Venezuela e Colômbia deram os primeiros passos no sentido de um entendimento. Os presidentes Hugo Chávez e Juan Manuel Santos se encontraram e restabeleceram relações diplomáticas entre os seus países. Provavelmente quem não deve ter gostado é o agora ex-Presidente Álvaro Uribe, que ingressou atabalhoadamente no Tribunal Penal Internacional acusando o dirigente venezuelano de permitir o ingresso de integrantes das Farcs em território da Venezuela, o que foi negado inúmeras vezes por Chávez, que já sugeriu ao grupo insurgente deixar as armas e adotar outra estratégia para conseguir tornar a Colômbia num país mais justo socialmente e menos desigual como agora.O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI
A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Apesar de Uribe
Venezuela e Colômbia deram os primeiros passos no sentido de um entendimento. Os presidentes Hugo Chávez e Juan Manuel Santos se encontraram e restabeleceram relações diplomáticas entre os seus países. Provavelmente quem não deve ter gostado é o agora ex-Presidente Álvaro Uribe, que ingressou atabalhoadamente no Tribunal Penal Internacional acusando o dirigente venezuelano de permitir o ingresso de integrantes das Farcs em território da Venezuela, o que foi negado inúmeras vezes por Chávez, que já sugeriu ao grupo insurgente deixar as armas e adotar outra estratégia para conseguir tornar a Colômbia num país mais justo socialmente e menos desigual como agora.domingo, 25 de julho de 2010
O vice de Serra (e também a crise no jornalismo e as relações entre Venezuela e Colômbia)
O emergente da Barra, Índio da Costa, imposto pelo Demo como vice de José Serra, em pouco mais de uma semana já mostrou em que time joga. É jovem para a política, mas velho no ideário, pois está sintonizado na linguagem da Guerra Fria, que tanto mal causou ao Brasil. Resta agora saber exatamente que setores o instruíram para lançar as baboseiras que anda dizendo. Este Índio inclusive envergonha a etnia indígena, porque o seu nome associa negativamente a esse grupo que faz parte da nacionalidade brasileira. E depõe também contra o Rio de Janeiro.Na verdade, a cria de Cesar Maia é um exemplo concreto da mediocridade da direita brasileira, que quando se vê em momento de aperto, no caso em função da campanha eleitoral, apela para tudo, inclusive a mentira e a manipulação da informação, imaginando que com isso obterá dividendos eleitorais.
Os argumentos levantados pelo (tiremos o índio em homenagem aos indígenas) da Costa são oriundos do manancial programático da CIA na América Latina e que Serra também encampou. Na verdade o candidato do PSDB começou com a história de narcotráfico tentando envolver o governo boliviano. Não colou, apenas demonstrou o perigo para a integração latino-americana que representa o ideário tucano.
Associar a esquerda na América Latina com o narcotráfico, como fez da Costa em relação ao PT e as Farcs, faz parte do jogo de queimar a imagem de grupos que não aceitam o ideário da potência hegemônica. É o que fez o deputado da Costa, o que não chega a ser propriamente uma novidade. No mesmo diapasão da direita se insere o recente pronunciamento do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Alejandro Aguirre. Este dirigente máximo da entidade que representa o patronato midiático das Américas gratuitamente destilou ódio contra o Presidente Lula, considerando-o um dos “falsos democratas” da região. Aguirre também se valeu do linguajar da Guerra Fria para atacar o Presidente brasileiro.
A crise no jornalismo
Na verdade, os integrantes da SIP, responsáveis pelo jornalismo de mercado que se lê, vê e ouve na região, andam muito preocupados com ampliação dos debates sobre a mídia na região e que o Brasil começa a dar os primeiros passos, sobretudo depois da realização da I Confecom (Conferência Nacional de Comunicação).
O setor impresso vive uma crise de graves proporções, que se manifesta com o fim de publicações seculares. No Rio de Janeiro, o exemplo mais recente foi o Jornal do Brasil, que acabou de anunciar o fim do impresso a partir de 1 de setembro próximo. Nos últimos dez ou 20 anos, antes mesmo da internet, o panorama não tem sido diferente. No ano passado, por exemplo, um jornal do município fluminense de Campos, o Monitor Campista, dos Diários Associados, fechou depois de 175 anos de existência. Com a Gazeta Mercantil em São Paulo aconteceu o mesmo e assim sucessivamente.Mas o senhor Aguirre não está nem aí para essas coisas e só faz criticar quando em vários países o tema mídia entra em debate e são questionadas as facilidades concedidas ao setor.
Agora, mais do que lamúrias de sempre, o importante é aprofundar o debate sobre o tema e enfrentar a crise no setor impresso, pensar na criação de impressos que contribuam para romper com o esquema do pensamento único, cada vez mais acentuado no jornalismo de mercado. Uma das teses já surgidas e que tem por objetivo enfrentar a situação adversa é a criação de uma Fundação do Jornalismo Público, impresso. Na área audiovisual, em dezembro de 2007, foi criada a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que se consolida. É claro que a idéia enfrenta resistência exatamente nos setores conservadores alinhados com a SIP, que temem a possibilidade do contraponto. Não percam por esperar, vão usar a velha e surrada cantilena de sempre, ou seja, de que a proposta vai acarretar restrições à liberdade de imprensa, quando é exatamente o contrário que acontecerá se for incrementada.
