O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A sucessão sequestrada - editorial do Estadão (!) critica a fúria fundamentalista contra Dilma

Nota do QTML?: Como se sabe, o Estadão, declarou voto no Serra. Apesar e por causa disso, vale leitura o que disse o jornal, em sua edição de segunda-feira, 11 de Outubro de 2010. Acho que quem escreveu este texto não corre o risco de ser demitido, porque é um editorial, mas vai saber... Segue... 
A sucessão sequestrada

Este jornal já manifestou o seu apoio ao candidato presidencial da oposição, o ex-governador paulista José Serra - e explicou com todas as letras por que. Naturalmente, portanto, recebeu com satisfação o resultado da jornada eleitoral do dia 3. Além do mais, o segundo turno tem o potencial de infundir no debate político a substância que dele esteve praticamente ausente na fase anterior.

Qualquer que venha a ser o desfecho da disputa - e o Estado reitera a sua esperança no êxito do candidato que prefere ver no Planalto -, se a campanha efetivamente ganhar densidade, o grande vencedor será o processo democrático, o amadurecimento do eleitorado e dos que lhe pedem o voto. Lamentavelmente, o contrário é que parece prevalecer. A sucessão foi sequestrada pelo ativismo dos grupos mais conservadores de diferentes denominações cristãs.


Num crescendo, à medida que se aproximava o dia do pleito, padres e pastores, por uma variedade de meios, exortaram os fiéis a não votar na petista Dilma Rousseff, sob a alegação de que, se eleita, patrocinaria a liberação total do aborto.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MARINA ESTÁ NUMA SINUCA DE BICO E O PT FLERTA COM A DERROTA

Celso Lungaretti (*)


O   day after  foi melancólico.

De um lado, os demotucanos estão sendo bem persuasivos nas tentativas para convencer Marina Silva a suicidar-se politicamente.

Tomara que ela não ouça o canto dessas sereias -- como as mitológicas, carnívoras.

Se fizer uma composição com os representantes da ganância capitalista exacerbada e sem limites, ajudará a devolver o poder à pior direita brasileira.

Em termos ambientais, será um desastre.

E, claro, isto lhe seria cobrado adiante: sua responsabilidade pessoal num grave retrocesso histórico.

Iria virar uma morta sem sepultura, como o ex-Gabeira.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É MAIS FÁCIL SUPERAR SERRA DO QUE O DESENCANTO

Celso Lungaretti (*)

O espírito que 
faltou no 1º turno
Dilma Rousseff foi a grande vencedora do 1º turno da eleição presidencial 2010, com mais de 47 milhões de votos.

Isto é o que a imprensa teria de noticiar, caso não houvesse a perspectiva de liquidação da fatura já neste domingo.

Por conta do clima de  já ganhou!, a vitória acabou tendo sabor de derrota. E vai ser assim que os adversários a apresentarão.

No entanto, a vantagem de Dilma sobre José Serra superou 14 milhões de votos. Em termos eleitorais, um colosso. Nada indica que será revertida.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

REFLEXÕES SOBRE O GOLPISMO E A HIDRA

Celso Lungaretti (*)

Para que não pairem dúvidas, esclareço: meus alertas sobre a montagem de cenário para nova quartelada apenas colocam em evidência uma das tendências do quadro político atual -- e que não é a dominante neste momento.

Percebe-se claramente que a extrema-direita não acredita mais em reação dos seus candidatos na eleição presidencial do mês que vem. Dá a derrota como inevitável e já trabalha para uma virada de mesa.

Alguns textos publicados na imprensa também são, nitidamente, direcionados para o que virá depois da eleição de Dilma Rousseff. Caso do famoso editorial no qual a Folha de S. Paulo exortou a que se dê  paradeiro  no lulismo.

Entretanto, vale repetir mais uma vez, tudo isso só se tornará ameaça real se os eternos conspiradores conseguirem convencer os realmente poderosos de que poderão perder seus privilégios.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

AS AMEAÇAS EXISTEM E IGNORÁ-LAS PODERÁ SER TRÁGICO

Por Celso Lungaretti (*)
Vamos falar sério.

