O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

General provocador é afastado com reprimenda pública



















O rescaldo do episódio do tiro pela culatra















Por Celso Lungaretti


O tiro disparado pelo General Maynard Marques de Santa Rosa contra a Comissão da Verdade saiu pela culatra: não atingiu o alvo e só vitimou o atirador inepto, que mirava alto e acabou acertando o próprio pé.


O noticiário desta 5ª feira (11) nos permite entender melhor o porquê da escolha deste momento para a provocação do militar linha-dura -- ao qual, exatamente por suas trapalhadas, referi-me num texto anterior como o incrível general Brancaleone, fazendo blague com o filme clássico do diretor italiano Mario Monicelli, O Incrível Exército Brancaleone.


É que o Gen. Maynard está prestes a passar à reserva. Em data emblemática, o próximo dia 31 de março, ele vai concluir 12 anos de generalato e terá de trocar a farda pelo pijama.


Vai daí que ele vislumbrou a oportunidade para uma última bravata, depois de haver irritado seus superiores com as críticas à posição do governo no caso da reserva indigena Raposa/Serra do Sol; e a contestação da Estratégia Nacional de Defesa, bem como do novo organograma das Forças Armadas (motivo de uma primeira punição que havia sofrido, o afastamento do Ministério da Defesa).


Também pegaram mal suas acusações às Organizações Não Governamentais que atuam na Amazônia, imputando-lhes crimes que vão do tráfico de drogas e de armas até a espionagem.


Se, conforme os números que ele próprio apresentou, é de 100 mil o número dessas ONGs, vamos supor que 10 delas ajam com propósitos desvirtuados. Seriam 0,0001% as infratoras e 99,9999% as idôneas, sem nenhuma contradição com as afirmações do Gen. Maynard.


Ou seja, foi o tipo da acusação vaga e irresponsável, proferida apenas para atiçar os militares e a opinião pública contra as ONGs, além de constranger o Governo Federal e os estaduais (que estariam fechando os olhos a tais crimes).


Então, não por pertencer à extrema-direita ou por constar das listas de antigos torturadores, mas sim como encrenqueiro exibido, ele estava na alça de mira do ministro da Defesa.


Aí a Folha de S. Paulo informou que o Gen. Maynard redigira uma nota extremamente ofensiva à Comissão da Verdade e a seus integrantes -- a qual, na verdade, estava circulando na caserna há duas semanas e havia sido efusivamente reproduzida em sites militares e espaços virtuais da extrema-direita.


Era um desafio óbvio à autoridade do comandante supremo das Forças Armadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável último pela instituição do colegiado a que o Gen. Maynard se referiu pejorativamente como Comissão da Calúnia.


É provável que o militar insubmisso almejasse mesmo ser enquadrado como infrator do Regulamento Disciplinar do Exército, o que implicaria a realização de um longo e controverso julgamento. Que melhor canto do cisne para ele do que tornar-se o símbolo (um Capitão Dreyfus às avessas...) em torno do qual se uniriam os reacionários e golpistas de sempre?


Nelson Jobim, entretanto, mostrou perspicácia, ao propor sua exoneração, imediatamente aceita pelo comandante do Exército e pelo presidente Lula.


Não se trata de um real castigo, pois o Gen. Maynard está, como a colunista Eliane Cantanhêde escreveu, "indo fazer nada no gabinete do comandante até 31 de março, quando cai na reserva".


Não houve prejuízo formal, sua pensão não será cortada ou reduzida, nada disso. Então, inexistem motivos fortes para outros militares solidarizarem-se a ele, salvo os que compartilham suas posições ultradireitistas.


E estes, eu já afirmei várias vezes, são em número bem menor do que os estritamente profissionais, que só querem cuidar de sua vida e de sua carreira.


Mas, a decisão superior foi anunciada de forma extremamente vexatória para o Brancaleone brasileiro. O comunicado à imprensa diz que o afastamento "foi motivado por declarações feitas pelo general, e disseminadas publicamente, contra a Comissão da Verdade, criada por decreto presidencial após negociação entre vários ministérios, e com participação do Ministério da Defesa".


Ou seja, recebeu um puxão de orelhas público e foi devolvido à sua nada épica condição de veterano em contagem regressiva para a aposentadoria.


Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

11 de Fevereiro no Brasil e no mundo

Dicionário da Sônia*


11 de fevereiro

1917 Morte: Oswaldo Cruz, aos 45 anos, médico sanitarista, vítima da
imprensa da época, figura de grande importância no desenvolvimento da saúde
pública no Brasil.

1953 Eisenhower, presidente dos EUA, nega clemência a Ethel e Julius
Rosenberg, condenados à morte por espionagem atômica, a despeito de um
grande movimento em favor deles, e até do papa Pio XII.

1990 Nelson Mandela é libertado após 28 anos de prisão na África do Sul,
por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk, obrigado pela forte
pressão internacional, e assume a liderança do CNA, negociando uma nova
Constituição.

1991 Deixa de circular o semanário de humor e resistência à ditadura de
1964, o Pasquim.

2002 Morte: Nelson Marchezan, político que fez parte do governo da ditadura
militar, do governo Collor e presidia o PSDB do Rio Grande do Sul.

2009 Encontro Nacional de Lula com Novos Prefeitos de todo o Brasil, supera
todas as expectativas dos organizadores. Mais de 4.500 prefeitos, das mais
diversas regiões do País, e público de 15 mil participantes.

2009 Paulo Rabello de Castro: "O presidente Lula é um verdadeiro astro do
G-20, por causa do seu carisma".

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O retorno do velho senhor - Mauro Santayana sobre FHC

O retorno do velho senhor


Por Mauro Santayana, jornalista, no JB de hoje


Sob a alucinação da idade madura, que costuma ser mais assustadora do que a dos adolescentes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está conseguindo o que sempre pretendeu, desde que deixou o governo, há oito anos: o tumulto no processo sucessório. Ele – e não mais ninguém – impediu que as bases nacionais de seu partido fossem consultadas sobre o candidato à sucessão do presidente Lula. Se pensasse mais no país e menos em sua própria vaidade, teria, como o líder que se arroga ser, presidido à construção do consenso que costuma antecipar as convenções partidárias. Haja os desmentidos que houver, ele sonhava em criar impasse entre os dois principais postulantes, a fim de ser visto como a grande solução apaziguadora. Ele continua animado por essa miragem no sáfaro horizonte de suas ambições.


Assim, estimulou o governador de São Paulo ao exercício de uma tática de desgaste contra as pretensões de Minas. Decretou a precedência de José Serra e acenou com a “chapa puro-sangue”. Acreditava que levaria Aécio Neves a renunciar a servir a Minas, ao servir ao Brasil, com novo pacto federativo para o desenvolvimento de todas as regiões do país, e a contentar-se em ser caudatário de projeto hegemônico alheio.


Na verdade, essa ilusão era instrumento de outra maior: a de que, com o afastamento do mineiro da disputa, seu próprio cacife aumentaria. Com isso, buscou inviabilizar Serra e Aécio, de tal maneira que, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff – alvo de tenaz campanha desqualificadora da direita – as elites viessem a assustar-se e batessem às portas de seu escritório político, pedindo-lhe que as salvasse de uma “terrorista”.


Se esse não fosse o objetivo essencial do ex-presidente, poderíamos considerá-lo um tolo – e Fernando Henrique não é tolo. Seu comportamento poderia estar dentro da advertência de Galileu, de que muita sabedoria pode transformar-se em loucura, mas por enquanto, ele está apenas deslumbrado pela ambição. Se se prontifica a discutir com o presidente Lula, e aceitar a comparação entre os dois governos, isso só pode ocorrer na hipótese de que venha a ser ele mesmo o candidato. Do contrário, estará forçando o candidato de seu partido, seja Serra, seja Aécio, a se transformar em mero defensor de sua administração, e não postulante sério à sucessão. Ambos sabem que a comparação será desastrosa em termos eleitorais. Talvez ela pudesse realizar-se, nos meios acadêmicos, pelos economistas e sociólogos, companheiros de sua ex-excelência, e ainda assim é certo que Fernando Henrique perderá, se a discussão for séria. Entre outras coisas, o ex-presidente multiplicou as universidades pagas; Lula, ao contrário, criou novos centros universitários federais e promoveu maciça inclusão dos pobres no ensino médio e superior.


Pergunte-se ao eleitor do Crato e da periferia de São Paulo se ele estava mais feliz durante os anos de Fernando Henrique. Faça-se a mesma pergunta ao pequeno empresário que consolidou o seu negócio com a expansão do consumo, os créditos facilitados e os juros mais suportáveis que paga hoje. Até mesmo os banqueiros se sentem mais satisfeitos.


Ao promover o vazio – para o qual contribuiu o governador de São Paulo em suas íntimas incertezas – Fernando Henrique tenta, com seus artigos de campanha, identificar-se como o único capaz de preenchê-lo. Seu jogo perturba todo o processo político, tanto no plano nacional quanto nos estados. Fruto indireto desse exercício de feitiçaria macunaímica, foi a maldade que fizeram ao vice-presidente José Alencar. O ato de oportunismo estimulou a natural e justa autoestima do vice-presidente, e sua disposição de luta, para a disputa do governo de Minas. Não se tratava de real homenagem ao conhecido homem público. Se Alencar viesse a ser candidato ao Palácio da Liberdade, a verdadeira homenagem que lhe prestariam os competidores seria tratá-lo como adversário, e submetê-lo ao duro debate eleitoral. Do contrário, seria deixar explícita uma cínica comiseração, o que constituiria ofensa ao grande brasileiro.