A discussão deve ser aprofundada. Não se pode esquecer que neste momento o Rio necessita de um jornal impresso diário, até para enfrentar a monopolização representada pelas Organizações Globo, por sinal proprietária numa mesma região de rádio, televisão e jornal, uma prática impedida de acontecer pela legislação de muitos países. Que grupo privado está disposto a criar um novo jornal concorrente de O Globo? Nenhum, em princípio.
E porque não o Estado brasileiro impulsionar a criação de uma mídia pública impressa, sob o controle da sociedade? Nada a ver com jornalismo chapa branca, que muitas vezes quem faz é exatamente a mídia de mercado que se ajoelha para receber publicidade do Estado. Com isso se estará matando vários coelhos em uma só cajadada, ou seja, se enfrentará o pensamento único e se ampliará o mercado de trabalho. Afinal, é dever do Estado zelar para que os brasileiros tenham direito à informação, um direito humano reconhecido em fóruns internacionais, sem imposições financeiras de nenhuma espécie. E isso resultará, sem dúvida, no avanço do processo democrático.
Venezuela e Colômbia
Em tempo: a denúncia (o certo é entre aspas) de Uribe segundo a qual a Venezuela abriga integrantes das Farcs em seu território remete às armas de destruição em massa que precederam a invasão e ocupação do Iraque. São as tais mentiras históricas que depois de “cumprida a missão” caem no esquecimento ou são simplesmente desmentidas.Aspas para Hugo Chávez: as Farcs deveriam procurar outro caminho, pois o da luta armada, que foi uma opção nos anos 60, não serve mais para alcançar as transformações sociais. Aí está o Presidente do Uruguai, Jose Mujica, que pegou em armas e nos tempos atuais percorreu o caminho político institucional até se eleger em novembro do ano passado, depois de passar pelo Senado e ser Ministro.
*Mário Augusto Jakobskind é jornalista, mora no Rio de Janeiro e é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de S. Paulo e editor de Internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do semanário Brasil de Fato. É autor, dentre outros livros, de “América que não está na mídia” e “Dossiê Tim Lopes – Fantástico / Ibope”. É colunista do site “Direto da Redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.
A charge de Serra e seu vice é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".
sábado, 24 de julho de 2010
América Latina - O novo Oriente Médio dos EUA - Colômbia, a porta de entrada
O mega traficante Álvaro Uribe encerra seu segundo mandato no dia 7 de agosto. Entrega o cargo ao novo presidente colombiano, seu aliado e de seu partido. Uribe tentou a todo custo um terceiro mandato. Não o conseguiu por duas razões simples. A primeira delas a fratura junto aos colombianos seria de tal ordem que as guerrilhas insurgente das FARCs e do ELN seriam fortalecidas pelo descontentamento popular. E segundo por conta dos documentos liberados por organismos do seu principal aliado, os EUA, ligando-o desde o início de sua carreira política ao tráfico de drogas.Seria incômodo a qualquer presidente dos EUA ter que explicar aos acionistas e o entorno que habita o complexo empresarial e militar daquele país a presença de um traficante na presidência do maior aliado latino-americano.
A denúncia de Uribe sobre a presença de guerrilheiros das FARCs e do ELN em território da Venezuela tem dois aspectos também. Em setembro serão realizadas eleições na Venezuela e as pesquisas indicam vitória do partido do presidente Chávez. É sistemática a ação golpista dos norte-americanos em países que não se curvam (como se curva a Colômbia de Uribe) ao império terrorista de Washington. E segundo, no final do mandato, garantir um lastro de apoio político para evitar qualquer problema futuro com seu envolvimento no tráfico de drogas e assassinatos constantes de lideranças de oposição.
Para levantar a opinião pública colombiana basta apelar para o acendrado e canalha patriotismo dos militares (boa parte ligada ao tráfico de drogas) e contar com o apoio de Washington.
O império terrorista norte-americano vive uma de suas maiores crises e sob a perspectiva da História começa a encarar o declínio. As guerras constantes em sua trajetória se mostram hoje necessárias à sobrevivência de todo o conglomerado terrorista dos EUA.
Num contexto de tempo e espaço diversos se começa a viver a situação de bipolaridade mundial. Se antes era EUA versus UNIÃO SOVIÉTICA, hoje os EUA se defrontam com a China e os chineses descobriram o remédio capitalista para enfrentar o gigante da América.
Esse jogo é do agrado tanto dos EUA, como da China.
Manter o controle sobre países que consideram satélites, caso dos países latino-americanos, é fundamental. Já têm o domínio da totalidade da Europa, um continente falido e cercado de bases militares da farsa OTAN por todos os lados.
Uma guerra no Afeganistão, uma guerra no Iraque, o Oriente Médio sob o tacão nazi/sionista de seu principal aliado, Israel. E agora governos independentes de Washington na América Latina.
