O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A César o que é de César: Arruda é do DEM, aliado carnal do PSDB à direita










Por André Lux

Estou lendo nos blogs independentes que está acontecendo uma tentativa desesperada da imprensa golpista e seus lacaios amestrados de tentar atrelar Lula e o PT à prisão do governador Arruda, do Distrito Federal.


Para qualquer pessoa minimamente bem informada, essa ação passa por ridícula. Mas, infelizmente, sabemos que existem muitas pessoas que não são bem informadas ou simplesmente não tem memória política.

Por isso, acho importante lembrar alguns fatos que podem ajudar a formar a opinião desses incautos, que viram presas fáceis para os canalhas de plantão. Primeiro: Arruda é DEM (ou era, se alguém acredita na desfiliação dele como sendo algo sério), partido que já se chamou de PFL, PDS e Arena (na época em que dava apoio cívico à ditadura militar que começou em 1964 e durou 21 anos).

O DEM, desde que era PFL, é aliado carnal do PSDB e foi o principal partido de sustentação do governo de Fernando Henrique Cardoso durante seu mandato de oito anos. Tanto é que Arruda seria o vice de Serra na disputa pela presidência em 2010 (e é isso que o PiG tenta esconder desesperadamente), da mesma forma que Kassab era o vice dele quando foi eleito Prefeito de São Paulo.

Os deputados federais e senadores do DEM, junto com a tucanalhada do PSDB, fazem a linha de frente de oposição ao governo Lula e são as principais "fontes" de informação das matérias da imprensa golpista de direita.

Conheça abaixo alguns dos maiores expoentes do DEM, partido que o Arruda fazia parte até ser pego com a boca na botija no que ficou chamado de "mensalão do DEM".

GOVERNADOR (era o único eleito pelo DEMo)

José Roberto Arruda

SENADORES

Heráclito Fortes


Agripino Maia


Kátia Abreu


Efraim Morais

DEPUTADOS FEDERAIS

ACM Neto (com Serra, no Carnaval da Bahia)


José Carlos Aleluia


Onyx Lorenzoni


Rodrigo Maia


Ronaldo Caiado

PREFEITOS

Gilberto Kassab (que era vice do Serra)

E o ex-senador, atualmente "aposentado"

Jorge Bornhausen

Além do falecido

Antônio Carlos Magalhães (ACM)

Isso tudo aí é o que melhor representa o que há de pior, de mais atrasado e autoritário na direita brasileira. E é isso que o PiG e seus jagunços de sempre querem proteger ao tentar jogar pra cima do Lula e da esquerda o que é deles por direito...


André Lux que, em seu blog "Tudo em cima",  se autodenomina como o "famigerado crítico-spam", é jornalista, presta assessoria na área de Comunicação Social e colabora com o blog "Quem tem medo do Lula?".









A César o que é de César: Arruda é do DEM, aliado carnal do PSDB à direita










Por André Lux

Estou lendo nos blogs independentes que está acontecendo uma tentativa desesperada da imprensa golpista e seus lacaios amestrados de tentar atrelar Lula e o PT à prisão do governador Arruda, do Distrito Federal.


Para qualquer pessoa minimamente bem informada, essa ação passa por ridícula. Mas, infelizmente, sabemos que existem muitas pessoas que não são bem informadas ou simplesmente não tem memória política.

Por isso, acho importante lembrar alguns fatos que podem ajudar a formar a opinião desses incautos, que viram presas fáceis para os canalhas de plantão. Primeiro: Arruda é DEM (ou era, se alguém acredita na desfiliação dele como sendo algo sério), partido que já se chamou de PFL, PDS e Arena (na época em que dava apoio cívico à ditadura militar que começou em 1964 e durou 21 anos).

O DEM, desde que era PFL, é aliado carnal do PSDB e foi o principal partido de sustentação do governo de Fernando Henrique Cardoso durante seu mandato de oito anos. Tanto é que Arruda seria o vice de Serra na disputa pela presidência em 2010 (e é isso que o PiG tenta esconder desesperadamente), da mesma forma que Kassab era o vice dele quando foi eleito Prefeito de São Paulo.

Os deputados federais e senadores do DEM, junto com a tucanalhada do PSDB, fazem a linha de frente de oposição ao governo Lula e são as principais "fontes" de informação das matérias da imprensa golpista de direita.

Conheça abaixo alguns dos maiores expoentes do DEM, partido que o Arruda fazia parte até ser pego com a boca na botija no que ficou chamado de "mensalão do DEM".

GOVERNADOR (era o único eleito pelo DEMo)

José Roberto Arruda

SENADORES

Heráclito Fortes


Agripino Maia


Kátia Abreu


Efraim Morais

DEPUTADOS FEDERAIS

ACM Neto (com Serra, no Carnaval da Bahia)


José Carlos Aleluia


Onyx Lorenzoni


Rodrigo Maia


Ronaldo Caiado

PREFEITOS

Gilberto Kassab (que era vice do Serra)

E o ex-senador, atualmente "aposentado"

Jorge Bornhausen

Além do falecido

Antônio Carlos Magalhães (ACM)

Isso tudo aí é o que melhor representa o que há de pior, de mais atrasado e autoritário na direita brasileira. E é isso que o PiG e seus jagunços de sempre querem proteger ao tentar jogar pra cima do Lula e da esquerda o que é deles por direito...


André Lux que, em seu blog "Tudo em cima",  se autodenomina como o "famigerado crítico-spam", é jornalista, presta assessoria na área de Comunicação Social e colabora com o blog "Quem tem medo do Lula?".









Governador Serra, se era pra batizar com água, não precisava levar pro mar, né...

[caption id="attachment_4108" align="aligncenter" width="468" caption="Capa do jornal "O Globo", de hoje, 16 de Fevereiro, plena terça de Carnaval."][/caption]


A matéria interior chega a afirmar que, no dia do lançamento do tal projeto (ontem), Serra ouviu "as pessoas chamando -o de presidente". Fica provado que a campanha da grande imprensa está no ar, na terra e no mar... Isso não é novidade, eu apenas acho que,  se era pra entrar na água de tênis e calça, Serra poderia ter poupado seu "precioso" tempo fazendo o "batismo" na capital paulista.


Ana Helena Tavares

Rota continua louvando o arbítrio ditatorial. E o Serra não liga.



José Serra: nada mais nos UNE



Por Celso Lungaretti

Faço minhas as palavras dos universitários que ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo em meados de 2008 para protestarem contra quatro decretos autoritários do governador José Serra, o qual acabou alterando-os sob vara da comunidade acadêmica e da opinião pública.


Se já então o movimento estudantil estava certo em repudiar o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes, seus motivos para justa indignação aumentariam em muito quando Serra cometeu o sacrilegio de ordenar o aquartelamento das tropas mais truculentas da Polícia Militar na Cidade Universitária, em junho/2009, daí resultando a Batalha da USP.


Soltar os gorilas e os brutamontes no campus era o que a ditadura fazia e era o que jamais esperaríamos de quem um dia lutou pela liberdade e justiça social.


E, se nada mais me une a Serra enquanto veteranos que somos do movimento estudantil, também nada mais restou do comum repúdio à ditadura militar que o levou ao exílio e me levou aos cárceres.


Pois hoje ele quer mais é que todos esqueçamos os valores que professou no passado, tanto que continua ignorando olimpicamente as sucessivas advertências que venho lançando sobre o alinhamento com a retórica falaciosa da ditadura militar que uma unidade do seu aparato policial mantém impune e impudicamente no ar.


Foi em outubro/2008 que, alertado pelo incansável Ismar C. de Souza, enderecei a Serra uma carta aberta, protestando contra os elogios que a Rota (ex-Rondas Extensivas Tobias de Aguiar) fazia, em sua página virtual, à atuação por si desenvolvida durante o regime de exceção, contribuindo com o arbítrio.


Historiei a atuação dessa unidade da Polícia Militar, criada para enfrentar a guerrilha urbana e que, depois de massacrados os combatentes da resistência à ditadura, passou a aplicar os mesmos métodos de torturas e assassinatos contra criminosos comuns.


Lembrei que o excelente livro Rota 66, do colega jornalista Caco Barcellos, documentara "4.200 casos de assassinatos cometidos pela Rota nas décadas de 1970 e 1980, tendo como vítimas, quase sempre, jovens pobres, pardos e negros (muitas vezes sem antecedentes criminais)".


