • greves de fome como a do bispo do São Francisco e a de Orlando Zapata, pois não podemos jamais desacreditar uma forma de luta que, na grande maioria dos casos, é adotada por idealistas (trata-se de uma opção de homens, não de garotinhos);

  • organismos e ONGs que defendem os direitos humanos.



Quanto ao último item, no fundo, o que importa mesmo é se a denúncia em questão procede, não o encaminhamento dado a qualquer outro episódio.

A esquerda autoritária, ao defender governos transgressores dos direitos humanos, frequentemente tenta desqualificar os acusadores, alegando que não mostram o mesmo empenho quando as violações provêm do outro lado.


Isto, no fundo, equivale a uma admissão de culpa. E, sendo revolucionários, não podemos usar os pecados alheios como atenuante para nossos atos. O que Hitler fez, p. ex., nós não podemos fazer. Estamos aqui para libertar a humanidade, não para agrilhoá-la de outra maneira.
* * *


Por último: independentemente de quaisquer outras considerações, temos o compromisso moral de nos alinharmos com o cubano Guillermo Fariñas em sua HERÓICA luta pela liberdade de outros dissidentes.

Quem passa o que ele está passando, não o faz por dinheiro ou motivos indignos. Mercenários não são solidários. Só não vê quem não quer.

E temos também a obrigação de tudo fazermos para que não sejam ASSASSINADOS os seis manifestantes condenados neste domingo (14/03) pelo Irã como "inimigos de Deus".

Fanáticos religiosos, obscurantistas e ultraconservadores, os mandatários iranianos consideram que o protesto pacífico desses pobres coitados merece pena capital por haver ocorrido no dia em que os muçulmanos relembram o martírio do neto de Maomé.

Pelo mesmíssimo critério, os futuros Pinochets poderão condenar à morte quem fizer passeata na 6ª Feira Santa ou no Natal.



Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. É paulistano, nascido e residente na capital paulista. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"










"Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe", diz Lula em Israel


Lula em Israel (JACK GUEZ/AFP/Getty Images)


Lula diz não se lembrar o dia em que brigou com alguém








Por Guila Flint e Silvia Salek, enviadas especiais da BBC Brasil a Jerusalém








O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em um discurso a empresários em Israel que tem o "vírus da paz" e que não se lembra do dia em que brigou com alguém, apesar de fazer parte de um "partido complicado".

"Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém", disse.

"Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado. (...)Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo", acrescentou Lula, ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, arrancando risos da plateia.

No discurso de improviso, Lula exibiu suas credenciais como uma espécie de especialista no diálogo. Mencionou, por exemplo, um encontro com o ex-presidente George W. Bush em 2003 em que o presidente brasileiro disse que o Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a miséria.

"Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush... Como fui sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu sem que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por telefone", disse.

Lula mencionou também o primeiro discurso de Evo Morales ao assumir a presidência da Bolívia. "O primeiro discurso foi tomar a Petrobras. Mas entendemos que o gás era um direito da Bolívia, um patrimônio do povo boliviano e fizemos um acordo com a Bolívia", lembrou.

"Tinha gente que queria que o Brasil fosse duro com a Bolívia. Talvez por causa da minha origem, não conseguia perceber como um metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano. Dialogamos e hoje estamos numa relação excepcional", resumiu.

Justificando a decisão de dialogar com a Bolívia, Lula acrescentou: "A nós brasileiros não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar cercado de gente mais pobre que você de todos os lados", disse Lula, sem fazer uma referência direta ao conflito entre israelenses e palestinos.

Contribuição brasileira

Após o encontro com Peres e Lula, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que na reunião foi discutida a possível contribuição do Brasil ao processo de paz. No entanto, o chanceler não deu detalhes sobre qual papel concreto o país poderia desempenhar nas negociações.

"Ele valorizou muito o papel do Brasil em mais de uma situação, podendo ajudar a promover o diálogo. Ele acha que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser muito útil nessas situações, mas ali não era o momento de se discutirem esses detalhes", disse Amorim.

Antes de iniciar seu discurso de improviso, Lula havia falado a empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o PAC, a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

Lula disse ainda que o Brasil vai, "certamente" criar dois milhões de empregos em 2010 e que a economia vai crescer mais de 5% neste ano.





domingo, 14 de março de 2010

A estratégia da imprensa: Operação "Tempestade no Cerrado"

Operação “Tempestade no Cerrado”: o que fazer?


Por Mauro Carrara


(O PT é um partido sem mídia... O PSDB é uma mídia com partido).

“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos "aquários" do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3) Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4) Elevar o tom de voz nos editoriais.

5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6) Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8 ) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque...

1) O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.

2) Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.

3) O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas...

1) Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.

2) Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.

3) Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.

4) Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.

5) Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA,Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

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=> O artigo é do jornalista Mauro Carrara. Recebi do meu sempre combativo amigo Gilson Caroni Filho. Dada a pertinência, peço que espalhem pela blogosfera progressista.

