O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

Clique na imagem abaixo e conheça o "Quem tem medo da democracia?" - sucessor deste blog

Clique na imagem abaixo e conheça o "Quem tem medo da democracia?" - sucessor deste blog
Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ou Arruda Serra está zoando com o Brasil ou o DEM está de brincadeira com Arruda Serra: Índio da Costa?

É rato demais num navio só, estão zoando com o Brasil e os brasileiros.

Por Laerte Braga (*)

O cara é genro do banqueiro Salvatore Cacciola, aquele amigo de FHC que quebrou de mentirinha, fugiu para a Itália, foi preso na Suíça, extraditado e cumpre pena na Penitenciária da Papuda em Brasília. E está envolvido no escândalo do superfaturamento da merenda escolar no Rio de Janeiro.



O deputado Índio da Costa tomou um susto danado quando soube que seria indicado para vice de José Arruda Serra. O dito foi casado com Rafaella Cacciola, filha do banqueiro, namorou a filha de César Maia e tem como primo um outro banqueiro, Luís Octávio Índio da Costa, dono do banco Cruzeiro do Sul.



O novo vice foi indicado por Rodrigo Maia, deputado e filho de César, o ex-prefeito, que, no sábado, havia ficado uma arara quando soube que Roberto Jéferson tinha emplacado na quadrilha a candidatura de Álvaro Dias. Pulou, estrebuchou, fez o senador Sérgio Guerra sair correndo de Recife para apagar o incêndio no Rio e no fim Índio de Costa.



Ou estão zoando com Arruda Serra, ou Arruda Serra está zoando com o Brasil. O mais provável é que esteja acontecendo uma e outra coisa. Rodrigo Maia, no sábado, em declaração a jornalistas disse que “já perdemos a eleição”.



Quando percebeu que sua política econômica ia gerar uma baita quebradeira no mercado FHC consentiu que o Banco Central vendesse dólar mais barato aos bancos Marka e FonteCindam, com um prejuízo de bilhões para os cofres públicos.



Estava tentando salvar Salvatore Cacciola, que usava informações privilegiadas obtidas junto ao próprio Banco Central, através de Chico Lopes, amigo de FHC e presidente da instituição por uns dias. Teresa Grossi, diretora interina, à época, do Departamento de Fiscalização negociou com a Bolsa de Mercadorias e Futuro uma carta para justificar a negociata. Uma CPI apurou que o prejuízo foi de um bilhão e meio de reais aos cofres públicos, ou seja, ao distinto cidadão.



Cacciola? Sai logo, sem perder um tostão. Enquanto cumpre pena em cela especial o dinheiro vai rendendo aqui fora e de quebra o ex-genro é indicado candidato a vice-presidente na chapa do amigo do peito José Arruda Serra.



Não foi por outra razão que Aécio Neves, que já pulou fora desse barco faz tempo, saiu dizendo que estava tudo errado, que não era assim, ou seja, não dá para levar a candidatura Arruda Serra. Colocaram chumbo nos pés do candidato.



O sogrão de Índio da Costa foi condenado, em 2005, pela juíza Ana Paula de Vieira Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro a treze anos de prisão. Crimes de peculato e gestão fraudulenta.



Está aí uma prévia do que poderia ser um governo Arruda Serra. Chico Lopes, do BC foi condenado a dez anos e Teresa Grossi a seis anos, mas estão em liberdade, aguardando julgamento de recurso.



Quando o escândalo estourou FHC tratou de demitir Chico Lopes, tanto quanto garantir o silêncio de Cacciola. O temor dos tucanos era exatamente o banqueiro abrir o bico e envolver mais figuras do corrupto governo do ex-presidente. Com as garantias que tudo seria jogo de cena, falo das investigações, foi para a Itália, até ser preso e extraditado. Foi preso na Suíça.



Índio da Costa é piada pronta. Irresponsabilidade pronta, declarada publicamente. Ao lado do dito cujo, todo sorridente, o ex-senador Bornhausen, o deputado ACM Neto e Rodrigo Maia.



A vergonha foi tanta que Arruda Serra resolveu chegar quando a convenção do DEM já estava terminada. Jeito de despistar, dizer que não tem nada com isso, com amigos assim ninguém precisa de inimigo.



Mas por que aceitar então? Rabo preso. Só isso. Não tem como pular fora do barco. Pode até tentar, mas ou engole os caras ou vai para o brejo definitivamente.



No andar dessa carruagem Arruda Serra vai disputar o vice-campeonato com Marina da Silva. E vai ser uma disputa dura, daquelas de arrepiar.



Andréa Gouvêa Vieira, vereadora à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, num relatório de uma CPI sobre o escândalo da merenda escolar afirma que o secretário de Administração do governo do município então o atual deputado Índio da Costa, favoreceu a um cartel de empresas pagando mais caro, com alimentos de baixa qualidade, em prejuízo dos alunos da rede pública. Segundo a vereadora em seu relatório à época, o trabalho do secretário Índio da Costa podia ser considerado um manual de como “não administrar na gestão da coisa pública”.



Mas, o cara é ex-genro de banqueiro com fundos no exterior (caixa dois), namorou a filha do ex-prefeito César Maia, boa pinta e contempla a quadrilha DEM, a família tucana agradece penhorada o que o próprio Arruda Serra chamou de “processo autofágico”. Ou como diz Aécio, “o Serra tem uma capacidade incrível para desorganizar tudo”.



Registre-se que a vereadora é do PSDB, partido de Arruda Serra.



Numa declaração ao jornalista Josias de Sousa, FOLHA DE SÃO PAULO, o deputado disse o seguinte – “acabei de ser indicado, foi uma surpresa, não sei de nada, vou ver como posso ajudar”.



Parece prefácio de livro cabeça, como dizem. Chamam um especialista para apresentar a obra, ele escreve trezentas páginas para duzentas da dita obra, explica tudo, ninguém entende nada, mas faz que entende e fica na dúvida se larga o romance para lá, lê só a orelha ou se nunca mais na vida lê prefácio.



Prefácios são uma ameaça à leitura e a literatura.



A dupla José Arruda Serra e Índio da Costa ameaçam algo muito maior, ameaçam o Brasil.



Ah! Segundo Andréa Gouvêa Vieira, a vereadora tucana que relatou a CPI da roubalheira do “ficha suja” Índio da Costa, o deputado Rodrigo Maia fez uma jogada de mestre. Afastou um concorrente já que o novo vice de Arruda Serra seria candidato a reeleição e tiraria votos de Rodrigo, atuam em áreas próximas.



Eieta quadrilhazinha braba esse tal de DEM. Deu nó até na quadrilha grande, o PSDB. Essa nem Roberto Freire, o ex-honesto imaginava. Na verdade apenas sonhava de tudo ficar embrulhado e, de repente, alguém “lembrar”, “uai gente, por que não o Freire?”



É rato demais num navio só, estão zoando com o Brasil e os brasileiros.


*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

A charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

“Tasso, Zé”?

.

Raul Longo
Foto: Jasmim Losso Arranz

coitado. Tão feinho e sem viço, só por causa de um vice!
– Vício?
– Não. Vice!
– Hum! Isso é tão perigoso quanto caxumba. Só que funciona ao contrário: vai do saco pra cabeça.
– Precisa ter controle médico...
– O quê? O vírus da caxumba?
– Não. O vício de procurar vice.
– É tudo mentira!
– Tem algumas meias-verdades, com as quais escondem rios de dinheiro desviado do erário.
– Ah, sim! Tem sim. Mas também usam cuecas inteiras.
– Nesse caso está comprovado que dá azar.
– Arruda dá sorte, mas existem casos de efeitos contrários!
– Arruda fede!
– Depende do olfato de quem cheira.
– Por isso o Caçador de Maracujina prefere supositórios, como os mulas que transportam cápsulas de cocaína no estômago.
– Mas que cagão de merda.
– Quem? O Dunga?
– Não, o cafunga.
– É o vício.
– Do Maradona?
– Não! Vício de vice.
– Dias piores virão!
– Aff!
– Do jeito que tá, só Deus! pois o Demo tá cansado de tanta luta inglória.
– No Rio, a Marina da Glória também é conhecida como Marina do Flamengo.
– Que sina a de quem desatina!
– Deveria tentar um vigário.
– Vigário?
– É! Vê lá no dicionário: “vigário: aquele que substitui outro”. O vice.
– Então... vigário está.
– Vigário para-quedista.
– E daí?
– Agrega valores católicos aos preceitos evangélico-eleitorais.
– Não vai dar certo!
– Só as meninas do baixo dão na medida certa. O resto é enganação.
– Pelo visto, formigão, quando quer se perder, cria malas.
– Virgem Santa!
– A Marina?
– Essa hoje parece menos milagreira do que se supunhetava.
– A Abreu abriu...
– Ninguém aguentaria katilinária.
– Então, o Tasso...
– O Tasso já havia mandado um bilhete no qual constava apenas as palavras “Tasso, Zé”.
– Ofereceu-se para ser vice?
– Não, nada disso. Só agora ele decodificou a sua própria mensagem: “Tás só, Zé”. Tirou o time em grande estilo: montou na garupa do jato e se afastou voando...
– Pela vicinal?
– Sim, foi o que alegou: “Vice, não!”
– É que eles insistem na titularidade. Sabe como é, né?
– Sei sim, sei como é isso de ser obrigado a protelar planos de infância. Às vezes a vida passa e nunca se concretizam. Aquilo que poderia ter acontecido ontem talvez aconteça daqui a cinquenta anos.
– Ora, cinquenta anos não passa de um piscar de olhos, quando, einsteinianamente, tomamos como referência a eternidade.
– Quer saber?
– Depende! Se vai falar de vice, prefiro jogar Caça ao Tesouro.
– Caça ao tesouro? Ora, isso é programa de índio.
– Índio que, durante milênios, carregou este país nas costas?
– Não. Índio que prefere montar nas costas dos outros índios.
– Cacique?
– Por enquanto, curumim.
– “Cu” o quê?!