Ciro Gomes solta o verbo: Serra é figura detestável. FHC tem inveja de Lula e não tem moral para falar mal de Dilma

Por Denise Madueño e Eugênia Lopes - O Estado de S.Paulo*

BRASÍLIA - O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) decidiu entrar no bate-boca entre o PT e o PSDB e acusou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ter "inveja" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de não ter "moral para falar mal" da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão de Lula. Ao se referir ao pré-candidato do PSDB à presidência da República, Ciro xingou José Serra de "figura detestável".


*Clique aqui para ler a matéria completa

PT e PSDB erraram ao não se unir, diz Marina Silva

Por Ana Conceição, da Agência Estado*


SÃO PAULO - A senadora e pré-candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva (AC), disse nesta terça-feira, 9, durante entrevista à TV Estadão, que PT e PSDB erraram nos últimos 16 anos ao não entrarem em um acordo para garantir a governabilidade do País. "Um erro que cometemos, e digo nós porque fiz parte do PT durante 30 anos, foi o de não estabelecer um ponto de contato com o PSDB no período em que ele foi governo. E a mesma coisa aconteceu no período em que o presidente Lula é governo."


*Clique aqui para ler a matéria completa.

Os Direitos Humanos e a Proibição da Burka



Os Direitos Humanos e a Proibição da Burka


Por Carlos Alberto Lungarzo

Em notas recentes, motivadas pela violenta reação das castas armadas contra o PNDH-3, falamos do militarismo como o maior inimigo dos DH. Não devemos esquecer, porém, que a voz da caserna não está sozinha, e que, como aconteceu quase sempre na história, tem a cumplicidade da teocracia. A Igreja Católica também vitupera o projeto, colocando ênfase maior em assuntos vinculados com homoerotismo, aborto e propaganda religiosa. Não entendemos a relevância para a Igreja da existência de crucifixos nas delegacias e nos juizados. Será que, quando um favelado é apressado pela polícia, é mais doce receber choque elétrico observando a imagem de Cristo martirizado? Será que a presença daquele enorme crucifixo no STF faz menos dura a condena das mulheres que não podem abortar, porque uma casta de leguleios medievais e sádicos o proíbe?


Por enquanto, nesta nota quero referir-me a um problema relacionado com a iconografia religiosa num tom menor: é o que surge quando os símbolos confessionais não são exibidos pelas instituições públicas, mas pelos cidadãos comuns.



Burka e Chador


Faz tempo que o conservador moderado Nicolas Sarkozy propõe que o parlamento francês impeça, pela força da lei, que mulheres islâmicas utilizem a burka em locais públicos. www.bbc.co.uk/blogs/thereporters/gavinhewitt/2010/01/french_burka_ban_looms..html


No 28/01/2010, uma comissão desse parlamento, que estudava o uso da burka e o niqab por umas 1900 mulheres islâmicas residentes na França, entregou seu relatório final. Este não defende a proibição absoluta, mas aconselha sua veda em instituições públicas, como hospitais, escolas, escritórios do estado, etc. Veja:


http://pt.euronews.net/2010/01/26/comissao-parlamentar-francesa-recomenda-proibicao-da-burqa


O parlamentar de esquerda, Andre Gerin, propunha que a proibição fosse absoluta em todos os locais públicos, mas o alcance da proposta só ficará bem conhecido depois que o parlamento vote uma lei oficializando essas idéias. O líder do governo no parlamento (de centro-direita) Jean-Francois Cope, afirma que esta iniciativa defende os direitos das mulheres. Ele disse a um editor da BBC inglesa:


“Pensamos que em nosso país, o rosto é o veículo pelo qual as pessoas se reconhecem, simpatizam, e se respeitam mutuamente. O problema é a ocultação do rosto.”


O ministro Xavier Bertand, do partido do governo, entende que burka ou niqab são uma prisão para a mulher, que não consegue comunicar-se , exibir seu sorriso, socializar-se com pessoas da mesma ou diferente tradição cultural, fazer amizades.


Em outros países europeus tipicamente seculares, como a Holanda e a Dinamarca, foram lançadas iniciativas parlamentares inspiradas no caso francês. Antes que a questão fosse levantada na França, já o UK tinha proibido esta indumentária nas escolas.


Entretanto, é injusto qualificar de intolerante o racista o projeto francês, que foi exaustivamente explicado por parlamentares tanto da esquerda como da direita moderada. Se o objetivo fosse amedrontar os islâmicos, o projeto poderia proibir também o chador, que constitui uma peça de indumentário do mesmo caráter classista, machista e discriminatório, mas que permite ver o rosto e, portanto, diminui a humilhação da mulher. Pelo pouco que eu conheço da cultura oriental, acredito que não há motivo para poupar tampouco o chador, que já tinha sido banido pelo conservador xá Pahlavi, considerando-o uma forma arcaica de domínio masculino.



Relativismo Cultural e Atrocidades


Vários cidadãos islâmicos e também alguns não islâmicos rotulam a iniciativa de proibir a burka de discriminação e intromissão na vida privada dos estrangeiros. O argumento de que essa proibição mostra a desconfiança contra os muçulmanos, expressadas por alguns fascistas delirantes (no sentido de que a burca permitiria esconder armas no corpo de mulheres terroristas) não merece a menor atenção. Não é provável que o governo francês seja vítima de um pensamento tão descabido.


Outros resgatam o uso da burca, por ser um objeto tradicional em alguns países islâmicos, e representar, portanto, a cultura e os costumes dessas regiões; porém, a maioria não aprova a obrigatoriedade de seu uso imposta pelo Talibã. Este tipo de raciocínio é muito conhecido desde a década de 1950 e corresponde a um relativismo cultural surgido como reação polarizada à imposição de hábitos coloniais pelos países imperialistas. Talvez nem precise comentário o fato de que a diversidade e tolerância cultural que procuramos não serão obtidas aceitando as tradições humilhantes, desumanas e sangrentas, seja de Oriente, seja de Ocidente, mas criando um convívio diversificado de hábitos solidários e saudáveis, que possam construir uma sociedade mais livre e racional.


Seria simplista ver a tradição da burka apenas como uma moda ritual. Embora não seja mais que uma vestimenta, sua função protetora está relacionada com tradições cruéis e supersticiosas. Na Ásia Central, a burca serve para proteger o namus (algo assim como honra) da família nuclear de um homem, mas também (no caso dos pashtum) para defender a honra da família estendida.  O namus é violado quando uma mulher comete alguma falta ao recato e inclusive quando é estuprada involuntariamente. Nesse caso, a família não se solidariza com a vítima, pois todos eles se consideram ofendidos.. A solução que nunca é leve pode variar dependendo do lugar. Em Afeganistão, predomina a tendência a obrigar à menina “desonrada” a se suicidar; no Irã, o apedrejamento; na Arábia Saudita, a decapitação, e no Paquistão, a deformação de seu rosto com ácido.


Não precisa ser salientado o nível ético de qualquer um que defenda estas atrocidades em nome da soberania, da integridade cultural de um povo ou da luta contra o imperialismo.


É evidente que ninguém pode gostar desta vida, como o provam, aliás, os livros que mulheres árabes publicam em Ocidente. As moças que mostram resignação ou até defendem os brutais hábitos de indumentária (não os de tortura) tiveram sua “cabeça feita” durante anos, e temem pela ira dos maridos e familiares.


Depois da derrota do Talibã, muitas mulheres se lançaram à compra de cosméticos para assemelhar-se às ocidentais, e existem muitos vídeos que mostram um novo perfil da moça afegã. É impossível saber o efeito sobre as mulheres da invasão aliada em Afeganistão, já que sua opinião não recebe qualquer atenção. Mas é provável que vejam como salvador a qualquer inimigo do Talibã e outros marqueteiros da burca. Por sinal, foi isso o que aconteceu na década de 20, quando os bolchevistas entraram na Ásia Soviética Islâmica liberando as mulheres do uso daquelas roupas.


Não estou sugerindo que exista em Oriente uma especial tendência a barbárie ritual que seja desconhecida em Ocidente, pois os DH assim como as suas violações são universais. Os defensores dos DH também combatem as barbáries ocidentais semelhantes, como a repressão da mulher que a Igreja injetou em muitas gerações, e ainda injeta hoje nos ambientes mais atrasados. A diferença é, apenas, que os países ocidentais (especialmente a França) conseguiram reagir contra a teocracia, enquanto os orientais não puderam.



Política e Direitos Humanos


As razões para proteger as mulheres islâmicas da humilhação e do domínio masculino podem ter, como qualquer ação tomada por políticos e governantes, motivações espúrias, mas o efeito visível é um aumento no respeito a seus DH.