A eleição de Dilma Rousseff está mais do que definida.

O escândalo da invasão de dados siligosos de pessoas próximas a José Serra não tem apelo eleitoral suficiente para alterar o resultado do pleito.

Nem mesmo para evitar que a eleição seja decidida no 1º turno.

Mas, dá combustível para tentativas golpistas. Dos mais inflamáveis.

O jogo não vai ser virado. A mesa, talvez.

Foi com que sonharam os articuladores do  Cansei!.  Quando o que seria sua  Marcha da Família com Deus Pela Liberdade só mobilizou 4 mil gatos pingados, decidiram recuar, à espera de oportunidade melhor.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CADA ALOPRADO É UM GREGÓRIO FORTUNATO EM POTENCIAL

A comunicação empresarial é uma atividade que nunca me agradou, mas que fui obrigado a exercer durante muitos anos, por falta de opção melhor.

Tive de ajudar a se lançarem produtos duvidosos, colocar palavras inteligentes na boca de empresários tacanhos e administrar as crises que sua atuação irresponsável lhes acarretava.

Particularmente doloroso foi haver desempenhado papel de destaque na salvação de uma empresa ameaçada por uma onda de desconfiança no mercado (nossa agência ganhou até prêmio internacional por tal  proeza) e, um ano mais tarde, assistir à sua falência fraudulenta, que lesou milhares de investidores.

Acabei contribuindo para que tivesse um ano de sobrevida, sem imaginar que o resultado concreto dos meus esforços seria dar-lhe condições para depenar mais otários ainda e preparar melhor o  pulo do gato. Ingenuidade mata.

sábado, 14 de agosto de 2010

"The Economist" - "Glória refletida: a musa do Lula (Lula's Lady) está na reta para herdar sua presidência" - Tradução exclusiva.

Ofereço aos leitores do blog tradução na íntegra, feita em exclusivo para o "Quem tem medo do Lula?" por minha mãe, Maria do Céu Ribeiro, professora de inglês há 35 anos, de uma matéria veiculada na edição desta semana da revista britânica "The Economist". Conhecida pela defesa de idéias neoliberais, a revista já enxerga o inegável: o Brasil está prestes a ver uma mulher, ex-guerrilheira, subir a rampa do Planalto e receber a faixa presidencial de um ex-metalúrgico. Enquanto isso, a revista assume também (e, para mim, esta é a melhor parte da matéria): "O problema não é a apresentação, embora o Sr. Serra pareça esquisito, a não ser quando sorri, pois aí parece assustador." Segue o texto completo.

Ana Helena Ribeiro Tavares

Glória refletida: a musa do Lula está na reta para herdar sua presidência

Traduzido diretamente da revista "The Economist"

No papel, José Serra, do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB), o maior partido de oposição no Brasil, deveria ser capaz de ganhar a eleição presidencial marcada para 3 de Outubro, sem ter que suar. Ele ocupou muitas importantes posições políticas, numa longa e bem sucedida carreira: deputado, senador, ministro do planejamento e depois da saúde, prefeito e governador de São Paulo, a maior cidade brasileira e o estado mais poderoso. Ele é o oposto da novata: uma conselheira e burocrata, que era quase desconhecida alguns anos atrás, e que nunca precisou lutar sozinha por uma eleição, pela certeza de que ganharia.

Ao contrário, o Sr. Serra está lutando para permanecer na corrida. As pesquisas o apontam entre 5 a 10 pontos atrás de Dilma Rousseff, a candidata do governo federal e do Partido dos Trabalhadores (PT). O problema não é a apresentação, embora o Sr. Serra pareça esquisito, a não ser quando sorri, pois aí parece assustador. A Sra. Rousseff é pouco carismática e tem uma tendência a dar respostas de uma hora para perguntas de uma linha.

