O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

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Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

sábado, 21 de agosto de 2010

A guerrilheira, ainda


Por que a revista da Globo desenterra o passado da candidata de Lula?

Por Mino Carta, na Carta Capital

O passado de Dilma. Documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar. Para explicar a foto em branco e preto estampada na capa de uma Dilma mocinha é o que nos conta a revista Época da semana passada. Não costumo ler a publicação da Globo, mas, alertado pelo leitor Wilson Moreira, de Curitiba, desta vez vou a ela, tomado de curiosidade.

Por que a semanal de uma empresa de comunicação devota da candidatura de José Serra à Presidência da República entrega-se à evocação do passado da antagonista? Haverá quem diga: todos sabem que a candidata de Lula militou na luta armada contra a ditadura e as reportagens de Época se destinam a esclarecer os fatos, documentos à mão. Obra oportuna, portanto. Meritória. E não seria o caso de dizer necessária?

A mídia da Globo não declina a devoção a que me referi acima. Pelo contrário, como o resto dos seus mais ilustres companheiros midiáticos, não perde a ocasião de declarar sua isenção, a qual seria própria do jornalismo verdadeiro, fator indissolúvel da profissão. Trata-se de besteiras dignas de figurar no Febeapá do saudoso Stanislaw, mas as besteiras, abundantes nas nossas paragens, pesam menos, muito menos que a hipocrisia.

Certo é que o qualificativo guerrilheira baila na boca dos frequentadores dos recantos finos para acompanhar o nome da candidata de Lula, quando não é suficiente para identificá-la por si próprio, como seria Perigo Público nº 1 nos tempos de Al Capone.

Leio os dois textos que compõem a reportagem, um sobre a Dilma guerrilheira, outro sobre a Dilma prisioneira. Bem trabalhados, eu diria sem ares de professor. O que me intriga é a pensata. A ideia que pautou os diligentes repórteres. Não, não solfejarei que gostaria de apostar em razões do mais puro jornalismo, voltado à missão de iluminar o caminho dos leitores. Aí eu mesmo mergulharia em hipocrisia.

Confesso que me toma, a soprar na zona miasmática situada entre o fígado e a alma, a convicção de que o intuito de Época foi oferecer munição à campanha de Serra e à ojeriza dos eleitores que apreciam a repressão e temem os reprimidos. Dilma, aliás, nunca pegou em armas e não portava uma na hora da prisão, conforme o depoimento de quem a prendeu. Sem contar que um ou outro dos entrevistados não me pareceram confiáveis, porque ressentidos, presas de velhos rancores.

Pois é, a guerrilheira. Não sei se, de fato, Dilma Rousseff não gosta de lembrar o passado. Sei, porém, que não tem razão alguma para se envergonhar dele. Alguém disse que os moços dispostos a se engajar na luta armada pretendiam transformar o Brasil em “um Cubão”. Sim, a revolução castrista empolgava mínima parte da juventude brasileira, nacionalista a seu modo e prisioneira do confronto entre os dois impérios, URSS e EUA, este para nós, na função de seu quintal, significava a condição de súdito colonizado. A sujeição.

Cuba não é um Brasil, e a revolução de lá foi popular em uma acepção aqui impossível. As diferenças são evidentes e nem por isso foram percebidas por aqueles jovens inquietos que pretendiam enfrentar uma ditadura capaz de ser sanguinária, e sempre ancorada no apoio americano. Inviável apostar então, no país-continente, na adesão de um povo resignado, herdeiro da escravidão.

Digamos que foram sonhadores destemidos, jovens no entanto, em um momento histórico que incendiava o mundo ocidental e que via o Brasil e a América Latina entregues a ditaduras exercidas com extrema violência e com a bênção de Washington. Até Guevara acreditou em uma solução de verdade irrealizável e morreu, assassinado e solitário, cercado por olhares indiferentes. O povo só sabia viver sua miséria.

A história da humanidade é pontilhada pelo exemplo de jovens que ousaram até limites extremos para combater a prepotência. Muitos deles, inúmeros, são celebrados como heróis no mundo todo. Por exemplo, os maquis franceses e os partigiani italianos. Guerrilheiros contra as ditaduras de Hitler e Mussolini, e na maioria de esquerda.

Está na hora de reconhecermos, uma vez por todas, os nossos heróis, acima da retórica dos tradicionais, e espero obsoletos, donos do poder, e a hipocrisia da mídia que os interpreta. O Brasil não virou um Cubão, mas quem lutou contra a ditadura entra na galeria. •

P.S.: O editorial da Folha de S.Paulo de quinta 19 pretende que, ao escolher Dilma, Lula portou-se como se fosse possível tratar a política qual vida familiar ao apresentar “uma candidata que ninguém conhece”. Se fosse, o presidente teria agido como os donos da mídia que colocam seus filhos na direção de jornais, revistas, tevês. Teste: o autor do editorial é: A) Santo; B) Poeta; C) Esquecido.

FONTE: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-guerrilheira-ainda

"Pô, Jabor, vamos ouvir uma musiquinha!"

Ilustração de Cavalcante

Pô, Jabor, vamos ouvir uma musiquinha!

Por Arnaldo Bloch*

Prezado xará Jabor, estava lendo dias
atrás sua coluna sobre os arrepios
que vem sentindo diante do cenário
eleitoral (com Serra ou com Dilma,
uma grande cilada nos aguardaria!), e dos pe-
rigos de nosso atual momento, no qual esta-
ríamos cercados por forças que, de um modo
ou de outro, nos levarão às trevas da mais
inexpugnável opressão. Jabor, eu aqui decla-
ro: ao contrário de você e de tanta gente à mi-
nha volta, ainda não escolhi meu candidato.
Que nem disse o Jards Macalé: “Meu voto é
tão secreto que eu mesmo desconheço.” Além
disso, Jabor, não sou analista situacional nem
tenho a sua bagagem em vivência de proces-
sos políticos traumáticos. Nasci em 1965,
meus pais não eram ativistas, minha família
não rezava por cartilhas muito libertárias.
Por motivos de superproteção materna
maior, não frequentei os movimentos da es-
querda sionista (pô, mamãe!). Fiquei mesmo
ali, na santa ignorância sobre o arbítrio e a
violência do regime, até a sua abertura.
Entre um Dostoievski, um Kafka, um Hess e
um Ionesco, abria os jornais locais e relaxava
com os quadrinhos e os esportes. Achava Mé-
dici um velhinho simpático (o único defeito
era ser Flamengo) e me emocionava com as
paradas militares. Até hoje, quando ouço ruí-
dos de helicóptero em domingo de sol, volta-
me aquela sensação de conforto alienado. E
fico com um baita sentimento de culpa.
Em compensação, minha primeira grande
emoção cívica esclarecida (até onde era pos-
sível ser esclarecido) foi de lavar a alma: a
corrente das Diretas Já, a vigília, o comício do
milhão na Candelária. O pano da censura bai-
xou e eu bebia, no teatro, no cinema, nas ar-
tes, nos jornais, essa água nova do saber. Na
faculdade, liberto do cerco familiar, integrei
uma turma que já via como anacrônicas as
“questões de ordem” dos veteranos engaja-
dos e, ao mesmo tempo, negava as ondas de
caretice da direita tecnocrática que se insi-
nuava na arena do movimento estudantil.
Sabe, Jabor, gosto muito da sua verve e
aprecio seu alarmismo quando ele traz junto
uma autoironia redentora, uma confissão da
própria paranoia, um reconhecimento do pa-
thos do seu discurso, aquela coisa do bode
preto, do seu bode preto, estar sempre à es-
preita. Mas ao tomar o trem de seus arrepios
recentes, confesso que senti também um ar-
repio, provocado pelo seu desencanto e pela
sua desesperança no povo brasileiro. Bati na
folha do jornal e disse: não, não e não! Não
vou crer que os tais 80% de Ibope a que você
se refere sejam compostos de uma substância
humana miseravelmente iludida, incapaz de
contemplar o andar da carruagem, desprovi-
da de qualquer juízo. O brasileiro tem lá suas
carências de educação e de proteína, mas não
consigo, não consigo mesmo, ver esse povo,
passadas duas décadas e meia do início da re-
democratização, caminhar no escuro, ou na
direção do abismo.
Vejo, sim, um país que, por obra do eleitor,
levou Collor, FH e depois Lula ao poder e que,
através de suas escolhas, certas ou erradas,
deu um belo passo no sentido da consolida-
ção do tal processo democrático. Olha Jabor,
não vejo encanto em nenhum dos candidatos.
Não é, aqui, uma questão de preferência, mas
de referência. Talvez por ser um filho da ig-
norância que de repente acordou na grande
virada; ou talvez por ser menos marcado por
convulsões radicais eu tenha esta percepção
positiva. Por outro lado, há fatos a apoiá-la:
independentemente dos desmandos desse ou
daquele, dos equívocos, das apropriações de
ideias, há uma verdade indiscutível: não veio
a ruptura institucional que tantos temeram.
O Brasil foi, e é, maior que Lula, maior que
FH, que Dilma, que Serra, que os Arnaldos, os
jabores e os blochs. O Brasil é esse bêbado
equilibrista que não caiu. Que estabilizou a
moeda e a manteve estável. Que não fechou o
Congresso. País onde as instituições e os
meios de difusão de informação têm lá suas
turras, mas a imprensa está aí, dialogando
com a sociedade e com as esferas políticas
em meio à transformação revolucionária, pa-
ra o bem e para os males, que ocorre na tec-
nologia. Sei lá, Jabor. Essa sua ideia do perigo
iminente — ou será imanente? — me lembrou
um pouco a Regina Duarte em 2002, dizendo
que íamos mergulhar na hiperinflação.
Não vamos mergulhar em nada, nem a cur-
to nem a médio prazo. Acho, sim, que o ho-
mem, num âmbito global, tem questões fun-
damentais a resolver sobre sua relação com o
meio ambiente, com os recursos, com sua dis-
tribuição. O Brasil, por outro lado, vejo mais
como uma nação que cresce do jeito que uma
sociedade democrática recente (onde vigora,
incontestável, e mais do que nunca, o capita-
lismo) consegue crescer. Um país com um
passado pleno de conflitos, estruturas ainda
muito viciadas, que evolui.
Os arrepios que venho sentindo, Jabor, são
de ordem sensorial, no sentido do belo. Arre-
pios ao tocar um pianinho. Ao sentir o vento
dourado de poente invernal varrer da cuca o
bode preto. Arrepio dessa aragem boa que
qualquer um, no carro, no asfalto, no morro,
pode sentir, irmanando-se. Arrepio com um
romance filosófico da lavra de “Paisagem com
dromedário”, de Carola Saavedra. Arrepios de
bicicleta. Da crença súbita no amor. E no amor
ao Brasil. Ao que somos. Ao que fizemos até
aqui. Na boa, Jabor. Pô. Vamos ouvir uma mu-
siquinha. Dar uma respirada.