O aspecto político foi comentado por vários parlamentares. Sendo que atualmente a comunidade islâmica da Ásia e do Oriente Médio adquiriram uma visibilidade antes desconhecida, os governos estão preocupados pela possível criação de culturas internas, incomunicáveis, que não mantenham interação. Além do óbvio interesse estratégico e político, a medida de evitar a divisão da sociedade em compartimentos estancos, como nos Estados Unidos, possui um valor humanitário.


Pode deduzir-se das declarações de intelectuais, políticos e celebridades francesas e do próprio Sarkozy, que a proibição da burka visa estes objetivos:


1.       Evitar a segmentação da sociedade em subnacionalidades independentes, o que aumentaria o “bairrismo” e criaria novas formas de chauvinismo.


2.       Manter a neutralidade religiosa, que não é afetada pelo porte discreto de símbolos religiosos (cruzes, crescentes, estrelas de David em jóias e enfeites), mas que é desafiada pela exaltação provocativa de pessoas soturnamente fantasiadas.


3.       Desterrar da contemplação pública um símbolo que caracteriza a escravidão patriarcal sobre as mulheres, e representa implicitamente graves atrocidades.


4.       Contribuir à integração das mulheres islâmicas no mundo Ocidental, as livrando, não apenas do sofrimento psicológico de aceitar uma aparência bizarra, mas da dor concreta de estar separadas do meio ambiente.


Ninguém será livre nem terá DH, se sua vida pessoal for monitorada desde o Vaticano, Jerusalém ou Meca, com base nos esotéricos “conhecimentos” codificados por uma casta de alucinados, que acreditam receber ordens metafísicas. Os dirigentes islâmicos, cujos países são brutalmente arrasados pelos Estados Unidos e a Nato, produzindo a morte de famílias e condenando povos completos à desaparição, aumentam ainda mais a desgraça da população e colaboram com o imperialismo ao infernizar a vida de suas próprias mulheres.


Por outro lado, é deplorável que pacifistas e defensores dos DH apliquem o que se chama a filosofia do tango, em referência a um assunto que aparece sempre nos tangos argentinos. Tudo vale o mesmo, tudo é igual, em todo lugar tem maldade. Esse nihilismo só tem sido paralisante na história do mundo. Os países ocidentais não têm povos melhores que os outros, porque todos os povos são iguais. Mas tiveram uma oportunidade histórica melhor: a de desvencilhar-se (muito parcialmente) da tirania teológica. É por isso que usufruímos (algo mais) de DH que os orientais.


Carlos Alberto Lungarzo é professor e escritor, autor do livro "Os Cenários Invisíveis do Caso Battisti". Para fazer o download de um resumo do livro, disponibilizado pelo próprio autor, clique aqui. É membro da Anistia Internacional e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

A exoneração do general provocador: o depois e o antes






O antes: Ataque do general Maynard à Comissão da

Verdade foi transgressão disciplinar

Por Celso Lungaretti*

Figurinha carimbada da extrema-direita militar, o chefe do Departamento Geral do Pessoal do Exército, general Maynard Marques, lançou uma catalinária contra a Comissão da Verdade que o Governo Federal está instituindo para, principalmente, apurar as atrocidades perpetradas pela ditadura de 1964/85.














Sua nota A Comissão da "Verdade"? está amplamente disponibilizado nos sites fascistóides e demais espaços virtuais das  viúvas da ditadura, como o Coturno Noturno.

Depois de manifestar sua convicção autoritária na prevalência de uma verdade "absoluta, [que] transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas", desanda a atirar na fogueira os que ousam expressar o outro lado, cujo direito a existir e manifestar-se é a própria essência da democracia.

Segundo ele, "a 'Comissão da Verdade' (...), certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder".

No seu entender, seriam fanáticos os que combateram o regime, exercendo seu legítimo direito de resistência à tirania, mas nenhuma crítica faz àqueles que conspiravam há mais de uma década para usurpar o poder e, aprimorando seus métodos de tentativa em tentativa, acabaram por obter êxito, o que foi ponto de partida para assassinatos, torturas, estupros, detenções ao arrepio da Lei (sequestros, portanto), ocultação de restos mortais, cassação de mandatos legítimos, extinção arbitrária de entidades e partidos políticos, demissão ilícita de funcionários, censura aos meios de comunicação e, enfim, de todo tipo de perseguições, intimidações e pressões truculentas.

Incidindo em humor involuntário, o gen. Maynard Marques finge não perceber que, ao barbarizar dezenas de milhares de brasileiros em seus famigerados porões, a ditadura militar se definiu como legítima sucessora da Santa Inquisição. Ele tenta penosamente enfiar na cabeça dos adversários a carapuça que Deus e o mundo sabem repousar melhor sobre quepes:



"A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha".


Que palpite infeliz! Não escapará a nenhum cidadão civilizado que as realizações de Torquemada e seus sicários têm tudo a ver com as de Médici e seus Ustras...

Com sua nota insubmissa -- em que chega a qualificar a Comissão da Verdade de "excêntrica", comparando-a a uma "Comissão da Calúnia" --, o gen. Maynard Marques desrespeitou pelo menos duas proibições do Regulamento Disciplinar do Exército:



  • "manifestar-se, publicamente, sem que seja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária"; e



  • "censurar ato de superior hierárquico ou procurar desconsiderá-lo, seja entre militares, seja entre civis".



Devemos, portanto, EXIGIR do general Enzo Martins Peri (comandante do Exército) e de Nelson Jobim (ministro da Defesa) que façam cumprir o Regulamento Disciplinar, aplicando as punições cabíveis ao general boquirroto.

Quanto aos seis integrantes da Comissão da Verdade, designados pela ministra Dilma Rousseff, têm motivos de sobra para levar aos tribunais quem os qualificou de fanáticos, terroristas, sequestradores e assaltantes, antes mesmo de conhecer os nomes indicados para a função.
















O depois: O incrível general brancaleone






Apesar dos comentários lisonjeiros dos amigos, não fui eu quem derrubou o general Maynard Marques de Santa Rosa.


Como prezo muito a verdade, nem sequer talharei uma marca no PC: não foi meu fogo inimigo quem o abateu, mas sim o fogo amigo do ministro Nelson Jobim. Ironias do destino.

Muita seda a direita rasgará para o exonerado; aliás, já existem alguns desagravos demagógicos e golpistas circulando na internet.

No entanto, é bom que se saiba que, ao invés de ter agido em nome dos interesses superiores da Nação ou, pelo menos, na defesa da honra da corporação, tudo leva a crer que a motivação principal do gen. Maynard fosse bem mais prosaica: estaria apreensivo quanto ao que a Comissão da Verdade poderia revelar a seu respeito.

Numa lista de torturadores que o Blog do Cappacete recentemente publicou, eis a parte que lhe cabe:


MAYNARD MARQUES DE SANTA ROSA Segundo Tenente da Infantaria do Exército; integrava Equipe de Buscas do DOI-CODI-RJ; era da 2A. Seção do 1O.RO-105-RJ em 1971-1972


É claro que tudo se completa: os esqueletos no armário e as convicções ideológicas ultradireitistas de Maynard Marques, aquele general encrenqueiro que apareceu no noticiário contestando a ação do Exército na Reserva Raposa Serra do Sol e acusando ONGs da região amazônica de estarem "envolvidas com o tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e espionagem".

Azar dele que, em estratégia, é zéro à esquerda. Deve ter cabulado as aulas.

Quando li a nota dele contra a Comissão da Verdade, fiquei perplexo com sua incontinência verbal. É óbvio que um militar na ativa não pode impunemente referir-se a um colegiado instituído pelo Governo Federal como "Comissão da Calúnia".

Pior ainda foi ter-se deixado levar pelo exibicionismo pseudo-erudito, aludindo ao pior personagem da História que poderia invocar na defesa da sua causa: Torquemada. Levantou a bola para marcarmos o ponto.

Asnática também foi a escolha do momento para sua provocação.

Depois de ter feito uma concessão indigesta à pressão dos militares, retirando da terceira versão do Programa Nacional dos Direitos Humanos a correta especificação dos crimes a serem investigados, era igualmente óbvio que o Governo não engoliria outro sapo -- ainda mais se viesse na bandeija de um general que está longe de ser uma unanimidade na caserna.

Pelo contrário, o que Maynard Marques ofereceu ao governo foi uma excelente e não desperdiçada oportunidade para mostrar autoridade, apagando a má impressão deixada no episódio anterior.

"Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue" - costumava citar o Paulo Francis.






*Os dois artigos foram escritos hoje, 10/02/2010, e são de Celso Lungaretti, jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

10 de Fevereiro no Brasil e no mundo

Dicionário da Sônia*




10 de fevereiro

1947 Assinatura em Paris de tratado de paz entre as potências aliadas com a

Itália, Romênia, Bulgária, Hungria, Finlândia, Estônia, Letônia e Lituânia,

incorporadas à URSS.

1951 Lei define o polígono das secas, com área de 936 mil km2.

1965 Governo cancela a concessão da empresa aérea Panair do Brasil.

1971 O procurador Hélio Bicudo faz novas denúncias contra o Esquadrão da

Morte, grupo paramilitar que assassinava civis nas grandes cidades

brasileiras na década de 70.

1976 Zuzu Angel presta depoimento ao historiador Hélio Silva na qualidade

de diretor do Centro de Memória Social Brasileira da Faculdade Cândido

Mendes, sobre a sua peregrinação junto a autoridades militares para ter

notícia de seu filho.