_________________________

*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC. Colabora ca Agência Assaz Atroz e com este "Quem tem medo do Lula?"


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

Agência Assaz Atroz

.

Nome do vice não entusiasma tucanos

Em público, ordem é não reclamar da escolha e evitar nova crise com o DEM

Autor(es): Agência o Globo/Adriana Vasconcelos
O Globo - 01/07/2010

No PSDB, a notícia da indicação do deputado Indio da Costa (DEM-RJ) foi recebida sem entusiasmo, e até com certa preocupação nos bastidores. Mas de público ninguém ousou reclamar da escolha, justamente para não realimentar a crise que se arrastava há seis dias entre os dois partidos.


A avaliação interna, porém, é a de que a escolha de um deputado federal de primeiro mandato, sem maior projeção eleitoral e praticamente desconhecido nacionalmente, evidenciou a falta de opções da oposição - além de expor a má condução das negociações sobre o companheiro de chapa do candidato tucano à Presidência, José Serra.



Publicamente, porém, os tucanos elogiaram a escolha, seguindo rigorosamente a orientação da cúpula de encerrar de uma vez por toda a novela do vice. Reservadamente muitos tucanos afirmaram nem conhecer o deputado fluminense, que está em seu primeiro mandato na Câmara.


O ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, o vice que Serra tanto queria, atuou nas últimas horas da negociação com o DEM e elogiou a escolha:


- É o nome escolhido. É uma cara nova do Rio de Janeiro. Agora, o principal é trabalharmos para virar a página de vice e seguir em frente.


- Indio é um bom deputado. Atuante e com muita sensibilidade. Participou ativamente de CPIs e foi relator da Lei da Ficha Limpa - afirmou o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA).


Apesar dos esforços para mostrar que está tudo resolvido, o próprio presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), elogiou a escolha de Indio, mas, perguntado, admitiu que preferia Álvaro Dias.


- É um nome de bastante respeito, é um jovem líder, com grande capacidade de comunicação. Mas continuo achando que o Álvaro Dias seria o melhor candidato de todos - afirmou Sergio Guerra.

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/7/1/nome-do-vice-nao-entusiasma-tucanos

O homem reificado: transformado em coisa

O homem reificado:
transformado em coisa


Por Renato Prata Biar (*)

Numa palestra proferida pelo psicanalista Jorge Forbes para o programa Invenção do Contemporâneo, e que tinha como tema a questão da globalização, o psicanalista de linha lacaniana afirmou que a grande questão para o homem e a mulher do século XXI é o fato de hoje nós termos inúmeras opções no que diz respeito à escolha de uma carreira, de uma profissão. Segundo Forbes, além da gama de possibilidades no século passado ser bem menor, havia também uma convicção e uma certeza maior das pessoas na hora de escolher sua profissão e, consequentemente, sua carreira como profissional. Ainda segundo o psicanalista, se antes nós escolhíamos uma alternativa, hoje, quando se faz essa escolha tendo, por exemplo, dez opções, a sensação que temos não é a de ter feito uma escolha, mas de ter perdido as outras nove que existiam. O homem, portanto, diante de tamanha quantidade e diversidade nas opções, simplesmente fica perdido e não sabe o que fazer da vida. E é a partir desse ponto que começo a traçar minhas divergências com esse psicanalista que é, sem dúvida, um dos maiores especialistas da psicanálise lacaniana, no Brasil.



Para começar, se analisarmos a questão do desemprego estrutural (aquele que ocorre devido à extinção de determinados postos de trabalho: trocador de ônibus, os bancários, que sofreram uma redução de cerca de 50% do efetivo da categoria, etc.) podemos constatar facilmente que os postos que foram extintos, são muito mais numerosos do que os postos de trabalho que foram criados nesse mesmo período (da década de 1990 até os dias atuais). Portanto, se existe nas pessoas de hoje essa insegurança e essa sensação de não saber o que fazer e o que escolher para suas vidas, o motivo certamente não é o maior número de alternativas existentes, mas, pelo contrário, a extrema redução dessas alternativas. O que parece é que para ter alcançado uma conclusão como essa, Jorge Forbes não levou e não leva em consideração a “sutil” diferença entre as classes sociais. Sua conclusão só pode ser entendida se acreditarmos que as inúmeras possibilidades de se escolher uma carreira ou uma profissão sejam exatamente iguais tanto para aqueles que estão na base da pirâmide social (a classe menos abastada) quanto para aqueles que estão no topo dessa pirâmide (a classe mais abastada, mais rica); algo completamente inaceitável e absurdo.



Outro ponto que o psicanalista lacaniano parece não enxergar (e o pior cego é aquele que não quer ver) é o fato de que a globalização privilegia apenas dois “sujeitos” ilustres: o capital e a informação (esta, principalmente, pelo desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação). Para quem já leu o Manifesto Comunista, de K. Marx, esse tipo de globalização não é nenhuma novidade. O barbudo de Trier já havia escrito, em 1848, que o capital é apátrida. Ou seja, ele não tem pátria e irá buscar o lucro maior onde quer que ele esteja. Para constatar isso, basta observarmos a quantidade de grandes empresas dos países mais ricos (Estados Unidos e vários países europeus) que transferiram o seu parque industrial para a China, a Índia e diversos países latinos americanos na busca por mão-de-obra mais barata, de uma classe trabalhadora pulverizada e de sindicatos fracos e com uma legislação trabalhista ineficiente e, em muitos casos, praticamente inexistente. Será que os milhões de trabalhadores que estão submetidos aos subempregos e às condições de trabalho escravo ou semi-escravo também estão em crise existencial, no que diz respeito a decidir que carreiras irão escolher para suas miseráveis vidas? E quando digo que essa globalização é uma globalização do capital, pois, esse, sim, tem trânsito livre em qualquer lugar do mundo, quero lembrar a onda de xenofobia que cresce a cada dia nos países mais ricos: deportando trabalhadores imigrantes sem dar-lhes direito algum, culpando-os por suas crises econômicas, criando leis para criminalizá-los e tantas outras atrocidades cometidas contra seres humanos que só querem trabalhar e ganhar a vida de forma honesta. Gostaria que o psicanalista opinasse sobre essas questões.



Outro ponto de divergência com Forbes refere-se à própria classe média/alta que ele tanto prioriza nas suas análises. A esse respeito, o que parece é que, mesmo essas pessoas que têm condições e estrutura para escolher sem pressa ou desespero a profissão e a carreira que querem abraçar, estão submetidas a uma pressão que, essa, sim, parece ser uma característica do final do séc. XX e que adentrou pelo séc. XXI: escolher uma atividade que, antes de qualquer coisa, ofereça a oportunidade de grandes ganhos financeiros. Em outras palavras: de ficar rico. Não é que não existam mais honradas e dignas profissões a serem seguidas, mas o problema é que as pessoas acreditam, religiosamente, na existência metafísica do mercado com a sua mão invisível que tudo controla. Com isso, se dedicam exclusivamente a uma preparação que visa uma formação que lhes transforme cada vez mais numa mera mercadoria. Porém, esse homem reificado (transformado em coisa) não é mais aquele que busca se aperfeiçoar na sua profissão para garantir o seu emprego. Mas é aquele que agora deseja ser uma mercadoria polivalente, pois o seu desejo é estar preparado para as mais diversas e diferentes oportunidades que o Deus Mercado irá lhe oferecer. Não importa mais o que se tenha que fazer desde que isso tenha uma grande probabilidade de lhe proporcionar excelentes e exorbitantes lucros. E, o que é mais grave, as pessoas são levadas a acreditar que é somente através do seu crescimento e sucesso financeiro que conseguirão a admiração e o respeito da grande maioria da sociedade. Terão, finalmente, o reconhecimento e a visibilidade tão desejados. Como dizia o próprio Lacan, “o maior desejo do sujeito é ser o objeto do desejo do outro. O sujeito deseja ser desejado.”