E cheguei ao fulcro da questão: a Rota continuava destacando, com indisfarçável orgulho, os atentados que cometeu contra a democracia (ver, aqui, os itens História do Batalhão e Os Boinas Pretas).


Reproduzi vários trechos da página virtual, como este:



"Mais uma vez dentro da história, o Primeiro Batalhão Policial Militar 'Tobias de Aguiar', sob o comando do Ten Cel Salvador D’Aquino, é chamado a dar seqüência no seu passado heróico, desta vez no combate à Guerrilha Urbana que atormentava o povo paulista".

Aliás, tal batalhão, antes mesmo de dar origem à Rota, já cumprira papel deplorável na quartelada de 1964, atuando como força auxiliar dos golpistas das Forças Armadas. E isto também era objeto de louvação virtual:



"Marcando, desde a sua criação, a história desta nação, este Batalhão teve seu efetivo presente em inúmeras operações militares, sempre com participação decisiva e influente, demonstrando a galhardia e lealdade de seus homens, podendo ser citadas, dentre outras, as seguintes campanhas de Guerra: (...) - Revolução de 1964, quando participou da derrubada do então Presidente da República João Goulart, dando início à ditadura militar com o Presidente Castelo Branco".

[Este último trecho atualmente tem um acréscimo, o de que a Rota foi coadjuvante do golpe contra Goulart "apoiando a sociedade e as Forças Armadas"! Ou seja, ainda fazem revisões para tentarem justificar o injustificável...]


Era, comentei, "a voz do passado que continua ecoando no presente, à custa dos impostos pagos pelos contribuintes paulistas".


E conclui assim a carta ao Serra:



"...em nome do seu passado de exilado e em consideração ao passado de todos nós que permanecemos aqui e fomos barbarizados, peço-lhe que, pelo menos, determine que as peças de comunicação do seu Governo passem a ser as aceitáveis numa democracia. Isto se não lhe apetecer tomar a atitude mais pertinente, que já está atrasada em um quarto de século: desativar a Rota!".

Comprovando que, na contramão do exemplo inesquecível do companheiro-presidente Salvador Allende, Serra agora trata os ex-companheiros com empáfia de governador, ele nem sequer se dignou a responder!


Recebi uma enxurrada de mensagens de defensores da Rota, incluindo ameaças ostensivas ou veladas, enviadas tanto ao meu e-mail quanto aos meus dois blogues.


Minha resposta a essa campanha articulada foi o artigo Não desviarei da Rota, de dezembro/2008. Reafirmei tudo que anteriormente dissera e acrescentei:



"...aconselho a Rota a apagar do seu site as loas a operações por ela desenvolvidas durante a ditadura, as quais, em todo o mundo civilizado, hoje têm uma imagem tão negativa quanto as chacinas da Gestapo".

Em janeiro/2009, o portal Brasil de Fato fez uma reportagem na esteira de minhas denúncias, ouvindo o oficial de Planejamento e Operações da Rota, 1º Tenente Gerson Pelegatti, que qualificou as exaltações à ditadura militar como "um grande equívoco" e prometeu tirar a página do ar para que seja feita "uma limpeza geral".


Disse que a identificação com a ditadura não correspondia mais ao pensamento dos policiais. E garantiu que as correções seriam feitas com a máxima rapidez possível.


Pois bem, um ano depois continua tudo na mesma, com a página da Rota carecendo ainda de "uma limpeza geral" para removerem-se as imundícies denunciadas por mim e pelo Brasil de Fato.


O tenente Pelegatti faltou com a palavra, não cumprindo sua promessa de corrigir o "grande equívoco". Aonde foi parar a honra militar?


Quanto a José Serra, não se mostrou à altura nem da sua posição atual de governador numa democracia, nem do seu passado de presidente da UNE e de perseguido político. Quer mesmo é se mostrar confiável ao grande empresariado.


Uma Presidência da República compensará a completa descaracterização de Serra (que parece seguir sofregamente os passos de Carlos Lacerda, com grande chance de também nunca alcançar a prenda almejada...)?


Prefiro ficar com o Evangelho:



"Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mateus, 16:26)

Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

16 de Fevereiro no Brasil e no mundo


Dicionário da Sônia*


16 de fevereiro

2001 Rompe mais um duto da Petrobras, vazando 4 mil litros de óleo diesel
no Córrego Caninana, afluente do Rio Nhundiaquara, um dos principais rios da
região, trazendo grandes danos para os manguezais, além de contaminar toda a
flora e fauna.

2005 Entra em vigor o protocolo de Kioto, com 141 países signatários se
comprometendo a diminuir em 5% a emissão de gás carbônico, visando diminuir
o efeito estufa. Os EUA, responsáveis pela emissão de mais de 25%, não
assinou.

2006 Depoimento do Juiz Federal Julier Sebastião Rocha (MT) à CPI dos
Bingos acusa o Senador Antero Paes de Barros (PSDB), de ter recebido
recursos irregulares de João Arcanjo, condenado a 37 anos por crimes de
lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

2006 Massacre do Carandiru: Por 20 votos a 2, desembargadores revogam
decisão do júri popular que havia condenado o responsável pelo massacre, o
coronel Ubiratan Guimarães, a 632 anos de prisão.

2006 Sindicato dos Médicos acusa governo tucano de Alckmin de desviar
recursos da saúde para gastos que não têm relação com os serviços da
Secretaria de Saúde do Estado.

2006 ONU pede aos EUA que fechem a prisão de Guantánamo, em Cuba, alegando
maus tratos e tortura de prisioneiros sem acusação formal e sem direito de
defesa.

2007 Na Globonews, André Trigueiro afirma que o Presidente Lula dissera
ter sido um erro que todo o gás brasileiro dependesse exclusivamente da
Bolívia, e pergunta à comentarista: o que vai fazer o presidente para
corrigir esse erro?

Esqueceu-se o jornalista de informar que o citado erro não foi de Lula, como
fez parecer, mas de FHC, o responsável pela construção do gasoduto
Brasil-Bolívia.

Já a jornalista Miriam Leitão, na coluna de O Globo: "...o Brasil fez bem em
ceder no que era justo ...; e ... um acordo com a Bolívia é mais do que bem
vindo...", depois da imprensa e seus colegas meterem o malho na postura do
governo brasileiro.

Mas Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores, também em O
Globo: "no Governo FHC, não se curvou jamais à Bolívia". Digo eu: mas
curvava-se aos EUA.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

Fogo amigo: Jornalista da Globo crava estaca no peito de Boris Casoy




O jornalista Francisco de Assis Pinheiro, o Chico Pinheiro, da Rede Globo, acaba de mandar um sinal de que nem tudo está perdido. No início da madrugada desta terça-feira (por volta de 00:30h), durante a transmissão do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, Pinheiro levou para a “Esquina do Samba” – espécie de aquário suspenso sobre a Marquês de Sapucaí – o carioca Renato Luís Feliciano Lourenço, mais conhecido como Renato Sorriso. Trata-se do gari que, desde 1997, faz a alegria do Sambódromo com seu show particular enquanto varre a pista após a passagem de cada escola.

.

Com a Portela entrando na avenida, Chico Pinheiro pergunta, ao vivo:


Sorriso, há quanto tempo você encanta o carnaval do Rio de Janeiro,

do alto da sua vassoura?”



--------------------------------------------// ---------------------------------------------



Para quem nunca teve o prazer de ver o Renato Sorriso dar show "do alto de sua vassoura", segue o vídeo abaixo com o registro que um folião fez de parte da apresentação do gari no sambódromo do Rio no Carnaval 2010.







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ladrão que rouba ladrão

Ladrão que rouba ladrão


Por Rui Martins


Berna (Suiça) - Pouco adiantaram os livros de Jean Ziegler, denunciando o segredo bancário suíço, os conhecidos A Suíça Acima de Qualquer Suspeita ou A Suíça Lava Mais Branco. Os livros foram best-sellers vendidos em todo o mundo, mas não conseguiram derrubar o segredo suíço.

Entretanto bastaram dois CD com os nomes e números de contas bancárias de franceses e alemães, para o governo suíço ir a nocaute, com seu segredo bancário exposto em público. Quem sabe, com um pouco de sorte, aparece também no mercado negro um CD com os nomes dos brasileiros com conta secreta na Suíça...