Ana Helena Tavares

Lula em quadrinhos - Cap. 7 - A paixão pelo futebol e o 1º salário como profissional


Clique na imagem para ler.
Esta história em quadrinhos, que foi lançada em 2002, será publicada aqui em capítulos. Tentarei manter freqüência semanal. A liberação dos direitos autorais é uma cortesia de seu autor, o cartunista Bira Dantas, hoje colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Brasileiros e brazileiros ou 7 factóides em 15 dias

Brasileiros e brazileiros ou 7 factóides em 15 dias

Por Sônia Montenegro*

A economia vai bem, o Brasil nunca gozou de tanto prestígio e reconhecimento no mundo, nunca na história desse país um presidente foi tão querido... então, por que é que eu sinto um nó no peito?

Nos últimos 15 dias, a imprensa tem submetido a todos nós, que estamos
satisfeitos com os rumos que o Brasil está seguindo e que queremos eleger a
Dilma para dar continuidade e avançar neste caminho, a uma verdadeira
tortura psicológica.

O Brasil sempre foi tido como "o país de futuro", e quando esse futuro
parece se aproximar, brazileiros tentam boicotar? Não deveriam eles estar
também engajados nessa mesma onda? Parece óbvio, mas infelizmente não é!

Sempre acusamos os portugueses, ingleses e norte-americanos por terem
explorado o Brasil, mas eles só o fizeram porque brazileiros deixaram. E é
muito triste fazer essa constatação. Certos brazileiros que rimam com
fuleiros, preferiram defender seus projetos e interesses pessoais aos
interesses da nação. E para atingir seus objetivos, foram e são capazes de
atos impensados.

No final de 2009, foi realizada a Confecom - Conferência Nacional de
Comunicação em Brasília, depois de concluídos os debates em todas as regiões
do país. Era uma demanda antiga de diversas entidades, por sua
incomensurável importância. É a imprensa que nos informa, e é a grande
"formadora de opinião". Tem os meios de nos fazer pensar como querem que
pensemos. Uma arma silenciosa tanto quanto perigosa, já que são brazileiros
e não brasileiros. Querem o Brasil para eles, e não para todos os
brasileiros, como nós queremos.

Quem quis participou, quem se inscreveu falou e no final foi
democraticamente votado um documento que foi enviado à Presidência da
República, com as sugestões de políticas democráticas para a comunicação.

Os grandes veículos da mídia brazileira foram convidados, mas declinaram do
convite para promover a sua própria conferência em São Paulo. Os
palestrantes foram escolhidos pelos organizadores: jornalistas e
articulistas dos grandes veículos de comunicação, como Globo, Abril (revista
não-Veja), Folha, Estadão etc. Para assistir às palestras, era cobrado um
ingresso de R$ 500,00 (isso mesmo, quinhentos reais).

Também fizeram um documento, que afirma que o setor de comunicação no país
não precisa de leis, basta apenas a auto-regulação. A eles deve ser
concedido o direito de fazer o que quiserem, independentemente do que pensa
a população brasileira e dos interesses do próprio país. Baseados não se
sabe em que, decidiram que a eleição da Dilma é uma ameaça à liberdade de
imprensa. Os movimentos sociais foram taxados de "autoritários".

A mensagem que se pode captar é que querer justiça social é sinônimo de ser
comunista. Criticar a imprensa é sinal de autoritarismo. E ponto final!!!

Coincidência ou não, o que se viu acontecer a partir dessa tal conferência
foi uma descarga de factóides, todos exibidos nas primeiras páginas dos
jornalões e noticiários de TV, notadamente o Jornal Nacional da Rede Globo.

1 - O Estadão chamou o PT de "partido da bandidagem".

2 - A revista Istoé, publica uma matéria na qual liga o petista Fernando
Pimentel ao caixa-2 do PT, apelidado de "mensalão" para dar um colorido mais
grave à denúncia. O Portal Terra, antes de divulgar a notícia, fez o que
TODOS os jornalistas deveriam fazer: checar a informação. Telefonou para o
procurador responsável pela investigação, Patrick Salgado Martins, e
perguntou se o fato era verdadeiro, recebendo como resposta um sonoro não.
Fernando Pimentel não era objeto da investigação.

A matéria não visa apenas incriminar o ex-prefeito de Belo Horizonte, um dos
coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, mas induzir o leitor a
acreditar que o mensalão petista foi financiado com dinheiro público, o que
até o momento não foi provado, diferentemente dos mensalões do PSDB (MG) e
do DEM (DF), cuja origem do dinheiro público já foi comprovado.