Portanto, se vivemos numa sociedade que é ensinada e que ao mesmo tempo ensina que para ser desejado o que importa é Ter e não Ser, os meios pelos quais se busca a obtenção daquilo que realmente se valoriza na sociedade (nesse caso, as coisas materiais e, mais especificamente, o dinheiro) não só já não importam mais, como também já estão mais do que justificados. Como mais uma vez nos alertou K. Marx (Manuscritos Econômico-filosóficos):



“O que é para mim pelo dinheiro, o que eu posso pagar, isto é, o que o dinheiro pode comprar, isso sou eu, o possuidor do próprio dinheiro. Tão grande quanto a força do dinheiro é a minha força. As qualidades do dinheiro são minhas – de seu possuidor – qualidades e forças essenciais. O que eu sou e consigo não é determinado de modo algum, portanto, pela minha individualidade. Sou feio, mas posso comprar para mim a mais bela mulher. Portanto, não sou feio, pois o efeito da fealdade, sua força repulsiva, é anulada pelo dinheiro. Eu sou – segundo minha individualidade – coxo, mas o dinheiro me proporciona vinte e quatro pés; não sou, portanto, coxo; sou um ser humano detestável, sem honra, sem escrúpulos, sem espírito, mas o dinheiro é honrado e, portanto, também o seu possuidor. O dinheiro é o bem supremo, logo, é bom também o seu possuidor; o dinheiro me isenta do trabalho de ser desonesto, sou, portanto, presumido honesto; sou tedioso, mas o dinheiro é o espírito real de todas as coisas, como poderia o seu possuidor ser tedioso? Além disso, ele pode comprar para si as pessoas ricas de espírito, e quem tem o poder sobre os ricos de espírito não é ele mais rico de espírito do que o rico de espírito? Eu, que por intermédio do dinheiro consigo que o coração humano deseja, não possuo, eu, todas as capacidades humanas? Meu dinheiro não transforma, portanto, todas as minhas incapacidades no seu contrário?”



Para concluir, se é o homem que produz as ciências, as artes e o conhecimento; se é ele que transforma a natureza para satisfazer das suas necessidades mais básicas até as mais complexas e supérfluas, das mais banais até as mais interessantes e maravilhosas, então somente o homem será capaz de superar essa ordem das coisas que ele próprio criou e que, de maneira alienada e equivocada, pensa estar submetido e impotente diante dela. Se a história é algo que construímos através da nossa atividade e da nossa práxis, na nossa interação e na relação com o outro, então que tomemos de vez essas rédeas em nossas mãos para que possamos construir algo que transforme a nossa angústia diante da vida e da finitude, em algo que nos dê um sentimento de que, mesmo com todas as adversidades e sofrimentos, valeu apena ter passado por aqui.

*Renato Prata Biar é historiador, pós-graduado em filosofia. Mora no Rio de Janeiro e é colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.


Habemus vice

Para Zelaya, posição do Brasil sobre Honduras evita abertura de precedente

Foto: Aler

Matéria do site "Operamundi"

O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya ressaltou, em entrevista à ANSA, a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o golpe de Estado que o destituiu, um dia depois de o governo brasileiro reiterar sua posição em relação ao caso.

Na semana em que o golpe contra o então mandatário constitucional hondurenho completa um ano, Zelaya explicou que Lula, assim como os demais presidentes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), quer que "não nos aconteça o mesmo do século XX".

"Que neste novo século não se inicie este turbilhão fascista dos golpes militares promovidos por interesse geopolítico e comercial da potência do norte, os Estados Unidos", rebateu o ex-líder do país centro-americano, que concedeu a entrevista por e-mail a fim de não colocar em risco seu asilo na República Dominicana.

Zelaya partiu para o exílio após um acordo entre o mandatário dominicano, Leonel Fernández, e o atual chefe de Governo de Honduras, Porfirio Lobo, que venceu as eleições realizadas durante o regime de facto e por isso não tem sua administração reconhecida por parte da comunidade internacional -- inclusive a maioria dos membros da Unasul, liderados por Lula.

Nesta quarta-feira (30/06), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, apontou que a reintegração de Honduras à OEA (Organização dos Estados Americanos), entidade da qual a nação foi suspensa após a ação contra o regime democrático que instaurou o governo de fato de Roberto Micheletti, dependeria da anistia do ex-presidente.

A reincorporação do país centro-americano à OEA continua a ser rechaçada por nações como Venezuela, Equador e Argentina, além do Brasil, ainda que outros governos da região -- como Peru e Colômbia -- defendam a iniciativa.

De acordo com a Agência Brasil, Garcia relembrou que na última assembleia geral do organismo muitos dos presentes concluíram que "não foram reunidas as condições" para a reintegração, já que "todos foram anistiados em Honduras, inclusive os golpistas, menos o presidente Zelaya", o que seria "imprescindível".

Também os países da América Central -- reunidos no Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) -- não conseguiram chegar a um consenso sobre o tema. Embora já tenham reconhecido o governo de Lobo, com exceção da Nicarágua, em encontro realizado entre terça-feira e quarta-feira no Panamá os líderes da região terminaram os debates sem um posicionamento comum sobre o tema.

Ainda em declarações à ANSA, Zelaya fez elogios a Lula, definido por ele como um "patriota americano de primeira qualidade" e "o melhor que poderia acontecer ao Brasil e à América do Sul nos últimos 100 anos".

"Suas democráticas e progressistas posições obedecem a sua consciência de classe e seu conhecimento da realidade de nossos povos explorados da América Latina", exaltou.

Questionado sobre quais seriam suas reivindicações atuais, o ex-mandatário assegurou não necessitar de "reconhecimento" e garantiu não trabalhar por isso. "Sou humanista cristão. Não pratico o hedonismo nem temo a morte", declarou.

Ele também disse não se arrepender de ter "enfrentado os Estados Unidos e a oligarquia midiática e econômica de Honduras", e que está "pagando um alto preço por isso".

"Tenho confiança que será retificado e um dia terminará o apartheid, que já tem vários séculos em Honduras, será buscada e então se terá a reconciliação nacional", acrescentou Zelaya, que atualmente ocupa seu tempo escrevendo um livro sobre democracia e organizando uma fundação.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A falsa história nas escolas militares (III)


A falsa história nas escolas militares (III)

Por Urariano Mota (*)

Recife (PE) - Eu já me havia prometido não mais voltar ao assunto. Melhor dizendo, volver, nunca mais. Mas prometo que esta será a última vez, ainda que o assunto não se esgote aqui.

E por que volto? Meia-volta faço porque nesta semana fui honrado pelo senhor Hiram Reis, coronel e professor do Colégio Militar de Porto Alegre, que escreveu uma catilinária em que divulga até o meu email, para melhor chamamento à ordem do colunista. Na parte de interesse público, depois de chamar este autor de alienado, idiotizado, o professor toca em questões mais graves, como estas:

“Atualmente, o Colégio Militar de Porto Alegre é a única escola de educação básica do País a possuir um observatório astronômico (Observatório Capitão Parobé) dotado de um telescópio robótico de última geração...

Seus formandos têm o mais alto índice percentual de aprovação no vestibular da UFRGS entre as escolas gaúchas (42% em 2005, 44% em 2006, 44,79% em 2007, 61,11% em 2008, 48,70% em 2009 e 57,45% em 2010)...

Do ‘Colégio dos Presidentes’ saíram as únicas duas gaúchas selecionadas para integrar as respectivas turmas pioneiras de mulheres da Aeronáutica..”

E por aí segue. Entenderam? A uma crítica dirigida ao nível da História ensinada aos alunos militares, o professor coronel responde com as glórias do Colégio Militar em outros campos, que em nenhum momento entraram em discussão. Para concluir, muitos parágrafos depois: “Desafio o Sr. Urariano Mota a apresentar outra Escola Pública que apresente resultados similares aos do nosso querido ‘Casarão’, que jamais tenha desencadeado qualquer tipo de movimento ‘grevista’, que no dia do seu aniversário seja capaz de fazer que seus ex-alunos, jovens e sexagenários, civis e militares, desfilem emocionados e saudosos”

Meu Deus, o sentimento de casta expresso acima é constrangedor. O coronel professor quer um ranking, uma guerra entre escolas públicas, para saber qual a melhor. Todos amam a escola de juventude, coronel. Eu mesmo passei pelo glorioso Alfredo Freyre, de um subúrbio recifense, onde jamais tivemos observatórios, com exceção dos olhares que dirigíamos às pernas da professora Janita. Nesse colégio tivemos um mestre insuperável, um formador de consciências, o professor Arlindo Albuquerque, espancado e preso pelos militares no primeiro de abril de 1964. Que feito indelével, histórico, existe maior que esse? Que coisa bela era o mestre a declamar "Sur la liberté de la conscience".

O professor Arlindo não entra aqui por acaso. Ele faz parte da história que é oculta, filtrada e corrigida dos alunos das escolas militares. Ele vem ainda porque nos ensinou que a nossa pátria não é a maior nem a melhor nem a mais perfeita. A nossa pátria é apenas o lugar onde nascemos e sentimos o gosto de feijão e do primeiro beijo. Que a nossa pátria, assim, é a própria humanidade, aquela que passa por Rousseau, o escritor que o mestre Arlindo nos lia em voz alta e flamejante a nos ensinar que todos os homens são iguais na terra.

O espaço está no fim e quase encerro sem dizer que esta semana, por dever de ofício, me vi obrigado a ler três livros da Biblioteca do Exército: "O revisionismo histórico brasileiro", de Maya Pedrosa; "A chama da nacionalidade", de Marco Antonio Cunha; e.... "Não somos racistas", do filósofo Ali Kamel. Sim, o livro do pensador da Globo. Iria ler, da Biblioteca do Exército ainda, o "Poderosos e Humildes", do simpático Vernon Walters, que recebe esta apresentação:

“O autor, bastante conhecido no Brasil, é pessoa da absoluta confiança de vários presidentes dos Estados Unidos, dos quais recebeu uma série de missões de salvamento no plano internacional. Esta é a obra de um hábil contador de histórias, com qualidades de analista, desenvolvidas nos serviços de inteligência americanos, no exército e no serviço diplomático”.