1985 Nelson Mandela, líder do movimento negro sul-africano preso desde

1962, renuncia a liberdade que o governo branco lhe oferece caso abandone a

luta contra o apatheid.

1986 Itália inicia grande processo contra a máfia na Sicília, com 474

acusados.

1995 Mark Nobius, guru dos "mercados emergentes", aos investidores dos EUA:

"No Brasil, eu recomendo a Varig, a Eletrobrás e a Telebrás". Pergunta que

não quer calar: o que aconteceu com a Varig no governo FHC, se nesta época

(2º mês do seu governo), a empresa ia tão bem, a ponto de ser indicada para

investimentos externos?

2006 Tribunal Regional do Trabalho do Pará condena senador João Ribeiro

(PL-TO) pelas condições a que estavam sujeitos os trabalhadores em sua

fazenda, mas baixa a indenização a ser paga de R$ 760 mil para R$ 76 mil.

2007 Relatório da ONU - Organização das Nações Unidas, afirma que a

globalização não gerou crescimento econômico e desenvolvimento dos países,

não reduziu as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas, como

prometido.

2008 Itamar Franco: "Acabou-se cometendo até um desatino perante a Justiça

Eleitoral, pois mesmo depois de deixar o cargo de ministro da Fazenda, o

Fernando Henrique era quem assinava as primeiras cédulas de Real. E o mais

grave é que eu fingi que não vi".

2009 Yeda Crusius, governadora do RS (PSDB), fecha as escolas itinerantes

do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), prejudicando cerca de

400 crianças que ficaram sem acesso ao ensino.

2009 Stephen Kanitz, jornalista e escritor, afirma em uma entrevista à

Globo News: "a crise acabou". Não faltou comentarista para contraditá-lo,

mas na época, o Ibovespa estava em 36.000, e quem acreditou ganhou 55% na

Bolsa em apenas 3 meses.

2009 FHC se reúne em São Paulo com parlamentares, para falar da

necessidade de o PSDB lançar o quanto antes o nome do candidato da sigla que

disputará a sucessão presidencial em 2010.

"Os deputados saíram da casa de FHC também com a recomendação de exercerem

mais fortemente a oposição no Congresso em relação a medidas do governo

Lula, incluindo aquelas voltadas para impedir o avanço da crise

internacional". afirma a jornalista Carmen Munari, em reportagem da Reuters.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Lula diz que fará sucessor para o país não virar "caranguejo"

Da redação do site "Terra"


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a afirmar nesta terça-feira, em discurso na cidade de Teófilo Otoni (MG), que vai fazer seu sucessor. Durante a inauguração do campus da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri na cidade mineira, Lula fez a afirmação depois de ser interrompido por vários universitários que gritaram o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e disse que o País não poderia voltar para trás como um "caranguejo".


"Eu não posso falar o que vocês estão falando porque a lei não permite. Mas podem ficar certos de uma coisa: nós vamos fazer a sucessão neste País para continuar o que estamos fazendo. Esse País não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo", disse Lula. Dilma se retirou do palco junto ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, para se encontrar com prefeitos de cidades mineiras. Mais cedo, em Governador Valadares, a ministra cometeu uma gafe e chamou o município em que estava de Juiz de Fora.


Lula e Dilma têm feito comparações da gestão atual com a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que rebateu as críticas no fim de semana, em um artigo publicado em jornais de todo o País. A estratégia do governo Lula é transformar a eleição presidencial de outubro em um plebiscito.


No maior tempo do discurso em Teófilo Otoni, Lula voltou a dizer que fez mais escolas técnicas e universidades do que os presidentes anteriores que possuíam diplomas universitários - afirmação que o presidente costuma fazer em inaugurações de instituições de ensino. "A elite brasileira, durante muito tempo, foi uma elite perversa. Ela estudava, mas não queria que o povo estudasse", disse o presidente.

9 de Fevereiro no Brasil e no mundo

Dicionário da Sônia*




9 de fevereiro

1847 Guerra EUA e México: norte-americanos desembarcam em Veracruz e
iniciam a marcha sobre a o território mexicano.

1853 Morte: Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, imortalizada pelo poeta
Tomás Antonio Gonzaga como Marília de Dirceu, aos 85 anos (Ouro Preto-MG).

1942 Criação do território de Fernando de Noronha.

1950 Começa nos EUA uma histeria anti-comunista chamada de Macartismo,
idealizada pelo senador Joseph McCarthy, que inicia uma campanha de delação,
que acaba se tornando uma paranóia no país.

O citado senador anuncia que tem uma lista de 205 comunistas que integram o
Departamento de Estado norte-americano. Posteriormente, McCarthy foi cassado
por suborno e falsificação de documentos.

1962 EUA aumentam a ajuda militar ao Vietnã do Sul que enfrenta a guerrilha
Vietcong.

1967 General Castelo Branco sanciona a nova lei de censura da imprensa,
alcunhada Lei Rolha, sob protestos de intelectuais, artistas e jornalistas.

1993 O diretor da PF, Amaury Galdino, determina a busca dos corpos de 69
guerrilheiros do Araguaia enterrados clandestinamente pelo Exército.

2000 Gestão do ministro da Educação, Paulo Renato, é acusada de promover
facilidades para a abertura de novos cursos universitários privados.

2000 Fina ironia de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras, que
afirma que o desastre ambiental provocado pela estatal com o vazamento de
1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara vai melhorar a consciência
ecológica do País.

2006 Divulgada pesquisa do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais que
aponta a parcialidade da Justiça em conflitos agrários nos estados do RS,
SP, PA e PE, com tratamento diferenciado nos processos condenando
agricultores e absolvendo fazendeiros.

2006 Estudo do Instituto Observatório Social, acusa as multinacionais
Faber-Castell, Basf e ICI Paints de envolvimento na cadeia de exploração de
mão-de-obra infantil.

2006 Novo presidente da Bolívia, Evo Morales, e ministro da Defesa, Walker
San Miguel, confirmam existência de informações que apontam para o início de
uma tentativa de desestabilização do governo, com a participação de
multinacionais do petróleo.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Fernando Henrique Cardoso precisa de amigos



Isso é FHC. A exigência egóica de ser admirado o torna, paradoxalmente, um líder sem liderados. Para quem acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo, sua irritabilidade é permanente e justificada.



Em seu texto “Luto e Melancolia", Freud diz que manifestações melancólicas assumem várias formas clínicas, se caracterizando, entre outros sintomas, "por uma depressão profundamente dolorosa, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, diminuição do sentimento de auto-estima e inibição de todas as atividades." A identificação com o objeto perdido é inevitável e, na medida em que não consegue incorporação simbólica, o que sobra ao sujeito é a identificação com o vazio de um pai ausente.


Se a psicanálise sofre hoje contestações de diferentes ordens, as palavras do seu criador sobre o comportamento melancólico se encaixam como uma luva para o amontoado de sandices que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu e disse no último domingo, 7/02, tentando deter e repudiar a impopularidade que o persegue desde o segundo mandato.


Há alguns anos, Carlos Heitor Cony, em artigo na Folha de São Paulo, não poupou palavras para melhor definir o “príncipe dos sociólogos: "Diziam seus admiradores que FHC era uma cabeça, um intelectual, um produtor de coisas inteligentes. Sua exposição no cargo mais alto do país rebaixou-o à dimensão de um demagogo banal, incapaz de articular um argumento alem do insulto aos que não acreditam nele e o acusam inclusive de improbidade."


Isso é FHC. A exigência egóica de ser admirado o torna, paradoxalmente, um líder sem liderados. Um prócer a ser evitado em anos eleitorais. Para quem acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo, sua irritabilidade é permanente e justificada. Afinal, deve ser duro para quem esteve no poder durante oito anos, constatar que o resto do mundo político não reconhece sua importância. Pior, o que ganha realce são os erros grosseiros de um dirigente que governou de acordo com os humores do capital financeiro.


Seu governo passou para a história como um modelo que acentuava a exclusão social e penalizava as classes de menor renda. A estratégia de estabilização de preços baseada na captação de capital externo de curto prazo, através da sobrevalorização da moeda e da manutenção de elevadas taxas de juros, levou o país a níveis de desemprego sem precedentes, à desarticulação da estrutura produtiva e à deterioração do tecido social no campo e na cidade.


O mau desempenho do comércio brasileiro na época foi minuciosamente construído pela equipe de FHC que, realizando uma abertura irresponsável da economia, pôs em prática políticas monetárias e cambiais que minaram em grande parte nossa capacidade de competição internacional.


Mostrando a miopia fiscalista que o orienta até hoje, Cardoso escreveu em seu artigo (“Sem medo do passado”), publicado no Globo: "Esqueceu-se [Lula] dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal."


A entrega do patrimônio público ainda é apresentada como fórmula eficaz de fazer caixa. O que FHC faz questão de esquecer faz parte de sua história: grande parte do programa de privatização brasileiro foi financiada pelo BNDES. No cassino tucano, muitas empresas privatizadas não queriam fazer investimento aqui e se aproveitavam de polpudos créditos que também beneficiavam transnacionais já instaladas no país. O argumento utilizado era o de que a vinda desses setores permitiria agregar elementos de financiamento ao desenvolvimento nacional.