*Saiu no jornal "O Globo" de hoje, 21 de Agosto de 2010. Sim, no jornal "O Globo". Há muito tempo que eu não fazia isso, mas este texto merece leitura.

Um Zé fora de hora

Um Zé fora de hora

O “Zé que quero lá" não é apenas jingle de campanha; acima de tudo, é o sintoma de um jogo teatral lamentável, desprovido de recursos que conquistem a simpatia da platéia. Como ator político, é uma idéia fora de lugar, uma caricatura de si mesmo.

Por Gilson Caroni Filho (*)

José Serra deixou cair a máscara barata. As críticas ao que chamou de "conferencismo", no 8º Congresso Nacional de Jornalismo, vão além do agrado circunstancial ao baronato midiático que lhe apóia na campanha. A direita sabe que o maior legado da Era Lula não se resume ao crescimento econômico com distribuição de renda. O grande feito do governo petista foi mobilizar a sociedade para passar em revista problemas históricos de origem.

Após várias conferências, a história brasileira deixou de ser o recalcamento das grandes contradições, para se afigurar como debate aberto sobre suas questões centrais. Numa formação política marcada pela escravidão, pela cidadania retardatária, com classes sociais demarcadas por distâncias socioeconômicas e por privilégios quase estamentais, o que vivemos no governo Lula foi uma verdadeira revolução cultural.

Além de discutir a mídia e a questão ambiental, foi criada uma nova agenda capaz de combater preconceitos e discriminações, ligados à classe, à raça, ao gênero, às deficiências, à idade e à cultura. Conhecendo os distintos mecanismos de dominação, encurtou-se o caminho da conquista e ampliação de direitos, da afirmação profissional e pessoal. E é exatamente contra tudo isso que se volta a peroração serrista. A sociedade organizada é o pavor dos oligarcas.

O candidato tucano não escolhe caminhos, métodos, processos e meios para permanecer como possibilidade de retrocesso político. A cada dia, ensaia nova manobra de politiqueiro provinciano, muito mais marcado por uma suposta esperteza do que pela inteligência que lhe atribuem articulistas militantes. Continuar chumbado ao sonho presidencial é sua obsessão. De tal intensidade, que já deveria ter provocado o interesse de psiquiatras em vez da curiosidade positivista de nossos “cientistas políticos” de encomenda.

O “Zé que quero lá" não é apenas jingle de campanha; acima de tudo, é o sintoma de um jogo teatral lamentável. Desprovido de recursos que conquistem a simpatia da platéia, se evidencia como burla ética, como o cristal partido que não se recompõe. Como ator político, é uma idéia fora de lugar, uma caricatura de si mesmo. Vocaliza como ninguém o protofascismo de sua base de sustentação.

Por não distinguir cenários, confunde falas. Quando tenta uma encenação leve, resvala para o grotesco. Quando apela para o discurso da competência, sua fisionomia é sempre dura, ostentando ressentimento e soberba. Os Césares romanos davam pão e circo à plebe. Aqui, sendo o pão tão prosaico, o ”Zé" não pode revelar os segredos da lona sob a qual se abriga. Seu problema, coitado, não é de marketing - é de tempo.

No governo em que ocupou duas pastas ministeriais, o cenário era sombrio. Parecia, ao primeiro olhar, que, no Brasil, tudo estava à deriva: desvios colossais na Sudene, na Sudam, no DNER; violação do painel eletrônico do Senado; entrega de ativos a preço vil; racionamento de energia e descrença generalizada na ação política. Os valores subjacentes aos pólos coronel/cliente, pai/filho, senhor/servo, pareciam persistir na cabeça de muitos de nossos melhores cidadãos e cidadãs, bloqueando a consolidação democrática. Era o tempo de Serra.

Tentar voltar ao proscênio oito anos depois é um erro primário. A política econômica é outra. Mais de 32 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado consumidor brasileiro. Segundo o chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, os cenários projetados até 2014 mostram que é possível duplicar esse número. A mobilidade social gerou um cidadão mais exigente. Uma consciência política mais atenta ao que acontece em todos os escalões do poder, um contingente maior de sujeitos de direito que exige mais transparência e seriedade na administração pública. Esse é o problema do “Zé”. Aquele que, depois de tantas Conferências, poucos o querem lá.

*Gilson Caroni Filho é sociólogo e mestre em ciências políticas. Nascido e residente no Rio de Janeiro, onde é professor titular de sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). É colunista da Carta Maior, colaborador do Jornal do Brasil e do blog "Quem tem medo do Lula?"

A charge é uma cortesia do cartunista Bira Dantas, também colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?".

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Todo mundo em pânico

(O neo-febeapá demotucano pós-pesquisa do Ibope)

Por Márcia Denser*

- Em 16/8, segunda-feira: IBOPE: DILMA 41% x SERRA 32%. Com apenas dez dias de intervalo entre os dois levantamentos do Ibope, Dilma dobra a vantagem sobre Serra, ampliando a diferença de 5 para 11 pontos. A pesquisa, que entrevistou 2.506 pessoas entre 12 e 16/8, apurando somente os votos válidos, deu Dilma 51% x Serra 38%. Ou seja, se as eleições fossem hoje Dilma ganharia no 1º. Turno.

- Nesse mesmo dia, em Porto Alegre, sob o efeito atordoante do Ibope, Serra elogia (pela ordem) Yeda Crusius (grande governadora!), Leonel Brizola e João Goulart! Perguntinha no editorial da Carta Maior: o tucano ainda é candidato a presidente ou aspirante a compositor de samba enredo? Porque parece que vai adotar, como jingle de campanha, uma espécie de Samba do Crioulo Doido Volume 2

- Fala 2 de Zé Pedágio em Porto Alegre: ”Não sou daqueles que dizem que o Congresso Nacional tem 300 vigaristas ou picaretas. Teve alguém que disse isso. Hoje, estão todos com a outra candidata”. Serra referia-se “sem se referir” a uma declaração de Lula em 1993, porque mal do Lula ele não pode falar, aliás, segundo um analista do Estadão, cada vez que Serra fala perde mais votos, logo ...

- Ele prefere botar o Lula logo na primeira estrofe do seu jingle de campanha, o que aponta para uma séria crise de identidade, segundo Jorge Furtado em seu blog, um jingle que é: 1) uma tentativa de fraude, pois investe na ignorância ou desatenção do eleitor, numa aposta que se tornou padrão; 2)uma confissão de derrota porque nunca na história deste país (ou de qualquer outro) se soube dum candidato que incluísse no jingle, logo no primeiro verso, o nome do opositor.

Como se o hino do Corinthians desse vivas ao São Paulo FC;

- Então, voltamos ao Samba do Crioulo Doido. Zé Pedágio já testou todos os discursos e combinações possíveis: de continuador de Lula, passando por pós-Lula, até sucessor de Álvaro Uribe (minha nossa!) na liderança da direita no Cone Sul;

- E absolutamente não ajuda nada Maitê Proença, na coluna da Sonia Racy, apelar “aos machos ferozes” para que exerçam seu “direito” de discriminar ferozmente o sexo oposto evitando assim a vitória de Dilma;

- O inevitável efeito “vai perder” nos blogs sinistros, sobressaindo o Noblat. Aliás, o site AmigosdoSerra está fora do ar há semanas.