O problema do Sr. Serra é que a Sra. Rousseff é a consagrada sucessora de Luís Inácio Lula da Silva, o atual presidente. Quatro quintos dos brasileiros aprovam Lula, e quase metade dizem que, numa eleição presidencial, votariam ou nele (se a Constituição não o impedisse de concorrer a um terceiro mandato) ou no seu candidato. Desde que escolheu seu sucessor, Lula tem colocado Dilma Rousseff nas alturas (ela é “como Nelson Mandela”, chegou a dizer) e atravessou o país com ela a tiracolo. Agora a maioria dos brasileiros sabe quem é a candidata de Lula – e, crescentemente, eles pretendem votar nela.

No dia 05 de Agosto, o dia do primeiro debate pela televisão entre os candidatos, um instituto de pesquisa (Sensus) colocou a Sra. Rousseff com 41,6%, 10 pontos acima do Sr. Serra. Marina Silva, do Partido Verde, ficou num distante terceiro lugar, com 9%. Excluindo os votos inválidos, a Sra. Rousseff estaria perto de atingir a maioria necessária para evitar o 2º turno. Esta pesquisa pode ser pretensiosa, mas outros institutos também dão à Sra. Roussef uma posição crescente (ver gráfico).

A Sra. Rousseff parecia nervosa no debate, e lutou para dar suas respostas prontamente. O Sr. Serra se saiu melhor. Mas, uma vez que o debate foi marcado na mesma hora que uma importante partida de futebol, quase ninguém viu.

Mais preocupante para o Sr. Serra, o debate lhe mostrou as dificuldades que ele irá encarar para o resto da campanha. Provavelmente e acertadamente, o Sr. Serra percebeu que, atacando um presidente tão popular como Lula, não ganharia muitos votos. Ele discorda da Sra. Roussef em algumas coisas, tais como a política externa e o papel do estado na economia. Mas ele concorda com outras. Ele se sentiu obrigado a prometer que continuaria alguns dos programas de Lula, tais como o “Bolsa Família”, um privilégio para as famílias pobres. Enquanto isso, com a economia crescendo bastante, os brasileiros estão desfrutando da vida. “Sensação de bem-estar” entrou na língua portuguesa.

Mas, estável como está, serve melhor aos governistas do que a aventureiros. O slogan do Sr. Serra é “O Brasil pode mais” – exemplifica a dificuldade. Ele está lutando para tirar proveito de sua trajetória. Ele é melhor conhecido pelo seu papel nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, que, apesar de sólidas conquistas, são lembrados sem afeição pelos brasileiros.

“Para Dilma, é simples: persuadir as pessoas de que ela representa Lula”, diz Rubens Figueiredo, um consultor político de São Paulo. “Mas Serra tem que lembrar às pessoas de que Lula não é o candidato – e, de alguma forma, tem que fazer isso sem se opor, ou, preferencialmente, sem nem mesmo mencionar Lula”, completa.

A posição da Sra. Rousseff não está ainda inabalável. Se o Sr. Serra conseguir evitar a vitória dela no primeiro turno, pode ter chance no segundo.E, no Brasil, há sempre a possibilidade de um escândalo ou deslize.

Mas há ainda uns poucos votos a mais que a Sra. Roussef pode ganhar por ser a escolhida de Lula. Cerca de 8% dos eleitores ainda dizem aos pesquisadores que querem votar na candidata do presidente, mas não a mencionam pelo nome.

Ela, em breve, terá uma maior oportunidade de reforçar esta ligação. A partir de 17 de Agosto, a televisão brasileira e as estações de rádio terão de mostrar propaganda política gratuita, com mais tempo para os candidatos cujas alianças ocupam mais espaço no Congresso. Isso significa que a Sra. Rousseff terá mais de 10 minutos, três vezes na semana, enquanto o Sr. Serra terá que se virar com pouco mais de 7 minutos. Esta vantagem pode se tornar decisiva.