3 - O jornal Folha de São Paulo, que já publicou uma ficha-falsa da Dilma
Rousseff como se verdadeira fosse entre inúmeros outros escândalos que
desdenham da nossa inteligência, publica matéria na qual acusa o PNBL -
Plano Nacional de Banda Larga do Governo Federal de beneficiar um cliente de
consultoria do ex-deputado do PT José Dirceu, chamado Nelson dos Santos, que
receberia R$ 200 milhões na "negociata". Dirceu teria feito o lobby para
beneficiar seu cliente, e para tal, recebido R$ 600 mil. Em função dos
esclarecimentos e desmentidos, a própria FSP foi obrigada a mudar a sua
versão, porque o governo federal ganhou na Justiça o direito de utilizar a
fibra ótica da falida Eletronet (criada por FHC), para levar banda larga
para os lugares onde não interessa às empresas privadas, um meio barato de
difundir conhecimento. Não precisou desembolsar um tostão, com uma única
exigência, determinada pela justiça: pagar eventuais credores por material
fornecido e não pago. Note bem: em momento algum o tal de Nelson dos Santos
seria beneficiado, como afirmou a matéria. O jornalista Luiz Nassif explica
didaticamente em seu blog, que a própria FSP foi obrigada a reconhecer, para
tirar o "deles da reta", que sua fonte foi o tal Nelson dos Santos, cujo
objetivo era exatamente o contrário do que afirmava a matéria, ou seja,
impedir o PNBL, para que ele pudesse negociar com as teles as fibras óticas,
quando poderia vir então a receber de R$ 70 a R$ 200 milhões. Em resumo: a
FSP acusa Dirceu por um lobby que ele não fez, e sim ela, tentando melar o
PNBL e dar ao seu informante a chance de angariar os valores acima
descritos.

4 - A revista (não)Veja produz uma matéria, que só não dá para chamar de
sensacionalista por ser pleonasmo. Para não me alongar muito, basta dizer
que a "fonte" da revista é um promotorzinho cujo nome me recuso a repetir,
porque é esse o seu principal objetivo: ficar conhecido e se candidatar a
uma cadeira na Câmara Federal (como ele mesmo afirmou), e já foi assunto de
uma denúncia da própria revista no passado. Começando por seu pai, preso em
flagrante por posse de bens roubados, cuja soltura foi negociada pelo filho
com um delegado. Antes de se tornar promotor, foi sócio do filho de Ivo
Noal, conhecido banqueiro de bicho e morou num apartamento de Alfredo
Parisi, condenado por bancar jogo de bicho. Foi acusado pela tentativa de
proteção do mega-contrabandista chinês Law Kin Chong, desviando as
investigações para pequenos contrabandistas. Seu patrimônio também é fruto
de suspeitas, já que comprou, de uma só vez, 2 carros importados e
blindados, entre outros delitos mais. Ainda assim a revista acreditou em
todas as declarações da sua "fonte", sem checar a informação.

Outro fato estranho é que essa denúncia é, como se usa dizer no jargão
jornalístico, uma matéria "requentada", ou seja, não é um fato novo, e o
promotorzinho a denunciou para a imprensa, antes de apresentá-la à justiça.
Correu para fazê-lo, e anteontem, teve os seus pleitos negados pelo juiz
Carlos Eduardo Lora Franco, ou seja, o bloqueio de contas da Bancoop e a
quebra de sigilo bancário do ex-presidente da cooperativa, João Vaccari
Neto, desqualificando o promotorzinho por fazer uma série de afirmações "sem
demonstrar em quais elementos as acusações se sustentam".

5 - A mais alta corte brasileira, o STF, deixa vazar para a imprensa uma
denúncia de que estaria investigando o presidente do Banco Central, Henrique
Meireles, que ignorava o fato e veio a saber por quem? Pela imprensa! Eu
tenho cá pra mim uma forte suspeita da autoria do vazamento de um processo
que correria em segredo de justiça!

6 - O que deveria ser uma boa notícia, depois de 7 anos, o Brasil consegue
na OMC - Organização Mundial do Comércio, o direito de retaliar os EUA pelos
prejuízos causados ao país por subsídios ilegais que dão aos seus produtores
de algodão. Aliás, não apenas ao Brasil, mas também à África. A grande
potência norte-americana faz o que sempre condenou em outras nações: protege
o seu mercado, criando uma concorrência desleal. Mas na imprensa brazileira,
vira uma temeridade. Uma "guerra comercial" contra os EUA, sem deixar de
enfatizar que o consumidor teria que pagar a conta pelo aumento do pãozinho.
Uma imprensa que pretende nos fazer crer que não somos uma nação soberana, e
que temos que nos curvar eternamente à grande potência norte-americana.

7 - A exploração da viagem do Lula a Cuba, pela "saia-justa" de coincidir a
sua chegada com a morte de Zapata por greve de fome. A imprensa brazileira
afirma que Zapata era dissidente do regime cubano, já Aleida Guevara March,
filha do Guevara, em visita ao Brasil nesta semana, afirmou que Orlando
Zapata, era um "delinquente comum". Disse mais: "São personagens criadas
pela mídia para caluniar Cuba. Recebem dinheiro de empresários dos EUA e
Europa que são contrários à revolução cubana". Digamos que a opinião de
Aleida seja parcial, mas seria imparcial e digna de credibilidade a
informação da imprensa brazileira colonizada, que repete aqui a ladainha
norte-americana?