Não seria mais simples apresentá-lo como o homem da CIA no Brasil, no golpe de 1964? Melhor terminar com um questionamento do historiador J. F. Maya Pedrosa, extraída do Revisionismo histórico brasileiro:

“É conveniente ao processo de educação a doutrinação política, a interpretação da história com finalidade de indução ideológica ou partidária?”

Entenderam? Como isso é irônico. O historiador faz essa pergunta contra a falsa história nas escolas civis! Mas não deixa de ser curioso. Entre aspas e acima está o novo gênero de pergunta que é uma arma - puro bumerangue.

Leia a parte II

*Urariano Mota é jornalista e escritor. Autor do livro “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do Cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo. Urariano é pernambucano, nascido em Água Fria e residente em Recife. É colunista do site “Direto da redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

Charge: Carlos Latuff

Começam a valer regras para emissoras de TV e de rádio

A partir desta quinta-feira (1º/7), as emissoras de rádio e televisão do país devem ficar atentas às proibições impostas pela Lei das Eleições. Entre outras vedações, esses veículos de comunicação não podem dar tratamento privilegiado a candidato em seus noticiários nem na programação normal. Quem desrespeitar as regras, fica sujeito ao pagamento de multa que varia de R$ 21.282,00 a R$ 106.410,00 e, em caso de reincidência, a multa pode ser duplicada.

As novelas, filmes ou minisséries não podem fazer crítica ou referência a candidatos ou partido político, mesmo que de forma dissimulada. As emissoras estão proibidas de usar trucagem ou montagem de áudio ou vídeo que degradem ou ridicularizem candidato ou partido ou que desvirtue a realidade para beneficiar ou prejudicá-los. Também não podem transmitir programas com esse fim.

Candidato que já tenha sido escolhido em convenção para concorrer às eleições de 3 de outubro não pode apresentar nem comentar programa. As emissoras também não podem divulgar nome de programa que se refira a candidato escolhido em convenção, inclusive se a denominação do programa coincidir com o nome do candidato ou com o que ele indicou para uso na urna eletrônica.

Se o programa tiver o mesmo nome do candidato, fica proibida a sua divulgação. O candidato que desobedecer a essa regra pode ter o registro cancelado. As emissoras de rádio e televisão também estão proibidas de veicular propaganda política, inclusive paga, ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato ou partidos.

A imprensa escrita pode emitir opinião favorável a candidato. Abusos ou excessos serão apurados e punidos nos termos da Lei 64/1990, o que pode levar à cassação do registro e à inelegibilidade do beneficiado. Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE.

Fonte: http://www.conjur.com.br/2010-jun-30/comecam-valer-regras-eleitorais-emissoras-tv-radio

A tal tecnologia

A tal tecnologia

Por Laerte Braga (*)

João Saldanha costumava dizer que quando eliminassem erros de juízes o futebol ia para o brejo. Referia-se a parar o jogo e conferir na telinha. A mesma opinião tem o ex-presidente da FIFA João Havelange. Resistiu durante anos a pressões para mudanças nas regras. Só aceitou coibir que o goleiro pegue com as mãos bola atrasada.



Duvido que o bandeirinha não tenha percebido que a bola chutada pelo atacante inglês, seria o gol do empate, entrou. Como duvido que o outro bandeirinha não tenha percebido o impedimento de Téves no gol contra o México. De qualquer forma futebol tem dessas coisas, a Inglaterra foi campeã do mundo em 1966 com uma bola que não entrou e contra a mesmíssima Alemanha.



Em 1978 a Argentina comprou um argentino naturalizado peruano, o goleiro Quiroga, para fazer o gol a mais que necessitava e passar às finais. Foi campeã do mundo, a despeito do excelente futebol que sempre teve, num gesto de agradecimento de Havelange à ditadura militar por apoio em sua reeleição para a FIFA.



Foram duas copas claramente manipuladas.



O curioso é que a crítica a armação, evidente, foi de Cláudio Coutinho, ex-capitão do Exército e técnico da preferência dos militares para a seleção depois do fracasso na Copa de 74. Falou em Brasil, “campeão moral”.



Na Copa inventou um quarto zagueiro, Edinho, de lateral esquerdo e barrou Rivelino e Nelinho. Coutinho surgiu em 1970, auxiliar de preparador físico, uma espécie de fiscal dos militares na Comissão Técnica.



E exatamente depois do episódio de destituição de João Saldanha. Desde que declarou que não convocaria Dario para satisfazer o presidente da República, Saldanha estava com os dias contados. “Eu não nomeio os ministros dele, ele não convoca os jogadores da minha seleção”.



A miopia de Pelé que tanto badalam foi por outra razão. Não se tratava de miopia oftalmológica, digamos assim, mas mental no curso de um processo em que o jogador estava sendo triturado. E Saldanha não barrou Pelé, apenas afastou o jogador e recomendou a ele tomar uma decisão. Só isso. É uma questão pessoal não vale falar aqui.



Futebol tem esses trens complicados. Uma vez Veiga Brito era presidente do Flamengo e chegou a um “acordo” com o goleiro Manga do Botafogo. Semana de partida decisiva entre os dois times. Contaram a Saldanha, que contou a Zagalo, que chamou Lídio Toledo e deram uma prensa em Manga. Pior, fizeram-no jogar. Manga pegou tudo.



Ao final, sentindo-se logrado, Veiga Brito, homem de confiança de Carlos Lacerda, disse que “estranho que o Manga só pegue tudo contra o Flamengo, não passa nem pensamento”. Estava chorando o “acordo” não cumprido.



Saldanha, da cabine onde comentava o jogo, deu uma espinafrada em Veiga Brito ao vivo e acabou deixando a história transparecer. Manga foi à sede do Botafogo tirar satisfações e a disparidade de tamanho entre o goleiro e o comentarista/técnico era de tal ordem que Saldanha puxou dum 22 e deu um tiro para o chão.



Quem conhece a sede em General Severiano no Rio não consegue compreender o fantástico pulo que Manga deu depois de disparada corrida, falo dos muros.



Uma vez numa resenha esportiva Saldanha chamou Castor Andrade no braço, mas fez uma exigência. “Sem os seus capangas e sem arma, só na mão”. Isso ao vivo. Chamaram os comerciais e a coisa ficou por isso mesmo. Castor não foi.



Copa do Mundo tem dessas armações e dessas coisas. Mas tem também uns esquemas fora de esquadro. João Lyra Filho, irmão de Lyra Tavares, ministro do Exército no golpe dentro do golpe em 1968, era o presidente da antiga CBD, hoje CBF, em 1954. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, como o Brasil estivesse perdendo da célebre seleção húngara de Puskas, etc, fez um discurso patético. “O Brasil, neste momento, é a pátria de chuteiras”.



Deu no que deu, perdemos de quatro a dois e Didi ainda deu umas chuteiradas patrióticas em alguns húngaros.



Mário Vianna, com os dois “n” esculhambou o juiz do jogo, um inglês chamado Mister Ellis. Era um dos árbitros daquela Copa e naquele tempo juízes falavam o que bem entendiam.



O Brasil também fez das suas. Garrincha fora expulso no jogo contra o Chile, semifinal da Copa de 1962 e seria julgado pelo tribunal esportivo da FIFA. O jogo final foi contra a Tchecoslováquia. Paulo Machado de Carvalho procurou Estaban Marino, juiz da partida, deu-lhe uma gratificação e o dito cujo, uruguaio, viajou para seu país naquela mesma noite com a súmula do jogo. Não houve como punir Garrincha. Jogou a final e o Brasil ganhou o bi-campeonato. Ganharia de qualquer jeito.



O que deu na cabeça do goleiro Bruno do Flamengo num sei. É prematuro falar em crime, pelo menos até a descoberta de um corpo, ou de uma confissão, mas é difícil deixar de considerar os indícios. São muitos.



Estava de malas prontas para a Milan, seria o substituto de Dida. Deve ter pensado em votar em José Arruda Serra e isso causa diarréia mental.



Todas as vezes que citam Zico como exemplo disso e daquilo, falam em supercraque fico pensando onde enfiar o jogador nas seleções de 58, 62 e 70? Foi campeão do mundo como assistente de Luís Felipe Scolari que nem olhava para a cara dele no banco e nem em lugar nenhum. Engoliu uma decisão de Ricardo Teixeira. Chegou ao Flamengo e desestruturou tudo. Desde o técnico Andrade a uma série de decisões equivocadas.



Quando começou o futebol no Japão, começou a ser levado a sério, Saldanha dizia que qualquer um brasileiro poderia ser técnico lá era só ensinar os caras a chutar em gol e mostrar onde ficava o gol.



É claro que Zico foi um excelente jogador, mas nada além disso. Nem chega aos pés de Garrincha, Pelé, Didi, Gérson, Zizinho e outros tantos.



E se alguém disser que poderia ser um substituto para Vavá, ou para Jairzinho nas copas de 58. 62 e 70, basta lembrar o pífio desempenho que teve nas copas que jogou.



Em 1958 o técnico Vicente Feola substituiu Dino Sani por Zito, notáveis jogadores. Foi explicar a Dino o motivo da substituição. “Você é globetrotter, preciso de alguém que jogue para o gol”.



Não sei se o Brasil passa pela Holanda. O gol dos holandeses contra a Eslováquia foi um meio frango do goleiro. Robben é de fato um excelente jogador e complica jogar pela direita e puxar e chutar com a esquerda. Que nem lutador canhoto, o adversário acha que o caminhão vem de um lado e surge de outro. Só resta perguntar depois se alguém anotou a placa. Mais nada.