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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SITE DO SERRA COLOCA NO AR AS FALÁCIAS DAS VIÚVAS DA DITADURA. DE NOVO!!!
















Um ridículo vídeo promovendo o presidenciável tucano pode ser encontrado no Youtube:
José Serra – O Patriota.

Duas das postagens foram efetuadas pela RedePSDB (http://kkkwww.youtube.com/watch?v=XEORM3qcZyo&) e por Mobiliza-PSDB (http://kkkwww.youtube.com/watch?v=jSi2vYcnWq4). [Para acessar, delete o kkk.]
Apresenta um apanhado louvaminhas da trajetória de Serra, do qual eu nem me ocuparia se não fossem dois elogios feitos exatamente para contrastar sua biografia com a da adversária Dilma Rousseff:
“Esse homem lutou mas não foi para a luta armada”.

“Hoje alguns políticos se gabam de terem lutado contra a ditadura, mas pedem dinheiro, contraprestação por suas lutas (...) que vem do dinheiro público do povo. Serra, Serra não. Nunca pediu dinheiro algum. Lutou pelo amor que sempre teve pelo nosso país (...) Esse homem abriu mão de tudo isso, para que o dinheiro seja voltado para nossa educação, para nossa saúde, para nossa segurança, para nosso desenvolvimento e não para políticos que se gabam de heróis da Pátria”.
Ou seja, repisa duas falácias comumente encontradas nos sites das viúvas da ditadura e/ou ultradireitistas e/ou dos militares reacionários:
  • a de que seria incorreto resistir pela força à tirania, devendo os cidadãos idealistas deixarem-se massacrar sem reação ou desistirem de lutar contra o arbítrio quando o terrorismo de estado atingiu o ápice sob o ditador Médici; e
  • a de que não cabe aos heróis brasileiros e às famílias dos mártires aceitarem, por vidas parcial ou totalmente destruídas, reparações como as que as nações civilizadas, seguindo orientação da ONU, outorgaram às vítimas congêneres de nações do 1º Mundo (caso, p. ex., de quem resistiu ao nazi-fascismo na Europa).
O vídeo abjeto estava publicado e destacado no site oficial da campanha de Serra na internet até que a Folha de S. Paulo indagasse a seu respeito, nesta 4ª feira (4).

A assessoria do candidato tucano eximiu-se de responsabilidades, atribuindo a postagem a um "simpatizante". E correu a substitui-lo por outra peça promocional.

Diz a sabedoria popular que "quem cala, consente".

Há também os que calam, consentem, depois tentam salvar as aparências. Estes são os piores.


Por Celso Lungaretti, jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

quinta-feira, 22 de julho de 2010

DILMA ENGOLE E NOS FAZ ENGOLIR SAPOS
























Por Celso Lungaretti (*)


Meu saudoso pai, que trabalhou 46 anos em fábrica, tinha uma frase curta e grossa para criticar quem faz concessões em demasia: "Quanto mais se curva, mais mostra o rabo"

Os responsáveis pela campanha de Dilma Rousseff, depois de descaracterizarem seu programa eleitoral registrado no TSE sob vara da grande imprensa, agora fazem a candidata dar declarações que equivalem a rendições.

Nesta 4ª feira (21), Dilma disse que, apesar de ter assinado embaixo, discorda do controle social da mídia, da taxação das grandes fortunas e da redução obrigatória da jornada de trabalho.

Sobre a primeira, afirmou:
"O único controle que existe é o controle remoto, na mão do telespectador, porque ele muda de canal. Sou contrária ao controle do conteúdo. No que se refere a controle social é impreciso. Não existe controle social que não seja público".
Também não concordo com a proposta de controle social da mídia, mas nunca adotaria o discurso que Dilma fez ontem, repetindo o do inimigo para o tranquilizar:
"É inadmissível a censura à imprensa, ao conteúdo, à critica. Sou rigorosamente contrária ao controle da imprensa".
A pecha de censores, que ela assim lançou sobre petistas há muito defensores de tal proposta, é extremamente injusta: antes de liberticidas, são, isto sim, idealistas indignados com a parcialidade, a tendenciosidade e a unilateralidade da indústria cultural que, sob o capitalismo putrefato, cumpre a função de bovinizar seus públicos por meio da manipulação ideológica dos acontecimentos.