Os EUA divulgaram em 2007 parte dos documentos secretos da CIA chamados
"Jóias da Família", onde reconheciam terem tentado matar por diversas vezes
o líder cubano Fidel Castro, sem contar a invasão mal sucedida à Baía dos
Porcos em Cuba, dentre inúmeras outras ações contra o país.

Em 2 de setembro de 2005, o português José Saramago e o brasileiro Oscar
Niemeyer, entre outros, assinaram um documento pedindo a libertação de 5
cubanos presos e injustamente condenados nos EUA. Até hoje, nada aconteceu.

E Guantânamo, e Abu Ghraib? Por acaso a nação norte-americana é algum
exemplo de respeito aos direitos humanos?

Em janeiro de 1988, quando Fidel recebeu a visita do Papa João Paulo II, ele
afirmou: "Esta noite, milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas
em Cuba". Os EUA não poderiam fazer esta afirmação. Não existe analfabeto em
Cuba. A saúde é um direito de todos os cidadãos do país, e tá lá o Obama
querendo fazer o mesmo na nação mais rica do planeta, com enormes
dificuldades.

Cuba enviou médicos para ajudar o Haiti, os EUA enviaram tropas para
controlar o espaço aéreo.

Vá lá que um erro não justifique o outro, e sendo libertária, reprovo
qualquer regime de força, mas sentar no próprio rabo para falar mal do rabo
alheio é falta de caráter!!!

E o nó no peito é a constatação do que todos nós já esperávamos: vamos
sofrer muito nessas eleições. Será uma luta entre Davi e Golias. E todos
nós, que temos consciência do que está em jogo temos a responsabilidade de
salvar o BRASIL desses brazileiros.

*Sônia Montenegro é analista de sistemas e mora no Rio de Janeiro. Mantém o blog “Farmácia de Pensamentos” e é colaboradora do blog “Quem tem medo do Lula?”

Cuba "não é paradigma" para o Brasil em Direitos Humanos, diz Garcia

Cuba "não é paradigma" para o Brasil em Direitos Humanos, diz Garcia

Por Celso Lungaretti*

Esqueçam o exemplo desastrado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu para ilustrar sua posição de que não se pode libertar todo e qualquer detento que faça greve de fome.

Se ele acrescentasse que cada caso é um caso, a ser abordado de acordo com suas especificidades, ninguém estaria reclamando.

Os bandidos paulistas é que não tinham nada a ver com este assunto. Errou Lula ao misturar alhos com bugalhos.

A posição oficial do Governo Lula foi dada nesta 6ª feira (12) pelo assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, em coletiva à imprensa. Ele esclareceu que:



  • as polêmicas declarações foram "laterais" (ou seja, referem-se a aspectos secundários e não ao âmago da questão) e "não refletem a posição do Brasil e nem do Lula sobre os direitos humanos";
  • "o regime de Cuba não é paradigma para o nosso", em matéria de DH;
  • o Brasil faz defesa "intransigente" dos DH, mas só debate "nos fóruns multilaterais";
  • como os cubanos não dialogam "na base da exigência", criticá-los seria "contraproducente", daí Lula preferir tratar do assunto com "discrição".




Assim, segundo Garcia, o Brasil se dissocia do enfoque cubano dos direitos humanos, pois os DH são defendidos de forma intransigente por nosso país (e, depreende-se, não o são pelo regime dos irmãos Castro).

Mais: Cuba infringe mesmo os DH dos opositores de consciência, mas se manterá intransigente diante de pressões externas para rever suas práticas. Então, Lula acredita que uma atuação discreta seja mais adequada para atingir-se tal objetivo.

Colocada nestes termos, é uma posição defensável e equilibrada, após os excessos cometidos de parte a parte nesta polêmica desfocada: de um lado a grande imprensa, tendenciosamente, conferiu importância demasiada a uma fala distraída de Lula; do outro, os defensores de Cuba satanizaram uma vítima, negando-lhe até a condição de perseguido político, embora ele fosse reconhecido como tal pela Anistia Internacional desde meados de 2003 (vide aqui).

Quanto à decisão de ignorar os apelos dos dissidentes cubanos, porque "o governo brasileiro não é uma ONG" e só se relaciona com outros governos, formalmente é inatacável, mas isto não a impede de ser chocante ao extremo para quem tem nossas tradições humanitárias e compassivas.

Caberia melhor, p. ex., para anglo-saxões, que colocam a lei acima de tudo (às vezes, até do espírito de justiça).

Gente como a   dama de ferro Margareth Thatcher.

*Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. É paulistano, nascido e residente na capital paulista. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

José Serra e a arte de se auto-destruir

Serra e seu demônio

Por Mino Carta, jornalista, na revista "Carta Capital"

Serra é 'estranho' no ninho tucano. Talvez desde sempre. Mas agora só lhe resta entrar na arena

O governador José Serra tem um demônio para complicar-lhe a vida. O demônio tucano. É o contrário do que se deu com Sancho Pança, seu demônio, segundo Kafka, se chamava Dom Quixote, de cuja companhia tirou grande diversão ao participar de extraordinárias aventuras.

Está claro que ao se desligar do PMDB do doutor Ulysses para figurar entre os pais fundadores do PSDB, vinte e poucos anos atrás, Serra não se deu conta das graves incompatibilidades destinadas a aflorar no galope do tempo. E não se tratou do trote trôpego de Rocinante.

À época do nascimento do novo partido, que ele acompanhasse os amigos Fernando Henrique e Sergio Motta pareceu absolutamente natural. Havia entre eles uma sociedade tida como indissolúvel e que foi decisiva para levar o príncipe dos sociólogos à Presidência da República. Mas já então dei para perguntar aos meus intrigados botões se José Serra figurasse a contento naquela companhia.

Que passou pela cabeça do então ministro do Planejamento – o cargo almejado em vão no governo de Tancredo Neves – quando FHC avisou: “Esqueçam o que disse”? Da pasta, Serra desincompatibilizou-se para disputar a prefeitura de São Paulo contra Celso Pitta, candidato de Paulo Maluf. Por quê? Confiou em uma vitória líquida e certa? Ou não estava satisfeito com os limites do posto que o amigão presidente lhe entregara?

Na esquina esperava-o a derrota. Acabou por regressar ao governo e ali valorizou o cargo de ministro da Saúde, graças inclusive aos encantados louvores da mídia nativa. Já enxergavam nele o futuro candidato. Nós, aqui no nosso canto, víamos nele um estranho no ninho, a partir da convicção de que jamais declararia “esqueçam o que eu disse”.

No governo, o tucanato assumiu o papel de tardio intérprete do credo udenista, tanto mais hipócrita a acobertar corrupção desenfreada, subserviência às vontades de Washington, adesão pontual ao neoliberalismo da moda, desastres econômicos variados até a bancarrota nacional de janeiro de 1999. Será que Serra regalou-se na ocasião, propiciada por um segundo mandato conquistado pela compra de votos parlamentares?

Tive com Serra diversos contatos antes e durante a campanha de 2002, um deles na cozinha da minha casa. Jantamos um risotto produzido na hora, como convém, e tomamos um tinto de honestidade à toda prova. Ele esforçou-se para me convencer de que no Planalto teria desempenho melhor do que Lula. Afirmava ter condições de ser mais ousado, muito mais, do que o adversário, do ponto de vista econômico e social. Possível, com os tucanos à sua volta?

O problema de Serra, hoje mais do que nunca, é o próprio tucanato que pretende exprimi-lo, tão bem representado pelo senador Tasso Jereissati, o qual o chama às falas para invocar imediata definição de sua candidatura. Enquanto FHC prova que ele próprio enterrou o passado.

O parceiro de Enzo Falletto na formulação da teoria da dependência, em conferência pronunciada há dias em uma das deslumbrantes Casas do Saber (saber?), descortina os impensáveis caminhos de um liberalismo de esquerda, ele mesmo que há mais de 30 anos apontava a incapacidade visceral da burguesia nativa.

Que Serra careça de alternativas está além da evidência, só lhe resta entrar na arena e aceitar o desafio plebiscitário promovido pelo presidente da República mais amado da história do País. Mais carismático, mais hábil, mais sutil. Mais atento às falhas do contendor e mais certeiro na mira. Trata-se, justamente, de parada federal, mas o governador não tem como escapar dela.

Serra, desde 2002, carrega a certeza de que CartaCapital não gosta dele, a começar por mim, a despeito do risotto servido na cozinha. Está enganado, mas isso não impede que a revista e o cozinheiro façam suas escolhas na hora do voto, nas páginas impressas e na urna. CartaCapital expõe claramente sua preferência, ao contrário de quem afirma isenção e equidistância para confirmar a aposta na parvoíce da plateia.

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José Serra: como aniquilar a própria candidatura

Por Francisco Barreira, sociólogo, em seu blog "Fatos Novos Novas Idéias"

Poucas vezes na História um político do chamado primeiro time cometeu tantos erros num espaço tão curto de tempo, a ponto de conseguir destruir sua própria candidatura à presidência. Arrogância e teimosia que na verdade encobriam o medo de trocar uma reeleição certa para o governo paulista por uma perigosa aventura em direção ao Planalto, fizerem com que José Serra despencasse nas pesquisas. Pior: começou a ser boicotado por importantes líderes de seu PSDB e da direção do principal aliado, o DEM. Todos estes setores não escondem sua preferência pelo nome de Aécio Neves que nega ser candidato à presidência, mas não com a mesma convicção com que sempre se recusou a ser vice de Serra.