Anexaram o México como colônia de segunda categoria (historicamente fazem isso desde a tomada a Califórnia, do Texas e outros territórios mexicanos). Têm o Canadá como colônia de primeira categoria. Promovem golpes em países como Honduras, instalam bases militares na Costa Rica (“sem a polícia sem a milícia...”) e numa realidade sustentada por um arsenal nuclear capaz de destruir o mundo cem vezes, se impõem na chantagem da democracia, da liberdade que pode ser desmontada na versão armas químicas e biológicas de Saddam Hussein. Ao final não passavam de velhos fuzis de um exército brancaleônico de um ditador inventado pelos EUA.
Querem um novo Oriente Médio, recheado de bases militares, com o controle político e econômico da América Latina, um processo de recolonização que se materializa em governantes corruptos como Álvaro Uribe ou Pepe Lobo em Honduras e outros tantos.
Hoje, têm o controle da grande mídia nos países latino-americanos (“não queremos prejudicar os nossos amigos norte-americanos” – William Bonner explicando a alunos e professores de uma universidade paulista porque determinado fato não seria noticiado no JORNAL NACIONAL). Influenciam e comandam a maior parte das forças armadas de países latino-americanos (inclusive as brasileiras) e desnecessário dizer que o grande empresariado, banqueiros e latifundiários em qualquer país dessa parte do mundo é adereço desse modelo.
O que está em jogo é a sobrevivência do império terrorista norte-americano.
Se a América Latina e os povos latino-americanos não se curvarem um novo Oriente Médio está para ser criado. A Colômbia é a porta de entrada dessa barbárie.
A “classificação” de movimento “terrorista” aplicada às FARCs-EP foi uma decisão do presidente George Bush. As Nações Unidas enxergam as FARCs-EP como movimento “insurgente”.
A satanização de alguns países, seus governos e dos movimentos populares em todos os cantos do mundo foi o modo escolhido por um primata que presidiu os EUA por oito anos, Bush, a partir de uma fraude eleitoral, é a velha conversa de criar um fato irreal e a partir dele gerar uma verdade/mentira.
No caso da Colômbia, Enrique F. Chiappa, em “A NOVA DEMOCRACIA”, ano VIII, nº 65, maio de 2010, usa a expressão falso/positivo. Ilustra-a, para esclarecer, com o exemplo de um diagnóstico médico. Uma doença “infectocontagiosa potencialmente letal diagnosticada erroneamente.” O caso de uma pessoa que convive anos com um diagnóstico equivocado e num momento percebe o erro médico.
Falso/positivo é a realidade criada pelos EUA e sustentada pela mídia podre de países latino-americanos, no apoio a governos títeres e terroristas como o de Álvaro Uribe. O ser traficante de drogas é uma espécie de preço que cobra aos EUA, a tolerância silenciosa em função do interesse maior.
Quando o embaixador dos EUA no Brasil, durante o governo terrorista de Garrastazu Medice relatou ao presidente Nixon os horrores da tortura praticada por militares no País, ouviu em resposta – “é uma pena, mas temos que levar em conta que ele é um aliado importante” –.
Num determinado momento da história da Colômbia os movimentos insurgentes depuseram armas e transformaram-se em partidos políticos. Um acordo firmado entre o governo central e as forças rebeldes. Passadas as eleições onde conquistaram várias cadeiras no Congresso, em assembléias departamentais, prefeitos e autoridades outras, mais de três mil eleitos foram assassinados.
Contrariavam os interesses de elites e militares no grande negócio do estado terrorista da Colômbia, o tráfico de drogas.
No bombardeio de um acampamento de estudantes e insurgentes no Equador, em 2008, o governo colombiano afirmou ter encontrado um computador de Raul Reys, chanceler das FARCs-EP, onde estavam as provas das ligações do governo Chávez com a guerrilha.
Um mês depois não se falava no assunto. Peritos de todas as partes do mundo foram unânimes em afirmar que o computador fora alterado por agentes do governo colombiano.
As fotos de guerrilheiros em território venezuelano foram feitas por satélites norte-americanos. A tecnologia da mentira e da destruição permite a eles que, no arsenal que destrói o mundo cem vezes, coloquem os guerrilheiros em qualquer parte do mundo. Na Venezuela, no Brasil, onde quer que os interesses terroristas dos EUA falem mais alto.
Os últimos vagidos do governo Uribe mostram esse desespero em busca da sobrevivência política em seu país e o submundo terrorista dos EUA, que corre por baixo da Casa Branca, com a conivência da Casa Branca.
A Colômbia e um país governado pelo narcotráfico e por terroristas garantidos pelas bases militares dos EUA. Não é nem surpresa, pois militares norte-americanos estão envolvidos em tráfico de drogas e mulheres no Iraque, no Afeganistão e países do Leste Europeu, a denúncia ecoa entre os próprios governos colonizados da Europa, preocupados com eleições futuras.
Um narcotraficante incomoda muito menos que um insurgente. E além do que gera dinheiro para os cofres de banqueiros. Na lógica capitalista de exploração do homem pelo homem, diagnóstico de Marx, gera empregos, expande o comércio, etc, e tal.