Em lutas como a que travo em defesa do escritor e perseguido político Cesare Battisti, constatei o abandono brutal das boas práticas jornalísticas no Brasil.

A isenção e o equilíbrio foram para o lixo, a ponto de declaração de intelectual de renome mundial (pró Cesare) ser olimpicamente ignorada, enquanto se destaca qualquer irrelevância proveniente de vítima profissional ou inspetor de quarteirão (contra). Direito de resposta e de expressão do
outro lado viraram letras mortas.

Então, da Dilma que conheci durante a resistência à ditadura militar eu esperava que destacasse o fato de não estar existindo liberdade de imprensa propriamente dita, mas sim uma liberdade de desinformação, da qual a burguesia usa e abusa no seu afã de tanger os cidadãos para a aceitação passiva, acrítica e conformista do
status quo.

Só discordo do remédio proposto: o de usar-se a força do Estado para fazer com que a mídia volte a respeitar os limites entre informação, interpretação e opinião, ao invés de ideologizar as duas primeiras, deturpando-as para que se amoldem à opinião que os veículos já têm sobre o assunto enfocado.

Para mim, a verdadeira luta se trava nas ruas, não nos gabinetes do poder.

E não é para retocarmos aspectos do estado burguês sob o capitalismo, tentando torná-lo menos excludente, manipulador, injusto, predatório, parasitário, etc., etc.

É para substituirmos um sistema calcado na ganância, no privilégio e na competição zoológica entre os trabalhadores, por outro fundado no atendimento das necessidades humanas, na igualdade de oportunidades e na solidariedade universal.

Então, não se trata de moralizarmos a atuação da imprensa, mas de fazermos a revolução. Curto e grosso, como meu pai gostava.

A MAIS-VALIA É INTOCÁVEL?

No tocante às grandes fortunas, também vale tudo que eu disse acima; justiça social só haverá quando adotarmos um modelo de sociedade que a priorize, e não ao seu contrário.

Mas, vendo esse nosso povo sofrido dos grotões, socorrido por programas assistenciais que só lhe dão fôlego para continuar vegetando mais do que sobrevivendo, não consigo conter minha indignação e repulsa ao saber que há brasileiros com patrimônios pessoais na casa de US$ 27 bilhões (Elke Batista), US$ 11,5 bilhões (Jorge Paulo Lemann), US$ 10 bilhões (Joseph Safra)...

A liberdade de imprensa é sagrada para nós, revolucionários, sim!

Mas não a liberdade de empreender (no dizer dos propagandistas do capitalismo), de construir fortunas imorais e escandalosas como essas a partir da mais-valia expropriada dos trabalhadores (assim dizemos nós).

Então, abdicar da proposta de taxação das grandes fortunas equivale a uma capitulação ao inimigo. Curto e grosso.

Já foi difícil aceitarmos o recuo da revolução para a reforma. Que dizer do recuo da reforma para a conivência com os aspectos mais aberrantes e desumanos do capitalismo?!

NEM SEQUER 4 HORAS A MENOS?!

Por último, a redução da jornada de trabalho, que Dilma agora reduz a uma “questão de negociar entre patrões e empregados”.

Será que ela esqueceu tudo? Nosso bê-a-bá, as leituras de Marx (O Capital), Lênin (Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo) e tantos que tais?

Lutamos para conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização, dentre outros motivos, porque o capitalismo desperdiça criminosamente as possibilidades ora existentes de redução da jornada de trabalho a uma fração da atual, permitindo aos homens libertarem-se dos grilhões da necessidade e desenvolverem plenamente suas potencialidades.

