O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sobre trogloditas, Stallone e o Brasil

Ubiratan Dantas (ou simplesmente Bira) é um cartunista, chargista e ilustrador paulistano. Colabora com o blog "Quem tem medo do Lula?".

Pedofilia, troglodita e sobreviventes

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Pedofilia e assassinato em massa

Georges Bourdoukan
Jornalista e escritor

Os Estados Unidos estão indignados. Em menos de duas semanas vieram a público documentos secretos, alias altamente secretos, acusando os militares do país de pedofilia e de assassinatos em massa de civis.

Que o digam as populações do Iraque, Paquistão, Afeganistão e por que não, Palestina.

O governo quer saber quem foi ou foram os responsáveis.

E a mídia repercute.

Bobagem.

Claro que o governo mostra indignação.

E claro que todos sabemos que os documentos secretos foram divulgados pelo próprio governo.

Essa é uma das formas que Obama encontrou para deixar de ser refém das empresas privadas que hoje controlam todo o serviço de informação do país.

Se vai dar certo, ou não, o tempo dirá.


Obama sabe que ele pode ser a próxima vítima.

Não porque seja muito diferente dos Bush( há sim uma pequena diferença), mas porque, ao contrario de seus antecessores, ele se recusa a dar carta branca aos criminosos que dizem defender os Estados Unidos.

Pedofilia e assassinato em massa.

É a democracia Ocidental e Cristã em sua plenitude.

Frase mágica que os Estados Unidos sempre utilizaram para ocupar e saquear países.

Inclusive nas maltratadas Américas.

Nós, mais velhos, nem precisamos recorrer à História.

Todos conhecemos o sabor da Democracia Ocidental e Cristã.

Era a época do prendo e arrebento.

Ditaduras eram semeadas em nome da Democracia Ocidental e Cristã.

E com apoio da mídia.

Lembram?

Quando o cheiro de cavalo era preferível ao do povo.

Esse povo estúpido que não sabe votar, que prefere iletrados a doutores.

Ah, esses doutores que já esgotaram seu estoque de sais e de rapés.

Que não podem ver um macacão que se arrepiam todos.

Mas a História é implacável e caminha sempre para a frente.

O Império treme.

Já dizia alguém que ele não passava de um tigre de papel.

E essa previsão está se confirmando.

E acreditem, seus dentes atômicos serão a sua ruína.

Já era mais do que hora.

Os oprimidos e explorados agradecem.


Blog do Bourdoukan

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Leia também....


Clique no título e leia... "Ele vestiu figurino de direita troglodita" [Adivinha quem!]


Clique no título e leia... Brasília Confidencial: Sobreviventes denunciam grupo de extermínio em São Paulo

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Aliados de Siqueira em Tocantins boicotam campanha nacional do PSDB

Autor(es): Folhapress, de São Paulo
Valor Econômico - 28/07/2010

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB), fez ontem campanha em Palmas (TO) sem o apoio de parte da sua base aliada no Estado. Apesar de ter como principal cabo eleitoral o candidato ao governo de Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), Serra não conta com a adesão dos candidatos ao Senado João Ribeiro (PR) e Vicentinho Alves (PR) -aliados de Campos no Estado.

Os dois candidatos ao Senado apoiam a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Ambos utilizam a foto da petista em seu material da campanha, embora no Estado integrem a chapa do PSDB. A campanha do tucano também não conta com o apoio do PPS no Estado. O partido preferiu aderir à chapa de Carlos Gaguim (PMDB), governador que disputa a reeleição, aliado de Dilma. Presidente do PSDB em Tocantins, Ernani Siqueira minimiza as baixas na campanha de Serra no Estado. "É claro que se os dois candidatos estivessem com o Serra, seria melhor. Mas o PR apoia o PT em nível nacional. A política aqui no Estado está muito misturada", afirmou.

O deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO) afirmou que, mesmo com as dissidências, Tocantins é hoje o Estado "mais tucano" do país. "A própria origem do nome do nosso Estado já vem do tucano", disse em referência à língua tupi que serviu de inspiração para a criação do nome "Tocantins".

Serra tem o apoio do candidato ao governo do Estado, Siqueira Campos (PSDB). O tucano contratou militantes para recepcionarem Serra com bandeiras e adesivos. Siqueira pagou um ônibus para levar cerca de 30 pessoas para a caminhada. A maioria recebe salário mensal de R$ 510 para fazer campanha para Siqueira em Taquaral, situado a duas horas de Palmas, durante o período da campanha. Candidatos a deputados estaduais e federais também mobilizaram militantes que recebem salário na campanha para aumentar o público durante a caminhada.

Ontem, em Tocantins, Serra cassificou de "bobagem" a afirmação de Dilma de que a oposição prega a "tática do medo" para desconstruir a imagem da petista -como teria ocorrido nas eleições de 2002.

Em sua passagem por Palmas, Serra evitou comentar temas nacionais ou ligados a Dilma. O tucano classificou de "tró ló ló" e "ti ti ti" os assuntos relacionados ao seu embate com a petista.

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/7/28/aliados-de-siqueira-em-tocantins-boicotam-campanha-nacional-do-psdb

"Ele vestiu figurino de direita troglodita" [Adivinha quem!]

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'Ele vestiu figurino de direita troglodita', critica petista

Autor(es): Vera Rosa
O Estado de S. Paulo - 27/07/2010


Presidente do PT saiu em defesa de Dilma e lamentou o que chamou de "discurso [br]da República Velha"


O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou ontem que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, vestiu o figurino de "direita troglodita" e agora recebe instruções de "falcões do DEM" associados a "um índio". Foi uma referência jocosa aos conservadores norte-americanos e ao deputado Índio da Costa (DEM-RJ), vice de Serra.

"Serra está caindo no ridículo. Esse figurino de direita troglodita não assenta bem nele", insistiu Dutra. Ao saber que o adversário previu o aumento das invasões de terra caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita, Dutra reagiu primeiro com um "ai, meu Deus do céu!". Depois, disse lamentar que Serra ressuscite o que chamou de "discurso da República Velha".

Na semana passada, Dilma assegurou que, se vencer a disputa presidencial, as invasões de terra vão diminuir. "A reforma agrária tem de continuar, e não é porque o MST quer, mas porque é bom para o Brasil", argumentou.

[Clique na imagem para ampliar]
A campanha petista afirma que o número de ocupações caiu, em comparação com o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), graças ao programa de agricultura familiar. "Não pretendo ter complacência com ilegalidade, mas não trato os movimentos sociais como caso de polícia. Não coloco nem cachorro atrás deles nem dou pancada", devolveu Dilma, numa estocada em Serra, que enfrentou crise com os professores pouco antes de deixar o Palácio dos Bandeirantes.

Coordenador da campanha do PT, Dutra disse que Serra está nervoso e demonstra desespero. "Ele sabe que não é verdade que o PT tem relação com as Farc e com o Comando Vermelho e também sabe que o MST fez mais invasões no governo tucano, mas acabou sendo pautado pelos falcões do DEM e por um índio", provocou.

Foi Índio da Costa que iniciou a polêmica, quando, em entrevista afirmou que o PT tem ligação com as Farc e com o narcotráfico. O PT entrou com ação contra o vice de Serra por calúnia, injúria e difamação, além de pedir direito de resposta no site do PSDB. A solicitação foi aceita, mas a equipe tucana conseguiu liminar para suspender a decisão. O plenário do TSE voltará a analisar o assunto no dia 2 de agosto.

A estratégia do PT consiste em terceirizar os ataques a Serra, poupando Dilma do bate-boca. Nos últimos dias, porém, a petista tem reagido, sempre lamentando o que chama de "baixo nível".

Resposta. A assessoria do MST afirmou ontem que o movimento "mantém sua autonomia frente aos partidos políticos e candidaturas, mas repudia os retrocessos sociais simbolizados na candidatura tucana". A nota foi uma resposta às afirmações de Serra.

A assessoria disse ainda que o tucano "se vale de ameaças e tenta criar um clima de raiva contra o MST porque não possui um projeto que possa garantir a vida digna dos trabalhadores rurais e urbanos". "Ele representa os interesses do latifúndio improdutivo e do agronegócio, que não resolvem o problema das famílias sem-terra e não garantem o abastecimento de alimentos para a população brasileira", diz a nota.

COLABORARAM PATRÍCIA CAMPOS MELLO e RAFAEL MORAES MOURA
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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terça-feira, 27 de julho de 2010

José Serra e a criação do pedágio


Ubiratan Dantas (ou simplesmente Bira) é um cartunista, chargista e ilustrador paulistano. Colabora com o blog "Quem tem medo do Lula?".

Caso Battisti: Vendettas sem Férias

Caso Battisti:
Vendettas sem Férias

Por Carlos Alberto Lungarzo (*)

Nos últimos meses, a grande imprensa deu algum sossego à campanha de difamação e ódio contra o escritor italiano Cesare Battisti. A Folha de S. Paulo chegou a abrir sua frequentada sessão Tendências/Debates a Luís Barroso, um dos advogados defensores. Uma exceção é uma revista de atualidade muito lida por executivos, empresários e classe média fascistoide, cujo conteúdo prima pela grosseria, a injúria, e a agressão procaz.