Com as prévias deste fim de semana que devem apontar já a ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre ele, o governador paulista assiste inerte ao desmoronamento de sua candidatura e, de forma inacreditável, não altera sua tática: só anunciará formalmente que é candidato na primeira semana de abril. E não mudou, tampouco, a forma autoritária e truculenta de lidar com seus correligionários e aliados.

Na quinta-feira, um de seus aliados mais importantes, o senador Jarbas Vasconcelos, ex-governador de Pernambuco (PMDB) também estomagou-se com o Jeito Serra de fazer política e mandou pelos jornais um recado que pode ser considerado o prolegômeno de um rompimento: “Diante desse quadro dispenso meu encontro com o governador Serra. Eu pretendia ter uma conversa política com ele, mas, por enquanto, sua maior preocupação é administrativa com São Paulo. Como tomei conhecimento disso pela imprensa, também resolvi responder pela imprensa”.

Vasconcelos é o mais respeitado e popular representante do PMDB no Nordeste. Se perder seu apoio, Serra fica desfalcado de sua principal peça no tabuleiro eleitoral da região dominada pelo lulismo. O pior é que, há duas semanas, ele já perdera para Dilma o apoio de Pedro Simon do PMDB gaucho. Assim, no partido do Dr. Ulisses, Serra só conta agora com a adesão do insaciável ex-governador Orestes Quércia e uma possível composição com o combalido governador Luiz Henrique de Santa Catarina.

*As charges são uma cortesia do nosso colaborador Bira Dantas.

Os Argumentos Contra Zapata

Os Argumentos Contra Zapata

Por Carlos Alberto Lungarzo*

É um lugar comum dizer que a mídia ocidental privada, aquela propriamente capitalista, cujo negócio é não apenas ganhar dinheiro, mas direcionar a opinião pública para que o sistema se mantenha vigoroso, mente, distorce ou, pelo menos, omite a verdade. De fato, na América Latina e nos Estados Unidos isso é correto para quase a totalidade da mídia grande e mediana. Só jornais pequenos e estações de rádio e TV independentes de baixa potência estão ao serviço do esclarecimento e da educação. No Canadá e na Europa a situação é menos grave, mas as grandes redes em quase 70% dos países são semelhantes.

Ora, digamos para simplificar: a mídia capitalista mente! Mas, então, quais são as outras mídias? Alguém diria que China e Rússia são “socialistas”? Aquelas tiranias árabes não são capitalistas? Então, para fazer uma colocação mais precisa, mas igualmente superficial, digamos: toda a mídia amiga dos americanos mente!

OK, então a outra mídia incluiria Al-Jazeera, as emissoras Cubanas, Telesur, etc. A pergunta é: a simples falsidade dos pró-americanos garante a sinceridade dos antiamericanos?

Esta pergunta veio à tona quando assisti a um vídeo que exibe uma matéria de Cuba InformaçãoTV, na qual se refuta que a morte de Orlando Zapata Tamayo fosse uma violação dos DH. Quero analisar brevemente este vídeo. O total, junto com um comentário, pode ser encontrado no site seguinte, e também no conhecido Consciência.net.


O vídeo dura 3:58 minutos, mas só é relevante o trecho 0:47 a 2:50. Do final, o único importante é o desmentido do governo cubano de que Zapata foi abandonado e lhe foi negada água. Esta refutação parece verdadeira, e a difusão desta notícia lembra muito as típicas distorções da mídia imperialista. Entretanto, o trecho que consideramos permite reflexões bastante críticas sobre o relatório cubano.

Delinqüência Comum

Entre os primeiros 47 segundos e o 1:03 minuto, o locutor adverte sobre as exigências de Zapata, que pretendia ter “fogão, televisor e telefone em sua cela”, que ele qualifica como impensáveis em qualquer prisão do mundo. Curiosamente, o governo cubano nunca tinha denunciado que estas eram as reivindicações de Zapata e só as fez públicas agora. Entretanto, mesmo em países como Brasil, onde o sistema carcerário é truculento, alguns presos (e nem sempre os abastados) possuem algumas facilidades que lhes permitem telefonar e assistir TV, mesmo que não seja através de um aparelho exclusivo em sua cela.

O segundo argumento contra Zapata é mais grave. Ele seria pintado pela imprensa capitalista como um bom proletário, mas na realidade, seria um “violento delinqüente comum” processado a partir de 1993 por violação de domicílio, estelionato, e lesões (1:04-1:30). Não se indica a exata índole das lesões, mas apenas que eram graves, pelas quais foi condenado a 3 anos. Essa pena foi estendida para 24 anos por agressão violenta aos guardas prisionais (1:30-1:35). Não falemos de provas, mas o apresentador nem mesmo dá detalhes de como foram estas agressões nem os nomes das vítimas.