- Apesar de pesquisas de opinião informarem que Bolívia, Venezuela, Cuba, FARCs, ergo comunismo-guerrilha-anos 60, são bobagens que, ou não chegam, ou não mobilizam a população, não obstante, lá está a Dilma Terrorista como matéria-piloto da revista Época desta semana.

Em tempo: Pós-divulgação da pesquisa do Ibope e devido ao bombardeio de internautas lembrando os laços espúrios das Organizações Marinho com a ditadura, com a qual lucrou durante 20 anos, o site de Época retirou a opção de enviar e ler comentários. E pano rápido.

- Mas sempre sobrarão muitíssimos demo-tucanóides com idéias “jeniais”:

1) Senadora tucana do Mato Grosso do Sul, Marisa Serrano propõe seguro-desemprego para artistas, músicos e técnicos de espetáculos devido à “instabilidade do mercado” (Ué! Mas o mercado não é uma maravilha? Não foi o neoliberalismo que impôs o darwinismo trabalhista acima de tudo? Sem absolutamente nenhuma contrapartida?);

2)Não esqueçamos nosso precioso Paulo Renato que felizmente retirou a proposta - descaradamente eleitoreira, senão fosse totalmente imbecil - de dar R$ 50,00 para cada aluno que fizesse recuperação (e para o professor,queridinho, não vai nada?);

3) Deu na coluna da Eliane Cantanhêde: última esperança do Serra é a Dilma perder votos entre as classes desfavorecidas, sobretudo no Nordeste, por causa da exigência de dois documentos pelo TSE, a colunista cinicamente achando “super-válido e super-positivo se o lance der vitória ao Serra” (se depender aqui do Congresso em Foco, sem chance:como já fazemos há tipo 6 anos, vamos divulgar o máximo possível todos os procedimentos necessários no sentido de orientar o eleitor).

- Em que pese já estar sendo inexorável desde algum tempo a ascensão de Dilma nas expectativas de voto, simultânea à queda vertical da candidatura Serra, a campanha tucano-pefelista prosseguiu acumulando erros, furos n’água, estratégias entre anacrônicas, estúpidas e equivocadas a tal ponto de se perceber o quanto ela desconhece os corações e mentes da população que pretende manipular via PIG, representado pela rede Globo, Folha, Estadão, revistas Veja, Época, Isto É & blogueiros nefandos;

- Segundo Emir Sader, a própria revista conservadora britânica The Economist considera que o povo brasileiro gosta do Estado porque lhe garante direitos. Como esta problemática – a dos direitos – não está incluída na ótica neoliberal, a direita brasileira é vitima dos seus próprios preconceitos e fica na contramão da opinião dos brasileiros;

-Comprovadamente, outro tema que já não mobiliza a opinião pública é o “mensalão” do PT (mensalão who????). Que o diga William Bonner nas “entrevistas” com os candidatos no Jornal Nacional, cujo favoritismo explícito pró-Serra e questões tolamente capciosas anti-PT, resultaram numa verdadeira aula magna de jornalismo canalha e estúpido, uma vez que subestimou o tempo todo o espectador. Ao fim e ao cabo, disse muito, disse tudo e falou alto mas por tudo o que não foi dito, por tudo o que foi calado, truncado. Interdito.

Donde as perguntas que não querem calar (das quais Zé Pedágio se esquivou tão lindamente, como se nem fosse com ele): será que, como presidente, ele
a) vai estender o pedagiômetro por todas as estradas federais?
b) privatizar a Petrobrax, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal?
E – medida sem precedentes: c) pagar a todos os alunos para irem à escola?
d) e, nesse caso,quanto pagaria ao professor?
e) hem?

- E no retorno às aulas, botar um cartaz na entrada de todas as escolas: Welcome to School! Como eu vi ontem, terça, 17/8, à entrada do Colégio Madre Cabrini, no bairro paulistano de Vila Mariana. Pois é. E eu me queixando da falta de leitores. Lembrando aqui que ISSO é um fenômeno que ainda acontece em Sampa onde, a despeito da sucessiva e incessante hecatombe tucana que assola os governos estaduais – a propósito, parece que o estado de São Paulo nem existe mais, se mudou para Miami! – Alckmin (PSDB), o picolé de xuxu diet, novamente dispara à frente de Fernando Mercadante (PT);

- Alguns leitores e internautas definem os governos tucanos em Sampa pela sigla PPPP: Privatização, Pedágios, Presídios & Porradas (a serem distribuídas aos “subversivos da vez”,tais como policiais & professores grevistas).

O fato é que a direita não tem projeto, apenas recicla a barbárie. Só lhe resta o terrorismo ideológico alimentado pela onipresente e difusa mentira hipócrita e puritana, ora dirigida ao narcotráfico, ora aos fumantes, ora pela satanização dos movimentos sociais. Desconsiderar o que vai nos corações e mentes da população faz parte do perfil da direita cujo projeto implica fundamentalmente em promover a despolitização, privatizar absolutamente tudo o que é público, esvaziar os direitos do trabalhador e cidadão, deixar todas as questões sociais sob a tutela dum estado repressor e policialesco.

E o arremate final é do Zé Simão, no UOL, consolando Serra: “Sempre haverá um pedágio no fim do túnel”.

ET: Fechando a coluna, saiu o Vox Populi: Dilma 45% x Serra 29%, assinalando 16 pontos de diferença. Pulando mais 5 em relação ao Ibope, que marcava 11 pontos.

Nesse pé, Serra também vai se mudar para Miami.




*A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), A Ponte das Estrelas (1990), Toda Prosa (2002 - Esgotado), Diana Caçadora/Tango Fantasma (2003,Ateliê Editorial, reedição), Caim (Record, 2006), Toda Prosa II - Obra Escolhida (Record, 2008). É traduzida na Holanda, Bulgária, Hungria, Estados Unidos, Alemanha, Suiça, Argentina e Espanha (catalão e galaico-português). Dois de seus contos - O Vampiro da Alameda Casabranca e Hell's Angel - foram incluídos nos 100 Melhores Contos Brasileiros do Século, sendo que Hell's Angel está também entre os 100 Melhores Contos Eróticos Universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUCSP, é pesquisadora de literatura, jornalista e curadora de Literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

FONTE: http://congressoemfoco.uol.com.br/coluna.asp?cod_publicacao=34089&cod_canal=14

Nascer a dente de cachorro

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Valter Alves de Oliveira Filho (*)

Estávamos todos lá, tomando assento no velho tapete de retalhos multicolorido, confeccionado a mão, cheio de detalhes que cobria alguns cortes no velho sofá marrom da sala de estar. Ao derredor os primos e primas que chegavam atrasados nos dias de sexta-feira, sempre às sete e meia da noite. Estes não se importavam em sentar-se nos tamboretes de madeira bruta. O importante eram as histórias que nos enchiam os olhos. As histórias da Vó Be eram as que mais prendiam a nossa atenção, quer fossem verídicas ou fictícias. Todos a conheciam pelo apelido, pois seu nome de batismo era pouco pronunciado até pelas próprias filhas e netos, e praticamente desconhecido mesmo dos vizinhos.

Vó Be era pernambucana, seu verdadeiro nome era Maria Ramalho Silva, uma anciã que mantinha uma “torda” de alimentos na feira livre de Santana do Ipanema (AL), desde os anos de 1960 até 82. Dona Be ficou conhecida de muitos ilustres e do povo em geral pela venda de tapiocas de coco ralado, acrescido de outros sabores. Como pernambucana, fazia questão de relembrar e divulgar um pouco dos seus saberes e da cultura do seu povo, os índios Fulni-ô. Dona Be nasceu na cidade de Águas Belas (PE) e migrou para o estado alagoano lá pelos idos de 1950.

Pelo convívio mais aproximado, eu, garoto traquino e cheio de curiosidades, buscava arrancar-lhe algumas palavras e expressões da sua língua nativa, o yaathê, do grupo lingüístico macro-jê, e que, com ressalvas, ela nos dizia que o orgulho dos Fulni-ôs, estava na preservação dos costumes e principalmente da língua como armas de defesa das futuras gerações. Confesso, naquela época não compreendia o porquê de tanto mistério envolvendo os dialetos e só recentemente viria descobrir as razões.

O yaathê é falado originalmente pela tribo Fulni-ô, tal qual fora a sua aquisição lingüística dos nossos antepassados. Hoje desperta a atenção de antropólogos e cientistas sociais, além de estudantes de diversas áreas das ciências humanas.

Uma expressão muito utilizada por indígenas e caboclos sempre me deixava inquieto, e foi numa dessas sextas-feiras de contos da Vó Be que a indaguei sobre o que significa “nascer a dente de cachorro?” (ou ser carregado a dente de cachorro?). Naquele momento, todos ficaram curiosos, atentos à resposta. Vó Be nos sorriu, tomou um gole do seu café, que ela própria havia torrado e pisado em um pilão de tronco de baraúna, e, após observar a tamanha curiosidade que tomara conta da sala, iniciou a história.