O primeiro CD, vendido junto com o laptop, mostrava 1300 clientes franceses do banco HSBC, agência de Genebra, com seus capitais engordando nos cofres suíços, fugidos do fisco francês. O governo suíço estrilou, disse que não se devia comprar informações roubadas dos bancos, e o governo francês, matreiro como é, devolveu o original, mas ficou com a cópia.

Ao mesmo tempo, como ninguém sabia de quem eram os nomes constantes do CD, o governo francês fez aquela chantagem - « se você tem dinheiro escondido na Suíça, a melhor coisa a fazer é se autodenunciar, repatriar o capital e pegar uma pequena multa, do que seu nome ser descoberto dentro do CD, ter multa pesada e processo ». Deu certo, a França recuperou 700 milhões de euros só com os arrependidos.

O segundo CD tem 1500 nomes de alemães e já foi comprado pelo governo alemão. A Suíça, irritada, acusou a Alemanha de receptadora por comprar informações roubadas, mas o governo alemão, usando o linguajar diplomático, deixou claro que simplesmente recuperava informações sobre seus capitais roubados pelos bancos suíços e durante muitos anos.

Em outras palavras, simplesmente aplicava aquele velho ditado « ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão », tanto que o informante recebeu 2,5 milhões de euros, suficientes para aprimorar seu método de pesquisa de contas secretas para vender outros CDs, quem sabe, com um pouco de chance para o leão da nossa receita federal, com nomes e contas de brasileiros que escondem, nos cofres suíços, uma soma estimada entre 150 a 200 bilhões de dólares, roubadas do dinheiro público, principalmente na época da ditadura, ou fugidas do leão.

Com essas e outras, o cofre suíço de capitais provenientes de ditadores africanos e sulamericanos, de mafiosos e de bandidos em geral, diminuiu nestas últimas semanas de 700 bilhões, mas o que é isso, se os balanços falavam em 3 trilhões de dólares vindos do Exterior ? Em todo caso, parece não ser mais possível para a Suíça continuar mantendo sua Caverna de Ali Baba.

Os resultados da reconversão da Suíça aos bons caminhos da transparência serão graves. Desde 1934, ano da criação do segredo bancário, o governo suíço contou com um lastro econômico que lhe permitiu ignorar as crises econômicas européias e dar à população um nível de vida bem acima de seus vizinhos.

O Brasil, neste momento de fragilização da Suíça, poderia exigir um novo tratado de dupla imposição, pelo qual os capitais de brasileiros na Suíça, mesmo continuando secretos, teriam de pagar impostos repatriados ao Brasil. Assim como a França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Canadá poderia também o Brasil ter acesso aos rendimentos dos capitais expatriados. Esse dinheiro está fazendo falta na construção de escolas, estradas, hospitais, dinheiro indiretamente roubado da nossa economia pelo país aparentamente mais honesto do planeta.

Fica aí a sugestão ao ministro Celso Amorim. Mas se houver resistências por parte de políticos com contas na Suíça, o jeito é contatar algum informático capaz de vender ao Brasil um CD com os nomes dos clientes de contas secretas suíças. Ou será que essa conversa não interessa aos políticos brasileiros, uma grande parte, quem sabe, com rabo curto nessa história de contas não declaradas ao fisco ?

Rui Martins é colunista do site "Direto da redação", ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. Vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com os jornais portugueses Público e Expresso e com o blog "Quem tem medo do Lula?"

Pecado Capital - Mino Carta sobre FHC

Pecado Capital


Por Mino Carta, jornalista, no editorial da revista "Carta Capital" de 11 de Fevereiro

É do conhecimento até do mundo mineral que Fernando Henrique é vaidoso. Mesmo os amigos mais chegados lhe apontam o pecado desde os tempos em que iam às calçadas paulistanas na noite da corrida de São Silvestre para torcer pelo tcheco Emil Zatopek, a “locomotiva humana”, por enxergar nele o perfeito representante do império soviético.

Pecado capital, a vaidade, segundo os católicos. Se esse aspecto da personalidade do ex-presidente não passa despercebido aos olhos do Pão de Açúcar e da Pedra do Baú, imaginem o que se dá com Lula, um expert em FHC. As mais recentes reações do príncipe dos sociólogos às comparações promovidas na área petista entre seu governo e o de Lula servem somente para demonstrar que FHC é pecador contumaz, de sorte a alegrar seus adversários e, assim me parece, inquietar José Serra.

Se a vaidade de FHC se estabelece, Lula vence, pois é exatamente a vitória que procura. O presidente montou o ardil, o ex-presidente caiu na esparrela. Adaptou-se ao esquema do plebiscito convocado peremptoriamente pelo atual titular sem perceber o erro pueril que estava a cometer. Vanitas vanitatum, diriam os antigos romanos. Dona Dilma esfrega as mãos de puro contentamento.

Interessantes as repercussões na mídia nativa. O Estadão, por exemplo, com patética insistência, orgulha-se por ter publicado no domingo 7 o artigo de FHC que abre fogo e que teria seguimento na segunda com novos, comovedores esforços do ex-presidente para levar lenha à lareira petista. Já a Folha de S.Paulo na terça levanta claras dúvidas quanto à conveniência das atitudes fernandistas a contrariar a estratégia do governador Serra. O qual, anote-se, fecha-se em copas.

O jornal tem sido bom intérprete do pensamento serrista, de sorte a induzir a impressão de que expõe, de fato, o desconforto do pré-candidato. E chega ao ponto de colocar em papel impresso aquilo que FHC não disse e deveria ter dito a bem da verdade factual. No caso da taxa de pobreza, ela permaneceu estável de 1996 a 2002, caiu “de forma aguda” somente sob Lula. A Folha lembra também que o salário mínimo cresceu mais no governo atual e que as dívidas interna e externa fermentaram à desmesura à sombra do tucanato.

Apesar de tudo, a Folha foi generosa com o ex-presidente, aquele que o mundo nos invejou, não é mesmo? Aliás, Lula atingiu uma popularidade mundial com que FHC nunca sonhou, graças também a uma política exterior conduzida com extrema competência, enquanto o antecessor, protegido de Clinton, atrelou-se passivamente à vontade americana e professou a religião neoliberal. Quem sabe, no caso dê o ar de sua graça outro pecado capital: a inveja, ótima aliada da vaidade.

Há, entretanto, comparações mais preocupantes, digamos assim. Fernando Henrique quebrou o Brasil três vezes e sua obra-prima em matéria foi realizada para garantir o segundo mandato, quando, em campanha, prometeu a estabilidade do real para desvalorizá-lo doze dias depois de empossado. Antes, votos de parlamentares haviam sido comprados para assegurar a alteração constitucional.

E nem se fale das privatizações, colossal bandalheira sem precedentes na história pátria, tormentosa época em que a turma da equipe econômica se referia a FHC como a “bomba atômica”. E também evitemos referências à chacina de Eldorado dos Carajás, perpetrada pela polícia de um governador tucano pronta a atirar em lavradores do MST. Dezenove morreram diante do descaso do presidente da República.

E por que não evocar a figura onipresente de Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity, favorecido pelas privatizações e pela condescendência de FHC, que mais de uma vez lhe fez as vontades? Ou não seria mais verdadeira a recíproca? Ou, por outra, a condescendência de Dantas em relação ao presidente da República e ao tucanato em geral?

Certo é que FHC fortalece a ideia do plebiscito, tão cara e pacientemente cultivada pelo adversário.

Marco Aurélio dá puxão de orelha em Gilmar Mendes

De Marco Aurélio para Gilmar Mendes:


"Que não se repita a autofagia"


Por Celso Lungaretti



Depois de um ministro guerreiro (Joaquim Barbosa), foi a vez de um sofisticado (Marco Aurélio Mello) colocar o dedo na ferida do Supremo Tribunal Federal, chamando às falas o inacreditável presidente Gilmar Mendes.

Fê-lo no final de sua histórica decisão de negar o habeas corpus ao governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda:

"Outrora houve dias natalinos. Hoje avizinha-se a festa pagã do carnaval. Que não se repita a autofagia".
A alusão foi ao indecoroso desfecho do caso Sean Goldman.

Marco Aurélio havia determinado que, antes da entrega do garoto de 9 anos ao pai estadunidense, fosse-lhe dada a oportunidade de manifestar seus sentimentos aos ministros do STF, até então sonegada pelo Judiciário brasileiro. Afinal, estava se decidindo o destino de um ser humano consciente como se fosse o de uma coisa.