Mourinho anulou a figura na final da copa européia de clubes. E a zaga era formada pelo brasileiro Lúcio e o argentino Samuel, de quebra Maicon na lateral-direita.



Para variar, logo depois da “briga” GLOBO versus Dunga, a rede começou a dar destaque a tudo que Maradona falava e fazia. Num dado momento a direção percebeu que estava torcendo contra – como estão, é uma organização estrangeira que atua no Brasil –. E a FOLHA DE SÃO PAULO num anúncio da rede Pão de Açúcar deu o Brasil como eliminado. Está lá tentando explicar a fria.. São mestres nesse negócio de notícias falsas. GLOBO e FOLHA DE SÃO PAULO. Só falta VEJA para completar.



Fátima Bernardes deve entrevistar Maradona ao vivo e nu, promessa dele, se a Argentina for campeã. E Miriam Leitão nem está lá para comentar as implicações econômicas que o Irã e a Venezuela provocam na Copa do Mundo, tudo por culpa de Lula e sua política externa.



Que pena. Podia fazer dupla com Bial, ou trio com ela, Bial e Lúcia Hipólito, no quarteto de Fátima Bernardes.



Bonner iria escrever um editorial iracundo para ser lido no FANTÁSTICO.



No duro mesmo batem cabeça até agora para tentar entender essa história do vice de Arruda Serra. Vão achar um novo bode expiatório, seja o Brasil campeão ou não. Dunga e sua “teimosia”.



Tudo com a tal de tecnologia.


*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

Lula e as perspectivas na área de saúde

Serra finalmente acha sua cara-metade: Índio da Costa, o homem da merenda

O vice é o homem da merenda?

Leia o próprio PSDB

O Blog do Noblat acaba de anunciar que o vice do Serra será o deputado Índio da Costa, do DEM. Apresenta-o como o relator do ficha-limpa. Mas não é bem assim. Ele foi um dos alvos da CPI na Câmara dos Vereadores que investigou superfaturamento e má-qualidade nos alimentos comprados para a merenda escolar, quasndo eu ainda era vereador. A CPI foi pedida pelo meu amigo e deputado Edson santos (PT) e relatada pela – atenção – vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira. Vou transcrever o texto que está numa das páginas dela na internet, de onde tirei também a ilustração:

O relatório de Andrea concluiu que a licitação para a compra de gêneros alimentícios para a merenda, entre julho de 2005 e junho de 2006, realizada pela Secretaria Municipal de Administração e pela Secretaria Municipal de Educação, no valor de R$ 75.204.984,02, causaram prejuízo aos cofres públicos. 99% do fornecimento ficaram concentrados numa única empresa, a Comercial Milano, que apresentou uma engenhosa combinação de preços em suas propostas. A licitação ocorreu num único dia, mas foi dividida 10 coordenadorias de educação (CREs). O “curioso” foi que esta empresa ofertou preços diferentes para o mesmo alimento. O preço do frango da proposta da Milano, por exemplo, para Santa Cruz, era cerca de 30 % mais caro do que o preço ofertado para Campo Grande. Detalhe: em Santa Cruz a Milano não teve concorrentes e em Campo Grande sim. Como ela soube da falta de concorrentes, um mistério. E a Prefeitura aceitou isso! Pagou à mesma empresa, pela mesma mercadoria, preços muito diferentes. Essa foi a característica geral dessa licitação: uma combinação de preços que otimizaram os ganhos de uma única empresa fornecedora em prejuízo dos cofres públicos.

Na primeira parte do relatório, a CPI concluiu que o então Secretário de Administração, Índio da Costa, deveria ter cancelado a licitação porque as regras do edital levaram a um resultado que contrariou o objetivo inicial de atrair dezenas de pequenos comerciantes locais a vender para as escolas dos bairros, descentralizando o fornecimento, e pelo melhor preço. Ao contrário, a licitação acabou por provocar a maior concentração de entrega de gêneros alimentícios na história da merenda escolar.

Como evidência incontestável do prejuízo aos cofres públicos, o relatório revelou que o pregão presencial adotado depois da instalação da CPI pelo
sucessor do Secretário Índio, um ano depois, possibilitou uma economia de cerca de R$ 11 milhões na compra da mesma merenda escolar.

Durante o processo licitatório, segundo o relatório da CPI, foram identificadas diversas irregularidades no registro das atas das reuniões de entrega, abertura e verificação de documentos. Chamou a atenção o fato de a empresa Milano ter sido a única a ter acesso aos documentos das empresas concorrentes ainda durante o período em que a Comissão de Licitação analisava a documentação dia 23 de março de 2005, enquanto os pedidos de vista das demais só ocorreram após o dia 31 do mesmo mês, quando já havia sido anunciado o julgamento dos documentos.

Uma das empresas eliminadas – a única que conseguiu na Justiça liminar para que a Secretaria de Administração não destruísse sua proposta de preços – mostrou, quase um ano depois, quando a Justiça obrigou a abertura do envelope, que se não tivesse sido desabilitada, teria vencido a Milano em vários quesitos, com condições mais vantajosas para o Município.

A Prefeitura não conseguiu demonstrar, de forma objetiva, como a empresa Milano conseguiu um resultado tão favorável. A única explicação dada pelo
então Secretário de Administração, Índio da Costa, e pelos diretores da Milano, de que o acerto se deu em virtude do estudo das concorrências anteriores, levou a CPI a duas conclusões:

1- Se era possível antecipar resultados, houve falha nas regras do edital.

2- Se a Administração municipal aceitou pagar, pelo mesmo produto, preços significativamente diferenciados, sem que houvesse uma explicação objetiva para esse fato – custo de logística, por exemplo – não cumpriu um dos preceitos da licitação que é comprar pelo menor preço.

As duas conclusões deveriam ter levado a Secretaria de Administração a, obrigatoriamente, cancelar a licitação.

Na segunda parte do relatório apresentado pela vereadora Andrea Gouvêa Vieira, a CPI concluiu que houve omissão, negligência e despreparo na fiscalização do contrato assinado com a empresa Milano, que reiteradamente entregou, durante todo o ano, carne bovina e frango fora das condições exigidas, trazendo complicações ao funcionamento já precário de muitas escolas, dificultando o preparo das refeições, e, em muitas ocasiões reduzindo a quantidade de alimento, principalmente carne e frango, no prato das crianças.

Depoimentos de merendeiras e o relatório das visitas às escolas feito pelo Conselho de Alimentação Escolar (CAE), enviado à CPI, comprovaram a omissão da Secretaria de Educação que, apesar da continuada e permanente reclamação das escolas, não se posicionou de forma adequada para exigir o cumprimento do contrato.

Ao contrário, disse a CPI, o total de multas, de R$ 8.330,28, ao longo do ano, num contrato de R$ 75 milhões, claramente induziu a empresa Milano a insistir na entrega do alimento fora dos padrões contratuais, diante de tão pequena penalização.

Documento em poder da CPI revelou que auditoria da Controladoria Geral do Município responsabilizou a Secretaria de Educação pela fragilidade no acompanhamento da execução do contrato, vindo ao encontro das conclusões da CPI.

O documento propôs as devidas ações para responsabilização civil e criminal dos infratores, em especial dos dois secretários – de Administração e de Educação, principais responsáveis, no mínimo, pela relapsia no trato da coisa e do dinheiro públicos. O primeiro, Índio da Costa, ao homologar uma licitação cujo resultado era evidentemente contrário ao interesse da administração; e a segunda, Sonia Mograbi, ao negligenciar por completo a fiscalização da execução do contrato. “Em ambos os casos, é de ser aferida tanto a responsabilidade pessoal dos secretários quanto a dos agentes a eles subordinados, quer na condução da licitação, que levou à elaboração do contrato, no caso da SMA, quer na fiscalização e acompanhamento da sua execução, no caso da SME”.

Além do Ministério Público Estadual, a CPI encaminhou o relatório ao Ministério Público Federal, uma vez que parte dos recursos da merenda escolar são repasses de verba do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Também foram encaminhadas cópias do relatório à Delegacia de Polícia Fazendária, ao Tribunal de Contas do Município e à Prefeitura do Rio.

Há muito mais material sobre o tema na página da vereadora, repito, do PSDB, e nos jornais cariocas. Quem quiser – imagino que a imprensa queira – procurar, vai achar muito…

Ganhe uma cópia do Dossiê Serra no jogo dos 7, 14 e 21 erros

.


A nossa Agência Assaz Atroz escalou o melhor chargista da nossa equipe de cartunistas a fim de que este acompanhasse a entrevista da candidata à Presidência da República pelo PT Dilma Rousseff, ao programa Roda Viva, e retratasse com rigorosa precisão exata os melhores momentos da seguntina (se aos sábados é sabatina, então...).

Para nossa surpresa, o trabalho do nosso panfletist... quer dizer, do nosso cartunista apresentou, por uma dessas casualidades eventualmente ocasionais, alguns raros, mas excepcionalmente comuns e recorrentes, traços semelhantes e rigorosamente quase iguais aos do cartunista do Roda Viva.

Não é mesmo muita coincidência casual?!