Conta-se que, em algumas tribos de costumes parecidos com os de língua de influencia macro-jê, como também os fulni-ôs, mantém seus rituais de purificação. As mulheres, ao engravidar, contam antes do parto com a assistência das anciãs indígenas e/ou do cacique da tribo; no entanto, era de costume as indígenas se retirarem para as reservas (mato) acompanhadas por um cachorro treinado, um animal tratado praticamente como um dos humanos. Quando a índia então paria, muitas das vezes o cão de caça transportava pela boca o curumim recém-nascido até a aldeia, para os devidos cuidados dos seus familiares. O curumim, mais novo membro da tribo, era saudado por todos como promessa de homem forte e valente, haja vista que já nascera enfrentando os obstáculos impostos pela mãe natureza. Vó Be dizia que essa seria uma das versões românticas que se dava àquela expressão, “a dente de cachorro”, usada muitas vezes como metáfora que possa expressar outras dificuldades e lutas do dia-a-dia.

Como era de praxe, ela sempre encerrava seus contos e causos encantadores com a frase: “Contei a minha história. Comecei no pé do pinto terminei no pé de pato, seu rei mandou dizer que contasse a quatro”. Todos nos dávamos por satisfeitos e sempre queríamos mais as histórias fantásticas da Vó Be.

Fragmentos: Tributo a Vó Be

(*)Valter Alves de Oliveira Filho: Professor, descendente do grupo indígena Fulni-ô, que ainda hoje habita as margens do médio rio Ipanema, junto aos limites do município de Águas Belas (PE). Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.




Santana Oxente!








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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Jarbas tomou o caminho da perdição

Jarbas tomou o caminho da perdição

Por Urariano Mota (*)

Assim como o seu candidato Serra em todo o Brasil, Jarbas Vasconcelos tem descido uma ladeira em Pernambuco. De um ponto de vista da pesquisa eleitoral, a sua ascensão para baixo tem sido mais rápida que o candidato à presidência, como se estivesse em queda livre. No mínimo, desde a pesquisa Datafolha, que lhe dava 28% das intenções de voto, até a última do Diário Data, quando caiu para 17%, contra 60% de Eduardo Campos, nem o chão para Jarbas é o limite.

Se considerarmos que esse mergulho se deu entre 24 de julho e 14 de agosto deste ano, Jarbas Vasconcelos perdeu 11% de intenções de voto em três semanas. A essa razão de velocidade de queda, 11/3 semanas, ele chegará em 3 de outubro devendo uma fábula de votos aos pernambucanos: será votado por absurdos 9% abaixo de zero. Seria como se nas urnas houvesse um medidor de votos negativos, uma tecla em que se apertasse contra o nome do candidato. Algo como uma luzinha verde para o cara rejeitado.

Na verdade, antes de obedecer à lei de gravidade para o seu grande corpo em queda, Jarbas parece mais obedecer a uma lei da maldição. Entendam, por maldição queremos dizer o mau destino que tomamos, nas escolhas que fazemos contra a força do tempo. A maldição de Jarbas vem antes, bem antes destas últimas eleições. Em 1998, quando ele se aliou aos conservadores e resistentes da ditadura (notem, da ditadura, não contra ), Miguel Arraes observou em discurso: “Jarbas tomou o caminho da perdição". Quando assim o observou, Arraes não teve a presunção de lhe fazer uma profecia ou de lhe rogar uma praga. Apenas definiu um caráter que se modificava em suas escolhas, apenas definiu um destino. “Apenas”.

Arraes, um líder popular que se definiu pelos trabalhadores da cana em Pernambuco, que recebeu reportagem histórica de Antonio Calado, com aquela frase anteviu os passos seguintes de um político, que era até então um combatente nos duros tempos do Recife. Como bateria na mesa hoje o velho Arraes, se vivo estivesse, o caminho tomado por Jarbas foi “dito e feito”. Por hábitos e modos de sua conservadora companhia, que não era de Jesus, Jarbas passou a retirar do seu caminho jornalistas incômodos, independentes, como no episódio do colunista Inaldo Sampaio, que perdeu um emprego de mais de 22 anos no Jornal do Commercio, por lhe ousar a insinuação de uma crítica.

E mais fez, singular e plural, no caminho que tomou. Em troca das luzes da Rede Globo, das páginas amarelas da imprensa marrom, passou a paladino da moral e da moralidade, logo ele, de quem não se pode dizer que seja um modelo, para usar um eufemismo de educação. Jarbas passou a ser instrumento de ataque aos avanços do governo Lula, e de tal modo, que culminou com esta pérola na revista Veja:

“Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família”

Ou seja, sucumbiu aos preconceitos de uma classe média desinformada, o que é sempre uma redundância. Mente sem se informar primeiro, como nesse garçom que teria deixado de trabalhar para viver de duas bolsas, como se isso fosse possível. Mente porque assimilou a falsa ideia de que o povo não gosta de trabalhar, vale dizer, são uns folgados que não se submetem a baixos salários. Quando não está a pregar contra a corrupção no congresso, do presidente, ou do próprio partido, está em fotos nas colunas sociais com modelos jovens, candidatas a miss, numa ostentação de virilidade de novo-rico, vale dizer, novo viril.

Em suas recentes aparições na tevê, a sua imagem é constrangedora, cruel, quando a colamos à memória do antigo Jarbas. Ele fala mal, com dificuldade, desarticulado. Parece haver uma chapa mal fixa na boca, as palavras lhe saem bêbadas, com sílabas à beira de um AVC. Tem o ar e cara permanente de ressaca, a entender mal as perguntas em qualquer debate. Usa palavras sem propriedade, como aqui, “o crack contagia no seu contato”, confundindo um vício com um vírus. Sempre com a respiração ofegante...

Um escritor diria que há personagens que dilatam desonrosamente a própria vida. Miguel Arraes diria, como disse, que há pessoas que “tomam o caminho da perdição”. Esse foi o caso de Jarbas, ou do ex-Jarbas.

*Urariano Mota é jornalista e escritor. Autor do livro “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do Cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo. Urariano é pernambucano, nascido em Água Fria e residente em Recife. É colunista do site “Direto da redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

Mulheres, Irã e esquerda


Mulheres, Irã e esquerda

Por Rui Martins (*)

Berna (Suiça) - O episódio envolvendo a mulher iraniana, Sakineh, ameaçada de morte por apedrejamento, o presidente iraniano Ahmadinejad e o nosso presidente Lula, tem o grande mérito de esclarecer certas tomadas de posição da esquerda brasileira.

Embora eu tenha lido que a embaixada iraniana no Brasil vai fazer uma campanha de esclarecimento, ja há coisas bastante claras. Mas vamos começar do princípio – um postulado básico do posicionamento da esquerda e mesmo objetivo de sua luta política é o respeito a um princípio não negociável, os direitos humanos.

A longa trajetória da esquerda tem sido marcada por campanhas que foram contra a escravidão, como a memorável luta dos escravos comandados por Spartacus; pela liberdade do pensamento, na qual Erasmo, Guttenberg, Lutero tiveram relevância; pela ação de pacifistas em favor do respeito da dignidade humana e contra o imperialismo, como Cristo e Gandhi; pelas mulheres que, ainda recentemente, conquistaram o reconhecimento de serem iguais aos homens, como Simone de Beauvoir, a ex-ministra francesa Simone Weil, a advogada francotunisiana Gisele Halimi, por terem conquistado o direito legal de abortar e outros tantos homens e mulheres que, aqui na Europa e nas Américas, acabaram com os casamentos arranjados e forçados, e chegam mesmo a reconhecer o direito da mulher vender o prazer sexual se a isso não for obrigada.

Esta luta das mulheres,cujos resultados têm sido colhidos nos nossos dias, têm sido uma das mais difíceis, porque mesmo entre esquerdistas notórios, revolucionários e militantes pelos operários, o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres não foi automático. Por absurdo que possa parecer, as mulheres militantes na Revolução Espanhola, na Revolução de Outubro tinham escalão inferior, clima que existia também entre muitos marxistas.

Ora, na marcha da História, onde existem recaídas e retrocessos, o reconhecimento da dignidade das mulheres, do seu direito à liberdade para viver, casar e divorciar, ter ou não ter filhos, ser ou não fiel ao amante ou marido, é assegurado num número reduzido de países. E no próprio Brasil ainda não é de todo reconhecido.

Faz pouco anos, todos os autores de crimes passionais eram absolvidos. O caso mais flagrante da justiça machista brasileira é o do ex-diretor do jornal O Estado de São Paulo, Pimenta das Neves que matou pelas costas sua ex-amante, a jornalista Sandra Gomide, por ter sido por ela preterido e, embora condenado, vive em liberdade aguardando uma decisão do STF que, pelo jeito, nunca virá. No Brasil, não se apedreja Sakineh ou Sandra, mata-se a faca ou a tiros, e fica por isso mesmo, porque a justiça e a sociedade fazem vista grossa.