Quando se lê um artigo assim, descontextualizado, mal costurado em seus argumentos, é que nos damos contas da importância de olhar pelo retrovisor. É ele que sinaliza as perspectivas do futuro. Nesse ponto, o texto de Cardoso é didático, quase leitura obrigatória.


FHC sabe que a grande mídia corporativa exercerá o prestimoso papel de guiar suas mãos na hora de legitimar a irrelevância dos seus escritos. Somente os exércitos de colunistas destacados pelas famílias que controlam os meios de comunicação garantem sua vida política vegetativa.


Quando compara a ministra Dilma Rousseff a um boneco manipulado pelo presidente Lula não faz qualquer ponderação política, apenas evidencia que sua cabeça está longe de ser privilegiada. É uma mente que destila bile (que está na raiz da palavra melancolia) para desqualificar seus adversários. É o menestrel da política pequena buscando a facilidade da ribalta midiática.


Antes de dizer que “o PT “tenta desconstruir o seu mandato”, o ”príncipe” deveria dedicar mais tempo à leitura do que andaram falando sobre seu governo as principais lideranças do seu partido, em especial o governador de São Paulo. Uma boa sugestão seria o livro “Conversas com Economistas Brasileiros II", que a Editora 34 lançou em 1999. Lá ele encontraria o seguinte trecho:


“A política cambial do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso foi um desastre gratuito e total. Foi resultado de pouca reflexão analítica de seus condutores. Suas conseqüências foram devastadoras em muitas áreas da economia, inclusive comprometendo as metas fixadas no processo de privatização."


Essa crítica, das mais contundentes feitas por um economista que participou dos dois mandatos do governo FHC, é de José Serra em entrevista a dois professores da FGV, Guido Mantega e José Márcio Rego. E agora, quem é o boneco de quem? Nem mesmo um governador que submergiu com as enchentes em São Paulo, levando com ele a suposta capacidade gerencial do tucanato, pôde endossar a política arrasada do ex-presidente. O que esperar da oposição? A compaixão que deve ser concedida aos incapazes?


As palavras do ex-presidente devem ser vistas como movimentos de descompressão da realidade. Quando, a partir da melancolia e solidão de sua maturidade, um ator político faz a volta à infância, o ridículo se apodera do cenário. Fernando Henrique precisa de amigos.





Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior, colaborador do Jornal do Brasil e do blog "Quem tem medo do Lula?".

A liberação do uso da charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

Uma guerra não declarada - Brutal e violenta




[caption id="attachment_3819" align="aligncenter" width="234" caption="16/02/2009 José Serra entrega presente a Álvaro Uribe em visita do colombiano a São Paulo Foto: Nelson Antoine/AP"]16/02/2009 José Serra entrega presente a Álvaro Uribe em visita do colombiano a São Paulo Foto: Nelson Antoine/AP[/caption]


Por Laerte Braga


O que leva um país como a Colômbia a aceitar a presença de militares estrangeiros em seu território? A luta contra o narcotráfico? Ora, o presidente do país iniciou-se na política pelas mãos de Pablo Escobar, um dos maiores traficantes de todos os tempos. É apoiado por grupos paramilitares formados a partir de mercenários (assassinos profissionais) e financiados por latifundiários e grandes empresários, com profundas ligações com o tráfico de droga.


Os relatórios do Departamento antidrogas do governo dos EUA, que acusavam Álvaro Uribe de ligações com o tráfico, sumiram depois de divulgados pela mídia norte-americana. Foi decisão do governo do presidente George Bush. Mais importante que o combate às drogas é a ocupação militar da Colômbia de olho na Amazônia, nas reservas de nióbio (mineral estratégico para armas nucleares, foguetes e aviões) naquela região, de urânio e na necessidade de impedir governos que se oponham ao controle norte-americano prosperem ou consolidem a independência real de países como a Venezuela.


Os Estados Unidos têm a maior dívida pública do mundo. É impagável e o modelo capitalista só faz acentuá-la. A única forma do império sustentar-se é na política de guerras e conquistas, saques, processo de recolonização de países independentes. É o que fazem qualquer que seja o governo, o presidente.


Uma declaração de alta autoridade dos serviços de inteligência dos EUA, publicada no WASHINGTON POST, um dos mais importantes jornais daquele país, fala da autorização concedida a forças de combate ao “terrorismo”, para matar qualquer pessoa em qualquer parte do mundo desde que essa pessoa signifique riscos para os interesses norte-americanos. A declaração foi feita à luz do dia, no governo democrata de Barack Obama e não foi desmentida. Na prática, é uma reafirmação de ordens existentes desde o governo Bush (oficialmente) e vigentes extra-oficialmente desde o fim de segunda grande guerra.


A cidade mineira de Araxá é depósito, digamos assim, de grandes reservas de nióbio. Moradores de Araxá relatam com freqüência que, independente do turismo, da atração exercida pelo Grande Hotel de Araxá (privatizado nos governos Azeredo e Aécio), é grande o número de japoneses e norte-americanos interessados na compra do nióbio.


As reservas descobertas na Amazônia transformam o Brasil em bem mais que o maior detentor de reservas do mineral em todo o mundo. Mas no único exportador. Todo o nióbio usado no resto do mundo sai do Brasil. Entre a quantidade do mineral exportado legalmente e a quantidade real, há uma diferença elevada.


Ou seja, 60 por cento do nióbio brasileiro é contrabandeado.


As FARCs são apenas pretexto dos norte-americanos para consolidar posições na América do Sul, parte do mundo que consideram extensão de seu território e seus interesses.


A base militar dos EUA no Paraguai, ainda ao tempo do governo anterior ao de Fernando Lugo, foi instalada com o pretexto de combater o terrorismo ao Sul dessa parte do mundo. O governo de Bush alegava que a grande colônia palestina na região de Foz do Iguaçu servia de abrigo a terroristas e que por lá já andara inclusive o líder da Al Queda, Osama bin Laden. Está ali o quinto maior reservatório subterrâneo de água doce em todo o mundo, o Aqüífero Guarani.


Os palestinos que residem na região se dedicam ao comércio e o dinheiro que enviam a seu país de origem, o fazem para seus familiares. As vítimas da barbárie sionista e por falta de perspectivas de sobrevivência. Uma das práticas sistemáticas de Israel, além de ter se apropriado da água em territórios palestinos, é destruir a economia da região de Gaza. Ali se produz flores e hortifrutigranjeiros que exportados servem para o sustento dos palestinos. Em tempos normais cerca de 150 mil caixas diárias de tomates, por exemplo, são exportadas para a Arábia Saudita. Israel não permite que isso aconteça mais..


O golpe militar em Honduras, montado e financiado pelos EUA, dentro da estratégia de “legitimá-lo” com a farsa de uma eleição de cartas marcadas, cumpriu o papel de evitar a expansão da ALBA – ALIANÇA BOLIVARIANA DA AMÉRICA LATINA – contraponto à transformação dos países latino-americanos em colônias de Washington projeto embutido na proposta da ALCA – ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS –.


E ao mesmo tempo cumpre o papel de laboratório para futuros golpes em países latino americanos que se opõem às políticas imperiais dos norte-americanos.


O nível de agressividade dos EUA aumentou desde a eleição de Hugo Chávez, de Evo Morales e Rafael Corrêa na Venezuela, Bolívia e Equador, respectivamente. Da presença de Lula no governo brasileiro. E governos de esquerda no Paraguai e no Uruguai, além das posições nacionalistas de Cristina Kirchner na Argentina.


Os investimentos em partidos políticos fiéis a Washington cresceram de forma significativa diante dessa realidade. Está eleito um antigo colaborador de Pinochet no Chile (Sebastián Piñeira). No Brasil o PSDB, o DEM e o PPS são os braços do capital norte-americano.


A presença de Daniel Ortega na Nicarágua e a de um governo de centro-esquerda em El Salvador acentua a preocupação dos EUA. A proposta de Chávez de formação de um bloco político e econômico latino americano assusta o império.


No Brasil, considerado estratégico para os interesses dos EUA, a política norte-americana tem oscilado entre a prática golpista, 1964, quando a parte das forças armadas brasileiras leais a Washington derrubou o presidente constitucional do País João Goulart e o arremedo de democracia em figuras fabricadas nos laboratórios da mídia que Washington controla a partir, principalmente, do grupo GLOBO de comunicações (jornais, rádios e tevê), não é diferente. Subordinados ao capital estrangeiro vendem diariamente e em doses maciças a alienação enquanto se processa a lenta e gradual ocupação do Brasil.. Foi plena no governo de Fernando Henrique Cardoso, funcionário da Fundação Ford,


O doutrina de segurança nacional formulada pela Comissão Tri-lateral – AAA – (América, Ásia e África) foi substituída pelo Consenso de Washington, a globalização definida de forma magistral como “globalitarização” pelo brasileiro Milton Santos.


O que, à época da ditadura, Golbery do Couto e Silva, general da banda do exército brasileiro comandado por Washington, interpretou como sístole e diástole, movimentos de abertura e fechamento segundo as conveniências das elites políticas e econômicas dos EUA.


Elites brasileiras e latino-americanas são apêndices, até porque são apátridas.