O tráfico de drogas não é e nem nunca foi o Morro do Alemão no Brasil, ou qualquer morro colombiano. É o presidente de um país chamado Colômbia criado e gerado por Pablo Escobar e vai por aí afora, nessa dimensão.
Existem muitas “colômbias” nesse sentido.
Pode-se até fazer uso da frase de Paulo Maluf quando candidato a uma das muitas eleições que disputou – “quer estuprar estupra, mas não mata”. Quer traficar, trafica, mas patrioticamente em defesa da democracia e dos “negócios” dos EUA”.
Quando da guerra de invasão, ocupação e saque do petróleo iraquiano, diante da resistência inicial de alguns setores daquele país, o secretário de Defesa de Bush afirmou à imprensa que a “operação militar” mudaria de nome. Ao invés de “justiça e liberdade” passaria naquele momento à fase “choque e pavor”. “Negócios” para os norte-americanos pode ser também uma questão de terminologia.
Isso, para eles, é irrelevante. Soa ao mundo inteiro da mesma forma que soou aos iraquianos. Com a diferença que iraquianos viveram o “choque e pavor” na própria pele, vivem ainda. E o resto do mundo escutou o senso de “justiça e liberdade” dos EUA.
Ou já nos esquecemos das imagens de tortura em prisões do Iraque? Do saque das peças do museu babilônico? As tropas de Hitler tentaram colocar as mãos em várias peças do museu do Louvre, na ocupação durante a 2ª Grande Guerra, para exibi-las no Museu de Berlim. As peças do museu babilônico estão em museus privados de New York.
GUERNICA, o monumental painel de Picasso retratando a barbárie fascista de Franco na Espanha, só chegou aos espanhóis com o fim da ditadura.
Quando um paspalho como Índio da Costa, vice de José Arruda Serra, fala sobre envolvimento do governo brasileiro e seu partido com as FARCs-EP e com o narcotráfico, não o faz por iniciativa própria. É só um avião com diploma de primeiro, segundo e terceiro graus dos donos, tentando criar um debate irreal, mentiroso, dentro de uma lógica colonizadora (“para onde se inclinar o Brasil se inclinará a América Latina” – Richard Nixon) e no momento que os boss mandam.
Por ser um paspalho e empregado desse modelo, é mais cômodo para os de cima que ele fale.
Na Colômbia existe um estado de terror. Lideranças sindicais, camponesas, de partidos de oposição, são sistematicamente assassinadas. Estão dentro do que chamam mundo institucional. Da “ordem e da lei”. Mas não curvam à entrega do país aos colonizadores de Washington e tampouco aos grupos militares e para-militares que sustentam o governo do tráfico.
Felipe Zuleta em um documentários “UM CRIMEM QUE SE PAGA CON LA MUERTE”, mostra a história do terrorismo oficial. Toda a barbárie do governo colombiano contra a população civil indefesa.
Duas mães cujos filhos foram assassinados pelo terrorismo do tráfico de Uribe e que recebem a versão oficial que a guerrilha matou seus filhos. Perdura até que uma vala comum mostra que, ao contrário, o governo assassinou os rapazes. Esse mesmo governo muda a versão. “Os filhos eram guerrilheiros”.
O tráfico continua impune. Isso não vai sair nunca no JORNAL NACIONAL, ou na FOLHA DE SÃO PAULO, ou em VEJA, pois são cúmplices. Um dos papéis que lhes cabe cumprir é exatamente o de esconder fatos assim, corriqueiros na Colômbia e imputar aos resistentes, quaisquer que sejam, os crimes do tráfico.
O fato aconteceu na cidade de Soacha, próxima a Bogotá e com 400 mil habitantes.
Mario Montoya, general e democrata colombiano é um dos implicados em assassinatos de civis, trabalhadores escravos (no tráfico) e acaba tendo que renunciar. Como prêmio, virou embaixador.
Valas com corpos de desaparecidos são encontradas com freqüência em áreas não controladas pelas FARCs-EP ou pelo ELN. Uribe chegou a admitir que alguns militares estavam envolvidos “nesses assassinatos”. Escolheu os bodes expiatórios e pronto, tudo continua tranqüilo.
Envolver Chávez e gerar uma realidade mentirosa sobre as FARCs-EP e os ELN (última guerrilha criada por Chê Guevara) é uma jogada. Só isso. Nada além disso.
Um passo na sistemática política golpista contra o presidente da Venezuela, uma tentativa de criar um Oriente Médio na América Latina.
Por que? Para que possam, à semelhança do que fazem naquela parte do mundo, ocupar, saquear e controlar a partir de bases militares, governos servis e corruptos, o que fazem também na Europa, Ásia e África.
O complexo terrorista da empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A não tem escrúpulo algum. Suas garras e tentáculos são maiores e bem mais cruéis do que se possa imaginar.
Não importa que um piloto do alto e de dentro da cabine de seu avião imagine que uma cerimônia de casamento no Afeganistão seja um aglomerado de “terroristas do Talibã”. Ele os mata e um pedido de desculpas é emitido em nota fria e insensível de uma organização terrorista – EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A –. Lido em todos os cantos pela mídia dócil e venal.