Ora, onde eu quero chegar ? O posicionamento de esquerda não deve e não pode permitir o caucionamento de regimes e governos ainda na idade da pedra e dos apedrejamentos em questões de direitos humanos que incluem, é óbvio, as mulheres. Mesmo quando se trata de manobra tática política, o contrapeso é excessivamente pesado.

Apoiar regimes que lapidam mulheres, obrigadas a serem fiéis a maridos que lhes foram impostos, ou simplesmente vítimas de suspeitas ou de tramas familiares é um contrasenso e não ajudará esses países a promover as reformas necessárias em favor das mulheres, livrando-as do jugo de religiosos retrógrados.

Apoiar regimes que cortam mãos, pés e cortam o nariz e orelhas da mulher que declara querer se divorciar, é ser conivente e cúmplice. Isso não quer dizer que o imperialista Bush podia invadir e ocupar países do Oriente Médio. Cada país tem direito à sua autodeterminação e a evoluir. A Europa queimava hereges na fogueira, caçava bruxas e punia as adúlteras, isso ainda há trezentos anos. O Afganistão e a milenar Pérsia vão evoluir sem precisar de soldados ocidentais, ao contrário a ocupação americanoeuropéia só vai atrasar essa evolução.

Outra coisa, não é porque Israel tem governo de extrema-direita, aplica uma indecente política de colonização e humilha os palestinos que o Hamas se transforma no movimento revolucionário exemplar e que a Palestina governada pelo Hamas será o paraíso. Ninguém é obrigado a ser por Israel ou pelo Hamas, é muito mais coerente e correto sem contra os dois. Não é porque não aceito o prepotente Natanyaou, que vou justificar o Hamas religioso, que vem acabando com o laicismo do Fatha e com as conquistas das mulheres palestinas da época de Arafat.

Sakineh, a mulher iraniana ameaçada de morrer apedrejada não é a primeira e nem vai ser a última. Já houve mobilizações mundiais em favor de mulheres condenadas ao apedrejamento em países islamitas africanos.

Quem viu o filme baseado no romance de Khaled Osseini, sobre o Afganistão de antes da invasão soviética (não se deve esquecer) até a atual ocupação ocidental, lembra-se da cena da mulher lapidada. Ainda há uns cinco anos, um professor em Genebra, justificava no jornal Le Monde o apedrejamento de mulheres adúlteras até a morte. Era Hani Ramadan, filho do criador do movimento islamita fundamentalistas Irmãos Muçulmanos e irmão do líder islamita na Europa, Tarik Ramadan, que até hoje não deixou claro se apoia ou não esse tipo de punição ditada pela chariá do Corão.

O caso da mulher iraniana ameaçada de ter seu rosto e cabeça destruídos por pedras lançadas por homens não é apenas a resposta iraniana maleducada ao nosso presidente Lula, por ter oferecido refúgio à iraniana.

É muito mais que isso – é a existência no nosso planeta de regiões e religiões que consideram as mulheres seres inferiores, que as escondem sob o manto escuro da burca e as matam a pedradas. Não vejo como poderia apoiar ou justificar, mesmo como tática política, tais países. Só com condenações e denúncias (não guerras ou invasões) poderão evoluir. A destruição do Iraque, país laico, pelos americanos favoreceu o islamismo ortodoxo iraniano. E hoje, em lugar dos não religiosos Nasser, Arafat e Sadam Hussein, o líder da região é Ahmadinejad apoiado por molás e imãs, como na nossa Idade Média de reis e imperadores apoiados pelo Vaticano.


*Rui Martins é jornalista. Foi correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. É autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. É colunista do site "Direto da Redação" e vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, e com o blog "Quem tem medo do Lula?"

O segredo de Lula

O segredo de Lula

Por Luiz Antonio Simas*


É impressionante como uma parcela significativa da elite letrada brasileira não consegue engolir a presença de Lula na presidência. Mais do que uma oposição fundamentada em razões consistentes para criticar o governo, boa parte da oposição a Lula me parece fruto de preconceito deslavado - menos contra a figura de Lula do que contra a carga simbólica que sua trajetória representa.

Somos um país históricamente marcado pela valorização demasiada da cultura bacharelesca e, ao mesmo tempo, por quatro séculos de escravidão que acabaram por desqualificar completamente o trabalho manual. A primeira constituição brasileira - a carta do Império de 1824 - estabelecia o voto censitário e preservava o escravismo, com o argumento de que libertar escravos atentaria contra o direito à propriedade privada. A primeira constituição da República - a de 1891 - proibia o voto do analfabeto e, ao mesmo tempo, não atribuia ao estado brasileiro o dever de alfabetizar a população. O Brasil, em resumo, foi pensado por sua elite política e econômica a partir da perspectiva da exclusão das massas populares do exercício da cidadania e do acesso ao saber formal

Lula, nesse sentido, foi o presidente que mostrou a essas elites que o Brasil pode, para elas, dar errado. Sim, porque até agora, na perspectiva dos donos do poder, o Brasil vinha dando certo. É simples: a exclusão social brasileira não foi resultado de políticas fracassadas. Ela foi pensada e praticada como um projeto de Estado-Nação. A chegada de Lula ao poder e a aprovação popular ao seu governo tem uma dimensão simbolica única na trajetória brasileira - é o tapa na cara da elite bacharelesca que se sente detentora do saber-poder desde sempre e não admite o sucesso do sujeito sem educação formal que, como homem comum [daí a sua grandeza] que é [somos], ocupa o cargo outrora destinado aos fidalgos do bacharelismo.

O horror de muitos adeptos da cultura bacharelesca - a tal da cultura formal - ao presidente do Brasil é o pânico diante da ameaça ao monopólio do saber instituído que essas elites sempre prezaram e exerceram. O recado que a trajetória de Lula manda aos doutores é a expressão viva da bela meditação de Vinicius de Moraes em seu Canto de Oxalufã:

Você que sabe demais
Meu pai mandou lhe dizer
Que o tempo tudo desfaz
A morte nunca estudou
E a vida não sabe ler

O beabá
Não dá pra ninguém saber
Por que é que há
Quem lê e não sabe amar
Quem ama e não sabe ler?

Você que sabe demais
Mas que não sabe viver
Responda se for capaz:
Da vida, quem sabe lá?
Da morte, quem quer saber?

Oxalufã, o Senhor do pano branco, avisa aos sabichões que o mistério do homem se instaura no tempo que a todos iguala no caminho da Noite Grande - a morte, afinal, nunca estudou e a vida não sabe ler. O conhecimento formal nunca foi sinônimo de conhecimento vital, sabedoria de vida, revela o poeta em sua prece ao grande orixá.

As elites sofisticadas brasileiras, os sabichões intelectuais, as viuvas do príncipe da sociologia FHC, os intelectuais orgânicos da plutocracia paulista, os donos dos bancos acadêmicos que vêem seus tronos doutorais ameaçados pela adoção do sistema de cotas sociais e raciais no Brasil, os conhecedores de verbos certos e letras mortas, não compreendem o sucesso de Lula por um simples motivo: É a eles que o poeta - ridicularizado por membros dessa mesma elite quando se aproxima da Umbanda e do Candomblé - se dirige quando indaga:

Por que é que há
Quem lê e não sabe amar
Quem ama e não sabe ler?

A resposta, senhores, ao mistério da popularidade de Lula está na pergunta que o poeta faz ao orixá que nos acolhe debaixo de seu alá funfun e guarda os segredos do mundo na ponta do Opaxorô, o cajado sagrado. Durante quinhentos anos o Brasil foi governado pelos letrados.

Começou a ser, com Lula, governado por quem ama.

*Luiz Antonio Simas mantém o blog "Histórias Brasileiras"

=> Agradeço ao companheiro Luiz Alberto Molinar pelo envio deste belíssimo texto como sugestão para o "Quem tem medo do Lula?".

VAI DAÍ QUE O MUNDO É ASSIM

VAI DAÍ QUE O MUNDO É ASSIM


Laerte Braga


Soldados do exército de Israel roubaram aparelhos eletrônicos apreendidos nos navios da flotilha da paz. Pretendiam vendê-los. É típico de forças armadas braço do terrorismo de estado, incentivado e cultuado pelos comandantes. É comportamento padrão do Estado de Israel.

A comissão que vai investigar o assunto, entre outros, inclui como vice-presidente, o narcotraficante Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia. Responsável por massacres de líderes de oposição, cumplicidade com organizações de extrema-direita e pela entrega da soberania de seu país aos Estados Unidos.

Por curiosidade, assim que Uribe deixou a presidência, a Suprema Corte colombiana anulou o tratado militar celebrado com os norte-americanos. Não obedeceu aos chamados trâmites legais. Sete bases militares para combater o narcotráfico e manter a ordem no país. Segundo alguns dos juízes a Colômbia e suas instituições são capazes de combater o tráfico e manter a ordem.

O diabo é o tipo de ordem que gostam de manter.