Estamos vivendo uma guerra não declarada, mas brutal e violenta e o inimigo é o governo dos Estados Unidos.


Militares brasileiros responsáveis, não subordinados a Washington, têm consciência disso. São minoria, no entanto, diante dos eternos golpistas.


A importância do Brasil em todo esse contexto pode ser medida na frase, sempre permanente, de um ex-presidente dos EUA, Richard Nixon – “para onde se inclinar o Brasil se inclinará toda a América Latina” –.


É a razão pela qual vão investir todos os recursos necessários para eleger o atual governador de São Paulo para suceder Lula. Querem um governo dócil e que complete a obra de FHC. E ainda mais agora que o Brasil se revela detentor de uma das maiores reservas de petróleo em todo o mundo, o pré-sal. Privatizar a PETROBRAS é fundamental para os interesses dos EUA.


Os dez mil soldados que Obama enviou ao Haiti para “ajudar” as vítimas do terremoto, entre outras coisas, garantem as reservas petrolíferas daquele país para empresas dos EUA.


Como toda sociedade de um império, num determinado momento, a doença da barbárie, da violência, da boçalidade permeia o tecido social desse império. Tem sido assim historicamente. E não será diferente com os EUA. Vão ruir por dentro. Os Estados Unidos são uma sociedade doente.


Não significa que não seja necessária a resistência.


Há um processo, vamos ficar no Brasil, que ocupa setores estratégicos do Poder Público (do Estado). Essas garras se estendem ao Judiciário ao Legislativo e encontram eco mesmo num governo de centro-esquerda como o de Lula, em ministros como Nelson Jobim, Reinold Stephanes e políticas que não mudam na essência as estruturas políticas e econômicas sob controle de bancos, grandes empresas e latifúndio.


Por essa razão criminalizam movimentos populares de grande peso como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), cooptam importantes centrais sindicais e criam um pânico disfarçado na população, uma forma de lacerdismo sem a histeria de Carlos Lacerda. Essa é desviada para a lavagem cerebral imposta por novelas de tevê, programas conduzidos por figuras como Xuxa, informações a partir de telejornais mentirosos – JORNAL NACIONAL –, ou os preconceituosos como Boris Casoy (teve um chilique quando viu garis na telinha no ano novo), bordéis transformados em catedrais como o Big Brother, catedrais do sucesso, do dever ser, do aceitar para triunfar.


E nem falei na posição de extrema-direita adotada pela Igreja Católica através de seus principais dignatários desde João Paulo II, acentuada com Bento XVI, ou nas casas chamadas igrejas de estelionatários como Edir Macedo (tem base em Miami, paraíso dos mafiosos do mundo inteiro).


Há uma guerra não declarada, mas presente em cada momento das nossas vidas e em jogo está a independência e a soberania nacionais. O futuro do Brasil vale dizer de nossos filhos, netos.


A opção andar ereto e de cabeça erguida ou cair de quatro e aceitar a realidade que vem imposta de Washington é nossa.


Resistir ou cair.


O senador Artur Virgílio divulgou um comunicado oficial através de sua assessoria que iria levantar-se cedo, está em Washington acompanhado de outro corrupto, Eduardo Azeredo, para tomar café com o presidente Obama.


Em qualquer cidade de porte médio dos EUA. ou New York e Washington, é possível ir a uma loja de fotografia e tirar uma foto ao lado de Obama, como é possível mandar imprimir um jornal com um nome qualquer e publicar a foto na primeira página ao lado do noticiário do dia.


Pego no contrapé o senador Artur Virgílio, agente norte-americano no País, disse que sua assessoria errou ao divulgar que tomaria café da manhã com Obama. Esqueceram de explicar que haviam mais de mil convidados e que mantidos a uma distância segura do presidente dos EUA, tomariam seus cafés em suas mesas enquanto Obama, em rápida aparição iria saudar os presentes (todos comprados e muito bem pagos pelos EUA), tomaria um rápido café, falaria das intenções democráticas de seu país para com a América Latina e o mundo e abençoaria com uma oração os presentes.


É uma das batalhas da guerra. É assim que fazem, contam com políticos venais como Artur Virgílio e Eduardo Azeredo e sonham ter José Collor Serra na presidência a partir de 2011.


Aí viramos BRAZIL. Deixamos de ser um gigante adormecido que está acordando e passamos a ser um gigante dominado e controlado por uma sociedade doente. O império norte-americano.


Laerte Braga é jornalista e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

Derrota iminente no Caso Battisti faz Mino Carta atacar esquerda


"Eu assisti de camarote
O teu fracasso,

Palhaço, palhaço


(...) No livro de registro desta vida
Numa página perdida o teu nome há de ficar

Registram-se os fracassos, esquecem-se os palhaços

E o mundo continua a gargalhar"

(Benedito Lacerda/Herivelto Martins)



Por Celso Lungaretti


Nos círculos do poder, não há a mais remota dúvida de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmará a decisão que o Governo brasileiro tomou há 13 meses, de garantir ao perseguido político italiano Cesare Battisti o direito de residir e trabalhar em paz no nosso país.


Eliane Cantanhêde já revelou que as gestões italianas atualmente são apenas no sentido de que Lula doure a pílula, alegando razões humanitárias para sua decisão; e que o desfecho do caso não ocorra nos períodos imediatamente anterior e posterior à visita do premiê Silvio Berlusconi ao Brasil, para poupar-lhe constrangimentos.


Este quadro está por trás da nova diatribe de Mino Carta, Onde está a esquerda?: é mera retaliação pela derrota humilhante que está em vias de sofrer, como o principal linchador de Battisti na imprensa brasileira.


Mino escreveu dezenas de artigos para pressionar nossas autoridades a passarem por cima das tradições humanitárias brasileiras e das consistentes dúvidas a respeito da lisura do processo em que Battisti foi condenado sem ter podido exercer seu direito de defesa, graças a uma fraude hoje totalmente desmascarada, envolvendo falsificação de procurações, conluio de defensores com acusadores e conivência da Justiça italiana.


Para que servem agora esses artigos, editoriais e notícias editorializadas?


Só para uma coisa: são a pior nódoa nas muitas décadas de carreira de Mino Carta. Ele vai ser sempre lembrado como o jornalista que tentou impor aos brasileiros a capitulação diante das mais descabidas pressões e dos mais arrogantes ultimatos italianos.


Afora os textos que assinou, outros atribuídos à Redação da CartaCapital têm conteúdo e forma idênticos aos seus. E o ex-juiz Walter Maierovitch, colunista fixo que faz as vezes de fiel escudeiro do Mino Carta, também contribuiu assiduamente com o lobby para o linchamento de Battisti, produzindo dezenas de peças tendenciosas e rancorosas.


No início de 2009, a CartaCapital certamente bateu um duvidoso recorde na imprensa brasileira, como a revista de circulação nacional que por mais semanas consecutivas abordou um único assunto, e sempre com o mesmo viés (linchador).


O outro lado e o direito de resposta simplesmente deixaram de existir para esse veículo, que se comportou como mero house organ da Fabbrica Italiana di Buffonatas.


Nem os leitores aguentavam mais este samba de uma nota só, tanto que passaram a contestar veementemente não só a fixação obsessiva de Mino no tema, quanto a posição por ele adotada.


Pateticamente, ele reagiu retirando-se do seu próprio blogue, o que não impediu o público da revista de continuar manifestando sua discordância nos comentários das notícias e editoriais sobre o Caso Battisti, os quais continuaram sendo sistematicamente expelidos (é o termo apropriado...).


Agora, confrontado com a inutilidade de sua caça à bruxa, o grande inquisidor se vinga retoricamente dos que impediram-no de acender a fogueira:





"...José Eduardo Cardozo, fervoroso defensor da permanência de Battisti no Brasil e titular de um currículo em que figuram contatos importantes, quem sabe decisivos, com Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity. Dele Cardozo foi advogado, soldado a mais de um exército infindo, antes de se eleger em 2002..." [Ser advogado de alguém nunca constituiu crime ou opróbrio. Mino semeia suspeitas porque não tem acusações para apresentar. E o que ele quer dizer, afinal, com "soldado a mais de um exército infindo"?! Já vão longe os tempos em que pernósticos passavam por eruditos...]

"A revista Veja acabava de publicar um dossiê que dizia ter-lhe sido entregue por Dantas, a revelar contas de um pessoal graúdo, a começar pelo presidente Lula, em paraísos fiscais. Mais um episódio para enrubescer o arco-da-velha e que em outro país provocaria, no mínimo, investigações profundas e algumas prisões." [Depois de tanto criticar a revista que já dirigiu, Mino Carta recorre a suas antigas acusações para atingir Lula, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e o deputado Cardozo.]

"Um ministro de Estado soletrou nos ouvidos de CartaCapital: 'É que o PT tem medo de Dantas'." [É simplesmente grotesco Mino lastrear acusação tão grave numa fonte incógnita. O despeito o faz esquecer o bê-a-bá do jornalismo.]

"Ah, sim, a famosa esquerda... Sempre pergunto aos meus perplexos botões qual teria sido a razão que moveu o ministro Genro ao decidir-se pelo refúgio a Battisti. Há quem diga, nos próprios corredores de diversos ministérios, que foi para agradar à esquerda na perspectiva da eleição gaúcha. [Novamente insinua o que não tem evidências nem coragem para afirmar, evitando assumir responsabilidades legais.]