Há outra exceção, mas esta não pertence à grande mídia, nem faz parte do chamado “partido da imprensa golpista”. É uma revista de média circulação, que apoia o governo, e representa os interesses dos empresariados nacionalistas. Um número significativo de intelectuais tem considerado esta publicação como um órgão de centro-esquerda, e se sentiram “traídos” quando a revista empreendeu uma campanha obsessiva contra Cesare Battisti, não poupando seus amigos, seus defensores, e até aos indiferentes.

Esse órgão continua no ataque, e esta semana apresentou uma matéria reforçando suas já recorrentes acusações contra o romancista latino. A causa de me referir a isto não é prazer masoquista, mas o fato de que as antigas acusações encontraram uma “fonte” nova. Desta vez, as velhas histórias estão temperadas com as fofocas sobre Cesare escritas por um apresentador italiano de rádio e TV. Ele se chama Giuseppe Cruciani, e sua “fabricação” da história de Battisti foi compilada no livro: Os Amigos do Terrorista, que ainda não foi traduzido, talvez porque a Embaixada Italiana no Brasil desistiu de gastar dinheiro.

Não posso colocar scans desse livro em meu site, porque está protegido por direitos autorais, mas você talvez se arrependa de comprá-lo, gastando 15 euros mais o frete. Não quero analisar o livro todo, senão apenas a matéria dessa revista “progressista”, cujos editores tiraram alguns fragmentos do livro para se inspirar. (Nem revista nem o autor do artigo são relevantes)

O Livro de Giuseppe Cruciani
Giuseppe Cruciani (n. 1966) é um jornalista romano, apresentador de rádio e televisão, que se ocupa de assuntos gerais e mantém diálogos com tele-espectadores. Seus programas tanto por rádio como em TV, são semelhantes a alguns programadas de rádio no Brasil, onde o apresentador atende perguntas da audiência sobre coisas diversas: futebol, sexo, política, etc. Mas, não há um programa idêntico na TV brasileira. O mais parecido a Cruciani, numa versão muito menos educada, poderia ser o jornalista José Luiz Datena. Creio que dificilmente algum leitor consiga imaginar Datena escrevendo um livro sobre um complexo assunto jurídico que envolve delicadas questões históricas e políticas.

Num país onde é surpreendente que um membro da mídia não seja de direita, Cruciani foi acusado de ser incondicional do premier, mas ele se defendeu dizendo: “Qualquer um que não diga que Berlusconi é um monstro é rotulado dessa maneira”. (Vide) Seu livro foi publicado pela Sperling-Kupfer, um ramo da editora Mondadori, que, por sua vez, é controlada pela holding Fininvest, da família Berlusconi, que ganhou o controle da editora após uma sentença contra Carlo de Benedetti, em 1991, num escândalo de propinas e subornos.

O livro de Cruciani é um acúmulo de anedotas, alinhavadas por uma trama que lembra, numa qualidade infinitamente menor, as narrações “históricas” de John Forsyth. (Quem leia isto, não pense que vai obter a mesma emoção que lendo O Dossiê Odessa, por exemplo.) As anedotas não apenas visam mostrar uma imagem maniqueísta de Battisti, pintado como um sujeito diabólico, no estilo Bin Laden, como também denegrir alguns (os mais conhecidos) dos milhares de intelectuais, artistas, jornalistas e políticos prestigiosos franceses e italianos que apoiaram Battisti Cesare entre 1990 e 2005, e os brasileiros a partir de 2007.

Não é difícil perceber que o livro tem o forte toque racista e (para usar um termo vulgar) “invejoso”, que sempre opôs os grupos semibárbaros da direita italiana com a França em geral e, em particular, com a esquerda. Tampouco os mais conhecidos amigos de Battisti no Brasil se salvam a ira de Cruciani, que parece mais misericordioso conosco: porque, se os franceses são arrogantes e vaidosos, nós somos um país de miseráveis e bandidos que só pode ser tratado com desprezo.

Na matéria que estou analisando, se mencionam algumas poucas das numerosas “descobertas” de Cruciani. Vou referir-me apenas a essa matéria, e se for necessário, deixo para o futuro o resto do livro, embora haja muitos que entendem que não vale a pena.

O Caso de Saviano
Cruciani revela com grande alvoroço, que Roberto Saviano, jovem autor do livro Gomorra sobre a máfia napolitana (Camorra), que inicialmente tinha assinado um manifesto em favor de Battisti, retirou recentemente sua assinatura, aduzindo que ele assinara sem conhecer quem era o imputado e porque foi pressionado por amigos. E daí? Por que é tão importante que Saviano se tenha arrependido e agora “apoie as vítimas de Battisti”?

Aceitar um critério de autoridade (isto é bom porque o mestre disse) saiu da moda já em 1789, e hoje só é sustentado por fanáticos incapazes de pensar, sejam fundamentalistas católicos, xiitas ou stalinistas. Mas, se acreditarmos realmente que é possível aceitar critérios de autoridades balançados por dados reais, e levar em conta a opinião de pessoas tidas por esclarecidas, devemos pensar o que significa este simpático garoto (que escreveu, com muita coragem, uma denúncia da Camorra), comparado com os grandes escritores que apoiaram Cesare. Só para dar os exemplos mais importantes: temos Fred Vargas, que além de ser a mais lida e traduzida romancista da França atual, é arqueóloga e historiadora; Valerio Evangelista e Roberto Bui, ambos italianos, a celebérrima Jeanne Moreau, que fez mais feliz a adolescência da minha geração, e muitos outros. E, como broche de ouro: Quantos Savianos cabem num Gabriel Garcia Márquez? (Bom, esta última comparação foi covardia da minha parte).

O Caso de Guido Rossa
O articulista da revista Brasileira menciona (como também fez em muitos outros locais), o sindicalista Guido Rossa, que foi executado por membros das Brigadas Vermelhas.

Guido Rossa (1934-1979) foi membro da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), e representante sindical na siderúrgica IItalsider de Cornigliano, uma vila de Genova. Ele devia ter algum posto distinguido, pois era conhecido como figura de destaque no principal clube de alpinismo e era quase impossível que um operário médio pudesse financiar esportes como alpinismo e fotografia naquela época.

Em outubro de 1978, Rossa viu Francesco Berardi, um operário do mínimo escalão, que tentava distribuir panfletos num local da empresa. Ações como estas durante a ditadura brasileira foram amiúde ignoradas ou punidas com alguns dias de detenção em delegacias. Mas, na Bela Democracia, a coisa foi diferente.

Sabe-se pouco de Berardi, estigmatizado por jornalistas e intelectuais do sistema. Em mais de 1300 documentos sobre Rossa, Berardi é descrito como títere da esquerda, fraco, miserável, analfabeto e marginal. Também é injuriado por sua condição de operário não qualificado, um insulto esquisito em membros de um partido comunista, que se gabava de defender as classes exploradas. Só sabemos que chegou a Genova no começo da década de 50, que tinha pertencido a Luta Contínua, e que nunca militou nas Brigadas Vermelhas. Mas, para enlamear sua memória, é qualificado às vezes de brigadista.

Quando Rossa viu Berardi colocando os panfletos perto do bebedouro, este tentou fugir com natural medo de ser delatado. Guido foi mais rápido e o fez deter pela guarda da fábrica. Conduzido à justiça, onde foi indiciado por distribuir propaganda terrorista (o texto dos volantes não aparece nas crônicas sobre o caso), foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão especial (“especial” quer dizer isolamento e tortura). Rossa levou seu deduração a todos os limites, e confirmou o “crime” de Berardi na polícia e nos juizados. Tempo depois, a polícia declarou que Berardi tinha cometido suicídio, mas uma pesquisa pedida por organismos de Direitos Humanos foi impedida.

As Brigadas Vermelhas pensaram vingar Berardi, apesar de ser um simpatizante sem nenhuma militância. Houve muita discussão porque, apesar da repugnância que inspirava o Partido Comunista em seu papel de alcaguete, todos respeitavam o legado histórico do antigo comunismo, cuja tradição revolucionária continuava viva em alguns países da América Latina.

Decidiu-se aplicar de novo uma praxe absurda dos grupos armados: ferir levemente o delator como advertência. Rossa foi emboscado por dois brigadistas, mas a tensão levou um deles a disparar um tiro mortal. A autopsia encontrou projéteis nas pernas, mas apenas um no coração. Apesar disso, Vincenzo Guagliardo, responsável só pelas feridas leves estava ainda preso em 2008, ou seja, 31 anos após o atentado. Membros da Brigadas que não tinham participado no crime também foram condenados a penas draconianas.

Na matéria da revista que comentamos, distorcem-se vários fatos: (1) Oculta-se totalmente o caráter de delator de Rossa, que não apenas passava informação aos patrões, mas perseguia os membros da esquerda até conseguir sua prisão.(2) Sonega-se que tinha um altíssimo nível de vida, incompatível com o melhor salário de operário. (3) Oculta-se que foi morto pelas Brigadas, e não pelos PAC, que nunca foram processados por isso, nem mesmo acusados, apesar do acúmulo de culpas que a justiça italiana colocou sobre eles. (4) Distorce-se a autoria do ataque, que não foi feito pela Prima Linea, como diz o libelo, mas pelas Brigadas, cuja estrutura autoritária e militarista, própria da esquerda católica, era repudiada pelos outros grupos. (5) Omite-se o dado importante de que as Brigadas não tencionavam matar Rossa, mas apenas feri-lo, o que, sem dúvida, é uma aberração, mas de menor tamanho.