E enquanto isso, milhões de norte-americanos vivem na linha da miséria, desabrigados, sem educação pública, saúde, mas os grandes conglomerados que controlam a Casa Branca pagam, com dinheiro desses milhões, os tais bônus por desempenho.
O nome desse desempenho é terrorismo, com todas as suas implicações. Assassinatos, seqüestros, estupros, tortura, atentados, muros e campos de concentração, toda a barbárie que é intrínseca aos EUA e ao sionismo.
E no final são só “negócios”. Mas nesse caso nem há a frase clássica da máfia. “Nada pessoal, são só negócios”. Não consideram como seres humanos, pessoas, os de outros cantos que não os dos EUA e Israel e mesmo assim nem todos. Acreditam-se ungidos como povo eleito, superior.
Tudo igualzinho a Hitler.
A luta do povo e do governo venezuelano é a luta dos povos latino-americanos. E não tem essa de o Zorro chegar e salvar. Não.
Exige consciência, organização e capacidade de resistência, sob pena de nos transformamos em adereço da coroa imperial da organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.
Para quem acha que COLGATE resolve doze problemas bucais, fazer o que?
É o jeito deles de dizer que um desinfetante é mais inteligente que qualquer um de nós. Pode ser o desinfetante Uribe, ou Índio da Costa, Ana Maria Braga, Faustão, ou as “pesquisas” do DATAFOLHA ou IBOPE (GLOBOPE).
*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”
Charge: Carlos Latuff
domingo, 27 de junho de 2010
As eleições na Venezuela
Empresários e organizações empresariais dos Estados Unidos e da Europa admitiram publicamente que estão investindo cerca de 50 milhões de dólares nas eleições de setembro na Venezuela com o objetivo de derrotar o presidente Hugo Chávez.A organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A matou entre 600 mil e um milhão de pessoas no Iraque. Invadiu o país afirmando que Saddam Hussein pretendia destruir o mundo “livre” com armas químicas e biológicas. Milhares de veteranos de guerra estão com doenças incuráveis por conta das balas de urânio empobrecido usadas pelos norte-americanos. Numa das áreas do Iraque o governo está pedindo às mulheres para que não engravidem tal o grau de radiação. Resultado de armas químicas e biológicas usadas pelos invasores.
Invadiram para se apoderar do petróleo.
A pretexto de capturar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden invadiram o Afeganistão. Por lá mantêm tropas numa guerra que os próprios generais admitem que está perdida.
Três milhões de seres humanos morreram no Vietnã, de onde os norte-americanos saíram enxotados pela coragem e bravura de um povo na defesa de seu país. Bertrand Russel, o pensador e matemático inglês, em seu livro VIETNÃ, editado pela Civilização Brasileira no Brasil, acusa os norte-americanos de experimentos médicos com presos vietnamitas, tal e qual os nazistas faziam.
Em todo o mundo são mais de 600 bases militares norte-americanas e perto de 400 mil soldados.
No vídeo acima, é possível ouvir o depoimento de um soldado dessa máquina terrorista e de guerra. Uma confissão de vergonha por tudo o que fez a mando dos governantes e comandantes militares da organização EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.
Clicando aqui, há uma perfeita comparação entre o tratamento dado pelos nazistas aos judeus, ciganos, negros, minorias raciais durante a IIª Grande Guerra e o tratamento do estado terrorista de Israel aos Palestinos nos dias atuais.
Não há a menor diferença entre um outro. O sionismo é uma forma ressurreta do nazismo.
O controle quase absoluto que os grandes grupos empresariais exercem sobre os veículos de comunicação na maioria dos países do mundo, inclusive o Brasil, cria uma realidade diversa daquela que de fato acontece e permite a um apresentador de jornal chamar o telespectador de idiota, rotulando-o de Homer Simpson, sem que haja reação ou indignação da grande maioria desses telespectadores, tal o poder dessa comunicação mentirosa e repleta de tecnologia de alienação.
Empresários dos EUA e da Europa (em processo de falência) apostam em derrotar o presidente bolivariano da Venezuela nas eleições de setembro, retomar o controle sobre aquele país e reiniciarem o saque sistemático imposto aos que sustentam um império de terror e destruição.
Não há diferença entre o cinismo de Barack Obama e a estupidez de George Bush. Representam os mesmos interesses.
Derrotar Chávez é vital para fazer com que a América Latina retorne à condição de colônia. Como eleger José Arruda Serra no Brasil significa reassumir o controle do maior país latino-americano, hoje potência mundial. A volta aos tempos de FHC.
O que o soldado norte-americano relata a uma platéia que o aplaude de pé ao término de seu mea culpa, da exposição pública de sua vergonha, é a constatação da falência moral de seu país. O reconhecimento que um povo inteiro é ludibriado pela mentira do poder econômico.
Um dos momentos mais significativos é quando o soldado declara que foi obrigado a tomar casas de iraquianos e ao retornar a seu país percebeu que milhões de norte-americanos haviam perdido suas casas e estavam ao desabrigo para evitar que grandes organizações bancárias e imobiliárias arrastassem todo o complexo econômico/político e terrorista a uma bancarrota absoluta.