Para produzir-se aquilo de que os seres humanos realmente precisam para uma sobrevivência digna – sendo, claro, extintas atividades nocivas, parasitárias e inúteis como as desenvolvidas pelos bancos –, menos da metade da jornada de trabalho atual seria mais do que suficiente.

E Dilma remete a mísera diminuição de 44 para 40 horas semanais a entendimentos com os patrões, como se as duas partes tivessem poder de fogo equivalente!

Sua campanha abusa do fato de a alternativa demotucana ser execrável a tal ponto de qualquer coisa, mesmo esse programa desfigurado e cúmplice do capitalismo, ainda representar mal menor.

Não teremos desculpa nem coragem para olhar no espelho se deixarmos de engendrar uma opção realmente satisfatória para 2014.

Chega de sermos obrigados a engolir a menos pior... ainda que, como no caso presente, tenha todas as características de um enorme batráquio!
*Celso Lungaretti, jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

terça-feira, 20 de julho de 2010

SERRA ADOTA DISCURSO DA DIREITA MAIS RETRÓGRADA E GOLPISTA

Professor Olavo de Carvalho tem um novo discípulo...

Os dois jornalões paulistas, inimigos históricos hoje irmanados nas cruzadas reacionárias, manchetearam, eufóricos, a reação do presidenciável José Serra às críticas que cidadãos equilibrados de vários partidos fizeram às declarações destrambelhadas e abestalhadas do seu vice Índio da Costa contra Dilma Rousseff e o PT.

O Estado de S.Paulo
: 'Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc', diz Serra

Folha de S.Paulo: "Serra sai em apoio ao vice e aponta ligação de PT e Farc

Eias o que declarou Serra em Belo Horizonte:
"A ligação do PT é com as Farc. Isso todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico, isso não significa que o PT faça o narcotráfico".
O próprio Índio da Costa, devidamente adestrado pelos caras pálidas, também recuou da acusação que nenhum demotucano pode provar, refugiando-se no abrigo seguro das insinuações:
"PT não faz narcotráfico. As Farc, sim".
Interessante o Serra repetir o todo mundo sabe da frase indefensável do seu vice que deflagrou esta polêmica ("Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ao narcotráfico, ao que há de pior").

Todo mundo sabe, p. ex., que ele é um ex-presidente da UNE e teve de fugir do Brasil para não ser encarcerado pela ditadura militar.

Todo mundo sabe, também, que ele deveu sua liberdade e talvez sua vida às gestões solidárias de companheiros de vários países, quando prisioneiro de Pinochet.

E daí? Hoje o Serra coloca a tropa de choque da PM no campus da USP e nega solidariedade a Cesare Battisti.

Então, a insistência do antigo Zorro e do certamente Tonto num tema tão ao gosto do alarmista/fantasista Olavo de Carvalho e dos sites neointegralistas faz temer o pior.

Esta campanha presidencial começa a assumir os contornos de uma briga de foice no escuro, com tentativas desesperadas das aves de mau agouro e dos sempre demoníacos, no sentido de gerarem, artificialmente, um clima similar ao de 1964.

Com a única diferença de que as fileiras obscurantistas foram quantitativamente reforçadas pela adesão de José Serra.

Mas, para quem dá mais valor à qualidade e à integridade, não houve prejuízo nenhum.





Por Celso Lungaretti, jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

segunda-feira, 19 de julho de 2010

ÍNDIO QUER APITO OU QUER LEVAR UM PITO?

Quando o deputado federal Índio da Costa (DEM/RJ) foi anunciado como vice de José Serra, andou se falando que o motivo seria a notoriedade supostamente adquirida como relator da Lei da Ficha Limpa.