Há algumas semanas, em outra das recorrentes citações de Rossa por parte do libelista, eu escrevi um e-mail perguntando: “Você atribui a Battisti a morte de Rossa?”. Um auxiliar dele me respondeu: “Não, imagina, ninguém disse isso. Apenas mencionamos o assunto, porque o assassinato dele e parecido aos que cometeu Battisti!”.

Parecido? Os crimes que se atribuem a Battisti tiveram como vítima dois policiais e dois empresários. Qual é a analogia com a morte de um sindicalista? Por que não incluir o nome de Rossa, então, em qualquer outro anúncio fúnebre?

Se quiser ver uma matéria redigida na Itália, e que não é de esquerda (pelo contrário, seus autores elogiam Rossa), veja isto. Neste texto, você pode ver, entre outras coisas, que é falso que o assassinato de Rossa fosse executado por Prima Linea; eles deixam claro que foram as Brigadas. Informação adicional pode ser vista no blog de nada menos que Luciano Violante, um magistrado italiano que já foi deputado pelo stalinismo, e um dos mais acérrimos inimigos da esquerda. Por que ele preferiria culpar as Brigadas e não Prima Linea, sendo que esta tinha alojado ex membros do PAC?

Se você quiser escolher e gerar sua própria opinião dentre mais de 2.000 artigos sobre Rossa, veja aqui. Acredito que fica claro que esta história de Prima Linea como assassina de Rossa (que aparece em todos os artigos do libelista sobre o tema), tem por objetivo vincular esse crime com uma organização que parece ter relação com os PAC e, ao mesmo tempo, criar um sentimento subliminar de que Battisti colaborou nesse crime também.

Eu acho interessante o caso Rossa porque mostra de que maneira é manipulada a informação para sujar o máximo possível a imagem de Battisti.

O libelista disse que Rossa era o Lula da época. Independentemente de apreciações políticas (que não são relevantes à minha atividade), Lula é conhecido como uma pessoa que sempre foi leal a seus companheiros. Compará-lo com um delator é ofensivo.

O Caso de Pietro Mutti
Cruciani, em seu livro, e o autor da matéria comentada, enfatizam a “mentira” de que Battisti fosse condenado pelo único delator, Pietro Mutti, e que também é falso que tenha sido premiado com a liberdade.

Eventualmente, algumas pessoas do Círculo de Apoio a Battisti mencionam apenas Mutti, porque foi o mais importante, e quem inventou junto com os promotores toda a armação. Mas não negamos que houve outros.. Dissemos e comprovamos com citações das sentenças, que os delatores foram vários, sendo Mutti o principal. Os outros delatores foram Sante Fatone e Maria Cecília Barbetta, cujos testemunhos foram corroborados por outros que também estavam presos e precisavam descontos nas suas penalidades. Por exemplo, Tirelli, e possivelmente Memeo e Grimaldi.

Pessoalmente, penso que houve entre 6 e 8 delatores e não apenas um. Então, concordo com o libelista do magazine: não foi apenas Mutti. O que nós afirmamos é que não houve nenhuma testemunha, objetiva, isenta, presencial, documentada, etc. Será que o libelista pode dar algum exemplo?

Também não dissemos que Mutti ganhou a liberdade. Ele teve sua pena de prisão perpétua comutada a oito anos. Calculando que sua expectativa de sobrevida na época fosse de 48 anos (tinha uns 27 ou 28, e chegar aos 80 anos na Europa não é excepcional), ele teve uma redução de 80% (4/5). Estão achando pouco?

As Garantias de Battisti
O libelista cita os processos originais contra Battisti, como provas de que ele esteve bem defendido e teve todas as garantias. Em meu site, pode encontrar-se a totalidade dos documentos que a Itália liberou ao público, e alguns que pude obter por via de contatos. Talvez o libelista e o escritor Cruciani tenham outros documentos, que a justiça italiana lhes confiou sigilosamente, quem sabe? Seja como for, esses documentos não podem ser aduzidos como provas se não foram divulgados. O que se conhece publicamente é:

1. Mais de 400 intelectuais e políticos franceses protestaram várias vezes pela inusitada cumplicidade de Chirac com o governo italiano, em troca de vantagens econômicas, o que constitui um grande motivo de vergonha para a brilhante cultura francesa, tão rica em libertários e iluministas. A Liga dos Direitos do Homem, a mais antiga organização de DH fundada no século 19, enviou duas cartas às autoridades brasileiras.

2. A organização Antígone, a mais importante OGN de DH de prisioneiros (políticos ou comuns) que opera na Itália, enviou em novembro de 2009, uma nota ao presidente Lula, advertindo sobre o péssimo estado das garantias individuais no estado italiano.

3. Os advogados de Battisti, Pellaza e Fuga, que já tinham intervindo num julgamento anterior, não foram autorizados pelo réu para representá-lo. As procurações foram falsificadas como denunciou Fred Vargas numerosas vezes, sem obter a menor atenção do Supremo Tribunal Federal do Brasil nem da mídia.

4. Argumenta-se que o processo de Battisti foi analisado por mais de 60 juízes togados, e o libelista acusa de “caraduras” e de outras obscenidades aos que não leram os autos nem atentaram para esse aspecto. De fato, é verdade que foram muitos os que aparecem mencionados na sentença de 1988, mas não sabemos quem redigiu o relatório, e o único protagonista do caso Battisti que mostra frequentemente as caras é Armando Spataro. Não é evidente, mas um raciocínio detalhado mostra que o discurso de Spataro é contraditório, embora possa ter, sem dúvida, algumas afirmações verdadeiras.

5. A displicência da Corte Europeia de DH no caso Battisti não é um argumento que mostre que foi desprezado porque ele era culpado. Talvez isso fosse sensato, se essa corte estivesse muito preocupada realmente com a defesa dos cidadãos. Já em 2008, a Corte arquivava cerca de 95% dos processos sem tê-los monitorado. (1.543 casos atendidos sobre cerca de 32 mil ignorados). Os únicos casos que funcionam nessa Corte são os que têm grande repercussão como foi o dos crucifixos em locais públicos da Itália. Textos do próprio Conselho da Europa se referem com alarma a esta irregularidade. (Vide)

Os Crimes
Cruciani e o libelista reiteram o que a justiça italiana já afirmou milhares de vezes: que Santoro e Campagna foram assassinados por Battisti.

No relatório da sentença do processo concluído em sua primeira instância em 1981 se deixa claro que Mutti foi o executor de Santoro, secundado por uma menina e com a cumplicidade de duas pessoas que guiavam o carro. Não se fala em absoluto de Battisti. Sugiro que o leitor se informe nesse documento.

O caso de Campagna se atribui a Memeo, um membro da organização famoso por ter sido fotografado numa passeata com uma arma na mão.. Ele e Mutti eram conhecidos por especial inclinação à violência. Na época (1979), ainda não existia nenhum interesse em culpar Battisti, pois os promotores não tinham pensado nas vantagens de ter um bode expiatório para todos os crimes. Portanto, os jornais da época, alguns dos quais o leitor pode encontrar na Internet, reproduzem a notícia assertivamente. Veja especialmente Corriere della Sera e Repubblica.. Quem tiver acesso aos jornais italianos em papel, pode ver também Il Giornale e muitos outros diários menos famosos, porém todos eles comerciais e sem interesse partidário.

O caso de Sabbadin e o de Torregiani já foi discutido ad nauseam e polemizar sobre ele seria fazer o papel de ingênuo, o que não me parece respeitoso com o leitor.

A transferência das culpas a Battisti aconteceu em 1982, quando Mutti e os promotores decidiram colocar todos os crimes dos PAC numa única pessoa. O leitor pode ver que a sentença de 1988, que possui mais de 700 fólios, é muito confusa ao se referir a Mutti. Não se menciona que os crimes eram atribuídos, antes, a outras pessoas. Também aparecem muitos e redundantes elogios a Mutti, que, por sua condição de ultraesquerdista violento não deveria merecer, supomos, tanta simpatia dos juízes. Uma leitura atenta (o que pode ser muito cansativo, mas a verdade exige esforço) mostra que a sentença de 88 foi forjada, pois é rica em inconsistências. O que não está provado fisicamente, embora existam alguns testemunhos de ativistas da época, é que Mutti tenha recebido dinheiro, mas nunca usamos esse argumento, justamente por não ser apodictico. Quanto a sua condição de delator, é reconhecida pela própria Itália, sob o eufemismo de pentito.

O Caso Barbetta
Maria Cecília Barbetta é uma jovem que estudava filosofia e entrou no PAC, como aconteceu em outros países com muitos estudantes de humanidades. Ela é atualmente professora em Verona, mas recusou conversar com qualquer contato nosso na Itália. Tanto a justiça, como Cruciani, como o STF brasileiro, como centenas de interessados na execução de Battisti, repetem uma declaração que ela fez em Milão em 1982, dizendo que Battisti lhe tinha confessado que tinha matado Santoro.