Em Honduras, o governo farsa de Pepe Lobo mata em média um opositor por dia e na quarta-feira uma criança de seis anos foi seqüestrada e levada a uma prisão. O que uma criança de seis anos pode causar de dano a uma ditadura disfarçada de democracia não sei.

Uma húngara de dezenove anos está leiloando através de um canal de tevê chamado TABU a sua virgindade. Conhecida como “miss primavera”, pretende usar o dinheiro para pagar uma dívida imobiliária de sua mãe – casa própria –.

Recusou uma oferta de 100 mil libras de um cidadão da Grã Bretanha. É que o cara além da virgindade queria um relacionamento. “Miss primavera” quer apenas pagar a dívida da mãe e evitar que a família fique sem casa.

“É só por uma noite, não quero um marido, quero pagar a dívida. Ele será o nosso salvador”. O leilão da virgindade vai até o dia 25 de agosto. E todas as medidas da moça estão disponibilizadas no site da tevê que promove o leilão.

A Hungria era um país governado pelos comunistas até o fim da União Soviética. Hoje é o que chamam de democracia.

Lembra o jogador Petkovic quando perguntado por Ana Maria Braga, especialista em coisa alguma, sobre como era nascer num país comunista, pobre e onde as pessoas sofriam. A resposta dele – “não, nós tínhamos emprego, educação e o que comer, a fome, o desemprego e a pobreza começaram depois com o fim do comunismo”.

Se não existisse o tal de louro, seria inventado na hora.

Demétrius Russ, de 21 anos, negro, foi preso em Indianápolis nos EUA, estado de Indiana, pois estava falando ao telefone celular com as calças abaixadas e a cueca aparecendo.

Uma pesquisa feita nos EUA mostra que 18% dos norte-americanos acreditam que o presidente Barak Obama seja muçulmano. Obama havia autorizado e depois recuou, a construção de uma mesquita nas proximidades do que foi o World Trade Center.

O Partido Republicano continua governando os EUA e o ódio se soma ao imperialismo capitalista numa espécie de governo mundial, diagnóstico de Fidel Castro, na sabedoria de um líder que não se curvou em momento algum. E a poucas milhas marítimas de Miami, centro mundial do tráfico, das grandes máfias, a Chicago contemporânea.

Era lá que o brasileiro Sérgio Naya tinha um hotel de luxo e tomava champanhe em taças de cristal que depois atirava contra as paredes. Não as paredes dos prédios que construía, essas caiam a matavam pessoas.

Uma das séries de tevê mais populares no mundo inteiro, CSI – Criminal, Scene and Investigation – exibiu uma episódio em que uma empresa se dedica à cultura de transgênicos e no desprezo absoluto pela vida humana, pelo ser humano, permite que a contaminação de uma determinada espécie de milho gere botulismo em 01% dos que consomem o tal milho. A justificativa do presidente da empresa é que o índice é baixo e por isso os benefícios são imensos. Botulismo mata.

Na série o presidente da empresa vai responder judicialmente pelo crime. Algumas pessoas morreram com a doença. Na vida real a MONSANTO deita e rola no Brasil e países latinos de um modo geral.

E a senadora Kátia Abreu, do DEM, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, se refestela em dinheiro público desviado para suas campanhas eleitorais.

Mais ou menos como as Granjas Carrol, geradoras da gripe suína. Perseguida em alguns estados do império, foi deitar ramas no México, colônia mais próxima dos EUA.

Chamam isso de agronegócio. Interessante é que no episódio de CSI a revolta é também de um pequeno agricultor que cismou de continuar a cultivar produtos orgânicos. Por “coincidência” o agricultor é negro.

Negros somos todos no desprezo e no terrorismo capitalista, discriminados e tratados como selvagens, na selvageria de soldados mercenários contratados por empresas privadas, por sua vez contratadas pelo Pentágono para libertar o mundo de “terroristas”.

Nas horas vagas se dedicam ao saque, ao tráfico de drogas e mulheres, assim como os soldados de Israel torturam, estupram e matam palestinos, além de lhes roubar a terra e agora, a ajuda humanitária.

Deve haver alguma explicação, penso eu, pois é o povo eleito de Deus, então...

Como a arte imita a vida, ou a vida imita a arte, agentes de saúde dos EUA, sempre eles, fizeram o recall de 380 milhões de ovos (como não sei, mas a notícia é que fizeram) contaminados com a bactéria salmonela, tudo com elevado rigor tecnológico, mais ou menos como aquela máquina de alimentar trabalhadores de um dos filmes magistrais de Chaplin. “TEMPOS MODERNOS”.

Os moradores dos estados da Califórnia, Colorado e Minnesota foram atingidos por um surto provocado pela bactéria.

A preocupação com cidadãos comuns nos EUA está sumindo desde o governo Bush de maneira mais acentuada. Cada dia mais os EUA transformam-se em EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Não é uma criação de Ian Fleming. A SPECTRE perde longe para a nova organização, e olha que é ficção e a AL QAEDA é fichinha nessa história.

No Brasil, onde pontifica a mídia colonizada e servil, mas regiamente paga, o narrador esportivo Galvão Bueno, que se imagina uma espécie de enviado divino, não erra nunca, tem razão em tudo, declarou que a rede onde trabalha, a GLOBO (onde mais?) deveria mandar no futebol brasileiro, pois “ela paga as contas”.

Os diretores da dita rede, que não noticiam nada que contrarie os “nossos amigos americanos”, palavras do robô William Bonner (penúltima geração de puxa sacos), paladinos da “democracia, transferiram o primeiro jogo da semifinal da Libertadores da América para o mesmo dia e horário em que a rede concorrente – e aliada – BANDEIRANTES, promovia um debate entre alguns dos candidatos a presidente da República.

Com certeza, até o dia das eleições, alguns dossiês especialmente contratados para agradecer a José Arruda Serra a doação de terreno público em São Paulo, algumas caravanas para iludir e mentir e no final a culpa vai ser do Irã, e de Chávez.

Cá para nós, recall de ovos é um trem difícil de entender. Bota difícil nisso.

Quem estiver interessado em miss primavera, a moça da virgindade, é só tentar o site da tevê TABU e fazer uma oferta. Madona levou cinco milhões de dólares aqui num papo de duas horas. Apagou incêndio provocado por bombeiro.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Depois de os pardais do TSE aplicarem multas indiscriminadas contra Lula e Dilma, muda as regras de exigência de identificação do eleitor

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Cantanhede: Última esperança de Serra é Dilma perder voto por causa da exigência de documentos no TSE

Miguel do Rosário

Essa aí me deu um calafrio na espinha. Incrível o cinismo desses caras. Eles mencionam a possibilidade de um segmento inteiro da população ser privado de um direito político fundamental, e acham que isso é válido e positivo para garantir uma eventual vitória de um candidato...

Eliane Cantanhede, em sua coluna de hoje, cita a declaração de Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, para lembrar que a exigência de dois documentos, decretada em cima da hora pelo TSE, dirigido por "jênios", pode afetar e mudar o resultado eleitoral deste ano. E fala isso sem a mínima emoção, como se fosse uma coisa normal.

Segue o trecho da coluna em que ela fala dessa possibilidade:

A esta altura, a oposição luta não para ganhar, mas para garantir segundo turno. Se depender só dos programas, é improvável. Mas há outros fatores em jogo, e um deles, como lembra Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, é a exigência de dois documentos para votar - o título de eleitor mais um outro com foto. Isso pode gerar alguma quebra de voto para Dilma no Nordeste e entre a população de baixa renda. Se ela disparar, é bobagem. Mas, se a margem para vencer no primeiro turno for estreita, qualquer tremelique pode fazer diferença.

Com o massacre que se delineia no horizonte, é bem provável que essa exigência não faça diferença nas eleições majoritárias. Mas isso não exime o TSE desta odiosa irresponsabilidade. A lei foi sancionada pelo presidente Lula, e visa combater fraude eleitoral. Mas a sua aplicação para esta eleição é responsabilidade do TSE, que deveria tê-la transferido apenas para 2012, dando tempo ao Estado e aos cidadãos para se adaptarem a mudança.

O dia hoje está com MUITA notícia importante. Tive até que deixar de lado a análise estatística do Datafolha. Vamos fazer o Clipping desta terça-feira.

Analista do Estadão: quanto mais Serra aparece mais perde votos

Merval ainda não largou o osso. O colunista do Globo ainda tem uma tênue esperança. Sua teoria, coitado, de "estados" e "regiões" tucanas desmanchou-se no ar em poucos dias. Sua coluna de hoje é para explicar porque esses lugares que seriam, em tese, "tucanos", estão votando na Dilma.... Sua esperança é essa: "Se houver segundo turno em Minas, e Alckmin vencer no primeiro turno em São Paulo, é possível que Serra tenha uma performance melhor num eventual segundo turno frente a frente com Dilma."

O Jênio, o preparado, o fodão, queima o restinho de ponte que poderia levá-lo a alguma espécie de futuro político. Depois de ofender o presidente do Irã, Bolívia e Venezuela, Serra ofende as centenas de parlamentares que apoiam Dilma. Lula fez isso quando o PT nunca havia sido governo e o próprio presidente admite, humildemente, que dizia muita bravata. Serra não tem desculpa. Esfomeado, quer apenas comer a xepa da feira, os votinhos rancorosos e alienados.