Para mim continuava um desconhecido, e bem pouco ilustre. Tive de buscar informações sobre ele nos Googles e Yahoos da vida. O mais significativo foramsuas contribuições ao folclore político:
  • discursou na Câmara Federal pedindo a proibição de coxinhas e pirulitos em cantinas escolares;
  • apresentou na Câmara Municipal carioca projeto de lei para que fossem multados os cidadãos que dessem esmola a pedintes;
  • tentou proibir o comércio ambulante nas ruas do Rio, o que eliminaria da paisagem carioca os tradicionais vendedores de mate e biscoito de polvilho.
Logo concluí que não passava de um novo Enéas Carneiro.

Aliás, a tal Lei da Ficha Limpa é uma besteirinha digna do barbudo que berrava "meu nome é Enéas!": apenas vai tumultuar o processo eleitoral e desperdiçar espaços do noticiário com escaramuças inócuas e inúteis. [Para quem quiser saber mais, recomendo meu artigo O povo como objeto, não sujeito, das mudanças; e o de Ana Helena Tavares, Quando a limpeza não cheira bem.]

Também cheguei a escrever que o tal Índio da Costa não passava de um Fernando Collor em miniatura.

No fundo, isso me ocorreu mais por causa do visual jovem e dinâmico -- na minha avaliação, o fator determinante de sua inclusão na chapa de Serra.

Por quê? Porque o ex-presidente da UNE, pessoalmente, dá a impressão de que hoje só serve para presidir asilo.

Fiquei chocado com sua entrada na sabatina da Folha de S. Paulo: caminhando meio encurvado, sisudo, parecia bem mais acabado e, até mesmo, fisicamente menor do que imagina quem o vê na TV.

O público, cuja grande maioria era de seus admiradores, demorou alguns constrangedores segundos para decidir se era ele mesmo, Serra, quem tinha adentrado o palco. Aí começaram a soar, timidamente, os aplausos.

Então, para contrabalançar a aparência nada exuberante nem vigorosa do Serra, colocaram ao lado dele um sujeito com jeitão de surfista Zona Sul do Rio. Fica parecendo um papai bem gasto com um filho garotão.

Será que vai funcionar? Na sociedade do espetáculo e da falsidade, tudo é possível.

Só que os caras pálidas esqueceram de contar ao Índio o que dele se esperava: exibir a estampa que o Grande Espírito lhe deu e nada dizer além de obviedades e platitudes, porque tirocínio político Tupã não lhe concedeu.

Numa entrevista ao portal Mobiliza PSDB, entretanto, ele quis mostrar-se um vice de verdade -- e, verdadeiramente, fez pensarmos num aspirante a Mussolini ou Salazar dos trópicos.

É mesmo um Collor em miniatura -- mais direitista ainda do que o original.

Acusou o PT de ligação com o narcotráfico, com a guerrilha das Farc e com o que "há de pior", expondo-se a uma óbvia interpelação judicial que o obrigaria a provar as afirmações ou reconhecer tê-las feito levianamente.

E, como se tivesse uma bola de cristal que não apresentou ao distinto público, antecipou que Dilma Rousseff, uma vez eleita, vai apoiar-se em remanescentes do escândalo do mensalão (leia-se Zé Dirceu). Eis as frases:
"Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela."

"Em janeiro, se a Dilma é [sic] eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica, com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma."
Finalmente, como moleque exibido a vangloriar-se de proezas imaginárias, disse que, durante visita a Cuba, fazia questão de mostrar a todos uma revista provocativa (qual, a Veja?):
"Ia para tudo que era canto com ela debaixo do braço. Até queria ser preso, para ver como é que era lá em Cuba essa história que tanto falam. Mas é um horror aquilo. Vocês não podem imaginar. Coitado do cubano!"
As bobagens prosseguiram no Twiter, com Índio da Costa assim reagindo à observação de Dilma de que ele seria "um vice caído do céu":
"Para uma atéia, deve ser duro ter um adversário que cai do céu".
Também a acusou de "dissimular sobre religião". E o melhor veio no fim:
"Ela nem consegue olhar nos olhos do eleitor. É uma esfínge [sic] do pau oco."
Para devorá-lo, a esfinge não precisaria nem propor um enigma difícil. Pedir-lhe que decifrasse a expressão "santo do pau oco" já seria suficiente...
Por Celso Lungaretti, jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

quarta-feira, 14 de julho de 2010

QUÉRCIA REPETE AS FALÁCIAS DAS VIÚVAS DA DITADURA CONTRA DILMA

Capa de uma Veja de 1992,
quando ainda era uma revista.