Um senador dos EUA estalou o chicote, iniciando chantagem explícita contra o Brasil: até que a mercadoria fosse despachada, ele iria embargar a extensão para 2010 de um programa de isenção tarifária que beneficia as exportações brasileiras.

Aproveitando o recesso do Supremo, o plantonista Gilmar Mendes correu a capitular diante do ultimato do parlamentar da Nova Jersey. Que importam a felicidade de um garoto e a dignidade nacional, quando os exportadores poderiam ter um prejuízo de US$ 3 bilhões?

[De quebra, ele também utilizou o período em que podia decidir sozinho para colocar na rua o estuprador serial Roger Abdelmassih, após quatro míseros meses de prisão preventiva...]

Então, Marco Aurélio tem justificado temor de que Mendes atropele de novo o colegiado e dê um jeito de atender ao anseio quase unânime dos políticos profissionais, temerosos de que a desgraça do Arruda abra caminho para a detenção de outros contraventores chapa branca.

Em entrevista publicada nesta 2ª feira (15) pela Folha de S. Paulo, ele assim explica o recado que mandou a Mendes:

"...foi mais um alerta, para compreendermos que ombreando nós não podemos estar cassando, sob pena de descrédito para o Judiciário, a decisão do colega. Temos um órgão acima de nós próprios, que é o colegiado.

Até hoje, eu não compreendi aquela cassação, muito menos mediante mandado de segurança impetrado contra liminar concedida em habeas corpus, apenas para preservar o quadro existente à época até o julgamento pelo colegiado. Então, quis realmente alertar para a impossibilidade de tornarmos uma prática a autofagia".

Uma notícia ruim e uma boa para o Marco Aurélio.

A ruim é que a desmoralização do STF vai prosseguir enquanto estiver sob a batuta do pior presidente de sua História.

A boa, para ele e para todos os brasileiros com espírito de justiça, é que tal pesadelo terminará daqui a dois meses.

Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

15 de Fevereiro no Brasil e no mundo



Dicionário da Sônia*

15 de fevereiro

1991 Frederik de Klerk, presidente sul-africano, anuncia que irá libertar
todos os prisioneiros políticos e o Congresso Nacional Africano aceita o fim
do apartheid.

1995 Banco Central anuncia a liquidação do Bancesa - Banco do Estado do
Ceará.

1995 Briga de lobbies entre montadoras e governo, quando este decide
aumentar impostos de carros populares. Ué, os tucanos não são contra os
aumentos de impostos?

1995 Empresas de "fast-food" estrangeiras resolvem dobrar o número de lojas
no Brasil. Pior é o Brasil de FHC aceitar!!!

1997 O governo da Frelimo - Frente de Libertação de Moçambique, sufoca ação
militar direitista da Renamo no norte de Moçambique.

2001 George W. Bush se nega a assinar o Protocolo de Kioto, para redução
dos gases poluentes no país que mais polui o Planeta.

2003 Guerra do Iraque: Manifestações em mais de 60 países protestam contra
a iminente ação militar no Iraque.

2007 Manchete de O Globo: Aumento do preço do gás boliviano reflete na
conta de luz. Já na imprensa mundial, Reuters: acordo com Bolívia mostra que
Petrobras tem dono... Como acionista majoritário, Brasil se impõe e chega a
consenso com vizinho.

2008 Tucanos defendem a instalação de uma CPI para investigar o uso dos
cartões corporativos do governo federal, mas rejeitam a criação de uma
comissão para apurar as despesas feitas com os cartões de pagamento do
governo de São Paulo, em valor ainda maior.

2009 Ancelmo Góis: "O grupo Guararapes, de extrema direita, distribuiu
um artigo em que, supostamente, Paulinho da Viola cospe fogo contra Lula,
por jogar 'pobres contra ricos'. Não é de Paulinho, mas falsamente atribuído
a ele". É assim que eles fazem...

Josias de Souza, no jornal Folha de São Paulo, exibe foto da Ministra Dilma
Roussef com a Marta Suplicy, e a seguinte legenda: Notas vadias de um
domingo de notícias vagabundas. Idem!!!

2009 Hugo Chávez, presidente da Venezuela, vence o plebiscito (55 a 45%) no
referendo da emenda constitucional que autoriza a reeleição dos governantes
políticos na Venezuela, sem limite de mandatos.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O "energúmeno" - Escolha o palácio



[caption id="attachment_4027" align="aligncenter" width="468" caption="Serra no "Galo da madrugada" - Foto Dida Sampaio / Ag. Estado"]Serra no "Galo da madrugada" - Foto Dida Sampaio / Ag. Estado[/caption]


O "energúmeno" - Escolha o palácio



Por Laerte Braga

A grande mídia dá destaque às visitas de José Collor Serra e Dilma Roussef ao Recife e a Salvador. O esquema “pró Serra” da FOLHA DE SÃO PAULO diz que o governador está acompanhado de toda a cúpula do DEM e do PSDB.


Mentira. Uma das principais figuras da cúpula do DEM, o governador de Brasília, José Roberto Arruda está na cadeia. Era o vice preferido de Serra, naquela história de “vote num careca e leve dois”, ou o “copiei muitas idéias do governador Serra em minha administração e a resposta de Serra – “o que é bom é para ser copiado”.


O resultado pelo visto não foi satisfatório.


O governador José Collor Serra vive um dos piores momentos de sua carreira política. Por onde passa tem sido alvo de vaias. E com os aliados que tem o buraco é sem fundo. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab em entrevista a um programa da GLOBONEWS, onde foi tentar explicar que está tentando resolver os problemas causados pelas chuvas e chamar para si a responsabilidade do drama de milhões de paulistanos, para tirar a cara de Collor Serra da reta, acabou complicando mais ainda o governador.


Kassab disse que recebeu a Prefeitura com um orçamento exíguo para a questão ambiental e nada pode fazer nos primeiros anos até ajeitar a casa e dispor, como disse que dispõe agora, de um orçamento à altura dos desafios. Ora, o prefeito anterior era José Collor Serra que renunciou para ser candidato ao governo (depois de ter assinado um compromisso diante de câmeras e microfones de tevê que cumpriria o mandato por inteiro).


José Collor Serra foi a Guararapes, São Paulo, entregar 57 ônibus para prefeitos da região. Os ônibus destinam-se ao transporte de doentes deficientes a centros hospitalares adequados. Não explicou que o serviço é terceirizado para uma empresa que apóia sua candidatura e contribui, lógico, no esquema “vote num careca e leve dois”..


Ao discursar foi vaiado por professores da rede estadual. Com cartazes, faixas e narizes de palhaços, os professores protestavam contra os baixos salários, as péssimas condições de trabalho, o abandono do sistema educacional estadual e a farta distribuição de livros e revistas da EDITORA ABRIL (a que edita VEJA), contrato fraudulento do governo com o a empresa, que também apóia e contribui para a campanha de Collor Serra.


Descontrolado com as vaias, o governador que não admite ser contestado, bateu boca com os manifestantes, chamou-os de “energúmenos” e disse que ao vaiarem a ele estavam indo contra os deficientes físicos. Isso é coisa de cretino. De escroque. Um cara desses na presidência da República é uma temeridade.


É jogar o futuro de um país como o Brasil na lata do lixo. É só lembrar os oito anos de pesadelo de FHC, seu guru e cúmplice.


Serra foi criticado pelos elevados custos do pedágio nas rodovias estaduais privatizadas (as empresas pagam propina para a caixinha do PSDB), chamado de “mentiroso”, o que é absoluta verdade.


O manifestante que protestava contra Collor Serra e batia boca com o governador, um senhor não identificado, de cabelos brancos, foi retirado – modo de dizer – pela Polícia que fazia a segurança do local.


“Energúmeno” foi a palavra usada por Collor Serra para referir-se ao cidadão.


Seus principais sinônimos são “burro”, “imbecil”, “retardado”, “tonto”. É a forma como Collor Serra enxerga seus adversários.


O escritor Ledo Ivo, da Academia Brasileira de Letras, numa entrevista à uma emissora de televisão e comentando sobre determinado escritor, referiu-se a ele como “babaca”.


É o adjetivo ideal para José Collor Arruda Serra.