Lutar para que é o que pergunta o soldado. Para beneficiar a quem? São 450 milhões de dólares dia gastos nessas guerras.
A Venezuela e o Brasil são alvos prioritários da organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.
Não passa pela cabeça dos líderes desse conglomerado terrorista que esses países possam permanecer independentes, soberanos e sejam capazes de construir o futuro a partir da vontade de seus povos.
E muito menos imaginar um processo crescente e contínuo de integração latino-americana.
Vivem do saque, do terror, da barbárie.
São criminosos em si e por si, no que representam e no que significam.
Quando as tropas aliadas (ingleses, franceses, norte-americanos em sua maioria) desembarcaram na Normandia na IIª Grande Guerra, o general Dwight Eisenhower, comandante aliado, mandou um recado desesperado a Stalin. Que o governante soviético aumentasse a pressão sobre as forças nazistas para que eles, os aliados, não fossem derrotados pelos alemães.
Perto de 20 milhões de cidadãos soviéticos morreram na guerra. As tropas da antiga URSS derrotaram dois terços da poderosa máquina de Hitler e entraram em Berlim ocupando o bunker do ditador nazista abrindo caminho para que os norte-americanos, britânicos e franceses pudessem chegar.
Isso está em qualquer livro de história. Hollywood produz filmes para mostrar soldados dos EUA “libertando” o mundo.
Duas bombas atômicas foram despejadas em agosto de 1945 sobre Hiroshima e Nagazaki matando centenas de milhares de pessoas e estendendo seus efeitos por anos a fio em território japonês.
Àquela altura a guerra estava ganha, especialistas já haviam detectado isso e Harry Truman, presidente dos EUA, optou por lançar as bombas para testar seus efeitos e intimidar a antiga União Soviética.
É fácil criar pretextos para uma futura invasão ao Irã. Para um golpe de estado na Venezuela, ou eleições fraudadas pelo poder econômico. Financiar empresários brasileiros e veículos de comunicação (GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE MINAS, RBS, todos os grandes) para fabricar fatos e buscar a eleição de um político venal e corrupto como José Arruda Serra (cada vez mais difícil).
É necessária a resistência e a organização popular. Impõe-se como condição de sobrevivência da dignidade de nações livres como o Brasil e a Venezuela. Não importa que a maioria das forças armadas brasileiras, por exemplo, seja subordinada a Washington.
Importa a percepção do dilema. Do terror que nos é imposto na mentira contumaz e contínua da organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Em cada William Bonner da vida, ou em cada Fátima Bernardes a “exigir” de Dunga exclusividade para a quadrilha que representa.
Imaginam que todos almejam terminar nas páginas centrais de PLAYVBOY, ou sejam paspalhos a disputar um milhão no bordel do BBB.
As eleições de setembro na Venezuela servirão para mostrar a toda a América Latina que um povo é capaz de resistir e não se permitir ser saqueado. Mas todo cuidado é pouco.
A organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A não tem um pingo de escrúpulo, nem sabe o que é isso. E seus agentes muito menos.
Glauber Rocha um ou dois anos antes de morrer disse num programa na antiga TV TUPI que precisamos ter identidade cultural para promover uma revolução. “Somos o país da macumba”.
O povo venezuelano vai dizer não àqueles que sempre o exploraram, ainda que por aqui a GLOBO diga o contrário.
Hugo Chávez resgata a origem de cada trabalhador venezuelano. E os trabalhadores responderão sim à revolução bolivariana.
É a continuidade da construção de uma identidade cultural e revolucionária. Não importa quanto empresários/terroristas gastem para sustentar partidos e grupos políticos. Por aqui também há de ser assim.
Ao contrário do que José Arruda Serra diz, o frouxo com o tráfico de drogas não é Evo Morales, mas o antigo pupilo de Pablo Escobar, o colombiano Álvaro Uribe.
E a América Latina não voltará a ser América Latrina.
*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Uai! "Isso aqui não é a Venezuela!"
Uai! "Isso aqui não é a Venezuela!"
Por Laerte Braga
Alberto Fraga, secretário de Transportes do governador José Roberto Arruda, é o encarregado de organizar e direcionar a propina paga pelas empresas de transportes da capital. O percentual de cada um, o do governador é maior lógico, o ponto e o dia de entrega, o horário, essas coisas que acontecem em governos tucanos, DEM, PPS e partidos paralelos, digamos assim.
O secretário foi visitar o governador nas dependências da Polícia Federal, onde Arruda se encontra em retiro forçado, naturalmente para orar e agradecer a propina de cada dia e, evidente, saber do chefe como deve continuar a ser operado o “sistema” de propina.
Neste momento todo cuidado é pouco e qualquer deslize só vai fazer aumentar o bloco do retiro na Polícia Federal. Fraga, certamente, não quer ser um deles e deve ter recebido instruções sobre como apagar pistas.