Informa-se depois (1:35-1:50) que Zapata não aparece entre os 75 detidos em março de 2003 por alegados contatos com os Estados Unidos, nem foi apresentado como prisioneiro político no relatório do Departamento de Estado americano desse ano, onde se faz um balanço da situação dos DH em Cuba. Este argumento é usado pela fonte cubana para afirmar que os Estados Unidos não o consideravam um preso político, mas apenas um criminoso comum, que depois teria sido utilizado pelos dissidentes.

Vale a pena observar que, no relatório sobre DH em Cuba em 2003 (sem julgar sobre a qualidade da informação) o Departamento de Estado apresenta um panorama geral dividido por itens, mas NÃO FAZ UMA LISTA dos 75 presos. É claro que Zapata não está na lista de presos, porque, simplesmente, NÃO HÁ LISTA DE PRESOS. O relatório apenas menciona aqueles mais conhecidos, como Lorenzo Copello Castillo, Barbaro Sevilla Garcia e Jorge Martinez Isaac, os três que foram executados pela tentativa de assaltar uma barca.

Também é mencionado Manuel Vazquez Portal por ter apresentado uma queixa sobre sua situação prisional. Outros mencionados são: Luis Enrique Ferrer Garcia; Martha Beatriz Roque Cabello; Oscar Elias Biscet; Pedro Pablo Alvarez Ramos; Antonio Diaz; Regis Iglesias Ramirez; Raul Rivero; Marcelo Manuel Lopez Banobre; Manuel Vazquez Portal; Oscar Mario Gonzalez. Destes, alguns eram jornalistas, outros líderes de oposição e alguns outros militantes destacados de oposição.

Observe que só são mencionados 14 detentos, sobre um total de 75. Pessoas que eram simples aderentes ou simpatizantes provavelmente não foram tidas em conta pelo Departamento de Estado. Estados Unidos nunca se preocupou por vítimas de qualquer natureza, salvo que tivessem relevância para seus projetos. Então, Zapata não foi citado porque era pouco interessante para os Estados Unidos.

É CURIOSO QUE O GOVERNO CUBANO CONSIDERE UM ELEMENTO CONTRA ZAPATA O FATO DE QUE SEU MAIOR INIMIGO, OS ESTADOS UNIDOS, NÃO O MENCIONE.

Tudo isto pode ser rigorosamente comparado no relatório deste site, especialmente nos itens 1.d e 1.e.


Entretanto, Anistia Internacional, que acredita que os DH são iguais para todos, menciona claramente Zapata ao conceder-lhe o status de prisioneiro de consciência. No seguinte site, você pode conferir a ficha redigida por AI em relação com Orlando Zapata:


Também pode ver o site de AI, que já mencionamos várias vezes em nossos artigos, procurando por CUBA e por 2003.

A ficha feita por AI sobre Zapata é esta, traduzida literalmente:

Orlando Zapata Tamayo
Data de prisão: 20 de Março 2003
Sentença: Sem julgamento ainda, indiciado por “desacato”, “desordem pública” e “desobediência”.

Orlando Zapata Tamayo é membro do Movimento Alternativa Republicana e membro do Conselho Nacional de Resistência Cívica.

Foi preso várias vezes no passado. Por exemplo, foi temporariamente detido em 03/07/2002 e em 28/10/2002. Em novembro de 2002, depois de fazer parte numa oficina sobre DH no Parque Central de Havana, José Marti, ele e outros 8 opositores foram arrestados e depois libertados. Ele foi também preso em 06/12/2002, junto como Oscar Biscet, mas foi libertado no dia 08/03/2003

A Cooptação

Segundo o relato da TV cubana, sendo Zapata um criminoso vulgar e um sujeito sem ideologia nenhuma, teria sido facilmente cooptado por Oswaldo Payá Sardinhas e Marta Roque, dois dirigentes de movimentos opositores, que o teriam convencido da importância de sua causa e lhe teriam conseguido uma boa pensão para sua família, paga pela máfia que apóia os cubanos de Miami. (1:56-2:26).

Antes que Zapata se tornasse conhecido, as informações sobre ele o indicavam como um militante de base da oposição. Assim sendo, o que Roque e Payá poderiam ter feito era apenas estabelecer uma aliança, no sentido de que Zapata trabalhasse para seu movimento. Até aí, tudo pode ser verdadeiro. Também pode ser verdade que sua família recebesse uma pensão da máfia. Como todos sabem, é difícil saber nos Estados Unidos qual é a origem do dinheiro. Por outro lado, é ridículo pensar que uma família miserável que tem um parente preso rejeitaria uma pensão, percebendo que a prisão de Orlando era uma aberração e não um ato de justiça.

A Indução ao Suicídio

A afirmação mais curiosa aparece entre os instantes 2:27 e 2:58. Aí, o locutor disse que os verdadeiros opositores convenceram a este homem (que, segundo se pode inferir das insinuações do relato, estaria grato pela ajuda dada a sua família) para fazer greve de fome.

Em seguida, se menciona que REJEITOU TODA ASSISTÊNCIA MÉDICA, e se destaca a solidariedade dos médicos do governo que em nenhum momento o abandonaram.