O descontrole do governador está na razão direta das pesquisas de opinião pública que mostram a queda contínua dos índices de intenção de votos nele e a ascensão da candidata Dilma Roussef.


A viagem pelo Nordeste, onde Dilma vence em todos os estados segundo os levantamentos feitos até agora e com grande vantagem, é um teste para saber se dá ou é melhor desistir e tentar a reeleição ao governo de São Paulo.


O jornal FOLHA DE SÃO PAULO, aliado de todas as horas, já, na edição de sexta-feira 12, sugeriu “uma opção mais segura”, a reeleição, deixando a batata quente para o governador de Minas Aecio Pirlimpimpim Neves.


Esse estilo boçal e violento de José Collor Arruda Serra não é incomum em determinados políticos. Em 1994 o atual ministro das Comunicações Hélio Costa alcançou quarenta e nove por cento e qualquer coisa no primeiro turno das eleições para o governo de Minas e perdeu o segundo para o tucano Eduardo Azeredo. Num acesso de fúria, ao perceber que não fora eleito no primeiro turno por zero vírgula qualquer coisa destruiu todo o comitê central de sua campanha. Computadores, mesas, bem ao estilo global, estrela contrariada.


O Brasil começa a viver nesse ano de 2010 um dilema crucial para seu futuro. Ou retorna ao esquema entreguista e podre de FHC, agora com José Collor Arruda Serra, ou avança, não importa que críticas possam ser feitas a Lula, com Dilma Roussef. As diferenças entre Lula e os tucanos/DEM começam no caráter.


E o futuro não passa por eleições, necessariamente, mas por um processo político mais amplo, de formação, conscientização e isso não será possível nunca com gente como José Collor Arruda Serra.


A reação do governador a um senhor de cabelos grisalhos, o destempero do governador, a forma estúpida como se referiu a um eleitor, só por criticá-lo, por vaiá-lo, mostra o que será um eventual governo dessa mistura DEM/TUCANO, com pitadas de PPS. E alguns laivos de PMDB na figura do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, candidato ao Senado num acordo com Serra.


Serra apropriou-se da idéia dos genéricos que foi do ministro Jamil Haddad no governo de Itamar Franco. Apropriou-se das vacinas contra gripe suína que foram compradas e serão distribuídas pelo governo federal. Apropriou-se a apropria-se de dinheiro público a cada momento e em cada ato de governo que pratica.


Nas dependências da Polícia Federal está faltando gente. Muitos. Serra, com certeza, é um deles.


O esquema de marketing do governador José Collor Arruda Serra está adotando uma forma bem cretina de divulgar as “atividades” do governador. As vaias no Nordeste e no próprio estado de São Paulo só fizeram reforçar esse modelo de propaganda. Serra aparece inaugurando alguma coisa, ou fazendo algum discurso cercado de aliados e sem platéia. Na edição colocam a platéia, ou seja, buscam criar a idéia que centenas, ou milhares de pessoas estavam presentes e aplaudindo o guru de Arruda.


A escolhe em 2010 é mais ou menos assim. Se o Planalto vai virar o castelo do conde Drácula, sugando o sangue dos brasileiros e transformando o País em colônia do capital estrangeiro e de Washington, caso de Serra. Se vira uma espécie de Casa Branca com material importado diretamente da Colômbia e com 100% de pureza, caso de Aécio Pirlimpimpim Neves ou continua Palácio do Planalto.


Se virar o palácio do Drácula, cada vez mais improvável, a responsável pela chefia da guarda de honra será a senadora Kátia Abreu. Dublê de latifundiária, corrupta e vampira do dinheiro público. Se for a Casa Branca com tecnologia colombiana e estreita colaboração com o governo do traficante Álvaro Uribe, vira festa dessas que lá pelas tantas a Polícia tem que chegar e prender a turma toda.


Se continuar Planalto significa que o País tem futuro. Ou seja, sobrevive como Nação soberana, livre e capaz de guiar pelo seu povo, seus próprio passos.


Laerte Braga é jornalista e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

Lula em quadrinhos - Cap. 3 - A viagem de pau-de-arara

Clique na imagem para ler.
Não leu o segundo capítulo? Clique aqui.
Esta história em quadrinhos, que hoje integra o nosso especial “A história de um vencedor“, terá sempre um novo capítulo publicado aqui aos domingos. A revista foi lançada em 2002, criada pelo cartunista Bira Dantas, atualmente colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

14 de Fevereiro no Brasil e no mundo

Dicionário da Sônia*


14 de fevereiro

1965 Malcolm X sofre atentado em sua casa de Queens, Nova Iorque, mas
consegue escapar com vida.

1968 Coronel Meira Matos propõe o fim do refeitório estudantil Calabouço,
Rio de Janeiro, considerado foco de agitação.

1978 Fundação do CBA - Comitê Brasileiro pela Anistia, no Rio de Janeiro,
com um ato público realizado na ABI .

1980 Conselho de Censura libera o Encouraçado Potenkin, filme do soviético
Sergei Eisenstein, tido como obra-prima do cinema mundial, que estava
proibido no Brasil há 12 anos (desde 1968).

1989 Supremo Tribunal da Índia condena a Union Carbide a pagar indenização
de US$ 470 milhões pelo desastre ecológico que ela provocou em 1984.

2001 PMDB e PSDB elegem Jader Barbalho e Aécio Neves, presidentes do Senado
e da Câmara.

2003 Inspetores da ONU, em relatório, afirma não ter encontrado armas de
destruição em massa no Iraque.

2007 Petrobras bate mais uma vez recorde de bons resultados, sendo a
estatal de maior lucratividade de toda a América Latina.

2007 Secretaria estadual de Transportes Metropolitanos de São Paulo
determina a suspensão das obras da linha 4 do metrô, em decorrência do
acidente que resultou em 8 mortes.

2008 Ari Pargendler, ministro do TSE, é o 3º voto favorável à cassação do
governador de SC, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), acusado de usar a
máquina pública durante a campanha de 2006, faltando apenas 1 voto do total
de 6 ministros.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sobre pirotecnias, corrupção e lamentos


Tivesse segurado a ânsia de dar um “furo” que não tinha, tivesse conseguido uma entrevista com Lula ou esperado para ouvir a entrevista que uma rádio de Goiás conseguiu no exato dia da publicação do jornal, teria ouvido dele um belo – e paradoxal – título para sua matéria: “Prisão de Arruda deve ser exemplo contra corrupção.”


Por Ana Helena Tavares (para o "Observatório da Imprensa")

Nos últimos tempos, de uma grande imprensa com credibilidade em queda livre, o Jornal do Brasil tem sido um oásis. Em meio a tantos veículos de comunicação exercendo, em regra, o desserviço da desinformação tendenciosa, de maneiras as mais sujas possíveis, é bom que se registre esse fator positivo. O JB tem sido um jornal onde se pode encontrar uma pluralidade de idéias exemplar e pouco vista entre os concorrentes de seu porte, tanto a nível estadual (Rio de Janeiro) como a nível nacional. Dito isso, sinto-me à vontade para lembrar, porém, que a perfeição não existe. E na sexta-feira, 12 de Fevereiro, o JB deu um escorregão lamentável que, no seu caso, chama a atenção justamente pelo fato de constituir uma exceção à regra.


Na editoria “País”, página A6, um jornalista sério, com os dados escassos de que dispunha, jamais faria uma matéria com o seguinte título: “Governador se entrega à PF e Lula lamenta a prisão”. Quem lê a matéria inteira encontra, só e somente só no penúltimo parágrafo, as seguintes suposições, sim suposições, sobre o pensamento de Lula a respeito do caso: “Um assessor próximo ao presidente Luís Inácio Lula da Silva disse ontem que o presidente ficou “abatido” com a prisão de Arruda. Lula teria lamentado o episódio dizendo que isso “não era bom para o Brasil nem para a política”. O presidente também teria recomendado ao novo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que a Polícia Federal tomasse cuidado com a exposição da imagem do governador”. Vai daí que, nas palavras de um inominado “assessor próximo”, e no “teria lamentado o episódio” parou o trabalho de apuração do repórter. Por que então afirmar no título que Lula lamentou a prisão?