Qual é a validade dessa informação? Segundo os autos, Maria Cecília disse que ele lhe contou como era a sensação de ver sangue correndo, ou coisa semelhante. Se eu dissesse a alguém de minha intimidade que participei do atentado de 11 de setembro, seria levado a sério? Pode parecer ridículo que me detenha neste argumento absurdo, mas o caso de Barbetta foi citado digamos mais de 200 vezes, pelos mais variados panfleteiros.

O Caso de Giacomini
O libelista cita como amostra de canalhice dos PAC que Giacomini tinha dito que eles consideravam o roubo como um método legítimo para pessoas que tinham sido privadas pela burguesia do direito de trabalhar. Qual é a novidade? Já os socialistas utópicos, em 1850, diziam que a propriedade privada era roubo. O direito a roubar dos ricos pelos pobres foi o motor da lenda de Robin Hood, que, mesmo que seja imaginária, reflete o espírito da época, e aquela fábula surgiu há mais de 3 séculos, pelo menos.

Ou seja, a ideia de que existe uma grande injustiça social e que a pessoa que rouba para sua subsistência apenas está reequilibrando as relações sociais, é tão velha como a sociedade de classes. Hoje em dia, há numerosos sociólogos, especialmente de países avançados, como a França, que defendem este ponto de vista. Ele também está implícito em alguém tão conhecido como Foucault, que coloca em juízo todo o sistema punitivo e prisional, e não apenas a punição de presos comuns.

Em fim, o caso Battisti está cheio de declarações e interpretações que se multiplicaram durante estes dois últimos anos, de maneira proporcional à vontade de Itália de investir em sua condenação. Essa vontade parece ter piorado. O serviço secreto de exército já perdeu em 2004 a soma de 2 milhões de Euros, ao encomendar o sequestro de Battisti, Loiacono e outro ex-ativista, a um grupo paramilitar neofascista. Os criminosos não fizeram nada, afinal, porque, como toda gangue, queriam mais dinheiro.

Vale também salientar que o ex embaixador no Brasil, Michel Valensisi, foi afastado do país e destinado a outra embaixada, a meados do 2009, quando se descobriu que tinha recebido uma pessoa do círculo de defesa de Cesare Battisti. A demora da decisão do presidente Lula no caso de Cesare preocupa a todos nós, mas há algo que preocupa ainda mais aos linchadores: o presidente não está disposto a entregar carniça aos abutres. Se quisesse, teria tido numerosas oportunidades para fazer isso desde dezembro de 2008, ganhando o aplauso da cúpula do STF e de milhares de neofascistas.

Daí que ainda existam essas fofocas histéricas tanto na Itália como no Brasil. É bom perceber, porém, que eles não confiam muito em sua vitória, e seus uivos são cada vez menores. O mesmo Cruciani respondeu a um jornalista italiano, quando lhe foi perguntado se ele acreditava na extradição de Battisti:

-Io non credo..

Nota Final
É interessante comprovar que esta matéria está postada num dos sites do Ministério de Relações Exteriores, que sempre trabalhou pela extradição de Battisti, e por todas as causas reacionárias que estivessem por perto.

*Carlos Alberto Lungarzo é graduado em matemática e doutor em filosofia. É professor aposentado e escritor, autor do livro “Os Cenários Invisíveis do Caso Battisti”. Para fazer o download de um resumo do livro clique aqui. Ex-exilado político, residente atualmente em São Paulo, é membro da Anistia Internacional (registro: 2152711) e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

'Ele vestiu figurino de direita troglodita', critica petista

Por Vera Rosa, O Estado de S. Paulo - 27/07/2010

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou ontem que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, vestiu o figurino de "direita troglodita" e agora recebe instruções de "falcões do DEM" associados a "um índio". Foi uma referência jocosa aos conservadores norte-americanos e ao deputado Índio da Costa (DEM-RJ), vice de Serra.

"Serra está caindo no ridículo. Esse figurino de direita troglodita não assenta bem nele", insistiu Dutra. Ao saber que o adversário previu o aumento das invasões de terra caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita, Dutra reagiu primeiro com um "ai, meu Deus do céu!". Depois, disse lamentar que Serra ressuscite o que chamou de "discurso da República Velha".

Na semana passada, Dilma assegurou que, se vencer a disputa presidencial, as invasões de terra vão diminuir. "A reforma agrária tem de continuar, e não é porque o MST quer, mas porque é bom para o Brasil", argumentou.

A campanha petista afirma que o número de ocupações caiu, em comparação com o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), graças ao programa de agricultura familiar. "Não pretendo ter complacência com ilegalidade, mas não trato os movimentos sociais como caso de polícia. Não coloco nem cachorro atrás deles nem dou pancada", devolveu Dilma, numa estocada em Serra, que enfrentou crise com os professores pouco antes de deixar o Palácio dos Bandeirantes.

Coordenador da campanha do PT, Dutra disse que Serra está nervoso e demonstra desespero. "Ele sabe que não é verdade que o PT tem relação com as Farc e com o Comando Vermelho e também sabe que o MST fez mais invasões no governo tucano, mas acabou sendo pautado pelos falcões do DEM e por um índio", provocou.

Foi Índio da Costa que iniciou a polêmica, quando, em entrevista afirmou que o PT tem ligação com as Farc e com o narcotráfico. O PT entrou com ação contra o vice de Serra por calúnia, injúria e difamação, além de pedir direito de resposta no site do PSDB. A solicitação foi aceita, mas a equipe tucana conseguiu liminar para suspender a decisão. O plenário do TSE voltará a analisar o assunto no dia 2 de agosto.

A estratégia do PT consiste em terceirizar os ataques a Serra, poupando Dilma do bate-boca. Nos últimos dias, porém, a petista tem reagido, sempre lamentando o que chama de "baixo nível".

Resposta. A assessoria do MST afirmou ontem que o movimento "mantém sua autonomia frente aos partidos políticos e candidaturas, mas repudia os retrocessos sociais simbolizados na candidatura tucana". A nota foi uma resposta às afirmações de Serra.

A assessoria disse ainda que o tucano "se vale de ameaças e tenta criar um clima de raiva contra o MST porque não possui um projeto que possa garantir a vida digna dos trabalhadores rurais e urbanos". "Ele representa os interesses do latifúndio improdutivo e do agronegócio, que não resolvem o problema das famílias sem-terra e não garantem o abastecimento de alimentos para a população brasileira", diz a nota.

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/7/27/ele-vestiu-figurino-de-direita-troglodita-critica-petista

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O sucateamento da saúde pública em São Paulo


O sucateamento da saúde
pública em São Paulo


O processo de terceirização e privatização implementado por governos tucanos em São Paulo repetem o padrão das políticas que FHC e Serra fizeram enquanto estiveram no governo federal: sucateamento e pauperização crescentes das estruturas públicas, principalmente as hospitalares e educacionais, e desvalorização de seus funcionários, para que o argumento privatizador pudesse encontrar respaldo junto à população em geral, com o devido apoio das corporações midiáticas. E assim foi. E assim continua sendo São Paulo.


Por Gilson Caroni Filho (*) e João Paulo Cechinel Souza (**)

Nos últimos dias, temos visto uma infindável torrente de notícias trazendo o presidenciável José Serra como o baluarte derradeiro na defesa por uma saúde pública decente. Cabe-nos, entretanto, salientar alguns pontos propositalmente obscurecidos pela grande mídia sobre o tema em questão.

Desde 1998, com a eleição de Covas e a edição/promulgação de um projeto de lei pelo então presidente FHC, as Organizações Sociais (OSs) passaram a gerir uma série de instituições hospitalares Brasil afora, mas encontraram no Estado de São Paulo seu porto pacífico.

A partir de então, os hospitais e serviços de saúde, que vinham sendo administrados diretamente pelas autarquias municipais e estaduais tiveram seu gerenciamento progressivamente terceirizado, privatizado – sempre pelas mesmas (e poucas) empresas (OSs), e sempre sem licitação.

O esquema, de contratos milionários, envolve aquilo que FHC e Serra fizeram enquanto foram gestores federais: sucateamento e pauperização crescentes das estruturas públicas, principalmente as hospitalares e educacionais, e desvalorização de seus funcionários, para que o argumento privatizador pudesse encontrar respaldo junto à população em geral, com o devido apoio das corporações midiáticas.. E assim foi. E assim continua sendo São Paulo.

Serra deixou à míngua o renomado Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho (IAVC), forçando os profissionais a pedirem demissão pela falta de condições dignas de trabalho no local, relegando a segundo plano o tratamento dos pacientes que lá procuram auxílio. Preferiu deixar de lado um centro de excelência para inaugurar o resplandecente e novo Instituto do Câncer de São Paulo Octávio Frias de Oliveira (ICESP), só para homenagear seu padrinho midiático, aquele cuja família lhe oferece a logística de um jornal diário e a metodologia favorável do Datafolha.

Infelizmente, até hoje o ICESP não funciona plenamente, os profissionais de saúde têm dificuldades imensas para encaminhar para lá os doentes que dele precisam e os pacientes do IAVC continuam com sérios problemas para conseguirem ter sua saúde recuperada.