Aprecie o nosso sisudo esforço para produzir bom humor e participe do jogo dos 7, 14 e 21 erros, que consiste em o leitor identificar as pequenas diferenças entre os quadrinhos do cartunista do Roda Viva e os do nosso assaz atroz chargista.

Quem acertar o maior número de erros (diferenças) ganha uma cópia exclusiva do Dossiê Serra, quando o livro “Os porões da privataria”, de Amaury Ribeiro Jr., for lançado.

Quem se habilita?!

Assista à entrevista usando a postagem da redecastorphoto, a fim de comparar as nossas charges com as do Roda Viva.

(Clique na imagem para ampliar)





Atenção: O regulamento do nosso concurso estabelece premiação para quem acertar o menor número de diferença de traços entre os nossos cartuns e os do cartunista do Roda Viva. Nesse caso, o candidato ganha um link para ler trechos do Dossiê Serra, publicados na internet, desde que esta foi inventada.

_____________________________

AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

Agência Assaz Atroz

.

Dunga e a arrogância histórica da Globo

A Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.

Por Venício Lima*

Para Marco Antonio Rodrigues Dias e Geraldo da Rocha Moraes

Embora tenha apoiado o golpe de 64, o regime militar e se consolidado como a mais poderosa rede de televisão do país durante a ditadura, houve períodos em que a percepção de boa parte da elite fardada era de que a Rede Globo de Televisão representava uma ameaça real de controle da opinião pública brasileira e precisava ser enfrentada.

No governo do General Geisel (1974-1979), sendo ministro das Comunicações o Coronel Euclides Quandt de Oliveira, foi certamente quando surgiram as maiores contradições e divergências entre o regime autoritário e a Globo. Documentos da época e sua análise estão disponíveis, por exemplo, no livro “Dossiê Geisel”, organizado por Celso Castro e Maria Celina D’Araújo e publicado pela FGV em 2002.

Encontro na UnB
Faço esta rápida introdução para relatar um encontro emblemático acontecido há 35 anos, entre professores do então Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília e altos dirigentes globais, entre eles, Walter Clark (diretor geral), Luiz Eduardo Borgerth (diretor), Otto Lara Resende (assessor da presidência), infelizmente, já falecidos.

O contexto do encontro trazia, no mínimo, preocupações para as Organizações Globo:

(1) A Globo havia perdido a disputa por um canal de TV aberta em João Pessoa, PB, por interferência direta do ministro Quandt que considerava um risco “aumentar o monopólio da emissora”.

(2) O ministro vinha fazendo uma série de críticas públicas à televisão brasileira, todas de grande repercussão. Uma delas, a aula inaugural no curso de comunicação do CEUB, Centro de Ensino Unificado de Brasília, sobre “A televisão no Brasil” (17/2/1975). Na sua fala ele destacava os “perigos do monopólio” tanto de canais, quanto de audiência, quanto na programação “alienígena”.

(3) Estava em andamento a criação da Radiobras [Lei n. 6301 de 15/12/1975] que era vista com desconfiança pela Globo pelo temor de que se transformasse em destinação preferencial de verbas publicitárias do governo.

(4) Estava em discussão, dentro do governo, um pré-projeto de regulação da radiodifusão que deveria substituir o superado Código Brasileiro de Telecomunicações [Lei 4. 117/1962].

(5) O Departamento de Comunicação da UnB era uma unidade acadêmica que produzia pesquisa crítica sobre a radiodifusão brasileira e acabara de elaborar um pioneiro projeto de unificação das televisões públicas que recebeu o nome de SINTIS, Sistema Nacional de Televisão de Interesse Social. Além disso, circulava que alguns de seus professores tinham acesso ao ministro das Comunicações e o abasteciam com dados nos quais ele fundamentava sua posição, direta e/ou indiretamente, contrária à hegemonia da Globo.

O objetivo do encontro, realizado por iniciativa da Globo, na UnB, era “trocar idéias” sobre as comunicações no Brasil. O que acabou acontecendo, todavia, foi quase um bate-boca.

Apesar da conjuntura politicamente adversa – para a Globo – em que se realizava o encontro, a memória de professores presentes é unânime em afirmar a arrogância de seus dirigentes. Não houve diálogo possível e cada um saiu do encontro ainda mais convicto em relação às respectivas posições. Divergimos em relação à existência de um virtual monopólio na TV brasileira; às finalidades educativas da televisão (previstas em lei); à prioridade ao conteúdo nacional e à necessidade de criação de uma rede pública de radiodifusão.

No presente como no passado
Relembro este encontro e a memória que dele ficou para reforçar os inúmeros comentários já escritos e publicados nesta Carta Maior sobre o enfretamento que a Globo faz a Dunga, aparentemente, por ele não ser conivente com os privilégios da emissora em relação aos demais veículos de mídia que estão cobrindo a Copa do Mundo na África do Sul.

Ao longo de sua existência, uma característica da Rede Globo tem sido ignorar que a televisão é apenas a concessão de um serviço público que tem como soberano o cidadão e seu interesse. Ao contrário, a Globo tem historicamente se comportado como proprietária das concessões de radiodifusão.

A própria Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.

A Globo, por óbvio, não tem mais em 2010 o poder que teve na década de 70 do século passado, enfrentado, por razões próprias, pelo regime militar. Mas conserva a arrogância.

Por outro lado, uma diferença do passado para o presente é que o inconformismo em relação à Globo não está mais restrito a alguns professores isolados em departamentos universitários. Repetindo a resistência que se expressou em outras situações históricas no lema popular “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”, a internet fornece hoje o suporte tecnológico necessário para que milhões de pessoas se mobilizem em torno de iniciativas como “cala a boca Galvão” e “cala a boca Tadeu”. Além disso, dezenas de blogs e sites alternativos tornaram pública a opinião daqueles que fazem contraponto à TV hegemônica.

Outro mundo possível
Resta manter a esperança de que – um dia – a transmissão de jogos dos campeonatos locais, regionais e nacional de futebol e a cobertura dos jogos da Seleção Brasileira, não serão exclusividade de concessionárias comerciais, mas estejam disponíveis nas redes públicas de televisão.

Em se tratando de um patrimônio cultural brasileiro, as redes comerciais privadas não deveriam remunerar as redes públicas para distribuir e comercializar este tipo de conteúdo?

O episódio Globo versus Dunga – que certamente ainda não terminou – deixa claro que já existe no país, não só uma ampla consciência da arrogância e dos privilégios históricos da Globo, como também novas e eficientes formas de expressar inconformismo diante dessa situação. E mais importante: novas e eficientes formas de apoiar aqueles que, como Dunga – correndo o risco de perder o emprego – não se curvam ao poder de concessionários de um serviço público que continuam a se comportar como se dele fossem proprietários.


*Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4689

Hoje, cada um faz o que quer com a palavra “terrorismo”

.


Glenn Greenwald, Salon

Já escrevi incontáveis vezes sobre o quanto “terrorismo” é a palavra mais manipulada e mais sem sentido do léxico político contemporâneo.

A melhor demonstração dessa dinâmica é o trabalho de Remi Brulin, do New York Times, que documentou o modo como os governos e a mídia ocidentais têm usado as palavras “terrorismo” e “terrorista”, sem qualquer consistência e ao sabor dos interesses do dia. Um dos principais riscos da decisão da Corte Suprema sobre liberdade de expressão, no Humanitarian Law Project – segundo a qual o governo passará a poder limitar os direitos dos cidadão à proteção da Primeira Emenda, no caso do discurso político que designe os grupos terroristas – é que “terrorismo” significa qualquer coisa que o governo dos EUA diga que significa. Criaram a lista sem fim dos grupos terroristas e o fizeram sem qualquer critério, sem qualquer mínimo cuidado. Isso, porque a palavra é tão mal definida e tem sido tão manipulada, que, hoje, já praticamente nada significa – ou significa qualquer coisa.

Ontem, encontrei exemplo perfeito e altamente ilustrativo dessa manipulação, ao ler a entrevista que a ex-ministra israelense Tzipi Livni concedeu ao New York Times. Depois de muito falar contra os terroristas que atuam em Gaza, Livni disse o que segue:

NYT: Seus pais são fundadores do Estado de Israel.

Livni: Foram o primeiro casal a casar-se em Israel. Os dois lutaram no [grupo] Irgun. Foram combatentes da liberdade. Conheceram-se a bordo de um trem britânico. Durante o Mandato britânico aqui, assaltaram um trem para conseguir dinheiro para comprar armas.

Se há grupo terrorista, ou algum dia houve, foi o Irgun. Em julho de 1946, o grupo explodiu (ação comandada pelo então futuro primeiro-ministro de Israel Menachem Begin) o hotel King David, quartel-general do governo britânico, matando 91 pessoas (o Irgun alagou que teria prevenido antecipadamente os britânicos, alegação que muitos oficiais britânicos já desmentiram). Israel e seus defensores adoram lembrar que a Autoridade Palestina deu a uma praça o nome de um terrorista. Mas insistem em não reconhecer que o primeiro-ministro israelense, em 2006, discursou em cerimônia para lembrar o ataque ao Hotel King David, ocasião em que descerrou uma placa comemorativa do ‘evento’ (a explosão). O Irgun perpetrou inúmeros ataques armados a estruturas civis, estações de trem, prédios do governo e pontes.