As palavras têm um poder manipulador imensurável – e jornalistas sabem disso. Boa parte dos leitores de jornais só lê os títulos – jornalistas também sabem disso. E é exatamente a imagem de um presidente corrupto que aquele título faz saltar aos olhos. Afinal, quem lamentaria a prisão de um político corrupto senão quem se considera igual ao preso? Não é preciso nenhum vasto conhecimento de mundo para que se saiba que lamentar a prisão de alguém é algo deveras diferente de se lamentar o episódio que levou à prisão. Parece claro que todo cidadão consciente, aquele que luta por um país mais justo, lamenta a corrupção, episódio que levou à prisão de Arruda. Já lamentar a prisão é coisa que fica a cargo de quem concorda com o método dele, quem teme ser também pego em flagrante por atos parecidos, quem tinha a certeza da impunidade e já não a tem, quem crê que não há mal algum em se levar vantagem em tudo.


O problema é que em nenhum momento Lula disse lamentar a prisão de Arruda. O título é mentiroso e sensacionalista, prefiro crer que nascido da simples ânsia de chamar a atenção para o texto. Tivesse escrito tão somente “Governador se entrega à PF” teria sido verdadeiro, mas quantos se interessariam em ler mais um dentre tantos textos sobre o mesmo assunto? Tivesse segurado a ânsia de dar um “furo” que não tinha, tivesse conseguido uma entrevista com Lula ou esperado para ouvir (*) a entrevista que uma rádio de Goiás conseguiu no exato dia da publicação do jornal, teria ouvido dele um belo – e paradoxal – título para sua matéria: “Prisão de Arruda deve ser exemplo contra corrupção.”


E teria ouvido mais: “Obviamente que eu fico chocado quando eu vejo as denúncias de corrupção nesse país, fiquei chocado quando apareceu aquele filme do Arruda recebendo dinheiro, é uma coisa absurda a gente imaginar que no século XXI isso acontece no Brasil. Agora, a prisão foi decretada pelo poder Judiciário. Ou seja, de 15 juízes, 12 ou 13 votaram pela prisão dele. O que a Polícia Federal fez foi aceitar um pedido do próprio Arruda que pediu para se entregar sem precisar sair de casa algemado. Ou seja, como também a polícia Federal não está mais disposta a fazer pirotecnia com mais ninguém, foi uma atitude correta.”


Ou seja (como costuma dizer o próprio Lula), o que o presidente lamentou e quem fez pirotecnia?


É melhor acreditar que foi só pirotecnia, porque o JB ainda merece meu voto de confiança e não conheço o jornalista que escreveu a matéria. Então, como não costumo jogar sem dados, prefiro crer que ele não se inclui na já vasta lista de jornalistas corruptos que não se contentam em ser corruptos sozinhos. Precisam cravar nos governantes a imagem da corrupção. Seu Eldorado é derrubar um presidente que tem a popularidade que eles lamentam não ter.


Ana Helena Tavares é escritora e poeta eternamente aprendiz. Jornalista por paixão e futura jornalista com diploma, é colunista da “Revista Médio Paraíba”, colaboradora do "Observatório da Imprensa" e editora/administradora do blog “Quem tem medo do Lula?”.


(*) Clique aqui para ouvir.

Uai! "Isso aqui não é a Venezuela!"


Uai! "Isso aqui não é a Venezuela!"




Por Laerte Braga

Alberto Fraga, secretário de Transportes do governador José Roberto Arruda, é o encarregado de organizar e direcionar a propina paga pelas empresas de transportes da capital. O percentual de cada um, o do governador é maior lógico, o ponto e o dia de entrega, o horário, essas coisas que acontecem em governos tucanos, DEM, PPS e partidos paralelos, digamos assim.


O secretário foi visitar o governador nas dependências da Polícia Federal, onde Arruda se encontra em retiro forçado, naturalmente para orar e agradecer a propina de cada dia e, evidente, saber do chefe como deve continuar a ser operado o “sistema” de propina.


Neste momento todo cuidado é pouco e qualquer deslize só vai fazer aumentar o bloco do retiro na Polícia Federal. Fraga, certamente, não quer ser um deles e deve ter recebido instruções sobre como apagar pistas.


À saída, tentando descaracterizar a prisão de Arruda como sendo a prisão de um bandido, um assaltante de cofres públicos, disse aos jornalistas que a idéia de intervenção em Brasília é “ridícula” e que “eles estão pensando que isso aqui é a Venezuela”.


Uai! Confesso que, levando em conta o noticiário de todos os dias sobre o presidente Chávez, os fatos que “acontecem” na vizinha nação (na ótica enfurecida de Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, etc), não entendi o que o secretário/bandido quis dizer.


Que na Venezuela bandidos como Arruda, Serra, Yeda Crusius, FHC são presos e aqui isso seria uma arbitrariedade?


Só pode. A julgar pelo tom “patriótico” do secretário/canalha não dá para interpretar suas declarações de outra forma.


“Isso aqui não é a Venezuela”. É o que então na cabeça do assaltante de cofres públicos? A casa da mãe Joana?


Um dos argumentos desse tipo de gente é tentar confundir os fatos e levar a opinião a acreditar que mafiosos como Arruda são vítimas de perseguição política e não passam de cândidos inocentes que quando recebem as gorjetas, digamos assim, de empreiteiros, banqueiros, grandes empresários, latifundiários, agradecem a Deus a possibilidade de terem os seus futuros assegurados, garantidos, o leite das crianças.


Transformam criminosos como Arruda e ele próprio Alberto Fraga em “presos políticos”.


A intervenção em Brasília foi pedida pela Procuradoria Geral da República uma instituição autônoma, independente do presidente da República, que designa o Procurador a partir de uma lista tríplice formada pelo conjunto de procuradores, OAB e outros. Não foi o governo Lula que pediu a intervenção.


O pedido foi feito e encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), Poder Judiciário, portanto, nada a ver com Lula e a hipótese, em primeiro momento, foi levantada no próprio tribunal levando em conta a corrupção generalizada na Assembléia Distrital de Brasília, onde Arruda tem maioria (DEM, PSDB, PPS e acessórios).


É uma decisão difícil, última, só tomada em casos extremos (o risco Joaquim Roriz de volta cria o caso extremo). A propósito, Roriz tinha um irmão bispo que só não vendeu a catedral da cidade mineira de Juiz de Fora porque a opinião pública reagiu, no mais vendeu o que pode e embolsou tudo.


O fato do governador Paulo Otávio estar envolvido em corrupção e no esquema Arruda é outro indicativo ao qual se soma a corrupção que permeia a Assembléia Distrital. Vai sobrar o que?


Paulo Otávio, em matéria de corrupção, é anterior a Arruda, a Roriz e é um dos “donos” de Brasília.


O que poucos perceberam nessa sujeirada é que quem trouxe a público toda a bandalheira do governo Arruda foi um ex-secretário de Roriz. Fácil de entender. O dito foi contatado pela máfia rival, a de Roriz, os velhos tempos foram lembrados, o ano eleitoral e Roriz quer voltar a ser governador, um acordo aqui, outro ali, um dinheirinho aqui, outro dinheirão ali e pronto. Como naqueles filmes de gangster que o cara abraça o outro e quando o outro liga o carro...


Buuuuum!


“Não é nada pessoal, são só negócios”.


Só que nesse caso os “negócios” dizem respeito à capital do País e envolvem figuras que se preparavam para disputar as eleições deste ano na tentativa de recuperar a presidência da República, através do poderoso chefão José Collor Serra. O tal que queria Arruda como vice.


Um primor de cretinice e canalhice a declaração do secretário de Propinas, quer dizer, Transportes, sobre “isso aqui não é a Venezuela”.


Acho que nesse e noutros casos então devemos ser a Venezuela correndo, antes que esses caras acabem com o País e inventem modos “patrióticos” de guardar dinheiro na meia, na cueca, em pastas, terminando tudo numa oração de agradecimento.


Os casos de corrupção da governadora do Rio Grande do Sul são tão graves e vergonhosos como os de José Roberto Arruda. Como o disse o ministro Marco Aurélio Mello em sua decisão, “estamos inaugurando uma nova era...”, saindo inclusive da saia justa que Gilmar Mendes criou, tentando atirá-lo num buraco chamado habeas corpus.


Que se prossiga a nova era. Yeda na cadeia. Serra na cadeia. FHC por ter vendido o País na cadeia. Kátia Abreu e mais da metade do Senado na cadeia. Mais da metade da Câmara Federal na cadeia. Boa parte do Judiciário, inclusive Gilmar Mendes na cadeia. E haja cadeia.