Por conta dessa mesma terceirização da saúde pública paulista e paulistana, o vírus da dengue encontrou em São Paulo um grande apoio governamental. Minimizando a atuação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) na prevenção de diversos problemas de saúde, subestimando o fator pluviométrico e seu poder disseminador de doenças, a Prefeitura Municipal de São Paulo demitiu centenas de agentes de combate às zoonoses, essenciais para o controle da doença.

A responsabilidade pelo aumento de quase 4.000% no número de casos de dengue na cidade é debitada na conta da população que não está à altura da arquitetura inovadora do tucanato. Sem contar os assombrosos índices de contaminação nas cidades de São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, todas administradas por políticos com ideias semelhantes às dos prefeitos paulistanos Serra-Kassab – e por eles apoiados.

Não bastasse tamanho descalabro, delegou às OSs a administração de diversas UBS, prejudicando, sobremaneira, a inserção das equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) no Estado, onde podemos encontrar um enorme vácuo no mapa brasileiro no que diz respeito à sua efetiva implementação. A saber, as equipes de ESF são inseridas tendo em vista, basicamente, o contingente populacional a ser atendido. Com base nisso, São Paulo deveria ser o Estado com maior número de equipes – justamente o contrário ao que se constata na realidade.

No que diz respeito às estratégias de atendimento primário à saúde, Serra fragmentou todo o atendimento prestado pelas UBS, esperando, assim, reinventar a roda – e, com ela, quem o legitimasse publicamente. Essa foi a lógica que o levou a criar o “Dose Certa”, o “Mãe Paulistana” e as unidades de Atendimento Médico Ambulatorial (AMAs), que, reunidos, constituem, justamente, o que se chama no resto do Brasil de ESF.

Mas a farsa de José Serra não tem começo tão recente. Antes de redescobrir a pólvora no atendimento primário, já estava chamando para si os louros do programa dos Genéricos, verdadeiramente criado pelo médico e então Ministro da Saúde Jamil Haddad (PSB/RJ) em 1993, que, atendendo a orientações da Organização Mundial de Saúde, editou e promulgou o Decreto-Lei 793. Este sim, revogado integralmente por FHC e Serra em 1999, foi posteriormente reeditado por eles mesmos (lei 9.787/99 e decreto 3.181/99), acrescentando, vejam que pequeno detalhe, inúmeras concessões às grandes indústrias farmacêuticas.

Presidente de honra do PSB, Jamil Haddad faleceu em 2009, divulgando a todos quantos quiseram ouvi-lo que sua ideia fora usurpada por Serra e seu respectivo partido. Faltou, obviamente, o prestimoso apoio da mídia corporativa para divulgar suas denúncias.

Da mesma forma, Serra se “esquece” de mencionar outros atores importantes e nada coadjuvantes quando se refere ao Programa Nacional de Combate à AIDS. Relata sempre que foi o mais importante, senão o único, agente responsável pela implantação do Programa, tentando obscurecer os trabalhos fundamentais desenvolvidos desde meados da década de 80 pelos médicos Pedro Chequer, Euclides Castilho, Luís Loures e Celso Ferreira Ramos Filho, além da coordenação realizada dentro do Ministério da Saúde, no início da década seguinte, pelo ex-ministro Adib Jatene e pela bióloga Dra. Lair Guerra de Macedo Rodrigues.

Tanto esforço não valeu muito no município de São Paulo, que parece não ter feito a lição de casa no que diz respeito à redução da mortalidade associada à AIDS nos últimos anos – entre o final da gestão Serra e o começo da gestão Kassab (2008-2009). Segundo dados da própria Secretaria Municipal de Saúde, houve um aumento do número de óbitos pela doença no município, contrariamente ao que aconteceu no resto do país.

Muito embora essa mistura de hipocrisia e obscurantismo seja maquiada pela grande imprensa ao divulgar os feitos tucanos na área da saúde, contra ela existem fatos concretos e objetivos. E sobre isso Serra não pode fazer nada. Sobra-lhe a opção de negar sua existência ou pedir à Folha de São Paulo que reescreva a história da forma que lhe parece mais conveniente. Talvez não seja interessante para sua candidatura que se descubra o real sentido do que promete. Quando fala em acabar com as filas para a saúde estamos diante de uma proposta de modernização gerencial ou uma ameaça de extermínio? É uma dúvida relevante.

(*) Gilson Caroni Filho é sociólogo e mestre em ciências políticas. Nascido e residente no Rio de Janeiro, onde é professor titular de sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). É colunista da Carta Maior, colaborador do Jornal do Brasil e do blog "Quem tem medo do Lula?".

(**) João Paulo Cechinel Souza é médico especialista em Clínica Médica e residente em Infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Charge: Bira Dantas

Tesouro de Tolo

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Gosto muito das citações que o Brizola Neto faz de conversas que teve com seu avó, o saudoso Leonel Brizola, que tanta falta está nos fazendo nos dias de hoje. É o Neto falando do que aprendeu e do que desenvolveu a partir dos avoengos conselhos. O neto evoluindo em sua maneira de enxergar o mundo politicamente (existe outra?) e fazendo isso da maneira mais naturalmente humana que conheço.

Encontrei hoje no Tijolaço do Brizola Neto essa (abaixo) apresentação de vídeos em série por ele intitulada “O dinheiro e a ficção do dinheiro”.

Achei muito interessante o trecho em que Brizola Neto diz: “Meu avô me contava que, nos anos 50, a ideia de inflação era a de emissão de moeda ‘sem o suficiente lastro em ouro’”.

Lembrei-me do meu pai, que também me ensinou isso, e eu nunca havia atualizado esse conceito. Quer dizer, nesse sentido eu vivia, até horas atrás, nos anos 50.

Sobre a emissão de papel-moeda, fiz, em 2005, um comentário na lista da Universidade Nômade (antes de o Giuseppe Cocco me expulsar de lá devido a uma discussão que tive com a Caia Fittipaldi, que hoje é minha muito estimada amiga). Comentei sobre aquele casal de brasileiros evangélicos presos nos EUA, lembro-me que eu disse que os EUA provavelmente não se interessariam em receber de volta sua própria moeda podre, o dólar, fabricado numa indústria qualquer de papel e celulose e enviado para pagar propinas no resto do mundo. Extrapolei no comentário dizendo que os EUA preferem que fiquemos com aquele papel sem “lastro”; e eles, com as matérias básicas que fornecemos ao mundo e com os seus derivados. Lembro-me ainda que alguém me corrigiu sobre uma bobagem que realmente acabei dizendo mais adiante. Mas tudo que eu falava estava relacionado com essa questão: emissão de papel-moeda sem o devido fundo que assegurasse seu real valor, pois eu continuava pensando que a inflação seria gerada apenas pela emissão de dinheiro sem a devida garantia do Tesouro Nacional, que deveria ter ouro suficiente para estabelecer o real valor da moeda.

Não sou economista e nunca me interessei muito pela matéria. Estou sempre dependente das análises de especialistas.

Recomendo que você, leitor, leia a nota do Brizola Neto e assista aos vídeos por ele indicados. Creio que algumas pessoas muito bem informadas e os PhDs em qualquer coisa haverão de dizer que se trata de um filme para o “Jardim da Infância Bob Fields”; para mim, foi curso de pós-graduação.

Aí está a nota do Brizola Neto e, no final desta página, os vídeos por ele postados. Porém, antes de assisti-los, leia também o texto satírico que publiquei no diário espanhol La Insígnia naquele mesmo ano de 2005, intitulado “Renda per capita de Absurdil”. Quem sabe você vai conseguir resgatar algum conceito na área de Economia, o qual tenha sido revogado hoje de manhã no caixa de um banco, hein?!

Brizola Neto: O complicado discurso econômico muitas vezes encobre realidades que, explicadas de maneira simples, em seu contexto histórico são de uma clareza meridiana. Meu avô me contava que, nos anos 50, a ideia de inflação era a de emissão de moeda “sem o suficiente lastro em ouro”. Não é possível que alguém hoje, com conhecimento de economia repita este conceito, mas foi ele e sua maior referência até o fim da 2a. Guerra, quando a Conferência de Breton-Woods, em 1944, quando o padrão-ouro foi substituído pelo dólar como referência de valor nas relações econômicas mundiais.

Neste filme de animação, Paul Grignon explica a natureza do dinheiro, dos juros e do sistema bancário, e coloca questões fundamentais como: “Porque é que os governos optam por pedir dinheiro emprestado – com juros associados – aos bancos privados, quando poderiam simplesmente criar todo o dinheiro que necessitassem, sem quaisquer juros?” O filme me foi sugerido pelo leitor Paulo Bulgarelli, no Brizolaço, e achei tão legal e didático que resolvi partilhar com todos.

Posto aí em cima a parte 1, de cinco vídeos, legendados. A parte dois, a três, a quatro e a cinco e final podem ser acessadas clicando em cada link que aparece ao final do vídeo, na própria tela de exibição, na parte de baixo, onde aparecerá a parte seguinte, depois de você asistir cada capítulo.

Tijolaço

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Renda per capita de Absurdil


Fernando Soares Campos – Brasil, janeiro de 2005


Absurdil é uma republiqueta perdida entre o Atlântico e o Pacífico, lá todos os cidadãos pagavam a mesma taxa de imposto, não importava se o sujeito ganhava uma relíquia (RL$, a moeda corrente de Absurdil) ou mil relíquias, a taxa de imposto era a mesma: 20%.