Ainda o papo de dossiê. O tema é frio, sobre o xarope do Eduardo Jorge, cujos documentos fiscais, para a mídia, são mais interessantes que a vida sexual de Mick Jagger; na falta de outro assunto, continuam apostando nele. Hercule Poirot, detetive da Agatha Christie, foi contratado para desvender esse mistério: qual o interesse de Dilma em fazer dossiê contra Mick Jagger, quer dizer, contra Eduardo Jorge?

Hummm.... Vê esse twitter do Gardêncio Torquato, analista eleitoral:

Pô, quem não tinha experiência era o Lula, que nunca tinha governado nada. Dilma foi ministra chefe da Casa Civil, manda-chuva dentro do governo. E o PT de hoje é muito experiente que no passado. Essa história de falta de experiência não cola.

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, dá conselhos para a campanha de Serra e descobre que os eleitores do tucano são mulheres de olhos azuis que moram em Blumenau.

Lula vai às portas de fábrica em São Paulo.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Lula X FHC: Impossível não comparar

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Relato de um psicólogo norte-americano que esteve em Cuba recentemente.

Certo dia de 1962, quando eu tinha uns dez anos, estava brincando no quintal de um amigo da vizinhança em Tulsa, Oklahoma. Meu amigo teve uma rusga com sua mãe e me deixou surpreso quando gritou para ela: "Vou te mandar para Cuba!". Como regra, tinha-se a crença de que Cuba era o pior lugar do mundo e gritar uma coisa dessas para a mãe, poderia ser interpretado como uma das piores coisas imagináveis de se dizer.



Quarenta e oito anos depois eu fui a Cuba para ver por mim mesmo. Eu fiz parte de uma delegação de profissionais de saúde que visitou a Ilha, de 08 a 18 Janeiro de 2010, para estudar o serviço de saúde cubano. A delegação foi organizada pela agência de viagens Marazul, uma das poucas licenciadas pelo EUA, para facilitar as viagens de cidadãos norte-americanos a Cuba.



Depois de quase 50 anos, ainda são proibidas de viagens cidadãos dos EUA para a ilha. Cuba é o único país no mundo que os cidadãos norte-americanos não podem viajar livremente.



E Cuba, como muito bem me expressou uma mulher cubana, "não é o céu, mas tampouco é o inferno".



A nossa delegação, composta pelas organizações Witnesses for Peace (Testemunha para a Paz) e o Grupo de Trabalho para a América Latina, na qualidade de consultores, visitou muitos centros de saúde em Havana, e alguns centros de saúde rurais em Puerto Esperanza. Muitas de nossas reuniões tiveram lugar no Centro Martin Luther King Jr., em Havana. Ao lado deste Centro encontra-se a Igreja Batista Ebenezer.



Participamos dos cultos da igreja, que foram muito gratificantes. As pessoas são amigáveis. O sermão centrou-se na libertação da opressão. As pessoas presentes estavam muito emocionadas e nos abraçamos e unimos nossas mãos, durante o serviço. Expressava-se um verdadeiro sentido de solidariedade com os seres humanos que lutam por uma vida melhor.



Muito tem sido escrito sobre o governo cubano restringir os serviços religiosos, mas não vi nada parecido. Visitamos várias igrejas católicas, a Igreja Batista e uma igreja pentecostal. Em Cuba, a atenção à saúde é considerada um direito da mesma forma que consideram a educação como um direito. Os cuidados de saúde e educação são fornecidos a todos os cidadãos, sem nenhum custo. Eu estava impressionado com o amor e o cuidado de saúde onde estávamos. Eu não vi longas filas nos ambulatórios, apesar do fato de que a assistência médica é pró-ativa e vão para os bairros para ajudar os pacientes carentes. Acredite ou não, há médicos de família com visitas regulares às casas em cada bairro. Eles enfatizam a prevenção como tratamento.



Visitamos também a famosa Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), perto de Havana, onde os alunos recebem formação para se tornarem médicos, sem custo para os estudantes e suas famílias. Há alunos dos EUA e nos reunimos com eles. Os cubanos exigem para sejam aceitos com alunos, na ELAM, que ao retornar às suas comunidades, após a graduação, sirvam as populações carentes, ou seja, os pobres e as minorias. Anteriormente, no edifício da ELAM funcionava uma academia naval, que por decisão do governo tornou-se uma escola de Medicina.



Os cubanos enviaram cerca de 135.000 profissionais de saúde a mais de 100 países do mundo. Países como Venezuela e Haiti, e muitos países da América do Sul e África são os destinatários dos médicos formados em Cuba. Cuba mantém um programa de intercâmbio com a Venezuela, em troca de petróleo venezuelano, o que tem sido benéfico para ambos os países.



Os cubanos também tendem a dar grande ênfase à cultura e história. O Palácio Presidencial que foi ocupado pelo ditador Fulgêncio Batista, foi transformado em um museu. Uma das mansões do Batista é agora um estúdio de dança. Os edifícios que cercam a casa de Batista, que antes eram quartéis, agora são escolas.



A criminalidade é praticamente inexistente e é seguro andar pelas ruas de Havana, em todos os momentos do dia. As pessoas são muito simpáticas e prestativas e pareciam genuinamente interessadas em falar com os norte-americanos. Eu conheci um idoso afro-cubano que tinha vivido nos EUA durante 26 anos e decidiu voltar para Cuba para se aposentar. Nós nos encontramos com duas mulheres norte-americanas que decidiu se mudar para Cuba, onde vivem com seus maridos cubanos.



Atualmente existe uma legislação no Congresso americano destinada a levantar a proibição de viagens a Cuba. A versão da Câmara é a HR 874 e a versão do Senado é a S 428. Este é o momento para as pessoas contactar os seus deputados para expressar a sua opinião sobre esta questão.



Parece irônico que nos Estados Unidos, uma nação que se orgulha de ser "livre", os seus cidadãos não pode viajar para este belo país, há apenas 90 milhas de nossas costas.

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James Thompson, Ph.D. é psicólogo, em Houston.

Contato: pthompson1959@comcast.net



Fonte: CUBA DEBATE

Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.


FONTE: http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=c23497bd62a8f8a0981fdc9cbd3c30d9&cod=5982

CURTA PORTUGUÊS GANHA LEOPARDO DE OURO

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Rui Martins* - do Festival de Cinema de Locarno, Suíça

Apenas um filme de língua portuguesa foi premiado pelo júri do Festival de Locarno – Uma História de Mútuo Respeito.

Terminou hoje [14/8], depois de dez dias de projeções de filmes de todo o mundo, o Festival Internacional de Cinema de Locarno, com a cerimônia de entrega dos prêmios Leopardos de ouro e de prata.

Os brasileiros Helena Ignez e Ícaro Martins, diretores do filme Luz nas Trevas, que estreou no Festival de Locarno, como uma continuação do Bandido da Luz Vermelha, só ganharam um prêmio de um grupo paralelo de críticos de cinema, o prêmio Boccalino. Nenhum prêmio foi concedido ao filme brasileiro pelo júri oficial.

O mesmo ocorreu com Ricardo Targino, diretor do curta-metragem Ensolarado. Mas o cinema de língua portuguesa ou lusófono teve seu prêmio, o Leopardo de Ouro de curta metragem foi para Uma História de Mútuo Respeito, codirigida pelos jovens portugueses Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt em Brasília e nas Cataratas de Iguaçu. O curta-metragem de 23 minutos fez parte da paralela Leopardos de Amanhã. Ambos já tinham sido premiados no festival IndieLisboa com o Media Recording por esse mesmo filme.

Confirmando ser um festival de filmes de autor, o Leopardo de Ouro para filme de longa-metragem foi para o filme chinês Han Jia, Férias de Inverno, de Li Hongqi, com conversas e debates entre quatro jovens sobre temas como o amor e sua influência sobre os estudos e a importância da formação escolar.

O prêmio especial do júri foi para Morgen, ou Amanhã. Filme romeno de Marian Crisan, que trata da questão da imigração ilegal dentro da União Européia. Nelu, um velho romeno, trabalha como segurança num supermercado e, nas folgas, vai pescar. É na pesca que encontra um imigrante turco ilegal, e o leva para casa. Os dois não se entendem por falarem idiomas diferentes, o romeno e o turco, mas a única coisa que Nelu entende é que Nelu quer ir para a Alemanha. Curiosidade, o diretor Marian Crisan confessou, em Locarno, que seu ator turco é imigrante clandestino na Romênia.

O prêmio de melhor direção foi para o canadense Denis Côté, com o filme Curling, onde o personagem principal é esquizofrênico e mantém sua filha isolada totalmente do mundo, sem ir à escola e sem ter amigos, desenvolvendo comportamentos estranhos diante de certas situações. O ator desse filme Emmanuel Bilodeau ganhou o prêmio de melhor interpretação, enquanto o prêmio de melhor atriz foi para a sérvia Jasna Duricich, do filme Beli Beli Svet, rodado numa cidade mineira da Sérvia, onde a miséria leva seus habitantes a viverem dramas e tragédias como o incesto.