Desde o primeiro momento a comentarista Lúcia Hipólito (a que de tão bêbada não conseguiu articular uma palavra quando chamada a comentar sobre os direitos humanos num programa de uma rádio da REDE GLOBO) está tentando implicar o presidente da República nessa história toda. Tentando dar um viés eleitoral à prisão de Arruda.


Só que Lula não prendeu ninguém, quem pediu a prisão foi a OAB e quem prendeu, determinou a prisão, foi o STJ. Quem negou o habeas corpus foi um ministro do STF.


Aí vem o secretário dos Transportes, propineiro, corrupto, venal e afirma que “isso aqui não é a Venezuela”.


Se a Venezuela for o oposto do secretário, e é, que isso aqui seja a Venezuela correndo.


A continuar nessa toada daqui a pouco vai ter gente acendendo vela para que o “mártir” Arruda seja solto em nome da democracia cristã, ocidental e o presidente da CNBB vai recebê-lo à porta da Polícia Federal. É o tal que não gosta que falem mal de corruptos e retirou das bancas um jornal que apontava irregularidades (corrupção mesmo) no governo de Aécio Pirlimpim Neves.


Laerte Braga é jornalista e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

Para não dizer que não falamos de Carnaval 2: Festa da igualdade, da loucura e do prazer











Festa da igualdade, da loucura e do prazer

"A Estação Primeira de Mangueira
passa em ruas largas

Passa por debaixo da
avenida Presidente Vargas"

(Caetano Veloso, "Enquanto o Lobo
Não Vem"
, 1968 - a imagem é de 1967)




Por Celso Lungaretti


A origem do carnaval perde-se na poeira dos tempos. Há quem tente remontá-la ao culto agrário praticado por povos que existiram 10 mil anos antes de Cristo: homens e mulheres mascarados, com corpos pintados e cobertos de peles ou plumas, saíam em bandos e invadiam as casas, fazendo terríveis algazarras.


Outros autores lembram as festas alegres do paganismo, como a de Ísis e a do Boi Ápis, entre os egípcios, e as bacanais, lupercais e saturnais dos romanos.




Suetônio, historiador da Roma antiga, refere-se às saturnais como “desenfreada libertinagem, cínica palhaçada”. E diz que, durante esse período “todos pareciam enlouquecer”. Armavam-se grandes mesas à frente das casas para senhores e escravos comerem à vontade, sem distinções. E os escravos tinham o direito de dizer verdades a seus donos, ridicularizá-los, fazer o que quisessem.




A componente libidinosa do carnaval é inegável em todos os textos antigos. Sabe-se, p. ex., que o termo carnaval deriva do latim carrum novalis, deignação de um tipo de carro alegórico da Grécia e Roma antigas. Dezenas de pessoas mascaradas caminhavam a seu lado e ele trazia no bojo “mulheres nuas e homens que cantavam canções impudicas”.




A Idade Média, com a rígida tutela religiosa sobre a vida social, não poderia trazer acréscimos significativos ao carnaval. Mas, pelo menos, não conseguiu extinguir esses festejos, que continuaram existindo como um contraponto à monótona existência dos feudos.




Contam alguns textos, inclusive, que os padres, depois de pregarem em vão contra o carnaval, acabavam convidando os fiéis a concentrarem as comemorações na praça da igreja, para que tal logradouro não ficasse desvalorizado....




A Renascença viria libertar os europeus da sensação de culpa que a religião procurava insistentemente associar ao prazer e à alegria. Os distantes e etéreos paraísos prometidos nos púlpitos, bem como as dantescas descrições do inferno que esperava os pecadores, tornaram-se insuficientes para afastar o povo da folia. A grande festa pagã renascia em todo o seu esplendor.




O medonho entrudo português – Para nós interessa, sobretudo, o carnaval português, conhecido como entrudo. Até fins do século 19, o nosso carnaval teria as mesmas características do “medonho entrudo português, porco e brutal”, a que se refere uma historiadora, assim descrevendo-o: “pelas ruas de Lisboa, generalizava-se uma verdadeira luta em que as armas eram os ovos de gema, ou suas cascas contendo farinha ou gesso, cartuchos de pó de goma, cabaças de cera com águas de cheiro, tremoços, tubos de vidro ou de cartão para soprar com violência, milho e feijão que se despejam aos alqueires sobre as cabeças dos transeuntes...”




A pesquisadora Eneida, em sua História do Carnaval Carioca, relaciona diversos casos para comprovar que, a exemplo do que ocorria na Roma de Suetônio, o carnaval aqui também se constituía no único período em que os escravos desfrutavam de uma certa liberdade. E conclui: “Parece que uma das características do carnaval é dar aos escravos de qualquer época o direito de criticar e zombar de seus senhores”.




Os limites da democracia, entretanto, sempre foram muito exíguos no Brasil, então houve também medidas caracteristicamente discricionárias. Em 1857, o chefe de polícia do Rio de Janeiro lançou um edital proibindo “o jogo do entrudo dentro do município. Qualquer pessoa que o jogar incorrerá na pena de 4$ a 12$ e não tendo com que satisfazer, sofrerá oito dias de cadeia, caso o seu senhor não o mande castigar no calabouço com cem açoites”. Ou seja, multa para os brancos proprietários, xilindró e chicotadas para os escravos. A relatividade vem de longe...




A agressividade igualmente se evidencia em todos os textos da época. Sabe-se, p. ex., que o único objeto de divertimento do carnaval brasileiro era o limão de cheiro, uma imitação de laranja, com invólucro de cera e água fétida por dentro.




O pintor e engenheiro Jean-Baptiste Debret, que aqui veio com a Missão Artística Francesa em 1818, ficou estarrecido com a selvageria explícita: “Vi jovens negociantes ingleses passearem, com orgulho e arrogância, acompanhados por um negro vendedor de limões cujo tabuleiro esvaziavam pouco a pouco, jogando os limões às ventas de pessoas que nem sequer conheciam”.




Episódios deste tipo o marcaram tanto que um de seus desenhos mais famosos, Cena de Carnaval, mostra uma negra atacada na rua por um crioulo de cartola, que lhe esfrega no rosto um bocado de goma, enquanto o outro negro ensopa o primeiro com água de uma longa seringa.




Apenas no final daquele século a agressividade foi se atenuando e as bisnagas passaram a conter, ao invés de água suja, líquidos menos repugnantes, como vinagre, groselha e vinho; idem os limões de cheiro, cujas águas fétidas e até urina foram trocadas por inofensivos perfumes.




Zé Pereira! Bum, bum, bum! – O personagem mais característico do carnaval brasileiro surgiu em meados do século 19 e logo se tornou uma instituição popular. Trata-se do Zé Pereira, calcado na figura do sapateiro José Nogueira de Azevedo Pereira.




Português de nascimento, ele um dia entretinha-se com outros patrícios, recordando as romarias, estúrdias e estrondos da pátria distante. A saudade era tanta que eles resolveram sair à rua, ao som de zabumbas e tambores alugados às pressas, para fazer uma passeata pela cidade.




Foi um enorme sucesso, logo copiado por dezenas de grupos semelhantes, fazendo com que o Zé Pereira se transformasse num personagem mística, identificado com o próprio carnaval (“E viva o Zé Pereira/ Pois que a ninguém faz mal/ E viva a bebedeira/ Nos dias de carnaval”).




Para a historiadora Eneida, o Zé Pereira “foi essencialmente o carnaval do pobre. Tão fácil, no meio da miséria reinante, sair à rua com bumbos e tambores, uma camisa qualquer, uma calça de qualquer espécie e fazer barulho, alegrar com um ritmo efusivo as ruas e os bairros!”.




Seu desaparecimento, no começo do século passado, é indício de que o carnaval perdia espontaneidade, tornando-se festa opulenta e regulamentada, sem espaço para os improvisos populares.




Mas, a alma do Zé Pereira sobrevive nos blocos dos sujos, que insistem em se formar sem ensaios e mensalidades, para existir num momento e viver intensamente esse momento, na melhor tradição do carnaval.




Samba e umbigada – Até o início do século passado samba e carnaval tiveram trajetórias distintas, que foram convergindo no sentido de uma perfeita complementação.