"...de que esquerda se trata? Daquela que descobriu os prazeres da vida e decidiu apostar no poder pelo poder? Ou daquela que virou tucana, ou seja, herdeira do udenismo velho de guerra?" [Noves fora, resta nada. Já que Battisti vai ser libertado, ninguém mais presta, todos chafurdam na podridão. O linchador está à beira de um ataque de nervos.]

"Resta o fato de que esta tal de esquerda parece não ter entendido a diferença entre quem luta contra a ditadura e quem contra um Estado Democrático de Direito. Atingimos, assim, a encruzilhada: de um lado a ignorância, do outro a hipocrisia. De um lado o QI baixo, do outro a desfaçatez. De um lado a parvoíce, do outro a cega, granítica, eterna confiança na credulidade alheia." [Retórica embolorada e oportunística à parte, Mino parece esquecer a desmoralização que Berlusconi granjeou para o tal "Estado Democrático de Direito", começando pelas leis casuísticas que Executivo e Legislativo têm introduzido/tentam introduzir para evitar que o premiê receba a justa punição por seus numerosos delitos..]


Celso Lungaretti é jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

8 de Fevereiro no Brasil e no mundo

Dicionário da Sônia*


8 de fevereiro


1911 Nascimento: Lélia Abramo, atriz, ativista pela volta da democracia epelos direitos humanos, fundadora do PT, em São Paulo.


1977 15ª Assembléia da CNBB aprova texto de críticas ao regime da ditadura
(gov. Geisel).


1977 Severo Gomes, ministro da Indústria e Comércio, deixa o governo
criticando o entreguismo do regime militar.


1995 Gente fina é outra coisa: Telerj afirma que o vandalismo dos
orelhões é maior nas áreas ricas. O SPC-PE informa que os desfavorecidos
costumam honrar seus débitos mais do que os ricos. Da lista de caloteiros do
Banco do Brasil, apenas 10% são pequenos agricultores, e 90% dos grandes
fazendeiros.


As Companhias aéreas constatam que o roubo de talheres e outros objetos é
maior nos viajantes da 1ª classe. O programa de reciclagem de lixo de Porto
Alegre tem maior adesão entre os moradores de bairros populares do que os de
moradores de bairros de classe-média alta.


1995 Gabeira cerra o punho na posse como deputado do RJ, velha saudação
comunista para desafiar o gesto dos fascistas. Depois virou ruralista...


2006 Grupo de fiscalização de 5 auditores, 1 procurador do Ministério
Público, 1 motorista, e agentes federais é recebidos a tiros em uma fazenda
do município de Nova Lacerda-MT, quando verificava denúncia de trabalho
escravo e 2 fazendeiros foram presos.


2008 Governo de SP destinou R$ 108.384.268,26 a gastos efetuados por um
cartão de débito no ano de 2007, mas, diferentemente do governo federal que
lançou um portal para registro dos gastos, não o fez, impossibilitando a
transparências dos mesmos.


2008 Revista britânica The Economist publica reportagem sobre o Bolsa
Família, programa social brasileiro, que "está ganhando adeptos em todo o
mundo" porque tem garantido bons resultados, negando as críticas de que seja
apenas para garantir votos.


2009 Senado italiano aprova lei que permite aos médicos da rede pública de
saúde denunciar estrangeiros que vivem ilegalmente no país e buscam
atendimento.


*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Venezuela, os EUA e os Lobos sorridentes


Sem nada que se compare a uma convulsão social e gozando de uma Constituição, que Chávez busca cumprir ao tentar descentralizar o poder dos monopólios de mídia, a Venezuela não pode de modo algum ser caracterizada como uma ditadura militar.


Por Ana Helena Tavares

Muito se fala em Hugo Chávez. Mais uma vez, jornalistas do mundo inteiro decretam que é a pior crise de seu governo. Tenho, às vezes, a nítida sensação de que se uma creche lotada explodir nos EUA a grande imprensa mundial nem se lembrará de Bin Laden, arrumará logo um jeito de pôr a culpa no Chávez. E, se os conglomerados midiáticos o acham tão exageradamente ruim, sou tentada a concluir que algo de muito bom – e de democrático – ele tem.


A Venezuela atual é progressista, ainda que uma análise fria nos leve a concluir que não há uma conjuntura de revolução. Na tentativa de desmascarar alguns mitos midiáticos, começo me perguntando: por que tanto taxam Chávez de ditador?


Não há análises precisas sem contextualizações necessárias. O contexto latino-americano sempre possuiu um valor largamente geoestratégico para os EUA. É uma relação de dependência de tal modo que se pode afirmar que sem o controle da América Latina os EUA perderiam seu quintal, veriam sumir os frutos de sua horta e perderiam boa parte de seu poder.


Historicamente, nas décadas de 50, 60 e 70, fervilharam na América Latina processos progressistas e revolucionários que se compuseram de tendências várias, movimentos sindicais fortes, e ainda uma igreja que germinava a futura teologia da libertação. Tais processos levaram a que os EUA elaborassem e apoiassem planos ditatoriais de extrema-direita para os países rebeldes, enforcando (muitas vezes, literalmente) a possibilidade de mudanças sociais. Se pudessem, teriam matado Fidel, tal como se pudessem já teriam dado um sumiço em Chávez para pôr no lugar um Lobo em pele de cordeiro.


Ora vejamos... Nem João Goulart nem Salvador Allende eram comunistas, tão somente conduziram leves alterações nos mecanismos econômicos de maneira a atenuar distorções sociais e a promover ações afirmativas com a população. Mas para os EUA e suas multinacionais essa é a senha para que a banda troque a música... Fuzilamentos, torturas, repressão e o cerceamento das liberdades civis e individuais foi o que se viu...


“Chávez isto, Chávez ditador, Chávez comunista, Chávez militarista” é o que se ouve. Só que nem Hugo Chávez, nem Evo Morales, nem Rafael Correa cometem o tipo de prática que as elites burguesas legitimaram melancolicamente no passado e, em certos casos, como o de Honduras, também no presente.


Sem nada que se compare a uma convulsão social e gozando de uma Constituição, que Chávez busca cumprir ao tentar descentralizar o poder dos monopólios de mídia, a Venezuela não pode de modo algum ser caracterizada como uma ditadura militar.


Se Chávez é ditador, por que, depois de ter sido preso, este quando chegou ao poder, por voto popular, não exerceu nenhum tipo de repressão sobre seus algozes? Chávez limitou-se a prendê-los, sem qualquer tipo de violência. E por quê? Para mim, não há outro nome senão coerência. Era por uma Venezuela livre que o tenente-coronel Hugo Chávez lutava na intentona de 1992; é por uma Venezuela livre que o presidente Hugo Chávez luta. Numa luta como esta, tanto lá como aqui, não cabem revanches. Cabe que se assegure ao povo a liberdade de expressão e a liberdade ir e vir; cabe a punição dos que merecem ser punidos, dentro do cumprimento das leis que devem reger um país democrático. É isso o que Chávez faz e é isso o que apavora o mundo.


A melhoria da qualidade de vida dos pobres e sua conseqüente ascensão social, a erradicação do analfabetismo e os programas de saúde em parceria com médicos cubanos são fatores vitoriosos de seu governo. A isto a mídia faz vista grossa, mas chamá-lo de ditador é capa de jornal. Atitude não muito diferente com relação ao nosso presidente.


É claro que a Venezuela ainda tem muitas lacunas a preencher, mas ditador Chávez não é. Bem como também não é nenhum Bin Laden e nem sorri para qualquer um como o fazem Obama e o Lobo de seu quintal.


Ana Helena Tavares é escritora e poeta eternamente aprendiz. Jornalista por paixão e futura jornalista com diploma, é colunista da “Revista Médio Paraíba” e editora/administradora do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Cadê o Aécio que "tava" aqui? Virou um Marco Maciel da vida - Cadê Minas Gerais? Virou recreio de bandeirantes saqueadores!

Foto: Wellington Pedro / Imprensa MG

Por Laerte Braga


Há alguns anos atrás o jogador Júnior, notável lateral esquerdo do Flamengo, estava com sua equipe em excursão ao México e integrava o plantel rubro negro um atacante de nome Feu. Um jogador de qualidades técnicas limitadas, mas dedicado e acima de tudo um simplório, o que é comum no futebol.


Todas as manhãs Feu ligava para sua mãe no Brasil e fazia um relato dos acontecimentos da viagem, uma de suas primeiras ao exterior. Numa dessas manhãs Júnior chamou-o a um canto e “explicou”. “Feu, você está ouvindo é uma gravação com a voz de sua mãe. por causa do fuso horário você tem que confirmar mais tarde se ela recebeu a ligação”.


Dito e feito, passadas as horas ditas por Júnior, para o gáudio da turma, Feu ligou para o Brasil e perguntou à sua mãe se havia recebido e primeira ligação e que a que estava fazendo, confirmando, ia chegar algumas horas depois.