Na Piazza Grande, onde uma média de 6 mil pessoas viu, à noite ao livre, num telão de 300 m2, 16 filmes, foi premiado pelo público o filme israelense de Eran Riklis, O Responsável Pelos Recursos Humanos, contando as complicações para o enterro de uma cristã ortodoxa morta em Jerusalém num atentado kamikase.

* * *

A estréia do novo diretor, Olivier Père, na direção do Festival Internacional de Locarno, foi considerada como bastante positiva pela crítica de cinema e se pode falar numa boa safra. Porém, se os espectadores puderam ter bons filmes, tanto na Piazza Grande com seu telão de 300 m2 como nas paralelas e na retrospectiva com filmes de Ernst Lubitsch, ficou difícil se prever sobre os prováveis ganhadores dos leopardos de ouro e de prata.

Na lista dos prováveis vencedores está o excelente filme italiano Pietro, de Daniele Gaglianoni, tendo no papel principal Pietro Casella, que poderia ganhar facilmente o prêmio de melhor ator não fôsse a presença de Michel Bouquet, num filme concorrente. É a história de um deficiente mental, pouco acima da debilidade, que distribui publicidade nas ruas e com isso consegue manter seu irmão viciado em drogas. Pietro é vítima do seu irmão que o ridiculariza diante dos amigos, para rirem. Filmado em Torino, mostra a desumanidade a que são submetidos os simplórios e como podem, de repente, reagir.

Se Periferic, filme rumeno, não for premiado, é quase certo que sua atriz, Ana Ulari, ganhará. O filme trata de uma detenta com liberdade por um dia para ir ao entêrro da mãe, porém, aproveita para recuperar uma soma de dinheiro, deixada com o irmão e o ex-amante. É um dia muito particular para a prisioneira Matilda, que espera fugir com o dinheiro para outro país e recuperar seu filho, que vive num internato. Rejeitada pela família, tenta obter, sem êxito, do ex-amante o dinheiro que lhe deixara ao ser presa, Na discussão, provoca um acidente de carro, o amante morre e ela se apossa do dinheiro, vai buscar o filho, mas descobre ser um delinquente e prostituto. Mesmo assim, parte com ele, rumo à liberdade. Porém, seu filho, aproveitando-se do momento em que ela dorme no trem, rouba todo dinheiro e desaparece, pondo assim fim ao seu sonho de liberdade.

Outro provável é o filme rumeno Morgen, Amanhã, de Marian Crisan, que trata da questão da imigração ilegal dentro da União Européia. Nelu, um velho rumeno, trabalha como segurança num supermercado e, nas folgas vai pescar. É assim que encontra um imigrante turco ilegal, que leva para casa. Os dois não se entendem por falarem idiomas diferentes, o rumeno e o turco, mas a única coisa que Nelu entende é que Nelu quer ir para a Alemanha. Curiosidade, o diretor Marian Crisan confessou, em Locarno, que seu ator turco é imigrante clandestino na Rumênia.

Haverá um prêmio para O Pequeno Quarto (La Petite Chambre) das suíças Stephanie Chuat e Veronique Raymon ? Elas mostram o veterano Michel Bouquet, no papel de um idoso que não quer ir ao asilo, mas que resmunga e rejeita a enfermeira que vem cuidar dos seus remédios. Ela mesma, a enfermeira, tem o problema psíquico de não aceitar ter nascido morto seu filho. A próxima morte do idoso, cujo apartamento o filho esvazia para vender ou alugar, enquanto seu pai estava se tratando de uma queda no hospital, e a morte do recém-nascido são o tema em torno do qual giram as personagens. Após a projeção pública, o filme uma estrondosa salva de palmas, quase standing ovation. O excelente Michel Bouquet será o ator premiado ?

Bas fonds é um filme de gritos de mulheres, que vivem num apartamento sem móveis, sem limpeza. São duas irmãs e a amante da irmã mais velha, mais gritona e mais mandona. A linguagem é de carroceiro, de baixaria, de palavrões, como se duas dessas mulheres tivessem sido acometidas de histeria. Quando o trio adota um cachorro encontrado na rua, o cachorro é o único que parece normal no apartamento. A maldade e o clima de loucura acabam levando duas delas a abatem, sem motivo, um padeiro, numa padaria vazia por ser ainda madrugada. A diretora do filme, Izild Le Besco, se inspirou num caso de real assassinato, mas foge de qualquer interpretação política do seu filme.

E a essa lista deve-se acrescentar Luz Nas Trevas, de Helena Ignez e Ícaro Martins, e o filme sérvio Beli Beli Svet já comentados.

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*Rui Martins é ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com a Agência Assaz Atroz e com este "Quem tem medo do Lula?".
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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CASO SAKINEH:: RESPOSTA DO IRÃ A LULA FOI GROSSEIRA

É inaceitável o comunicado do Irã em resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ofereceu asilo a Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento em função de mero adultério.

Supondo que sejamos perfeitos otários, as autoridades iranianas insistem na invencionice posterior de que a pena capital se deveu a cumplicidade em assassinato, embora a sentença reze o contrário. Não cola.

Mahmoud Ahmadinejad se nega a transferir um "problema" para Lula, como se nosso presidente fosse um incapaz necessitado de tutela externa ao tomar suas decisões.

Pior ainda foi o comunicado oficial, no qual o Irã simplesmente nos insultou, ao fazer indagações ofensivas e acintosas:
"Em relação à presença ou ao exílio de Sakineh Mohamadi no Brasil, é necessário considerar alguns pontos e questões significativas. Quais são as consequências desse tipo de tratamento aos criminosos e assassinos?

"Esse ato não promoverá e não incitará criminosos a praticar crimes?

"Será que a sociedade brasileira e o Brasil precisarão ter, no futuro, um lugar para os criminosos de outros países em seu território?"
Mereciam receber uma resposta sincera: oferecemos asilo a Sakineh porque temos certeza de que não se trata de nenhuma criminosa, mas sim do alvo da vez de psicopatas que utilizam a religião para acobertar seus impulsos sádicos e homicidas.

Não consigo imaginar seres humanos tão vis e covardes a ponto de apedrejarem uma mulher até a morte. Estão mais para bestas-feras.

Quanto ao  lugar para os criminosos de outros países em território brasileiro, prometo lutar até o fim para que nele não sejam admitidos os responsáveis por atos tão hediondos, quando o povo iraniano finalmente os escorraçar como merecem.

Infelizmente, estavam certos os que criticaram Lula por tentar introduzir um pouco de racionalidade na discussão sobre sanções ao Irã.

Nosso presidente tinha ótimas intenções, mas se desgastou inutilmente tentando ajudar fanáticos delirantes, ingratos ao extremo. Perda total.

A mesma boa vontade ele mostrou ao se dispor a receber Sakineh, não só pela compaixão  que seu caso naturalmente inspira, mas também para oferecer ao Irã uma saída honrosa de um episódio que está deixando sua imagem em cacos.

Os mandatários iranianos, se utilizassem a desculpa de estarem atendendo o pedido de um governante amigo, salvariam as aparências.

Mas, preferiram insistir em sua intransigência obtusa.

Agora, ou assassinam Sakineh e serão vistos pelo mundo inteiro como trogloditas.

Ou poupam Sakineh e darão apenas demonstração de fraqueza, pois parecerá que se vergaram a pressões, embora continuassem errados nas convicções.

Em qualquer das hipóteses, o mal está feito: haverá bem menos solidariedade ao Irã, se os EUA desfecharem um ataque para que os israelenses possam dormir sem pesadelos com bombas atômicas (já os vizinhos perderem o sono por causa dos petardos judeus faz parte da ordem natural das coisas...).

E a imprensa informa que as pressões por uma intervenção militar estão aumentando nos EUA.

Ahmadinejad e sua trupe sinistra mostram um talento todo especial... para marcarem gols contra.

De quebra, trataram a pontapés o único presidente de uma grande nação que lhes estendeu a mão.

REAÇÃO BRASILEIRA
 
O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, respondeu à altura, afirmando que o Brasil continuará empenhando-se para que o caso de Sakineh tenha uma solução humanitária e se referindo a Mahmoud Ahmadinejad como o que ele realmente é: um  ditador. Bravo!

Vocês já viram esses pobres tolos enterrando-se cada vez mais nos caça-níqueis, sem ânimo para ir embora porque já perderam durante horas a fio e querem acreditar que a sorte acabará virando?

Pois é, nunca vira e eles despencam até o fundo do poço.

A situação é a mesma. O Brasil já perdeu muito apostando no Irã e perderá mais ainda  insistindo. É hora de respeitar a si próprio e de se fazer respeitar por estrangeiros insolentes.

Então, espero que o Itamaraty não atrapalhe: Vannuchi  está falando pelo Brasil.
Por Celso Lungaretti, jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com
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