À saída, tentando descaracterizar a prisão de Arruda como sendo a prisão de um bandido, um assaltante de cofres públicos, disse aos jornalistas que a idéia de intervenção em Brasília é “ridícula” e que “eles estão pensando que isso aqui é a Venezuela”.
Uai! Confesso que, levando em conta o noticiário de todos os dias sobre o presidente Chávez, os fatos que “acontecem” na vizinha nação (na ótica enfurecida de Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, etc), não entendi o que o secretário/bandido quis dizer.
Que na Venezuela bandidos como Arruda, Serra, Yeda Crusius, FHC são presos e aqui isso seria uma arbitrariedade?
Só pode. A julgar pelo tom “patriótico” do secretário/canalha não dá para interpretar suas declarações de outra forma.
“Isso aqui não é a Venezuela”. É o que então na cabeça do assaltante de cofres públicos? A casa da mãe Joana?
Um dos argumentos desse tipo de gente é tentar confundir os fatos e levar a opinião a acreditar que mafiosos como Arruda são vítimas de perseguição política e não passam de cândidos inocentes que quando recebem as gorjetas, digamos assim, de empreiteiros, banqueiros, grandes empresários, latifundiários, agradecem a Deus a possibilidade de terem os seus futuros assegurados, garantidos, o leite das crianças.
Transformam criminosos como Arruda e ele próprio Alberto Fraga em “presos políticos”.
A intervenção em Brasília foi pedida pela Procuradoria Geral da República uma instituição autônoma, independente do presidente da República, que designa o Procurador a partir de uma lista tríplice formada pelo conjunto de procuradores, OAB e outros. Não foi o governo Lula que pediu a intervenção.
O pedido foi feito e encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), Poder Judiciário, portanto, nada a ver com Lula e a hipótese, em primeiro momento, foi levantada no próprio tribunal levando em conta a corrupção generalizada na Assembléia Distrital de Brasília, onde Arruda tem maioria (DEM, PSDB, PPS e acessórios).
É uma decisão difícil, última, só tomada em casos extremos (o risco Joaquim Roriz de volta cria o caso extremo). A propósito, Roriz tinha um irmão bispo que só não vendeu a catedral da cidade mineira de Juiz de Fora porque a opinião pública reagiu, no mais vendeu o que pode e embolsou tudo.
O fato do governador Paulo Otávio estar envolvido em corrupção e no esquema Arruda é outro indicativo ao qual se soma a corrupção que permeia a Assembléia Distrital. Vai sobrar o que?
Paulo Otávio, em matéria de corrupção, é anterior a Arruda, a Roriz e é um dos “donos” de Brasília.
O que poucos perceberam nessa sujeirada é que quem trouxe a público toda a bandalheira do governo Arruda foi um ex-secretário de Roriz. Fácil de entender. O dito foi contatado pela máfia rival, a de Roriz, os velhos tempos foram lembrados, o ano eleitoral e Roriz quer voltar a ser governador, um acordo aqui, outro ali, um dinheirinho aqui, outro dinheirão ali e pronto. Como naqueles filmes de gangster que o cara abraça o outro e quando o outro liga o carro...
Buuuuum!
“Não é nada pessoal, são só negócios”.
Só que nesse caso os “negócios” dizem respeito à capital do País e envolvem figuras que se preparavam para disputar as eleições deste ano na tentativa de recuperar a presidência da República, através do poderoso chefão José Collor Serra. O tal que queria Arruda como vice.
Um primor de cretinice e canalhice a declaração do secretário de Propinas, quer dizer, Transportes, sobre “isso aqui não é a Venezuela”.
Acho que nesse e noutros casos então devemos ser a Venezuela correndo, antes que esses caras acabem com o País e inventem modos “patrióticos” de guardar dinheiro na meia, na cueca, em pastas, terminando tudo numa oração de agradecimento.
Os casos de corrupção da governadora do Rio Grande do Sul são tão graves e vergonhosos como os de José Roberto Arruda. Como o disse o ministro Marco Aurélio Mello em sua decisão, “estamos inaugurando uma nova era...”, saindo inclusive da saia justa que Gilmar Mendes criou, tentando atirá-lo num buraco chamado habeas corpus.
Que se prossiga a nova era. Yeda na cadeia. Serra na cadeia. FHC por ter vendido o País na cadeia. Kátia Abreu e mais da metade do Senado na cadeia. Mais da metade da Câmara Federal na cadeia. Boa parte do Judiciário, inclusive Gilmar Mendes na cadeia. E haja cadeia.
Desde o primeiro momento a comentarista Lúcia Hipólito (a que de tão bêbada não conseguiu articular uma palavra quando chamada a comentar sobre os direitos humanos num programa de uma rádio da REDE GLOBO) está tentando implicar o presidente da República nessa história toda. Tentando dar um viés eleitoral à prisão de Arruda.
Só que Lula não prendeu ninguém, quem pediu a prisão foi a OAB e quem prendeu, determinou a prisão, foi o STJ. Quem negou o habeas corpus foi um ministro do STF.
Aí vem o secretário dos Transportes, propineiro, corrupto, venal e afirma que “isso aqui não é a Venezuela”.