O samba remonta à chegada no Brasil de escravos negros, que logo foram introduzindo seus ritmos, danças, cantigas, costumes e crenças. Assim, após o trabalho exaustivo (ou nos raros dias de folga), eles dançavam e batucavam com seus instrumentos rudes, nos terrenos das fazendas, engenhos e canaviais. Alegria sofrida, ritmo de quem esforçava-se por esquecer a tristeza, as privações e os maus tratos.




O batuque tipicamente africano foi caindo em desuso com o desaparecimento dos nativos daquele continente. Uma variação abrasileirada espalhou-se por todo o País, já com a denominação de samba. E, na zona rural, o encontro de culturas deu origem a uma derivação pitoresca, os chamados sambas sertanejos, em que homens e mulheres participavam da roda cantando em coro, ao som de instrumentos de percussão e da viola de arame.




Segundo um cronista da época, “os dançadores formam roda e, ao compasso de uma viola, move-se o dançador do centro, avança e bate com a barriga de outro da roda, uma pessoa de outro sexo. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta, razão por que tem muitos inimigos, principalmente entre os padres”.




Lenço no pescoço – A fase heróica do samba foi a da pernada carioca, diversão a que se entregavam os remanescentes dos inúmeros grupos de capoeiristas existentes no Rio de Janeiro em fins do século 19.




Tratava-se de uma batucada braba, na base da pernada e cabeçada, regada com doses cavalares de cachaça (“Samba de negro/ Não se pode frequentá/ Só tem cachaça/ Pra gente se embriagá”).




Os conflitos eram corriqueiros e a presença da polícia, também, dando origem a verdadeiras batalhas campais, em que instrumentos musicais serviam como armas e algumas cabeças acabavam sempre rachadas (“Tava num samba/ Lá no Sarguero/ Veio a polícia/ Me jogou no tintureiro”).




O samba era tido como coisa de pretos, malandros e marginais. A posse de um violão ou qualquer outro instrumento de samba bastava como prova de que o indivíduo era vadio e merecia ser preso. E a brutalidade da polícia tinha resposta à altura por parte dos bambas. Mortes ocorriam de lado a lado.




Foi a época do tipo celebrizado por Wilson Batista, com seu andar gingado, chapéu tombado, olhar dormente, fala cheia de gírias, lenço de seda no pescoço (para proteger-se das navalhadas), camisa listrada, calças largas (boca-de-sino) ou balão (bombacha) caídas sobre os sapatos de bico fino com salto carrapeta (mais tarde, tamancos) e, evidentemente, a inseparável navalha.




Os versos do sambista da Lapa o descreve admiravelmente: “Meu chapéu de lado/ Tamanco arrastando/ Lenço no pescoço/ Navalha no bolso/ Eu passo gingando/ Provoco desafio/ Eu tenho orgulho de ser vadio”.




Trata-se de uma figura que, como o verdadeiro carnaval, sairia de cena entre as décadas de 1930 e 1940.




O Pinto e os índios – O carnaval era uma pedra no sapato dos autoritários de todos os matizes. Os chefes de polícia, desde meados do século 19, lançaram uma interminável série de editais, ora proibindo, ora regulamentando os festejos.




No carnaval carioca de 1888, entre as muitas determinações draconianas, figurava a de que, “sem a autorização do Chefe de Polícia, não podem aparecer críticas, principalmente ao Governo”.




Episódios anedóticos ocorreram aos montes. Um delegado carioca chamado Alfredo Pinto, p. ex., notabilizou-se pela perseguição aos foliões. Em 1909, tentou proibir as passeatas e o Zé Pereira, sendo obrigado a voltar atrás por causa dos protestos da população e da imprensa.




Furioso, voltou à carga proibindo as fantasias de índio, sob a alegação de que os tacapes poderiam ser utilizados como armas. Os blocos contra-atacaram com refrões provocativos que difundiram por toda a cidade, tipo “Eu vou beber/ Eu vou me embriagar/ Eu vou sair de índio/ Pra polícia me pegar”. Em outros, houve até alusões picarescas ao sobrenome do delegado...




Domesticação e turistização – Nem a polícia do terrível Filinto Müller, durante a ditadura getulista, conseguiu pôr fim aos festejos de Momo. De repente, entretanto, o povo perdeu seu carnaval, que virou um próspero negócio para as escolas de samba e foi alçado a item prioritário da promoção do turismo.




Comemorações rigorosamente planejadas substituíram as iniciativas espontâneas do povão. Os foliões se tornaram passivos espectadores dos suntuosos e multicoloridos desfiles. Sambistas passaram a competir encarniçadamente por classificações espúrias.




Enfim, a festa do congraçamento cedeu lugar à disputa calculista. O que a polícia não conseguiu com seus cassetetes, conseguiram os negociantes com seus talões de cheque.




Como explicar essa transição negativa? Dizer que, com a industrialização, fecharam-se os espaços para a desordem remanescente da sociedade rural? Que o carnaval morreu ao se institucionalizar? Que nosso povo já não tem humor nem revolta? Explicações podem ser alinhavadas às dezenas. Mas, nenhuma servirá como consolo.




O certo é que uma genuína explosão de vida se tornou ritual de repetição. E o povo se conformou em não inventar mais seus festejos nem improvisar seus itinerários, recebendo como contrapartida lugares confortáveis nas arquibancadas dos sambódromos e o direito à licenciosidade em salões sufocantes.




Enfim, foi expulso das ruas e não se dispõe mais a lutar mais por elas.




Obs: versão condensada de um texto escrito em 1980, para a edição de carnaval da revista Fiesta.












Celso Lungaretti, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog "Náufrago da Utopia", é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"

13 de Fevereiro no Brasil e no mundo


Dicionário da Sônia*


13 de fevereiro

1922 Início da semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo,
até 17 de fevereiro.

1950 Einstein adverte o mundo sobre o perigo da bomba atômica.

1961 Avião norte-americano lança 20 pára-quedas na zona de Naranjo, em
Cuba, para municiar os anti-castristas de material bélico.

1971 Salvador Allende, presidente do Chile, decreta a nacionalização de
todos os recursos minerais e combustíveis do país, assinando assim a sua
sentença de morte!

1972 Morte: Lauriberto José Reys e Alexander José Ibsen Voeroes,
assassinados pela ditadura de 1964.

1991 Guerra do Golfo: Aviões dos EUA destroem um suposto esconderijo
militar em Bagdá, mas iraquianos civis denunciam que o local era apenas um
abrigo para a população.

1995 FHC sanciona a Lei de Concessões Públicas, abrindo à iniciativa
privada a exploração de serviços prestados pelo Estado como saneamento e
distribuição de energia elétrica.

2007 Parque municipal da cidade histórica de Congonhas do Campo é atingida
por 100 toneladas de resíduos de minério de ferro que vazaram da barragem
Baixo João Pereira, da Cia Vale do Rio Doce.

2008 Vincent Cooper, funcionário de segurança da Embaixada dos EUA em La
Paz, é considerado 'persona non Grata' pelo governo boliviano por delito de
espionagem, com base em declarações do norte-americano John Alexander Van
Schaick.

2008 Aposentados do Banespa, vendido ao grupo espanhol Santander reclamam
na justiça o corte de benefícios em suas aposentadorias, e acusam que o
lucro obtido com os rendimentos dos valores não repassados a eles cobre o
valor pago pela compra do Banespa.

2008 Revista Carta Capital publica matéria em que afirma que a oposição
(PSDB + DEM + PPS) vê a questão dos cartões corporativos como oportunidade
de atingir o presidente Lula.

Paulo Henrique Amorim em seu blog, Conversa Afiada, estranha o silêncio da
imprensa com relação ao uso dos mesmos no governo Serra (SP) que foi de R$
108 milhões, contra os R$ 78 milhões do governo Federal.

2008 David Walker, diretor de auditoria e investigação do Congresso dos
EUA, renuncia por discordar das políticas do governo, o declínio dos valores
morais, e o excessivo uso de forças militares no exterior, assim como falta
de responsabilidade fiscal.

2008 Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI, defende o aumento dos gastos
públicos para enfrentar a crise norte-americana.

2008 John Bowe, jornalista, lança livro nos EUA em que relata casos de
trabalho escravo no país.

*Sônia Montenegro mantém o blog "Farmácia de Pensamentos" e é colaboradora do blog "Quem tem medo do Lula?"
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