A distribuição de renda em Absurdil somente podia ser comparada à de um certo país sul-americano, pois, dos seus 1010 habitantes, 1000 ganhavam RL$10,00/ano, cada; enquanto os 10 privilegiados cidadãos faturavam RL$10.000,00 anuais, cada. A renda bruta da população era, portanto, RL$110.000,00 anuais. Em cima disso, os cofres públicos de Absurdil arrecadavam RL$22.000,00 por ano, deixando para a população RL$88.000,00. Assim, a renda per capita líquida dos absurdileiros era de RL$87,12. Este era o quadro macroeconômico de Absurdil, e assim vivia seu povo, numa tranqüila e eterna infelicidade.

Um dia a população rebelou-se e colocou outro presidente no poder. Já nos primeiros momentos, o novo mandatário e seu gabinete ministerial trataram de acelerar o PIB que, há muitos anos, andava em baixa. O presidente correu mundo para vender os produtos absurdileiros no exterior. Conquistou mercados que nunca haviam sido bem explorados pelos governos anteriores. Incentivou a qualificação da mão-de-obra local e promoveu melhores condições de trabalho, além de apoiar o empresariado, combatendo o contrabando, estimulando pesquisas científicas e melhorando a qualidade dos seus produtos,. Esses foram alguns dos fatores que impulsionaram a economia de Absurdil. Foi tudo muito surpreendente, em pouco tempo, o país apresentou resultados estatísticos que assombravam os descontentes: superavit astronômico!, risco Absurdil despencando; era o mundo passando a acreditar e respeitar aquela ex-republiqueta casa-de-mãe-joana.

Chegada a hora, o novo governo, que havia prometido mudanças na área econômica e social do país, tomou as primeiras decisões: a partir daquele momento, os absurdileiro mais pobres passaram a ganhar RL$11,00 por ano, e, igualmente, foram aumentadas as rendas de cada um dos 10 privilegiados para RL$11.000,00 anuais. No entanto, a taxa de IR de Absurdil foi modificada: os menos favorecidos passariam a pagar 15% de IR e os privilegiados 30%. No primeiro ano de governo, a renda bruta da população bateu recorde:RL$121.000,00. Descontados RL$ 1.650,00 da renda total de RL$11.000,00 da camada mais desgraçada, e RL$33.000,00 dos privilegiados que ganhavam juntos RL$110.000,00 por ano, a população em geral ficou com RL$86.350,00, o que representou uma renda per capita de RL$85,49.

Entretanto os miseráveis ficaram menos miseráveis, passando a receber RL$9,35 líquidos por ano, quando recebiam RL$8,00, e os privilegiados continuaram com seus privilégios, só que um pouco menores, bobagem: RL$7.700,00 líquidos anuais, cada, contra os RL$8.000,00 que ganhavam no governo anterior. Mesmo começando a recuperar suas "perdas" com o aumento da produção e das novas oportunidades, os privilegiados chiaram. E chiaram muito!! Queriam o poder de volta. Precisavam convencer a população de que aquilo tudo era ruim para ela. Foi aí que tiveram uma brilhante idéia: pegaram as estatísticas do ano anterior e extraíram aquele item que indicava "queda" na renda per capita, em relação àquele período. Com esse suposto paradoxo econômico, os privilegiados gritaram veementemente para os absurdileiros mais pobres:

- Vocês foram enganados!!! A renda per capita caiu de RL$87,13 para RL$85,49.

Moral da história recente de Absurdil: Os números não mentem; quem mente são os numerólogos quando mexem nos seus numerários.

La Insígnia – diário espanhol

Não perca a série de vídeos indicada pelo Brizola Neto





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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Afeganistão: Relatórios secretos vazam e revelam conflito brutal

Foto Goran Tomasevic/Reuters

Afeganistão: quadro sem retoques

Guardian, UK (editorial)

Tradução: Caia Fittipaldi

A névoa da guerra é excepcionalmente densa no Afeganistão. No momento em que se dissipa, como hoje, com a publicação, pelo Guardian, de excertos de relatos secretos de militares dos EUA, revela-se paisagem muito diferente daquela a que nos habituamos. São relatos de guerra escritos no calor da hora e mostram um conflito no qual reinam a mais brutal confusão e todos os desacertos, sem qualquer plano ou projeto. Há muitas diferenças entre o que mostram esses documentos e a guerra organizada, bem embalada, da versão ‘pública’ dos comunicados oficiais e dos flashes necessariamente resumidos de jornalistas incorporados à tropa.

No material agora publicado há mais de 92 mil relatórios de ações dos militares norte-americanos no Afeganistão entre janeiro de 2004 e dezembro de 2009. Os arquivos foram distribuídos por Wikileaks, website que publica material não rastreável de várias fontes. Em colaboração com o New York Times e Der Spiegel, o Guardian trabalhou durante semanas nesse oceano e dados, até extrair deles a textura oculta e as histórias de horror humano que são o dia a dia da guerra.

Esse material teve de ser tratado como o que é: um relato contemporâneo ao conflito. Alguns dos relatórios de inteligência não têm fonte confirmada: alguns dos aspectos da contagem do número de mortes entre civis não parecem confiáveis. São relatos – classificados como secretos – enciclopédicos, mas incompletos. Foram removidas do que adiante se lê todas as informações que ponham em risco a segurança dos soldados, de informantes locais e de agentes colaboradores.

O quadro geral que emerge é extremamente perturbador. Há relatos de cerca de 150 incidentes nos quais as forças da coalizão, inclusive soldados britânicos, mataram e feriram civis, a maioria dos quais jamais divulgados; de centenas de confrontos de fronteira entre soldados afegãos e paquistaneses, de dois exércitos supostamente aliados; da existência de uma unidade de forças especiais cuja única missão é assassinar líderes Talibã e da al-Qaeda; do massacre de civis apanhados em locais onde aconteçam explosões das bombas de fabricação caseira dos Talibã; e uma longa lista de incidentes nos quais os soldados da coalizão atiraram uns contra os outros, também envolvendo soldados afegãos, com mortos e feridos.

Ao ler esses relatos, é fácil suspeitar de que reine por lá o mais absoluto descaso pela vida de inocentes. Um ônibus que não para para uma patrulha a pé é metralhado (4 passageiros mortos e 11 feridos). Os documentos contam como, na caça a um guerrilheiro local, uma unidade das Forças Especiais executou sete crianças. As crianças não eram prioridade. Relato assinalado “Noforn” (ing. not for foreign elements of the coalition, “proibido para elementos estrangeiros [não da coalizão, locais, portanto]”) sugere que a prioridade daquela unidade foi esconder, o mais rapidamente possível, o sistema de mísseis móveis que haviam usado na ação.

Nesses documentos, as agências de inteligência do Irã e do Paquistão organizam manifestações e tumultos. O Serviço Secreto do Paquistão (Inter-Services Intelligence, ISI) tem ligações com os mais conhecidos senhores-da-guerra. Diz-se que o ISI teria entregue 1.000 motocicletas a Jalaluddin Haqqani, um desses senhor-da-guerra, para serem usadas em ataques suicidas nas províncias de Khost e Logar, e que estariam implicados em sequência impressionante de ações, desde atentados contra a vida do presidente Hamid Karzai até o envenenamento dos carregamentos de cerveja para os soldados ocidentais. São relatos que não há como comprovar e é possível que sejam parte de uma barreira de falsa informação distribuída pelo serviço secreto afegão.

Mas a resposta da Casa Branca ontem – que negou que o exército paquistanês seja tão direta e especificamente ligado aos guerrilheiros locais – basta, para que se tenha de definir como inaceitável o status quo na guerra do Afeganistão.

Para a Casa Branca, os “paraísos seguros” para “terroristas” em território paquistanês continuam a ser “ameaça intolerável” às forças dos EUA. Sejam ou não, esse não é um Afeganistão que EUA ou Grã-Bretanha estejam a alguns meses de entregar, embrulhado em papel de presente e fitas cor-de-rosa, a um governo nacional soberano em Cabul. Antes, exatamente o contrário. Depois de nove anos de guerra, o caos, sim, ameaça tornar-se incontrolável. Guerra ostensivamente feita para conquistar corações e mentes afegãs não será vencida do modo como as coisas parecem estar, por lá.

Amanhã:
2 – Dos computadores de militares para um café em Bruxelas: como os documentos chegaram aos ativistas online contra a guerra do Afeganistão (em http://www.guardian.co.uk/world/2010/jul/25/wikileaks-war-logs-back-story)

FONTE: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/afeganistao-documentos-antes-secretos-revelam-conflito-brutal.html

domingo, 25 de julho de 2010

O dia em que Xuxa disse umas verdades a Serra



Bom... Apesar de eu ser da geração "Xow da Xuxa", a loura fabricada pela Globo é alguém que ignoro. Meu sonho nunca foi ser Paquita nem, muito menos, dar "beijinho, xau xau pra minha mãe, pro meu pai e pra você". Mas descobri hoje este vídeo, por absoluto acaso, e não poderia deixar de registrar que até perante ela o desastrado Serra já passou vergonha. Inclusive, a Globo, que adora um "Vale a pena ver de novo", bem podia reprisar, em horário nobre, essa edição do JN de 1998.

