A revolta tunisiana, chamada de A Revolução do Jasmin, lembra a iraniana contra o Xá, revolta frustrada que levou ao fundamentalismo religioso. Mesmo sendo o mais liberal dos países árabes, essa hipótese teocrática pode ocorrer na Tunísia, se não for rapidamente restituída a liberdade aos partidos da oposição, aos jornais e ao povo, com a preparação de uma agênda para eleições livres.
Por Rui Martins (*)
Berna (Suiça) - Nunca foi tão verdadeiro aquele slogan « o povo unido derruba a ditadura ». O ditador tunisiano Ben Ali, depois de 24 anos de poder, após um golpe de Estado no presidente vitalício Burguiba, foi derrubado pela força do povo, que vinha exigindo nas ruas, nestas últimas semanas, sua partida. A revolta popular começou dia 17 de dezembro, quando um camelô, desesperado, se imolou pelo fogo. Durante as agtações, houve outras cinco imolações voluntárias pelo fogo, praticadas por jovens desesperados e desempregados.