Em 1974, o digno senador Carvalho Pinto era candidato da Arena à reeleição. Com perfil eminentemente técnico, tinha cuidado muito bem das finanças da cidade e do estado de São Paulo (nos governos de Jânio Quadros), depois do Brasil (como ministro da Fazenda de João Goulart, já na fase presidencialista).

Não morria de amores pelo regime militar nem se identificava com seus genocídios e atrocidades. Só que, sendo um administrador por excelência, estava sempre ao lado do governo, qualquer que fosse o governo.

Mas, o 1º choque do petróleo levara de roldão o milagre brasileiro, o período de vacas magras teve início e o eleitorado paulista de repente descobriu que ditadura não prestava...

Então, para manifestar seu repúdio aos militares, votou maciçamente num obscuro ex-prefeito de Campinas.

Azarão eleito não por seus méritos, mas em função dos deméritos do regime de exceção, Orestes Quércia deslanchou a partir daí sua carreira, fazendo-se um dos políticos profissionais mais nocivos da História do Brasil.

Sua assinatura está impressa na tibieza com que a Nova República abordou o entulho autoritário, na descaracterização da Constituição de 1988 (graças a ele, flexibilizaram-se ao máximo as exigências para a conversão de vilarejos em municípios, arrombando os cofres públicos), na desmoralização da atividade política (é dele a imortal frase "quebrei o estado de São Paulo, mas fiz meu sucessor") e na trajetória negativa cumprida pelo PMDB até tornar-se o maior partido fisiológico do País.

Agora, presta serviços de jagunço a José Serra e Geraldo Alckmin, desferindo os golpes baixos que não caem bem na boca de um candidato.

Eis alguns, no evento "Unidos por São Paulo e pelo Brasil", promovido pela coligação PSDB-DEM-PMDB nesta terça-feira (13), na região de Santo Amaro, Capital:
"Ela [Dilma Rousseff] só pegou em arma, não pegou em nada mais. Ela não é experimentada".

"Uma pessoa que começou ontem como encanador, vai fazer cano furado para tudo quanto é lado".

"[Dilma foi escolhida como candidata] porque todos aqueles políticos que tinham experiência foram eliminados pelo mensalão (...) e isso é uma afronta para o Brasil".
Pegar em armas contra um estado totalitário que generalizou as torturas e as matanças exigia uma estatura moral muito além do horizonte de um Quercia, daí a facilidade com que ele repete, como papagaio, as mais repulsivas falácias das viúvas da ditadura.

Mas, seguindo o exemplo de Cristo, talvez devamos perdoá-lo, pois não sabe o que diz.

O que não é o caso de Aloysio Nunes Ferreira Filho. Este participou da luta armada na ALN de Carlos Marighella, foi condenado com base na Lei da Segurança Nacional, amargou o exílio e só pôde voltar com a anistia de 1979.

É inacreditável que esteja acusando o Governo Lula de montar "uma máquina mortífera" e faça afirmações como estas:
"Tem o PT com seu velho radicalismo, com as velhas idéias de amordaçar a imprensa (...), outra ponta dessa engrenagem é o sindicalismo comprado (...). Temos o Incra entregue ao MST, temos o desrespeito à lei de uma política externa que corteja os ditadores mais sanguinários da face da Terra. E é contra esse sistema de poder que nós vamos eleger o Serra e o Geraldo".
Parece carro que perdeu o freio na descida da ladeira. Está despencando de tal forma que nunca conseguirá voltar à superfície.
Por Celso Lungaretti, jornalista, escritor e ex-preso político.
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