Dia 30/12/1947, o primeiro parágrafo do The New York Times dizia:

BOMBA DO IRGUM MATA 11 ÁRABES, 2 BRITÂNICOS. Bomba lançada por militantes da organização de judeus terroristas “Irgun Zvai Leumi”, de um táxi em grande velocidade, matou 11 civis árabes e dois policiais britânicos e feriu pelo menos 32 árabes junto à Ponte Damasco em Jerusalém, mesmo local onde houve explosão semelhante há apenas 16 dias.

Relatando atentado organizado por Begin para assassinar o ministro alemão das Relações Exteriores, o London Times escreveu que o Irgun "usou táticas terroristas contra a ocupação britânica da Palestina”.

Àquela época, todos sabiam que os membros do Irgun eram terroristas. Mas há aquela época e há hoje. Bombas, assaltos e assassinatos, em ação contra o Estado, é “terrorismo”, se é ação de alguns grupos; e é “luta pela liberdade”, se é ação de outros grupos. Exatamente o que faz Israel, que justifica a mais extrema brutalidade e a mais feroz violência contra o mal-em-si que seriam “terroristas” e celebra os mesmos atos, como atos de “luta pela liberdade” se os terroristas são israelenses.

Tudo isso seria até tolerável, se não passasse de inconsistência de discurso. Mas se as guerras dos EUA são justificadas, as leis dos EUA são aplicadas e os direitos dos norte-americanos são cada vez mais restringidos, e tudo baseado na palavra “terrorismo”, é preciso considerar com muito mais atenção essa palavra, manipulada, sem sentido e usada para justificar todos os crimes.

Para ter certeza, basta ver a justificativa que Leon Panetta, diretor da CIA, apresentou ontem para o 'assassinato programado' de um cidadão norte-americano, Anwar Al-Awlaki, baseada exclusivamente na opinião do próprio Panetta de que o homem seria “terrorista” porque defendeu sua opinião, a de que os muçulmanos têm direito de combaterem contra os norte-americanos. Defender essa opinião – e qualquer opinião – é direito que a Constituição dos EUA garante a todos os cidadãos norte-americanos, inclusive a Anwar Al-Awlaki.

_____________________________________

Tradução: Coletivo Vila Vudu de Tradutores

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons


.

PressAA

Agência Assaz Atroz

.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vereador (do DEM) agride, pela segunda vez, um jornalista

Erik Prince, o homem da Blackwater

.



Empresário, soldado, espião

Adam Ciralsky, Vanity Fair

Erik Prince, indiciado como membro ativo de um programa de ‘assassinatos seletivos’ da CIA, ganhou notoriedade como presidente da empresa-gigante de segurança privada Blackwater, empresa que é hoje objeto de investigação federal acusada de suborno, julgamento privado e tortura de cinco ex-empregados, com julgamento marcado para o mês de julho. Em movimento que visa responder aos que o criticam, o milionário ex-fuzileiro de grupo de elite da Marinha dos EUA convida o jornalista para acompanhá-lo até o coração de sua empresa, nos EUA e no Afeganistão, para mostrar o papel que tem na guerra dos EUA contra o terror.

A VERDADE SOBRE A CAMPANHA CONTRA AS REPARAÇÕES A PERSEGUIDOS POLÍTICOS

Por Celso Lungaretti

Por três dias seguidos, o vetusto jornalão
O Estado de S. Paulo faz lobby descarado contra o programa de reparações às vítimas da ditadura de 1964/85, pressionando o Tribunal de Contas da União a acatar uma proposta de redução de benefícios identificada com as posições das viúvas da ditadura, dos sites goebbelianos e das correntes virtuais de extrema-direita.

DILMA DÁ ENTREVISTA DE CHEFE DE ESTADO

DILMA MOSTRA SEGURANÇA EM SABATINA
Jornal do Brasil - 29/06/2010

Candidata do governo à Presidência passa em difícil teste e revela postura de chefe de Estado


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, passou segunda-feira por um difícil teste, às vésperas do início oficial da campanha eleitoral deste ano. Dilma foi sabatinada pela banca de entrevistadores do programa Roda Viva, da TV Cultura, e saiu-se bem. A petista demonstrou firmeza e postura de chefe de Estado.


Vaccarezza: "José Serra deu azar e chegou na hora errada"

.


Entrevista do deputado Cândido Vaccarreza (PT/SP), líder do Governo na Câmara dos Deputados, ao jornal A Tarde, da Bahia, publicada na edição de segunda-feira, 28 de junho.

LUDMILLA DUARTE - Jornal A Tarde - Salvador (BA)

Estamos em ano eleitoral e muitas entidades de classe esperam que o Congresso aprove "pacotes de bondades para agradar aos eleitores”, como reajustes salariais e outras reivindicações. Como o governo conduzirá isto?

Vou usar as palavras do presidente Lula, que expressam melhor o comportamento do governo este ano e nosso comportamento aqui na Câmara. O presidente Lula disse o seguinte: "Não me deixarei seduzir por qualquer extravagância por conta do processo eleitoral". Não é porque é ano de eleição que vamos fazer demagogia ou nos aproveitarmos para fazer coisas que estão fora do caminho adequado para o País. Não vamos fazer demagogia eleitoral ou medidas apenas para ganhar votos.

As centrais sindicais possuem um pacote de reivindicações, como redução da jornada para 40 horas, proibição da demissão imotivada, entre outros. Dentro desse pacote, o que será factível aprovar este ano no Congresso?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O enredo do horário eleitoral

Por Ana Helena Tavares e Paulo Pastor Monteiro de Carvalho (*)

No horário eleitoral gratuito, os programas dos grandes partidos são produzidos por alguns dos publicitários mais influentes do país, os mesmos que ajudam a vender as grandes marcas do mercado nacional. São usados recursos técnicos dignos de elogios de diretores de arte e fotografia. O mais desatento pode até confundir as peças com o trailler de algum novo filme.

Não é preciso ser especialista político ou, caso exista, um improvável fã de tal tipo de conteúdo televisivo, para constatar que grande parte das cenas gira em torno de: educação, violência, programas sociais, crescimento econômico e saúde. Nesse ínterim, aparecem artistas e apresentadores, os quais “conversam” com o eleitor sobre o candidato, suas qualidades, trajetórias exemplares de vida e suas lutas corajosas em prol de um país (e quiçá de um mundo) melhor.

Na emissora que ostenta o maior conglomerado midiático em território nacional, o horário político vem um pouco antes da novela. Podemos depreender daí, nos valendo de um raciocínio lógico, as mais diversas interpretações do que essa proximidade pode significar - interfere na audiência, confunde a realidade com o fictício, etc. Não é exagero afirmar que há uma proximidade não só de horário, mas também de linguagem. Vejamos.

Assim como as campanhas se centram nos macrotemas já citados, as novelas, invariavelmente, apresentam um par romântico central, alguém que interfere nesse relacionamento, personagens humorísticos de bom coração, ricos bonzinhos e maus, pobres idem...

A habilidade dos dramaturgos está em, mesmo trabalhando com pontos sempre recorrentes, tornar cada história, cada trama, interessante, atrativa e emocionante a ponto de fazer o telespectador acompanhá-la durante oito, nove meses. A missão dos marqueteiros políticos é bem semelhante a esta: tornar o seu candidato único, carismático e conquistar a simpatia por ele, mantendo-a até o dia da urna.

Mesmo com as novas tecnologias que contribuem para a simplificação do pensamento - televisões com imagens em 3D, twittadas mil a 140 calibradas cada, e qualquer outra ferramenta que potencialize a enxurrada de informações desconexas que se vê hoje - ainda é o milenar boca a boca, a conversa de compadres e comadres, o melhor termômetro para se saber quando algo é verdadeiramente popular, quando agrada ou desagrada o grande público. A sacada ainda é virar assunto de uma conversa de bar. Quem consegue, emplaca!

Em 2002, Duda Mendonça foi extremamente eficiente ao “vender” uma nova imagem de Lula, bem diferente do sindicalista barbudo, radical e irritadiço. O nosso presidente é o caso do personagem mal compreendido, mas que com o passar da trama conquista a admiração de todos: desde aqueles que nem sabem o que é TV aos louros de olhos azuis. Na eleição de 2002, a definição “Lula paz e amor” resumiu todo um enredo político e foi tão eficiente na forma como divulgou o “neo Lula” que pulverizou os sinais de medo, melancolicamente demonstrados em horário nobre por quem já foi “rainha da sucata” .

Dentre os que defendem que a imprensa não deve ser um “armazém de secos e molhados”, mas só o fazem quando a seca pro seu lado é grande, a esquerda é a eterna Geni. Parcela considerável da mídia produz desinformação com a mesma rapidez com que atira pedras em inocentes. O absurdo é ver a facilidade com que, em horário eleitoral e fora dele, artistas, jornalistas e políticos malham aqueles cuja história desconhecem só para garantir... “o leite das crianças”. Será que essas crianças um dia vão ter motivos para votar neles?

*Ana Helena e Paulo Pastor são estudantes de jornalismo. Ela carioca, ele paulista, têm em comum o idealismo aprendido com seus mestres: Gilson Caroni Filho e José Arbex Jr., respectivamente.