Ana Helena Tavares

O fim programado de Israel

O fim programado de Israel

Por Rui Martins (*)

Berna (Suiça) - Não se trata de uma bomba nuclear programada para arrasar Israel, coisa improvável mesmo se os iranianos tiverem a bomba, pois destruiria também os palestinos. É outro tipo de bomba, gerada na cama, entre gemidos e suspiros, é a bomba demográfica.

« O ventre da mulher árabe é a minha arma mais forte », dizia Yasser Arafat.

O jornal Expresso, de Lisboa, dedicou duas páginas, na semana finda, para essa questão, tantas vezes descartada pelos israelenses. As informações foram colhidas com o israelense Arnon Soffer, do departamento de Geografia da Universidade de Haifa. Se em Israel há quase seis milhoes de israelenses judeus, igual número de habitantes se obtém somando-se os árabes que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e dentro de Israel.

E a coisa se complica para Israel ao se saber que a população israelense cresce no ritmo de 1,3% ao ano, enquanto os árabes progridem em dobro, 2,5%. Atualmente, vivem dentro de Israel 20% de cidadãos árabes e muitos israelenses deixam o país anualmente em consequência da falta de segurança para o futuro da família.

Soffer argumenta haver três maneiras de se impedir que Israel passe a ter uma maioria de população árabe – voltar a encorajar a imigração de judeus para Israel (nos EUA vivem praticamente tantos judeus quantos os que vivem em Israel, 5.280 milhões; no Canadá são 374 mil e na Argentina e Brasil somam 280 mil e mais de 1.5 milhão na Europa); investir na educação das mulheres muçulmanas, já que normalmente têm menos filhos e não anexar a Cisjordânia, dentro do projeto de uma nação para dois povos.

Sergio Dellapergola, da Universidade Hebráica de Jerusalém, acha que a melhor solução seria a dos dois Estados, um israelense e outro palestino, mas depois de um acordo de mudanças de fronteiras pelo qual o Estado de Israel englobe as atuais colônias da Cisjordânia, onde vivem 300 mil colonos, em troca de parcelas de Jerusalém e da chamada Linha Verde, habitada por árabes.

Entretanto, essa solução possível no papel tem como ferrenhos opositores os judeus ultraortodoxos, ainda sonhando com o Grande Israel ou um retorno às antigas fronteiras bíblicas. Ora, segundo Soffer, se esta hipótese fosse viável, os judeus israelenses seriam minoritários, mesmo se os judeus ultraortodoxos têm também muitos filhos.

Diante da intransigência dos judeus ultraortodoxos que se negam a ceder a Cisjordânia aos palestinos, Soffer - conta o jornal Expresso - diz ter mais medo dos judeus fanáticos que dos árabes. E, repetindo o que muitos israelenses começam a pensar, afirma - "se depender de mim, meus netos não viverão num Estado religioso típico da Idade Média. Iremos todos viver em Portugal".

*Rui Martins é jornalista. Foi correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. É autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. É colunista do site "Direto da Redação" e vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, e com o blog "Quem tem medo do Lula?"

Charge: Carlos Latuff

O vice de Serra (e também a crise no jornalismo e as relações entre Venezuela e Colômbia)

O vice de Serra

Por Mario Augusto Jakobskind (*)

O emergente da Barra, Índio da Costa, imposto pelo Demo como vice de José Serra, em pouco mais de uma semana já mostrou em que time joga. É jovem para a política, mas velho no ideário, pois está sintonizado na linguagem da Guerra Fria, que tanto mal causou ao Brasil. Resta agora saber exatamente que setores o instruíram para lançar as baboseiras que anda dizendo. Este Índio inclusive envergonha a etnia indígena, porque o seu nome associa negativamente a esse grupo que faz parte da nacionalidade brasileira. E depõe também contra o Rio de Janeiro.

Na verdade, a cria de Cesar Maia é um exemplo concreto da mediocridade da direita brasileira, que quando se vê em momento de aperto, no caso em função da campanha eleitoral, apela para tudo, inclusive a mentira e a manipulação da informação, imaginando que com isso obterá dividendos eleitorais.

Os argumentos levantados pelo (tiremos o índio em homenagem aos indígenas) da Costa são oriundos do manancial programático da CIA na América Latina e que Serra também encampou. Na verdade o candidato do PSDB começou com a história de narcotráfico tentando envolver o governo boliviano. Não colou, apenas demonstrou o perigo para a integração latino-americana que representa o ideário tucano.

Associar a esquerda na América Latina com o narcotráfico, como fez da Costa em relação ao PT e as Farcs, faz parte do jogo de queimar a imagem de grupos que não aceitam o ideário da potência hegemônica. É o que fez o deputado da Costa, o que não chega a ser propriamente uma novidade. No mesmo diapasão da direita se insere o recente pronunciamento do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Alejandro Aguirre. Este dirigente máximo da entidade que representa o patronato midiático das Américas gratuitamente destilou ódio contra o Presidente Lula, considerando-o um dos “falsos democratas” da região. Aguirre também se valeu do linguajar da Guerra Fria para atacar o Presidente brasileiro.

A crise no jornalismo

Na verdade, os integrantes da SIP, responsáveis pelo jornalismo de mercado que se lê, vê e ouve na região, andam muito preocupados com ampliação dos debates sobre a mídia na região e que o Brasil começa a dar os primeiros passos, sobretudo depois da realização da I Confecom (Conferência Nacional de Comunicação).

O setor impresso vive uma crise de graves proporções, que se manifesta com o fim de publicações seculares. No Rio de Janeiro, o exemplo mais recente foi o Jornal do Brasil, que acabou de anunciar o fim do impresso a partir de 1 de setembro próximo. Nos últimos dez ou 20 anos, antes mesmo da internet, o panorama não tem sido diferente. No ano passado, por exemplo, um jornal do município fluminense de Campos, o Monitor Campista, dos Diários Associados, fechou depois de 175 anos de existência. Com a Gazeta Mercantil em São Paulo aconteceu o mesmo e assim sucessivamente.

Mas o senhor Aguirre não está nem aí para essas coisas e só faz criticar quando em vários países o tema mídia entra em debate e são questionadas as facilidades concedidas ao setor.

Agora, mais do que lamúrias de sempre, o importante é aprofundar o debate sobre o tema e enfrentar a crise no setor impresso, pensar na criação de impressos que contribuam para romper com o esquema do pensamento único, cada vez mais acentuado no jornalismo de mercado. Uma das teses já surgidas e que tem por objetivo enfrentar a situação adversa é a criação de uma Fundação do Jornalismo Público, impresso. Na área audiovisual, em dezembro de 2007, foi criada a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que se consolida. É claro que a idéia enfrenta resistência exatamente nos setores conservadores alinhados com a SIP, que temem a possibilidade do contraponto. Não percam por esperar, vão usar a velha e surrada cantilena de sempre, ou seja, de que a proposta vai acarretar restrições à liberdade de imprensa, quando é exatamente o contrário que acontecerá se for incrementada.

A discussão deve ser aprofundada. Não se pode esquecer que neste momento o Rio necessita de um jornal impresso diário, até para enfrentar a monopolização representada pelas Organizações Globo, por sinal proprietária numa mesma região de rádio, televisão e jornal, uma prática impedida de acontecer pela legislação de muitos países. Que grupo privado está disposto a criar um novo jornal concorrente de O Globo? Nenhum, em princípio.

E porque não o Estado brasileiro impulsionar a criação de uma mídia pública impressa, sob o controle da sociedade? Nada a ver com jornalismo chapa branca, que muitas vezes quem faz é exatamente a mídia de mercado que se ajoelha para receber publicidade do Estado. Com isso se estará matando vários coelhos em uma só cajadada, ou seja, se enfrentará o pensamento único e se ampliará o mercado de trabalho. Afinal, é dever do Estado zelar para que os brasileiros tenham direito à informação, um direito humano reconhecido em fóruns internacionais, sem imposições financeiras de nenhuma espécie. E isso resultará, sem dúvida, no avanço do processo democrático.

Venezuela e Colômbia

Em tempo: a denúncia (o certo é entre aspas) de Uribe segundo a qual a Venezuela abriga integrantes das Farcs em seu território remete às armas de destruição em massa que precederam a invasão e ocupação do Iraque. São as tais mentiras históricas que depois de “cumprida a missão” caem no esquecimento ou são simplesmente desmentidas.

Aspas para Hugo Chávez: as Farcs deveriam procurar outro caminho, pois o da luta armada, que foi uma opção nos anos 60, não serve mais para alcançar as transformações sociais. Aí está o Presidente do Uruguai, Jose Mujica, que pegou em armas e nos tempos atuais percorreu o caminho político institucional até se eleger em novembro do ano passado, depois de passar pelo Senado e ser Ministro.

*Mário Augusto Jakobskind é jornalista, mora no Rio de Janeiro e é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de S. Paulo e editor de Internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do semanário Brasil de Fato. É autor, dentre outros livros, de “América que não está na mídia” e “Dossiê Tim Lopes – Fantástico / Ibope”. É colunista do site “Direto da Redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.