O jornal ESTADO DE SÃO PAULO é para ser lido assim. O fuso horário histórico. A edição que chega hoje às bancas foi impressa em 1887, um ano antes da abolição. Percorre uma espécie de túnel do tempo. Porta voz das oligarquias rurais, escravocrata, tem como patrono D. Pedro II e ainda olha com desconfiança a princesa Izabel, herdeira do trono. É que Sua Alteza Real é casada com o conde D’Eu, francês de nascimento, além de ter inclinações abolicionistas.


No solar da família Mesquita, que edita o chamado ESTADÃO, ainda se olha de soslaio aquele negócio de comer escargot. Seria algo assim como uma perigosa infiltração culinária européia, capaz de contaminar a sociedade brasileira com princípios não liberais, mas à mania que se atribui aos franceses do ménage a trois. No ESTADÃO ainda não conhecem o Big Brother Brasil e o nome do conde é meio esquisito.


No máximo “as pedras pisadas do cais”, dentre as pegadas, as de polacas importadas pela Casa Lili.


O jornal em questão num exercício de futurologia resolveu contratar Júlio Verne para tentar interpretar e prever o Brasil do século XXI. Segundo as conclusões do respeitável escritor, autor de “Vinte Léguas Submarinas”, “Viagem a Lua”, “Viagem ao Centro da Terra” e outros, no ano da graça de 2010 um descendente direto de Drácula vai disputar a presidência da República e quer incorporar um Neves da antiga capital mineira, São João D’el Rey, à sua chapa.


Registre-se que para a publicação da palavra república houve um longo debate na redação do jornal e só depois de ficar acertado que tal palavra não era um palavrão e isso seria explicado para não confundir ou ofender a família FIESP/DASU é que a matéria escrita por Verne saiu.


Nas previsões de Júlio Verne o vampiro José Collor Serra, governador da província de São Paulo vai tentar montar na garupa do governador da província de Minas Geraes, Aécio Neves (mesmo depois de ter chamado Aécio de drogado) para vencer as eleições e impedir que a “malta”, a “súcia” continue no poder. Verne em suas elucubrações futuristas, deixou o pessoal do ESTADO em estado de choque ao dizer que o Brasil é governado por um operário e o povo gosta, confere-lhe elevados índices de popularidade, provocando profundo mal estar em D. Fernando Henrique Cardoso, doutor em todas as coisas, principalmente bandidagem, cinismo, corrupção, etc, o mestre de Serra.


Por isso consultaram o barão Boris Casoy, especialista em “que merda, logo garis, a última categoria da sociedade na escala de serviço!”


Foi autorizada a divulgação da frase patriótica do barão Casoy e dita autorização chegou num édito com selo e assinatura a pena de ganso, tudo com direito a mata borrão para evitar dúvidas e suscitar suspeitas de falsificação. É bom esclarecer que o brasão do barão Casoy tem as letras CCC e o lema “mate um comunista por dia e limpe o país”.


Segundo o jornal a dúvida de Aécio é se Serra tem força suficiente para vencer as eleições (palavras que causam arrepio no ESTADO, ainda mais que o jornal não sabe que o voto secreto já foi adotado e o voto feminino é uma realidade), ou se o vampiro é blefe. Tudo indica, afirma Júlio Verne, que Aécio vai esperar mais um pouco para saber se vale a pena ou não ir morar no Jaburu, no caso de uma difícil vitória eleitoral (há dúvidas sobre se o navio de Serra consegue sair de São Paulo, ou encalha em alguma obra do alcaide Gilberto Kassab).


Verne descobriu em sua bola de cristal que, no futuro, no ano de graça de 2010, até jovens a partir de dezesseis anos podem votar, mas resolveu não contar aos Mesquitas para evitar infartos, crises histéricas, provocando uma corrida às pharmacias da rede Granado em busca de sais.


E acha que só se Aécio for bobo. Tipo caipira, como paulistas costumam chamar os nativos da província de Minas Gerais.


Aécio que segue conselhos de sua irmã Andréa e de seu pai Aécio Cunha, além de cultivar espertezas adquiridas de seu avô Tancredo, está sendo advertido, apareceu tudo na bola de cristal de Júlio Verne, que se aceitar deixar o paulista montar em sua garupa vai virar um Marco Maciel da vida.


Político pernambucano, dono de engenhos e muitos escravos, capaz de engolir qualquer sapo, cobra, perereca, o que for necessário, para ascender a planos superiores, não importa como, mas só isso.


Sempre a postos, alerta para um passo à frente, mesmo que isso signifique um passo atrás no caráter, na honra, virtudes das quais nunca ouviu falar. Acostumou-se a chicotear os escravos e a deixar-se montar pelos senhores. Por oito anos habitou o palácio Jaburu sem que ninguém percebesse, tamanha a sua insignificância. Não chega a ser um Chalaça, que pelo contrário era percebido em cada movimento da corte, longe disso, mas uma espécie de múmia na qual se encerram a canalhice e a corrupção do seu partido, o DEM. O DEM, que na verdade é DEMocrata, é especialista em propina e em orações de gratidão pelo dinheiro roubado ao povo. O partido do vampiro Serra não, é todo de ateus.


Ao término de seu trabalho para o ESTADO DE SÃO PAULO e antes de retornar a Paris, Júlio Verne foi recebido pelos Mesquitas no amplo salão da residência da família, saudado pelo barão do Tucano Amarelo e teve seu nome proposto para correspondente da Academia Brasileira de Letras junto a Academia Francesa.


Ao deixar a residência dos nobres FIESP/DASLU, Verne foi profético.


“Cadê o Aécio que estava aqui? Virou um Marco Maciel da vida. Cadê Minas Gerais? Virou recreio de bandeirantes saqueadores”


A propósito, convidado a navegar pelas avenidas da capital da província de São Paulo, Julio Verne polidamente recusou. É que soube que a nau de Serra é aquela que naufragou antes de sair do porto nos festejos da independência do Brasil, no período de D. Fernando Henrique Cardoso. Ficou pesada. É que custou o dobro do preço tamanho o número de grumetes e superiores a mamar nas tetas do poder público, regra geral e absoluta no governo daquele respeitável doutor de tudo.


Sem falar no preço cobrado pela GLOBO para qualquer coisa, até espirro de rainha da bateria.


Laerte Braga é jornalista e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

Lula em quadrinhos - Cap. 2 - Cadê o açude? Cadê a comida?

Clique na imagem para ler.
Não leu o primeiro capítulo? Clique aqui.


Esta história em quadrinhos, que hoje integra o nosso especial "A história de um vencedor", terá sempre um novo capítulo publicado aqui aos domingos. A revista foi lançada em 2002, criada pelo cartunista Bira Dantas, atualmente colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

7 de Fevereiro de 1939: Conferência em Londres visa solucionar o problema palestino, mas até agora...

Dicionário da Sônia*


7 de fevereiro
1939  Conferência em Londres visa solucionar o problema palestino, mas até agora...


1960  Avião norte-americano queima 1,15 milhão de toneladas de cana de açúcar nas usinas Violeta, Florida, Céspedes e Estrella, em Cuba.

1965  Guerra EUA x Vietnã: aviões norte-americanos começam bombardeios regulares no Vietnã do Norte.

1969  Conselho de Segurança Nacional cassa 3 senadores e 18 deputados do MDB, que faziam oposição à ditadura.

1992  Intelectuais e políticos brasileiros promovem vôo da solidariedade a Cuba.

1994  Caso Para-Sar: Itamar Franco autoriza, enfim, a determinação do STF, de promoção do capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho a brigadeiro, patente que ocuparia caso não tivesse sido afastado pela ditadura.

1995  FHC lança campanha de marketing para a educação, comete a “descortesia” de apresentar como proposta de seu governo para a educação, medidas criadas por Murilo Hingel, ministro de Itamar, já aplicadas há pelo menos 2 anos.

1997  Seguranças expulsam 110 famílias que ocupam a fazenda Boa Sorte, em Marilena, PR, e mata um lavrador com um tiro na cabeça.

2003  Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do BNDES e ministro das Comunicações no governo FHC, afirma em sua coluna no jornal Folha de São Paulo: “A inflação elevada e persistente dos dias de hoje me leva a insistir novamente nesse tema. Os principais indicadores que medem o ritmo de aumentos de preços na economia mostram um quadro muito complexo e difícil para a ação do governo Lula”. “A inflação está de volta porque o Banco Central de Armínio Fraga foi frouxo no controle monetário e covarde para promover um verdadeiro choque de juros na economia. Para retomar seu controle, o governo Lula deveria aumentar agressivamente a taxa Selic”. "Em 1983, o Brasil foi atingido por uma crise de confiança, semelhante à que vivemos hoje, criada pela moratória do México”. Até eles reconhecem que deixaram o país em situação crítica para Lula.

2006  Inocêncio de Oliveira, deputado federal pelo PL-PE (ex-PFL) teve sua condenação confirmada pelo TRT da 16ª Região (MA), por ter 53 trabalhadores mantidas como de escravos em sua fazenda, libertados em 2002.

2008  Ben Bernanke, presidente do FED (EUA) alerta para os efeitos da crise do sistema financeiro na economia real. Os líderes do G7 (grupo dos 7 países mais industrializados do mundo) dizem que as perdas com o mercado subprime podem chegar a US$ 400 bilhões.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

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