Se a Venezuela for o oposto do secretário, e é, que isso aqui seja a Venezuela correndo.
A continuar nessa toada daqui a pouco vai ter gente acendendo vela para que o “mártir” Arruda seja solto em nome da democracia cristã, ocidental e o presidente da CNBB vai recebê-lo à porta da Polícia Federal. É o tal que não gosta que falem mal de corruptos e retirou das bancas um jornal que apontava irregularidades (corrupção mesmo) no governo de Aécio Pirlimpim Neves.
Laerte Braga é jornalista e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?"
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A Venezuela, os EUA e os Lobos sorridentes
Sem nada que se compare a uma convulsão social e gozando de uma Constituição, que Chávez busca cumprir ao tentar descentralizar o poder dos monopólios de mídia, a Venezuela não pode de modo algum ser caracterizada como uma ditadura militar.
Por Ana Helena Tavares
Muito se fala em Hugo Chávez. Mais uma vez, jornalistas do mundo inteiro decretam que é a pior crise de seu governo. Tenho, às vezes, a nítida sensação de que se uma creche lotada explodir nos EUA a grande imprensa mundial nem se lembrará de Bin Laden, arrumará logo um jeito de pôr a culpa no Chávez. E, se os conglomerados midiáticos o acham tão exageradamente ruim, sou tentada a concluir que algo de muito bom – e de democrático – ele tem.
A Venezuela atual é progressista, ainda que uma análise fria nos leve a concluir que não há uma conjuntura de revolução. Na tentativa de desmascarar alguns mitos midiáticos, começo me perguntando: por que tanto taxam Chávez de ditador?
Não há análises precisas sem contextualizações necessárias. O contexto latino-americano sempre possuiu um valor largamente geoestratégico para os EUA. É uma relação de dependência de tal modo que se pode afirmar que sem o controle da América Latina os EUA perderiam seu quintal, veriam sumir os frutos de sua horta e perderiam boa parte de seu poder.
Historicamente, nas décadas de 50, 60 e 70, fervilharam na América Latina processos progressistas e revolucionários que se compuseram de tendências várias, movimentos sindicais fortes, e ainda uma igreja que germinava a futura teologia da libertação. Tais processos levaram a que os EUA elaborassem e apoiassem planos ditatoriais de extrema-direita para os países rebeldes, enforcando (muitas vezes, literalmente) a possibilidade de mudanças sociais. Se pudessem, teriam matado Fidel, tal como se pudessem já teriam dado um sumiço em Chávez para pôr no lugar um Lobo em pele de cordeiro.
Ora vejamos... Nem João Goulart nem Salvador Allende eram comunistas, tão somente conduziram leves alterações nos mecanismos econômicos de maneira a atenuar distorções sociais e a promover ações afirmativas com a população. Mas para os EUA e suas multinacionais essa é a senha para que a banda troque a música... Fuzilamentos, torturas, repressão e o cerceamento das liberdades civis e individuais foi o que se viu...
“Chávez isto, Chávez ditador, Chávez comunista, Chávez militarista” é o que se ouve. Só que nem Hugo Chávez, nem Evo Morales, nem Rafael Correa cometem o tipo de prática que as elites burguesas legitimaram melancolicamente no passado e, em certos casos, como o de Honduras, também no presente.
Sem nada que se compare a uma convulsão social e gozando de uma Constituição, que Chávez busca cumprir ao tentar descentralizar o poder dos monopólios de mídia, a Venezuela não pode de modo algum ser caracterizada como uma ditadura militar.
Se Chávez é ditador, por que, depois de ter sido preso, este quando chegou ao poder, por voto popular, não exerceu nenhum tipo de repressão sobre seus algozes? Chávez limitou-se a prendê-los, sem qualquer tipo de violência. E por quê? Para mim, não há outro nome senão coerência. Era por uma Venezuela livre que o tenente-coronel Hugo Chávez lutava na intentona de 1992; é por uma Venezuela livre que o presidente Hugo Chávez luta. Numa luta como esta, tanto lá como aqui, não cabem revanches. Cabe que se assegure ao povo a liberdade de expressão e a liberdade ir e vir; cabe a punição dos que merecem ser punidos, dentro do cumprimento das leis que devem reger um país democrático. É isso o que Chávez faz e é isso o que apavora o mundo.
A melhoria da qualidade de vida dos pobres e sua conseqüente ascensão social, a erradicação do analfabetismo e os programas de saúde em parceria com médicos cubanos são fatores vitoriosos de seu governo. A isto a mídia faz vista grossa, mas chamá-lo de ditador é capa de jornal. Atitude não muito diferente com relação ao nosso presidente.
É claro que a Venezuela ainda tem muitas lacunas a preencher, mas ditador Chávez não é. Bem como também não é nenhum Bin Laden e nem sorri para qualquer um como o fazem Obama e o Lobo de seu quintal.
Ana Helena Tavares é escritora e poeta eternamente aprendiz. Jornalista por paixão e futura jornalista com diploma, é colunista da “Revista Médio Paraíba” e editora/administradora do blog “Quem tem medo do Lula?”.
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