A charge de Serra e seu vice é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

Zé Melo no Espoca-Velha

Zé Melo no Espoca-Velha

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

Quando cheguei no aeroporto Eduardinho, em Manaus, às 6 horas da manhã dessa quarta-feira, a primeira coisa que vi foi a careca do candidato a vice-governador, José Melo Merenda (PMDB – vixe, vixe). Fiquei em pânico. Senti que a presença dele ali, naquele momento, era uma ameaça ao curso de História do Médio Rio Negro que eu ia dar para professores e lideranças indígenas em Barcelos.

- “Minha santa periquita! Não vou poder viajar. Meu requerimento, dessa vez, vai ser indeferido” – pensei, sem tirar os olhos de cada passo do Melo Merenda, que estava inquieto, caminhando de lá pra cá, como um leão sem juba dentro de uma jaula.

O requerimento em questão é uma estratégia para dominar o medo de viajar de avião. Foi inventado pelo meu amigo Marcus Barros, ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas e ex-diretor do IBAMA, na época em que ele e eu fazíamos parte do sindicato nacional dos professores universitários e viajávamos muito. Com o requerimento, conseguíamos dominar o nosso medo, que algumas vezes beirava ao pânico. Seu uso pode ser útil aos que sofrem da mesma fobia.

Trata-se de uma técnica simples que, de saída, procura identificar as causas do temor de um acidente aéreo. Descobrimos que a origem do nosso era o receio de uma punição divina – merecida, diga-se de passagem – pelos pecados que cometemos. Marcus agora anda mais calmo, mas pecava muito contra o 6º mandamento. Mais tímido, eu também, na minha juventude, andei pecando, embora só em pensamento, contra o 9º mandamento, sobretudo quando o próximo não estava próximo. De qualquer forma, éramos dois pecadores.

- Parceiro, quem entra num avião carrega consigo os próprios pecados. Aí, se todos os assentos forem ocupados apenas por pecadores, o peso dos pecados, auxiliado pela lei da gravidade, vai derrubar o avião. Precisamos de crianças inocentes viajando que funcionem como contrapeso – dizia Marcus, com o olho rútilo e os lábios trêmulos. Fazia sentido. Tinha lógica. Por isso, a gente ficava com o pescoço francês na mão, quando embarcava num avião.

Vai daí que no momento do check-in, procurávamos observar se havia crianças embarcando. Em caso afirmativo, a gente ficava aliviado e impetrava uma espécie de habeas corpus preventivo, numa conversa olho no olho com o Todo Poderoso. Fazíamos um requerimento oral em forma de oração, com as seguintes palavras:

Excelentíssimo Sr. Todo Poderoso,

Os abaixo assinados se dirigem a Vossa Excelência para expor e requerer o que segue.

Considerando:

1. Que os requerentes sempre obedeceram oito dos dez mandamentos;
2. Que a carne é fraca, e os requerentes, algumas vezes, transgrediram o 6º e o 9º mandamentos, que são os mais fáceis de ser perdoados;
3. Que os requerentes estão profundamente arrependidos e fazem firme propósito de emenda;
4. Que alguns passageiros deste voo são criancinhas e, em caso de acidente aéreo, pagarão pelos nossos pecados, o que não é justo;

Diante dos fatos aqui expostos, requerem:
1. Que o Senhor Todo Poderoso tenha piedade dessas crianças inocentes e não deixe o avião cair.

Nesses termos

Pedem Deferimento

Diante de argumento tão convincente, o Supremo Arquiteto do Universo sempre deferiu o pedido, porque não podia permitir que o justo pagasse pelo pecador. Com o medo assim dominado, viajávamos com tranquilidade.

Acontece, leitor (a) que nessa quarta-feira não havia uma só criança no salão de embarque, o que já me deixou nervoso. E ainda por cima, lá estava o Zé Melo Merenda, que transgrediu quase todos os mandamentos, carregando consigo toneladas de pecados. Aquele aviãozinho da Trip não aguentaria sobrevoar com os pecados do Melo.

O José Melo foi agente da Assessoria Especial de Informação da UFAM (AESI) na época da ditadura militar e levantou falso testemunho, transgredindo o 8º mandamento. Ainda por cima pecou contra o 11º mandamento, que não estava escrito na tabua de Moisés, mas faz parte da tradição oral: “Não dedurarás teu próximo”. Mas seus pecados cabeludos foram cometidos quando ele era secretário de educação e estão relacionados aos ovos da merenda escolar.

Na época, o deputado Luis Fernando Nicolau denunciou o desvio de duas mil toneladas da merenda escolar, no valor, então, de R$ 6 milhões, o equivalente a 215 caminhões entupigaitados de alimentos. Acusou diretamente o governador Amazonino e seu secretário de educação José Melo como responsáveis pelo desfalque.

O Tribunal de Contas da União (TCU) fez uma auditoria, procurando os ovos nas notas de empenho e nas notas fiscais. Descobriu que a SEDUC pagou por eles um preço muito superior aos valores do mercado e que os ovos do Melo eram superfaturados. Os auditores visitaram as escolas do Amazonas, na hora do recreio, para ver se os ovos eram hipernutritivos e constataram que não estavam sendo consumidos. Deram uma incerta nos armazéns das empresas fornecedoras, que eram os fiéis depositários das mercadorias, e nada encontraram. Os ovos desapareceram.

Na realidade, muitos alimentos, incluindo ovos e suco concentrado, nunca chegaram à rede escolar, embora tivessem sido pagos antecipadamente. O TCU concluiu que houve superfaturamento na compra de alimentos com recursos do governo federal durante as administrações dos secretários Manoel Veríssimo e José Melo. Na época, o repórter Serginho Bartholo registrou o voto do ministro relator do processo, Paulo Afonso Oliveira, que considerou improcedentes as explicações de Melo e Verissimo.

Por isso, leitor, quando vi o José Melo no Eduardinho, carregando com ele o peso de várias toneladas de merenda escolar e os recursos desviados da Fundação de Assistência ao Estudante (FADE), tremi nas bases. “Se ele entrar no avião, eu não viajo, não corro esse risco nunca” - pensei, ainda mais porque não havia crianças no pedaço, me impossibilitando de usar o requerimento. Alguém aumentou meu pânico, dizendo que o ex-governador Eduardo Braga também ia viajar com o Melo em campanha pelo interior.

“Danou-se!” – pensei. Zé Melo e Eduardo Braga juntos no mesmo avião – o Dudu depois da variação patrimonial declarada no Imposto de Renda – é uma bomba na iminência de explodir. Felizmente para todos os passageiros, os dois tomaram um jatinho particular, nos livrando da companhia indesejada. Parece, no entanto, que o destino do Melo era o mesmo que o meu: Barcelos. Ontem à noite, no forró do ‘point’ de Barcelos, um barzinho chamado Espoca-Velha, vi uma careca parecida com a dele sacolejando o esqueleto e rodopiando no salão de dança. Eu, ein, Rosa? Vade retro, capiroto!

*José Ribamar Bessa Freire é antropólogo, natural de Manaus e assina no “Diário do Amazonas” coluna semanal tida como uma das mais lidas da região norte. Reside no Rio de Janeiro há mais de 20 anos e é professor da UERJ, onde coordena o programa “Pró-Índio”. Mantém o blogTaqui pra tie é colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

Ilustração: Atroz

sábado, 24 de julho de 2010

Tucano doido filia Serra ao PT no site do PSDB


Do Tijolaço

Parece que, atualmente, as coisas só dão certo para o Serra no Datafolha. Além de tomar dez dias de direito de resposta por ter veiculado as infâmias do Da Costa, agora o site de campanha do PSDB simplesmente “filiou” o seu candidato a presidência ao PT.

Mais curioso ainda é que parecem ter abilolado de vez: primeiro colocam como “frase do dia” a besteira (ou ato falho) dita por Serra numa entrevista a TV Brasil: “Num torneio, a candidata do governo perde no quesito más companhias”. Aí, o redator, atucanado com as palavras do “chefe”, assina o autor da pérola: “Por José Serra, candidato do PT à presidência.”

Mais tarde, bem mais tarde, o site do partido explicou que houve um deslize, um erro de digitação, conforme matéria publicada na edição deste sábado do Jornal do Brasil.

Fico imaginando como pode haver erro de digitação neste caso. Melhor supor que foi ato falho de quem digitou, que este alguém foi traído pelo subconsciente, algo assim. PT, duas letras, PSDB, quatro letras, como pode alguém teclar errado? Bem, inventaram uma desculpa esfarrapada.

A verdade é que está todo mundo batendo cabeça no arraial da direita. Dos caciques aos simples índios – inclusive o Da Costa – estão todos iguais àquele ratinho do desenho , o “Cérebro”, cada um com uma ideiazinha genial de “como dominar o mundo”. E pode creer, quando a coisa fica assim, é desastre atrás de desastre.

Enquanto isso, Dilma percorre o caminho traçado lá atrás, sem sustos. Apenas mostra a cada dia que está preparada para suceder o presidente Lula.

Sem alarde, sem ofensas, sem ressentimentos.

Daqui a poucos dias, no terreno que nós, da infantaria, estamos abrindo a fogo e paixão,a batalha vai ser decidida com a entrada da artilharia pesada, com sua força irresistível.

Entrará em cena a força do povo, que se reconhece hoje em Luís Inacio Lula da Silva.

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