Crise na oposição lembra França

Crise na oposição lembra França

Por Cristian Klein,
em sua coluna "Coisas da Política", no Jornal do Brasil de hoje - 28/06/2010

Um dos maiores nós da oposição, desde o ano passado, é a falta de nomes para o posto de vicepresidente na chapa de José Serra (PSDB). O problema foi empurrado com o bico dos tucanos e agora, diante da completa falta de opções, a decisão foi anunciada da pior forma possível. Tanto tempo de espera e o indicado – devido à demora e à imposição dos prazos legais – surge exatamente em meio ao anticlímax da última pesquisa eleitoral, a primeira em que Serra aparece atrás de Dilma Rousseff (PT), descontando-se a margem de erro.

O vice de Serra vem de forma tão atabalhoada, mal-ajambrada, sem a convicção necessária, que sua confirmação, se é que se pode dizer assim, é o retrato de todo o processo de escolha – ou melhor, de indecisão – dos últimos meses. Diante da repercussão negativa, ocorrida entre os aliados, no fim de semana, o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) passou a ser tratado não como uma escolha definitiva, mas uma opção ofertada pelos tucanos ao escrutínio dos partidos do campo oposicionista.

Foi um recuo necessário para não esticar a corda com o DEM, parceiro que se sente no direito de indicar o candidato a vice. Os demistas são os protagonistas do último grande escândalo da política brasileira, o mais memorável para o eleitor, e com eles os tucanos não querem formar par. De posse de pesquisas qualitativas, o PSDB tem a noção do estrago que um vice do DEM poderia causar. Mas não importa.

Os demistas insistem em entrar na chapa. Ou pelo menos ter o tratamento de aliado preferencial, indispensável, do qual parece não mais desfrutar.

No imbróglio, contou mais para a indignação do DEM o sentimento de rejeição e de rebaixamento no arranjo oposicionista, de ter ficado praticamente alijado da decisão, do que de se ver obrigado a aceitar a chapa puro-sangue, com a qual já havia concordado, desde que fosse com Aécio Neves.

O mensalão do DEM é episódio por demais comprometedor para a imagem dos tucanos? OK.

Mas e a companhia de Roberto Jefferson, responsável por soltar a fumaça branca e bradar pelo Twitter o “Habemus vice”? Com essa imagem na cabeça e o espaço ocupado pelo controverso líder do PTB, os demistas saíram enfurecidos e ameaçam até romper com os tucanos, tirando-lhes o já escasso tempo de TV. No desespero, algumas frases fortes demonstram a que ponto está a relação e a confiança da oposição. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), também pelo Twitter, reagiu: “Se na campanha nos tratam assim, imaginem se o PSDB ganhar”. O presidente do partido, Rodrigo Maia, foi além, e teria dito: “A eleição nós já perdemos, não podemos perder o caráter”.

Desmotivação, brigas nos bastidores, a oposição parece até a conturbada e eliminada França de Raymond Domenech na Copa do Mundo.

A indústria naval renasce das cinzas :: Luiz Inácio Lula da Silva

Por Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil, no "Correio Brasiliense" (*)

A indústria naval brasileira chegou a ser a segunda maior do mundo, empregando, em 1979, 39 mil trabalhadores.

Na época, apenas o Japão nos superava.

Nas décadas seguintes, quando os navios e plataformas de exploração passaram a ser importados, o setor começou a definhar até quase virar pó, com o número de empregados caindo para 1.900 no ano de 2000. Hoje, no entanto, a indústria naval está renascendo das cinzas. O setor já superou em muito o número de empregados da época áurea, empregando atualmente 46.500 trabalhadores e podendo chegar, segundo cálculos do Sindicato da Indústria Naval, a 50 mil até o fim deste ano.

A reviravolta fantástica está sendo proporcionada sobretudo pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), um dos principais projetos do PAC. As encomendas do Promef somam 49 navios de grande porte, dos quais 46 já foram licitados e 38 já estão com os contratos assinados. As premissas do Promef, que resultaram num grande impulso à nossa indústria, são de que os navios devem ser construídos no Brasil e com índice de nacionalização de 65% na primeira fase e de 70% na segunda, além da exigência de que sejam competitivos internacionalmente.

Houve várias críticas a essa nossa determinação.

Diziam que na era da globalização seria mais barato fazer as encomendas à China ou à Coreia. Nós dizíamos que o Brasil tinha um parque ocioso enorme e que não poderíamos deixar todo o know how adquirido se perder no tempo. O que os críticos não consideravam também é que as compras feitas internamente retiram um peso negativo da balança comercial, mobilizam um sem-número de outras empresas, geram dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos para brasileiros, que se tornam consumidores e passam a demandar todo tipo de produto para a sua vida diária, girando e estimulando toda a economia.

No mês passado, nós participamos do lançamento ao mar do primeiro navio concluído: o João Cândido, construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. As dimensões do navio são gigantescas – o comprimento é de 274 metros, duas vezes e meia a distância de uma trave à outra do campo do Maracanã. Foi o primeiro navio construído no Brasil para o sistema Petrobras desde 1997 e pode ser apontado como marco da recuperação da nossa indústria naval. Na última quinta-feira, foi lançado ao mar o segundo navio, o Celso Furtado, no Estaleiro Mauá, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Há todo um simbolismo nesse empreendimento.

Nós estamos resgatando uma tradição, uma vez que esse estaleiro foi fundado em 1846 pelo Barão de Mauá, pioneiro da indústria naval e do desenvolvimento industrial do nosso país.

Quero ressaltar um aspecto muito importante: a qualificação dos trabalhadores. A grande maioria dos operários do Estaleiro Atlântico Sul ganhava a vida como pescador, cortador de cana ou doméstica. Todos eles, cuja atividade anterior não era valorizada, receberam formação em três fases. Na primeira, houve reforço do ensino básico, com a duração de três meses. O segundo estágio foi no Senai, onde os trabalhadores receberam base teórica e treinamento prático. A terceira fase, oferecida pelo próprio estaleiro, foi de qualificação final para as atividades de soldador, caldeireiro, mecânico, montador e pintor. Não há nada que pague ver a expressão de felicidade estampada no rosto dos trabalhadores, pessoas que jamais imaginaram que um dia seriam capazes de construir um verdadeiro monumento, como é o navio João Cândido.

A retomada da indústria naval é irreversível.

Além das encomendas atuais, não é difícil imaginar quantas encomendas serão geradas com o início da exploração do présal.

Além da revitalização dos antigos estaleiros e da construção do Atlântico Sul, o Estaleiro Aliança está expandindo sua unidade de Niterói (RJ) e vai construir nova unidade em São Gonçalo (RJ). O Estaleiro Rio Grande, em Rio Grande (RS), construirá oito cascos de navios plataforma para a Petrobras.

O grupo Wilson Sons anunciou na semana passada a construção de novo estaleiro, também na cidade de Rio Grande.

Outros quatro serão instalados no país para atender à demanda crescente: Paraguaçu, na Bahia, Eisa, em Alagoas, Promar, no Ceará ou Pernambuco, e Corema, em Manaus.

Estou convencido de que o Brasil vai voltar em breve a figurar entre os líderes mundiais na construção de navios. Os reflexos dessa verdadeira explosão da indústria naval estão se espraiando pela economia e beneficiando, direta ou indiretamente, todos os brasileiros.

*Fonte: http://www.senado.gov.br/lidpt/detalha_artigos.asp?data=28/06/2010&codigo=2237

Governos do PSDB multiplicaram praças e preços

O processo de concessões rodoviárias desenvolvido pelos sucessivos governos tucanos de São Paulo quintuplicou o número de praças de pedágio no estado. Em 1997, havia 40 praças – todas sob gestão estatal. Agora são 227 – e todas sob concessão privada. Significa que, em 13 anos, os governos do PSDB autorizaram a operação de 187 novos postos de cobrança. Só o Governo Serra autorizou, em três anos, o funcionamento de mais de 80 novas praças de pedágio.

Em abril, a Central Única dos Trabalhadores iniciou a campanha Movimento Pedágio Justo, contra o alto custo e o aumento de praças de pedágio. E um estudo realizado pela bancada do PT na Assembléia Legislativa mostrou que, para o usuário, o quilômetro das rodovias estaduais é o mais caro do Brasil e do mundo. O valor em São Paulo é, no mínimo, oito vezes maior do que o cobrado em estradas federais.

De acordo com as contas petistas, a proliferação de praças de pedágio “ocasiona alto custo para os usuários, que recebem nas altas tarifas o ônus pago pelas concessionárias ao Estado, o custo financeiro da antecipação de receita e a exigência de lucratividade maior nos contratos. O aumento provocado no valor dos fretes onera toda a economia paulista”.
As empresas de transporte de cargas estimam que os altos valores das tarifas vão comprometer, a partir do ano que vem, a melhoria provocada no trânsito pela abertura do trecho Sul do Rodoanel.

“Com pedágio a R$ 6,00, uma carreta de sete eixos vai gastar R$ 54,00. O motorista vai preferir embolsar o dinheiro e enfrentar o trânsito na Marginal Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes”, aposta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região, Francisco Peluzio.

Segundo os cálculos dos transportadores, se este motorista fizer viagens diárias entre Ribeirão Preto e o porto do Guarujá vai gastar, em três ano, R$ 450 mil.

“Daria para ele comprar uma nova carreta”, avalia Peluzio.

FONTE: http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=18022
Creative Commons License
Cite a fonte. Todo o nosso conteúdo próprio está sob a Licença Creative Commons.

Arquivo do blog

Contato

Sugestões podem ser enviadas para: quemtemmedodolula@hotmail.com
diHITT - Notícias Paperblog :Os melhores artigos dos blogs