A atenção médica recebida deve ter sido real. Entretanto, chama a atenção que um criminoso sem ideais políticos fizesse GREVE DE FOME POR UM DEVER DE CONSCIÊNCIA PARA COM SEUS PROTETORES. Aliás, no site de Payá na Internet, o blogueiro estimula a todos os opositores cubanos a preservar suas vidas, e não fazer greve de fome.

Então, será que ZAPATA ERA TÃO SIMPLES QUE NÃO SABIA QUE UMA PESSOA PRECISA COMER PARA VIVER???

Até pode ser verdade que ele tenha resistido a receber assistência médica no começo, mas, quando percebeu que estava morrendo, SERÁ QUE ALGUM IDEAL OU PRINCÍPIO ÉTICO O ANIMOU A CONTINUAR???

As pessoas que se suicidam deliberadamente (ou se posicionam perto do suicídio) o fazem por algum destes motivos: (1) desespero; (2) fanatismo político ou religioso; (3) crença em valores éticos que (no caso de sua morte) ficarão acima do que seria uma vida sem dignidade. Caso não morram, terão mostrado sua têmpera e pressionado seus captores.

No caso (2) estariam os homens-bombas (fanatismo religioso) e os kamikazes (fanatismo patriótico). Zapata não é mencionado como fanático religioso. Aliás, como seria um fanático patriota? Por que teria sentimentos patrióticos pelos Estados Unidos? Obviamente, Cuba não diria que ele tinha patriotismo cubano.

No caso (2) estariam, por exemplo, os revolucionários do IRA liderados por Bobby Sands em 1981. Apesar de que eles também estavam animados por um fanatismo nacionalista, não deve esquecer-se que sua demanda tinha muito a ver com sua dignidade humana: queriam ser tratados como presos políticos e não presos comuns.

O caso (2) também inclui aos que chegam à beira do suicídio. Neste caso, eles não querem morrer INCONDICIONALMENTE, mas arriscam a vida para defender suas idéias. Se conseguirem dobrar seus algozes, terão ganhado moralmente parte de sua causa. Se morrerem, deixaram um sinal de coragem para os sucessores. Há vários destes casos, dos quais, o mais conhecido é Mahatma Gandhi. Outros casos famosos relativamente recentes são:

Ativistas tâmiles contra a ditadura de Sri Lanka.

Sufragistas americanas e britânicas.

Independentistas tibetanos.

Prisioneiros dos americanos em Guantánamo.

Prisioneiros políticos argentinos (2000-2001)

Prisioneiros políticos turcos, e outros.

Segundo a descrição feita pela TV cubana, Zapata seria um lumpen sem valor que se venderia a qualquer um. Então, como uma pessoa assim pode ser convencida a morrer por uma causa? Até onde se conhecem as greves de fome, não há nenhum caso de alguém que não tivesse uma motivação, social, ética ou religiosa muito clara; correta ou errada, mas clara.

A idéia de ser subornado pelos agentes americanos coloca esta pergunta: subornado a troco de que? O que faria ele com algum dinheiro depois de morto?

A única hipótese possível, mesmo aceitando a explicação da TV Cubana é que Zapata se deixou morrer por desespero. Fosse apenas um lumpen (existem lumpen em Cuba depois de 50 anos de Revolução???), ou um agente da CIA, ou qualquer outra coisa, é natural que um homem condenado a penas crescentes de prisão (no último momento atingiam os 36 anos), sem a menor possibilidade de defesa nem de julgamento limpo, só pense em morrer.

Acima de qualquer outra idéia (cuja existência não negamos) em valores éticos ou sociais, seu desespero face uma morte lenta conduz naturalmente ao desejo de uma morte mais rápida. Como disse o senador Cristóvão Buarque, a morte por greve de fome é muito mais cruel que a morte por fuzilamento. Acrescentemos, porém, que é bem mais macia que uma agonia de décadas.

Por sinal, não se parece isto muito ao caso Battisti? Observemos que no Brasil, as forças de esquerda realmente democráticas têm feito grande esforço pela defesa de Cesare. Não posso mencionar todos os casos, porque são muitos, mas os parlamentares, alguns jornalistas e operadores de direito progressistas estão entre eles. Observemos também que a esquerda que adere a projetos populistas de vários governos, e até defende a ditadura dos aiatolás, pouco se importou do caso Battisti.

Como coordenador do site de assinaturas em prol do asilo de Cesare, fiquei surpreso pela falta de colaboração de redes da dita “esquerda nacionalista”, que dizem possuir milhares de associados, dos quais, menos de mil assinaram nossa petição. Os outros foram esquerdistas independentes ou estrangeiros.

*Carlos Alberto Lungarzo é professor e escritor, autor do livro "Os Cenários Invisíveis do Caso Battisti". Para fazer o download de um resumo do livro, disponibilizado pelo próprio autor, clique aqui. É membro da Anistia Internacional e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"
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